terça-feira, 2 de dezembro de 2025

DIA DA RESTAURAÇÃO

 

«1 de Dezembro de 1640»: Dia comemorado com marchas nacionais, pela Avenida da Liberdade em Lisboa, até aos Restauradores, festejando essa data da libertação do Portugal da III dinastia, chefiada pelos Filipes de Espanha e que o PRIMEIRO CANAL televisivo transmitiu, durante a tarde, com os hinos finais. Um país simpático e embalador, este nosso Portugal. No meu tempo de escola cantávamos o Hino da Maria da Fonte, cuja letra encontro na Internet:

Lusitanos é chegado

O Dia da Redenção

PAULO CARDOSO

«Terá começado em Março, mas atribuiu-se o dia 15 de Abril à Revolução de Maria da Fonte em 1846. Fica aqui o hino – por VITORINO – e a versão original da letra»:

 

«Viva a Maria da Fonte
Com as pistolas na mão
Para matar os Cabrais
Que são falsos à nação

Refrão (2x)
Eia avante, Portugueses
Eia avante, não temer
Pela santa Liberdade
Triunfar ou perecer

 

Viva a Maria da Fonte
A cavalo e sem cair
Com as pistolas à cinta
A tocar a reunir

Refrão

 

Lá raiou a liberdade
Que a nação há-de aditar
Glória ao Minho que primeiro
O seu grito fez soar

Refrão

(Sobre esta história (premeditadamente?) muito mal contada há uma bibliografia bastante completa fornecida pela Universidade do Minho/Biblioteca Pública de Braga – aqui. Dela, pode ler-se on-line a versão de Camilo Castelo Branco – aqui. ) Mas não encontrei, avessa que sou à manipulação da INTERNET:

Lenda da Fonte

JOÃO PEDRO:

«Maria do monte, nascida e criada
Na encruzilhada que fica defronte da fonte sagrada
A lenda é antiga, mas há quem a conte -
Que descia o monte uma rapariga
P'ra beber na fonte.

E àquela hora por ela marcada, de noite ou de dia
O Chico da Nora, na encruzilhada, esperava a Maria.
Seguiam depois, bem juntos os dois, ao longo da estrada
Matar de desejos, a sede com beijos
Na fonte sagrada.

Mas um certo dia, como era esperada
Na encruzilhada, não veio a Maria à hora marcada.
Seus olhos divinos p'ra sempre fechou.
A Aldeia rezou, tocaram os sinos
E a fonte secou.

E àquela hora, por ela marcada, de noite ou de dia
O Chico da Nora na encruzilhada esperava a Maria.
Mas oh santo Deus, escureceram- se os céus, finou-se a beldade.
E diz- se, no monte, que a velhinha fonte
Secou de saudade.

 

 

 

PS: O nosso PR também foi notícia neste dia 1/12/25, hospitalizado que foi, no Hospital de São João, no Porto para uma operação que correu bem, felizmente.

 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Aparentemente

 

Não vejo dissemelhanças humanas com outros seres por aí, em questão de ambição e usurpação de sacanice. Quem sabe, de resto, se não têm uma mãozinha desses, a amparar-lhes a gulodice? Só que o seu estatuto diverge brutalmente do dos mestres mundanais, por isso lhes falta idêntica projecção universal, em que só um cidadão honrado - como é o Dr. JOSÉ RIBEIRO E CASTRO – repararia, nestes tempos de capacidades extorsoras bem mais imponentes - com a sua indignação desmesurada, parece-me a mim, ante um paralelo tão desajustado com o destes seres majestosamente impunes, da nossa visão diária… Não, não me parece tão condenável assim a tal jogada do UMARO SISSOCO EMBALÓ que boicota eleições na antevisão da sua derrota, ora essa! Há crimes de bem maior dimensão universal, que provocam mortes e raptos de crianças e destruição dos espaços, e tudo o que se tem visto, e sempre no respeito pelo perpetrador, impassível, por vezes mancomunado sem pejo com o ricaço da outra banda atlântica ou com o chinês da banda do Pacífico. O tal EMBALÓ apenas quer embalar-se no poder por algum tempo mais, em jogada de tipo caseiro, provavelmente até sem que os seus se apercebam disso, numa de esperteza saloia, mais do nosso pendor, que também apresentamos paralelismos vistosos, por cá, pategos que somos.


Suspensão internacional geral da Guiné-Bissau

O povo guineense já sofreu o suficiente. Merece melhor sorte. Olha para o mundo pedindo respostas honradas e decentes. O lugar dos bandidos é na cadeia, não é no cadeirão do poder.

JOSÉ RIBEIRO E CASTRO Advogado e cidadão

OBSERVADOR, 30 nov. 2025, 00:2044

É urgente suspender a Guiné-Bissau de participação nas Nações Unidas, na União Africana, na CEDEAO, na CPLP, no grupo África, Caraíbas, Pacífico de diálogo com a União Europeia e em todas as organizações e instâncias internacionais similares.

O que está a acontecer na Guiné-Bissau ultrapassa tudo o que alguma vez se viu e vai para além do que a imaginação mais delirante poderia conceber. Nem se diga que ainda “não se percebe bem” o que se passa e que a situação é “confusa”. Nada disto. Palavras como estas são puros eufemismos para fazer de conta que não vemos o que está claro.

Estamos perante uma acção absurda, espectacular, intolerável, nem tanto de terrorismo, mas de puro banditismo político. Depois de várias tropelias contra a realização das eleições gerais nos prazos previstos, contra a liberdade de candidatura daqueles de que tinha mais medo e procurando armar um cerco apertado para esganar a expressão da vontade do povo guineense, Umaro Sissoco Embaló, vendo claramente que ia perder as eleições, ordenou uma jogada de desespero: lançar militares ao assalto das instituições e do processo eleitoral, impedindo que este se conclua com a proclamação dos resultados. É isto que se passou, é isto que acontece, é isto que Sissoco Embaló quer.

O mundo já viu numerosas fraudes eleitorais e de diversos tipos. Mas nunca vira uma como esta: um Presidente, na iminência de ser deposto pelos votos, faz-se depor pelas armas; interrompe o processo eleitoral; e prepara o regresso em tempo oportuno, ao colo dos militares que, fingindo que o prendem, efectivamente o protegem. Dir-se-á: homem astuto. Não é bem astúcia, mas infantilidade. Toda a gente vê e percebe que é isto que se passa. Não é um golpe, é uma golpada.

O problema é haver uma estranha cerimónia em o expor e desmascarar. Por outras palavras há uma vergonhosa e intolerável cumplicidade com o golpista de Bissau. Como pode o Senegal explicar-se?

Estamos perante o mais descarado assalto à mão armada contra umas eleições que alguma vez se viu ser cometido. Estamos perante o roubo violento da vontade colectiva expressa pelos guineenses nas urnas. Estamos diante da reinstalação no poder nem sequer de um líder revolucionário seguido pelos seus apoiantes (o que já seria crítico), mas de um puro bandido de direito comum precedido pelos seus capangas. Como pode a União Africana fechar os olhos? Como pode a CEDEAO cruzar os braços? E as Nações Unidas e a CPLP deixam o banditismo político à solta? O grupo ACP de diálogo com a União Europeia consegue movimentar a UE para pressionar o respeito da democracia? Ou não o quer fazer?

Se as instâncias internacionais prosseguirem na preguiça habitual diante de acontecimentos tão gritantes, escandalosos e estapafúrdios confirmarão em público a sua inutilidade, como é o sentimento de muitos face à sucessão de fracassos em cascata. Pior do que isso, estarão a colaborar, de forma intolerável, numa agressão de enorme vileza à vontade popular dos guineenses e num atropelo grosseiro dos seus direitos fundamentais.

Não me custa acreditar que Umaro Sissoco Embaló atropele o Direito Internacional e princípios fundamentais da Declaração Universal dos Direitos Humanos e do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos. Mas é inconcebível que Nações Unidas, União Africana, CEDEAO, CPLP, grupo ACP e outros entrem pelo mesmo caminho. E é isso que estarão a fazer se não agirem, vigorosamente, para pararem esta palhaçada e a reverterem rapidamente.

Por isso, creio que se impõe uma resposta urgente – para grandes males, grandes remédios. As Nações Unidas, a União Africana, a CEDEAO, a CPLP, e outras instâncias similares deverão concertar-se urgentemente para:

Suspender o exercício dos direitos de representação da Guiné-Bissau nos órgãos das respectivas organizações, atendendo à desordem provocada no país e à flagrante ilegitimidade dos que usurparam o poder.

Definir um pacote de sanções pessoais severas a aplicar a nível internacional aos que planearam e executaram o ataque às instituições da Guiné-Bissau e mantêm o golpismo em curso.

Declarar que a aludida suspensão só será levantada, depois de reposta a normalidade institucional, com órgãos políticos resultantes de eleições livres.

Recomendar a países terceiros que se abstenham de apoiar ou auxiliar os golpistas, prevendo, desde já, o quadro de medidas que serão aplicadas àqueles que não acatem esta recomendação.

Portugal, país tão próximo da Guiné-Bissau, deve destacar-se na acção política e diplomática na defesa, melhoria e aplicação deste plano, designadamente no quadro da União Europeia, das relações com a União Africana e CEDEAO, da CPLP e das relações com os Estados Unidos da América.

O povo guineense já sofreu o suficiente. Merece melhor sorte. Olha para o mundo pedindo respostas honradas e decentes. É isso que temos de assegurar: respostas honradas e decentes. O lugar dos bandidos é na cadeia, não é no cadeirão do poder.

GUINÉ-BISSAU           MUNDO

COMENTÁRIOS (de 44)

Manuel Martins: Em minha opinião,  a Guiné é um país falhado, sem democracia,  onde nada funciona excepto a corrupção e o compadrio. O poder político português tem culpa,  pois com o seu "complexo de colonizador " e brandos costumes, tem tratado com respeito desmerecido todos os ditadores que têm tomado o poder nesse país. Com medo de hostilizar,  têm sido admitidos comportamentos inadmissíveis,  a que fecham os olhos e prolonga a situação errada. Dar " um murro na mesa" pode ajudar a mudanças positivas para o povo...

Oscar B: Por último, o que Portugal pode fazer? Nada, fazer nada!

> Toda ajuda externa é roubada, estamos a substituir a acção que deveria ser do Estado pelo apoio sucessivo.

> Mais 50% do OE da GB é obtido pela ajuda externa.

> Sucessivos perdões de dívida e de ajudas.

Infelizmente, têm de ser os locais a exigir mais, a parar com a corrupção!

Quantas vezes o Estado Português financiou o centro de  hemodiálise do Hospital Nacional Simão Mendes (principal hospital da GB)? Imensas, material todo roubado, posteriormente. Resultado os GB vêm para Portugal para fazerem tratamentos, ao abrigo de um protocolo que só prejudica os contribuintes portugueses. ETC, ETC. Talvez a melhor ajuda é não ajudar! E exigir ao governo que comece a governar! Todos estão fartos da Guiné Bissau, ONG, povo, todos e até os contribuintes portugueses se soubessem o que se passa com as ajudas de Portugal à CPLP.

João Floriano: «O lugar dos bandidos é na cadeia, não é no cadeirão do poder.»

Congratulo-me por José Ribeiro e Castro terminar a sua crónica com esta frase. Convenhamos que não é original, que já  a tenho ouvido várias vezes e que levanta sempre um coro de protestos e de acusações de falta de sentido de Estado cada vez que é proclamada contra gente de qualidade muito duvidosa. Acho sempre curiosa a atitude de silêncio perante estas situações por parte das nossas entidades oficiais ou para-oficiais. No entanto presidentes como Embaló não têm qualquer problema em dizer abertamente que o governo português é hostil a um presidente muçulmano e ainda há poucas semanas, fomos enxovalhados por João Lourenço e os nossos governantes engoliram e calaram. Até repudiaram com veemência quem chamou  a atenção para o silêncio de quem nos deveria ter defendido, mesmo através de vias diplomáticas e formais. A Guiné como sabemos é um estado falhado, dominado por bandidagem e corruptos, que assim se irá manter porque há muitos outros iguais em África com interesses semelhantes. Portanto não me admira mesmo nada que após o desenlace deste golpe palaciano, Embaló reponha a «ordem democrática» na Guiné Bissau e volte a ser recebido com honras de Estado em Belém e naturalmente  a queixar-se dos portugueses hostis. José Ribeiro e Castro escreveu um texto «hostil» à hipocrisia em diplomacia. Muito bom!

Tim do A: O povo guineense já sofreu o suficiente e merece melhor sorte. Os povos angolano e moçambicano também. Todos merecem melhor sorte. Infelizmente é assim. Estão muito pior do que quando lá estávamos. Fomos os criadores desses 3 Estados falhados. A Guiné Bissau é um narco-Estado. Mas nós demos a independência para eles se governarem a si mesmos. Agora devem seguir o seu caminho. Não podemos voltar a ter estados de alma colonialistas. Salazar é que tinha de se preocupar com isso. Já temos muita pobreza e desgraça com que nos preocuparmos em Portugal e que não estamos a conseguir resolver. Se resolvermos os problemas dos portugueses isso já não seria nada mau.

António Soares: E que tal pedir explicações ao PCP, ao Melo Antunes ao PS a toda a comunada que entregou o país à URSS, que como se vê, nessa e noutras ex colónias portuguesas, se estiveram sempre a borrifar para as populações?

Luís Salgado > Manuel Martins: "Rei fraco faz fraca a forte gente". Daí a miserável "descolonização " que deu no que deu e estes povos ainda hoje, 50 anos depois, baixaram todos ao nível da miséria indigente, governados por cleptocratas sem escrúpulos, nem pudor.

Manuel Ferreira21: Não fale muito alto que a Guiné-Bissau ainda pede a protecção da ex-potência colonial e era um problema para nós. Na Guiné só se aproveita o caju. Também pedir direito internacional na Guiné Bissau quando se vê o  direito internacional a ser atropelado pelos USA, Rússia e China, penso que é fantasia. Curvo-me é perante a memória dos nossos que morreram por este narco- estado. Em conclusão, que se cozam.

António Soares > Oscar B: E ainda querem que se peça perdão e compensações!  VIREM-SE!

Oscar B > Manuel Martins: O Estado Português não é indiferente:

> As  bolsas de estudo nos países da CPLP não são exclusivamente atribuídas pelo mérito, mas por corrupção e vontade dos políticos locais. As embaixadas sabem, SIMMMM!

> Os vistos médicos para tratamentos nos hospitais portugueses, quantos são falsos e as embaixadas sabem disso? SIMMMM!

> Etc....

Isto é política, o Estado Português espera favores em troca, como o apoio para Membro Não Permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. 
Mas depois descobre a triste realidade, que a CPLP não beneficia Portugal em nada! E que estes países da CPLP votam pelo dinheiro, e contra a moralidade de Portugal.
Os apoios de Portugal a estes países deveriam ser direccionados à economia, e não às acções humanitárias, reforçar laços económicos, incentivar exportações e criação de empresas e emprego e só depois financiamento ao ambiente.

Maria Cabral: A Guiné é um narcoestado, cujos cabecilhas (não confundir com líderes), têm apenas um interesse, escoar droga. Tudo o mais que se diga sobre o funcionamento da Guiné é irrelevante face ao poder deste tráfico. Os militares não podem perder o controlo deste comércio e muitos países produtores e consumidores não podem perder esta plataforma giratória, tão bem colocada entre continentes. Secar a fonte legalizando é a única solução possível. É controverso mas ninguém quer assumir o tema, pois não dá votos para além de que os mortos deste problema são sempre gente sem interesse: - agarrados ou traficantes. Assim é difícil resolver, com tantos narizes gulosos por droga ou dinheiro, ou ambos.

Oscar B: "As Nações Unidas, a União Africana, a CEDEAO, a CPLP, e outras instâncias similares deverão concertar-se urgentemente para"

> Há quantos meses todos sabiam que o parlamento foi dissolvido pelo PR?
> Há quantos meses sabiam que os juízes estavam a ser afastados?
> O que fizeram perante os sucessivos governos não eleitos e de iniciativa do PR? ....
> O que Portugal acha da saída da RTP da GB em vésperas das eleições? Mhhh, caso estranho também! Nada, Nada e Nada! Porque também entre estes há ditadores!
O que podem fazer é dar dinheiro aos golpistas para saírem do poder! É isto que irá acontecer

José Ribeiro e Castro > Manuel Martins: Nem mais! É isso mesmo.

MariaPaula Silva: Excelente artigo, corajoso, preto no branco. Tudo o que indica deve ser feito, mas, infelizmente, duvido que Portugal vá tomar essa atitude, que seria a mais acertada, enquanto tivermos no poder as pessoas que temos  e que passam a vida a falar em "reparações"  e se calam perante ofensas injuriosas e mentirosas. 50 anos de "independência"  a chu-lar o ex-colono branco e mauzinho já chega.  É mais que altura de serem de facto independentes e começarem a construir tudo o que destruíram que tinha sido feito pelos portugueses durante uma colonização bem-feita e respeitosa.  Herdaram países ricos e transformaram-nos em países miseráveis, são uns artistas!

Um tempo de calamidades

 

Mesmo na Terra Santa. Valha-nos Jesus Cristo.

A Terra Santa é uma bênção de Deus para todos

É missão da Igreja recordar essa bênção, contra a maldição dos que pretendem fazer da Terra Santa um ghetto interdito às outras etnias e religiões.

P. GONÇALO PORTOCARRERO DE ALMADA, COLUNISTA

OBSERVADOR,29 nov. 2025, 00:174

Enquanto, na Palestina, as populações locais padecem o horror da guerra, a Igreja católica, através do Patriarcado Latino de Jerusalém e da pontifícia Ordem de Cavalaria do Santo Sepulcro de Jerusalém (OCSSJ), presta um apoio efectivo a todos os que vivem e sofrem na Terra Santa.

No passado 22 de Novembro teve lugar, na Basílica da Estrela, com a presença do Governador Geral da OCSSJ, a cerimónia de investidura de novas Damas e Cavaleiros, que foi presidida pelo Grão-Prior da Lugar-Tenência de Portugal, o Cardeal D. Manuel Clemente, a que se seguiu uma celebração eucarística, presidida por D. Rui Valério, Patriarca de Lisboa.

Vem, pois, muito a propósito, recordar uma recente entrevista da Ecclesia ao Cardeal Fernando Filoni, Grão-Mestre da OCSSJ, depois da sua viagem pastoral à Terra Santa, em Agosto passado. Nesta ocasião, afirmou que “é necessária uma metanoia. O que é metanoia? Uma mudança de mentalidade. Enquanto se continuar a usar armas e a colocar lenha na fogueira, não haverá futuro. Devemos apagar esses incêndios e entender que […], se não forem encontradas soluções para a coexistência e o diálogo, não haverá futuro.”   

O Cardeal Filoni manifestou a sua esperança de uma paz duradoura no Médio Oriente, que não será possível se não houver uma profunda mudança de atitude por parte de palestinianos e israelitas: “Acreditamos que [a paz] é possível, mas deve haver uma mudança de mentalidade nos níveis global, regional e local. Se isso não acontecer, estaremos em sérios apuros. Se esse ódio, que é quase palpável, não for exterminado, não haverá futuro para o Médio Oriente. É por isso que encorajamos essa metanoia. Sim, os reféns devem ser libertados incondicionalmente; sim, a ação do Hamas foi maligna; sim, a reação de Israel também foi desproporcionada, porque muitos inocentes morreram…”

O Grão-Mestre da OCSSJ insiste na necessidade do diálogo: “É possível que povos nobres e antigos, como os de Israel e da Palestina, não consigam conversar? Que os impede de o fazer? O extremismo, que não faz parte do diálogo.” Não são as diferenças étnicas, nem religiosas, o principal entrave ao processo de paz no Médio Oriente, mas o ódio de uns contra os outros, pois “o extremismo leva à vingança”. 

A propósito da presença da Igreja na Terra Santa, é sabido que, como consequência da instabilidade vivida no território, corre-se o risco de que, em breve, não haja cristãos na terra de Jesus. Embora palestinianos e judeus reconheçam a legitimidade e conveniência da presença cristã, nomeadamente como guardiões dos Santos Lugares, graças à Custódia da Terra Santa, a verdade é que os sionistas mais extremistas, como também os muçulmanos radicais, pretendem a sua erradicação.

A Santa Sé, através da OCSSJ, desenvolve acções que permitem a fixação da população cristã, sobretudo num contexto de prolongada guerra, em que os cristãos, mesmo não sendo os principais alvos dos grupos terroristas islâmicos, nem do exército israelita, são vítimas da situação que se vive na Palestina e em Israel.

O Cardeal Filoni referiu-se à faixa de Gaza, mas também ao Líbano, Iraque, Irão, Síria e Iémen, onde existem comunidades cristãs que passam por grandes dificuldades, sobretudo as que vivem essencialmente das “peregrinações e do turismo. Foi essencial para nós encontrarmo-nos com essas pessoas, e foi importante para elas perceberem que as não esquecemos. As actividades relacionadas com as peregrinações e o turismo são praticamente inexistentes, ou foram suspensas, pondo em risco a subsistência desses cristãos: há pessoas que não têm nada com que se alimentar no seu dia-a-dia. Quando não há trabalho, é também a dignidade daqueles que ganham a vida com seu labor que desaparece.”

A este propósito, referiu o caso de Belém: “visitámos a paróquia e soubemos, através de algumas das pessoas que nela vivem, as dificuldades que enfrentam. O pároco disse-nos que, graças à CÁRITAS e à ajuda que oferecemos como Ordem, unida à de outros benfeitores, centenas de pessoas conseguem sobreviver. Graças à ajuda da paróquia ou do Patriarcado Latino de Jerusalém, muitas pessoas podem comprar produtos básicos, como arroz, massa, azeite e sabão. Devido à falta de trabalho, vivem numa situação precária.”

O Cardeal Grão-Mestre especificou que um dos principais objectivos da instituição que lidera é, precisamente, apoiar a Igreja católica na Terra Santa, através do Patriarcado Latino de Jerusalém, que é a estrutura hierárquica católica na zona: “De acordo com o estatuto estabelecido desde a época de Pio IX, em 1847, a Ordem [de Cavalaria do Santo Sepulcro] foi estabelecida como uma instituição de apoio à Igreja Patriarcal de Jerusalém. Não actuamos como uma entidade independente. Estamos sempre um passo atrás do Patriarcado Latino de Jerusalém, que nos comunica as suas necessidades. Assim, ajudamos o Patriarcado com as contribuições pessoais de todos os Cavaleiros e Damas para apoiar a Terra Santa e as suas obras, sejam pastorais, educacionais ou sociais, e agora os desafios impostos pela guerra em Gaza. A Ordem contribui com 16 milhões de dólares anualmente para a Terra Santa, graças a doações privadas. É uma relação financeira com os Lugares Santos, mas, acima de tudo, é a expressão de uma união emocional. Como Jesus disse ‘que a mão direita não saiba o que faz a esquerda’, ficamos felizes em passar despercebidos.”  

Para além do Grão-Mestre, que é nomeado pelo Santo Padre, vive em Roma e é assessorado pelo Grão-Magistério, a OCSSJ está organizada por Lugares-Tenências que, por regra, correspondem aos países onde está presente. Os seus Cavaleiros e Damas, para além das exigências próprias da condição cristã, assumem o especial compromisso de ajudar a Terra Santa. Nas comunidades católicas a que pertencem – paróquias, dioceses, confrarias, movimentos, etc. – devem fazer de algum modo presente a Terra Santa e, nesse sentido, incentivar outros fiéis para que ajudem os cristãos que vivem na terra de Jesus de Nazaré.

Para os cristãos, a razão da especial relação com a Terra Santa decorre do facto de ter sido o país onde Cristo nasceu, viveu, morreu e ressuscitou. Com judeus e muçulmanos, partilham a devoção a Abrãao, o pai dos crentes, que é igualmente venerado pelos fiéis das três religiões monoteístas. Como recordou o Cardeal Fernando Filoni: “Nós, cristãos, também precisamos de mudar a nossa mentalidade a este respeito, porque, embora sejamos uma minoria, temos uma missão a realizar. A Terra Santa é-o desde o início, desde que Deus prometeu uma terra a Abraão, uma terra de bênção. Aqueles que lá vão procuram a bênção de Abraão, Isaac e Jacob, e de Jesus, que a completa.” 

A missão da Igreja e dos cristãos consiste, precisamente, em recordar essa bênção, contra a maldição dos radicalismos e exclusivismos totalitários, dos que pretendem fazer daquele território uma espécie de ghetto interdito às outras etnias e religiões. Como disse o Grão-Mestre da OCSSJ, “nós, cristãos, devemos lutar contra essa maldição, para que a bênção de Abraão, o pai na fé de Israel, dos cristãos e dos muçulmanos, prevaleça. Trata-se, portanto, de promover uma mudança de mentalidade, para que não prevaleça a mentalidade da ocupação, da pertença ou da exclusão, de quem diz: ‘isto é meu e daqui não saio, nem ninguém me tira’. Precisamos de pensar na bênção que é a Terra Santa enquanto terra de Deus para todos […]. Isto significa que os cristãos devem pedir aos políticos que demonstrem o seu amor e respeito por cada peregrino que chega à Terra Santa e por todos aqueles que a habitam”. 

IGREJA CATÓLICA       RELIGIÃO        SOCIEDADE       MÉDIO ORIENTE       MUNDO

COMENTÁRIOS (de 4)

J. D.L. - Quem é que está a necessitar de uma verdadeira metanoia? O cardeal, que é capaz de dizer: "Acreditamos que [a paz] é possível [na Terra Santa], mas deve haver uma mudança de mentalidade". Os verdadeiros crentes em Alá não podem mudar de mentalidade. E não tenho a certeza de que "se não forem encontradas soluções para a coexistência e o diálogo, não haverá futuro”. Estou convencido que haverá história ... no futuro.