Refiro-me à Polónia, pátria de Marie Skłodowska-Curie, e igualmente palco de guerra
com a Rússia
também, não receou enfrentar este país, em
defesa da Ucrânia, alvo, esta, de recentes arremetidas russas,
como nos conta TIAGO MARTINS. Admirável mundo velho!
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Polónia detém arqueólogo russo procurado pela
Ucrânia. Está acusado de causar danos parciais na antiga cidade de Myrmekion. O tribunal de Varsóvia vai manter em prisão
preventiva o suspeito de destruir
parte de Myrmekion, na Crimeia.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acusou os países de "pura tirania
jurídica".
OBSERVADOR. 12 dez. 2025, 00:26
A Ucrânia estima que os danos
provenientes de várias escavações ilegais sejam de 201.6 milhões de hryvnias
(cerca 4.090.000 euros).
Sean Gallup/Getty Images
A Ucrânia estima que os danos provenientes de várias escavações ilegais
sejam de 201.6 milhões de hryvnias (cerca 4.090.000 euros). Sean Gallup/Getty
Images
As
autoridades polacas detiveram um investigador e arqueólogo russo procurado
pela Ucrânia por suspeitas de ter realizado escavações ilegais e de causar
danos parciais na antiga cidade de Myrmekion, na Crimeia, revelou esta quinta-feira a BBC.
Segundo a polícia polaca, o
suspeito, identificado como Alexander
Butyagin, é chefe do Departamento de Arqueologia Antiga da
região do Mar Negro Norte no famoso Hermitage
Museum, localizado em São
Petersburgo, na
Rússia.
De acordo com os procuradores ucranianos,
o arqueólogo terá conduzido escavações ilegais em Kersh, cidade portuária da costa oriental da
península da Crimeia, entre fevereiro de 2014 e novembro de 2025. “Como resultado dessas escavações”, Aleksandr terá destruído ilegalmente “parte do complexo arqueológico da
antiga cidade de Myrmekion’”, afirmou o procurador Piotr Skiba, porta-voz da procuradoria distrital de
Varsóvia, à BBC, citando informações dos procuradores
ucranianos.
A Procuradoria da Ucrânia emitiu um
pedido de extradição para Aleksandr B
em novembro, explicou ainda Skiba. Kiev diz, no documento, que o arqueólogo “procurou
objectos móveis em locais de património cultural sem a autorização adequada
para realizar escavações no complexo arqueológico Cidade Antiga de Myrmekion,
em Kerch… e realizou escavações ilegais neste local de património cultural
desde o início da ocupação temporária do território da Crimeia”.
A Ucrânia estima que os danos provenientes destas escavações sejam de 201.6
milhões de hryvnias ( aproximadamente cinco milhões de euros).
O
homem foi detido na Polónia a 4 de dezembro e posteriormente interrogado por
procuradores em Varsóvia, “onde se recusou a fornecer explicações”. O tribunal
decidiu manter o investigador em prisão preventiva no centro de detenção de
Varsóvia-Białołęka por 40 dias, até 13 de janeiro, enquanto decorre o processo
de extradição.
“Trata-se de pura tirania jurídica”.
Kremlin critica detenção
O ministério dos Negócios
Estrangeiros da Rússia reagiu ao caso, condenando a detenção e deixando
críticas às autoridades polacas. “Trata-se de pura tirania jurídica. Iremos,
naturalmente, exigir por via diplomática o direito de proteger os interesses do
nosso cidadão”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry
Peskov durante uma conferência de imprensa citada
pela Reuters.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia afirmou que Butyagin tinha sido convidado
para dar palestras sobre Pompeia em Varsóvia e noutras cidades europeias. A embaixada russa em Varsóvia
foi informada do caso e está a fornecer assistência consular ao arqueólgo.
Myrmekion era uma colónia da Grécia
Antiga, fundada pelos jónicos na
primeira metade do século VI a.C., localizada na actual Crimeia. O seu estudo continua a permitir
compreender a presença grega na Crimeia, assim como parte da história antiga do
Mar Negro.
*Texto editado por Cátia Andrea Costa
GUERRA NA
UCRÂNIA UCRÂNIA EUROPA MUNDO POLÓNIA RÚSSIA ARQUEOLOGIA CIÊNCIA
NOTAS DA INTERNET:
A península da Crimeia, também conhecida simplesmente como Crimeia é uma massa de terra na costa do norte do mar Negro, pelo qual é cercada quase
completamente, e pelo mar de Azov ao
nordeste. A península está
localizada ao sul da região ucraniana de Kherson e a
oeste da região russa de Cubã.
Está ligada ao Oblast de Kherson pelo istmo de Perekop e é separada de Cubã
pelo estreito de Querche.
A ponte terrestre de
Arabat está localizada a nordeste, uma estreita faixa de terra
que separa um sistema de lagoas, chamado Sivash, do mar de Azov. A Crimeia (ou península Táurica, como era chamado desde
a Antiguidade até o início da Era Moderna) tem sido historicamente a
fronteira entre o mundo clássico e
as estepes pônticas. A
sua parte sul foi colonizada
por gregos
antigos, persas, romanos, bizantinos, godos da Crimeia, genoveses e otomanos, enquanto ao mesmo tempo o seu interior foi ocupado por vários invasores nómadas
das estepes, como cimérios, citas, sármatas, godos, alanos, búlgaros, hunos, cazares, quipechaqesmongóis e a Horda Dourada. A Crimeia e territórios adjacentes foram unidos no Canato da
Crimeia entre
os séculos XV e XVIII. Em 1783, a Crimeia foi anexada pelo Império Russo. Após a Revolução Russa de
1917, a península tornou-se uma república autónoma dentro da República Socialista Federativa Soviética da Rússia,
parte da União Soviética, embora
mais tarde, durante a Segunda Guerra
Mundial, tenha sido rebaixada para o Oblast da Crimeia.
Em 1954, o Oblast da Crimeia foi transferido
para a República
Socialista Soviética da Ucrânia, por Nikita Khrushchev, a fim de reforçar a "unidade
entre russos e ucranianos" e a "grande e indissolúvel amizade"
entre os dois povos. A região então transformou-se
na República
Autónoma da Crimeia dentro da Ucrânia independente em 1991, sendo
que Sebastopol manteve a sua própria
administração, dentro de Ucrânia, mas fora da república autónoma. Desde 1997, após o tratado de paz e amizade assinado pela Rússia e Ucrânia, a Crimeia abriga a base da Frota do Mar Negro da
Rússia em Sebastopol. A antiga frota soviética do mar Negro e as
suas instalações foram divididas entre a Frota Russa do Mar Negro e as Forças Navais
Ucranianas. As duas marinhas compartilhavam alguns dos portos e cais da cidade,
enquanto outros eram desmilitarizados ou usados por qualquer um dos dois
países. Sebastopol permaneceu como a sede da Frota Russa do Mar Negro, assim como a sede das Forças Navais da Ucrânia, também sediada na cidade. Em 27 de abril de 2010, a Rússia e a
Ucrânia ratificaram a base naval ucraniana para o tratado de gás, estendendo o
arrendamento à Marinha Russa de instalações da Crimeia por 25 anos após 2017
(até 2042) com uma opção para prolongar o contrato de arrendamento por cinco
anos. Em março de 2014, após a
destituição do presidente pró-russo Viktor Yanukovich na Revolução
Ucraniana de 2014, as forças armadas
russas apoiadas por separatistas
pró-russos invadiram
grandes edifícios do governo ucraniano, bases militares e
instalações de telecomunicações da península e forçaram as autoridades locais a
realizarem um referendo sobre
"reunificação com
a Rússia", considerado ilegal pela Resolução 68/262 da Assembleia
Geral das Nações Unidas,
sendo então a Crimeia considerada um território ucraniano sob ocupação russa.
A
maior parte da comunidade internacional (excepto Zimbábue, Venezuela, Síria, Nicarágua, Sudão, Bielorrússia, Armênia, Coreia do Norte e Bolívia) não reconhece a anexação e considera a
Crimeia um território ucraniano sob ocupação russa. A Federação Russa administra actualmente a península como duas entidades federais: a República da
Crimeia e a Cidade
Federal de Sebastopol. A Ucrânia continua a afirmar o seu direito sobre a península.
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