segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Pois!


Notícia trazida pela Paula, ao nosso café de domingo sobre a reacção de uma Professora a uma informação /definição saída no Público, a respeito da profissão de “Professor”, como “Trabalhador por conta de outrem: o Encarregado de Educação”:

«Devo eu exercer a minha profissão em função das críticas dos leigos em ensino, grupo no qual se encontram a maioria dos encarregados de educação?”

É certo que todo o trabalhador trabalha por sua conta ou por conta alheia, mas um professor, ao querer transmitir as matérias do seu programa de ensino aos alunos dos seus vários anos, tem como patrono o Estado que o empregou. Além do respeito pelos seus alunos, é a si próprio que deve respeitar, no esforço contínuo de transmissão das matérias de que se encarrega, aos meninos e meninas de que se compõe o seu universo de receptores imediatos, cuja formação também depende, naturalmente de si, do seu interesse e competência.

Quando se tem consciência do trabalho diário que implica o Ensino para o professor que se respeita, naturalmente que se repele a invasão do seu espaço de docência, com indignação, como o comprova o comentário da professora. Todavia, julgo que é dever do professor corresponder ao que se lhe exige, como a outro qualquer trabalhador. O que nem sempre acontece, sabe-se.

E a responsabilidade é necessária – ao médico que atende o doente, ao arquitecto que desenha o prédio, tal como ao operário e ao agricultor que trabalham nas suas obras. Um professor tem o dever de respeitar o seu trabalho, como se respeita a si próprio. Ainda que sejam leigos os Encarregados de Educação que reclamam.

Mas não quero deixar de referir um posicionamento meu, de reacção idêntica à da professora reclamante: um dia, em que um desses Encarregados de Educação desejou falar comigo, o que me foi transmitido pela Directora de uma das minhas turmas, eu recusei atendê-la, na consciência que tinha da minha participação positiva, embora talvez um pouco rígida, num empenhamento formativo nem sempre compreendido, sobretudo pelos alunos menos atentos. Eu própria me condeno por essa recusa, que não esqueci. O certo é que o meu empenhamento docente habitual, além dos trabalhos vários da domesticidade, provocavam um cansaço que recusava, naturalmente, qualquer cena talvez menos cordial com um qualquer pai de família desocupado. Não, para mim também não havia pachorra para os Encarregados de Educação que exigiriam mais do que tanto lhes fornecia – quer em conhecimento, quer em atenção por aqueles que a não punham em causa. O certo é que o Encarregado de Educação não reclamou superiormente. Nem eu reconheceria tal superioridade, é certo. Não por tolo orgulho. Mas por consciência própria.

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