Revisão de um acontecimento que vivi em Lourenço Marques, pela Rádio e Imprensa escrita, nas emoções que um tal evento provocou aqui na Terra. No Brasil houve quem duvidasse, como nos é contado.
MARTE vem a
seguir, provando ser bem verdadeira a frase de Pascal sobre o admirável “Roseau
Pensant”:
PRELIMINARES:
«Há 54 anos o homem pisou na Lua pela primeira vez. Foi em 20 de julho de 1969 que o homem chegou à Lua na missão Apollo 11. A expedição, comandada pela NASA, durou oito dias e foi muito bem-sucedida.19/07/2023» (INTERNET)
Há 54 anos o homem pisou na Lua pela primeira vez. Foi em 20 de julho de 1969 que o homem chegou à Lua na missão Apollo 11. A expedição, comandada pela NASA, durou oito dias e foi muito bem-sucedida. Para que a missão de pisar na Lua fosse concluída com sucesso, foi necessário investir cerca de 136 bilhões de dólares e o trabalho de 400 mil pessoas.
O evento tornou-se o centro das atenções em todo o mundo e todos queriam acompanhar essa viagem pela televisão. Para que isso fosse viável, em fevereiro de 1969 a transmissão via satélite foi inaugurada no Brasil, pela Embratel, no município fluminense de Itaboraí. O lançamento foi programado para que fosse possível transmitir a missão da nave espacial Apollo 9, que tinha o objectivo de testar o módulo de exploração que permitiria o envio de astronautas à Lua na nave Apollo 11.
Armstrong: primeiro homem a pisar na Lua
O engenheiro aeroespacial Neil Armstrong foi a primeira pessoa a deixar a sua pegada na superfície da Lua, às 23h56 (horário de Brasília), no dia 20 de julho de 1969. O gesto de pisar na superfície lunar representou, na época, um grande passo para a humanidade.
Ao pisar na Lua, Neil Armstrong falou a frase que ficou conhecida mundialmente: “É um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade.” A sua chegada na Lua foi transmitida ao vivo. Depois de Armstrong, foi a vez de Edwin Aldrin Jr pisar na Lua.
Brasileiros acharam que homem na Lua foi mentira da TV Globo
O lançamento da transmissão via satélite no Brasil foi um marco para a televisão no país, que permitiu imagens mais realistas e transmissões vindas de fora. Diante da perfeição das imagens na transmissão do homem na Lua, telespectadores duvidaram de que o homem tivesse realmente pisado na Lua e acusaram a TV Globo de ter inventado a história.
O jornalista Hilton Gomes, que narrou a transmissão do evento histórico, foi
chamado de mentiroso por populares ao tomar um café em um bar. A atendente
do estabelecimento disse ao jornalista: “Você
é um mentiroso! O homem não foi à Lua coisa nenhuma!”. Como
outras pessoas no local também olhavam desconfiadas, Hilton Gomes desistiu do
café e saiu escondido.
Armstrong:
primeiro homem a pisar na Lua
O engenheiro aeroespacial Neil Armstrong foi a primeira pessoa a deixar a sua pegada na superfície da Lua, às 23h56 (horário de Brasília), no dia 20 de julho de 1969. O gesto de pisar na superfície lunar representou, na época, um grande passo para a humanidade.
MARTE: A seguir
Esperar dois anos para poder ir até
Marte? NASA experimenta trajectória inédita que poderá revolucionar o acesso ao
planeta vermelho
Actualmente, é preciso esperar 26
meses entre cada oportunidade de lançamento. A trajectória escolhida pela NASA,
se for um sucesso, irá eliminar este tempo de espera e tornar Marte mais
acessível.
OBSERVADOR, 30 nov. 2025, 18:094
Desde outubro de 2024 que ninguém se
atreve a lançar missões rumo a Marte. Há uma janela específica de
lançamento, que dura “algumas semanas”, mas que só aparece de 26 em 26 meses.
Até ao final de 2026, quando as órbitas da Terra e do
planeta vermelho se voltarem a alinhar e estiverem reunidas as condições para
se fazer a transferência e chegar a Marte em menos de um ano de viagem,
previa-se que nada acontecesse. Contudo, no passado dia 13 de novembro, a NASA
decidiu arriscar e disparou dois satélites que têm Marte como destino final.
“Pelo que sei, todas as missões que
foram a Marte até hoje foram lançadas quando os planetas estavam alinhados”,
admite ao Observador o responsável pelo desenho da missão ESCAPADE, Jeff
Parker. Esta é a excepção. Os dois
satélites idênticos que foram enviados para estudar os efeitos do clima
espacial na (fina) atmosfera do planeta só devem chegar a Marte na segunda
metade de 2027, mas se lá chegarem, o futuro deste tipo de missões espaciais
poderá mudar para sempre. Não estando limitados por aquelas
poucas semanas de dois em dois anos, o especialista refere que se levanta também o limite
sobre o número de dispositivos que podem ser enviados todos os anos. De dois ou
três por janela, Jeff Parker acredita que podem passar a ser lançadas dezenas
independentemente de estarem — ou não — reunidas as condições ideais.
Do lado da NASA, o Blue e o Gold (nomes dos satélites) estavam prontos para a viagem em agosto de 2024, ainda
antes da janela de lançamento que se aproximava dentro de um par de meses. Era para ter sido o voo inaugural do New Glenn, o grande foguete da Blue Origin
— a empresa criada por Jeff Bezos
—, mas atrasos no seu desenvolvimento levaram os engenheiros da Advanced Space, empresa que colabora com a agência norte-americana,
a procurar uma solução para este problema. Ao não conseguir lançar nesta janela,
teriam — à partida — de esperar até ao final de 2026 para conseguirem enviar os
satélites para Marte.
Assim, começou a procura por alternativas. Surgiram
mais de uma dezena de possíveis caminhos até ao planeta vermelho antes de
chegar a hora do alinhamento da órbita terrestre, conta Jeff
Parker ao Observador. “Não é
complicado mudar a missão de outubro de 2024 para o final de 2026, mas é
muito difícil esperar dois anos em termos políticos e financeiros. A melhor solução é ir logo para o Espaço”,
acrescenta. Começaram, então, a afastar opções até chegar à finalmente
escolhida.
Enviar os dois satélites directamente
para Marte, fora da janela habitual, não seria possível, uma vez que não
conseguem abastecer o foguete com combustível suficiente para uma viagem tão
longa. Também foi equacionada
a hipótese de lançar com direcção a Vénus com o intuito de depois regressar
para Marte, mas uma vez que os satélites já estavam construídos — e não
seria possível adaptar a construção às condições de órbita de Vénus —, afastaram esta hipótese. Desta forma, 15 hipóteses rapidamente passaram a apenas uma.
O “feijão” e o “loop-de-loop” que podem abrir as portas para mais
missões para Marte
O Blue partiu dois dias antes do Gold.
Quando
chegarem a Marte, em meados de 2027, os dois
satélites vão estar a fazer órbitas distintas em torno do planeta para
avaliarem de forma mais completa o que levou à diminuição da sua camada
atmosférica. Como tal, neste percurso nunca antes testado,
o
Gold estará dois dias sempre atrás do Blue.
Quando todas as opções pareciam
esgotadas, lembraram-se de avançar com uma trajectória inédita. A rota “faz lembrar um feijão”,
como explica o responsável pela ideia ao Observador. Ao longo de cerca de um ano de viagem, os dois satélites vão viajar em
torno de um dos cinco pontos de Lagrange, o L2, ponto estacionário onde as
forças gravitacionais do Sol e da Terra estão em equilíbrio. É nesta localização que se encontra o conhecido telescópio James Webb.
“O
que fizemos foi lançar à frente da Terra e depois atravessa a tal órbita L2, o
feijão. E demora muito tempo a percorrê-la, o que é bom, porque precisamos de
ficar a fazer tempo até os planetas [Terra e Marte] se alinharem”, acrescenta Jeff Parker. Depois de percorrida esta rota, os satélites têm de
fazer um pequeno “loop-de-loop” para voltarem a entrar na órbita terrestre e,
logo de seguida, serem “disparados” para Marte no preciso momento em que a
janela de lançamento ideal abre na Terra.
▲ Fonte:
Advanced Space
A passagem na órbita terrestre é
mesmo só uma passagem. Os satélites chegam a cerca de 800 km de altitude
mas depois são “catapultados” em direcção a Marte. “Vão passar mesmo por cima da Terra. Não vamos
conseguir vê-los, são demasiado pequenos. Talvez com um bom telescópio”,
refere o especialista da Advanced
Space que planeou a missão. De acordo com as previsões — que até agora
estão a confirmar-se — o Blue deve passar
pela Terra no dia 7 de
novembro de 2026 e o Gold exactamente 48 horas depois, precisamente nos
“melhores dias” para seguir viagem para o planeta vermelho.
Jeff
Parker sublinha a importância que esta missão pode vir a ter
neste sector — mesmo que não seja possível ver os satélites a olho nu quando
passarem pela Terra. “A
(missão) ESCAPADE é de custo relativamente reduzido, mas com um valor tremendo. É a oportunidade perfeita para experimentar algo novo.
Nunca foi feito algo deste género na história”,
continua.
Um dos pontos positivos da missão — e
que será algo a manter no futuro em caso de sucesso — é que será possível
ajustar a trajectória durante a viagem. Estão espalhados, ao
longo deste “feijão” e do “loop-de-loop”, vários pontos de ajuste. Chamam-se
TCM (manobras de correcção de trajectória, em inglês) e existem 16 em
pontos estratégicos do percurso que o Blue e o Gold vão percorrer. Neste
preciso momento, estão em fase de “commissioning”, ou seja, estão a testar todo o equipamento que segue
a bordo das naves espaciais. Mas dentro de poucos dias, entre a segunda e a
terceira semana após o lançamento, no dia 1 de dezembro, vão chegar ao primeiro
TCM.
Neste primeiro momento, o objectivo é
verificar apenas se o motor principal está a funcionar de acordo com o esperado.
Cada um destes pontos de observação tem como propósito garantir que o
equipamento está em bom estado e que os satélites continuam a seguir a
trajetória prevista. “Estamos dentro
do prazo. Não temos ainda pressa, porque o lançamento correu muito bem, a nave
está a voar bem”, conta ao Observador. No segundo TCM — a uma
curta distância do primeiro — será
feita a separação do trajecto a seguir pelos dois satélites, que vão passar a
voar de forma independente em torno do “feijão”.
Ao longo dos milhões de quilómetros previstos neste percurso, a maioria
dos restantes TCM servirão apenas para corrigir — se necessário — a rota que os
satélites estão a seguir. Os últimos, serão cruciais para ajustar a entrada na
órbita terrestre e a saída rumo a Marte.
Ainda não é garantido que esta trajectória
funcione. É uma aposta da NASA em algo que poderá revolucionar as futuras
missões para Marte, uma vez que deixarão de estar limitados por aquela curta
janela que só aparece de 26 em 26 meses.
“Em teoria, no futuro, se quisermos estabelecer uma colónia em Marte,
vamos precisar de enviar muito
equipamento para lá. E mandar muito equipamento numa janela tão curta é
extremamente complicado. Precisamos de muitos foguetes e muitas plataformas de
lançamento, que não temos”, refere Jeff Parker. Caso a trajectória que
desenhou para a missão ESCAPADE seja um sucesso, garante que será replicável
para outros lançamentos, e que estes
problemas que agora representam um entrave na exploração marciana passariam a
ser menosprezados.
“Poderíamos lançar um foguete em janeiro, outro em fevereiro, março,
abril, maio, junho… um por mês, e em vez de termos um ou dois lançamentos
naquelas semanas que temos a cada dois anos, passamos a ter 12 por ano. Estes
lançamentos, ao seguir uma trajetória semelhante a esta, um a seguir ao outro
como se fossem um colar de pérolas, acabariam por resultar numa frota em direcção
a Marte e tudo a partir de uma única plataforma de lançamento”,
acrescenta.
O vento solar, a magnetosfera e os
gémeos: o que vai a NASA explorar em Marte na missão ESCAPADE?
A missão foi adiada múltiplas vezes até o New Glenn finalmente levantar
voo. A missão ESCAPADE acabou por não ser o objecto do primeiro lançamento, mas
foi a primeira vez que o foguete desenvolvido pela empresa de Jeff Bezos
conseguiu aterrar com sucesso na plataforma desenhada para o acolher de volta
na superfície terrestre. Os
satélites Blue e Gold seguiram caminho pela órbita em L2 — o tal “feijão” que
irão demorar exactamente um ano a percorrer — e o o foguete voltou para poder
ser reutilizado no futuro.
Ao longo do próximo ano, o Blue e o Gold vão, essencialmente, estar a “fazer tempo” no Espaço até se
abrir novamente a janela de lançamento para Marte. Assim, só cerca de 10 meses após a passagem pela Terra
— em
novembro de 2026 — é que vão chegar àquela órbita para que foram
programados. Fazendo as contas, o responsável pelo planeamento da missão, Jeff
Parker, estima que o Blue e o Gold
cheguem a Marte em setembro de 2027 e, aí, poderá executar o projeto desenhado
pela NASA.
Os satélites gémeos vão seguir duas
órbitas diferentes — chegando a Marte com 48 horas de distância —, mas o objectivo
será o mesmo. A missão
ESCAPADE tem como principal objectivo estudar a influência do clima espacial, mais
particularmente do Sol, no “passado e no presente” de Marte. O Blue e o Gold
vão investigar como é que a “magnetosfera” do planeta interage com o vento
solar e como é que isso afecta a sua fina atmosfera.
Marte tem uma “magnetosfera híbrida”.
Ou seja, existe um campo magnético
induzido e ainda um campo magnético na crosta do planeta. Esta
camada invisível, à semelhança do que acontece na Terra — mas de forma menos
expressiva — acaba por proteger Marte dos ventos solares e de outras partículas
vindas do Sol que têm o potencial para afectar a atmosfera e — se houver — a
vida no planeta. Comparativamente
com o que acontece no nosso planeta, a fina atmosfera marciana deixa passar
bastante mais radiação do que a Terra e, de acordo com a NASA, esta camada tem
vindo a ficar cada vez menor ao longo de milhares de milhões de anos, fruto da
intensidade desta energia solar, o que deixou o planeta mais frio e sem a água
no estado líquido que já terá circulado por Marte.
Com esta informação que será captada
pelos dois satélites, será possível traçar como Marte é afectado por estes
fenómenos e de que forma o seu ambiente magnético muda ao longo do tempo. Ao
mesmo tempo, serão reunidos dados essenciais para a protecção de eventuais
astronautas que cheguem ao planeta vermelho, sabendo com exatidão os maiores
perigos ambientais que afectam o território.
Ao longo de 11 meses o Blue e o Gold estarão
a rodar em torno de Marte. Quando
chegarem em setembro de 2027, os dois satélites vão seguir a mesma rota, apesar
de estarem a uma distância de dois dias um do outro. Na
primeira parte da missão — a que a NASA deu o nome de “Campaign A”
—, vão andar um atrás do outro a
estudar as mudanças ambientais, olhando para o tempo e para a localização onde
observam as respectivas alterações.
Na segunda parte — a “Campaign B”
—, aí sim os gémeos serão separados.
Um
dos satélites passará a seguir uma órbita mais afastada do planeta para
observar os ventos solares, com o outro a ficar mais próximo de Marte para
avaliar os efeitos desta radiação na sua superfície. Contando com o
tempo de deslocamento até lá, estima-se que a missão tenha uma duração total
de três anos e sete meses, com os
satélites Blue e Gold a transmitirem informação em directo para
as instalações da agência espacial norte-americana. Se o percurso do próximo ano for um sucesso, poderão
abrir as portas a uma exploração mais intensa do planeta vermelho.
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