segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

«No princípio era o verbo»


Já se dizia na Bíblia, repositório de histórias ora menos ora mais rígidas, de modo que poderemos sempre referir as cláusulas da vida, até mesmo em verso popular, como o meu pai costumava cantar, dedilhando na sua viola: «Liberdade, liberdade Quem na tem chame-lhe sua Eu não tenho liberdade Nem de pôr o pé na rua» «São tão bonitas as carvoeiras, são tão catitas as bailadeiras! Oh que belo rancho da mocidade, Canta a rapariga, viva a liberdade!»

Mais tarde li Fernando Pessoa que reivindica o prazer de não ler um livro no seu poema Liberdade de que eu própria fixei umas partes, no prazer que me dava a permissão de não ler, reduzindo convenientemente a nada o estudar. Sem discussão. Nem avisos de mais ou menos rispidez, apenas com uns trocadilhos absurdos pelo meio, mas permitindo a tal experiência desastrosa ou impedindo-a conselheiralmente, como princípio educativo, segundo Miguel Tamen. Mas não tenho a certeza de ter interpretado a sua argumentação como princípio ou como conclusão verbal, sem rispidez embora.

A Interpretação Menos Ríspida

A diferença entre Interpretação Ríspida e Menos Ríspida é como a diferença entre olhar para um aviso ou regra como conclusão de um raciocínio e olhar para eles como princípio de discussão.

MIGUEL TAMEN Colunista do Observador, Professor (e director do Programa em Teoria da Literatura) na Universidade de Lisboa

OBSERVADOR, 01 dez. 2024, 00:161

Avisam-nos de que a loja fecha às sete, de que um soneto tem catorze versos, e de que só posso falar durante quatro minutos. A estes avisos podem aplicar-se a Interpretação Ríspida e a Interpretação Menos Ríspida. Segundo a Interpretação Ríspida, um décimo quinto verso exclui o meu soneto do concurso A Arca de Petrarca; o microfone será desligado ao quarto minuto; e depois das sete darei com o nariz na porta da loja. Alega-se que as consequências são nocivas, e que a Interpretação Ríspida ignora o muito bem que eu poderia fazer se as circunstâncias fossem outras. Nesses apertos parecerá preferível a Interpretação Menos Ríspida.

A Interpretação Menos Ríspida concede perfunctoriamente que convém que as horas de fecho do comércio sejam observadas, que a oratória seja contida em público, e que os sonetos não se prolonguem indefinidamente; mas, ao contrário da Interpretação Ríspida, defende que o melhor modo de conseguir esses resultados é pregar pequenos sustos a quem contemple não agir segundo essas conveniências. Sugere em consequência que todos os avisos devem ser entendidos como sustos que se pregam para benefício posterior dos assustados. Da Interpretação Menos Ríspida segue-se que poderei entrar na loja depois da hora para que aprenda a chegar antes da hora; que o meu soneto de quinze versos será admitido a concurso para que num próximo concurso os meus sonetos tenham catorze; e que me será permitido falar demais para que eu venha a falar menos.

A subministração da clemência é contudo em todos estes casos acompanhada por explicações circunstanciadas. Interpretar avisos segundo as regras da Interpretação Menos Ríspida consiste em reconhecer que qualquer pessoa tem as suas razões, mas também em assustá-la em pormenor com a possibilidade de que qualquer pessoa pode decidir não as ter. A satisfação do pedido exige qualidades extraterrenas, mas apesar disso insiste-se nele. A Interpretação Menos Ríspida é assim um modo louco de entender combinações entre os humanos, nomeadamente os arranjos comerciais, a educação de crianças, o direito penal, a interacção com médicos, o funcionamento dos relógios, e a organização política das comunidades.

A diferença entre a Interpretação Ríspida e a Interpretação Menos Ríspida é como a diferença entre olhar para um aviso, uma lei ou uma regra como a conclusão de um raciocínio e olhar para eles como o princípio de uma discussão. Quando olhamos para um aviso como uma conclusão não esperamos que naquela matéria haja muito a discutir. Se pelo contrário olhamos para um aviso como um barulho preliminar, o aviso dissolve-se nas nossas razões. Para a Interpretação Menos Ríspida, um aviso consiste em tentar assustar o público com barulhos preliminares na esperança de o forçar a chegar à conclusão de que deve esquecer as suas razões; mas o público, percebendo logo que se trata de barulhos Menos Ríspidos, quase nunca chega à conclusão pretendida.

ERRO EXTREMO      OBSERVADOR

COMENTÁRIO

Francisco Almeida:Miguel Tamen, provavelmente sem tal lhe passar pela ideia, definiu paradigmaticamente os povos alemão e português.

domingo, 1 de dezembro de 2024

Os combates são outros


Impregnados de receios pelas reacções dos doutrinadores –da nossa marginalidade didáctica - que reduziram a glória dessas proezas dos antepassados às chufas centradas sobre escravos e escravaturas e escravizadores, única lição que lhes convém propalar aos quatro ventos da sua facúndia virtuosa e fraudulenta. Um desses, por sinal, prémio Nobel da literatura nacional, até forjou extensa obra impregnada de zombaria aos reis construtores de enorme convento em Mafra, símbolo da dimensão acarretada de tais escravidões e escravaturas, prolongada nos obreiros desse convento de tão extenso memorial, que só a exploração produziu, jamais a intrepidez - ambiciosa, é certo, mas também corajosamente aventureira, dos exploradores. Por isso, qualquer tentativa de erguer um museu por cá que fosse glorificante desse povo minúsculo e gigante que deu início a uma epopeia ímpar, só poderia provocar, por cá, não já chufas literárias mas o ataque e a destruição, favorecidos pelos actuais dinamizadores dos bons sentimentos mártires, digo, sobre os mártires povos-alvo desses descobrimentos, tornados progressivamente ditadores, no seu alastramento mundial, docemente defendidos pelos actuais doutrinadores da farsa histórica universal.

Desaparecido em combate

Já lá vão dez anos em que pessoas de boa vontade andam a tentar impulsionar uma estrutura que evoque, mostre e explique o que foram os Descobrimentos dos portugueses nos séculos XV e XVI.

JOÃO PEDRO MARQUES Historiador e romancista

OBSERVADOR, 01 dez. 2024, 00:202

O assunto terá caído no esquecimento, poucos se lembrarão dele, mas houve um tempo, mais precisamente o biénio de 2017-18, em que um candidato à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, e, depois, seu efectivo presidente, teve como um dos seus objectivos prioritários a criação um Museu das Descobertas. Falo, claro está, de Fernando Medina que enunciou explicitamente, e por estas palavras, o objectivo de pôr de pé uma “estrutura polinucleada na cidade (de Lisboa) que inclua alguns espaços/museus já existentes e outros a criar de novo, e que promova a reflexão sobre aquele período histórico (dos Descobrimentos) nas suas múltiplas abordagens, de natureza económica, científica, cultural, nos seus aspectos mais e menos positivos, incluindo um núcleo dedicado à temática da escravatura”.

Contra este projecto levantaram-se, em 2018, sob a forma de carta aberta publicada no Expresso, as vozes de 114 académicos, quase todos de esquerda e vários dos quais estrangeiros, e, em artigo de opinião no Público, as de uma centena de afrodescendentes. Essa recolha de 200 assinaturas — ou nem isso pois algumas pessoas assinaram ambos os textos — foi o suficiente para Fernando Medina se encolher e deitar às urtigas o seu projecto que, recordemo-lo, era “prioritário”. É para mim incompreensível como pessoas que têm — ou diz-se que têm — altas aspirações políticas se retraem perante pequenos obstáculos no caminho e minudências políticas como estas. Que aconteceria se um dia estivessem à frente de um governo e tivessem de enfrentar uma contestação a sério? Mas deixemos essa pergunta sem resposta, porque isso são contas de outro rosário, e voltemos ao Museu das Descobertas.

Defendi em devido tempo a criação desse museu, fi-lo, aliás, por diversas vezes, e continuo a fazê-lo e a considerar que deverá designar-se por Museu dos Descobrimentos. Como é óbvio, não subescrevi a já referida carta aberta dos 114 académicos que o contestavam, ainda que tivesse sido convidado a fazê-lo. A razão que me leva a, neste momento, recordar tudo isso relaciona-se com uma recente conferência na qual o historiador Santiago Macias, actual director do Panteão Nacional e que foi a pessoa indigitada para dirigir, na sua fase inicial, o projectado Museu das Descobertas, apontou as vicissitudes desse projecto e deixou várias sugestões a seu respeito. Santiago Macias também lembrou que, ainda antes do abortado projecto de Fernando Medina, houve, em 2015, a ideia de fazer um centro interpretativo sobre os Descobrimentos que funcionaria numa réplica (a construir) de um navio quinhentista e que poderia ser visitado na Ribeira das Naus. Logo nessa altura se levantaram várias objecções mais ou menos ociosas — uma vocação ou deformação muito portuguesa — e essa excelente ideia nunca passou do papel.

Isto quer dizer — e é o que mais importa sublinhar — que já lá vão dez anos sucessivos em que pessoas de boa vontade andam a tentar, sem sucesso, impulsionar uma estrutura que evoque, mostre e explique o que foram os Descobrimentos dos portugueses nos séculos XV e XVI. Como disse Santiago Macias na sua recente conferência, o projecto do Museu das Descobertas continua a fazer todo o sentido, independentemente da vereação que esteja à frente da Câmara Municipal de Lisboa, e mesmo que não disponha de uma colecção permanente, mas tão só colecções itinerantes que permitam ir mostrando diversos objectos museológicos em combinação/associação com outros museus. Não seria um museu no sentido clássico da palavra, mas um centro de interpretação alargado e aberto a visitantes nacionais e estrangeiros e, sobretudo, às escolas.

Ou seja, trata-se de um projecto de interesse não apenas da cidade, mas verdadeiramente nacional, que se prende com a construção, preservação e transmissão da memória que Portugal deve ter de importantes momentos da sua História e, num plano mais amplo, do passado de toda a humanidade. Que eu saiba — e corrijam-me se estiver errado — o actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, nunca se pronunciou sobre isto. Não desejará fazê-lo? Terá vontade política e sentir-se-á capaz de assumir este encargo e esta meta nos termos, acertados ou adequados, em que Fernando Medina a pensou, isto é, pôr de pé um museu que nos traga os Descobrimentos nos “seus aspectos mais e menos positivos, incluindo um núcleo dedicado à temática da escravatura”? Não quererá constituir uma equipa que integre pessoas que dominem o tema e que tenha a dirigi-la alguém capaz de decidir e de avançar, sem receio dos escolhos que certamente surgirão, para repor este projecto em marcha? Na expressão “repor este projecto em marcha” incluo pensar como concretizá-lo, com que programa, com que custos ou financiamentos e em que localização ou localizações. Já várias se sugeriram, incluindo o edifício do antigo Banco Nacional Ultramarino, na Rua Augusta, onde agora está o MUDE (Museu do Design). Eu, seguindo a opinião do meu colega Santiago Macias, preferiria o Palácio dos Condes da Calheta, no topo do Jardim Botânico Tropical, que teria, entre outras vantagens, a de ser relativamente próximo de outros núcleos ou monumentos relacionados com a época em causa, desde os Jerónimos à Torre de Belém ou ao Padrão dos Descobrimentos. Não quererá Carlos Moedas salvar e reanimar um projecto aparentemente desaparecido em combate?

DESCOBRIMENTOS     HISTÓRIA     CULTURA     MUSEUS

COMENTÁRIOS

Manuel Martins: Portugal deverá ser dos poucos países europeus que, tendo sido um império e tido um papel na história mundial, e que não possui um grande museu na sua capital: veja-se Madrid, reflectir a história, como são enormes fontes de turismo e receitas. É verdade que temos em Lisboa alguns museus temáticos que são muito visitados (Coches, Arte Antiga, Marinha), mas nenhum que faça alguém vir especificamente vê-lo.                   Licínio Bingre do Amaral: Efectivamente faz falta um museu dos Descobrimentos que concentre a história desse período de grande inovação e liderança para Portugal. Espero que se venha a concretizar num futuro próximo.                    João Floriano: Lembro-me perfeitamente deste projecto do Museu dos Descobrimentos e associo-o com outra discussão que surgiu mais ao menos ao mesmo tempo e que tinha a ver com o Memorial da Escravatura. No entanto posso estar a confundir os factos. Este Memorial da Escravatura era suposto ficar junto ao Museu das Descobertas. Acabou por ser encaminhado para o Campo das Cebolas próximo à Casa dos Bicos e neste momento não sei em que fase se encontra o projecto. É evidente que um Museu das Descobertas só poderia provocar um imenso alarido na comunidade woke. E também é inegável que seria de enorme valor académico e cultural porque cobre um período impar da História de Portugal, da Europa e do Mundo. Espero que embora momentaneamente desaparecido em combate, seja resgatado em breve.

Sintoma


De que o bom senso não desapareceu totalmente. O que é preciso é que pessoas como o Dr. Jaime Nogueira Pinto permaneçam por cá longo tempo, com a nobreza e inteligência de uma postura modelar, que sirva de exemplo e de espírito pedagógico a apontar o caminho – da hombridade acima de tudo, e, naturalmente, do saber real.

O luto continua

Tudo leva crer que os grandes media, aparentemente intocados pelos sucessivos embates com a realidade, continuem a saltar de surpresa em surpresa e de luto em luto.

JAIME NOGUEIRA PINTO Colunista do Observador

OBSERVADOR, 30 nov. 2024, 00:1866

A 4, 11 e 18 de Dezembro vou falar aqui na Academia do Observador sobre “Quem foi Salazar?”; não para o defender, mas para olhar para a época (cá dentro e lá fora), e para a pessoa na época, longe das diabolizações – ou das beatificações – do costume.

Como alguns terão presente, já “defendi” Salazar, ou seja, já fui seu “advogado de defesa” num concurso que a RPT realizou entre Outubro de 2006 e Março de 2007 e que foi toda uma novela.

Os Grandes Portugueses era a edição nacional de um modelo criado pela BBC (The Greatest Britons of All Times) e exportado para o resto do mundo. A partir de uma lista de 100 personalidades, históricas e actuais, o público escolhia aquela que considerava “the greatest”. No Reino Unido ganhara Churchill, na Alemanha, Adenauer, nos Estados Unidos, Ronald Reagan, na África do Sul, Nelson Mandela. Aqui ganhou Salazar.

Salazar começou por não constar da “lista de sugestões” apresentada “aos portugueses” pela direcção do programa – lista que incluía, por exemplo, Álvaro Cunhal, Otelo Saraiva de Carvalho e António Variações –, sendo depois acrescentado à pressa, para não alimentar a inesperada polémica que a sua exclusão logo gerou. Das 100 personalidades iniciais chegava-se, por votação do público, a 10, e para cada uma dessas 10 a organização escolhia um advogado. Como, suponho, não havia muito quem quisesse ficar com Salazar e a organização do concurso me contactou, avancei.

Quando chegaram os resultados finais com as escolhas “dos portugueses” e António de Oliveira Salazar foi dado como vencedor com 41% dos votos, a surpresa e o luto invadiram o estúdio e o incómodo foi confrangedor. A sala onde havia todo um banquete preparado para festejar os 50 anos da RTP, que coincidiam com o fim do programa, foi fechada, e os croquetes, os rissóis, as empadas, as bebidas por lá ficaram ao abandono. Mesmo tratando-se de um concurso, como fora possível? Se o candidato não era sequer listável, quanto mais elegível, como fora possível?

Apesar de se tratar de um simples concurso, foi um primeiro embate dos media e de algumas forças vivas domésticas com “um outro país” que ousava escolher o inescolhível.

Good mourning again

The Spectator – que teve, quanto às últimas eleições americanas, a prudência que outras publicações do Reino Unido, como o Financial Times ou The Economist, abandonaram – pôde escrever em editorial na sua primeira edição pós-eleições, depois de um ano de derrotas para os governos e partidos no poder: “For Democrats it is mourning again in America”.

Este “novo luto” (mourning), continuava o Spectator, era a consequência de uma campanha eleitoral ou de um acompanhamento da campanha eleitoral baseado numa série de falsas evidências; e sobretudo “na loucura de querer impor aos eleitores aquilo que deviam pensar”.

A perda de contacto com a realidade, a abstracção dos interesses reais das pessoas a troco de uma versão mítica da verdade de elites que acham que pensam bem e conhecem melhor que os próprios os interesses de leitores, espectadores e eleitores, ou até que são donos de certas “minorias” e podem com isso condicionar as maiorias, é o que tem caracterizado o pensamento da Esquerda e de muito Centro na Euro-América. Ninguém gosta de ser tutelado. Ninguém gosta que lhe seja retirado da lista determinado candidato, literalmente ou por diabolização sistemática. O “povo” tem dessas coisas.

As coordenadas culturais e políticas deste pensamento estavam já estabelecidas como doutrina dominante desde o fim da Guerra Fria e da formulação do globalismo liberal-democrático por Fukuyama e outros. Mas foi a crise de 2008 que agudizou a distância entre os modernos optimates e o populo.

Maquiavel, o fundador da Ciência Política moderna, entendeu bem do que se tratava; não no Príncipe, mas nas suas obras maiores, escritas no exílio interno de San Casciano, onde defendeu os valores da Republica Romana – a Pátria e a Liberdade.

São estes valores, nas suas versões modernas, o valor da Liberdade da Nação e na Nação, que os americanos e os europeus estão a redescobrir pelas consequências da sua ausência nas suas vidas. Mas como os grandes media e algumas elites continuam aparentemente intocados pelos sucessivos embates com esta e outras realidades, o mais certo é que continuem a saltar de surpresa em surpresa e de luto em luto.

Salazar e o futuro

Salazar, que desconfiava da democracia partidária e do voto popular e que era avesso a arraiais e folclores, até ao folclore do fascismo, ele que das poucas coisas que previu foi a inevitabilidade da mudança de nome da Ponte Salazar num futuro não muito longínquo, também havia de ficar surpreendido com a sua própria vitória num concurso popular, depois da revolução e de anos de intensa retórica anti-fascista. O regresso da trilogia do Estado Novo – Deus, Pátria e Família – também o intrigaria, sobretudo pelas novas roupagens que agora vestia. E o seu triunfo na América, país de que não gostava muito e que por isso fazia de conta que não percebia, também. Tanto mais pela mão de um político como Donald Trump, que, além da habitual suspeita, lhe causaria provavelmente uma certa perplexidade.

A SEXTA COLUNA    HISTÓRIA    CULTURA     SALAZAR    PAÍS

COMENTÁRIOS (DE 66)

José B Dias: Incrível como o resultado de um concurso televisivo conseguiu levar ao cancelamento da comemoração do 50 Aniversário da RTP ... e o espírito que a tal levou continua vivo e pujante entre as mesmas pseudo elites!                   Fernando ce: Muito bom. A sua voz é indispensável nos dias que correm. Sou essencialmente uma pessoa de centro direita e não entendo como os partidos dessa área vivem com medo que lhes chamem reaccionários, de direita radical ou até fascistas, se defenderem aquilo que interessa à esmagadora maioria da população. Contemporizam com a agenda da esquerda woke, passe o pleonasmo, e de uma certa esquerda dita moderada e bem pensante que vive numa bolha de privilegiados na sua maior parte.                 Américo Silva: Salazar e o salazarismo ensinaram-me duas coisas hoje completamente esquecidas: silêncio e espírito de sacrifício. Quanto ao silêncio, Marcelo, Zelensky, as redes sociais, a publicidade e mais, provocam vertigens; o espírito de sacrifício é combatido desde a mais tenra idade, da creche à universidade, nas relações de trabalho, comerciais ou afectivas.                     Maria Nunes: Muito bom. É necessário ser corajoso para falar de Salazar, nos tempos que correm. Obrigada, JNP.                        Novo Assinante:Um fascista a falar de outro fascista.                       Manuel F: Obrigado por lembrar o concurso promovido pela RTP que elegeu o Salazar como a maior figura do País, foi bonito de se ver. Naturalmente falar do Salazar traz-nos recordações, aos mais velhos, que não fica mal referir a título de exemplo e comparação com os tempos actuais: Recordo-me que na minha aldeia, no interior do país já perto de Espanha, os trabalhadores agrícolas quando andavam no campo e queriam acender o cigarro “definitivos” olhavam para o lado, não viesse algum fiscal multá-los por estarem a usar isqueiro, em vez de fósforos. Isto era real, e refletia até onde chegava a acção das forças de fiscalização, sem dúvida dum exagero absurdo, principalmente visto com os olhos de hoje; Também me recordo que os motoristas, principalmente, de camiões, para não passarem junto ao posto da GNR de trânsito que ficava dentro da vila e na estrada nacional, andavam por atalhos com medo de serem multados, principalmente se tivessem o motor a gastar mais óleo do que o devido. Hoje, a toda a hora, tenho que reduzir a velocidade para deixar afastar viaturas que empestam o ar com óleo queimado a sair do tubo de escape, quer na cidade quer fora, e não há brigada de trânsito que veja essa vergonha, contudo os cretinos das manif sobre o ambiente, gritam sobre tudo e não apontam as situações mais gritantes como estas. Na minha juventude criticava o Salazar, enquanto o meu pai o defendia e hoje não posso deixar de o admirar, por muitos motivos, destacando, entre outros, a honestidade. Segundo li numa biografia do Dr. Salazar, habitando ele a residência de primeiro ministro em São Bento, reservava o primeiro piso para actos oficiais, sendo os encargos desse piso da conta do Estado e pelo segundo piso que ele habitava pagava uma renda ao Estado, certamente que hoje se passa o mesmo…                              GateKeeper: Top 5. E, caro Jaime, é para ficar. Parabéns.                        afonso moreira: O Salazar e o seu regime incomoda muita gente, pois sempre tentaram "escondê-lo", ao longo destes últimos 50 anos, porque simplesmente têm muito receio que o povo faça comparações com os governantes e elites que temos tido e os resultados desta governação. A liberdade claro que não é comparável. Mas, pergunte-se a um aldeão de Trás os Montes, Beiras, Alentejo, etc, que hoje são absolutamente livres, mas livres num deserto de pessoas, se não trocariam um pouco dessa liberdade por tantas outras coisas que os seus pais e avós já tiveram, aí, naquilo que sempre foi a sua terra? E tanta Terra deste país que foi simplesmente abandonada nestes últimos 50 anos! Bem haja a JNP, por ter a coragem e com a sua sabedoria, dar voz a tantos incorformados e não nostálgicos. Salazar não volta e o seu regime também não. Os tempos são outros e as pessoas também e devem ser tratadas como adultas.                     unknown unknown: As pessoas não aceitam a imposição de candidatos e uma maioria vai votar contra, somente para afirmar o direito a recusar as imposições das elites, vai acontecer isso com o Chega!                     Maria Emília Santos Santos: Excelente crónica! Precisamos de gente como o senhor que escreva coisas com nexo, a ver se alguma coisa de bom permanece, porque a verdade e a História estão sobejamente ameaçadas!                    Alfredo Freitas: Sou intrinsecamente de centro direita, sou conservador, gosto de disciplina em todas as actividades sociais, detesto arruaças, apoio as autoridades quando repõem a ordem democrática, acho que o Parlamento está longe de corresponder ao que penso ser a dignidade democracia que aquele lugar devia mostrar, acho a grande maioria dos parlamentares sem estatura intelectual, moral, cívica, cultural necessária para função, acho que são demais. Estou convencido que muitos portugueses eleitores do PSD e do CDS pensam assim, de modo que não consigo perceber porque é que estes partidos não respondem à letra aos partidos da esquerda, parece que têm vergonha de ser o que são, como não entendo o silêncio sem rebate e até algum escárnio às baboseiras do wokismo e não dizem, por exemplo, que se forem governo despedem imediatamente os chamados investigadores, bolseiros e quejandos que recebem ordenado do Estado anos a fio para propagarem estes disparates e denegrirem a nossa História, destruírem património nacional. As últimas eleições mostraram que, sociologicamente, a maioria dos Portugueses são de centro direita e que estão fartos de esquerdismo.                     Carlos Medeiros: Imagine-se se os governantes actuais tivessem de gerir e conduzir o País na segunda metade da década de 30, com uma sangrenta guerra civil aqui ao lado, um Franco implacável, e, durante a WW2 com as principais potências envolvidas numa feroz guerra mundial, um Churchill: pensava que um mundo era dele, queria roubar os Açores, um assassino em Moscovo ainda pior daquele que lá está hoje. Para não falar do imbróglio do volfrâmio que ia dando cabo do António. Se as meninas loiras da Europa e o pindérico bronzeado que ontem foi eleito presidente, tivessem de viver esses tempos BORRAVAM-SE TODOS DE MEDO.                     Nuno Abreu: Fico muito contente por saber que Jaime Nogueira Pinto vai explicar Salazar. Salazar para mim, pessoalmente foi um grande homem. Trabalhei para ele quando tinha dezanove anos. Desempregado, a morrer á fome, fui bater à porta da Assembleia da República pedindo para falar com ele. Fui recebido  por um funcionário que me marcou uma entrevista com o secretário particular dele, Dr Batalha Ribeiro, para dai a uma semana. Alguma vez isso era possível hoje? Passados quinze dias estava a tratar da sua correspondência particular, passando-me pela mão milhares de pedidos de auxílio que eram encaminhados para os diferentes ministérios para que dentro do possível fossem satisfeitos. Tem isso algo a ver com o procedimento de hoje dos nossos governantes? Claro que mais tarde tomei conhecimento de algumas injustiças praticadas pelo regime, nomeadamente a censura, a perseguição politica ou o para Angola em força, de que eu próprio fui objecto indo parar a Moçambique e alterando completamente o rumo da minha vida. Muito obrigado por falar de Salazar sem complexos, sem a azia destes esquerdalhos ressabiados por não conseguirem cometer os crimes que os comunistas cometem no mundo quando chegam ao poder!