Infelizmente não de todos conhecido. Motivo de chufa, de discórdia muitas
vezes, de cobiça sempre, ainda que disfarçada de desdém. Há quem o manipule bem, o "rico bago", mas se um governante se propõe reconhecê-lo, distribuindo-o generosamente, sem
partir de uma gestão produtiva, como parece ser o caso português, naturalmente
que merece chufas e a conclusão irremediável de que não temos safa, com tal
generosidade puramente – pessoalmente – interesseira - afinal como o fora já por
alturas da Revolução de há cinquenta anos, por conta alheia, sempre por conta
alheia…
Musk rica histeria da UE com o Elon
Musk tem irritado a União das Repúblicas Socialistas Europeias,
quando quem devia estar irritado era ele: quando é que os woke europeus pagam
as reparações devidas ao empresário afro-americano?
TIAGO DORES, Colunista do Observador
OBSERVADOR, 10 dez. 2025, 00:1725
É impressão minha ou acabaram de
ler o primeiro título de crónica, quiçá de sempre, com pronúncia da Beira Alta?
O “Musk que” com aquele essezinho sibilado, mesmo a soar a “Mas que” com pronúncia de Viseu, ou do líder do PS, José Luís Carneiro, não é?
Querem as melhores titulações? Vieram ao sítio certo.
Já, se quiserem os melhores
ordenados, é falarem antes com o líder do PSD, o primeiro-ministro Luís Montenegro. Que
da última vez que o ouvi licitar — em
grande medida com o nosso dinheiro, claro, que é a forma mais gira de ganhar
leilões de votos — o ordenado
mínimo, já estava a oferecer 1.600€ por mês. E eu a pensar que o PSD era
igualzinho ao PS. Afinal é
indistinguível mas é da CGTP.
Incrível, este milagre da
multiplicação do ordenado mínimo: é só pedir que ele, tumba!, sobe por
magia. Pena
nenhum destes sucessivos governos socialisto-social-democratas que nos têm
pastoreado ter tido o espírito empreendedor para patentear isto, porque
se aplicassem esta ideia ao mercado dos fármacos para a disfunção eréctil, bem que a Pfizer podia dizer adeus aos
proveitos com o famoso comprimido azul.
E não são só as leis mais básicas da
economia que estas subidas vertiginosas do salário mínimo desafiam. São
também as próprias leis da matemática. Por este andar, não ficaria surpreendido se conseguíssemos ser o primeiro país do mundo a ter
um ordenado mínimo mais alto que o ordenado médio.
Impossível!, dirão os choninhas da estatística. Choninhas das estatísticas,
olhem ali: como é possível a The Economist eleger Portugal como a “Economia do Ano” de
2025, liderando o ranking das 36 economias mais ricas do mundo?! E lá vão os
choninhas das estatísticas a correr, desmascarar esta fantochada com
estatísticas das boas.
Fantochada ainda maior é a União Europeia, a contas com um desafio de
política externa como a guerra na Ucrânia, confiar a António Costa a
Presidência do Conselho Europeu. É que daqui resulta que, nos
bate-boca no X, a fazer frente a Elon Musk em nome da UE, ao pioneiro dos
veículos eléctricos em escala, da condução autónoma, do armazenamento de
energia, dos interfaces cérebro-computador, da internet global via satélites de
órbita baixa, do transporte espacial reutilizável e da mobilidade urbana
subterrânea, temos o
homem cuja capacidade de se movimentar de forma subterrânea na política o
conduziu a este merecido lugar cimeiro na Europa.
Quer isto dizer que, por estes
dias, o X assinala, não o local do tesouro, como nos tradicionais mapas de
piratas, mas o local onde Costa e
companhia nos brindam com sucessivos tesourinhos deprimentes, em forma de post, sobre a suposta imparável capacidade da
balofa burocracia europeia liderar algum processo que não o de continuar a enfardar à bruta os nossos
impostos.
Enfim, para ser justo, a morbidamente obesa burocracia europeia
também consegue chamar burro ao tipo que expõe a absoluta inoperância da
Europa, nos intervalos de explicar como (parafraseando o que percebi) satélites com capacidade de computação em IA, ligados
por lasers à constelação Starlink, serão a forma mais rápida de processar
informação sem consumir energia na Terra e o passo intermédio até construir
fábricas de satélites na Lua e usar um canhão eletromagnético para os acelerar
até à velocidade de escape lunar, sem necessidade
de foguetões, permitindo progressos não triviais rumo a tornarmo-nos uma
civilização de Kardashev tipo II… É. Confirma-se. Estamos
perante um indivíduo cuja capacidade cognitiva e analítica deixa um bocadinho a
desejar.
Agora, Elon Musk mencionou Kardashev,
proeminente astrofísico da extinta União Soviética, famoso pela escala com o seu nome, que
classifica o avanço
tecnológico de uma civilização com base na quantidade de energia que ela é
capaz de captar e utilizar. Pode ser que esta menção a uma celebridade do universo comunista
quebre o gelo entre o néscio empreendedor e a elite socialista. Quem sabe se, por exemplo, Catarina
Martins e Jorge Pinto, depois de resolverem a questão de deverem assinaturas à
CNE para se candidatarem à Presidência da República, não se convencem, enfim, a
pagar as reparações que devem ao afro-americano Elon Musk.
UNIÃO EUROPEIA EUROPA MUNDO ELON MUSK
TECNOLOGIA INTELIGÊNCIA COMPORTAMENTO SOCIEDADE
COMENTÁRIOS (de 25)
josé cortes: Demolidor. Dar o exemplo desta
nova perspectiva do Musk é colocar a UE e a Europa toda no seu devido nanismo:
insignificante. O que fazemos nós nesta
Europa? José B
Dias: A cada nova crónica mais clara se torna a razão para
que Tiago Dores tenha passado a ser considerado muito "fedorento"
pelos demais Fedorentos ... Rui Lima: Tiago, genial! A tua
ironia transforma crítica política em humor refinado, cada frase carregada de
provocação e perspicácia. Mas depois da URSS ainda existiu a Rússia,
o que sobrará da Europa daqui a algumas gerações? Quem vagueia por
bairros de Paris como Seine-Saint-Denis, Aubervilliers, La Courneuve,
Barbès–Rochechouart, La Chapelle ou Goutte d’Or por momentos cheira a Cabul, mas
se for até Londres ou Berlim. João
Floriano > Rui
Lima: Nem precisamos de ir a esses bairros. Basta subir a
escadaria do Sacré-Coeur para ter uma experiência inolvidável tantas são as
abordagens dos «locais». Chegar ao topo com o relógio, o telemóvel ou os anéis
é um feito cada vez mais difícil. Gustavo Lopes: Genial!! Soberbo!!!
Ganda risota ao pequeno-almoço… Parabéns, caro TD!!! Paulo
Machado: Brilhante, muito bom Francisco Almeida:
Humor do melhor, quer na escolha
dos assuntos a ridicularizar - excepto os 1.600€ de Montenegro que se
evidenciavam por si só - quer pela forma de os abordar. João Floriano: Como o Elon Musk me deixa perfeitamente
indiferente, mesmo quando aparece/aparecia em comícios com a moto-serra
oferecida por Xavier Milei para cortar impostos e gorduras do Estado, concentro-me
na visão de rios de leite e mel apresentada por Montenegro com a menção de 1600
euros para salário mínimo e 3000 para o médio. Andei à procura da data em
que Montenegro, à Moisés, conduziria o povo escolhido pelo deserto até a
essa terra onde o dinheiro jorra da torneira e cresce das árvores. Há uma
vaga insinuação que poderá ser até final da legislatura. Em 2029 não teremos
muitas diferenças em relação a 2025 com as campanhas para legislativas,
autárquicas e presidenciais, europeias e até as do Benfica todas
seguidas. Nem sei como iremos suportar o período de abstinência e ressaca que
virá a seguir às presidenciais. Eu nem sequer tenho eleições para o
condomínio. Não coloco em dúvida os valores que Montenegro nos propõe, como
a cenoura agitada em frente do nariz de um burro. Chegaremos lá sim senhor. Só
que muitas coisas podem acontecer e quando o nosso salário mínimo for de 1600
euros, já o dos gregos irá nos 2500 e o médio nos 4000, contra os 3000
acenados. E uma dúzia de ovos custar 6 euros, e um pacote de arroz cinco. E
até se pode muito bem dar o caso de em vez de euros, a moeda ser o rublo ou o
eurorublo. Da maneira que isto anda..........! David Pinheiro: Tanta verdade numa crónica supostamente
comédia. MariaPaula Silva: ah ah,
muito bom!!! adorei o último parágrafo e, de facto, Portugal
como a “Economia do Ano” de 2025 é a maior anedota do ano. Alguém acredita? Parabéns, TD, o melhor Gato sem dúvida alguma, é
como diz o povo, com o tempo e os actos (neste caso, as escritas) as pessoas
revelam-se, e se os outros (gatos) não gostam.... temos pena. mais um: Muito
bom. Mas pena que não é para rir.... L Faria: Brilhante! E não é que é mesmo
afro-americano? E branco? Como será isto possível?
NOTAS DA INTERNET
Elon
Reeve Musk FRS (Pretória, 28 de junho de 1971)
é um empresário, empreendedor, inventor e filantropo sul-africano, naturalizado canadense e estadunidense.
É o fundador, director executivo e director técnico da SpaceX; CEO da Tesla, Inc.; um dos cofundadores da OpenAI, fundador e CEO da Neuralink; cofundador, presidente da SolarCity e proprietário do X (antigo Twitter) e Ex-Comissário
do Departamento
de Eficiência Governamental dos Estados Unidos durante o Segundo
Governo Trump (2025). Em 2023, ele era a pessoa mais rica
do mundo, com um património líquido estimado em 225 bilhões de dólares,
de acordo com o Bloomberg
Billionaires Index.
Já a revista Forbes estimou
sua fortuna em 221,3 bilhões de dólares, principalmente de suas participações accionárias
nas empresas Tesla e na SpaceX. Em outubro de 2025, a Forbes estimou
que seu património líquido seja de US$ 500 bilhões, tornando-o a primeira
pessoa a alcançar esse patamar. Musk demonstrou publicamente
preocupações com a extinção humana e também
propôs soluções, das quais algumas são o objectivo principal de suas empresas e
já estão sendo feitas na prática. Entre
elas, a redução do aquecimento global,
através do uso de energias renováveis,
um projecto
multiplanetário, mais especificamente a colonização de
Marte, e o desenvolvimento seguro da inteligência
artificial.
Em janeiro de 2011, uma de
suas empresas, a Space X, tornou-se a primeira
empresa no mundo a vender um voo comercial à Lua.
A missão, marcada para 2013, foi contratada pela empresa Astrobotic Technology,
tendo como objectivo colocar um pequeno jipe na superfície lunar, o que não
aconteceu. Em 2012, encerrou o projecto do Tesla
Roadster, o primeiro modelo da sua autoria, um carro totalmente eléctrico
que custava cerca de 92 mil dólares. A Tesla já lançou quatro modelos: S, Y, X
e o Modelo 3, este último com a responsabilidade de trazer os carros eléctricos
para as massas, partindo de um custo inicial de 35 mil dólares. Em 25 de
abril de 2022, ele também concordou em comprar o Twitter por
44 bilhões de dólares.
Musk expressou opiniões que o
tornaram uma figura polarizadora e controversa. Ele foi criticado
por fazer declarações não científicas, enganosas, ou endossar teorias da
conspiração, incluindo sobre a pandemia de
COVID-19 e a eleição presidencial nos Estados Unidos em 2020, além de
endossar postagens antissemitas, sendo
que por este último ele se desculpou. Em 2024, Musk foi o maior doador
na eleição presidencial
daquele ano e desde
então tem se destacado como um apoiante de personalidades, causas e partidos
políticos de extrema-direita no mundo todo.
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