Nosso, é bom de ver, resultante de falhas antigas - na educação moral,
associada, talvez, a uma intelectualidade de dimensão, de longa data, limitada,
habituados que somos desde cedo, a espetar o dedo acusador sobre o “outro”,
mais do que a assumir, quantas vezes, a nossa culpa. Mas nunca isto se viu, em
tempos idos, parece-me, tal pesquisa de “podres” - sobretudo dos que vão desempenhar um cargo de
dirigente social. Que falta de vergonha nacional! Será a inveja o motor do
despautério? Um despudor acicatado pela comunicação social, a televisão com maior visibilidade no processo…
Estava escrito nas estrelas
O homem que se esforçava por parecer mais sério que todos os outros
juntos vai passar dias a explicar as suspeitas que recaem sobre ele. Lá se foi
a vantagem moral. É uma enorme ironia. E não a única.
MIGUEL SANTOS CARRAPATOSO Editor Adjunto de Política do Observador
OBSERVADOR, 30 dez. 2025, 00:1829
Existem três coisas certas na vida
colectiva nacional: a morte, os impostos
e uma campanha eleitoral com impressão digital do Ministério Público — e
não necessariamente por esta ordem hierárquica.
Esta corrida presidencial, aliás, já teve direito a duas dedadas, uma para LUÍS MARQUES
MENDES (denúncia anónima entretanto
arquivada), outra para HENRIQUE GOUVEIA E MELO (inquérito sobre factos ocorridos há mais de três anos). Os mais melindrosos, onde se incluem muitos
jornalistas, acharão indigno que se questione sequer esta ululante coincidência
nos timings. Mais uma. É só a Justiça a funcionar, dizem.
Tudo certo, siga a Marinha.
Ironicamente, a mais recente
vítima de uma “investigação em curso” — HENRIQUE
GOUVEIA E MELO — é o candidato que estava a tentar atirar
o rival mais directo — LUÍS MARQUES MENDES — para uma teia de suspeitas e de insinuações, exigindo uma espécie de
inversão do ónus da prova. É mais um exemplo acabado de como é muito
arriscado apostar tudo em campanhas negativas, que nunca correram particularmente
bem a quem as organizou e liderou. Depois, já se sabe: quem com ferros mata,
com ferros morre.
Em boa verdade, LUÍS
MARQUES MENDES
estendeu o tapete a todos aqueles que lhe exigiam maior transparência. Revelar
(tarde) a lista de clientes da empresa familiar, por muito saudável que seja, é
manifestamente insuficiente quando toda a gente sabe que a principal actividade
profissional do antigo líder social-democrata não era essa. E escudar-se no
dever de sigilo de advogado é desculpa esfarrapada.
Os eleitores tinham e têm o direito de perceber o que fez e que
interesses representou LUÍS MARQUES MENDES na sociedade de advogados a que
pertenceu. Ter uma vida para lá da política
partidária e fora do Estado não é, nem pode ser um anátema, muito menos
cadastro; mas ser candidato a um cargo político também não é uma obrigação,
pelo que quem o deseja fazer está sujeito a regras de transparência a que
outros não estão.
Perante as hesitações, contradições, amnésias selectivas e as omissões
de Mendes, os adversários podem, legitimamente, censurar a conduta do homem que
têm pela frente. Outra coisa diferente é fazer disso tema
único e bóia de salvação de uma campanha que estava a ir ao fundo. Correu
mal. Correu muito mal. O
homem que se esforçava por parecer mais sério do que todos os outros juntos vai
passar agora os dias a explicar as suspeitas que recaem sobre ele e a
queixar-se de que não foi sequer ouvido. Lá se foi a vantagem moral.
E ainda há uma segunda enorme ironia. É
que no debate com LUÍS MARQUES MENDES, HENRIQUE GOUVEIA E MELO chegou a questionar a celeridade com que
a Procuradoria-Geral da República decidiu não dar sequência à queixa anónima
contra o adversário. A insinuação — gravíssima partindo de quem se
candidata à Presidência da República — é, a esta luz, particularmente cruel:
o que daria HENRIQUE GOUVEIA E MELO para
que este inquérito fosse arquivado o quanto antes. O almirante nem legitimidade
política tem para se queixar dos tempos da Justiça.
Apesar de tudo, medir o
impacto político destes casos (diferentes na sua natureza, semelhantes nas
leituras que se podem retirar) é um exercício difícil. Difícil porque uma parte da
opinião pública parece estar anestesiada com esta sucessão de “investigações”, buscas,
casos e casinhos em alturas sempre oportunas; e difícil porque uma outra parte parece
convencida de que os políticos são todos iguais. Não são.
Mas fariam todos um enorme favor se não se entretivessem a atirar lama uns
contra os outros, judicializando eles próprios a política. Inevitavelmente dá
asneira. Não
é pedir o impossível; o impossível seria pedir ao Ministério Público que
comunicasse com transparência. Mas nisso já ninguém acredita.
PRESIDENCIAIS 2026 ELEIÇÕES POLÍTICA MINISTÉRIO PÚBLICO JUSTIÇA
COMENTÁRIOS (de 29)
GRAÇA DIAS: Caríssimo Miguel Carrapatoso Se me permite, quanto afirma que esta campanha
presidencial tem " o cartão digital da
Procuradoria Geral da República " esqueceu
olimpicamente, que esta, bem como todas as campanhas eleitorais,
o cartão digital campeão é o da obtusa comunicação social, com todo
o seu activismo político permeável a múltiplos interesses. Votos de bom 2026. MARIA TUBUCCI: Bem, hoje é 3ªF, temos a bilhardeira do
Observador a colocar a bisbilhotice em dia. Eu não confirmo nem
desminto, mas contaram-me isto. Se MM é uma personagem escura o GeM é uma
personagem cinzenta, é tudo uma questão de cor, por alguma razão foram
escolhidos pelo sistema. Agora ficar escandalizado por GeM ter feito contratos
por ajusto directo, que são o prato do dia na administração pública, quando
estava na marinha é um bocadinho lamechas. Cheira-me que o MM se vitimizou
porque não foi chamado para o negócio! Se GeM é mau para PR, o MM será péssimo,
então quando começa a dar sermões com aquele ar de soberba é verdadeiramente
repugnante. Oh sr.
jornalista, diga de uma vez que apoia o MM, em vez de se esforçar tanto para
ser um Bugalho, não lhe fica bem, não havia necessidade de colocar ao mesmo nível um suposto
pilha-galinhas e uma raposa velha. Aliás, cada um interpreta as estrelas ou as
borras de café da maneira que lhe convém... ANTÓNIO DUARTE: Este miserável articulista não leu a notícia do
próprio paskim que dizia ter o Ministério Público informado que o almirante não
é arguido? Então o que tem que explicar é a quem? POR8175: O Lixo habitual do "Editor Adjunto".
Nem vale a pena ler, deste sujeito só si porcaria... ANTÓNIO SOARES: Este carrapato acha que ser CEMA é tão fácil
como escrever crónicas de maldizer. Não penso votar GM, não por causa dos ajustes directos, mas por algumas
pessoas que o rodeiam, nomeadamente Rui Rio e Pizarro, e, sobretudo pelas loas
que o mesmo teceu a Mário Soares, personagem principal do livro Contos
Proibidos, além da confessada vontade de fazer como este, caso venha a ser
eleito. Comparar
as negociatas de Marques Meia Leca, com os ajustes directos do Almirante é um
bocado ridículo por parte do autor desta croniqueta. GABRIEL MADEIRA: A sério?? E só agora, por conveniência, os
órgãos (in) competentes do Estado descobriram o assunto? Balha-me Deus. FILIPE PAES DE VASCONCELLOS: UM HOMEM COM A MANIA QUE É MAU. Assisti
ao debate de Marques Mendes / Gouveia e Melo e perguntei cá para mim: Será que
Gouveia e Melo quer bater? O tiranete estava enfurecido. Haja alguém que o
aconselhe a no caso de estar zangado com a vida, que se trate. Agora, Portugal
não pode querer ter na presidência da República um homem armado em mau mas com
a mania que é o “supra sumo da barbatana”. E quem vai buscar o candidato para o
acompanhar são todos aqueles que já “não contam para o totobola” Aqueles que
ainda se acham relevantes porque são muito vaidosos e arrogantes, cheios de
“importância”. Fazem-me lembrar os “inadiáveis “ de má sorte e memória. Portugal
não pode ter no mais alto cargo da Nação um TIRANETE. MANUEL
GONÇALVES: O Sr.Almirante podia ter ficado
descansadinho, a gozar o prestígio postiço atribuído por um povo deslumbrado
pelo seu sucesso no desempacotamento de vacinas. Mas também ele se deslumbrou
pelo deslumbramento provocado e vai daí achou que o povo se mantinha
deslumbrado para sempre. JOSE
PIRES: Estava
escrito nas estrelas que a Comunicação Social teria de fazer fretes a quem lhe
paga, de uma forma ou de outra. Eu até ia votar em branco na primeira volta.
Vou votar no Almirante POBRE
PORTUGAL: Não
foi o MP quem tramou o almirante. As pessoas é que não o querem. As pessoas, isto é, nós, queremos é que o
Ventura nos liberte desta masmorra esquerdista onde nos acorrentaram. A FJ: A população não está anestesiada, a
população percebe que, no país dos favores, compadres, cunhas e jeitinhos, os
políticos também vivem disso. Isto é tão óbvio que dói. A população também tem
dois dedos de testa para perceber a diferença entre um Lobista de carreira como
Marques Mendes e umas adjudicações directas na marinha, intencionais ou não.
Esteve muito bem o almirante a confrontar o Marques Mendes, e só faltou atirar
lhe com a maçonaria. (E não vou votar almirante, pelo menos não na primeira
volta) TRISTÃO:
“E escudar-se no dever de sigilo de advogado é
desculpa esfarrapada.” O
Miguel Carrapatoso não lê o Observador? Aconselho-o a ler o artigo do seu
colega Miguel Pereira Santos. No seu término diz o seguinte: “Para os revelar teria de pedir aos clientes, à
Abreu Advogados, à Ordem dos Advogados e teria de alegar defesa da honra. Mesmo
assim, a permissão podia não lhe ser dada.” Afinal, acha a desculpa ainda
esfarrapada? Quanto
ao resto do artigo, já o povo diz que “o peixe morre pela boca”, é só mais um
caso… ALFAIATE
TUGA: Dizer
que estava escrito nas estrelas é o mesmo que dizer que tem todos telhados de
vidro, se calhar é verdade, eu já digo há muitos anos que somos um país de
gente séria e idónea ,pois a justiça praticamente não condena ninguém por
corrupção ou enriquecimento ilícito, deve ser porque é tudo legal, vejam o 44. Pela minha parte acho muito bem que tentem
descobrir a careca uns aos outros, quanto mais se souber sobre a forma como
ganham ou ganharam a vida melhor, e já agora, quanto é que cada um pagou de IRS
também dava muito jeito. O que
me preocupa é que haja quem esteja preocupado por se saberem umas verdades…. JOHN MARTINS: Primeiro, Melo atirou um saco de lama a
Mendes, no debate. Agora, a
maré virou. É o clássico da política: quando alguém constrói a campanha em
superioridade moral, qualquer onda mais forte expõe o casco. Pela boca morre o peixe, sobretudo os
que nadam em águas profundas e acham que nunca vêm á superfície. PAULO MACHADO: A esquerda a fazer de tudo para colocar
Seguro na 2a volta.
Nenhum comentário:
Postar um comentário