quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Lucidez maliciosa

 

E assim vai o Dr. Salles, com as suas leituras e escritos, desenterrando dados de uma História desconhecida, que instrui e diverte, pelo que lhe ficamos gratos, levando-nos à procura, ainda, na Internet…

 

LEMBRANDO ESQUECIDOS

 HENRIQUE SALLES DA FONSECA

 A BEM DA NAÇÃO, 02.12.25

Natural de Amarante, D. António Pimentel do Lago foi Embaixador de Filipe III (IV de Espanha) em Estocolmo. Reinava Cristina Vasa que logo tratou de conhecer o Embaixador para além do Protocolo de Estado e a quem passou a tratar por «o Amarante».

Pode ter sido alguma corrente de ar boreal que tenha apanhado o Embaixador em trajes niilistas pondo-lhe as febres da «fraqueza do peito». Finou-se literalmente nos braços da rainha.

Destroçada pelo desaparecimento físico do amante Amarante, Cristina instituiu a «Grande Ordem de Amarante»/ «Stora Amaranten Orden» que consistiu na «garagem de recolha» dos conhecedores dos bordados dos reais lençóis, mas que depois de reformulada é hoje a maior Ordem Honorífica da Suécia.

Entretanto, em Lisboa o calendário chegou a 1 de Dezembro de 1640 e à defenestração de Vasconcelos. Quando a notícia chegou a Estocolmo, logo Cristina fez com que a Suécia fosse o primeiro país a reconhecer a soberania restaurada de Portugal. E os “Vivas à Cristina” passaram a ser o modo como o povo português dava expressão à sua alegria. Ah grande Amarante que depois de morto ainda viveste!

Passados uns tempos, Cristina abdicou – sem problemas para Portugal. Ainda se candidatou ao Trono da Polónia, mas o processo não vingou. Católica, auto-exilou-se em Roma.

E a festa continua…

… num círculo em volta de Cristina – a que ela chamava a sua Corte – composta sobretudo por artistas, eruditos e políticos, com realce para Prelados.

Em Portugal chegara D. Pedro II ao trono logo se apressando a ordenar que se sacasse o Padre António Vieira SJ das garras da Inquisição – caso necessário, sem cerimónias. Cumprida a ordem, foi o Reverendo mandado para Roma com a missão de convencer o Papa a reconhecer a restauração da nossa Soberania.

Orador famoso, logo foi convidado para celebrar nas igrejas jesuítas de Roma.

Rapidamente Cristina o convidou para sua Corte a fim de  conversar sobre filosofia com os outros intelectuais. Aí conheceu o Cardeal Dezzio Azolino, membro da Curia, que também conhecia os bordados dos reais lençóis. Assim foi que a questão do reconhecimento da Soberania Portuguesa foi directamente tratada na Côrte Romana de Cristina em vez de Vieira perder tempo nos corredores do Vaticano.

Tinham, entretanto, passado 30 anos da revolução de 1 de dezembro de 1640, tempo em que prevaleceu o «lobby» espanhol.

 A Santa Sé foi o último Estado a reconhecer a Soberania restaurada de Portugal.

Cristina esteve, pois, no início e na conclusão do processo de reconhecimento internacional da Soberania restaurada de Portugal.

* * *

Por ordem cronológica, um brado de louvor a

António Pimentel do Lago

Cristina Vasa

Padre António Vieira SJ

Dezzio Cardeal Azolino

01 de Dezembro de 2025

Henrique Salles da Fonseca

 

3 COMENTÁRIOS

 A P MACHADO  02.12.2025  15:10: Caro Dr. Henrique Salles da Fonseca, As coisas que Você sabe! Deixemos dobrados e em boa ordem os lençóis da exuberante Cristina. E bebamos à Sua Real Saúde e à saúde daqueles cujos dias (ou noites) Ela generosamente alegrou. Abraço-

 Rui Bravo Martins  02.12.2025  15:49: Uma delícia de texto e de informação! Obrigado e Viva a Cristina! Rui Bravo Martins

 Adriano Lima  02.12.2025  15:55: Extraordinário este episódio "secreto" da nossa História, ou pelo menos com reflexo na nossa História. Assim como eu o desconhecia de todo, o mesmo deve acontecer com a maior parte das pessoas, e provavelmente incluindo mesmo licenciados em História (hei-de perguntar à minha filha historiadora se alguma vez leu ou ouviu falar disso). O Dr. Salles da Fonseca tem um mapa da mina reservado a poucos. A conclusão que se tira é que até mesmo a História pode escrever-se por caminhos ínvios, que é o que acontece quando graves resoluções do Estado se concebem no segredo dos lençóis.
Também se constata que o
cardeal Dezzio Azolino mandou às urtigas o voto de castidade, mas Deus deve tê-lo perdoado porque a transgressão acabou por resultar numa boa causa, com vibrante aclamação dos portugueses no Terreiro do Paço. Mas que grande mulher era Cristina Vasa! Só faltou ao Dr. Salles da Fonseca dizer que ela era bem bonita, conforme verifiquei numa pesquisa na net. As minhas felicitações ao autor. Um abraço Adriano Lima


DA INTERNET:

ALGUNS DADOS BIOGRÁFICOS

SOBRE A RAINHA CRISTINA DA SUÉCIA:

CRISTINA (Estocolmo18 de dezembro de 1626 – Roma19 de abril de 1689) - com o nome de nascimento Kristina Augusta e mais tarde, em 1655, Kristina Alexandra, vulgarmente conhecida em sueco como Kristina - foi a rainha da Suécia de 1632 até a sua abdicação em 1654. Era a única filha do rei Gustavo II Adolfo e de sua esposa, a princesa Maria Leonor de BrandemburgoFoi uma visionária pensadora humanista.  Ascendeu ao trono sueco com apenas seis anos de idade, após a morte de seu pai na batalha de Lützen. Durante a sua menoridade, a Suécia foi governada, até 1644, pelo regente do reino Axel Oxenstierna. Cristina abdicou em favor de seu primo Carlos X Gustavo, depois de se ter convertido ao catolicismo.

Sendo a filha de um defensor do protestantismo na Guerra dos Trinta Anos, Cristina causou escândalo ao abdicar em 1654 e converter-se ao catolicismo, aos 27 anos. Ela passou os seus anos restantes em Roma, tornando-se a líder da vida musical e teatral local. Como ex-rainha e sem país, ela protegeu muitos artistas e projectos. Morreu em 1689 e é uma das poucas mulheres enterradas no Vaticano.

Cristina era considerada mal-humorada, inteligente e interessada em livros e manuscritos, religião, alquimia e ciência. Ela queria que Estocolmo se transformasse na 'Atenas do Norte. Influenciada pela Contrarreforma, ela cada vez mais se sentiu atraída pela cultura barroca e mediterrânea, que se desenvolvia longe do seu país. O seu estilo de vida incomum, vestuário e comportamento masculino, inspirariam vários romances, peças teatrais, óperas e filmes.  (…)

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