quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Continuidade


Poderes dos ditadores, prémios aos que lutam pela Liberdade, com muitas mortes pelo meio... O Mundo de sempre, de guerra agendada, em busca da paz… 

UNIÃO EUROPEIA

Prémio Sakharov: perante uma filha com o pai na prisão, Metsola promete lutar por todos os presos políticos

Na entrega do Prémio Sakharov, Roberta Metsola assegura que colocará o Parlamento Europeu na linha da frente da defesa da liberdade de imprensa e de pensamento "até que a era dos ditadores acabe".

JOÃO COSTA CAMPOS  (NO PARLAMENTO EUROPEU, EM ESTRASBURGO): Texto

OBSERVADOR, 16 dez. 2025, 22:33 1 

Na entrega do PRÉMIO SAKHAROV aos dois laureados deste ano, os jornalistas bielorrussos ANDRZEJ POCZOBUT​ e a  georgiana MZIA AMAGLOBELIambos detidos nos seus países –, ROBERTA METSOLA marcou a posição do Parlamento Europeu, ao assegurar que exercerá a pressão política necessária para libertar todos os presos políticos na GEÓRGIA e BIELORRÚSSIA.

A Presidente do Parlamento Europeu assegura que o alcance desta distinção é vasto, relembrando que, no ano passado, o Prémio Sakharov foi atribuído aos líderes da oposição venezuelana, que este ano receberam o Prémio Nobel da Paz.

Perante os representantes das duas figuras distinguidas este ano com o Prémio Sakharov, a Presidente do Parlamento Europeu respondeu aos apelos deixados para que a UE mantenha a intervenção atenta na defesa das liberdades fundamentais: ROBERTA METSOLA garante que vai colocar o Parlamento Europeu na linha da frente pela libertação de todos os presos políticos nestes países.

 Este Parlamento está solidário com o Andrzej e a Mzia na sua luta. Pedimos a sua libertação imediata, em conjunto com todas as pessoas presas injustamente. A nossa determinação vai igualar a coragem dos injustamente presos e dos que ainda sofrem atrás das grades”, garante a presidente.

ROBERTA METSOLA revela até que essa é uma das principais prioridades do seu mandato à frente da instituição, querendo deixar uma Europa onde a liberdade de expressão e pensamento são valores reforçados, garantindo que a UE “nunca vai desistir até que a era dos ditadores termine de vez”.

“Se as nações como a Geórgia e a Ucrânia forem deixadas sozinhas perante a Rússia, estaremos a cometer um erro histórico irreparável”

MZIA AMAGLOBELI, a laureada com o Prémio Sakharov detida este ano por participar numa manifestação anti-governo na Geórgia, pede à Europa mão firme com a Rússia.

A laureada, que enviou uma carta que foi lida por Irma Dimitradze, jornalista georgiana, perante os Eurodeputados na cerimónia de entrega do galardão, avisa que depois da invasão russa da Ucrânia, tornou-se “inconfundivelmente claro que a força por detrás dos horrores na Bielorrússia, na Ucrânia e na Geórgia está a aproximar‑se do coração da Europa”.

Amaglobeli aplaude a convicção com que, no caso da Ucrânia, a União Europeia se mobiliza politicamente na defesa das liberdades fundamentais, mas teme que o apoio a Kiev e à Geórgia perca força e deixa um apelo directo aos eurodeputados: “Se as nações como a Geórgia e a Ucrânia forem deixadas sozinhas perante a agressão militar da Rússia, estaremos a cometer um erro histórico irreparável pelo qual teremos de pagar um preço elevado”. Para o evitar, a georgiana deixa um apelo muito claro aos eurodeputados: que o galardão se transforme em mais acção e que os líderes europeus utilizem todos os mecanismos disponíveis para exercer pressão sobre os governos autocráticos na Europa.

MZIA fala da ameaça de segurança que a Rússia representa, mas não só: refere-se à ameaça existencial do Kremlin para a liberdade de expressão, de pensamento e de imprensa. A jornalista diz que a luta que se faz na Geórgia, pelo fortalecimento da democracia e a abertura a um caminho para a UE, é também uma luta contra Moscovo, que “desde sempre esteve entre os georgianose se apoderou do Estado, “que serve os interesses russos e reprime os cidadãos que lutam pela liberdade” e relembra que o país “sabe bem que tipo de ameaça representa a Rússia” — e que os georgianos não esquecem os anos ocupação soviética, marcados pela violência e repressão.

Em representação do jornalista da Bielorrússia Andrzej Poczbut, esteve a sua filha, Jana Poczbut, que admitiu perante os eurodeputados que a luta pela liberdade de expressão lhe custou o desaparecimento do seu pai, o jornalista que foi, em 2021, condenado a oito anos de prisão por questões políticas e que está em parte incerta desde então.

“A ausência do meu pai é algo com que aprendi a viver, mas nunca a aceitar. Não escolhemos este caminho, mas escolhemos, todos os dias, acreditar nele e acreditar que a verdade e a dignidade ainda importam”, confessa. Jana está consciente de que o Prémio Sakharov “não pode mudar o passado, mas dá algo extremamente precioso para o futuro: a crença que a justiça e a humanidade ainda têm um lugar neste mundo”.

O prémio Sakharov é atribuído desde 1988 pelo Parlamento Europeu a figuras ou organizações que se destacam pela luta pela liberdade de expressão e pensamento.

UNIÃO EUROPEIA       EUROPA       MUNDO       PRÉMIO SAKHAROV       GEÓRGIA       BIELORRÚSSIA       LIBERDADE DE IMPRENSA       LIBERDADES       SOCIEDADE         LIBERDADE DE EXPRESSÃO       PARLAMENTO EUROPEU

COMENTÁRIOS:

David Pinheiro: Vocês não querem saber da Ucrânia, depois vêm com lindas conversetas e prémios para as vítimas dos russos... 

 

Nenhum comentário: