Notícia trazida pela Paula, ao nosso café
de domingo sobre a reacção de uma Professora a uma informação /definição saída
no Público, a respeito da profissão
de “Professor”, como “Trabalhador
por conta de outrem: o Encarregado de Educação”:
«Devo
eu exercer a minha profissão em função das críticas dos leigos em ensino, grupo
no qual se encontram a maioria dos encarregados de educação?”
É certo que todo o trabalhador trabalha
por sua conta ou por conta alheia, mas um professor, ao querer transmitir as
matérias do seu programa de ensino aos alunos dos seus vários anos, tem como
patrono o Estado que o empregou. Além do respeito pelos seus alunos, é a si
próprio que deve respeitar, no esforço contínuo de transmissão das matérias de
que se encarrega, aos meninos e meninas de que se compõe o seu universo de
receptores imediatos, cuja formação também depende, naturalmente de si, do seu
interesse e competência.
Quando se tem consciência do trabalho
diário que implica o Ensino para o professor que se respeita, naturalmente que
se repele a invasão do seu espaço de docência, com indignação, como o comprova
o comentário da professora. Todavia, julgo que é dever do professor corresponder
ao que se lhe exige, como a outro qualquer trabalhador. O que nem sempre
acontece, sabe-se.
E a responsabilidade é necessária – ao médico
que atende o doente, ao arquitecto que desenha o prédio, tal como ao operário e
ao agricultor que trabalham nas suas obras. Um professor tem o dever de
respeitar o seu trabalho, como se respeita a si próprio. Ainda que sejam leigos
os Encarregados de Educação que reclamam.
Mas não quero deixar de referir um
posicionamento meu, de reacção idêntica à da professora reclamante: um dia, em
que um desses Encarregados de Educação desejou falar comigo, o que me foi
transmitido pela Directora de uma das minhas turmas, eu recusei atendê-la, na
consciência que tinha da minha participação positiva, embora talvez um pouco
rígida, num empenhamento formativo nem sempre compreendido, sobretudo pelos
alunos menos atentos. Eu própria me condeno por essa recusa, que não esqueci. O
certo é que o meu empenhamento docente habitual, além dos trabalhos vários da
domesticidade, provocavam um cansaço que recusava, naturalmente, qualquer cena
talvez menos cordial com um qualquer pai de família desocupado. Não, para mim
também não havia pachorra para os Encarregados de Educação que exigiriam mais
do que tanto lhes fornecia – quer em conhecimento, quer em atenção por aqueles
que a não punham em causa. O certo é que o Encarregado de Educação não reclamou
superiormente. Nem eu reconheceria tal superioridade, é certo. Não por tolo
orgulho. Mas por consciência própria.
Nenhum comentário:
Postar um comentário