Porque o O’ Sullivan estava no campeonato de snooker e eu ia espreitando, a dar-lhe força espiritual, pois deixou-se esmorecer, como ultimamente tem acontecido. Mas do que fui ouvindo, admirei a garra de LUÍS MONTENEGRO, na sua defesa e contra-ataque inteligentes e viris, promissores de um governo eficiente, caso os outros ambiciosos do poder, entre os quais o seu opositor de momento, PEDRO SANTOS, o permitam.
▲O frente
a frente entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos aconteceu esta quarta-feira,
dia 30 de abril, depois de ter sido adiado por causa do apagão de
segunda-feira.
Montenegro versus Pedro Nuno. Os
argumentos e contra-argumentos nos 5 temas que dominaram o debate
Apagão na energia, economia, saúde, habitação e pensões. Os
argumentos de PEDRO NUNO SANTOS e LUÍS MONTENEGRO nos cinco temas programáticos
que dominaram o debate.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
OBSERVADOR, 30 abr. 2025, 23:442
Índice
Saúde. Montenegro admite falhar meta nos médicos de
família – e não se compromete com novo prazo
Pensões. O papão da privatização da segurança social
volta a atacar
O frente a frente entre LUÍS
MONTENEGRO e PEDRO NUNO SANTOS foram dominados por cinco temas programáticos e dois
mais políticos. Energia, economia, saúde, pensões e habitação
foram os tópicos escolhidos e defendidos
pelo actual primeiro-ministro social-democrata e pelo ex-ministro socialista.
Na política o tema Spinumviva teve o seu
espaço e a governabilidade pós-eleições também.
Energia.
Apagão serve de arma de arremesso do PS que critica coordenação e comunicação
do Governo. Montenegro atira com resposta de socialista Sánchez
O debate começou com o tema do momento – o apagão que apanhou todo o país durante quase
10 horas na segunda-feira, 28 de abril. Luís
Montenegro insiste em
atirar a “culpa” para Espanha, onde o governo é socialista, liderado por Pedro Sánchez. Uma situação que nunca tinha
acontecido e de que o Governo, como
reconheceu Pedro Nuno
Santos, não teve culpa. O líder socialista optou, por isso,
por atacar o que disse ser problemas de comunicação e de coordenação
do Executivo de Luís Montenegro.
Pedro
Nuno Santos revelou o que faria se fosse governo: aproveitaria as
redes móveis, enquanto estavam a funcionar, para enviar mensagens à população –
“O Governo perdeu a janela de
oportunidade para enviar mensagens”, disse – e faria uma comunicação regular
“hora a hora através das rádios”. As
mensagens da protecção civil apareceram no final do dia, quase em simultâneo
com a luz. Diz-se agora que não
se quis sobrecarregar as redes móveis que estavam pressionadas com a falta de
luz.
O Governo, através do ministro adjunto e
do ministro da Presidência, falaram nas primeiras horas às rádios, mas Montenegro só falou ao país por volta da
hora do almoço (o apagão aconteceu às 11h30). A Protecção Civil emitiu um comunicado, mas
só esta quarta-feira fez uma
conferência de imprensa. Pedro
Nuno Santos ainda contestou
a coordenação, tendo acusado o Executivo de ter deixado os autarcas em roda
livre. Luís
Montenegro não rebateu. A presidente
da associação de municípios, liderada pela socialista Luísa Salgueiro, criticou o Governo. Mas defendeu a
abordagem à crise com a prioridade de garantir serviços essenciais. “Resultou tanto que houve zero mortes na
sequência directa da falta de fornecimento. Ao contrário de Espanha”, disse
o primeiro-ministro. Em Espanha
investiga-se a morte de cinco pessoas, admitindo-se relação com o
apagão.
Luís
Montenegro também voltou ao argumento de que Portugal foi mais rápido a restabelecer toda a rede. Só que a dimensão dos dois países não é
comparável. Neste caso Portugal beneficiou com o facto de ser um país de muito
menor extensão, o que significa que pôr centrais a reiniciar do zero, como teve
de ser feito, demora mais em Espanha, até cobrir todo o território, mesmo tendo
tido a “ajuda” das interligações com França e Marrocos.
Neste ponto, os dois responsáveis
aproveitaram para lembrar casos anteriores. Pedro Nuno Santos atacou
o Governo pela gestão que fez da greve do INEM que levou à falta de resposta a
algumas pessoas, num período em que houve várias mortes, com o Ministério
Público ainda a investigar a ligação entre as duas. E a dos incêndios do ano passado, altura
em que Pedro Nuno Santos pediu a “cabeça” da ministra da Administração Interna,
Margarida Blasco. Estes casos foram usados por Pedro Nuno para
atacar a gestão do Governo, tendo Montenegro criticado o líder socialista por
ter, enquanto ministro das Infraestruturas, decidido avançar para a decisão do novo aeroporto de Lisboa, por
conta própria, com o então primeiro-ministro António Costa a obrigar à reversão da decisão. E foi neste
ponto que Pedro Nuno recordou ter estado num governo que lidou
com a pandemia da Covid-19 e que foi o próprio que lidou com a greve dos
camionistas de combustíveis que trouxe ao país uma crise de abastecimento.
Economia. PS acusa Montenegro de ter
“duas caras”. AD responde que PS só governa em “políticas invariantes”
O programa da AD é “um embuste”, atirou Pedro Nuno Santos, acusando Luís Montenegro e a sua equipa de fazerem todo o seu programa eleitoral assentar em projecções
económicas demasiado optimistas – previsões que, por apontarem para um crescimento mais
elevado permitem acomodar de forma “artificial” medidas de despesa que, depois,
serão “impossíveis de concretizar”.
Mais: o líder do PS diz que o “ainda
primeiro-ministro” Luís Montenegro tem “duas faces”, por incluir previsões
mais optimistas no programa – “que não são previstas por ninguém” – e
outras, mais conservadoras, nos planos orçamentais entregues a Bruxelas.
Pedro
Nuno Santos mostrou um gráfico onde mostra como a AD prevê, em campanha eleitoral, um crescimento
médio do PIB de 2,9% entre 2025 e 2028/2029. Em contraste, os planos orçamentais de médio prazo
entregues à Comissão Europeia (em outubro de 2024) apontam para um crescimento
médio de 1,95%.
A acusação não é nova. E
a resposta de Montenegro foi pedir a Pedro Nuno Santos que fosse “sério”, ainda
mais sendo o líder do PS formado em Economia – sendo economista, o líder do PS
quis “lançar uma confusão” que “se não é propositada é incompetência pura“.
Repetindo os esclarecimentos que já
foram dados sobre esta matéria pelo ministro
das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, o líder da AD explicou que os números de Bruxelas são previsões
num cenário de “políticas invariantes” – ou seja, sem incorporar o impacto
positivo que a AD acredita que as suas políticas irão provocar na economia,
incluindo a “transformação do Estado” e políticas fiscais como a redução de
taxas de imposto.
Pedro Nuno Santos falou, também,
do polémico
estudo do Banco de Portugal sobre a descida do IRC e sobre o
impacto limitado e incerto dessa medida sobre o crescimento económico – e, aí,
Luís Montenegro não deu resposta. Mas podia ter dado – e seria semelhante
à outra, porque o tal estudo do Banco de Portugal também não incorpora
quaisquer impactos positivos, por exemplo, sobre um possível aumento da
competitividade externa do País.
Na leitura de Pedro Nuno Santos, “o que a AD propõe é baixar IRC sem critério, independentemente de as
empresas distribuírem aos accionistas ou investirem” no
negócio ou nos trabalhadores. Na resposta, Luís
Montenegro sustentou que “as medidas do PS são apenas de distribuição, não modificam nada na
economia”, ao
passo que a AD quer “diminuir os encargos das empresas para que estas possam
contratar mais e investir mais, além de tornar o país mais atractivo para o
investimento estrangeiro”.
O debate sobre temas mais económicos
teve ainda tempo para se falar do que Pedro Nuno Santos considerou ser um corte de
10% no financiamento à Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT).
No parlamento, em novembro, Fernando Alexandre, ministro da Educação,
Ciência e Inovação garantiu que na FCT houve, na realidade, um “reforço do
investimento”, justificando o corte de 68 milhões de euros no orçamento com uma
mudança na aplicação dos fundos europeus entre os PT2020 e o PT2030.
No novo programa, a “FCT
deixou de ser organismo pagador nos projectos de investigação, contrariamente
ao programa anterior”, passando parte dos pagamentos para a Agência para o
Desenvolvimento e Coesão. Segundo explicou o Governo em novembro, apesar de a FCT
ter recebido menos dos fundos europeus, recebeu mais 6% (26 milhões) na
componente de receitas vindas de impostos.
Saúde. Montenegro admite falhar meta
nos médicos de família – e não se compromete com novo prazo
Sabia-se
à partida que a Saúde seria um dos temas mais quentes do debate. E a
expectativa confirmou-se. Dos médicos de família às urgências, Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos não
deram um milímetro de espaço de manobra um ao outro, embora tenham repetido os
argumentos já esgrimidos em debates anteriores.
O secretário-geral do PS começou por
confrontar o primeiro-ministro pelo flanco mais previsível: o da falta
de médicos de família, um problema sem solução à vista. “É a área de maior falhanço do governo da AD,
que criou a expectativa de que era fácil e rápido resolver os problemas. Temos mais 50 mil utentes sem médico de família”,
atirou Pedro Nuno Santos. Na verdade, o número é até superior: entre o
final de março de 2024 e o final de março deste ano, há mais 54 mil utentes sem
médico.
Talvez percebendo a ambição desmedida que assumiu quando prometeu
atribuir médico a todos os utentes até final de 2025 (um objectivo impossível
de atingir), Luís Montenegro recusou-se a apontar nova data. “Sou honesto. Não íamos conseguir atingir
esse resultado em 2025”, reconheceu
o chefe de governo, apontando agora para o
“o mais rápido prazo possível”.
O primeiro-ministro jogou depois um
trunfo: o Plano de Emergência para a Saúde,
apresentado logo em maio do ano passado, e
que, diz Montenegro, tem já executadas 80% das medidas (um
número muito contestado, uma vez
que parte destas medidas que o Governo considera como concluídas ainda não
produziram resultados no terreno). Mas, com a lição bem estudada, e
percebendo a fragilidade do governo na área dos cuidados de saúde primários, o
líder do PS ripostou com duas medidas de emergência fracassadas: a atribuição de médico de família a 75 mil
pessoas em Sintra e
Cascais — uma medida que só chegou a cinco mil pessoas — e a constituição de Unidades de Saúde Familiar
modelo C (geridas por privados, sector social ou cooperativas de médicos), que
ainda só receberam seis
candidaturas. Duas notícias avançadas pelo Observador.
Em relação às urgências, um tema
quente nas últimas semanas (que motivou uma troca de argumentos em Fernando
Araújo e o actual director-executivo do SNS, Álvaro Almeida), o
primeiro-ministro foi para o debate com números ‘frescos’ que o Governo
guardara a sete chaves. Segundo Luís
Montenegro, no 1º
trimestre do ano houve menos 90% de encerramentos de urgências de adultos,
menos 50% de encerramentos de urgências pediátricas e uma quebra de 46% nos
encerramentos de urgências obstétricas em relação ao mesmo período de 2024.
São números praticamente
inverificáveis, uma vez que a forma de apresentação das urgências encerradas é
diferente: enquanto, nos primeiros três meses do ano passado, a anterior direccção executiva do SNS
apresentava um PDF com os serviços encerrados a cada três meses (e que nem
sempre coincidia com os encerramentos reais), agora há uma
plataforma actualizada ao segundo.
Depois de ter lembrado que o Governo actual
firmou acordos com médicos, enfermeiros e técnicos de diagnóstico (uma
diferença em relação à governação socialista, mostrando a aposta da AD no
apaziguamento das classes profissionais), Luís
Montenegro afirmou
que estão a “diminuir os prazos para a marcação das consultas e cirurgias”. A frase não é totalmente verdadeira: se
houve uma melhoria na área das cirurgias oncológicas, a verdade é que nas
cirurgias não-oncológicas e nas consultas de especialidade, há mais utentes à
espera para lá dos tempos de resposta garantidos (embora o agravamento tenha
sido ligeiro).
Pedro
Nuno Santos ripostou e garantiu que “as listas de espera para consulta e cirurgia estão a aumentar”.
O primeiro-ministro não contestou, nem
o podia fazer, porque os números oficiais confirmam o engrossamento das listas,
apesar do aumento da produção assistencial do SNS.
No tema das Parcerias Público
Privadas, o
primeiro-ministro marcou pontos, com o líder do PS a embrulhar-se nas respostas.
Luís Montenegro entrou ao
ataque. “Os governos devem prender-se às amarras ideológicas?”, disse o
primeiro-ministro, visando o legado do anterior governo, que terminou com
três das quatro PPP hospitalares (o que resultou na degradação evidente do
serviço às populações).
O líder do PS ainda tentou evitar a inclinação
ideológica, garantindo não ter qualquer “dogma” em relação às PPP, mas logo a
seguir ameaçou não continuar o processo de reprivatização da gestão de cinco hospitais,
anunciado pelo governo da AD há escassas semanas. “Prefiro dar mais autonomia de gestão aos nossos hospitais. Assim
podem ser mais bem geridos, sem os termos de entregar aos privados”,
sublinhou.
Pensões. O papão da privatização da
segurança social volta a atacar
A segurança social apareceu pouco nos debates pré-campanha. Surgiu
no frente a frente entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos para retomar o
velho confronto. O PS a acusar a AD, e em particular o PSD, de querer
privatizar o sistema público de segurança social.
Há muitos anos, e por várias vezes, PSD
defendeu o chamado que mais não é do que determinar que a partir de determinado nível de salário
o trabalhador deixe de ser obrigado a descontar para a segurança social,
podendo optar por outros regimes. Pedro Passos Coelho foi um
dos líderes do PSD a defender este sistema. E o tema,
sempre que se fala em pensões, volta. Recentemente, com a
constituição de novo grupo de trabalho por parte de Rosário Palma Ramalho, ministra do Trabalho, que tem
na liderança Jorge Bravo,
especialista em segurança social, que tem
defendido o reforço da poupança individual para a reforma. E com isto
se tem dito que é o primeiro passo para a privatização da segurança social. Pedro Nuno Santos insistiu neste frente a frente no
tema, no que foi contestado com Luís Montenegro a
reafirmar que se ganhar as eleições não será nesta legislatura proposta
qualquer reforma da segurança social, mas será estudada. “Não vamos fazer alteração ao sistema de
segurança social nesta legislatura”, garantiu Montenegro.
Pedro
Nuno Santos disse,
duas vezes, que uma das primeiras medidas, se formar governo, é destituir esse
grupo de trabalho.
Montenegro garantiu
que o que se pretende é aprofundar o trabalho que foi feito no governo
socialista que produziu o livro verde para a sustentabilidade da segurança
social.
No mais, pouco foi dito sobre o futuro
da sustentabilidade da segurança social – Luís
Montenegro ainda recordou ter feito uma dotação extraordinária para o Fundo de Estabilização
da Segurança Social –, preferindo ambos desfiar o que
cada um dos seus partidos têm dado aos pensionistas. O governo da AD, além
da actualização anual conforme a lei, garantiu um suplemento extraordinário em
outubro, indicando que, caso as contas públicas o permitam, voltará a fazê-lo e
acenando com o aumento do complemento solidário para idosos que já fez e que prometeu continuar a
fazer. Pedro Nuno recordou os aumentos extraordinários dos governos
socialistas e o que foi aprovado pela mão do PS no Parlamento já com a AD no
Executivo no âmbito do Orçamento do Estado para 2025.
A disputa do voto dos pensionistas esteve bem presente. E Pedro Nuno
Santos não perdeu a oportunidade para voltar a falar dos cortes que o governo de coligação PSD/CDS
pretendia fazer nos anos em que o país esteve sob fiscalização da troika.
Habitação. Pedro Nuno diz que subida
dos preços das casas “engoliu” medidas da AD – mas não irá revertê-las
“Os jovens estão ainda mais longe de
conseguir comprar casa do que há um ano”, afirmou o líder do PS, tentando neutralizar dois dos principais
trunfos de Luís Montenegro na área da habitação: a isenção de IMT/Imposto de
selo e a garantia pública no financiamento bancário aos jovens até 35 anos.
Em concreto, Pedro Nuno Santos referiu que os custos com a isenção de
IMT/IS rondam os 5% do valor médio de uma casa, porém, os preços encareceram
“mais de 15%” no último ano – ou seja, o agravamento dos preços “engoliu” a
borla fiscal. O valor dos 15% é
uma referência ao dado revelado há poucos dias pelo Instituto Nacional
de Estatística (INE) e que deu conta de uma aceleração do preço
mediano do metro quadrado a nível nacional no quarto trimestre, na comparação
homóloga.
Na retórica de Pedro Nuno Santos, como a subida dos preços foi maior
do que o custo típico dos impostos iniciais (IMT e IS), pode-se daí concluir
que o acesso à habitação por parte dos jovens está mais difícil. Porém, na prática, os jovens até 35 anos
passaram a estar isentos do pagamento de um imposto que facilmente supera os
10/15 mil euros e que, até então, tinha de ser pago à cabeça.
Por se tratar de um valor que a maioria
dos jovens não tem para pagar à cabeça, o cenário alternativo de se pagar um
preço maior por uma casa – que até pode nem se verificar porque o número do
INE é apenas uma mediana – não é um obstáculo tão grande porque esse é um
acréscimo de valor que, na maioria dos casos, será diluído por várias décadas de financiamento bancário, à medida
que as pessoas tendencialmente progridem nas suas carreiras e melhoram os seus
rendimentos.
Além deste ponto, o argumento do líder
do PS também se referiu apenas à isenção do IMT e IS e “esqueceu” a garantia pública ao financiamento bancário aos jovens.
Desde 2018 que o Banco de Portugal
limita a 90% o financiamento dado pelos bancos, obrigando ao pagamento de uma
entrada inicial que se tornou mais um obstáculo à compra de casa pelos jovens –
e o PS, que esteve no Governo de 2015 até ao início de 2024, nunca legislou no
sentido de ajudar os jovens a contornar esta obrigação.
Ainda assim, uma garantia
pública bancária estava no programa do PS com vista às eleições de 2024, mas,
tendo ganho as eleições, foi Luís Montenegro quem a aplicou – e, agora, Pedro
Nuno Santos garante que não irá reverter estas medidas.
O debate sobre habitação, de resto,
foi morno. Pedro Nuno Santos confrontou Luís Montenegro com
os atrasos no pagamento dos apoios do Porta 65, admitidos pelo primeiro-ministro
– que justificou esses atrasos com as “melhorias” na abrangência e na mecânica
desse programa, que levou a que mais jovens estejam a pedir esse apoio ao
arrendemento.
Por outro lado, Luís Montenegro
criticou Pedro Nuno Santos pelo facto de o governo em que foi ministro da
tutela ter deixado verbas insuficientes para construir as 26 mil casas que
tinham sido prometidas, no âmbito do PRR. Pedro Nuno Santos justificou esse
facto com o surto inflacionista e contra-atacou Luís Montenegro por estar a
“entregar” casas, em locais como Oeiras e Entroncamento, cuja construção foi
Pedro Nuno Santos – ele próprio, como ministro – que colocou no terreno.
Ciente do impacto mediático dos lucros
históricos da banca nos últimos anos,
Pedro Nuno Santos fez questão de referir a proposta do PS de criar uma
“conta corrente” alimentada, em parte, com dividendos da Caixa Geral de
Depósitos – para que os municípios possam fazer habitação a custos acessíveis.
Montenegro mostrou não concordar com a
proposta, salientando que os dividendos pagos pela Caixa já servem para
financiar as várias despesas do Orçamento do Estado, na habitação e em muitas
outras áreas. “Nenhum programa na habitação deve estar dependente dos dividendos
da Caixa porque eles não são garantidos e, nessa perspetiva, poderíamos
estar a condenar” uma iniciativa nestes moldes “ao fracasso”.
ELEIÇÕES
LEGISLATIVAS POLÍTICA PS PSD AD LUÍS
MONTENEGRO PEDRO NUNO
SANTOS
COMENTÁRIOS:
Joaquim
Rodrigues: Gostava de saber quem seleccionou os temas trazidos
para o debate. Porque não foi discutida a política de imigração? Porque
não foi discutida a política de segurança? Porque não foram discutidas as
grandes questões do desenvolvimento económico do País? Porque não foi discutida
a Política de Educação? Porque não foram trazidas para o debate, pelos
moderadores, as questões das ajudas de custo, das casas, da quintinha no
Alentejo, dos subsídios à Empresa do Pai, dos clientes do Pai de PNS? Pareceu
um debate com temas seleccionados e condução à medida do Sr. PNS.
Vitor Hugo Silva: PNS sentiu-se como peixe na água quando
atacava LM. A costela de radical, que tanto tenta esconder, revelou-se nas
insinuações e calúnias vergonhosas. Quem vai premiar esta táctica?
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