Não vejo dissemelhanças humanas com
outros seres por aí, em questão de ambição e usurpação de sacanice. Quem sabe,
de resto, se não têm uma mãozinha desses, a amparar-lhes a gulodice? Só que o
seu estatuto diverge brutalmente do dos mestres mundanais, por isso lhes falta
idêntica projecção universal, em que só um cidadão honrado - como é o Dr. JOSÉ
RIBEIRO E CASTRO – repararia, nestes tempos de capacidades extorsoras bem mais imponentes
- com a sua indignação desmesurada, parece-me a mim, ante um paralelo tão
desajustado com o destes seres majestosamente impunes, da nossa visão diária… Não,
não me parece tão condenável assim a tal jogada do UMARO SISSOCO EMBALÓ que
boicota eleições na antevisão da sua derrota, ora essa! Há crimes de bem maior
dimensão universal, que provocam mortes e raptos de crianças e destruição dos
espaços, e tudo o que se tem visto, e sempre no respeito pelo perpetrador,
impassível, por vezes mancomunado sem pejo com o ricaço da outra banda
atlântica ou com o chinês da banda do Pacífico. O tal EMBALÓ apenas quer
embalar-se no poder por algum tempo mais, em jogada de tipo caseiro,
provavelmente até sem que os seus se apercebam disso, numa de esperteza saloia,
mais do nosso pendor, que também apresentamos paralelismos vistosos, por cá,
pategos que somos.
Suspensão internacional geral da Guiné-Bissau
O povo guineense já sofreu o suficiente. Merece melhor sorte. Olha
para o mundo pedindo respostas honradas e decentes. O lugar dos bandidos é na
cadeia, não é no cadeirão do poder.
JOSÉ RIBEIRO E CASTRO Advogado e
cidadão
OBSERVADOR, 30 nov. 2025, 00:2044
É urgente suspender a
Guiné-Bissau de participação nas Nações Unidas, na União Africana, na CEDEAO,
na CPLP, no grupo África, Caraíbas, Pacífico de diálogo com a União Europeia e
em todas as organizações e instâncias internacionais similares.
O que está a acontecer na
Guiné-Bissau ultrapassa tudo o que alguma vez se viu e vai para além do que a
imaginação mais delirante poderia conceber. Nem se diga que ainda “não se
percebe bem” o que se passa e que a situação é “confusa”. Nada disto. Palavras
como estas são puros eufemismos para fazer de conta que não vemos o que está
claro.
Estamos
perante uma acção absurda, espectacular, intolerável, nem tanto de terrorismo,
mas de puro banditismo político. Depois de várias tropelias
contra a realização das eleições gerais nos prazos previstos, contra a
liberdade de candidatura daqueles de que tinha mais medo e procurando armar um
cerco apertado para esganar a expressão da vontade do povo guineense, Umaro Sissoco
Embaló, vendo
claramente que ia perder as eleições, ordenou uma jogada de desespero: lançar
militares ao assalto das instituições e do processo eleitoral, impedindo que
este se conclua com a proclamação dos resultados. É isto que se passou, é isto
que acontece, é isto que Sissoco Embaló quer.
O mundo já viu numerosas fraudes
eleitorais e de diversos tipos. Mas nunca vira uma como esta: um Presidente, na iminência de ser
deposto pelos votos, faz-se depor pelas armas; interrompe o processo eleitoral;
e prepara o regresso em tempo oportuno, ao colo dos militares que, fingindo que
o prendem, efectivamente o protegem. Dir-se-á: homem astuto. Não é bem
astúcia, mas infantilidade. Toda a gente vê e percebe que é isto que se passa.
Não é um golpe, é uma golpada.
O problema é haver uma estranha
cerimónia em o expor e desmascarar. Por
outras palavras há uma vergonhosa e intolerável cumplicidade com o golpista de
Bissau. Como pode o Senegal explicar-se?
Estamos perante o mais descarado assalto
à mão armada contra umas eleições que alguma vez se viu ser cometido. Estamos
perante o roubo violento da vontade colectiva expressa pelos guineenses nas
urnas. Estamos diante da reinstalação no poder nem sequer de um líder
revolucionário seguido pelos seus apoiantes (o que já seria crítico), mas de um
puro bandido de direito comum precedido pelos seus capangas. Como pode a União Africana fechar os
olhos? Como pode a CEDEAO cruzar os braços? E as Nações Unidas e a CPLP deixam
o banditismo político à solta? O grupo ACP de diálogo com a União Europeia
consegue movimentar a UE para pressionar o respeito da democracia? Ou não o
quer fazer?
Se as instâncias internacionais prosseguirem na preguiça habitual diante
de acontecimentos tão gritantes, escandalosos e estapafúrdios confirmarão em
público a sua inutilidade, como é o sentimento de muitos face à sucessão de
fracassos em cascata. Pior do que isso, estarão a colaborar, de forma
intolerável, numa agressão de enorme vileza à vontade popular dos guineenses e
num atropelo grosseiro dos seus direitos fundamentais.
Não me custa acreditar que Umaro
Sissoco Embaló
atropele o Direito Internacional e princípios fundamentais da Declaração
Universal dos Direitos Humanos e do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis
e Políticos. Mas é inconcebível que Nações Unidas,
União Africana, CEDEAO, CPLP, grupo ACP e outros entrem pelo mesmo caminho. E é
isso que estarão a fazer se não agirem, vigorosamente, para pararem esta
palhaçada e a reverterem rapidamente.
Por isso, creio que se impõe
uma resposta urgente – para grandes males, grandes remédios. As Nações Unidas,
a União Africana, a CEDEAO, a CPLP, e outras instâncias similares deverão
concertar-se urgentemente para:
Suspender o exercício dos direitos de representação da Guiné-Bissau nos
órgãos das respectivas organizações, atendendo à desordem provocada no país e à
flagrante ilegitimidade dos que usurparam o poder.
Definir um pacote de sanções pessoais severas a aplicar a nível
internacional aos que planearam e executaram o ataque às instituições da
Guiné-Bissau e mantêm o golpismo em curso.
Declarar que a aludida suspensão só será levantada, depois de reposta a
normalidade institucional, com órgãos políticos resultantes de eleições livres.
Recomendar a países terceiros que se abstenham de apoiar ou auxiliar os
golpistas, prevendo, desde já, o quadro de medidas que serão aplicadas àqueles
que não acatem esta recomendação.
Portugal, país tão próximo da
Guiné-Bissau, deve destacar-se na acção política e diplomática na defesa,
melhoria e aplicação deste plano, designadamente no quadro da União Europeia,
das relações com a União Africana e CEDEAO, da CPLP e das relações com os
Estados Unidos da América.
O povo guineense já sofreu o
suficiente. Merece melhor sorte. Olha para o mundo pedindo respostas honradas e
decentes. É isso que temos de assegurar: respostas honradas e decentes. O lugar
dos bandidos é na cadeia, não é no cadeirão do poder.
COMENTÁRIOS (de 44)
Manuel Martins: Em minha opinião, a Guiné é um país
falhado, sem democracia, onde nada funciona excepto a corrupção e o compadrio.
O poder político português tem culpa, pois com o seu "complexo de
colonizador " e brandos costumes, tem tratado com respeito desmerecido todos
os ditadores que têm tomado o poder nesse país. Com medo de hostilizar,
têm sido admitidos comportamentos inadmissíveis, a que fecham os olhos e
prolonga a situação errada. Dar " um murro na mesa" pode ajudar a
mudanças positivas para o povo...
Oscar B: Por último, o que Portugal pode fazer? Nada, fazer nada!
> Toda ajuda externa é roubada, estamos a substituir a acção que
deveria ser do Estado pelo apoio sucessivo.
> Mais 50% do OE da GB é obtido pela ajuda externa.
> Sucessivos perdões de dívida e de ajudas.
Infelizmente, têm de ser os
locais a exigir mais, a parar com a corrupção!
Quantas vezes o Estado Português
financiou o centro de hemodiálise do Hospital Nacional Simão Mendes
(principal hospital da GB)? Imensas, material todo roubado, posteriormente.
Resultado os GB vêm para Portugal para fazerem tratamentos, ao abrigo de um
protocolo que só prejudica os contribuintes portugueses. ETC, ETC. Talvez a
melhor ajuda é não ajudar! E exigir ao governo que comece a governar! Todos
estão fartos da Guiné Bissau, ONG, povo, todos e até os contribuintes
portugueses se soubessem o que se passa com as ajudas de Portugal à CPLP.
João Floriano: «O
lugar dos bandidos é na cadeia, não é no cadeirão do poder.»
Congratulo-me por José Ribeiro e
Castro terminar a sua crónica com esta frase. Convenhamos que não é original,
que já a tenho ouvido várias vezes e que levanta sempre um coro de
protestos e de acusações de falta de sentido de Estado cada vez que é proclamada
contra gente de qualidade muito duvidosa. Acho sempre curiosa a atitude de
silêncio perante estas situações por parte das nossas entidades oficiais ou
para-oficiais. No entanto presidentes como Embaló não têm qualquer problema em
dizer abertamente que o governo português é hostil a um presidente muçulmano e
ainda há poucas semanas, fomos enxovalhados por João Lourenço e os nossos
governantes engoliram e calaram. Até repudiaram com veemência quem chamou
a atenção para o silêncio de quem nos deveria ter defendido, mesmo através de
vias diplomáticas e formais. A Guiné como sabemos é um estado falhado, dominado
por bandidagem e corruptos, que assim se irá manter porque há muitos outros
iguais em África com interesses semelhantes. Portanto não me admira mesmo nada
que após o desenlace deste golpe palaciano, Embaló reponha a «ordem
democrática» na Guiné Bissau e volte a ser recebido com honras de Estado em
Belém e naturalmente a queixar-se dos portugueses hostis. José Ribeiro
e Castro escreveu um texto «hostil» à hipocrisia em diplomacia. Muito bom!
Tim do A: O povo guineense já sofreu o suficiente e
merece melhor sorte. Os povos angolano e moçambicano também. Todos merecem
melhor sorte. Infelizmente é assim. Estão muito pior do que quando lá
estávamos. Fomos os criadores desses 3 Estados falhados. A Guiné Bissau é um
narco-Estado. Mas nós demos a independência para eles se governarem a si
mesmos. Agora devem seguir o seu caminho. Não podemos voltar a ter estados de
alma colonialistas. Salazar é que tinha de se preocupar com isso. Já
temos muita pobreza e desgraça com que nos preocuparmos em Portugal e que não
estamos a conseguir resolver. Se resolvermos os problemas dos portugueses isso
já não seria nada mau.
António Soares: E que tal pedir
explicações ao PCP, ao Melo Antunes ao PS a toda a comunada que entregou o
país à URSS, que como se vê, nessa e noutras ex colónias portuguesas, se
estiveram sempre a borrifar para as populações?
Luís Salgado > Manuel
Martins: "Rei fraco faz fraca a forte gente". Daí a miserável
"descolonização " que deu no que deu e estes povos ainda hoje, 50
anos depois, baixaram todos ao nível da miséria indigente, governados por
cleptocratas sem escrúpulos, nem pudor.
Manuel Ferreira21: Não fale muito alto
que a Guiné-Bissau ainda pede a protecção da ex-potência colonial e era um
problema para nós. Na Guiné só se aproveita o caju. Também pedir direito
internacional na Guiné Bissau quando se vê o direito internacional a ser
atropelado pelos USA, Rússia e China, penso que é fantasia. Curvo-me é perante a
memória dos nossos que morreram por este narco- estado. Em conclusão, que se
cozam.
António Soares > Oscar
B: E ainda querem que se peça perdão e
compensações! VIREM-SE!
Oscar B > Manuel
Martins: O
Estado Português não é indiferente:
> As bolsas de
estudo nos países da CPLP não são exclusivamente atribuídas pelo mérito, mas
por corrupção e vontade dos políticos locais. As embaixadas sabem, SIMMMM!
> Os vistos médicos para
tratamentos nos hospitais portugueses, quantos são falsos e as embaixadas sabem
disso? SIMMMM!
> Etc....
Isto é política, o Estado
Português espera favores em troca, como o apoio para Membro Não
Permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Mas depois descobre a triste realidade, que a CPLP não beneficia Portugal em
nada! E que estes países da CPLP votam pelo dinheiro, e contra a moralidade de
Portugal.
Os apoios de Portugal a estes países deveriam ser direccionados à economia, e
não às acções humanitárias, reforçar laços económicos, incentivar exportações e
criação de empresas e emprego e só depois financiamento ao ambiente.
Maria Cabral: A Guiné é um
narcoestado, cujos cabecilhas (não confundir com líderes), têm apenas um
interesse, escoar droga. Tudo o mais que se diga sobre o funcionamento da
Guiné é irrelevante face ao poder deste tráfico. Os militares não podem perder
o controlo deste comércio e muitos países produtores e consumidores não podem
perder esta plataforma giratória, tão bem colocada entre continentes. Secar a
fonte legalizando é a única solução possível. É controverso mas ninguém quer
assumir o tema, pois não dá votos para além de que os mortos deste problema são
sempre gente sem interesse: - agarrados ou traficantes. Assim é difícil
resolver, com tantos narizes gulosos por droga ou dinheiro, ou ambos.
Oscar B: "As Nações
Unidas, a União Africana, a CEDEAO, a CPLP, e outras instâncias similares
deverão concertar-se urgentemente para"
> Há quantos meses todos sabiam que o
parlamento foi dissolvido pelo PR?
> Há quantos meses sabiam que os juízes estavam a ser afastados?
> O que fizeram perante os sucessivos governos não eleitos e de iniciativa
do PR? ....
> O que Portugal acha da saída da RTP da GB em vésperas das eleições? Mhhh,
caso estranho também! Nada, Nada e Nada! Porque também entre estes há
ditadores!
O que podem fazer é dar dinheiro aos golpistas para saírem do poder! É isto que
irá acontecer
José Ribeiro e Castro > Manuel
Martins: Nem mais! É isso mesmo.
MariaPaula Silva: Excelente artigo, corajoso,
preto no branco. Tudo o que indica deve ser feito, mas, infelizmente, duvido que Portugal vá
tomar essa atitude, que seria a mais acertada, enquanto tivermos no poder as
pessoas que temos e que passam a vida a falar em
"reparações" e se calam perante ofensas injuriosas e
mentirosas. 50 anos de "independência" a chu-lar o
ex-colono branco e mauzinho já chega. É mais que altura de serem de facto
independentes e começarem a construir tudo o que destruíram que tinha sido
feito pelos portugueses durante uma colonização bem-feita e respeitosa. Herdaram países ricos
e transformaram-nos em países miseráveis, são uns artistas!
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