domingo, 2 de abril de 2023

Impecável


A crónica de Alberto Gonçalves, que, como sempre investiga as certas premissas, para nos dar a sua visão não rebuscada, e apenas inteligente e franca da nossa mísera – hoje mais do que nunca hipócrita - realidade.

A beatificação do assassino AbdulBashir

Caso o assassino fosse um português católico, o dr. Ventura nunca lhe dedicaria um discurso irado e as boas almas nunca se dariam à trabalheira de o absolver mediante sucessivos “contextos”.

ALBERTO GONÇALVES, Colunista do OBSERVADOR               OBSERVADOR, 01 abr. 2023

Não imagino forma mais entediante de começar um texto do que com “De acordo com dados oficiais do Conselho Europeu”, mas um dia não são dias. De acordo com dados oficiais do Conselho Europeu, quase todos os ataques terroristas cometidos na UE durante a última década, à média grosseira de uns cem por ano, têm uma de quatro origens, ou inspirações: o jihadismo; o separatismo; a extrema-esquerda e, num contributo surpreendentemente baixo face ao rebuliço alusivo (uns 2 ou 3%), a extrema-direita. Nenhum dos ataques aconteceu em Portugal, desfeita que nos afasta das nações desenvolvidas e que tentamos contrariar na medida do possível.

É injusto desvalorizar o esforço com que, em tempos recentes, o nosso país tem procurado arranjar um arremedo terrorista a que possa chamar seu. Se um grupo de marmanjos invade um campo de treinos para insultar e agredir futebolistas, isso é obviamente terrorismo (por azar, o tribunal discordou). Se passa pela cabeça de um rapazola matar colegas de universidade, isso é naturalmente terrorismo (por desleixo, o tribunal discordou). Se um informático divulga mails privados de um clube desportivo, isso é francamente terrorismo (por incúria, A Bola ainda não faz lei). Se um líder partidário se aproveita do homicídio de duas mulheres a cargo de um afegão para fazer propaganda eleitoral, isso é evidentemente terrorismo, pelo menos na opinião de um sujeito que assina crónicas no Expresso apesar de não saber escrevê-las (por fatalidade, ninguém as lê).

Aparentemente, o que não é terrorismo de certeza absoluta é o duplo homicídio cometido pelo tal afegão. Curioso. Por uma vez, houve uma confluência de critérios que aproximavam o sucedido de uma parte considerável dos atentados cometidos por essa Europa afora. Por uma vez, Portugal desprezou à partida a hipótese de conseguir o seu atentado. Num ápice, meio mundo irrompeu a garantir que o assassino não era terrorista. No instante seguinte, quase se garantiu que o assassino não é sequer um assassino.

Para a Judiciária, trata-se apenas de um homem que sofreu um surto psicótico, no pressuposto de que é comum andar-se prevenido com uma faca para a eventualidade de tais fenómenos. Uma escola de pensamento subsidiária da anterior sugere os distúrbios mentais do sujeito, o que o afasta de imediato dos “jihadistas” radicais que se distinguem pelo equilíbrio emocional e a clareza de raciocínio. Para outra escola de psicanálise, o sujeito vivia triste desde que cá chegou, na convicção de que, excepto parasitas e tolinhos, existe aqui gente com motivos para rir e cantar. Para uma terceira corrente teórica, o sujeito é um pobre viúvo que perdera a cônjuge na Grécia, na crença firme de que a viuvez costuma despoletar carreiras de “serial killer”. E há os que apostam num telefonema “suspeito” recebido pelo sujeito antes do “surto psicótico”, talvez um inquérito de satisfação da entidade bancária. Há os que referem um interesse não correspondido do sujeito por uma das vítimas, romantismo bastante para abatê-la e a mais um ou dois desgraçados no processo. E há Sua Incontinência, o PR, que além de marcar insondável presença no cenário de um “acto isolado” e trivial, divagou nebulosamente acerca das complicações ligadas ao “exercício do poder parental”, subentenda-se (?) a preocupação do sujeito com a tutela dos filhos, que com a mãe falecida e o pai preso devem estar radiantes.

É exagerado dizer-se que tenha havido a beatificação do assassino, perdão, do infeliz refugiado: apenas se deu entrada à papelada necessária. Não me lembro de tamanho investimento na “compreensão”, a roçar a legitimação, de um crime. Porquê? Porque o criminoso é estrangeiro e muçulmano, ou seja, as boas almas relativizam as acções do assassino a partir da exacta circunstância que leva o dr. Ventura a generalizá-las. Caso o assassino fosse um português católico, o dr. Ventura nunca lhe dedicaria um discurso irado e as boas almas nunca se dariam à trabalheira de o absolver mediante sucessivos “contextos” e justificações. A diferença é que a atitude das boas almas lhes concede um banho de virtude e, por uma atitude similar na natureza e no oportunismo, o dr. Ventura acabou universalmente condenado – muito mais condenado, aliás, que o próprio assassino.

Quanto aos factos, a verdade é que conhecemos poucos. Não sabemos se Abdul Bashir é terrorista, doido varrido, psicopata, selvagem, ginofóbico ou uma mistura saudável das diversas alíneas. Temos a impressão que é do género masculino, se ele se identifica assim, que é natural do Afeganistão e que observa as prescrições do Profeta, quiçá num bando dissidente dos ismaelitas. E temos provas de que matou duas mulheres, mandou um homem para o hospital e arruinou várias famílias. Logo, nunca é suficiente repetir, é um assassino. E se é feio usar um assassino para culpar inocentes vivos, pior é desprezar inocentes mortos para desculpar um assassino.

CRIME    SOCIEDADE    ANDRÉ VENTURA   PARTIDO CHEGA   POLÍTICA   IMIGRAÇÃO   MUNDO

COMENTÁRIOS:

Álvaro Venâncio: Muito bem no conteúdo e também na forma: excelente.                 Joaquim Almeida: Soberba crónica. Excelente revista às tropas da imbecilidade.                    Censurado sem razão: Considero inacreditável que quando André ventura fala toda a gente entende o contrário do que disse. Depois acusam-no de populismo e de estar a colher benefícios polititicos sobre a morte de duas mulheres. Aline de Beuvink, na cor do dinheiro, assim como carlos moedas, disseram exatamente aquilo que ventura disse. Não creio que Aline e Carlos sejam de extrema direita e populistas. Ventura disse que aguardava as investigações, mas que a política de portas abertas, sem qualquer controlo iria conduzir, mais tarde ou mais cedo a uma desgraça. Desta vez um assassinato, mas já morreram duas pessoas queimadas por causa desta política de esquerda miserável. Disse alguma alarvidade? Disse o óbvio. E sim, costa e todos os esquerdalhos têm nas mãos o sangue destas pessoas. Ventura disse o que todos pensam, mas são cobardes em não assumirem. Acho miserável a campanha que fazem contra Ventura e a ligeireza com que desculpam assassinos de esquerda. Todos os que vieram desculpabilizar este energúmeno são tao responsáveis quanto ele.                             Antonio Rodrigues: Olha  finalmente uma análise racional do evento. Curioso.                         Pedro Santos: Em cheio… 🎯🎯🎯🎯🎯                    Isabel Amorim: Neste texto está tudo dito! A hipocrisia que justifica a miscelânea de demagogias que depois são difíceis de explicar com a realidade crua e nua. E esta gentinha arraia miúda do "governo" deve achar que somos todos imbecis....                    Lidia Santos: Excelente. Parabéns.                       Maria Soares: Brilhante, como sempre!

Carminda Damiao: Excelente este artigo. É um absurdo como tentam arranjar argumentos para ilibar o assassino da culpa. As pessoas que arranjam argumentos estapafúrdios, para justificar este crime horroroso. O assassino tirou a vida de 2 mulheres inocentes e jovens e o professor só por sorte não morreu. Também não nos podemos esquecer que deixou famílias destroçadas para o resto da vida. Obrigada AG por falar a verdade.                     Helder Machado: Povo deprimido e em perda, não só económica mas mental. Os blisters inundam os passeios. A incontinência proclama que somos os melhores a propósito de tudo e de nada, sem esconder a realidade. O ridículo assentou. Os masoquistas apreciam a dor e quem a provoca. Perfuram-se, tatuam-se, intoxicam-se, louvam a desgraça. Presos à inércia, sentam-se frente ao écran a admirar quem ainda mexe, desde o chuto na bola, até a maior brutalidade.                      João Ramos: Excelente, preto no branco!!!            Fernando CE: Gostei da perspectiva do Alberto Gonçalves. O mundo lá fora, pelo menos o oficial e oficioso, está virado do avesso. E algumas personalidades parece que estavam combinadas na explicação “benévola” do assassinato. Ao que chegámos.                      I G: Muito bom o artigo! Parabéns pela lucidez e coragem de pôr os pontos nos iis perante o contexto geral de desinformação, manipulação e cobardia em abordar o tema de forma objectiva.Iur Sotam: Grande AG. Espectáculo ao mais alto nível de mediocridade, foi o que se assistiu, mas deixe que o povo é sereno e come a palha toda que lhe põem á frente dos olhos...                Andrade QB: Este artigo deveria ser de leitura obrigatória como forma de mitigação dos malefícios da crescente catequização que as elites mandantes e instaladas diariamente impõem aos portugueses. dessa elite destaca-se, de facto, Marcelo que não tem outra forma, nem objetivo, no inicio das suas verborreias do que o conduzir quem o ouve ao papel de palerma. Neste momento já se desconfia que o trauma parental terá começado na Grécia com o assassinato da mulher, que terá sido agravado pelo seu conceito de que apoio social era que a assistente fosse para a sua casa aquecer-lhe os pés e tratar dos filhos e, sendo mulher, merecer a morte por se recusar.             TIM DO Á: O Dr. Ventura, pois não. Porque um português católico não faria isso assim sem motivos. Fazem crimes passionais e em rixas. Não faz o que fez aquele migrante que importámos. Quanto à PJ, é patética a teoria do surto psicótico. Um surto não se planeia. Não é premeditado. O assassino já levava a faca com intuito criminoso. E, na sociedade portuguesa do mundo dos liberais, o assassino é que está a ser considerado a vítima. As mulheres civilizadas que morreram são um empecilho para a sociedade. Só atrapalham a beatificação do assassino, quase santo. Os liberais inverteram os valores da sociedade. Precisamos de importar e sustentar gente desta em Portugal? Porque importamos estes migrantes? Qual é o interesse nacional?.........................................               Rfc: Como sempre, lúcido, inteligente e felizmente fora desta corrente agonizante do politicamente correcto a qualquer custo.

sábado, 1 de abril de 2023

Mas um verdadeiro herói


Surgiu, com a “distracção” da NATO, que não acudiu a tempo à Ucrânia, um herói que hoje a NATO “venera” (só podia!), mas não se apressa, mesmo assim,  em receber nas suas fileiras, temerosas da reacção putinista. E nós por cá discutimos, de papo cheio, protegidos – por enquanto – com o sacrifício ucraniano, e nem sequer o referindo… Talvez por vergonha…

A invasão russa da Finlândia é certa?

Ao contrário do que nos têm tentado convencer muitos pseudopacifistas, a Rússia não invade países porque eles estão bem armados. Pelo contrário, invade e anexa países vizinhos mais fracos e isolados!

BRUNO CARDOSO REIS Historiador e especialista em segurança internacional

OBSERVADOR, 31 mar. 2023, 00:1927

Poderá haver quem me acuse de alarmismo. Na hipótese remota de algum finlandês ler esta coluna peço desde já desculpa pela ironia que lhe dá título. Mas a Finlândia parece estar – felizmente – à beira de ver terminado o seu processo de adesão à Aliança Atlântica. O parlamento húngaro deu a sua indispensável aprovação esta semana. O parlamento turco acabou de o fazer ontem. O que irá acontecer a seguir e que conclusões tirar? A acreditar nas teses de alguns a invasão russa deveria ser certa e iminente. Se não acontecer, como espero, veremos se se tiram as devidas conclusões.

A NATO é uma aliança voluntária

Uma primeira conclusão fundamental é que, ao contrário do defunto Pacto de Varsóvia, comandado pela igualmente defunta União Soviética, a NATO é uma organização de adesão realmente voluntária, e em que cada Estado tem realmente um voto e um veto. Isto significa que só com o acordo de todos é possível a adesão de novos membros à Aliança Atlântica. Os EUA têm muito peso por serem de longe quem mais contribui para a defesa colectiva, mas estão longe de poder simplesmente impor a sua vontade. Isso ficou evidente, aliás, em 2008, quando vários Estados europeus vetaram a proposta americana de adesão da Ucrânia. Esta foi uma de múltiplas tentativas de acomodar as sensibilidades russas e chegar a um compromisso negociado, pacífico com Moscovo. Outra foi o facto de, até à anexação russa da Crimeia, em 2014, não haver tropas de outros aliados nos novos membros da NATO. A adesão dos antigos membros do Pacto Varsóvia foi apenas uma forma de lhes dar uma robusta garantia de segurança colectiva e de os ajudar a reforçar os seus meios de defesa próprios para dissuadir agressões. E ainda há quem venha falar de dilema de segurança russo!

O dilema de segurança e o tango

Haveria muito que dizer a respeito de fachadas académicas para teses duvidosas, mas para já basta insistir em dois pontos fundamentais sobre o conceito de dilema de segurança. O primeiro é que, como o nome indica, é um dilema. Um Estado arma-se para se defender, uma vez melhor armado pode decidir atacar, e outros Estados não podem estar seguros sem também cuidarem de se armar melhor. Ou seja, este dilema, como qualquer outro, não têm uma solução simples. Não é uma solução séria para um eventual dilema de segurança russo ceder sempre à Rússia ou desarmar unilateralmente o Ocidente. O segundo é que, tal como no tango, tem de haver pelo menos dois num dilema de segurança. Ou seja, ele não é exclusivo do Kremlin. Na verdade, os países vizinhos da Rússia têm muito mais razões objectivas – pelo volume de armamento russo e pelo seu repetido uso agressivo – para se sentir inseguros. A resposta racional a isso é procurar reforçar as suas defesas e as suas alianças. Ou seja, o tão falado dilema de segurança não impede ou desaconselha o alargamento da NATO, é até fundamental para explicá-lo.

Lamento insistir no óbvio, mas a desinformação russa é persistente: nunca houve o indispensável acordo de todos os membros da NATO para a adesão da Ucrânia. Isto não é uma questão em aberto. É um facto histórico. A Ucrânia nunca sequer viu iniciado o processo de adesão que está agora quase concluído para a Finlândia. Mais, em 2014, quando a Rússia ocupou e anexou a Crimeia, a Ucrânia até tinha na sua constituição – desde 2010 – o compromisso com a neutralidade e com não aderir a alianças como a NATO. Esta cláusula só foi revogada em dezembro de 2014. Portanto a propaganda russa de procurar justificar a invasão da Ucrânia com a ameaça temível que a sua adesão à NATO representaria não passa disso mesmo, propaganda. Infelizmente alguns dos nossos colunistas– de Boaventura Sousa Santos a Miguel Sousa Tavares – parece que acreditam e difundem essa versão. Até alguns líderes mundiais parecem atribuir algum mérito a esta tese russa, temos agora um verdadeiro teste da mesma.

Uma invasão iminente?

Em suma, se a propaganda russa relativamente às razões da invasão da Ucrânia for para levar a sério, a invasão russa da Finlândia é inevitável e iminente. Veremos o que acontece. Nunca estou absolutamente certo de nada relativamente ao futuro, ninguém de bom senso está. De Putin pode-se esperar quase tudo. Apesar disso, e tendo em conta o histórico de acumulação de poder e riqueza de Putin, dos seus familiares e amigos, bem como o trabalho que teve para garantir que poderá manter-se no poder até 2036, não vejo razões, para já, para acreditar que vá dispersar forças militares ou deliberadamente provocar uma Terceira Guerra Mundial potencialmente suicida. Mas claro que se a adesão à NATO é que é o cerne do problema russo, e não uma Ucrânia pluralista e pró-ocidental, então Putin deveria concentrar as suas forças, mesmo enfraquecidas, não a combater ucranianos, mas sim os finlandeses, antes que seja tarde demais.

É claro que, até ver, a Rússia não tem invadido países porque eles podem aderir à NATO, ou porque efectivamente aderiram à Aliança Atlântica. Não invadiu a Polónia. Não invadiu os Bálticos. Porquê? Porque, ao contrário do que nos têm tentado convencer muitos pseudopacifistas, a Rússia não invade países porque eles estão bem armados com o equipamento militar ocidental avançado, porque fazem parte da NATO, porque beneficiam da sua garantia de segurança e defesa colectiva. Pelo contrário, a Rússia de Putin invade, conquista e anexa países vizinhos mais fracos e isolados! É por perceberem isto mesmo que suecos e finlandeses decidiram abandonar uma longa história de neutralidade. Os suecos e finlandeses, entre os povos mais educados do mundo, sabiamente procuram a segurança da Aliança Atlântica porque, na sua grande maioria, perceberam a verdadeira natureza da ameaça duma Rússia putinista, mais agressiva e imprevisível do que a Rússia soviética. Parece-me, por tudo isto, felizmente pouco provável que a Finlândia seja invadida. Outra coisa são ataques híbridos russos, de que aliás o país já foi alvo frequente no passado. Não é por acaso que fica em Helsínquia o centro de excelência da União Europeia para conflitos híbridos.

Veremos o que acontece. E veremos o que dirão então estes líderes eminentes e estes eminentes comentadores. Se a Rússia não invadir a Finlândia na iminência de aderir à Aliança Atlântica, espero ver estes líderes e comentadores a retirar publicamente a conclusão lógica. Afinal o problema não era a NATO! Isto, claro, se não estiveram – como insistem – simplesmente a reproduzir acriticamente propaganda russa e a criar falsas equivalências em nome de um suposto rigor. Vou ficar a aguardar, mas confortavelmente sentado, e não por muito tempo.

RÚSSIA            MUNDO        NATO         FINLÂNDIA      EUROPA

COMENTÁRIOS:

Filipe Costa: Os Russos, são 145 milhões, estão a matar os jovens numa guerra que não interessa a ninguém, a sua pergunta é nada. Estamos bem entregues a malucos, os governantes governam-se e eu pago. Venha a eutanásia.                  José Miranda: Excelente artigo: curto e certeiro.             Paula Barbosa: Não gosto nada de ver os comentadores dizerem que a Ucrânia vai DERROTAR a Rússia. Isto quase pressupõe que entraram em guerra. Será mais certo usar expressões como Expulsar a Rússia, Recuperar o seu território, voltar à sua Soberania. É uma expressão humilhante, e quando se lida com broncos ou animais ferozes, não se deve humilhá-los, pois reagem à tarrascada como os touros malinos, como se diz aqui no Alentejo, minha terra de reforma.         Carlos Dias > Paula Barbosa: A Ucrânia não vai derrotar a Rússia certamente mas vai libertar os Russos e o mundo de um tirano execrável e com alguma sorte de um conjunto alargado de discípulos que o acompanham

Ricardo Lacerda Dias: Assim mesmo. É preciso identificar todos os que são equívocos em matérias de liberdade e independência. E nenhum é ingénuo.                    Andrade QB: A solidez da lógica e clareza de exposição deveriam ser suficientes para que todos os que aproveitam a liberdade para apoiarem a versão de ditadores ganhassem alguma vergonha. Infelizmente, mais logo lá voltarão apoiantes dos invasores fazer a sua defesa nas televisões.                Pedro M.: A tese é tão flagrantemente estúpida que os autores só podem estar a agir voluntariamente (ou a soldo?) em prol da propaganda Russa. Não sendo isso, ficam em dúvida as qualidades intelectuais de quem a defende.           Fernando Fernandes: Excelente análise como as a que sempre nos tem habituado. Sobre a Rússia espero verdadeiramente que se transforme numa outra Coreia do Norte onde em vez de comida à mesa a população admire aquelas ridículas paradas militares e o seu querido líder anão de corpo e mente.               Carlos Chaves: Caríssimo Bruno Cardoso Reis, fez uma boa escolha ao ter decidido “sentar-se confortavelmente”, pois os comentadores de que fala, arranjarão uma outra falsa versão que justifique a anterior que andaram a propagar… esta gente não se recomenda! Obrigado pela a sua análise baseada em factos e não em teorias ao serviço sabe-se lá de quem, feita por quem se aproveita do espaço público e do mediatismo que lhe dão!              Francisco Almeida: Bem observado. Não há que esperar qualquer invasão da Finlândia mas apenas um novo tema para a propaganda russa. A desnazificação, a protecção das populações de língua ou de origem russa outra qualquer. E os Boaventuras logo mudarão de discurso. O futuro, especialmente na Ucrânia, é como diz imprevisível mas Putín já conseguiu o seu objectivo. Passar-se-ão ainda muitos anos antes da Ucrânia volte a ser uma sociedade que cause inveja aos russos e lhes inspire ideias de revolta. E, se o fôr, será claramente por uma ajuda ocidental massiva, que os russos nem esperam nem desejam. Por isso não ficaria surpreendido se se chegar a um acordo que replique Minsk 2.               bento guerra: Mas, segundo uns generais que falam nos telejornais, a Rússia não vai ser derrotada pela Ucrânia na "contra-ofensiva" de Verão? E a seguir, ia meter-se com a Finlândia, um país proto-Nato?              Ricardo Lacerda Diasbento guerra: Generais vermelhos                  NLB >bento guerra: Homem, não desvie a conversa. Sabe muito bem o que andam os seus amigos majores-generais Carlos Branco e Agostinho Silva a dizer desde o início da invasão. E também sabe muito bem o que você próprio passa a vida a papaguear aqui. Já está preparado para defender os seus amigos russos quando começar a operação especial na Finlândia? Não precisa, porque não vai acontecer. O seu amigo Putin só se mete com os fracos e isolados.                   bento guerra > NLB: És tão ignorante ,que até lhe chamas Agostinho da Silva,.E sabes em que clube joga?                NLB >bento guerra: Agostinho Costa. Estás a ver como reconheceste o teu amigo putinista mesmo com o apelido trocado? Essa figurinha rastejante, verdadeiro réptil que vai aos noticiários despejar o seu veneno comunóide. Percebe-se logo a vossa afinidade.                  Eduardo L: Assumindo que concorde que a guerra não pode durar para sempre, que o ocidente não vai pôr tropas no terreno e que a Rússia não vai voltar às fronteiras de fevereiro de 2022, pergunto o que sugere para se acabar com o conflito? Penso que neste momento em que parte da Ucrânia está completamente destruída e milhares de jovens de um lado e outro morrem todos os dias, a paz deveria ser o objectivo mais importante. Mas comentar no conforto da paz no ocidente, sentado ao computador e a beber um cafezinho é mesmo muito fácil. Não sou nem deixo de ser 'pseudo pacifista' (??) mas penso que incitar a guerra à custa de vidas alheias, neste caso dos ucranianos, não me parece muito honesto. PS: sugiro que tenha uma conversa com o Prof Mearsheimer da Universidade de Chicago - mas sem lhe chamar nomes!             João Alves > Eduardo L: Tendo em conte as premissas de que parte e o objectivo prioritário que defende, a paz, o que está a defender é rendição incondicional da Ucrânia às exigências do imperialismo mafioso de Putin              José Tomás > Eduardo L: Essa tese encalha num detalhe. Os ucranianos querem combater e estão a combater. E, enquanto for assim, o Ocidente tem a obrigação de os ajudar.              Joaquim Lopes: A questão da Crimeia foi o facto mais relevante que levou a Rússia apoiada pela RPC a se tornar atrevida, a História não justifica nada, como querem fazer crer os ressabiados como Sousa Tavares, velho e a destilar ódio quando contrariado. A Alemanha, foi um dos países que apenas olhou para si, Merkel afinal ainda era parte da elite da Alemanha de leste e foi um engano de casting de Helmut Kohl, o bom Chanceler cristão e conservador, mas Merkel traiu o pai político com as alianças com a Rússia que se comporta com um novo estalinismo, Stalin é o pai de Putin, como torcionário de profissão e de baixa patente, tornou-se num indivíduo das elites do poder na Rússia como no tempo do PCUS, riqueza e luxo para os do topo e miséria para um povo que gosta de ser tiranizado e admira a tirania de assassinos, na esmagadora maioria e na crença da mãe Rússia, Dostoievski conhecia bem a natureza humana e no caso, bem a natureza chorosa do povo russo. Sobre o caso, a NATO falhou à Ucrânia e é bom que se perceba que a Rússia nunca invadiria a Ucrânia se não fosse autorizada pela RPC, sendo a Rússia hoje um seu satélite com tudo o que necessita.                  Maria Clotilde Osório: Não entendo muito de geoestratégia mas, tudo indica, a Rússia vai tentar continuar a expandir a sua influência para sul em direcção às antigas repúblicas socialistas Moldávia, Azerbaijão, Cazaquistão e, quiçá, Arménia. Com a neutralidade chinesa e a garantia de apoio à anexação de Taiwan.               Tristão: Mas o maior país do mundo com o maior arsenal nuclear do universo e arredores tem medo que algum país o invada?! Claro que o problema nunca foi esse, a questão sempre foi territorial, trata-se simplesmente de anexação de parte da Ucrânia, objectivo esse que a que se somava a implantação de um regime fantoche pro-Kremlin - esse parece que teve o resultado inverso.          vitor gonçalvesTristão: Mas se os Russos nem conseguem derrotar os Ucranianos que á partida nem tinham Exército, como podem pretender originar novos conflitos; estão exaustos no momento. E ao contrário do que dizem alguns comentadores acerca das potências nucleares não poderem ser derrotadas o facto é que foram: URSS no Afeganistão e U.S.A no Vietname.é um gigante com pés de barro com um PIB idêntico ao da Coreia do Sul ou da Itália. Têm recursos mas não tecnologia para os poder transformar! 

E a cepa continua


Eficientemente torta.

Em direcção ao socialismo, contra a clique passista-cavaquista

A ganância e o apetite do lucro fácil dos privados estão por detrás de tudo. Quais víboras lúbricas, querem tudo para eles e não olham a meios para atingir os seus fins.

PAULO TUNHAS Colunista do Observador

OBSERVADOR, 30 mar. 2023, 01:1936

É verdade que nem tudo vai bem.

A habitação, os transportes, a saúde e a educação, por exemplo, encontram-se num estado deplorável. Não há casas para alugar, e quando as há são a preços mirabolantes, os comboios são erráticos e pouco fiáveis, a TAP é um caos permanente que nos custa uma fortuna, o SNS rompe pelas costuras e a educação caminha para um regime em que apenas os alunos do ensino privado têm aulas. As pessoas exprimem a sua insatisfação com o que se passa através de greves, manifestações e rituais desabafos nas paredes das casas de banho públicas com palavras que o pudor impede mencionar.

Mas convém perceber porque é que isto acontece. E não custa percebê-lo. A ganância e o apetite do lucro fácil dos privados estão por detrás de tudo. Quais víboras lúbricas, querem tudo para eles e não olham a meios para atingir os seus fins. Querem, imaginem, espécie de kulaks urbanos, que as suas casas lhes rendam dinheiro. Querem, quais piratas do ar, tomar posse das nossas caravelas voadoras. Querem fazer da saúde um negócio. E, horror dos horrores, querem ensinar os alunos.

Desenganem-se aqueles que pensam que lidamos aqui com reivindicações desorganizadas e espontâneas. Trata-se, como é bom de ver para alguém com alguma educação teórica e uma concepção socialista da justiça, de um movimento organizado nos seus mais ínfimos detalhes, visando semear um ambiente de desconfiança na sociedade. A história passada ensina-nos como estas coisas se preparam e se levam a cabo. Lembrem-se do complot das gasolineiras e do mais recente complot da grande distribuição. Tudo está lá: o desejo – a ganância –, os meios – a criação do caos – e os fins – a destruição da sociedade.

E quem está por detrás de tudo isto? Urge denunciar, sem tibieza nem meias-palavras: a clique passista-cavaquista, que julgávamos lançada para o caixote de lixo da história, mas que continua a mostrar as suas presas afiadas e o seu velho projecto de terrorismo social. Não é difícil encontrar provas do seu conluio com Trump e Bolsonaro. O projecto, de resto, é o mesmo: destruir tudo o que resta de Abril através de um intenso processo de sabotagem generalizada. Sabotagem das turbinas eólicas. Sabotagem dos painéis solares. Sabotagem da produção de cebolas. Sabotagem da transição digital e reposição do ábaco nas escolas. Sabotagem do PRR. Sabotagem dos navios da Marinha. Introdução de médicos assassinos no SNS. Assassinato dos capitães de Abril e ressuscitação do almirante Américo Thomaz.

Mas a vitória é nossa e tudo caminhará para o melhor.

Serão derrotados. O nosso povo exige uma única coisa: que estes malditos répteis sejam esmagados, que estes cães sarnentos sejam abatidos. Os tempos passarão, as ervas daninhas e os cardos invadirão os túmulos dos traidores execrados. Na longa estrada, virada a página da última impureza e da última abjecção do passado, todos nós, o nosso povo, guiados por António Costa, continuaremos a ir em frente, sempre em frente, em direcção ao socialismo.

O que é preciso, o que anima a malta, é malhar na direita. Com gosto, proficiência e engenho. Malhar a sério nos que querem destruir a sociedade em benefício da ganância e do lucro, sob a capa de uma hipócrita defesa da liberdade individual. Aliás, basta oporem a liberdade ao PS para se perceber que não estão verdadeiramente a falar de liberdade. Porque a liberdade é, por definição, histórica e logicamente, o PS. Sá Carneiro, embora não o tenha dito exactamente assim, tinha-o percebido. De resto, toda a gente bem informada o sabe, Sá Carneiro era do PS – e da ala esquerda do PS – e adorava malhar na direita. Só a clique passista-cavaquista, com a sua constante falsificação do passado, o finge ignorar. Honremos, pois, a sua memória socialista. E não nos esqueçamos que António Guterres é seu filho e António Costa seu neto. Ditoso neto deste dilecto irmão de Mário Soares. Ana Catarina Mendes, sua bisneta, guarda ainda dele carinhosas memórias. Vêm-lhe as lágrimas aos olhos quando se lembra que disse “PS” pela primeira vez ao seu colo. Pacheco Pereira tem, nos seus arquivos, uma fotografia do momento.

De resto, e voltando ao essencial, não temos nós a constituição mais progressista e democrática do mundo? E a nossa vida não melhorou, não se tornou mais alegre? O ser humano, o mais precioso capital, não é hoje em dia mais feliz do que sempre foi? Não nos assegura o Governo todas as medidas necessárias ao nosso bem-estar? A resposta a todas estas perguntas não merece dúvidas. O Governo toma invariavelmente as melhores soluções, de acordo com o mais científico método e os mais sãos princípios. Se encontramos algumas dificuldades no nosso caminho, tal só se pode logo dever à intensa sabotagem da clique passista-cavaquista. Salta aos olhos. Mas as dificuldades serão vencidas. O verdadeiro socialismo está próximo.

PS. Vivi oito anos em Paris, nos anos 90. O pessoal político francês que conhecia desapareceu quase inteiramente. Os partidos que havia igualmente desapareceram, ou quase, ou mudaram de nome (estão sempre a mudar de nome). Uma coisa, no entanto, permanece exactamente idêntica: o gosto dos franceses em andarem à porrada com a polícia. Se nos lembrarmos que no Maio 68 o número total de mortos, apesar de todos os confrontos, se limitou a cinco – dois estudantes, dois operários e um polícia (três dos quais por razões acidentais: um estudante, um operário e o polícia) –, percebe-se que o desporto, apesar de algum pouco risco, compensa ser praticado.

SOCIALISMO     POLÍTICA

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Maria RibeiroTelles: desconcertante artigo  mas é o que os influenciadores do povo, tentam convencer o povo ; que só tem paciência para ver programas da tarde e alguma novela. Como se muda se não existe educação (ensino independente ) ?                   JOHN MARTINS Nem mais nem menos. Um artigo cheio de sátira que ajuda a branquear o socialismo em que portugal já está metido e prometido. Se fosse só ficção analítica, teria a sua aceitação apropriada; mas a realidade, aqui e a li referenciada é bem patenteada no vasto sector, social, económico, educacional, institucional desde a defesa a todos os orgão de soberania. Fraco retrato daquilo que temos. O SOCIALISMO.             António Marques Caro Paulo Tunhas A ironia e o sarcasmo sofisticados do seu texto parecem-me também já um grito de desespero de quem, como muitos de nós, já percebeu que não vamos conseguir travá-los. Se me permitisse, sugeria-lhe que lesse, se ainda não leu, o artigo da jornalista Rita Tavares publicado ontem no Observador “Duas pontes, um metro e Medina com "novo espírito"”, e depois se o entender nos dissesse se não parece algo estranho, ou até um pouco esquizofrénico (já que estamos em maré de especialistas de psiquiatria), que você e a referida jornalista escrevam no mesmo jornal.           Fernando CE: Deliciosa crónica. Só falta adaptar a música e letra do Companheiro Vasco  e  ver alguém a perorar contra os direitistas malvados num comício em qualquer pavilhão desportivo. Ah, e passar a haver a oferta de um dia de trabalho para a  Nação e quando sugerido por um certo MFA a limpeza das ruas pela população. Que saudosos tempos ( tinha eu 18-19 anos).              José Manuel Pereira Mais uma crónica de antologia... Para eternizar a patranha só falta um novo mantra a dizer que: "No fim, com o socialismo ficará tudo bem. Se ainda não está tudo bem é porque ainda não chegámos ao fim". O baixo nível em todos os aspectos deste pobre povo (e noutros países foi e é igual) "papa" destas coisas, esse é de facto o mal de tudo o que se passa nesta grande farsa a que vamos sobrevivendo cada vez pior: "a democracia liberal só é profícua com desenvolvimento intelectual e económico" de forma a tentar impedir que se possa chegar à traição das elites quando em vez de governar a Nação se governem a si próprias. Nesse caso, isto pode tornar-se num exercício de muito mau gosto e é o caso em Portugal e não só em Portugal... Infelizmente não estamos sós nestas patranhas bem sucedidas e os resultados são desastrosos. Bom, e pergunto: que é feito da oposição? Já não há? É que a oposição é tão conivente quanto o PS e seus apaniguados.

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