terça-feira, 2 de maio de 2023

No “Dia do Trabalho”

 

Notícias breves.

Mas também a “Guerra Fria” de Nuno Rogeiro e José Milhazes veio dar hoje esperança na questão da contraofensiva ucraniana progressivamente mais eficaz, com os apoios recebidos de mísseis vários de defesa aérea, bem como a indicação de um cada vez maior isolamento da Rússia relativamente ao apoio anterior dos povos seus aliados, progressivamente mais críticos.

GUERRA NA UCRÂNIA

Em direto/ Comboio descarrila na Rússia, junto à Ucrânia

O comboio levava combustível e madeira, e não foi registada nenhuma morte em consequência do descarrilamento. A explosão ocorreu a 37 quilómetros da fronteira ucraniana.

GUERRA NA UCRÂNIA

Pode Zelensky conquistar os 4 aliados de Putin?

Brasil, Índia, China e África do Sul são os parceiros da Rússia no grupo dos BRICS. Ucrânia tem tentado aproximação através da diplomacia, mas os laços com Moscovo são fortes.

GUERRA NA UCRÂNIA

Início da ofensiva? O sucesso de Kiev em Kherson

Ucrânia diz ter conseguido passar para margem oriental do rio Dniepre, tendo destruído "tanques, veículos blindados e os sistemas de defesa aérea" da Rússia. Mas Moscovo nega sucessos ucranianos.

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

Casa Branca insiste na restrição a armas de fogo

01 mai. 2023, 22:30

FUTEBOL

Nuno Espírito Santo, melhor treinador em abril

01 mai. 2023, 22:28

BRASIL

Terras indígenas: Bolsonaro critica Lula

01 mai. 2023, 22:26

BRASIL

Lula elogia mulheres e promete empregos

01 mai. 2023, 22:25

NOTICIÁRIO

22h. Galamba. Costa não foi informado sobre SIS

01 mai. 2023, 22:13

NOTICIÁRIO

21h. Ucrânia está pronta para a contra-ofensiva

01 mai. 2023, 21:17

JOE BIDEN

Joe Biden assegura que bancos estão a salvo

01 mai. 2023, 21:06

ANGOLA

Lula deve visitar Angola em agosto

01 mai. 2023, 21:04

SUDÃO

Sudão: mais de 800 mil poderão fugir

01 mai. 2023, 21:02 POLÍCIA JUDICIÁRIA: PJ apreende 4,2 toneladas de cocaína

 

segunda-feira, 1 de maio de 2023

Justas ambições

 

Mas os cinismos prevalecem, nesses que se abstiveram de condenar a Rússia - (nos outros também, que assim temos quem nos defenda, fornecendo-lhes nós as armas para isso) - Zelensky que não se precipite na procura de reforços, embora os Ucranianos se sintam desfeitos…

BRICS sem o R de Rússia. Zelensky quer conquistar os quatro aliados de Putin, mas tem um longo caminho pela frente

Brasil, Índia, China e África do Sul são os parceiros da Rússia no grupo dos BRICS. Ucrânia tem tentado aproximação através da diplomacia, mas os laços com Moscovo são fortes.

ANA KOTOWICZ: Texto

OBSERVADOR, 30 abr. 2023, 22:052

Índice

Brasil

Índia

China

África do Sul

Vamos carregar no botão de pausa e parar o filme, mesmo que ele ainda esteja longe do final. O frame congelado, ou a fotografia instantânea deste momento, parece favorável à Ucrânia. Mas basta andar um bocadinho para a frente, ou para trás, para a realidade mudar completamente. Com a ajuda de uma lupa, o que se vê nos detalhes deste enquadramento, resume-se em quatro pontos.

Em Portugal, Lula da Silva, recém-empossado Presidente do Brasil, “deplorou” a violação da integridade territorial da Ucrânia pela Rússia.

Pela primeira vez de visita Índia, desde o início da guerra, a vice-ministra ucraniana dos Negócios Estrangeiros levou uma carta do seu Presidente ao primeiro-ministro indiano.

Por videoconferência, Volodymyr Zelensky reuniu-se, também pela primeira vez desde 24 de fevereiro de 2022, com o Presidente da China.

Na África do Sul, o Presidente Cyril Ramaphosa parecia pronto para se desvincular do Tribunal Penal Internacional — que emitiu um mandado sobre Putin —, mas o seu gabinete foi rápido a explicar que Ramaphosa tinha sido mal interpretado.

Brasil. Índia. China. África do Sul. Se juntarmos a estes quatros países a Rússia (e a encaixarmos entre Brasília e Nova Deli) temos iniciais suficientes para escrever BRICS, o acrónimo do bloco das principais economias emergentes do mundo.

Os dados mais recentes mostram que os BRICS contribuem com cerca de 31,5% do PIB global, enquanto o G7 representa 30,7% (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido). Os BRICS querem ser também, como disse Lula da Silva recentemente, a alternativa ao comércio em dólares. “Por que não podemos fazer o nosso comércio lastreado na nossa moeda?”, questionou em Xangai, na cerimónia de posse de Dilma Rousseff como presidente do Banco dos BRICS. “Quem é que decidiu que era o dólar? para exportar Nós precisamos de ter uma moeda que deixe os países numa situação um pouco mais tranquila, porque hoje um país precisa de correr atrás do dólar.”

Mais do que parceiros comerciais, os BRICS são um grupo de países aliados da Rússia, os mais poderosos que Moscovo tem, num momento em que está isolada politicamente do Ocidente.

Neste cenário, e precisando a Ucrânia de toda a ajuda possível para ganhar a guerra, isso inclui também roubar aliados a Moscovo ou, pelo menos, tentar explicar o seu ponto de vista a países como a China, evitando aliená-los, erros do passado que Volodymyr Zelensky já reconheceu. A aposta é em aumentar a diplomacia e, quem sabe?, conseguir um plano de paz que tenha o apoio dos aliados de Vladimir Putin. E que, como Zelensky frisou várias vezes, não inclua ceder um centímetro de território da Ucrânia. Crimeia incluída.

Brasil

Presidente Lula da Silva

O Brasil votou pela condenação da Rússia na Assembleia Geral da ONU, a 2 de março, durante a primeira votação para exigir o fim da ofensiva russa contra a Ucrânia. Os restantes membros dos BRICS abstiveram-se.

O Presidente brasileiro defendeu, em janeiro, a criação de um “clube da paz”, que integrasse China e Índia, para procurar uma solução para o conflito.

Em Lisboa, Lula da Silva “deplorou” a violação da integridade territorial da Ucrânia pela Rússia, numa declaração conjunta com Portugal.

Dias antes da visita a Lisboa, Luiz Inácio Lula da Silva — que a 1 de janeiro tomou posse, substituindo Jair Bolsonaro na Presidência do Brasil — deixou a Ucrânia irritada.

No início do mês, o Presidente sugeriu que a Crimeia, anexada em 2014, ficasse nas mãos da Rússia. “Putin não pode ficar com um terreno da Ucrânia. Talvez não se discuta a Crimeia. Mas o que ele invadiu, vai ter de repensar. Zelensky não pode também querer tudo o que pensa que vai querer”, dizia Lula a 8 de abril.

A resposta não se fez esperar. “A desocupação da Crimeia é inevitável”, afirmou Zelensky, poucas horas depois.

Por essa altura, Lula defendeu que tanto a Ucrânia como a Rússia estão à espera de alguém de fora que diga “vamos sentar para conversar”. Na sua opinião, esse papel pode caber ao Presidente chinês — com quem estaria poucos dias depois, durante uma visita a Pequim.

“Por que é que eu quero falar com Xi Jinping?”, questionou Lula, dando a resposta de seguida: a importância económica, militar e política da China, a sua relação com a Rússia, e até “a divergência com os Estados Unidos – dá à China um potencial extraordinário de conversar”.

Abril foi, aliás, um mês carregado de declarações de Lula que o Ocidente não gostou de ouvir. Muitas foram réplicas do que já tinha dito em campanha eleitoral, como quando, em 2022, criticou Zelensky por se achar “o rei da cocada”. Agora, em Pequim, avisou que os Estados Unidos têm de parar de incentivar a guerra, guerra essa que também é responsabilidade da Ucrânia. A resposta norte-americana foi de que Lula “repete a propaganda russa” sem olhar aos factos.

Nestes quatro meses de governação, os interesses do Presidente brasileiro são cada vez mais claros. Durante a visita à China, principal cliente do Brasil, Lula fez questão de dizer que a parceria é para fortificar. “Temos interesses políticos e temos interesses em construir uma nova geopolítica, para que possamos mudar a governação mundial”, afirmou o Presidente brasileiro. Ou seja, se alguém ainda duvidava, os interesses do Brasil não são os mesmos do Ocidente e dos EUA.

Na CNN Portugal, a 22 de abril, Carlos Vianna, antigo presidente da Casa do Brasil de Lisboa, explicava isso mesmo: O “Brasil tem todo o direito a ter uma posição diferente da União Europeia” quando o tema é a guerra na Ucrânia”, até porque o país “não entra na dicotomia de maus vermelhos e de bons azuis.”

Apesar de tudo o que Lula tem dito, Zelensky parece empenhado em conseguir o apoio do Brasil. Depois de uma vídeo-chamada em março, a 18 de abril soube-se que convidou Lula a visitar Kiev para lhe mostrar que existe “uma vítima” e “um agressor”, que não podem ser tratados da mesma maneira. No entanto, no dia seguinte, o gabinete de Lula fez saber que a visita não estava na agenda do Presidente, pelo menos enquanto os dois lados do conflito não estiverem interessados num cessar-fogo.

No aniversário da guerra, a 24 de fevereiro, Zelensky já tinha tentado uma aproximação, quando afirmou que gostava de se encontrar com Lula, já que precisava da sua ajuda para que a Ucrânia “fosse mais bem compreendida na América Latina”. Essa tarefa não será fácil.

 “Os países da América Latina dizem não, esta não é a nossa guerra”, argumentou Christopher Sabatini, do think tank Chatham House, citado pela EuroNews, ao comentar um eventual apoio latino à Ucrânia. “Muitos deles sentem que os Estados Unidos e a Europa Ocidental ignoraram as suas preocupações durante muito tempo” e estão a aproveitar o momento para afirmar a sua independência.

Já Alexander Stubb, antigo primeiro-ministro da Finlândia, tem uma visão semelhante: “Basicamente, apontam o dedo à Europa e aos EUA e dizem: ‘Não venham dar-nos lições sobre integridade territorial e soberania. Vejam o que fizeram durante o colonialismo. Ou, vejam o que aconteceu no Iraque'”.

Índia

Primeiro-ministro Narendra Modi

A Índia absteve-se quando a ONU exigiu o fim da ofensiva russa (2 de março). Vinte e dois dias depois voltou a abster-se quando a votação era sobre o acesso humanitário à região. A 7 de abril voltou a abster-se na votação para expulsar a Rússia do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Até hoje não condenou a invasão russa da Ucrânia.

Desde que a guerra começou, nenhum ministro ucraniano tinha ainda visitado a Índia, país que mantém estreitos laços com Moscovo e que, até hoje, não condenou a invasão russa. Promoveu, no entanto, a ideia de que só negociações de paz podiam resolver o conflito e mostrou-se disponível para se juntar a “qualquer processo de paz” para resolver a crise na Ucrânia.

Durante quatro dias, que começaram a contar a 10 de abril, Emine Dzhaparova, vice-ministra dos Negócios Estrangeiros, esteve em Nova Deli para uma série de encontros diplomáticos. Consigo levou um convite importante do seu Presidente: Volodymyr Zelensky quer que Narendra Modi visite Kiev, mas a resposta do primeiro-ministro indiano ainda não é conhecida.

Narendra Modi e Zelensky já conversaram antes sobre a guerra. Na altura, durante uma conversa telefónica, Zelensky quis explicar a Modi — que ia tomar posse como presidente do G20 — a sua “fórmula para a paz”. A ideia do presidente ucraniano tinha sido apresentada um mês antes, exactamente durante uma vídeo-chamada com os líderes do G20 reunidos em Bali. Essencialmente, passava por a Rússia garantir a integridade territorial da Ucrânia, retirar as suas tropas e pagar uma indemnização pelos danos causados.

O problema é que a relação entre a Índia e a Rússia é antiga e profunda. Ao longo dos anos, nas Nações Unidas, defenderam-se mutuamente. Por exemplo, Moscovo sempre apoiou Nova Deli na questão de Caxemira e a Índia preferiu sempre abster-se de condenar a Rússia nos diferentes conflitos em que se envolveu ao longo dos anos.

Já depois de a guerra ter começado, Modi esteve com Putin e descreveu os laços dos dois países como “uma amizade inquebrável”, lembrando que os dois países estiveram “juntos a cada momento nas últimas décadas”, frisando que “o mundo inteiro também sabe como tem sido o relacionamento da Rússia com a Índia”. Por isso mesmo, o mundo não deveria ter-se espantado quando no aniversário da invasão, a Índia se absteve na votação que pedia a retirada imediata da Rússia.

“Embora a decepção dos interlocutores ocidentais seja compreensível, a sua surpresa não é”, defendeu Amrita Narlikar, presidente do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais (GIGA), citado pela Deutsche Welle. “Além de boas relações diplomáticas, a dependência da Índia da Rússia para abastecimento militar é considerável — não pode arriscar isso, tendo em conta a vizinhança difícil. Pelo menos a curto prazo, o comportamento da Índia faz sentido estratégico.”

Um dos riscos que a Índia corre é que a Rússia, ao ficar cada vez mais isolada, se aproxime da China, vizinho problemático para Nova Deli.

“Uma Rússia cada vez mais enfraquecida provavelmente será lançada nos braços da China”, diz Narlikar. Indirectamente, ao apoiar a Rússia, a Índia pode dar força à China , “e a China não é apenas uma competidora e rival, mas uma vizinha com a qual a Índia tem sérias disputas e conflitos de fronteira”.

Assim, dificilmente será com uma visita a Kiev que Zelensky fará Modi mudar de lado, numa altura em que este tem aproveitado a crise para comprar petróleo russo a preços baixos.

Sobre a presidência da Índia do G20, Zelensky também não deve ter grandes expectativas de que seja usada para discutir sanções à Rússia, numa altura em que diversos membros do governo indiano deixaram claro, citados pela Reuters, que isso simplesmente não vai acontecer.

China

Presidente Xi Jinping

Dias antes do início da guerra, Xi e Putin reuniram-se e reafirmaram a sua “aliança sem limites”.

A 2 de março, a China absteve-se de condenar a Rússia na votação das Nações Unidas. A 24 de março, votou a favor do acesso humanitário à região. A 7 de abril, foi contra a expulsão da Rússia do Conselho de Direitos Humanos.

No aniversário da guerra, a China apelou a um cessar-fogo, defendeu que o diálogo é a única forma de alcançar uma solução viável para o conflito, e fez uma proposta de paz com 12 pontos.

Quinze meses depois da invasão da Ucrânia, a 26 de abril, o Presidente chinês conversou com Volodymyr Zelensky. A conversa telefónica entre os dois foi a primeira desde 24 de fevereiro de 2022 e o chefe de Estado da mites” com Vladimir Putin. “Este telefonema, e a nomeação do embaixador da Ucrânia na China, dará um forte Ucrânia considerou-a “longa e significativa”. O contacto anterior foi em julho de 2021.

Conversar não foi a única coisa que Zelensky conseguiu de Xi Jinping, o homem que tem uma “aliança sem li impulso ao desenvolvimento das nossas relações bilaterais.”

Além disso, e segundo a imprensa chinesa, Zelensky ouviu da boca de Xi que a China está do lado da paz e não pretende atiçar chamas nem lucrar com o conflito. “Sobre o tema da crise ucraniana, a China sempre esteve do lado da paz e a sua posição fundamental é promover um diálogo de paz”, afirmou Xi Jinping. “O diálogo e a negociação” são a “única saída” do conflito com a Rússia, concluiu o Presidente, citado pela imprensa estatal chinesa.

Outra novidade é que a China vai enviar um diplomata para Kiev, com uma missão concreta: encontrar uma solução política para o conflito, avançou o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês.

Em fevereiro, a China já tinha dado sinais de que estava pronta para mediar o conflito quando divulgou o seu plano de paz: um documento de 12 pontos (que continua por aplicar) e que, acima de tudo, pretende que os dois países em guerra iniciem e mantenham conversações. Além disso, o documento apela ao respeito pela integridade territorial de todos os países.

Nessa altura, defendeu ser neutra no conflito, apesar da relação “sem limites” que mantém com a Rússia e apesar de não criticar diretamente a invasão da Ucrânia. No mesmo documento, acusou o Ocidente de provocar e “alimentar as chamas” do conflito ao fornecer à Ucrânia armas. Agora, usa a mesma expressão para falar de si própria, ao dizer que não vai atiçar o conflito. Seguindo a lógica passada, a mensagem que estará a passar é de que não vai fornecer armas à Rússia.

Nesse documento, não deixou de criticar os EUA, o seu principal adversário geopolítico. “A segurança de uma região não deve ser alcançada através do fortalecimento ou expansão de blocos militares”, uma referência óbvia ao alargamento da NATO. “Os legítimos interesses e preocupações de segurança de todos os países devem ser levados a sério e tratados adequadamente.”

Voltando ao telefonema dos dois chefes de Estado, uma das primeiras reacções foi do chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell. “Era esperado, é uma notícia muito boa e é um primeiro passo para que a China acabe por se aproximar da Ucrânia”, disse em Bogotá. “Todos queremos a paz, mas temos de construir esta paz para que seja justa, por isso não pode ser qualquer paz”.

África do Sul

Presidente Cyril Ramaphosa

Na mesma altura em que se assinalou um ano da guerra, em Durban, na costa da África do Sul, Moscovo, Pequim e Pretória juntaram-se para exercícios navais.

Em todas as votações das Nações Unidas sobre a guerra na Ucrânia, a África do Sul absteve-se sempre de condenar a Rússia. País diz ser neutro.

Desde que o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu um mandado internacional para a detenção do Presidente russo, as viagens de Vladimir Putin tornaram-se mais complicadas. Se puser pé num país que tenha assinado o Estatuto de Roma (que criou o TPI), pode ser extraditado para os Países Baixos, onde está sediado o tribunal.

Putin viaja pouco nos dias que correm, mas a África do Sul é este ano a anfitriã da Cimeira dos BRICS, e a presença do Presidente russo é esperada em agosto. O problema é que Pretória é signatária do Estatuto de Roma e, como tal, deveria entregar Putin às autoridades do TPI assim que aterrasse no país. Em causa estão acusações de crimes de guerra de “deportação ilegal” e “transferência ilegal” de crianças de zonas ocupadas da Ucrânia.

Apesar do mandado internacional, a chefe da diplomacia sul-africana, Naledi Pandor, confirmou, no final de março, que Putin estava convidado. “O Presidente Putin é um dos líderes dos BRICS e é convidado para a cimeira, embora pense que o mandado do TPI é motivo de preocupação”, disse a ministra. “Precisamos de debater a questão no gabinete para decidir como vamos agir.”

Apesar disso, não deixou de criticar “a duplicidade de critérios nos assuntos globais”, uma vez que muitos países “envolvidos em guerras, invasões de territórios, assassínios de pessoas e detenções de ativistas” não foram chamados ao TPI.

Em 2015, o então Presidente sudanês Omar al-Bashir — com mandado de detenção por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a Humanidade — participou numa cimeira da União Africana em Joanesburgo. Não foi detido e o argumento de Pretória é que Al-Bashir tinha imunidade diplomática como chefe de Estado.

A 25 de abril, a posição do Presidente Cyril Ramaphosa, citado pelo Guardian, parecia estar tomada. “É prudente que a África do Sul abandone o TPI, sobretudo por causa da forma como o TPI tem lidado com este tipo de problemas”, disse, referindo-se ao mandado de Putin. A decisão de abandonar o TPI, segundo Ramaphosa, era do seu partido, o Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla original).

No entanto, o seu gabinete foi rápido a explicar que Ramaphosa tinha sido mal interpretado e que se tratava de um erro de comunicação, não estando nenhuma decisão definitiva tomada. Embora o desmentido possa ter agradado a Zelensky, desde o incidente com Al-Bashir que a África do Sul tem aberto o procedimento para abandonar o tribunal.

No final de março, durante uma visita de Estado do rei belga a Pretória, foi lançado o apelo à África do Sul para que usasse a sua influência junto da Rússia para pôr fim à guerra. Ramaphosa — que tem mantido que o seu país é neutro — respondeu que continua “a usar o canal que tem com a Rússia para conversar sobre como o conflito pode ser encerrado”.

GUERRA NA UCRÂNIA    UCRÂNIA    EUROPA    MUNDO

COMENTÁRIOS:

Lúcia Henriques: Lula devia estar na foto. Disse isso em Portugal e em Espanha voltou ao seu normal.       jose ricardo da cruz pereira > Lúcia Henriques: Pois é…esta imprensa totalmente desacreditada não aprende.             Anastácio Jorge: Não estou convencido … todos esses países querem outra alternativa é, no fundo , porque todos ganham com esta guerra e até o seu prolongamento                 Filipe Costa: O indiano acredito, o resto é esquerdalha podre. A India não se quer aliar à China, isso é obvio e logico, são concorrentes.             G CFilipe Costa: Nem sei porque criaram brics.. Podiam ter criado brcs.. Mas estranhamente a Índia tb anda nessa organização.. Deve ser para concorrer e destruir a china e nunca procurar consensos ou parcerias económicas. E eu que pensava que UE era um espaço de cooperação e concorrência entre Estados membros.. 

Pressões


Para quê? Porquê? Se o silêncio é o que resta… A todos nós.

Costa e Marcelo, liguem à Eugénia. Imediatamente

Antecipar as eleições seria não só a forma de livrar Marcelo e Costa do confronto com o monstro que criaram como oferecer-lhes uma segura fuga em frente. Se não acreditam em mim liguem à Eugénia.

HELENA MATOS Colunista do Observador

OBSERVADOR, 30 abr. 2023, 03:1811

Há umas horas que a Eugénia se interpõe entre mim e o que quero escrever. A Eugénia atende o telemóvel a qualquer hora (a Eugénia não tem o direito a desligar). A Eugénia enfrenta adjuntos em fúria. A Eugénia assina a fundamentação da crítica do ministério das Infraestruturas à forma como o ministério das Finanças despediu a CEO da TAP e sobretudo a Eugénia surge como a tábua de salvação de um ministro de cabeça perdida: “Liga imediatamente à Eugénia. Imediatamente.” – ordenava João Galamba ao seu adjunto com o desespero de quem antecipa que o pior está para vir. A Eugénia em questão é chefe de gabinete de João Galamba, mas, de certo modo, representa os homens e mulheres dessa massa que, para o melhor e o pior, rodeia os ministros.

Incapaz que estou de me libertar da Eugénia só me resta portanto trazer a Eugénia para dentro do meu texto. Sim, Eugénia, eu ligo-te logo que possa e tu explicas-me preto no branco como pode um simples adjunto, como era o caso de Frederico Pinheiro, ter acesso a informação de tal forma reservada que se chamou o SIS para reaver o seu computador. De caminho Eugénia (desculpa que te trate por tu, mas o ministro impôs o estilo tu cá tu lá e não sou eu que o vou contrariar, conhecedora que estou da forma como nesse ministério se enfrenta quem os contraria), podes então, Eugénia. ver o que está registado no teu computador sobre o episódio do anúncio dos dois aeroportos por Pedro Nuno Santos & Hugo Mendes em meados do ano passado? Obrigada, Eugénia, há muito por explicar nesse caso e creio que me podes dar uma ajuda. E, agora, que já deves ter com que te entreter, passemos ao que me interessa e que basicamente se resume a isto: por mais negativa que seja a apreciação que se tenha sobre o desempenho do actual Governo não podemos aceitar que António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa recorram à criação de um facto – a dissolução da AR – que os libertaria do confronto com as suas responsabilidades na situação que vivemos.

Não duvido que um governo de gestão e um clima de campanha eleitoral são o que de melhor se pode oferecer ao PS neste momento. Em menos de uma semana o PS estaria em estado de luta contra o fascismo por interposto Chega: referir o atraso de ano e meio na portaria que leva José Sócrates a tribunal logo será designado como “fazer as mesmas perguntas que o Chega”. Denunciar os números da mortalidade infantil será fazer a política do Chega. Denunciar a esmagadora carga fiscal equivalerá a ficar igual a André Ventura… Ao falhar como projecto governativo, o PS agarra-se ao paradigma da luta contra os fascismos O fascismo passado, o fascismo presente e o fascismo futuro tornaram-se vitais para o PS.

Já os estou a ver, Costa e Marcelo, libertos da rotina governativa: o Presidente ufano a dizer que usou os seus poderes. Que decidiu a dissolução da AR após três fases: reflexão, ponderação e decisão. Que na decisão havia duas hipóteses: manutenção do Governo ou dissolução da AR. Que tendo decidido pela dissolução da AR dois cenários se colocam: ou uma maioria absoluta, ou uma maioria relativa e que portanto três soluções se configuram… Sete anos de Marcelo como Presidente da República fizeram de mim uma perfeita falante de “marcelês” e uma analista imperfeita daquilo a que a leviandade pode conduzir em política: Marcelo, que não tem coragem nem vontade para exercer o seu poder como PR, ilude o seu falhanço institucional com o estrépito da dissolução do parlamento.

Já António Costa, mais ufano ainda que a presidencial vacuidade ao ser confrontado com os escândalos do seu governo, nessa campanha eleitoral antecipada diria de imediato que a resposta vai ser dada pelos eleitores: a ingerência política na gestão da TAP? Os despedimentos bolivarianos de Manuel Beja e Christine Widener? O processo colocado por um seu ministro ao jornal que primeiro denunciou que não havia Parecer algum?…

Antecipar as eleições seria não só a forma de livrar Marcelo e Costa do confronto com o monstro que criaram como oferecer-lhes uma segura fuga em frente. Se não acreditam em mim liguem à Eugénia.

Ps. A notícia chegou inesperada e brutal: o Paulo Tunhas morreu. Horas antes tinha ido verificar ao mail se teria ido para spam a mensagem que esperava dele.

Vi-o pelo pela primeira vez num encontro com Fernando Gil e desde então íamos mantendo uma espécie de conversa interminável. Falar com ele era fascinante, pelo muito que ele sabia mas também pela forma desconcertante com que olhava para as coisas do mundo. No Contra-Corrente em que participou várias vezes aconteceu ficarmos a ouvi-lo numa espécie de prazer antecipado de sermos surpreendidos com o seu raciocínio, com as referências que fazia…

Agora que sei que mais nenhuma mensagem vai chegar resta-me, quando voltar ao Porto, encaminhar-me para aquele restaurante onde ele às vezes ia e pedir aquele arroz de vitela acompanhado com ovo estrelado que deu sabor às nossas últimas conversas sobre o desconsolo do país.

PS    POLÍTICA   MARCELO REBELO DE SOUSA   PRESIDENTE DA REPÚBLICA   ANTÓNIO COSTA

COMENTÁRIOS:

Jota Mamba: Está montado o circo, um circo especial com uma única qualidade de artistas: palhaços.      Paulo J Silva: Era uma vez um homem que tinha uma quinta mas porque não podia administrar a mesma resolveu contratar um administrador. Celebrou um contrato por quatro anos. Ao fim de um ano verificou que o administrador, que tão boas referências lhe dera, afinal não sabia administrar e o estado da quinta degradava-se a olhos vistos. Cara Helena Matos, se fosse a dona da quinta diria que o contrato é para manter e que no fim do mesmo é que vai acertar contas e pedir responsabilidades ao mau administrador?. Um mau Governo não é para manter. Mesmo os idiotas que deram a maioria ao PS e que agora sofrem na pele o resultado da sua escolha não devem ter como castigo aguentarem isto mais 3 anos. Portugal não merece isto!                      Ana Silva: A sério!? Não acredito no que aqui diz Helena Matos. Nem nos comentários que a apoiam. Aguentar a maioria absoluta dos absolutamente incompetentes e corruptos socialistas da escola de Sócrates e Costa (este com a invenção maquiavélica da geringonça) até ao fim, foi uma opinião que já defendi em fevereiro de 2022 aqui no Observador, sobretudo como pedagogia para um povo politicamente iletrado que deu maioria absoluta a esta gente. No entanto as coisas mudaram mil vezes para pior desde essa altura. Temos uma crise social a rebentar com o aperto económico às famílias, com a inflação a aumentar e muito os bens essenciais, com os arrendamentos e o preço das casas a duplicar, os juros do crédito à habitação a disparar, os transportes públicos a não servirem os mais necessitados no acesso ao trabalho de que dependem para viver. A gravíssima crise da natalidade ignora-se, a da emigração agudiza-se, com os jovens, motor de qualquer economia saudável a sair de Portugal… o desinvestimento no sector público, a maior carga fiscal de sempre com o monstro da Função Pública cada vez maior, e pior, entrou a Ideologia do Género nas escolas, o SNS já deixa morrer mulheres grávidas e os seus bebés porque fecham serviços de urgência, ou doentes em ambulâncias a dançar um corridinho macabro entre hospitais… e o problema é não deixar Costa e Marcelo saírem desta embrulhada que também ajudaram a criar? E o busílis é o PS ter argumentos para fugir com o rabo à seringa, acenando com o papão do fascismo (mas pensa mesmo que as gerações mais novas acreditam nisso?) e atirando as culpas para Marcelo? O foco não pode ser esse. Não pode ser pela negativa. O foco tem que ser o PSD levantar o rabo gordo e ser oposição verdadeira em vez de um alinhado com esta desgraça toda. O foco está em o PSD arranjar uma ideia de futuro para o paîs com seriedade, deixar-se de preconceitos em relação a quem faz a verdadeira oposição a este país, sim o Chega, a organizar uma alternativa que abranja toda a Direita e não só a conveniente Direita fofinha (a que foi entretanto corrida do parlamento por efeito de eleições, lembra-se?) ou então, a deixar-se engolir pela História, porque da maneira que está este PSD não presta para nada, e a dar lugar ao Chega, que esse sim, os tem no sítio.            Rui Lima: Já foi um erro quando se salvou o PS (o PSD foi precipitado e pouco inteligente sede de poder fez o resto ) no tempo de José Sócrates  Se tem deixado mais uns meses o governo socialista de Sócrates quando já só havia 300 milhões de euros em para despesas de estado , as reformas e salários da função pública deixariam de ser pagos e o PS morria nesse dia e seria uma grande lição para o povo português . Este governo tem de ficar até ao fim .                   Alfaiate Tuga: Temos um governo constituído na sua grande maioria por gente que nunca fez mais nada na vida do que andar metida na política, como se isso já não chegasse, ainda por cima são muitos deles jovens inexperientes, para ajudar à festa, quase todos encabeçam ou integram as diferentes facções que lutam entre si pela sucessão do Kosta. O PS consegue abandalhar tudo onde se mete, costuma dizer-se que o hábito faz o monge, neste caso os monges são tão maus que acabam por conspurcar o hábito, não me lembro de a palavra de um ministro valer tão pouco ou mesmo nada. Uma coisa são putos inexperientes, outra são putos inexperientes e mentirosos ao serviço de interesses obscuros que normalmente tem por finalidade lesar o erário em proveito deles e dos amigos.Por falar em amigos, tenho lido e ouvido por aí muita gente a dizer que os crimes imputados ao antigo chefe do bando vão prescrever, ouço os juízes a dizer que o advogado do figurão já meteu 31 recursos para ir parando o processo por forma a dar tempo dos crimes prescreverem. Também já ouvi os juízes a explicar que seria fácil alterar a lei para que os recursos não parassem os processos e fossem analisados num processo à parte enquanto o processo principal decorria. Agora pergunto: - Que partido da direita à esquerda apresentou na assembleia da república uma proposta para alterar a lei dos recursos? Pois, vir encher a boca com a corrupção é fácil, apresentar soluções para agilizar os processos, tá quieto, depois querem ser levados a sério.               Carlos Gonçalves: Genial!                       Fernando CE: Muito boa crónica.                  António Lamas: Já estamos a evoluir. Passamos da responsabilização do motorista, para a chefe de gabinete. Ainda com sorte chegamos ao ministro                           Pedro Almeida: A culpa é do Zé Povinho, que tem os políticos que merece. Em 2015 escolheu votar à Esquerda. Está aqui a factura. E vai surgir outra (pior) quando vier uma crise, pois Portugal passa uma crise de x em x tempo       Francisco Miguel Colaço > Pedro Almeida: O problema de hoje não é 2015, mas as eleições seguintes, que blindaram o PS no poder em vez de o sacar de lá de vez.                    Pedro Almeida: Quero ver Marcelo e Costa a fugirem com o rabo à seringa          Pedro Almeida: O (des)governo está cada vez mais patético                     Fernando Cascais: Marcelo pode dissolver este governo e pedir a Costa para formar e apresentar um novo governo, ou não pode? Seria a chamada chicotada psicológica utilizada no futebol, só que em vez de trocar de treinador, trocava antes a equipa toda. Não seria fácil para António Costa arranjar uma nova equipa, mas sempre podia pescar fora. Imaginem um governo com 5x Paulos Macedos, seria um caso sério. Outra possibilidade seria Costa formar um novo governo na base de uma nova geringonça. A Educação para o BE e à Saúde para o PCP. Acabavam-se as greves, e, pior do que está não podia ficar. Como dizia o outro, a brincar a brincar é que o macaco fez não sei o quê mais sério. Bem, mas este governo precisa efectivamente da chicotada psicológica e não é preciso novas eleições. Costa, como refere Júdice, é o melhor político da sua geração, só lhe falta mostrar o que vale enquanto governante. O calvário dele e o nosso ainda tem três longos anos de caminho. Todos o devemos levar até ao fim. Não devemos, quando a coisa começa a doer simplesmente saltar fora. O caminho escolhido é da responsabilidade de quem o escolhe. Estou 200% de acordo com a Helena, novas eleições seria uma grande escapatória para Costa. Já não tanto para Marcelo, porque passaria a ser o culpado pela crise institucional e o político mais contestado por socialistas e a direita em geral. Para falar marcelês é preciso sempre contar até três; esperávamos, desejávamos, conseguimos…               Vitor Batista > Fernando Cascais: Essa de considerar Costa o melhor politico da sua geração, tem muito que se lhe diga.                  João Floriano > Fernando Cascais: Bom dia Fernando Há sempre a possibilidade de António Costa apresentar a demissão e forçar mesmo eleições antecipadas. É um golpe muito arriscado face à surpresa que pode vir da direita. Há ainda um aspecto com que não se está a contar: a luta interna no PS pela sucessão de Costa e a alternativa PNS. Os Pedronunistas e os seus apoiantes nos partidos de esquerda vão querer aproveitar a oportunidade. Muito, muito complicado. É bom que o PSD já tenha estudado todas as possibilidades, tenha planos para todas as letras do ABC e perceba que o momento não é para hesitações.                  Nuno Gomes > Fernando Cascais: Isto é um ciclo sem fim, só possível por falta de cultura de um povo. Preferem ser coitadinhos e miseráveis a tentarem terem sucesso e uma vida de liberdade. Não vejo como dar a volta a isto, sem ser passar por fome ou guerra, ou aparece um dom sebastião que inspire esta  gente toda.             Cisca Impllit: O liga imediatamente à Eugénia de João  Galamba é  inversamente proporcional ao génio de Chico Buarque em atira na Géni!                  Cisca Impllit: Gostar do Paulo Tunhas era fácil, e muito bom. Era de dentro, de dentro de nós que esperávamos com ele falar e aqui, no Observador, pelas quintas feiras.