E assim vai o Dr. Salles, com as suas
leituras e escritos, desenterrando dados de uma História desconhecida, que
instrui e diverte, pelo que lhe ficamos gratos, levando-nos à procura, ainda,
na Internet…
HENRIQUE SALLES DA
FONSECA
A BEM DA NAÇÃO, 02.12.25
Natural de Amarante, D. António Pimentel do Lago foi Embaixador de Filipe III (IV de Espanha) em Estocolmo. Reinava
Cristina Vasa que logo tratou de conhecer o Embaixador para além do Protocolo
de Estado e a quem passou a tratar por «o Amarante».
Pode ter sido alguma corrente de ar boreal que
tenha apanhado o Embaixador em trajes niilistas pondo-lhe as febres da
«fraqueza do peito». Finou-se
literalmente nos braços da rainha.
Destroçada pelo desaparecimento físico do
amante Amarante, Cristina instituiu a «Grande Ordem de
Amarante»/ «Stora Amaranten Orden» que consistiu na «garagem de recolha» dos
conhecedores dos bordados dos reais lençóis, mas que depois de reformulada é
hoje a maior Ordem Honorífica da Suécia.
Entretanto, em Lisboa o calendário chegou a 1
de Dezembro de 1640 e à defenestração de Vasconcelos.
Quando a notícia chegou a Estocolmo, logo Cristina fez com que a Suécia fosse o primeiro país a
reconhecer a soberania restaurada de Portugal. E os “Vivas à Cristina” passaram a ser o modo como o povo português dava expressão à sua alegria. Ah grande Amarante que depois
de morto ainda viveste!
Passados uns tempos, Cristina abdicou – sem
problemas para Portugal. Ainda se candidatou ao Trono da Polónia, mas o
processo não vingou. Católica, auto-exilou-se em Roma.
E a festa continua…
… num círculo em volta de Cristina – a que ela
chamava a sua Corte – composta sobretudo por artistas, eruditos e políticos,
com realce para Prelados.
Em Portugal chegara D. Pedro II ao trono logo
se apressando a ordenar que se sacasse o Padre
António Vieira SJ das garras da Inquisição – caso necessário, sem
cerimónias. Cumprida a ordem, foi o Reverendo mandado para Roma com a missão de
convencer o Papa a reconhecer a restauração da nossa Soberania.
Orador famoso, logo foi convidado para celebrar
nas igrejas jesuítas de Roma.
Rapidamente
Cristina o convidou para sua Corte a fim de conversar sobre filosofia com
os outros intelectuais. Aí conheceu o Cardeal Dezzio
Azolino, membro da Curia, que também conhecia os
bordados dos reais lençóis. Assim foi que a questão do reconhecimento da Soberania
Portuguesa foi directamente tratada na Côrte Romana de Cristina em vez de
Vieira perder tempo nos corredores do Vaticano.
Tinham,
entretanto, passado 30 anos da revolução de 1 de dezembro de 1640, tempo em que
prevaleceu o «lobby» espanhol.
A Santa Sé foi o último Estado a
reconhecer a Soberania restaurada de Portugal.
Cristina
esteve, pois, no início e na conclusão do processo de reconhecimento
internacional da Soberania restaurada de Portugal.
* * *
Por ordem cronológica, um brado de louvor a
António Pimentel do Lago
Cristina Vasa
Padre António Vieira SJ
Dezzio Cardeal Azolino
01 de Dezembro de 2025
Henrique Salles da Fonseca
3 COMENTÁRIOS
A P
MACHADO 02.12.2025 15:10: Caro Dr. Henrique Salles da Fonseca, As
coisas que Você sabe! Deixemos dobrados e em boa ordem os lençóis da exuberante
Cristina. E bebamos à Sua Real Saúde e à saúde daqueles cujos dias (ou noites)
Ela generosamente alegrou. Abraço-
Rui Bravo Martins 02.12.2025 15:49: Uma delícia de texto e de informação! Obrigado e Viva a Cristina! Rui Bravo
Martins
Adriano
Lima 02.12.2025 15:55: Extraordinário este episódio "secreto" da nossa História, ou pelo
menos com reflexo na nossa História. Assim como eu o desconhecia de todo, o
mesmo deve acontecer com a maior parte das pessoas, e provavelmente incluindo
mesmo licenciados em História (hei-de perguntar à minha filha historiadora se
alguma vez leu ou ouviu falar disso). O Dr. Salles da Fonseca tem um mapa da
mina reservado a poucos. A conclusão que se tira é que até mesmo a História
pode escrever-se por caminhos ínvios, que é o que acontece quando graves
resoluções do Estado se concebem no segredo dos lençóis.
Também se constata que o cardeal
Dezzio Azolino mandou às urtigas o voto
de castidade, mas Deus deve tê-lo perdoado porque a transgressão acabou por
resultar numa boa causa, com vibrante aclamação dos portugueses no Terreiro do
Paço. Mas que grande mulher era Cristina Vasa! Só faltou ao Dr. Salles
da Fonseca dizer que ela era bem bonita, conforme verifiquei numa pesquisa na
net. As minhas felicitações ao autor. Um abraço Adriano Lima
DA INTERNET:
ALGUNS
DADOS BIOGRÁFICOS
SOBRE A
RAINHA CRISTINA DA SUÉCIA:
CRISTINA (Estocolmo, 18 de
dezembro de 1626 – Roma, 19 de abril de 1689) - com o nome de
nascimento Kristina
Augusta e mais
tarde, em 1655, Kristina
Alexandra, vulgarmente
conhecida em sueco como Kristina - foi a rainha da
Suécia de 1632 até a sua abdicação em 1654. Era a única
filha do rei Gustavo II Adolfo e de sua esposa, a
princesa Maria Leonor de Brandemburgo. Foi uma visionária pensadora humanista. Ascendeu ao trono sueco com apenas seis anos
de idade, após a morte de seu pai na batalha de Lützen. Durante a sua
menoridade, a Suécia foi governada, até 1644, pelo regente do reino Axel Oxenstierna. Cristina
abdicou em favor de seu
primo Carlos X
Gustavo, depois de se ter convertido ao catolicismo.
Sendo
a filha de um defensor do protestantismo na Guerra dos Trinta
Anos, Cristina causou escândalo ao abdicar em 1654 e converter-se ao
catolicismo, aos 27 anos. Ela
passou os seus anos restantes em Roma, tornando-se a líder da vida musical e
teatral local. Como ex-rainha e sem país, ela protegeu muitos artistas e projectos.
Morreu em 1689 e é uma das poucas mulheres enterradas no Vaticano.
Cristina
era considerada mal-humorada, inteligente e interessada em livros e manuscritos,
religião, alquimia e ciência. Ela queria que Estocolmo se transformasse na 'Atenas
do Norte. Influenciada pela Contrarreforma, ela cada vez mais se sentiu
atraída pela cultura barroca e mediterrânea, que se desenvolvia longe do seu
país. O seu estilo de vida incomum, vestuário e comportamento masculino,
inspirariam vários romances, peças teatrais, óperas e filmes. (…)
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