sexta-feira, 2 de maio de 2025

Demasiada energia


Neste didáctico texto, para o meu “armazenamento investidor”, por via de “apagão” cerebral pessoal. Mas aqui fica o registo de quem tem e para quem tem o entendimento mais esclarecido - e sobretudo, em termos comparativos, (até por via do tal “apagamento” eléctrico vivido na altura) – motivo para, em réplica de oposição, acender as células dos comentadores políticos, para ditames pessoais atacantes das células dos seus opositores governantes, como se viu em recente debate acusatório, entre líderes do PS e do PSD, em que o apagão luminoso foi trocadilho acutilante para ataque aceso ao apagamento celular cerebral do actual governo, que soube, naturalmente, defender-se com energia qb.

Mas é um texto esclarecedor em termos de possibilidade de armazenamento energético futuro, auxiliar da natureza em redor, ad aeternum. Embora, com pena minha, de resto inútil, eu já cá não esteja para assistir, mas basta que o sol e os ventos ainda se mantenham, a cumprir as suas obrigações angariadoras desse poder litigante nos homens. E nas mulheres também, está claro, sendo que – e transcrevo da Internet, “As alterações climáticas são um dos maiores problemas que o mundo enfrenta actualmente. Este é um tema que nos afecta a todos, enquanto sociedade, e que, de forma muito particular, afectará as gerações vindouras e o futuro do nosso Planeta. Sendo o nosso propósito, enquanto organização, a criação de confiança na Sociedade e a ajuda na resolução de problemas importantes, não poderíamos deixar de entender este tema como central na nossa actuação e estratégia ……”.

Mas leiamos o texto de JOÃO MARQUES ALMEIDA e os comentários que mereceu, demonstradores de que também ao Homem e não só à Natureza, compete, cada vez mais, a renovação das energias estabilizadoras da integridade humana, nessa questão de “apagão” sempre possível, ai de nós:

Esqueçam o “net zero” em 2050, morreu

Os investimentos competem a privados e estão a acontecer. No futuro haverá capacidade para armazenar energia renovável de um modo substancial. Mas o apagão recuperou o debate sobre o “net zero" em 2050.

JOÃO MARQUES DE ALMEIDA Colunista do Observador

OBSERVADOR, 01 mai. 2025, 07:2924

Ninguém sabe quais foram as causas do apagão desta semana em Espanha e em Portugal. Como não se sabe, há explicações de todo o tipo, de acordo com as preferências políticas de cada um. Eu não tenho explicações, e não sei se o aumento das energias renováveis está relacionado com a queda da energia. Além disso, acho muito bem que se invista na energia renovável. Não só é mais limpa do que a energia a carvão, como trouxe benefícios económicos a Portugal. Aumentou o investimento estrangeiro, criou postos de trabalho de qualidade e fez da EDP uma das melhores empresas do mundo em energia renovável.

Mas o crescimento das energias renováveis exige outros investimentos. Por um lado, é necessário melhorar as infraestruturas que ligam as fontes de energia aos consumidores. Isso compete, em primeiro lugar, ao Estado, mas pode ser feito em parceria com investidores privados. Aliás, deve ser feito já que os recursos públicos não chegam para tudo. Simultaneamente, é necessário investir na inovação tecnológica que vai permitir armazenar as energias eólica e solar para serem distribuídas quando são necessárias. As energias renováveis devem servir as necessidades da população, não podem resultar apenas do vento soprar ou do sol brilhar. Esses investimentos competem ao sector privado, e estão a acontecer. No futuro, haverá capacidade para armazenar energia renovável de um modo substancial.

Mas o apagão recuperou o debate sobre o “net zero” para 2050. A imposição de metas para a transição energética iniciou-se em meados da primeira década deste século com uma aliança entre o então PM britânico Tony Blair (que agora é contra o “net zero”) e Angela Merkel, ainda antes de chegar a Chanceler alemã mas já líder da CDU. Ambos acreditavam na necessidade da transição energética, mas também usaram-na para outros objectivos políticos. Blair precisava de sossegar a ala mais à esquerda dos trabalhistas, por isso deu-lhes políticas verdes em troca de manter as receitas económicas de Thatcher. Merkel queria conquistar votos aos Verdes na Alemanhã, ou então preparar futuras coligações com o partido ambientalista.

As instituições europeias, Comissão, Parlamento, e os governos nacionais assumiram a “agenda verde” e adoptaram legislação, com o estabelecimento de metas para toda a Europa. As metas da transição energética foram impostas de cima para baixo, por uma coligação das elites políticas europeias e grande parte da comunicação social. Tudo correu bem quando a agenda verde dava popularidade aos governos, era apoiada pela opinião pública, e a generalidade da população não sentia os custos de alcançar as metas ambientais.

Nos últimos anos, os custos tornaram-se evidentes. As indústrias europeias perdem competitividade com os concorrentes americanos e chineses. As pequenas e médias empresas enfrentam custos muito elevados, e em muitos casos correm risco de sobrevivência. Os consumidores não têm ordenados suficientemente altos que lhes permita pagar a transição energética. Mas também é necessário investir muitos milhares de milhões de euros para atingir as metas europeias. E agora todos perguntam: onde está o dinheiro para investir?

Pior do que tudo, enquanto a transição energética prejudica a economia europeia e o bem-estar dos europeus, os grandes poluentes mundiais, como a China, os EUA e a Índia continuam a poluir. A Europa pode atingir as metas que foram legisladas, mas se o resto do mundo não acompanhar, quase nada muda nas emissões globais. Na Europa, as fantasias chegaram assim ao fim, mesmo que alguns ainda não tenham percebido.

As políticas ambientais e o combate à poluição na Europa devem respeitar, a partir de agora, três princípios. Têm que ser feitas com as empresas, com a inovação empresarial, e não contra elas. Os consumidores europeus não podem perder qualidade de vida. Por fim, será necessário alterar as metas actuais. São completamente irrealistas e nunca serão atingidas. Convinha também combater tabus ideológicos, sobretudo das esquerdas, e investir na energia nuclear. As novas gerações de reactores nucleares são mais seguros e mais limpos. E continuarão a melhorar com a inovação tecnológica.

O investimento na defesa e a alteração das metas para a transição energética, incluindo o fim do “net zero” para 2050, farão parte do novo realismo político europeu. O tempo das ilusões, e da transformação dessas ilusões em legislação europeia, chegou ao fim.

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS     CLIMA     AMBIENTE     CIÊNCIA     ENERGIA     ECONOMIA

COMENTÁRIOS (de 24)

Ruço Cascais: Armazenar o excedente produzido pela energia solar é caro. As baterias são muito dispendiosas. Um exemplo que trago sobre produção de energia solar caseira. Acabei de participar no projecto e construção de uma moradia XPTO, carregada de domótica e painéis solares. 10 painéis solares de 460 w cada. Num dia com bom sol, o inversor indica uma produção de 3800/4200 w, ou seja, 4 kW hora, o que já é excelente para uma moradia T3. Para a coisa ser ainda mais sustentável colocamos 4 baterias de 2,8 kW cada para armazenamento de energia. Total 11,2 kW mas a carregar apenas 80% para poupar as baterias. 9 kW de armazenamento. Para podermos colocar baterias tivemos que comprar um inversor híbrido, porque também os há simples, só que esses não servem para as baterias. A coisa funciona bem. Os painéis solares produzem energia, alimentam a maioria das necessidades energéticas da casa incluindo uma viatura plug-In (a carregar a 2,1 kW) e carregam as baterias. Baterias carregadas e o excedente vai para a rede. Certificação do sistema e podemos vender esse excedente a uma diversidade de empresas incluindo por exemplo a MEO. Com o apagão o sistema não funcionou mas pode funcionar totalmente fora da rede enquanto produzir energia solar e tiver carga nas baterias. É necessária mais uma intervenção no inversor com mais uma passagem de um cabo para o quadro eléctrico e escolher as luzes, tomadas e equipamentos que queremos integrar no sistema solar fora da rede. Sim, depois, podemos ter um sistema a funcionar fora da rede com algumas limitações na utilização de equipamentos como por exemplo a máquina de lavar roupa. Tudo o que tem motores consome muita energia. Sim com muita dedicação podemos só pagar o aluguer do contador de electricidade que é obrigatório ter. Tudo muito bonito mas com um investimento brutal. Além disso para conseguir tal feito é preciso: 1. Espaço para colocar painéis 2. Espaço para colocar o inversor na parede e as baterias no chão. As baterias são grandes e pesadas. 3. Infraestruturas eléctricas existentes na habitação em boas condições. 4. Disponibilidade financeira para fazer o investimento. Em edifícios de habitação novos e modernos o projecto pode ser pensado para garantir um sistema destes para cada inquilino com a colocação de painéis no terraço da cobertura havendo espaço previamente pensado. Em prédios antigos é praticamente impossível. Um dia destes, vão descobrir que as energias renováveis são uma coisa de ricos. A EDP vai ajudar na festa. As energias renováveis começam a ser taxadas forte e feio, os painéis solares serão equiparados a piscinas para cálculos do IMI e as esquerdas gritarão nas ruas: QUEM TIVER ENERGIAS RENOVÁVEIS QUE PAGUE A CRISE!  O grande receio das energias renováveis é que as políticas mudem e comecem a taxar.             Lourenço Sousa Machado de Almeida: Há décadas que há energia nuclear, sem qualquer emissão e sem poluir nada a não ser a caixinha de fantasmas dos ignorantes com a estória dos resíduos. Não há qualquer hipótese de as emissões de gases poluentes e de CO2 - que não é um gás poluente - chegarem a zero antes de 100 anos, se é que é necessário ir mesmo a zero. Fixar metas destas por motivos de imagem ou por ignorância é simplesmente criminoso, tal como foi impedir as crianças de ir à escola por causa de uma doença de velhos como o covid.               Carlos Chaves: Será que chegou ao fim, caro João Marques de Almeida? A Comissão von der Leyen contínua impávida e serena na prossecução das suas desastrosas políticas “ambientais”! Na Europa, estamos todos a sofrer da arrogância do “green deal”, imposto de cima para baixo, foi tudo a eito, mercados energéticos, empresas e cidadãos! Um exemplo concreto, o parque automóvel Europeu está a envelhecer e ninguém parece preocupado com isso. Querem-nos vender os carros eléctricos que nós não queremos, assim não vamos lá.                   D S: Segundo as Mortáguas e os Raimundos desta vida, se a REN fosse pública nada disto tinha sucedido. Realmente, a CP é pública e funciona muito bem, raramente estão em greve. A TAP é pública e também funciona extremamente bem, nem precisam de ajudas estatais de milhares de milhões. A solução é ser tudo público, meter os bloquistas, comunistas e socialistas nas gerências, que Portugal vai ficar à frente da Suécia, no mínimo.             Manuel Magalhaes: Quem te avisa teu amigo é… a Europa até dá vontade de rir, só dá tiros nos pés, ainda não percebeu que com a globalização os países são altamente concorrentes e teorias isoladas não levam a nada a não ser prejudicar os próprios habitantes


quinta-feira, 1 de maio de 2025

Como sempre

 

Pertinente e justa nos seus protestos e definições, a denunciar princípios morais e uma formação literária que ajuda ao seu discurso amplo de rigor crítico e elegância formal, eis a bela síntese de MARIA JOÃO AVILLEZ sobre o que se passou no apagão de cá e no de lá, no mundo...

Crónica em três tons

Ventura sabe que um dia vai ter que dar alguma coisinha aos seus 49 oficiantes ateus “desta” democracia, mas não sabe como. Mesmo que vá subindo a escada dos votos.

MARIA JOÃO AVILLEZ Jornalista, colunista do Observador

OBSERVADOR30 abr. 2025, 00:2032

Real

1Não saber? Mas como não saber se sabemos sempre tudo? Todos ao mesmo tempo, globalmente e ao segundo?

Não saber, não comunicar, não ser comunicado? Verbos arrumados na história, coisas do outro mundo. Do de antes. A estranheza era tão imensa como um oceano. Não cabia num dia. E foi a rádio, a “velhinha” rádio, formidável companheira e igual a nenhuma outra, que nos amparou aquela estranheza, sem referências, nem identificação.

E a luz veio ao pôr do sol. Acertadamente.

Dizem que Luís Montenegro tem sorte. Talvez. Mas o que por estes dias se viu foi acerto no ofício.

Irreal.

2Pior é difícil? A pergunta ouve-se em vários círculos alusiva ao que aí ficou: o “apagão” e a pré-campanha legislativa. Nada têm obviamente a ver uma com a outra, o “espírito” foi parecido.

A partir de anteontem à noite mas sobretudo no dia de ontem, o que se ouviu – oposições e parte da media – foi de estarrecer. Da asneira à solta à obsessão com a afanosa procura de “culpados”, os empurrões para que fossem “do” Governo, senão do próprio governo inteiro: com o maestro da orquestra governamental a reger a grande “Sinfonia do Apagão”, da sua autoria.

A asneira à solta, sim.

Quando se substitui a pergunta pela acusação; e quando o argumento principal é a suspeita, o insulto ou a irracionalidade, o jogo democrático está subvertido.

A minha grande perplexidade é porém outra: será que o eleitor comum se revê, ou coincide com a conclusão do líder da oposição e candidato a Primeiro Ministro sobre o “apagão” ibérico? Esta conclusão, por exemplo: “Faltou uma voz de comando e de serenidade”? (Onde, em quê? Que prejudicou ou agravou?)

Outra: “ o Governo falhou e devia ter usado rádio, de hora a hora, para tranquilizar populações”. E numa adenda à sua própria conclusão política, Pedro Nuno Santos conclui sem sombra de dúvida, como se tivesse passado pelo mesmo: o “mais grave foi que também tivemos apagão no governo central”.

O mais grave?

Pode ser que eu me engane mas a pergunta não me surge como despicienda: o eleitorado revê-se nisto? E adere às amostras de ignorância ou de má-fé – abundantes, ambas – distribuídas ontem pelo ar do tempo oposicionista?

3Pré campanha mortiça; promessas económicas de amanhãs que cantam; muito acinte, pouca substância; temas pescados na espuma dos dias e não no perigo dos dias; flagrante desfocagem – continuará ? – entre a comezinha visão doméstica com que nos entretiveram e a inquietante realidade do mundo como ele está. Cansaço? Também. Um cansaço triste. Fosse nos desinspirados debates televisivos, fosse na comemoração parlamentar do cinquentenário da Constituição: pouca convicção, modesto brio, fartas as culpabilizações recíprocas (e por parte de mais do que de menos, um indecoroso uso e abuso da figura do Papa Francisco – foi preciso ouvir para acreditar). Excepção para o Presidente da República. Se as palavras surpreenderam pela escolha do conteúdo – onde estava o jovem deputado Marcelo que em 1975 se sentou naquele mesmo parlamento inaugurando uma nova história política no país? – o seu discurso brilhou na construção da forma e da substância: na fluência e ritmo do verbo e na inteligência da sua devoção ao Papa Francisco.

4Os debates? Por partes:

Resistirá “este”(?) Pedro Nuno Santos (o dos debates) à sua própria natureza? Que caminho quis sinalizar com o uso da “moderação”? Para que escolhas aponta um repentino “centrismo”? Se no PS “funcionarem” os votos úteis, que fará o seu líder com eles? Ao menos a imprevisibilidade está intacta: afinal já não há CPI (mas ontem havia, com as consequências que se sabe).

André Ventura, dividido entre o seu asco ao vasto perímetro pluripartidário e liberal que é o nosso, e o terror de não saber o que fazer de si mesmo e de 49 deputados, se lá não entrar, Ventura agitou-se. Fê-lo deploravelmente, entre o caos e a histeria (o que foi particularmente visível no seu debate com Luís Montenegro, et pour cause). Agarrado à emigração como a uma bóia e ao retórico assassinato de meio século português (onde teve protagonismo, se encostou a quem podia e cultivou ambições). Ventura sabe que um dia vai ter que dar alguma coisinha aos 49 oficiantes ateus “desta” democracia, mas não sabe como, nem quando. Sim, mesmo que vá subindo a escada dos votos.

Luís Montenegro talvez não pudesse estar no seu melhor após a exaustiva e causticante saga “Spinumviva”, que logo de início tratou com menos apuro discernimento e cuidado do que ela mereceria (acho eu). Um erro aliás logo ferozmente devorado pelo gáudio e apetite das oposições. Isto dito, a diferença entre Montenegro e o resto dos líderes-debatentes-televisivos, não me parece uma fantasia: na serenidade, no comedimento, na razoabilidade, no saber do que fala. Na racionalidade política com que usa e pratica a própria política. Falta o grande debate.

Ouço dizer que Luís Montenegro leva vantagem. Não sei. Mas há algo que o país sabe: Montenegro governa há ano e meio, Pedro Nuno Santos esteve lá durante muito tempo, com altas responsabilidades – que hoje acusa não existirem nos seus sucessores – e o seu partido morou oito anos no governo. A diferença assustaria qualquer líder, mas o líder do PS não se assusta: é ele quem assusta.

Mas veremos.

Transcendente

Como um luto pode ser luminoso e como numa desolada despedida esteve o dom da alegria… Passou-se diante dos olhos do mundo no último sábado, na Praça de S. Pedro onde, encenado pela milenar sabedoria da Igreja, tudo esteve certo no derradeiro adeus ao Papa Francisco: a profundidade do verbo, o recolhimento, a dignidade. A solenidade. Os substantivos talvez não casem com este latino vivaço, olhar brilhante, sorriso aberto, sempre próximo do “outro”, que fez do Evangelho um mapa e da Igreja um “hospital de campanha”. Mas tudo assim se passou: soleníssimo – não poderia ser de outra maneira –; e sentidíssimo: o mundo quis estar presente.

Crentes e não crentes unidos numa união planetária, em nome de um pastor que interpelou uns e outros através do seu legado: foi mais longe do que os autores do permanentemente aberto caderno reivindicativo insistem em não reconhecer; levou a Igreja para fora das suas portas, atemorizando “instalados” que foram preferindo etiquetá-lo a segui-lo.

Entre duas “alas” porventura excessivas e nada generosas entre si – e nunca esquecendo os do “meio da ponte” – esteve Francisco: presente, atento, e andarilho das sete partidas; interveniente pela palavra em todos os cenários de guerra, activo no diálogo inter-religioso, autor de Encíclicas vitais como mandamentos. Fiel à doutrina, servindo o Evangelho, sabendo lidar com o mundo que levava ás costas, foi o inspiradíssimo militante da Igreja “em saída.”

Após esta jornada memorável na Praça de S. Pedro – e da mais disruptiva fotografia que me lembro dos últimos anos – é com esse Pastor que fico. E com a universalidade da sua misericórdia que levou a todos, todos, todos.

POLÍTICA      ELECTRICIDADE       ENERGIA      ECONOMIA

COMENTÁRIOS (de 32)

Tim do A: A senhora preocupe-se mas é com o que leva 1,2 milhões de portugueses a votar no Chega. O mal de muitos políticos e comentadores elitistas é que, à sua distância da população, vivem num mundo à parte desconhecendo a realidade e os problemas das pessoas e, mais grave, não querem tomar conhecimento, num autismo egoísta e egocêntrico de desprezo pelo povo. O apagão que têm no cérebro deriva do seu elitismo e desprezo pelos problemas das pessoas. O pior da natureza humana.               Albino Mendes: O André Ventura é um perdedor. Os 49 deputados, os votos, os debates, os apoiantes, os meliantes, as propostas, os discursos, etc., etc., enfim o crescimento do partido Chega, são sensações 😉. Para terminar com essas sensações, os votos no Chega deviam ser considerados nulos ou inválidos, porque os eleitores desse partido não sabem votar👈 De derrota em derrota, até à vitória.               Ricardo Ribeiro: Propaganda básica diária neste meio de CS que se diz isento...e na sua ânsia propagandística até trocou imigração por emigração. Como diz um sábio aqui do comentariado, lixo!                  João Floriano > Ricardo Ribeiro: Bom dia Ricardo. Tem razão: o discurso de André Ventura no 25 de abril foi magistral, uma verdadeira lição a quem repete ano após ano as mesmas patacoadas vazias sobre a data.                José Cortes > Albino Mendes: O que AV não ganharia se de facto mudasse para um registo mais responsável e coerente. Menos ar de "bocas" e mais ar de pronto para governar, de estadista. Está na altura. Se o tivesse feito para estas eleições, o resultado poderia ser imprevisível. Assim, é só mais arroz.             Ricardo Ribeiro > José Cortes: Tendo a concordar. No entanto por mim entendo a retórica no combate ao sistema instalado e por vezes sai maravilhosa como no brilhante discurso do 25 de Abril. Tenho dito.

Joaquim Zacarias: Esta senhora trocou o cartão do sindicato dos jornalistas  pelo do PSD e virou comentadora, com a missão de criticar o Ventura. Triste figura.              Americo Magalhaes: Escreve sobre várias figuras e assuntos, mas resolve colocar em titulo chamativo "Ventura " ..... É mesmo obsessão doentia e ódio.......quiçá medo da auto intitulada " elite de Lisboa-Cascais" perder as mordomias à custa dum povo iletrado e anestesiado por uma CS especializada na Censura e na Inquisição. Tive grande admiração e respeito pela Sra. pelo trabalho jornalístico do passado , mas deveria chegar a casa e colocar-se em frente ao espelho e meditar sobre o ridículo em que se está a colocar. Saber retirar-se no momento próprio também é sinal de inteligência e sobretudo clarividência.                    João Floriano: A crónica de Maria João Avillez não traz nada de novo. A prezada cronista volta a dar testemunho da sua admiração a Marcelo Rebelo de Sousa, em quem certamente vê qualidades que muitos portugueses não conseguem ver, presta homenagem a Franciscus, escreve sobre vários aspectos e nuances à volta do apagão, analisa brevemente as campanhas paupérrimas dos três principais líderes políticos, portanto nada que fuja ao tradicional em Maria João Avillez. Então o que há de notável nesta crónica? A introdução. resumida em três linhas incompletas e onde a distinta cronista lança o isco para captar leitores para o seu texto. E não se veja aqui qualquer crítica ou censura. Constato apenas que em tantos temas abordados pela senhora jornalista, vai escolher precisamente como ideia forte, a que irá captar e prender o leitor até ao fim ou pelo menos até ao momento em que perceba que foi «fisgado» e desista da leitura, as dúvidas e ansiedades que julga adivinhar em Ventura. Para a introdução todos os cronistas escolhem uma frase, um trecho com impacto, que de certo modo resuma a ideia principal. O mesmo se aplica a qualquer obra literária mais extensa. Para Maria João Avillez a ideia principal é André Ventura.            GateKeeper: Lixo. Ódiozinho doentio no horizonte.            Quase Famoso: Obrigado Maria Avillez, por estar constantemente a lembrar-me porque voto no CH.                Hugo Silva: MJA fazia-lhe bem ouvir o que disse o Mira Amaral.... Mas com a idade, a audição e a coerência, vão -se perdendo... Marcelo é o verdadeiro exemplo.              Zé Pagador: Mais do mesmo para enganar os mais incautos. O observador está subliminarmente a apoiar o ps2 sendo que esta tia o mais que consegue fazer é destilar fel contra quem pensa diferente. Ao menos sejam verdadeiros e declarem apoio ao ps2 assim já nós saberíamos que este texto seria de propaganda, era mais honesto. Ontem, no contracorrente foram buscar alguém que lucrou com o desmantelamento da nossa indústria energética e deram se ao luxo de gozar e criticar quem ajudou a criou a nossa independência energética já, não há vergonha. Se o governo estivesse ao comando, a população não se tinha portado da maneira como se portou, como se já não existisse governo, pois perante a falta de informação e informações falsa dadas pelos membros do governo…. não vá o diabo tecê-las… Esta dita democracia foi criada e mantida por pessoas como esta senhora. Os 49 deputados do CH é a garantia que o ps não põe lá os coutos, um pouco humildade ao ps2 também ficava bem. Os ateus são a consequência de quem olha para a igreja e não vê lá ninguém que inspire confiança ou soluções para isso basta ler e ouvir esta triste personagem, o Ventura agrade-se…              Maria Tubucci: Hoje a crónica é sobre o real, o irreal e o transcendente. Ok, vamos nessa! 😁 O real é que a Sra. escreve como ninguém, também gostava, mas as letras não gostam de mim. O irreal é que a Sra. com a idade que tem não deveria ser tão sectária, já deveria ter enxergado que zurzir no AV é contraproducente, só induz as pessoas a votarem no CH. Agora transcendente é mesmo a sua devoção pelo PS2. Em particular o seu santo milagreiro LM, objecto das a suas “orações” e preces, ora desancando ora rebaixando a oposição. Será que o faz pela razão ou pelo o interesse? Não sei, mas não lhe fica bem… 🤓        joão Melo: Começa o artigo falando das críticas que foram feitas ao governo pela forma como foi tratada a questão do apagão. Os argumentos de que fala não foram apenas usados por gente "fora" do partido. Não foi apenas André Ventura e Pedro Nuno Santos que disseram o que referiu. Houve gente do PSD que disse exactamente o mesmo, como Miguel Morgado, que criticou severamente este governo por não ter sabido comunicar com a população durante os momentos de crise que se viveram no dia 28. Uma pergunta que gostava de ver confirmada: alguém sabe se é verdade que durante todo o dia 28 de abril, as portagens das autoestradas de Portugal, estiveram a funcionar sem qualquer constrangimento? E o mesmo se pode dizer de todos os sistema de radar para a caça à multa? Se a resposta for afirmativa mostra bem o que é prioritário para este governo.       Afonso Soares: Estes políticos que temos desde a extrema esquerda à direita radical irresponsável deveriam ter ido para electricistas já que sabem tanto de tudo. Tanta asneira cansa. O PNS vestiu a pele de cordeiro para ver quantos mais engana. Todos resolvem tudo quando estão na oposição. Nos debates não estão interessados em apresentar soluções. Estão a passar-nos um atestado de menoridade julgando que acreditamos em tudo o que prometem. Quanto ao funeral do Papa Francisco foi o aproveitamento mais escandaloso que vi em toda a minha. Fico tão estarrecido com o cinismo dos políticos que me dá vómitos e náuseas 

 

Só não ouvi tudo

 

Porque o O’ Sullivan estava no campeonato de snooker e eu ia espreitando, a dar-lhe força espiritual, pois deixou-se esmorecer, como ultimamente tem acontecido. Mas do que fui ouvindo, admirei a garra de LUÍS MONTENEGRO, na sua defesa e contra-ataque inteligentes e viris, promissores de um governo eficiente, caso os outros ambiciosos do poder, entre os quais o seu opositor de momento, PEDRO SANTOS, o permitam.

▲O frente a frente entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos aconteceu esta quarta-feira, dia 30 de abril, depois de ter sido adiado por causa do apagão de segunda-feira.

Montenegro versus Pedro Nuno. Os argumentos e contra-argumentos nos 5 temas que dominaram o debate

Apagão na energia, economia, saúde, habitação e pensões. Os argumentos de PEDRO NUNO SANTOS e LUÍS MONTENEGRO nos cinco temas programáticos que dominaram o debate.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

OBSERVADOR, 30 abr. 2025, 23:442

Índice

Energia. Apagão serve de arma de arremesso do PS que critica coordenação e comunicação do Governo. Montenegro atira com resposta de socialista Sánchez

Economia. PS acusa Montenegro de ter “duas caras”. AD responde que PS só governa em “políticas invariantes”

Saúde. Montenegro admite falhar meta nos médicos de família – e não se compromete com novo prazo

Pensões. O papão da privatização da segurança social volta a atacar

Habitação. Pedro Nuno diz que subida dos preços das casas “engoliu” medidas da AD – mas não irá revertê-las

O frente a frente entre LUÍS MONTENEGRO e PEDRO NUNO SANTOS foram dominados por cinco temas programáticos e dois mais políticos. Energia, economia, saúde, pensões e habitação foram os tópicos escolhidos e defendidos pelo actual primeiro-ministro social-democrata e pelo ex-ministro socialista.

Na política o tema Spinumviva teve o seu espaço e a governabilidade pós-eleições também.

Energia. Apagão serve de arma de arremesso do PS que critica coordenação e comunicação do Governo. Montenegro atira com resposta de socialista Sánchez

O debate começou com o tema do momento – o apagão que apanhou todo o país durante quase 10 horas na segunda-feira, 28 de abril. Luís Montenegro insiste em atirar a “culpa” para Espanha, onde o governo é socialista, liderado por Pedro Sánchez. Uma situação que nunca tinha acontecido e de que o Governo, como reconheceu Pedro Nuno Santos, não teve culpa. O líder socialista optou, por isso, por atacar o que disse ser problemas de comunicação e de coordenação do Executivo de Luís Montenegro.

Pedro Nuno Santos revelou o que faria se fosse governo: aproveitaria as redes móveis, enquanto estavam a funcionar, para enviar mensagens à população – “O Governo perdeu a janela de oportunidade para enviar mensagens”, disse – e faria uma comunicação regular “hora a hora através das rádios”. As mensagens da protecção civil apareceram no final do dia, quase em simultâneo com a luz. Diz-se agora que não se quis sobrecarregar as redes móveis que estavam pressionadas com a falta de luz.

O Governo, através do ministro adjunto e do ministro da Presidência, falaram nas primeiras horas às rádios, mas Montenegro só falou ao país por volta da hora do almoço (o apagão aconteceu às 11h30). A Protecção Civil emitiu um comunicado, mas só esta quarta-feira fez uma conferência de imprensa. Pedro Nuno Santos ainda contestou a coordenação, tendo acusado o Executivo de ter deixado os autarcas em roda livre. Luís Montenegro não rebateu. A presidente da associação de municípios, liderada pela socialista Luísa Salgueiro, criticou o Governo. Mas defendeu a abordagem à crise com a prioridade de garantir serviços essenciais. “Resultou tanto que houve zero mortes na sequência directa da falta de fornecimento. Ao contrário de Espanha”, disse o primeiro-ministro. Em Espanha investiga-se a morte de cinco pessoas, admitindo-se relação com o apagão.

Luís Montenegro também voltou ao argumento de que Portugal foi mais rápido a restabelecer toda a rede. Só que a dimensão dos dois países não é comparável. Neste caso Portugal beneficiou com o facto de ser um país de muito menor extensão, o que significa que pôr centrais a reiniciar do zero, como teve de ser feito, demora mais em Espanha, até cobrir todo o território, mesmo tendo tido a “ajuda” das interligações com França e Marrocos.

Neste ponto, os dois responsáveis aproveitaram para lembrar casos anteriores. Pedro Nuno Santos atacou o Governo pela gestão que fez da greve do INEM que levou à falta de resposta a algumas pessoas, num período em que houve várias mortes, com o Ministério Público ainda a investigar a ligação entre as duas. E a dos incêndios do ano passado, altura em que Pedro Nuno Santos pediu a “cabeça” da ministra da Administração Interna, Margarida Blasco. Estes casos foram usados por Pedro Nuno para atacar a gestão do Governo, tendo Montenegro criticado o líder socialista por ter, enquanto ministro das Infraestruturas, decidido avançar para a decisão do novo aeroporto de Lisboa, por conta própria, com o então primeiro-ministro António Costa a obrigar à reversão da decisão. E foi neste ponto que Pedro Nuno recordou ter estado num governo que lidou com a pandemia da Covid-19 e que foi o próprio que lidou com a greve dos camionistas de combustíveis que trouxe ao país uma crise de abastecimento.

Economia. PS acusa Montenegro de ter “duas caras”. AD responde que PS só governa em “políticas invariantes”

O programa da AD é “um embuste”, atirou Pedro Nuno Santos, acusando Luís Montenegro e a sua equipa de fazerem todo o seu programa eleitoral assentar em projecções económicas demasiado optimistas – previsões que, por apontarem para um crescimento mais elevado permitem acomodar de forma “artificial” medidas de despesa que, depois, serão “impossíveis de concretizar”.

Mais: o líder do PS diz que o “ainda primeiro-ministro” Luís Montenegro tem “duas faces”, por incluir previsões mais optimistas no programa – “que não são previstas por ninguém” – e outras, mais conservadoras, nos planos orçamentais entregues a Bruxelas.

Pedro Nuno Santos mostrou um gráfico onde mostra como a AD prevê, em campanha eleitoral, um crescimento médio do PIB de 2,9% entre 2025 e 2028/2029. Em contraste, os planos orçamentais de médio prazo entregues à Comissão Europeia (em outubro de 2024) apontam para um crescimento médio de 1,95%.

A acusação não é nova. E a resposta de Montenegro foi pedir a Pedro Nuno Santos que fosse “sério”, ainda mais sendo o líder do PS formado em Economia – sendo economista, o líder do PS quis “lançar uma confusão” que “se não é propositada é incompetência pura“.

Repetindo os esclarecimentos que já foram dados sobre esta matéria pelo ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, o líder da AD explicou que os números de Bruxelas são previsões num cenário de “políticas invariantes” – ou seja, sem incorporar o impacto positivo que a AD acredita que as suas políticas irão provocar na economia, incluindo a “transformação do Estado” e políticas fiscais como a redução de taxas de imposto.

Pedro Nuno Santos falou, também, do polémico estudo do Banco de Portugal sobre a descida do IRC e sobre o impacto limitado e incerto dessa medida sobre o crescimento económico – e, aí, Luís Montenegro não deu resposta. Mas podia ter dado – e seria semelhante à outra, porque o tal estudo do Banco de Portugal também não incorpora quaisquer impactos positivos, por exemplo, sobre um possível aumento da competitividade externa do País.

Na leitura de Pedro Nuno Santos, “o que a AD propõe é baixar IRC sem critério, independentemente de as empresas distribuírem aos accionistas ou investirem” no negócio ou nos trabalhadores. Na resposta, Luís Montenegro sustentou que “as medidas do PS são apenas de distribuição, não modificam nada na economia”, ao passo que a AD quer “diminuir os encargos das empresas para que estas possam contratar mais e investir mais, além de tornar o país mais atractivo para o investimento estrangeiro”.

O debate sobre temas mais económicos teve ainda tempo para se falar do que Pedro Nuno Santos considerou ser um corte de 10% no financiamento à Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT).

No parlamento, em novembro, Fernando Alexandre, ministro da Educação, Ciência e Inovação garantiu que na FCT houve, na realidade, um “reforço do investimento”, justificando o corte de 68 milhões de euros no orçamento com uma mudança na aplicação dos fundos europeus entre os PT2020 e o PT2030.

No novo programa, a “FCT deixou de ser organismo pagador nos projectos de investigação, contrariamente ao programa anterior”, passando parte dos pagamentos para a Agência para o Desenvolvimento e Coesão. Segundo explicou o Governo em novembro, apesar de a FCT ter recebido menos dos fundos europeus, recebeu mais 6% (26 milhões) na componente de receitas vindas de impostos.

Saúde. Montenegro admite falhar meta nos médicos de família – e não se compromete com novo prazo

Sabia-se à partida que a Saúde seria um dos temas mais quentes do debate. E a expectativa confirmou-se. Dos médicos de família às urgências, Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos não deram um milímetro de espaço de manobra um ao outro, embora tenham repetido os argumentos já esgrimidos em debates anteriores.

O secretário-geral do PS começou por confrontar o primeiro-ministro pelo flanco mais previsível: o da falta de médicos de família, um problema sem solução à vista. “É a área de maior falhanço do governo da AD, que criou a expectativa de que era fácil e rápido resolver os problemas. Temos mais 50 mil utentes sem médico de família”, atirou Pedro Nuno Santos. Na verdade, o número é até superior: entre o final de março de 2024 e o final de março deste ano, há mais 54 mil utentes sem médico.

Talvez percebendo a ambição desmedida que assumiu quando prometeu atribuir médico a todos os utentes até final de 2025 (um objectivo impossível de atingir), Luís Montenegro recusou-se a apontar nova data. “Sou honesto. Não íamos conseguir atingir esse resultado em 2025”, reconheceu o chefe de governo, apontando agora para o “o mais rápido prazo possível”.

O primeiro-ministro jogou depois um trunfo: o Plano de Emergência para a Saúde, apresentado logo em maio do ano passado, e que, diz Montenegro, tem já executadas 80% das medidas (um número muito contestado, uma vez que parte destas medidas que o Governo considera como concluídas ainda não produziram resultados no terreno). Mas, com a lição bem estudada, e percebendo a fragilidade do governo na área dos cuidados de saúde primários, o líder do PS ripostou com duas medidas de emergência fracassadas: a atribuição de médico de família a 75 mil pessoas em Sintra e Cascais — uma medida que só chegou a cinco mil pessoas — e a constituição de Unidades de Saúde Familiar modelo C (geridas por privados, sector social ou cooperativas de médicos), que ainda só receberam seis candidaturas. Duas notícias avançadas pelo Observador.

Em relação às urgências, um tema quente nas últimas semanas (que motivou uma troca de argumentos em Fernando Araújo e o actual director-executivo do SNS, Álvaro Almeida), o primeiro-ministro foi para o debate com números ‘frescos’ que o Governo guardara a sete chaves. Segundo Luís Montenegro, no 1º trimestre do ano houve menos 90% de encerramentos de urgências de adultos, menos 50% de encerramentos de urgências pediátricas e uma quebra de 46% nos encerramentos de urgências obstétricas em relação ao mesmo período de 2024.

São números praticamente inverificáveis, uma vez que a forma de apresentação das urgências encerradas é diferente: enquanto, nos primeiros três meses do ano passado, a anterior direccção executiva do SNS apresentava um PDF com os serviços encerrados a cada três meses (e que nem sempre coincidia com os encerramentos reais), agora há uma plataforma actualizada ao segundo.

Depois de ter lembrado que o Governo actual firmou acordos com médicos, enfermeiros e técnicos de diagnóstico (uma diferença em relação à governação socialista, mostrando a aposta da AD no apaziguamento das classes profissionais), Luís Montenegro afirmou que estão a “diminuir os prazos para a marcação das consultas e cirurgias”. A frase não é totalmente verdadeira: se houve uma melhoria na área das cirurgias oncológicas, a verdade é que nas cirurgias não-oncológicas e nas consultas de especialidade, há mais utentes à espera para lá dos tempos de resposta garantidos (embora o agravamento tenha sido ligeiro).

Pedro Nuno Santos ripostou e garantiu que “as listas de espera para consulta e cirurgia estão a aumentar”. O primeiro-ministro não contestou, nem o podia fazer, porque os números oficiais confirmam o engrossamento das listas, apesar do aumento da produção assistencial do SNS.

No tema das Parcerias Público Privadas, o primeiro-ministro marcou pontos, com o líder do PS a embrulhar-se nas respostas. Luís Montenegro entrou ao ataque. “Os governos devem prender-se às amarras ideológicas?”, disse o primeiro-ministro, visando o legado do anterior governo, que terminou com três das quatro PPP hospitalares (o que resultou na degradação evidente do serviço às populações).

O líder do PS ainda tentou evitar a inclinação ideológica, garantindo não ter qualquer “dogma” em relação às PPP, mas logo a seguir ameaçou não continuar o processo de reprivatização da gestão de cinco hospitais, anunciado pelo governo da AD há escassas semanas. “Prefiro dar mais autonomia de gestão aos nossos hospitais. Assim podem ser mais bem geridos, sem os termos de entregar aos privados”, sublinhou.

Pensões. O papão da privatização da segurança social volta a atacar

A segurança social apareceu pouco nos debates pré-campanha. Surgiu no frente a frente entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos para retomar o velho confronto. O PS a acusar a AD, e em particular o PSD, de querer privatizar o sistema público de segurança social.

Há muitos anos, e por várias vezes, PSD defendeu o chamado  que mais não é do que determinar que a partir de determinado nível de salário o trabalhador deixe de ser obrigado a descontar para a segurança social, podendo optar por outros regimes. Pedro Passos Coelho foi um dos líderes do PSD a defender este sistema. E o tema, sempre que se fala em pensões, volta. Recentemente, com a constituição de novo grupo de trabalho por parte de Rosário Palma Ramalho, ministra do Trabalho, que tem na liderança Jorge Bravo, especialista em segurança social, que tem defendido o reforço da poupança individual para a reforma. E com isto se tem dito que é o primeiro passo para a privatização da segurança social. Pedro Nuno Santos insistiu neste frente a frente no tema, no que foi contestado com Luís Montenegro a reafirmar que se ganhar as eleições não será nesta legislatura proposta qualquer reforma da segurança social, mas será estudada. “Não vamos fazer alteração ao sistema de segurança social nesta legislatura”, garantiu Montenegro.

Pedro Nuno Santos disse, duas vezes, que uma das primeiras medidas, se formar governo, é destituir esse grupo de trabalho. Montenegro garantiu que o que se pretende é aprofundar o trabalho que foi feito no governo socialista que produziu o livro verde para a sustentabilidade da segurança social.

No mais, pouco foi dito sobre o futuro da sustentabilidade da segurança social – Luís Montenegro ainda recordou ter feito uma dotação extraordinária para o Fundo de Estabilização da Segurança Social –, preferindo ambos desfiar o que cada um dos seus partidos têm dado aos pensionistas. O governo da AD, além da actualização anual conforme a lei, garantiu um suplemento extraordinário em outubro, indicando que, caso as contas públicas o permitam, voltará a fazê-lo e acenando com o aumento do complemento solidário para idosos que já fez e que prometeu continuar a fazer. Pedro Nuno recordou os aumentos extraordinários dos governos socialistas e o que foi aprovado pela mão do PS no Parlamento já com a AD no Executivo no âmbito do Orçamento do Estado para 2025.

A disputa do voto dos pensionistas esteve bem presente. E Pedro Nuno Santos não perdeu a oportunidade para voltar a falar dos cortes que o governo de coligação PSD/CDS pretendia fazer nos anos em que o país esteve sob fiscalização da troika.

Habitação. Pedro Nuno diz que subida dos preços das casas “engoliu” medidas da AD – mas não irá revertê-las

“Os jovens estão ainda mais longe de conseguir comprar casa do que há um ano”, afirmou o líder do PS, tentando neutralizar dois dos principais trunfos de Luís Montenegro na área da habitação: a isenção de IMT/Imposto de selo e a garantia pública no financiamento bancário aos jovens até 35 anos.

Em concreto, Pedro Nuno Santos referiu que os custos com a isenção de IMT/IS rondam os 5% do valor médio de uma casa, porém, os preços encareceram “mais de 15%” no último ano – ou seja, o agravamento dos preços “engoliu” a borla fiscal. O valor dos 15% é uma referência ao dado revelado há poucos dias pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e que deu conta de uma aceleração do preço mediano do metro quadrado a nível nacional no quarto trimestre, na comparação homóloga.

Na retórica de Pedro Nuno Santos, como a subida dos preços foi maior do que o custo típico dos impostos iniciais (IMT e IS), pode-se daí concluir que o acesso à habitação por parte dos jovens está mais difícil. Porém, na prática, os jovens até 35 anos passaram a estar isentos do pagamento de um imposto que facilmente supera os 10/15 mil euros e que, até então, tinha de ser pago à cabeça.

Por se tratar de um valor que a maioria dos jovens não tem para pagar à cabeça, o cenário alternativo de se pagar um preço maior por uma casa – que até pode nem se verificar porque o número do INE é apenas uma mediana – não é um obstáculo tão grande porque esse é um acréscimo de valor que, na maioria dos casos, será diluído por várias décadas de financiamento bancário, à medida que as pessoas tendencialmente progridem nas suas carreiras e melhoram os seus rendimentos.

Além deste ponto, o argumento do líder do PS também se referiu apenas à isenção do IMT e IS e “esqueceu” a garantia pública ao financiamento bancário aos jovens. Desde 2018 que o Banco de Portugal limita a 90% o financiamento dado pelos bancos, obrigando ao pagamento de uma entrada inicial que se tornou mais um obstáculo à compra de casa pelos jovens – e o PS, que esteve no Governo de 2015 até ao início de 2024, nunca legislou no sentido de ajudar os jovens a contornar esta obrigação.

Ainda assim, uma garantia pública bancária estava no programa do PS com vista às eleições de 2024, mas, tendo ganho as eleições, foi Luís Montenegro quem a aplicou – e, agora, Pedro Nuno Santos garante que não irá reverter estas medidas.

O debate sobre habitação, de resto, foi morno. Pedro Nuno Santos confrontou Luís Montenegro com os atrasos no pagamento dos apoios do Porta 65, admitidos pelo primeiro-ministro – que justificou esses atrasos com as “melhorias” na abrangência e na mecânica desse programa, que levou a que mais jovens estejam a pedir esse apoio ao arrendemento.

Por outro lado, Luís Montenegro criticou Pedro Nuno Santos pelo facto de o governo em que foi ministro da tutela ter deixado verbas insuficientes para construir as 26 mil casas que tinham sido prometidas, no âmbito do PRR. Pedro Nuno Santos justificou esse facto com o surto inflacionista e contra-atacou Luís Montenegro por estar a “entregar” casas, em locais como Oeiras e Entroncamento, cuja construção foi Pedro Nuno Santos – ele próprio, como ministro – que colocou no terreno.

Ciente do impacto mediático dos lucros históricos da banca nos últimos anos, Pedro Nuno Santos fez questão de referir a proposta do PS de criar uma “conta corrente” alimentada, em parte, com dividendos da Caixa Geral de Depósitos – para que os municípios possam fazer habitação a custos acessíveis.

Montenegro mostrou não concordar com a proposta, salientando que os dividendos pagos pela Caixa já servem para financiar as várias despesas do Orçamento do Estado, na habitação e em muitas outras áreas. “Nenhum programa na habitação deve estar dependente dos dividendos da Caixa porque eles não são garantidos e, nessa perspetiva, poderíamos estar a condenar” uma iniciativa nestes moldes “ao fracasso”.

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS     POLÍTICA     PS     PSD     AD     LUÍS MONTENEGRO     PEDRO NUNO SANTOS

COMENTÁRIOS:

Joaquim Rodrigues: Gostava de saber quem seleccionou os temas trazidos para o debate. Porque não foi discutida a política de imigração? Porque não foi discutida a política de segurança? Porque não foram discutidas as grandes questões do desenvolvimento económico do País? Porque não foi discutida a Política de Educação? Porque não foram trazidas para o debate, pelos moderadores, as questões das ajudas de custo, das casas, da quintinha no Alentejo, dos subsídios à Empresa do Pai, dos clientes do Pai de PNS? Pareceu um debate com temas seleccionados e condução à medida do Sr. PNS.

Vitor Hugo Silva: PNS sentiu-se como peixe na água quando atacava LM. A costela de radical, que tanto tenta esconder, revelou-se nas insinuações e calúnias vergonhosas. Quem vai premiar esta táctica?