quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Pelo Globo fora

 

Com TIAGO DORES, INICIATIVA LIBERAL e uma vez mais a INTERNET, desta vez através da IA, dando conta de tanta mudança entre os compadres, numa de esclarecimento para tímidos leigos como nós.

Iniciativa Liberal, façam-se uns Mileizinhos, pá!

A IL não tem de agradecer a Trump pelo fim das guerras culturais. Tem é de parar de querer salvar o país do naufrágio, com uma colher. Prometam a motosserra, como o Milei. Mas podem andar penteados.

TIAGO DORES Colunista do Observador

OBSERVADOR27 nov. 2024, 03:4218

Hoje é quarta-feira e estou preocupado. Já passaram dois dias sobre o traumático assinalar do 25 de Novembro no Parlamento e temo que os deputados comunistas — representantes daqueles portugueses que, pelos vistos, preferiam não poder escolher os seus representantes — ainda estejam a recuperar dos habituais sintomas de Perturbação de Stress Pós Exposição a Celebração Democrática.

É compreensível. Para os pupilos do Mao Tsé-Tung, do péssimo José Estaline e do horripilante Álvaro Cunhal, deve ser doloroso recordar o acontecimento que os impediu de infligir aos seus conterrâneos um futuro dolorosíssimo. Conterrâneos, é como quem diz. Não estou certo que os comunistas não venham todos da região central da Roménia. É pelo menos curioso que no gosto por sangue, comunistas e Conde Drácula pareçam ter sido separados à nascença. Nisso e no ódio a cruzes. O Drácula com aquele problema com crucifixos e os comunistas com aquele ódio a cruzes em boletins de voto, símbolo dos regimes democráticos.

Bom, mas foquemo-nos nos tais regimes democráticos e vamos ao que interessa. Que é o seguinte, em jeito de carta aberta:

Caros deputados, dirigentes e militantes da Iniciativa Liberal.

Como já percebemos, o mundo está a mudar. E àqueles de vós que ainda não perceberam, é altura, enfim, de fazer chegar a ficha de inscrição no Bloco de Esquerda. São fáceis de identificar. São os que começaram a espumar assim que referi como “caros deputados” um grupo com homens e mulheres. Falemos então entre pessoas civilizadas (mais vocês do que eu).

A eleição de Donald Trump é o fim oficial das políticas identitárias, depois do belo trabalho de, por exemplo, Javier Milei, na Argentina. Portanto, em relação a todas aquelas questões de orientação sexual, género, raça, etc. em que vocês nunca tocaram nem com uma vara, podemos, por agora, esquecer que vocês nunca lhes tocaram nem com uma vara.

Retirado esse empecilho do caminho, é tempo de mostrarem que sabem o que é, e como deve funcionar, uma verdadeira economia de mercado. E não, por muito importante que seja acabar com barbaridades como ter de vender o T2 para pagar portagens em atraso na A2, não é a tirar água com uma colher que evitarão o naufrágio do país. De que adianta arranjar as molas do sofá quando a casa está toda a ruir? Não contem comigo para desvalorizar nalgas saudáveis, atenção!, mas são pequeno consolo quando a laje desaba na cabeça.

Não, a oportunidade que têm diante de vós é tanto inesperada como única. É a chance de aproveitar o balanço de exemplos que chegarão da Argentina, dos Estados Unidos da América, da Polónia e espera-se, mais cedo que tarde, do Canadá, de Inglaterra e de várias outras paragens onde os actuais democratíssimos líderes não consigam meter na cadeia, por delito de opinião, os seus opositores.

É a oportunidade de se apresentarem nas legislativas em 2028 (ou antes, que isto está a correr tão bem…) com uma versão da motosserra do Musk, ou do Milei. Não estamos a falar de uma mera mangueirada à Grande Porca. Nem sequer de uma nova pocilga. Estamos a falar de uma completa reforma do Estado, festejada com uma valente churrascada à base de bifanas. Quanto menos poder tiver o Estado, mais chicha têm as pessoas para papar.

Nenhum português que se informe por meios alternativos à comunicação social tradicional ficaria indiferente a esta proposta. Nenhum outro partido está em condições de aproveitar esta oportunidade. Nenhum dos 50 lugares ocupados pelo Chega no Parlamento deixaria de passar para a IL. Nenhum animal foi maltratado nesta crónica, mas, com a fomeca que estou, se calha a Grande Porca aparecer por aqui já estava a rodar no espeto.

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COMENTÁRIOS (de 18)

José B Dias: Tenho a mesma opinião ... confesso ter já ficado demasiadas vezes negativamente surpreso com as discrepâncias e contradições entre os discursos e as acções no seio da Iniciativa Liberal e temo que a agenda da moda acabe por matar o que foi originalmente um muito interessante projecto!                 Jose Costa: Na mouche! Ser liberal em Portugal é ser poucochinho, é ter medo de dizer as coisas. Temos um estado gordo que é preciso cortar a eito para depois sim, cortar impostos a sério. E sim, no caminho esquecer as políticas libertárias que já foi chão que deu uvas, Pedro. Infelizmente, os partidos acham que política é votar centenas de alterações ao orçamento de estado que não fazem mais do que obrigar a sociedade a adaptar -se a mudanças que não alteram nada de substancial. O fundamental mesmo seria travar totalmente o crescimento desmesurado das despesas do estado e simplificar as regras que este impõe e que se vão sempre somando.               Futari Gake: "El Presidente Milei ordenó que los presos no puedan cambiar de género como excusa para mudar-se de cárcere". Os liberais por cá não existem, são assim um caso de centro direita caviar. Joaquim Almeida: Isto sim, que é  brincando, brincando, dizer coisas sérias. A IL ainda não percebeu que brinca no recreio dos totalitários "woke".                      Carlos Real: A IL começou bem e tem sido uma enorme desilusão. As trapalhadas com candidatos, a guerrilha interna e agora a colagem ao PSD tem sido uma desgraça. A falta de coragem e clareza na agenda liberal não convence ninguém. Claro que a margem de conquista de votos está limitada a uns 20%. Não existe em Portugal possibilidade de crescer mais, porque os reformados e os funcionários públicos são cerca de 4 milhões. Se juntarmos os 2 milhões de crianças e jovens significa que sobram 4 milhões de potenciais votantes. Como 50% se abstêm, logo o máximo de votantes são 2 milhões. Claro que destes 2 milhões muitos têm negócios com o Estado e logicamente optam por outros partidos. Mesmo sabendo que a maioria dos portugueses tem medo do liberalismo, é preciso iniciar um rumo, discutir a necessidade da gestão privada das reformas, e alargar a ADSE a todos os portugueses. Mas para isso a IL tinha de crescer com um trajecto longe dos partidos estatistas como o centrão. Pelos vistos prefere suicidar-se. Uma completa tristeza.                         Fernando Prata: A Iniciativa Liberal sem Cotrim está a transformar-se numa espécie de partido, um conjunto de pessoas que não sabe onde está nem para onde quer ir.                           Lápis Afiado: Ah ah ah muito bom

 

E a propósito de MILEI:

NOTAS DA INTERNET, com o contributo da IA para maior esclarecimento a respeito das políticas:

1 -Milei no G20: discurso inflamado, mas acções contidas pelo medo ao isolamento. Presidente argentino não poupou críticas às principais propostas da presidência brasileira do grupo, mas acabou assinando declaração final; a peso de China e França na equação geopolítica do argentino

Por: Janaína Figueiredo

19/11/2024 00h01 Actualizado há uma semana

RESUMO:

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Altos representantes do governo argentino avisaram interlocutores do governo Luiz Inácio Lula da Silva dias antes da cúpula de presidentes e chefes de governo do G20 que o presidente Javier Milei teria “linhas vermelhas” que não poderia ultrapassar na hora de assinar a declaração de presidentes e chefes de governo do grupo. Uma das principais linhas vermelhas de Milei era a agenda 2030 das Nações Unidas. Com esse alerta, representantes do governo Lula e de outros países do G20 esperavam um Milei totalmente disruptivo na cúpula do Rio. Para surpresa de todos, o argentino se mostrou desafiador em seus discursos, mas na hora de negociar acabou cedendo e afirmando que não seria um obstáculo para que o G20 tivesse uma declaração presidencial.

O que aconteceu no meio do caminho? Uma pergunta que não quer calar. Dois países teriam tido influência nos posicionamentos do presidente argentino: China e França. Com os presidentes de ambos, Xi Jinping e Emmanuel Macron, o chefe de Estado argentino se reuniu antes e durante a cúpula (com o chinês o encontro será nesta terça). Macron foi até Buenos Aires antes de viajar para o Brasil, segundo reconheceram fontes francesas, com a clara intenção de tentar “acalmar a fera” argentina antes do encontro presidencial no Rio. Em outras palavras, de aproximar Milei dos consensos do G20, e evitar que o argentino ficasse isolado na cúpula. Os abraços entre ambos — que contrastaram com a frieza entre Milei e Lula — pareceram confirmar certa sintonia. Ninguém sabe até que ponto Macron foi uma influência positiva para Milei. Mas o facto é que o presidente argentino chegou ao Rio mais tranquilo do que se esperava.

No caso da China, a situação é diferente. Milei vem buscando uma aproximação com o país, o único que deu um socorro financeiro em 2024 ao governo argentino. A Casa Rosada solicitou um encontro entre Milei e Xi Jinping no Rio. O presidente argentino quer aprofundar as relações econômicas com a China, movimento que, segundo fontes argentinas, foi “negociado” com o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. Como parte dessa “negociação”, Milei teria decidido adiar uma viagem à China em 2025, inicialmente prevista para janeiro, quando acontecerá no país um encontro entre países da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) e o governo chinês. A China é um importante aliado do Brasil de Lula, e o peso dessa relação claramente pesou na decisão de Milei de não boicotar a cúpula presidencial chefiada por Lula.

Acordo:'Infraestrutura' e 'especificamente', as duas palavras que permitiram alcançar o consenso sobre a declaração de presidentes do G20

Bastidores: Países do G7 pressionam, mas Brasil resiste em reabrir texto da declaração do G20 sobre guerra na Ucrânia

Em reportagem no jornal La Nación, a jornalista Maia Jastreblansky, que cobriu a cúpula, afirmou que “na prática, o presidente defendeu sua rebeldia no discurso, mas evitou ficar isolado do mundo”. De fato, as falas de Milei foram exatamente no tom que se esperavam. O presidente disse aos demais países do G20 que não contem com a Argentina para reformar a governação global; discordou das expressões “desinformação” e “discursos de ódio”; acusou a agenda 2030 da ONU de “atentar contra a liberdade e propriedade das pessoas”; questionou a taxação aos super-ricos por considerar que “implica um tratamento desigual perante a lei”; e se opôs a questões de gênero porque “a Argentina não apoia nenhum tipo de discriminação positiva”.

O show discursivo de Milei e seus questionamentos ao documento selado no Rio, disseram fontes do governo brasileiro, “não tiram o sono de Lula”. Em palavras de uma fonte oficial, “a Argentina de Milei será um pé de página na cúpula do Rio”. O governo brasileiro estava preparado para que a Argentina não assinasse a declaração presidencial, portanto, as dissonâncias explicitadas por Milei foram uma até mesmo uma boa notícia.

Mas o frio e rápido aperto de mãos entre Lula e Milei refletiu um dos piores momentos na relação bilateral. Analistas argentinos já especulam, até mesmo, com a saída do país do Mercosul. Um cenário ainda distante, mas que, dadas as últimas circunstâncias, que não pode ser descartado. O negacionismo climático de Milei é um forte obstáculo para um acordo com a União Europeia, e a intenção de negociar um acordo bilateral de livre comércio com os Estados Unidos, após a posse de Donald Trump, em janeiro de 2025, poderia abrir uma crise terminal na relação da Argentina com seus sócios do bloco.

Milei veio ao Rio, admitem fontes argentinas, transmitir os posicionamentos da extrema-direita global. A vitória de Trump nas eleições americanas mudou o jogo, e ameaça o futuro da relação com o Brasil e grande parte da região.

Diplomatas dos dois países trabalham para impedir que o vínculo bilateral mergulhe numa crise terminal. Mas as cenas no MAM confirmaram que o desafio será enorme. Milei adoptará a agenda internacional de Trump, que é totalmente antagónica, em todos os sentidos, da agenda de Lula. Os próximos meses serão decisivos para entender se, nesse contexto, a relação entre Brasil e Argentina, pelo menos entre Estados, poderá ser preservada.

 

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