quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Pelo Globo fora

 

Com TIAGO DORES, INICIATIVA LIBERAL e uma vez mais a INTERNET, desta vez através da IA, dando conta de tanta mudança entre os compadres, numa de esclarecimento para tímidos leigos como nós.

Iniciativa Liberal, façam-se uns Mileizinhos, pá!

A IL não tem de agradecer a Trump pelo fim das guerras culturais. Tem é de parar de querer salvar o país do naufrágio, com uma colher. Prometam a motosserra, como o Milei. Mas podem andar penteados.

TIAGO DORES Colunista do Observador

OBSERVADOR27 nov. 2024, 03:4218

Hoje é quarta-feira e estou preocupado. Já passaram dois dias sobre o traumático assinalar do 25 de Novembro no Parlamento e temo que os deputados comunistas — representantes daqueles portugueses que, pelos vistos, preferiam não poder escolher os seus representantes — ainda estejam a recuperar dos habituais sintomas de Perturbação de Stress Pós Exposição a Celebração Democrática.

É compreensível. Para os pupilos do Mao Tsé-Tung, do péssimo José Estaline e do horripilante Álvaro Cunhal, deve ser doloroso recordar o acontecimento que os impediu de infligir aos seus conterrâneos um futuro dolorosíssimo. Conterrâneos, é como quem diz. Não estou certo que os comunistas não venham todos da região central da Roménia. É pelo menos curioso que no gosto por sangue, comunistas e Conde Drácula pareçam ter sido separados à nascença. Nisso e no ódio a cruzes. O Drácula com aquele problema com crucifixos e os comunistas com aquele ódio a cruzes em boletins de voto, símbolo dos regimes democráticos.

Bom, mas foquemo-nos nos tais regimes democráticos e vamos ao que interessa. Que é o seguinte, em jeito de carta aberta:

Caros deputados, dirigentes e militantes da Iniciativa Liberal.

Como já percebemos, o mundo está a mudar. E àqueles de vós que ainda não perceberam, é altura, enfim, de fazer chegar a ficha de inscrição no Bloco de Esquerda. São fáceis de identificar. São os que começaram a espumar assim que referi como “caros deputados” um grupo com homens e mulheres. Falemos então entre pessoas civilizadas (mais vocês do que eu).

A eleição de Donald Trump é o fim oficial das políticas identitárias, depois do belo trabalho de, por exemplo, Javier Milei, na Argentina. Portanto, em relação a todas aquelas questões de orientação sexual, género, raça, etc. em que vocês nunca tocaram nem com uma vara, podemos, por agora, esquecer que vocês nunca lhes tocaram nem com uma vara.

Retirado esse empecilho do caminho, é tempo de mostrarem que sabem o que é, e como deve funcionar, uma verdadeira economia de mercado. E não, por muito importante que seja acabar com barbaridades como ter de vender o T2 para pagar portagens em atraso na A2, não é a tirar água com uma colher que evitarão o naufrágio do país. De que adianta arranjar as molas do sofá quando a casa está toda a ruir? Não contem comigo para desvalorizar nalgas saudáveis, atenção!, mas são pequeno consolo quando a laje desaba na cabeça.

Não, a oportunidade que têm diante de vós é tanto inesperada como única. É a chance de aproveitar o balanço de exemplos que chegarão da Argentina, dos Estados Unidos da América, da Polónia e espera-se, mais cedo que tarde, do Canadá, de Inglaterra e de várias outras paragens onde os actuais democratíssimos líderes não consigam meter na cadeia, por delito de opinião, os seus opositores.

É a oportunidade de se apresentarem nas legislativas em 2028 (ou antes, que isto está a correr tão bem…) com uma versão da motosserra do Musk, ou do Milei. Não estamos a falar de uma mera mangueirada à Grande Porca. Nem sequer de uma nova pocilga. Estamos a falar de uma completa reforma do Estado, festejada com uma valente churrascada à base de bifanas. Quanto menos poder tiver o Estado, mais chicha têm as pessoas para papar.

Nenhum português que se informe por meios alternativos à comunicação social tradicional ficaria indiferente a esta proposta. Nenhum outro partido está em condições de aproveitar esta oportunidade. Nenhum dos 50 lugares ocupados pelo Chega no Parlamento deixaria de passar para a IL. Nenhum animal foi maltratado nesta crónica, mas, com a fomeca que estou, se calha a Grande Porca aparecer por aqui já estava a rodar no espeto.

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DONALD TRUMP     ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA     AMÉRICA     MUNDO     ARGENTINA   INICIATIVA LIBERAL     POLÍTICA

COMENTÁRIOS (de 18)

José B Dias: Tenho a mesma opinião ... confesso ter já ficado demasiadas vezes negativamente surpreso com as discrepâncias e contradições entre os discursos e as acções no seio da Iniciativa Liberal e temo que a agenda da moda acabe por matar o que foi originalmente um muito interessante projecto!                 Jose Costa: Na mouche! Ser liberal em Portugal é ser poucochinho, é ter medo de dizer as coisas. Temos um estado gordo que é preciso cortar a eito para depois sim, cortar impostos a sério. E sim, no caminho esquecer as políticas libertárias que já foi chão que deu uvas, Pedro. Infelizmente, os partidos acham que política é votar centenas de alterações ao orçamento de estado que não fazem mais do que obrigar a sociedade a adaptar -se a mudanças que não alteram nada de substancial. O fundamental mesmo seria travar totalmente o crescimento desmesurado das despesas do estado e simplificar as regras que este impõe e que se vão sempre somando.               Futari Gake: "El Presidente Milei ordenó que los presos no puedan cambiar de género como excusa para mudar-se de cárcere". Os liberais por cá não existem, são assim um caso de centro direita caviar. Joaquim Almeida: Isto sim, que é  brincando, brincando, dizer coisas sérias. A IL ainda não percebeu que brinca no recreio dos totalitários "woke".                      Carlos Real: A IL começou bem e tem sido uma enorme desilusão. As trapalhadas com candidatos, a guerrilha interna e agora a colagem ao PSD tem sido uma desgraça. A falta de coragem e clareza na agenda liberal não convence ninguém. Claro que a margem de conquista de votos está limitada a uns 20%. Não existe em Portugal possibilidade de crescer mais, porque os reformados e os funcionários públicos são cerca de 4 milhões. Se juntarmos os 2 milhões de crianças e jovens significa que sobram 4 milhões de potenciais votantes. Como 50% se abstêm, logo o máximo de votantes são 2 milhões. Claro que destes 2 milhões muitos têm negócios com o Estado e logicamente optam por outros partidos. Mesmo sabendo que a maioria dos portugueses tem medo do liberalismo, é preciso iniciar um rumo, discutir a necessidade da gestão privada das reformas, e alargar a ADSE a todos os portugueses. Mas para isso a IL tinha de crescer com um trajecto longe dos partidos estatistas como o centrão. Pelos vistos prefere suicidar-se. Uma completa tristeza.                         Fernando Prata: A Iniciativa Liberal sem Cotrim está a transformar-se numa espécie de partido, um conjunto de pessoas que não sabe onde está nem para onde quer ir.                           Lápis Afiado: Ah ah ah muito bom

 

E a propósito de MILEI:

NOTAS DA INTERNET, com o contributo da IA para maior esclarecimento a respeito das políticas:

1 -Milei no G20: discurso inflamado, mas acções contidas pelo medo ao isolamento. Presidente argentino não poupou críticas às principais propostas da presidência brasileira do grupo, mas acabou assinando declaração final; a peso de China e França na equação geopolítica do argentino

Por: Janaína Figueiredo

19/11/2024 00h01 Actualizado há uma semana

RESUMO:

Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você

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Altos representantes do governo argentino avisaram interlocutores do governo Luiz Inácio Lula da Silva dias antes da cúpula de presidentes e chefes de governo do G20 que o presidente Javier Milei teria “linhas vermelhas” que não poderia ultrapassar na hora de assinar a declaração de presidentes e chefes de governo do grupo. Uma das principais linhas vermelhas de Milei era a agenda 2030 das Nações Unidas. Com esse alerta, representantes do governo Lula e de outros países do G20 esperavam um Milei totalmente disruptivo na cúpula do Rio. Para surpresa de todos, o argentino se mostrou desafiador em seus discursos, mas na hora de negociar acabou cedendo e afirmando que não seria um obstáculo para que o G20 tivesse uma declaração presidencial.

O que aconteceu no meio do caminho? Uma pergunta que não quer calar. Dois países teriam tido influência nos posicionamentos do presidente argentino: China e França. Com os presidentes de ambos, Xi Jinping e Emmanuel Macron, o chefe de Estado argentino se reuniu antes e durante a cúpula (com o chinês o encontro será nesta terça). Macron foi até Buenos Aires antes de viajar para o Brasil, segundo reconheceram fontes francesas, com a clara intenção de tentar “acalmar a fera” argentina antes do encontro presidencial no Rio. Em outras palavras, de aproximar Milei dos consensos do G20, e evitar que o argentino ficasse isolado na cúpula. Os abraços entre ambos — que contrastaram com a frieza entre Milei e Lula — pareceram confirmar certa sintonia. Ninguém sabe até que ponto Macron foi uma influência positiva para Milei. Mas o facto é que o presidente argentino chegou ao Rio mais tranquilo do que se esperava.

No caso da China, a situação é diferente. Milei vem buscando uma aproximação com o país, o único que deu um socorro financeiro em 2024 ao governo argentino. A Casa Rosada solicitou um encontro entre Milei e Xi Jinping no Rio. O presidente argentino quer aprofundar as relações econômicas com a China, movimento que, segundo fontes argentinas, foi “negociado” com o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. Como parte dessa “negociação”, Milei teria decidido adiar uma viagem à China em 2025, inicialmente prevista para janeiro, quando acontecerá no país um encontro entre países da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) e o governo chinês. A China é um importante aliado do Brasil de Lula, e o peso dessa relação claramente pesou na decisão de Milei de não boicotar a cúpula presidencial chefiada por Lula.

Acordo:'Infraestrutura' e 'especificamente', as duas palavras que permitiram alcançar o consenso sobre a declaração de presidentes do G20

Bastidores: Países do G7 pressionam, mas Brasil resiste em reabrir texto da declaração do G20 sobre guerra na Ucrânia

Em reportagem no jornal La Nación, a jornalista Maia Jastreblansky, que cobriu a cúpula, afirmou que “na prática, o presidente defendeu sua rebeldia no discurso, mas evitou ficar isolado do mundo”. De fato, as falas de Milei foram exatamente no tom que se esperavam. O presidente disse aos demais países do G20 que não contem com a Argentina para reformar a governação global; discordou das expressões “desinformação” e “discursos de ódio”; acusou a agenda 2030 da ONU de “atentar contra a liberdade e propriedade das pessoas”; questionou a taxação aos super-ricos por considerar que “implica um tratamento desigual perante a lei”; e se opôs a questões de gênero porque “a Argentina não apoia nenhum tipo de discriminação positiva”.

O show discursivo de Milei e seus questionamentos ao documento selado no Rio, disseram fontes do governo brasileiro, “não tiram o sono de Lula”. Em palavras de uma fonte oficial, “a Argentina de Milei será um pé de página na cúpula do Rio”. O governo brasileiro estava preparado para que a Argentina não assinasse a declaração presidencial, portanto, as dissonâncias explicitadas por Milei foram uma até mesmo uma boa notícia.

Mas o frio e rápido aperto de mãos entre Lula e Milei refletiu um dos piores momentos na relação bilateral. Analistas argentinos já especulam, até mesmo, com a saída do país do Mercosul. Um cenário ainda distante, mas que, dadas as últimas circunstâncias, que não pode ser descartado. O negacionismo climático de Milei é um forte obstáculo para um acordo com a União Europeia, e a intenção de negociar um acordo bilateral de livre comércio com os Estados Unidos, após a posse de Donald Trump, em janeiro de 2025, poderia abrir uma crise terminal na relação da Argentina com seus sócios do bloco.

Milei veio ao Rio, admitem fontes argentinas, transmitir os posicionamentos da extrema-direita global. A vitória de Trump nas eleições americanas mudou o jogo, e ameaça o futuro da relação com o Brasil e grande parte da região.

Diplomatas dos dois países trabalham para impedir que o vínculo bilateral mergulhe numa crise terminal. Mas as cenas no MAM confirmaram que o desafio será enorme. Milei adoptará a agenda internacional de Trump, que é totalmente antagónica, em todos os sentidos, da agenda de Lula. Os próximos meses serão decisivos para entender se, nesse contexto, a relação entre Brasil e Argentina, pelo menos entre Estados, poderá ser preservada.

 

Cada um que se amanhe


É o que sugere este texto de LUÍS SOARES DE OLIVEIRA, que condena a limitação dos governos, circunscritos, na questão da governança, sobretudo ao seu universo pátrio, como parte a defender - e todavia com as unhas e os dentes em riste, para agarrarem, com avidez, no todo benéfico da seara exterior, se forem pequenos qual o nosso, e na indiferença egoísta, contudo - mau grado as revelações ocasionais de empatia, pelas vítimas dos malefícios que correm à distância.

Todavia, não é isso uma verdade absoluta, parece-me, depende do poder de cada governo, muitas vezes usado, tal poder, para destruir antes o universo alheio, nos desafios grotescos desse poder. Sim, é bem verdadeira a conclusão elegantemente sombria, mais ainda do que mordaz, de LSO: «Ninguém procura a paz; os seres inferiores procuram segurança e os superiores procuram garantir a sobrevivência da indústria dos armamentos.»

O comentário de Frederico G. H., todavia, é também bem demonstrativo do tal “roseau pensant” que é o HOMEM, mas igualmente “sensible” e com esperança: «mas também surgem momentos de génio, esperança e amor, que fazem parte da misteriosa equação da vida. Venha ela, danada e furiosa!»

Devemos ser optimistas.


«LUIS SOARES DE OLIVEIRA»:

18 h

O mal deste mundo ainda é a acefalia política. Os problemas graves são mundiais e os governos continuam a ser nacionais. É o mesmo que tentar consertar automóveis com ferramentas de bicicleta.

A bomba atómica concertou-se com o MAD mas este está agora a mostrar a sua hedionda carantonha e não se comove. Ninguém procura a paz; os seres inferiores procuram segurança e os superiores procuram garantir a sobrevivência da indústria dos armamentos.


Todas as reações: 44 Gosto

Comentar

Frederico G Hamann: Sempre assim foi e sempre assim será, na minha humilde opinião. The third Chimpanzee de Jared Diamond, expõe uma teoria evolutiva original que, se verdade e ao que parece o é, não seria de esperar outra coisa. A crua natureza das coisas… mas também surgem momentos de génio, esperança e amor, que fazem parte da misteriosa equação da vida. Venha ela, danada e furiosa!



É o que sugere este texto de LUÍS SOARES DE OLIVEIRA, que condena a limitação dos governos, circunscritos, na questão da governança, sobretudo ao seu universo pátrio, como parte a defender - e todavia com as unhas e os dentes em riste, para agarrarem, com avidez, no todo benéfico da seara exterior, se forem pequenos qual o nosso, e na indiferença egoísta, contudo - mau grado as revelações ocasionais de empatia, pelas vítimas dos malefícios que correm à distância.

Todavia, não é isso uma verdade absoluta, parece-me, depende do poder de cada governo, muitas vezes usado, tal poder, para destruir antes o universo alheio, nos desafios grotescos desse poder. Sim, é bem verdadeira a conclusão elegantemente sombria, mais ainda do que mordaz, de LSO: «Ninguém procura a paz; os seres inferiores procuram segurança e os superiores procuram garantir a sobrevivência da indústria dos armamentos.»

O comentário de Frederico G. H., todavia, é bem demonstrativo do tal “roseau pensant” que é o HOMEM, mas igualmente “sensible” e com esperança: «mas também surgem momentos de génio, esperança e amor, que fazem parte da misteriosa equação da vida. Venha ela, danada e furiosa!»

Devemos ser optimistas.


«LUIS SOARES DE OLIVEIRA»:

18 h

O mal deste mundo ainda é a acefalia política. Os problemas graves são mundiais e os governos continuam a ser nacionais. É o mesmo que tentar consertar automóveis com ferramentas de bicicleta.

A bomba atómica concertou-se com o MAD mas este está agora a mostrar a sua hedionda carantonha e não se comove. Ninguém procura a paz; os seres inferiores procuram segurança e os superiores procuram garantir a sobrevivência da indústria dos armamentos.


Todas as reações: 44 Gosto

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Frederico G Hamann: Sempre assim foi e sempre assim será, na minha humilde opinião. The third Chimpanzee de Jared Diamond, expõe uma teoria evolutiva original que, se verdade e ao que parece o é, não seria de esperar outra coisa. A crua natureza das coisas… mas também surgem momentos de génio, esperança e amor, que fazem parte da misteriosa equação da vida. Venha ela, danada e furiosa!


quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Urgência

 

Mudança imediata, parece significar este “FALÊNCIA DE IDEOLOGIAS” de  RODRIGO ADÃO DA FONSECA. Ainda o novo governo mal assentou, talvez disposto a reconstruir tanto do que foi desencaminhado pelo governo anterior, em estruturas fundamentais como sejam as da Educação, e logo surgem estes insatisfeitos avançados nas modernidades “para inglês ver”, a achar que o que se torna imprescindível é a cambalhota imediata para uma modernidade urgente, que apague definitivamente o passado obsoleto, em função de um futuro totalmente inovador. Será que entendi bem? O certo é que este texto me revoltou, no seu arrivismo de infantilidade pedante e lorpa, com o seu pontapé em tudo o que compõe o universo humano, de tradição e história, na glória de uma mudança radical, sem contemplações para com o passado e os antepassados que tanto nos ensinaram. Será que entendi bem? Só um atraso mental pode justificar tal arrogância lorpa de deslumbrado “intelectual” pela novidade como absoluto. Chiça!

A falência das ideologias

Estamos num limbo histórico, presos entre um passado que já não nos serve e um futuro que não conseguimos desenhar e projectar.

RODRIGO ADÃO DA FONSECA Colunista

OBSERVADOR, 26 nov. 2024, 00:168

As grandes ideologias dos séculos XIX e XX, outrora pilares estruturantes das sociedades modernas e pós-modernas, revelam-se hoje obsoletas perante os desafios contemporâneos. Num mundo em rápida transformação, marcado pela globalização e pela revolução digital, correntes de pensamento como o socialismo, a social-democracia, o conservadorismo ou o liberalismo clássico não conseguem oferecer soluções eficazes para as complexidades actuais. Acresce que a rigidez ideológica (e uma certa preguiça) como os agentes políticos se agarram aos “conceitos” impede a adaptação necessária para enfrentar problemas que não estavam previstos nos modelos do passado. A maneira como deveríamos olhar hoje para a tributação, para o trabalho, para a saúde, educação ou assistencialismo, migração, ou habitação, não pode seguir dicotomias do passado que não resolvem dilemas contemporâneos. O serviço público de educação, de saúde, de segurança, de habitação, a forma como o Estado tem de prover as populações está em profunda transformação: o Estado, o sistema político, o enquadramento institucional internacional, esses, continuam assentes nos mesmos pressupostos que emergiram do fim da segunda guerra mundial.

Após décadas de políticas de “welfare”, as sociais-democracias de vários matizes (desde as correntes mais conservadoras e liberais, até às do socialismo democrático) que dominaram o eixo da moderação nas sociedades mais desenvolvidas demonstram uma incapacidade preocupante em responder aos principais problemas sociais. Agarrados às cartilhas do passado, em vez de promoverem igualdade e justiça social, os principais agentes políticos estão profundamente alienados da realidade circundante, servindo apenas como gestores de uma coisa pública incrustada em Estados pesados e burocráticos que sufocam a produtividade e a inovação. Como nos antecipava Hayek, o caminho para o inferno está pavimentado de boas intenções, pelo que não nos deveria surpreender que hoje, por mais paradoxal que isso possa parecer a muitos, os Estados se tenham tornado eles próprios fontes de desigualdade, perpetuando estruturas que beneficiam uns em detrimento de outros, e resolvendo pouco os problemas das pessoas. O Estado falha no INEM e na emergência médica, falha na segurança das cidades, na sua limpeza, não abre espaço a que exista habitação, tem as escolas em estado de sítio com professores à beira de um ataque de nervos, é incapaz de cuidar dos seus presos, responde mal aos incêndios e catástrofes, não faz cumprir as leis que aprova, sendo apenas eficaz na arte de extorquir e distribuir segundo critérios muito seus a receita fiscal.

A revolução digital poderia permitir que os Estados se reformassem, fazendo muito mais com muito menos recursos. A forma, porém, como as economias mundiais estão a aderir, massivamente, a soluções tecnológicas inovadoras digitais, causando disrupções significativas nos pressupostos tradicionais de produção e distribuição de riqueza, está a expor, de forma ainda mais acelerada, a cada vez mais visível inutilidade dos Estados e a sua incapacidade de resposta aos problemas emergentes. O Estado português, por exemplo, mostra-se incapaz de aproveitar as soluções tecnológicas para se reformar e adaptar, não obstante gaste e seja um óptimo comprador de tecnologia.

Não me interpretem mal, não faltam centros de competência digital ou tecnológica na Administração Pública. Ocorre, porém, que a rigidez da despesa pública faz com que o investimento em novas tecnologias que os poderes públicos vão fazendo resultem frequentemente num aumento significativo dos custos para o contribuinte, e não o inverso. Em vez de substituir estruturas obsoletas, o Estado tende a manter sistemas antigos em paralelo com os novos, duplicando funções e despesas. Esta falta de racionalização agrava a ineficiência e impede que se colham os benefícios potenciais da inovação tecnológica, tendo um impacto brutal na produtividade e no empobrecimento do país.

Numa outra dimensão, a sociedade digital tem vindo a desagregar os equilíbrios políticos, aumentando a conflitualidade e dividindo os eleitorados que se encontram cada vez mais polarizados e radicalizados. A discussão política faz-se em redes sociais de forma superficial e sem qualquer sentido de continuidade, coerência ou memória, faz-se em cima dos trapos velhos das ideologias caducas do passado, sem nada de novo. As ideologias deixaram de ser a base do consenso democrático e do contrato social, comprometendo a coesão e o progresso de sociedades plurais, para se tornarem armas de arremesso de uns contra outros. Ao longo da História a tecnologia sempre encerrou em si uma pulsão totalitária, sendo óbvio que o mau uso que por estes dias fazemos delas, está a favorecer a polarização, o confronto e a captura dos poderes públicos, sacrificando a liberdade.

Não se vislumbra um futuro muito auspicioso para as democracias liberais, quando assistimos por esse mundo fora à emergência de populismos e autoritarismos (vagamente) de direita e de esquerda, quando os principais protagonistas políticos são autocratas, pequenos napoleões ou campeões do marketing que dizem ao Povo aquilo que eles querem ouvir, nem que isso seja tudo e o seu contrário, nem que isso implique exercícios completos de incoerência face às suas próprias histórias de vida (não vá a verdade estragar as narrativas políticas).

Entre wokismos e anti-wokismos, falsos progressismos e conservadorismos, o que verdadeiramente assusta é olhar para a realidade e perceber que os grandes problemas se adensam sem que os poderes políticos mostrem capacidade para endereçar soluções. A pós-modernidade, marcada pela desconstrução das grandes narrativas tradicionais e pela relativização de valores, entrou em boa verdade numa fase de estagnação. Vivemos num período em que quase todas antigas certezas foram desmanteladas e, entretanto, reavivadas de forma tosca, mas onde não surgem novas ideias e novas certezas em que valha a pena acreditar. Este vazio está a criar sentimentos de náusea, de incerteza e desalento. Estamos num limbo histórico, presos entre um passado que já não nos serve e um futuro que não conseguimos desenhar e projectar.

A agonia da pós-modernidade permanece, arrastando-se para algo que teima em não surgir. A falta de novos paradigmas que substituam as ideologias caducas está a deixar as sociedades num estado de espera angustiante. As pessoas anseiam por soluções inovadoras que possam responder aos desafios actuais, mas estas teimam em não emergir. Este arrastar prolongado aumenta a sensação de impotência e frustração, enquanto os problemas sociais, económicos e políticos se acumulam sem respostas eficazes.

POLÍTICA               DEMOCRACIA            SOCIEDADE

COMENTÁRIOS

Gonçalo Soares de Jesus: O artigo é interessante, mas esbarra em alguns pontos: - as “sociedades” sabem perfeitamente o que querem (o leitor não sabe?!) - o cidadão das “sociedades” se quer a mudança que deseja precisa de se tornar no objecto do seu próprio desejo; (…) E ainda nisto: A humanidade não pode progredir ou recuar só à boleia do dinheiro. Um novo meio de troca para transações é urgente: mas transacções não-económicas mas sim transacções-humanas.                  João Floriano: Um assunto extremamente denso, complexo, sobre o qual poderíamos escrever livros com muitas páginas. As ideologias conservam os sonhos vivos e igualmente vivos os processos que possibilitam a sua concretização . Mas as ideologias roçam muitas vezes a linha da Utopia e todos nós sabemos o que significa atingir a Utopia, torná-la real. As ideologias chocam com a realidade e geralmente perdem. Veja-se por exemplo a ideologia comunista que tanto sofrimento tem causado por esse mundo fora. As ideologias precisam também de valores, coisa escassa hoje em dia.         Francisco Almeida: As ideologias, umas mais outras menos mas todas, visaram ou apenas facilitaram o abandono das religiões. Mas não conseguiram, nenhuma delas, nem preencher nem eliminar a espiritualidade. que, mesmo quando negada, é essencial ao equilíbrio humano. Agora que estão a falhar nos objectivos materiais, que já não conseguem garantir que cada geração viva melhor do que a dos pais, deixaram um enorme vazio que vai sendo preenchido, passivamente por indiferentes, activamente por radicals. E radicais que conseguem mesmo infectar meios religiosos, sejam parte dos "déplorables" que elegeram Trump, os "ayatollahs" do Irão ou os ultra-ortodoxos judeus.                 João Floriano > Francisco Almeida: O seu comentário é próprio de alguém com grandes valores espirituais como é o seu caso. Eu não tenho esses valores, ou pelo menos não os reconheço em mim. Sou muito mais materialista. E considero que o Francisco tocou no ponto: as novas gerações não vão conseguir atingir o grau de prosperidade que os seus pais e avós no pós guerra conseguiram atingir e usufruir. Daí a frustração. A nossa sociedade ocidental tornou-se extremamente hedonista: a busca imediata e obrigatória do prazer. O hedonismo é perigoso porque na maioria dos casos a nossa vida é um percurso de sangue, suor e lágrimas, mesmo no sentido figurado.              Francisco Almeida > João Floriano: É o assunto que mais me incomoda a seguir a questões de liberdade e segurança: O governo alemão caiu porque Scholz pretendia aumentar o endividamento. Ursula von der Leyen está a preparar a emissão de dívida europeia. Por muito que eu tente racionalizar que não tenho culpa nenhuma, não consigo esquecer que pertença à geração que está a tirar comida da boca dos filhos e dos netos. Não imagino falência pior.                      João Floriano > Francisco Almeida: Caro Francisco: Nem calcula a quantidade de coisas em que eu me assumo com culpas no cartório, mas essa que indica «tirar comida da boca dos filhos e netos» de certeza absoluta que não me aflige e tão pouco a reconheço em si ou alguém da nossa geração. Todos nós organizamos a nossa vida no sentido de deixar aos filhos o legado do nosso trabalho, que até pode ser imaterial. Desse sentimento de culpa não sofro. Já de outros..... por vezes até dói!                   GateKeeper: Polémico q.b.. Top 20.               Pedra Nussapato: Pois, quase como que entrando em contradição no próprio texto, o autor acaba por reconhecer que são precisamente correntes políticas e ideologias anacrónicas e obsoletas dos extremos que parecem estar a surgir como resposta à falência das tais ideologias e correntes que nas últimas décadas foram os pilares dos regimes políticos democráticos e liberais.