quarta-feira, 3 de maio de 2017

Foi no que deu



São já antigos, os textos, do mês passado, mas cada vez mais actuais. O primeiro, de Diogo Queiroz de Andrade, o segundo de Guilherme  Valente. Sobre as práticas educativas escolares, sobre as pedagogias de laxismo, impotência, degradação e cinismo do mundo adulto, quanto dele destituído da função de pais, por incapacidade de arrostar com o seu mundo familiar, que as políticas de uma democracia imberbe possibilitaram, em autêntico carnaval de deseducação, aos níveis familiar, escolar e social, o mundo adulto acobardado na sua oficina de velhos Gepetos impotentes ante a malandrice dos seus pinóquios não corrigíveis, contrariamente ao de Collodi. Há muito que o pressenti e afirmei em livros ou textos, e o texto de Guilherme Valente soa-me como a algo familiar, que também fui apontando ao longo do meu caminho, e que, em 1976, culminou, na surpresa aterrorizada de uma vivência escolar repentinamente degradada, com uma carta acusatória ao Ministro da Educação da altura, que transcrevi em “Cravos Roxos” (III Parte), e cuja parte final exponho aqui, talvez já em repetição, mas para mais uma vez servir de alerta e de repúdio por uma educação estupidamente adulterada que dá os seus “frutos” vergonhosos - além de servir também de complemento aos articulistas que tão corajosamente e expressivamente vieram a terreiro exprobatório.

1º Texto: As negociatas dos finalistas
12 de Abril de 2017,
Diogo Queiroz de Andrade
Há um negócio que se especializa em subverter actos eleitorais em escolas cheias de menores através de ofertas em dinheiro e em géneros. Esse negócio concretiza-se em viagens mais ou menos selvagens onde o álcool corre à farta e o descontrolo é assegurado pelas mesmas empresas que promoveram o evento. Há dinheiro a passar de mão em mão, mas facturas nem vê-las. Há “famosos” de terceira e quarta categorias a animar festas de listas a associações de estudantes, que já negoceiam a vitória nas eleições em troca de pacotes de viagens de finalistas. Há estudantes angariados para angariar negócio junto dos colegas, num esquema em pirâmide que funciona enquanto todos ganham. E há ameaças sérias de violência num negócio em que os territórios são disputados palmo a palmo.
O melhor é que ninguém sabe de nada: não sabe o Ministério da Educação, que supostamente tutela as escolas e o que nelas se passa; não sabem os pais, que nem se informam sobre como é gerido o esquema que enfia os filhos em camionetas que os deixam à porta de um qualquer destino soalheiro; não sabe o Ministério das Finanças, que nem se interessa pelas muitas centenas de milhares de euros que são trocados de mão em mão sem quaisquer documentos; e não sabem as juventudes partidárias, que têm a sua acção de base nestas associações de estudantes que são tudo menos sérias.
O que menos interessa desta história toda é o que se passa durante a viagem: sim, há mais dinheiro a circular, muito álcool nas mãos de menores e rédea solta para os exageros. Hotéis, agências, pais e filhos contam com isso.
É o que menos interessa na história e só serve para títulos mais ou menos indignados.
O que conta aqui é a forma como tudo isto acontece e os resultados que tem: se a primeira experiência democrática que estas gerações vivem está corrompida por famosos e viagens a destinos mais ou menos paradisíacos, é difícil associar a política a algo nobre ou o exercício de cargos públicos a uma expressão de cidadania.
Talvez nada disto seja, em si mesmo, ilegal. Mas é certamente amoral — e tem consequências. Da próxima vez que lerem uma notícia sobre as pequenas e grandes negociatas, a violência no desporto, a prepotência de quem tem poder ou a candidatura a uma câmara de um ex-autarca condenado por corrupção poderão encontrar uma linha recta que conduz a esta notícia. 

2º Texto:
Os finalistas do eduquês
14 de Abril de 2017,
Guilherme Valente
"Ignorar os factos é desprezar a liberdade"    T. Snyder, On Tirany
"O conhecimento emancipa a pessoa humana, a autonomia intelectual é a marca da dignidade humana"    I. Kant, 1783
1. Vejo com satisfação que o meu combate de muitos anos pelos factos e a prova da realidade na Educação, isto é, pelo espírito científico, fez o seu caminho e hoje mais gente tem engrossado este lado da barricada. 
É preciso prosseguir este combate, agora também pela Literatura e as Humanidades (a tecnologia sem a moral "é como uma pistola nas mãos de uma criança"). Aquilo que enfrentamos é o mais brutal, programado, ataque à Razão, à Civilização e aos grandes valores universais comuns. Os valores morais não desaparecem, não são os valores que estão em crise. Em crise está a sociedade marcada pela escola da ideologia relativista, permissiva e obscurantista, que deixou de os transmitir e exercitar e mina. 
Veja se, a propósito, o discurso do ministro da Educação britânico, traduzido e divulgado muito oportunamente por Helena Damião, resistente corajosa no meio absurdo e ameaçador dominado pelos "especialistas da educação" (blog De rerum natura).
O que esse ministro diz, apoiado nos avanços mais actuais das ciências cognitivas aplicadas à Educação, é, afinal, o óbvio, que não me tenho cansado de gritar, quase sozinho, ou melhor, com a concordância, mas, até hoje SILENCIOSA, de inúmeros portugueses.
2.O vandalismo sazonal perpetrado por "estudantes" portugueses em Espanha é mais um facto, a juntar a muitos outros, como os das praxes e da violência nas escolas, que os professores têm vergonha de contar (o JN de 11/4 garante que há jovens a levar armas para os estabelecimentos de ensino), da abdicação aberrante dos jovens de intervirem na política e nas causas cívicas. Tudo evidências da devastação na escola, na juventude e na sociedade programada pela ideologia e a moda que dominou e continua a dominar a Educação desde praticamente o 25 de Abril. Assim se impedindo o País de construir a escola que com a liberdade era possível e imperativo construir. Repare-se como nem têm a menor consciência moral do que praticaram": escreve o PÚBLICO, "Finalistas dizem que estragos foram resposta a 'insultos'".
Viagens de cuja natureza e organização o ME e as escolas onde são traficadas ignoram tudo, claro. Educação para a Cidadania (EC) só no papel.
Pode-se generalizar? Deve-se generalizar. Porque estou a falar do meio dominante, do que suscita, permite e desculpabiliza a barbárie. Claro que há excepções, há sempre. E desta vez os "sociólogos" e "especialistas" não vão conseguir o embuste de identificarem o vandalismo com a revolta de grupos sociais desfavorecidos...
São os filhos de pais que preferiram deixar de ser pais para serem "amigos", alunos de "professores" que deixaram de ser mestres por ser mais fácil e menos perigoso serem "tipos porreiros". Alunos dos Ministérios, dos “especialistas da educação", das teorias e programas das "aprendizagens"; do "aprender a aprender" sem se aprender nada; da "aula continuação do recreio"; do facilitismo, da ausência de exigência e avaliação a sério; do elogio da indisciplina e da desvalorização do professor; das "competências", sem se aprender o que é preciso para se ser competente nalguma coisa; da "interdisciplinaridade", sem se ter aprendido nada em nenhuma disciplina; das "áreas de projecto", a ignorância pode projectar o quê? E, agora, da Educação para a Cidadania, ideia no mínimo perigosa, que só não é idiota por ter o objectivo oculto de reduzir e desvalorizar os saberes essenciais, isto é, evitar que se ensine e apreenda o que deve e é preciso ser aprendido e reflectido.
E vai piorar, porque o ME já desenterrou (só mudaram o século, as tretas são as velhas e vê-se o seu resultado) o Perfil dos Alunos para o Século...XXI, eleitores num futuro próximo das catarinas martins ou de alguém no outro extremo, que é o mesmo.

3º Texto: De “Cravos Roxos”, III Parte “Memórias de um Professor do Liceu”:
…..«Senhor Ministro, não tenho veleidades de esperar qualquer resultado positivo desta minha exposição. A partir do momento em que se destituíram os professores da sua autoridade docente e se concederam todas as liberdades aos discentes, o ensino não passa de uma fachada de ilusão neste país, e só lamento os pais - sou um deles - que desejando uma boa formação espiritual para os filhos, colhida também na escola, os têm entregues a uma autêntica instituição de degradação moral sem precedentes, e deixando naturalmente prever catastróficas consequências futuras. Lamento igualmente os alunos - os bem formados e os aplicados - que não encontram aí meio para sobreviverem.
O único resultado que talvez venha a obter com a minha intervenção junto de V. Exª, serão inquéritos e novos vexames - as crianças têm sempre razão (de resto os próprios alunos justificaram essa sua razão no meu “julgamento” pelo motivo de estarem em maioria, afirmação que jamais me passou pela cabeça pôr em dúvida, creia-me, ser Ministro) - onde os alunos pronunciarão novos dislates e insolências (uma instintiva delicadeza impede-me de usar o termo “bacoradas”) e onde eu não terei medo de defender, mas tão somente uma pena infinita, por ver o meu país desgraçado em vias de atingir o caos total, onde os jovens não aprendem a tornar-se cidadãos autênticos em que liberdade signifique dignidade e respeito próprio e alheio, mas apenas um descontrolado despudor absoluto.
Como mulher livre que sempre fui, respeitando-me e respeitando por isso os outros, sem alienação de espécie alguma, recuso-me a pactuar com este estado de perversão que a falta de autoridade provocou.
Por isso dirijo a V. Exª este manifesto, como um grito de dor e um apelo ao bom senso dos homens que governam o meu país.»
                                                                                              11/5/76

terça-feira, 2 de maio de 2017

O Papa avisou



A nossa amiga usou a frase repetidas vezes, com a serenidade superior de quem tinha escutado, já nós tínhamos despejado, de par com a bica e acompanhantes, entre os quais o copo de água favorecedor da nossa saúde irrigada segundo os preceitos da moderna hidratação, a série de assuntos introdutórios, de reprodução fofoqueira das nossas andanças semanais, onde a saúde nossa e dos familiares e amigos não deixa de ser registada, com os desvios e as fofocas a propósito. Mas a frase soou-me a estribilho, mesmo ao modo das tais cantigas do medievo, encerrando por vezes um gemido de dor ou preocupação, como esse do “ai Deus, i u é?” de apelo animístico às “flores de verde pino” sobre o paradeiro do amigo faltoso da menina que se lhes dirige, ou aquele outro da ermida de S. Simeão, onde a menina vai rezar pelo amado, descuidada da maré que enche, e ela bem que morrerá formosa no alto-mar, pois não tem barco nem sabe nadar, (embora seja manifesto o desvio semântico da constatação), “eu atendendo o meu amigo, eu atendendo o meu amigo”. Tal estava a nossa amiga, numa de advertência, quando a conversa descambou nas preocupações noticiarísticas ameaçadoras da tranquilidade do mundo, ao repetir em estribilho “o Papa avisou”, como reforço de autoridade superior, que não deixa margem a dúvidas, “foi o papá que mandou”.
Na verdade, tínhamos aflorado o tema à volta do Trump - “mais louco é impossível”, segundo o remate da nossa amiga, depois de lhe citarmos atitudes e discursos desconcertantes - ignorantes, no conceito da minha irmã, que troça das suas falas e pronúncia de americano rústico - o homem que detesta jornalistas, que está cansado e saudoso da sua paz anterior, que ameaçou ou prometeu e não cumpriu, que gasta mais dinheiro do que ninguém, diz a nossa amiga, contando dos seus fins de semana no seu palácio na Flórida, e da filha que foi vaiada na Alemanha, onde fora explicar das razões do papá, um homem que “parece que não joga bem da bola” que vai encaminhando a Terra para uma terceira guerra, ao confrontar-se com esse outro Kim Jong-un da Coreia do Norte, que parece anormal, com a cara atenta aos “soldadinhos de chumbo” humanos da sua diversão actual, juntamente com as experiências com os seus mísseis atrevidos sobre os mares do Japão…
A minha irmã culpou a China por alimentar a Coreia do Norte: “Se não fosse a China, eles morriam à fome, eu acho que a China se está a portar muito mal”, explicou com muita elegância mas uma ferocidade inusitada - (eu até me lembrei - salvo as respectivas distanciações entre os ditos da sensatez repudiante e as enormidades de extremismos partidaristas ferrenhos - daquelas claques do Porto a desejarem que a selecção do Benfica fosse no avião que, ao despenhar-se, liquidou uma selecção quase inteira de um clube brasileiro, insensatezes criminosas que provocaram a nossa recriminação estupefacta).
E a nossa amiga mais uma vez concluiu:
- O Papa avisou! Se o Trump não acredita que estamos a dar cabo disto, é burro!
E eu em reforço:
- Quem dera que houvesse um avião como esse para a Colômbia com o Jong Un a bordo! Mas… “está quieto!”, como tão bem exprime Passos Coelho. Não há avião de desastre para o Kim, que ele só não se importa de arriscar a vida dos outros, mesmo que sejam da Terra inteira. A dele… “está quieto!”
Estamos realmente preocupadas. E nem foi preciso o aviso do Papa. Mas oxalá o ouvissem os homens.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Saber às pinguinhas, 16



Saber às pinguinhas, 16
História, 8º Ano
Manual: MISSÂO-HISTÓRIA
Tema 7: O arranque da Revolução industrial e o triunfo dos regimes liberais conservadores
7.1- Da “Revolução Agrícola” à “Revolução Industrial”
I- A modernização agrícola na Inglaterra e na Holanda
A - Com os seus governos liberais, (ao contrário da maioria dos países europeus, de monarquias absolutistas), a Inglaterra e a Holanda tiveram um grande desenvolvimento económico, científico e tecnológico, nos séculos XVII e XVIII, a que se chamou de Revolução Agrícola.
B - Em Inglaterra, a nobreza rural pôde alargar as suas propriedades, com a anexação de terrenos comunais (baldios) ou com a aquisição de terras a proprietários falidos.
C - As novas extensas propriedades eram cercadas, chamando-se enclosures, e nelas se praticava agricultura e criação de gado.
D - Além desse aumento da área cultivada, deram-se também melhorias técnicas: de drenagem de pântanos, introdução de novas culturas - batata, beterraba, milho maís, (americano), selecção de sementes e animais reprodutores (para produção de carne e de lã).
II-O aumento demográfico em Inglaterra
A - Foi na Inglaterra sobretudo que se verificou um grande aumento da produtividade agrícola.
B- Consequências:
- A alimentação tornou-se mais abundante e variada.
- A melhoria na alimentação, aliada aos progressos na higiene e na medicina e à diminuição das epidemias trouxe a diminuição da mortalidade, sobretudo infantil, contribuindo para o crescimento natural da população.
- O aumento da população, juntamente com a mecanização da agricultura provocou um excesso de mão-de-obra nos campos e, em consequência, o êxodo rural, com consequências no crescimento urbano e, por conseguinte no desenvolvimento da indústria.
Conceitos:
Revolução agrícola: Conjunto de transformações, na agricultura europeia dos séculos XVII e XVIII, que alterou as técnicas de cultivo e o regime de propriedade, aumentando a produtividade.
Enclosure: Termo inglês que significa «campos cercados». São grandes propriedades rurais, vedadas com sebes, destinadas à agricultura e à criação de gado.
III- O pioneirismo inglês
1- A Revolução Agrícola trouxe capitais, mão de obra e matérias-primas favoráveis ao arranque da Revolução Industrial.
2- A Revolução Industrial define-se como o conjunto de transformações técnicas e económicas que tiveram início em Inglaterra e se espalharam gradualmente a vários países da Europa e à América do Norte.
3- No século XVIII, a Inglaterra reunia uma série de condições que lhe permitiram ser pioneira neste processo de industrialização:
A- Condições políticas, sociais e económicas
1- A Revolução Inglesa de 1688 trouxe reformas políticas e sociais, levou ao triunfo das ideias liberais e à formação de uma burguesia e de uma nobreza dinâmicas e empreendedoras que investiram os lucros obtidos com o comércio colonial e com a agricultura, na criação de indústrias:
   1.1- O grande império colonial e as mudanças aplicadas na agricultura trouxeram capitais que eram investidos na indústria e em novos mercados para escoar os produtos.
   1.2- Trouxeram também matérias-primas (algodão das colónias, lã da metrópole).
2- Por causa do aumento demográfico e do êxodo rural, consequência da mecanização da agricultura, a Inglaterra ficou com muita mão de obra para trabalhar na indústria.
3- Possuía um sistema financeiro forte, de moeda estável, a libra esterlina, para financiar o Estado e os privados em novos negócios.
B- Condições naturais
(Contributo indispensável para que a Inglaterra fosse o primeiro país a industrializar-se):
- Tinha muitas matérias-primas e recursos minerais, como ferro e hulha
- Tinha uma vasta rede de comunicações naturais: excelentes portos naturais, rios e canais navegáveis, (a que seriam acrescentadas linhas de caminhos de ferro e estradas).
C- Inovações técnicas
 Nos finais do séc. XVIII a Inglaterra beneficiou ainda de uma série de inovações técnicas que permitiram o desenvolvimento da indústria e dos transportes.
Um texto de Adam Smith (Economista britânico, pai da Economia moderna) (in “A Riqueza das Nações”, 1776:
«O comércio colonial tem a vantagem de oferecer um mercado vasto, ainda que longínquo, para os produtos da indústria inglesa (…). Isto encoraja a Grã-Bretanha a aumentar continuamente os seus excedentes, portanto, a quantidade de trabalho produtivo. Por sua vez os operários das manufacturas, ao terem emprego, formam um novo mercado (…) para os produtos da terra.»
            D- “A Idade do Vapor”
1- A “máquina a vapor”, patenteada por James Watt em 1769, marca o arranque da primeira fase da industrialização: Ela permitiu a produção artificial de energia, com a sua capacidade de movimentar outras máquinas. Foi inicialmente aplicada em dois sectores: na indústria e nos transportes.
2- Na indústria os sectores de arranque foram o têxtil e o metalúrgico:
            2.1- A indústria do algodão e da lã produziu grandes quantidades de pano para a Europa e América, beneficiando de inovações técnicas, como os teares mecânicos, que multiplicavam o trabalho de um operário.
            2.2- A indústria metalúrgica desenvolveu-se sobretudo a partir de 1830, sendo importante para a produção de máquinas, locomotivas e carris, e contribuindo para revolucionar os transportes.
3- Pela importância que teve em todos os sectores, a máquina a vapor tornou-se o símbolo da Revolução Industrial, por isso se chama “idade do vapor” a este período.
            E- As alterações no regime de produção
1- Todos estes progressos técnicos provocaram muitas alterações no regime de produção:
1.1 - A manufactura foi substituída pela maquinofactura.
1.2- O artesanato foi sendo substituído gradualmente pela indústria, as oficinas pelas fábricas e o artesão especializado dá lugar ao operário, um trabalhador que não precisava de quaisquer qualificações.
2- O trabalho torna-se repetitivo e mecanizado, dá-se uma desvalorização do trabalho:
2.1- Como não era especializado, considerou-se que qualquer um o podia fazer: mulheres e crianças passaram a ser utilizadas como mão de obra ainda mais barata.
2.2- As condições de trabalho e de vida degradaram-se muito nas cidades, o que contribuiu para o aumento de protestos e revoltas por parte de alguns grupos.
2.3- Exemplo de revoltas: As revoltas ludistas, movimento que surgiu na Inglaterra em 1811, com dimensão significativa: os luditas invadiam fábricas e destruíam máquinas, considerando-as responsáveis pela desvalorização do trabalho humano.

Conceitos: Maquinofactura: Regime de produção que utiliza a força da máquina, como energia, substituindo a manufactura ou trabalho manual. Revoltas luditas: O termo deriva de Ned Ludd, um dos líderes destes movimentos que se opõem à industrialização intensa ou a novas tecnologias, por estas desvalorizarem o trabalho humano.
Avanços nas indústrias têxtil e metalúrgica: 1730: Uso do coque na fundição. Darby. 1764: Spinning Jenny (máquina de fiar- J. Hargreaves. 1769: máquina a vapor, J. Watt. 1784: Pudiagem (técnica de aperfeiçoamento do ferro em aço), Cort. 1785: Tear mecânico (aplicação da máquina a vapor na indústria têxtil), Cartwright.

Consequências da Revolução industrial: O alargamento das cidades trouxe, a par das vantagens em conforto e luxos, pelo desenvolvimento da indústria e do comércio, a degradação e a poluição das cidades, com fossas nauseabundas de escoamento latrinário bianual, casas junto das fábricas sem condições de habitabilidade nem higiene, onde a propagação das doenças era rápida, embora a medicina tenha evoluído. A industrialização trouxe aumento de consumo mas também de lixo. Trouxe a exploração do trabalho infantil, como mão de obra barata, tal como o trabalho das mulheres