sábado, 10 de maio de 2025

Má vizinhança

 

Em tempo de guerra. A inimizade prova de partidarismo húngaro em prol da Rússia? Sinto, pela Ucrânia. Mais uma sentença, desta vez ligada à guerra: Zangam-se as comadres, descobrem-se as “verdades”. Também as mentiras, com certeza.

Ucrânia diz ter desmantelado "rede de espionagem húngara". Em resposta, Budapeste diz ter expulsado "dois espiões ucranianos"

Depois dos Serviços de Segurança Ucranianos terem anunciado a detenção de dois alegados espiões, a resposta húngara veio na mesma moeda, entre acusações de "difamação" contra a Hungria.

TEXTO

OBSERVADOR, 09 mai. 2025, 23:50  

Dois detidos de um lado, dois expulsos do outro. A Ucrânia e a Hungria trocaram acusações de espionagem esta sexta-feira, falando em agentes infiltrados dentro de ambos os estados.

Primeiro, foram os Serviços de Segurança Ucranianos (SBU) a avançarem que dois alegados espiões da Hungria tinham sido detidos na região da Transcarpátia, perto da fronteira com a Eslováquia. Depois, na resposta, o ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Peter Szijjartó, criticou a detenção e anunciou a expulsão de duas pessoas que trabalham na embaixada ucraniana, em Budapeste, acusando-os também de espiarem para Kiev.

Num comunicado extenso publicado na rede social Telegram, os SBU denunciaram a descoberta de “rede de agentes dos serviços secretos militares húngaros que espiavam contra o nosso país e a detenção de duas pessoas que estariam envolvidas numa “célula.

 “A tarefa desta célula consistia em recolher informações sobre a segurança militar da região da Transcarpátia, procurar vulnerabilidades na defesa terrestre e aérea da região e estudar as opiniões sociopolíticas dos residentes locais: em particular, cenários do seu comportamento se as tropas húngaras entrassem na região”, lê-se no comunicado.

Os dois detidos são cidadãos ucranianos, um homem de 40 anos e uma mulher, que terão sido contactados pela Hungria, através de um representante da espionagem de Budapeste que terá trabalhado com ambos no terreno para espiar as forças armadas ucranianas naquela região, que tem uma grande minoria húngara e chegou a fazer parte da Hungria até ao fim da Primeira Guerra Mundial.

O homem terá sido o primeiro a ser recrutado, em 2021, e “activado” em 2024, tendo sido encarregado de estudar o estado de espírito da população local“, revela o comunicado.

Após recolher informações, viajou para a Hungria para se apresentar ao seu supervisor. Para poder atravessar a fronteira, o traidor emitiu um certificado de cuidador do seu pai doente, que necessitava de tratamento em instituições estrangeiras”, alegam os SBU.

Já a detida, segundo a mesma fonte, saiu das forças armadas ucranianas em 2025 e teria como funções principais reportar sobre a presença de helicópteros e aviões militares na região.

“Ao formar esta rede de agentes, os serviços secretos estrangeiros esperavam alargar o leque de recolha de informações, incluindo a obtenção de dados da linha da frente”, acrescentaram ainda os serviços ucranianos.

Dois ucranianos foram expulsos, diz ministro húngaro.

Em resposta, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria, Peter Szijjartó, classificou esta denúncia da segurança interna ucraniana como sendo a “última campanha de difamação contra os húngaros” vinda de Kiev.

Num vídeo publicado no Instagram, o ministro anunciou então a expulsão de “dois espiões que trabalhavam sob cobertura diplomática na Embaixada da Ucrânia em Budapeste“, citando estas “campanhas” como a razão.

 “Entregámos a decisão e a nota para o efeito ao embaixador da Ucrânia em Budapeste, aqui no Ministério dos Negócios Estrangeiros”, referiu Szijjartó.

Nós, húngaros, queremos paz, dizemos não à guerra, nunca fornecemos armas à Ucrânia, nem nunca o faremos, e não permitimos nem permitiremos que nos arrastem para esta guerra, que arrastem a Hungria para esta guerra”, declarou ainda o ministro.

A Ucrânia, reagindo a esta medida, chamou o embaixador húngaro ao Ministério dos Negócios Estrangeiros e disse que também expulsou dois diplomatas húngaros que trabalhavam na representação do país em Kiev, dando-lhes 48 horas para sair do país.

“Estamos a agir em resposta às acções da Hungria, com base no princípio da reciprocidade e nos nossos interesses nacionais“, disse o ministro Andrii Sybiha, na rede social X.

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