Tal o outro, do nosso António Nobre, conquanto
mais aprumado, sem dúvida. Reagindo ao mundo-cão que o atravessa.
«Ai do
Lusíada, coitado,
Que vem de tão longe, coberto de pó.
Que não ama, nem é amado,
Lúgubre Outono, no mês de Abril!
Que triste foi o seu fado!
Antes fosse pra soldado,
Antes fosse próprio Brasil...»
É o que diz António Nobre do nosso. Mas
Zelensky enfrenta o desaire e o cinismo, movido pelo seu ideal de amor pátrio.
Com esforço valente. Com raiva, certamente. Sem ai nem ui.
Putin já
propôs duas tréguas que não foram cumpridas, mas mostra reservas para aceitar
cessar-fogo de 30 dias. Zelensky critica falta de boa-fé do Kremlin. E nenhum
dos líderes quer desagradar a Trump.
JOSÉ CARLOS
DUARTE: Texto
OBSERVADOR, 12
mai. 2025, 22:32
Calculismo, estratégia e manipulação. Desde meados de março que estes são os
conceitos que têm pautado as tentativas de negociação entre a Rússia e a
Ucrânia, com intermediação de outros países, para alcançarem um cessar-fogo
temporário. O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, sugeriu
que, a partir desta segunda-feira, vigorasse uma trégua de 30 dias com o apoio dos aliados europeus. No entanto,
o lado russo não a aceitou e contrapôs discutir os contornos numa reunião
com diplomatas ucranianos em Istambul, na próxima quinta-feira. Zelensky disse que sim, mas desafiou Putin
para um encontro cara a cara a que Trump já se disponibilizou para se juntar,
mas em que ninguém sabe ainda quem vai realmente estar. É um jogo
de xadrez em que todos estão a pensar a próxima jogada.E, mesmo que haja encontro, a jogada está
longe de ser para cheque-mate.
Quem acompanha de perto estas
dinâmicas — e molda as mesmas — é na verdade o Presidente norte-americano. Desde que
regressou à Casa Branca, Donald Trump prometeu terminar com o conflito em
poucas semanas. Ficou longe de concretizar o objectivo do fim rápido para a
guerra. Continua empenhado na condução das negociações, faz questão de ter
protagonismo (seja ao vivo — para o melhor e o pior, ao lado de Zelensky no
Vaticano e na Casa Branca —, ou na
sua rede social), mas já avisou que, se o impasse continuar por muito mais
tempo, Washington se retira destes esforços.
Exausta
com uma guerra que há dura há mais de três anos, a Ucrânia já se mostrou
disponível para terminá-la. Os dirigentes ucranianos ressalvam, no entanto, que o fim deve ser
“justo” (sem cedências territoriais) e deve trazer uma “paz duradoura”, algo
com o qual os países europeus concordam plenamente. Porém,
a Rússia tem uma visão diferente. Estando
actualmente na ofensiva no campo de batalha, Moscovo tem mostrado que não está
com pressa, mesmo que os ganhos no teatro das operações sejam lentos e limitados.
Isso concede-lhe uma vantagem negocial e o Kremlin quer ganhar alguma coisa com isso, elevando a fasquia e obrigando
Kiev a ceder.
▲ Presidente
russo quer obrigar Ucrânia a ceder VYACHESLAV PROKOFYEV/SPUTNIK/KREMLIN POOL/EPA
No fim-de-semana, o porta-voz do
Kremlin, Dmitry Peskov, clarificou o posicionamento russo.
Acusando a Ucrânia de “não estar
pronta para negociações imediatas”, o responsável da presidência
assinalou que o “Presidente Putin está a
fazer o possível para resolver o problema, para alcançar um acordo através de
meios pacíficos e diplomáticos. Mas
não tendo meios diplomáticos e democráticos ao nosso alcance, temos de
continuar a operação militar”
É entre estes dois polos que a
presidência norte-americana está a tentar jogar. A estratégia também se
alterou, como escreve
o Wall Street Journal. Consultando fontes da presidência, o jornal apurou
que Donald Trump pensou inicialmente que com a Rússia seria mais fácil de negociar,
enquanto a Ucrânia era vista como a parte menos conciliatória — e isso ajuda a
explicar as palavras mais duras dirigidas a Volodymyr Zelensky na Sala Oval. Porém,
a administração dos EUA vê agora a Rússia como aquela que está menos disposta a
dialogar e ter-se-á mesmo sentido usado por Putin. Daí
o encontro com o Presidente ucraniano na Basílica de S. Pedro aquando do
funeral do Papa Francisco.
Num verdadeiro jogo de xadrez, existe um
objectivo em comum: não
irritar e perturbar Donald Trump. Por
um lado, a
Ucrânia e os parceiros sabem que, sem os norte-americanos em cena, será
impossível que Kiev se defenda e ganhe vantagem negocial. Por outro,
a Rússia pretende manter a simpatia que sabe ter de alguns membros da
administração Trump, terminando com a guerra com um acordo em que saia
claramente por cima, além de ambicionar o levantamento das sanções por parte do
Ocidente. Entre reviravoltas e jogadas calculistas, estas
foram as datas em que se moveram as peças deste desafio diplomático.
▲Vladimir
Putin e Volodymyr Zelenksy competem pela simpatia de Donald Trump FRANCIS
CHUNG / POOL/EPA
11 de março: Ucrânia toma a
iniciativa e concorda com cessar-fogo de 30 dias
Foi
a jogada de saída, o momento que começou oficialmente com esta dinâmica. Em Jeddah, na Arábia Saudita, a Ucrânia
concordou com os Estados Unidos da América em apoiar uma trégua de 30 dias no mar, em terra e no ar. Essa
receptividade ucraniana ao aceitar um cessar-fogo teve como consequência o
retomar do apoio militar e troca de informação confidenciais por parte dos EUA,
algo que tinha sido suspenso dias após a discussão na Sala Oval.
“A bola
está do lado da Rússia.” Esta foi a
ideia que muitos líderes repetiram. Até o secretário de Estado, Marco Rubio,
assumiu que cabia a Moscovo aceitar a trégua. Do Kremlin, os sinais foram mistos e não
houve um ‘sim’ claro ao cessar-fogo, o que permitiu à Ucrânia explorar e
demonstrar a sua boa-fé no processo negocial, recuperando alguma confiança dos
parceiros norte-americanos.
▲ A reunião
entre diplomatas ucranianos e norte-americanos em Jeddah, na Arábia Saudita ANDRIY
YERMAK TELEGRAM HANDOUT/EPA
18 de março: o telefonema que deixou
quase tudo igual
A jogada de resposta. Vladimir Putin manifestou “reservas” em relação a este
cessar-fogo temporário,
frisando que era necessário analisar quais eram as “razões profundas” do conflito. Não se opôs, ainda assim; sublinhou que
a Rússia concordava com o
“princípio básico” da trégua.
Para tentar eliminar estas dúvidas, Donald Trump falou ao
telefone, a 18 de março, com o seu homólogo no Kremlin.
Apesar da expectativa, o resultado da
chamada foi decepcionante. Vladimir Putin apenas aceitou uma trégua
na área da energia, prometendo que a Rússia se absteria de atacar as
infraestruturas energéticas do país vizinho. A Ucrânia aproveitou para denunciar a falta de vontade
russa em alcançar um cessar-fogo, que
ambas as partes alegam que foi violado múltiplas vezes.
25 de março: o cessar-fogo marítimo com
mediação norte-americana
Meras manobras. As
negociações entre as três partes progrediram nos dias seguintes para tentar
chegar a um acordo mais amplo e a um cessar-fogo temporário total. A 25 de março, a Rússia anunciou que
concordava com um cessar-fogo no Mar Negro. A Ucrânia saudou a movimentação. Mas a Rússia saiu a
ganhar: foram os Estados Unidos que tiveram de ceder, prometendo “ajudar a
Rússia com sistemas de pagamento internacionais, seguro marítimo e acesso
portuário para que possa exportar fertilizantes e outros produtos agrícolas
para o mercado global”.
▲ Cessar-fogo
no Mar Negro juntou-se ao energético AFP VIA GETTY IMAGES
19 a 20 de abril: a trégua da Páscoa
(que nenhum dos lados respeitou)
Tentativa de ganhar terreno. Entre o final de março e meados de abril,
houve várias reuniões entre dirigentes ucranianos, norte-americanos e russos. Nenhuma
delas trouxe o cessar-fogo total temporário entre a Rússia e a Ucrânia. Os
Estados-Unidos deixaram no ar a
possibilidade de dividir a Ucrânia e pressionavam o país invadido a ceder a Crimeia
— anexada em 2014 pela Federação Russa — algo que irritou Kiev.
Sem
que nada fizesse esperar, a 19 de abril, o chefe das Forças Armadas da Rússia,
Valery Gerasimov, anunciou um cessar-fogo unilateral, que vigoraria
durante desde o sábado de Páscoa às 18h00 até às 00h00 da segunda-feira de
Páscoa. “Por considerações humanitárias, o lado russo
declara uma trégua pascal. Ordeno que todas as acções militares sejam
interrompidas”, afirmou o líder militar.
A Ucrânia olhou com muitas reservas
para a ‘oferta’. Volodymyr
Zelensky exigiu que Vladimir Putin se comprometesse uma trégua de 30 dias e
acusou o homólogo russo de fazer um “cessar-fogo para as manchetes”. De
qualquer modo, as hostilidades nunca cessaram totalmente com Moscovo e Kiev a
alegar que houve violações de parte a parte.
▲Militares
ucranianos celebram a Páscoa a 20 de abril de 2025, durante a qual não vigorou
o cessar-fogo AFP VIA GETTY IMAGES
24 de abril: “Vladimir, PÁRA!” A mensagem que mostrou a insatisfação de Trump
com Putin.
A intervenção do negociador. Donald Trump absteve-se várias vezes de
criticar o seu homólogo russo durante a guerra. Mas após um ataque a Kiev a 24 de abril, que matou
doze pessoas, o Presidente norte-americano usou a Truth Social para fazer umas
das condenações mais efusivas ao chefe de Estado da Rússia. “Não estou contente com os ataques russos
em Kiev. Não são
necessários e o timing é mau. Vladimir, PÁRA!”. Era uma das jogadas mais
interventivas do negociador, depois de muitos dizerem que estava a ser usado
por Putin. O próprio viria a usar a expressão, de forma mais rude.
26 de abril: a reunião em Roma que
pode ter sido um “momento de viragem”
A jogada que virou o jogo (para já). Na Basílica de São Pedro, após esta
mensagem de condenação de Donald Trump, veio um momento em que a Ucrânia
mostrou uma coordenação surpreendente com a presidência norte-americana.
Durante o funeral do Papa Francisco, o chefe de Estado ucraniano reuniu-se com
o seu homólogo e Volodymyr Zelensky descreveu o encontro como “muito simbólico
e que tem o potencial para se tornar história se alcançar resultados conjuntos”.
No primeiro encontro após a
discussão na Sala Oval, Donald Trump parece ter dado razão à versão ucraniana
de que Vladimir Putin não quer paz. Na Truth Social, escreveu que “não havia
razões para Putin disparar mísseis para áreas civis e cidades”, destacando: “Isso faz-me pensar que talvez ele não queira parar a
guerra, talvez ele está apenas a enrolar-me. [Talvez] isto tenha de ser tratado de
forma diferente, através de sanções”. Ficava assim patente a
ideia de que Trump se sentia usado. E de que não gostava. E que por isso ia
ajudar o outro lado. A chantagem
funcionou — aparentemente.
▲Zelensky
e Trump na Basílica de São Pedro, em Roma FOREIGN AFFAIR MINISTR HANDOUT
HANDOUT/EPA
O Kremlin não demorou tempo a reagir.
Para não desagradar Donald Trump e evitar sanções pesadas, Dmitry Peskov
veio esclarecer que a Rússia estava pronta“para retomar negociações com a
Ucrânia sem quaisquer sem pré-condições”. Esta é, aliás, a designação que a
presidência russa usa, quando sente que Volodymyr Zelensky se está a aproximar
com o Presidente norte-americano.
28 de abril: a nova trégua proposta
por Putin — desta vez de três dias
O pequeno recuo. Perante a aproximação
entre Kiev e Washington, Vladimir Putin passou das palavras aos atos. Tal como
na Páscoa, o Presidente russo anunciou uma nova trégua unilateral, que
desta vez duraria três dias — de 8 a 10 de maio. O motivo foram “razões
humanitárias”, mas é muito provável que este cessar-fogo tivesse a ver com o
Dia da Vitória. O chefe de Estado da Rússia organizou uma grande cerimónia em
Moscovo, a 9 de maio, para festejar a vitória do Exército Vermelho face às
tropas nazis, onde recebeu vários líderes estrangeiros.
Vladimir Putin queria impedir que a
Ucrânia tentasse prejudicar as celebrações e incentivou as autoridades
ucranianas a aceitarem a trégua. Mas a Ucrânia não se mostrou colaborante: o
ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, questionou por que
motivo se iria “esperar por dia 8 de maio”: “Se a Rússia quer a paz, deve
terminar as hostilidades imediatamente”.
▲ As
celebrações do Dia da Vitória em Moscovo a 9 de maio AFP via Getty Images
9 de maio: o Dia da Vitória e como
Putin tentou mostrar que não está sozinho
A jogada para outros verem. A Ucrânia nunca deu uma resposta oficial
à trégua de três dias. À semelhança do cessar-fogo durante a Páscoa, os dois
lados relataram várias violações ao cessar-fogo. Ainda assim, Vladimir Putin
conseguiu festejar com sucesso o Dia da Vitória.
O
chefe de Estado da Rússia juntou mais de 25 líderes estrangeiros em Moscovo,
destacando-se a presença do Presidente da China, Xi Jinping, e o do Brasil,
Lula da Silva. Num discurso na Praça Vermelha, Vladimir Putin exaltou a união
do povo russo e deu pistas que vai continuar a “desnazificar” e
“desmilitarizar” a Ucrânia.
10 de maio: Zelensky recebe aliados
europeus em Kiev, pressionam Putin e este responde
A resposta ucraniano/europeia. Horas
após as cerimónias do Dia da Vitória terem acabado em Moscovo, Volodymyr
Zelensky recebia em Kiev os seus principais aliados, numa espécie de resposta
aos líderes estrangeiros que estiveram na capital russa. O Presidente de França,Emmanuel
Macron, o chefe do executivo da Polónia, Donald Tusk, o primeiro-ministro do
Reino Unido, Keir Starmer, e o chanceler alemão, Friedrich Merz (na sua
primeira visita oficial no cargo à Ucrânia), reuniram-se num encontro informal
da “coligação boa-vontade”, que, à distância, contou com mais de 30
participantes, incluindo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
▲ Líderes europeus (Keir Starmer, Volodymyr
Zelensky, Emmanuel Macron, Donald Tusk e Friedrich Merz) conversam ao telefone
com Donald Trump em Kiev
Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano
Com
o aval de Donald Trump, que falou ao telefone com os líderes em Kiev, a Europa
pressionava Vladimir Putin a aceitar um cessar-fogo total e imediato de 30 dias. O
Presidente russo tinha de dar resposta até esta segunda-feira. Caso contrário,
a Rússia seria alvo de novas sanções, que seriam coordenadas entre as capitais
europeias e Washington. Era a primeira vez que havia um posição comum entre os
dois lados do Atlântico para obrigar Vladimir Putin a sentar-se na mesa das
negociações.
Ao final do dia, após o Kremlin ter
sinalizado que “estava a pensar”
na proposta, Vladimir Putin deu uma conferência de imprensa. Reiterou a sua disponibilidade para
alcançar um cessar-fogo, mas realçou que o gostaria de o fazer directamente com
a Ucrânia. O chefe de Estado da Rússia apontou para uma nova ronda
de negociações teria lugar em Istambul, na Turquia, esta
quinta-feira.
“Estamos a propor que Kiev retome as
negociações directas sem quaisquer condições prévias. Oferecemos às autoridades de Kiev que retomem as negociações já na
quinta-feira, em Istambul”, afirmou Vladimir Putin este sábado à noite,
lamentando ainda as ameaças dos países do Ocidente.
▲Putin
propôs encontro em Istambul para discutir o cessar-fogo AFP via Getty Images
11 de maio: Zelensky aumenta a parada e
quer encontrar-se directamente com Putin. E a pressão de Trump
A tentativa de fazer xeque. O
Presidente da Ucrânia reagiu na manhã de domingo, saudando o “sinal positivo”
de que a Rússia estava “finalmente a começar a considerar acabar a guerra”.
Anunciando que a Ucrânia estaria
presente na reunião em Istambul, Volodymyr Zelensky insistiu, contudo, na
trégua de 30 dias. “Esperamos
que a Rússia confirme o cessar-fogo — total, duradouro e fiável — a começar
amanhã [na segunda-feira].”
Por sua vez, Donald Trump também deu a
sua opinião sobre o assunto — e apelou
a que as autoridades ucranianas aceitassem reunir-se com as russas em Istambul.
“O Presidente Putin da Rússia não quer
um acordo de cessar-fogo com a Ucrânia, mas quer antes encontrar-se na
quinta-feira, na Turquia, para negociar o possível fim deste derrame de sangue.
A Ucrânia deve concordar com isto imediatamente. Pelo menos serão capazes de
determinar se querem ou não um acordo e, se não, os líderes europeus e os EUA
vão saber como está o ponto da situação e vão agir de acordo com isso.”
O Presidente norte-americano não
deixou de mandar uma farpa para o seu homólogo russo, duvidando que a Ucrânia “faça um acordo
com Putin”, que está “muito ocupado a celebrar a vitória na Segunda Guerra
Mundial, que não poderia ter acabado em vitória sem os Estados Unidos da
América”.
▲Volodymyr
Zelensky propôs encontrar-se com Vladimir Putin na Turquia MARTIN DIVISEK/EPA
Em reacção a esta mensagem, Volodymyr Zelensky voltou a fazer uma
jogada para encurralar Vladimir Putin. Sabendo de antemão que o Presidente
russo não lhe reconhece legitimidade por causa da não convocação das eleições
presidenciais ucranianas em maio de 2024 (que não foram celebradas pela
vigência da lei marcial), o chefe de Estado desafiou o seu homólogo a um
encontro pessoal, cara a cara.
Este
domingo à tarde, Volodymyr Zelensky disse que ainda “estava à espera de um
cessar-fogo total e duradouro” que vigorasse a partir desta segunda-feira. “E eu estarei à espera de Putin na Turquia
na quinta-feira. Pessoalmente. Espero que desta vez os russos não encontrem
desculpas”, atirou o Presidente da Ucrânia, num desafio a Vladimir
Putin. Xeque?
12 de maio: Alemanha volta a acenar
com sanções e Rússia rejeita cessar-fogo
Que jogada fará Putin? O
encontro em Istambul está já a ser organizado pela presidência turca. Apenas Volodymyr Zelensky confirmou
presença, não se sabendo quem é que irá do lado russo e se Vladimir Putin vai
responder ao desafio do seu homólogo ucraniano. Porém, quem pode estar presente é o Presidente norte-americano; Donald Trump
admitiu que, no seu périplo pelo Médio Oriente desta semana, poderia estar na
reunião.
▲ Donald
Trump pode encontrar-se com Vladimir Putin em Istambul
POOL/AFP via Getty Images
Entretanto, a Alemanha
deixou um ultimato à Rússia. Tem até ao
final desta segunda-feira para aceitar publicamente um cessar-fogo de 30 dias. “O
relógio está a contar”, alertou o porta-voz do governo alemão, Stefan
Kornelius, deixando o aviso: “Quando
o dia acabar, os preparativos para as sanções vão começar a nível político.
Paralelamente, estamos a preparar o 17.º pacote de sanções em Bruxelas”.
Essa pressão não funcionou, pelo
menos até agora. O porta-voz
do Kremlin criticou os líderes europeus por fazerem “avisos em forma de
ultimato” e revelou que a Rússia não ia aceitar a proposta de cessar-fogo.
“Esta linguagem é inaceitável para a Rússia”, ripostou
Dmitry Peskov, admitindo, no entanto, que Moscovo está “disponível para encontrar uma forma para chegar a paz a longo prazo”.
Quinta-feira será um dia determinante para ver se este
jogo de xadrez comunicacional, em que os dois países tentam superar o
adversário, vai continuar ou se se vai chegar finalmente a uma conclusão. Em
todo o caso, a Rússia e a Ucrânia
querem que os Estados Unidos apoiem as suas propostas — e vão fazer de tudo
para caírem nas boas graças de Donald Trump.
GUERRA NA UCRÂNIA UCRÂNIA
EUROPA MUNDO
RÚSSIA VLADIMIR PUTIN
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