“Na
natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”. Verdade ou
não, os dois textos seguintes do meu g. mail – “o poema de CARLOS CARRANCA” e a
reflexão de HENRIQUE SALLES DA FONSECA repõem
o velho tema da insatisfação e do espanto do mundo, ante as realidades ou a insatisfação
dos próprios mundos pessoais, afinal de ignorância do absoluto, reveladores do
absurdo existencial, referindo também autores que sobre isso dissertaram, fruto
das suas próprias vivências e saberes, a utopia tornada um conceito da incompreensão
humana, na sua pretensão racionável. E lembrei Venceslau de Moraes, que o meu
pai tinha na sua estante, suponho que em livros comprados em Macau, onde esteve
na tropa, e que serviu de paralelo ao Dr. Salles, para mostrar a evolução e a
passagem .
Eis o primeiro texto, de Carlos
Carranca, de reflexão poética e de grandeza profundamente sentida e simples
sobre a limitação humana no acesso ao saber absoluto. (Entretanto, a Internet
pode satisfazer a nossa ambição de conhecer melhor os aurores citados: Kafka,
Wenceslau de Moraes… e a Madame Butterfly ou substituta, esta em filmes que
fizeram época:
1º TEXTO:
«Ana Isabel
Sousa Oliveira está com Rosa Coutinho
Júlio e CARLOS
CARRANCA - MEMÓRIAS.»
Lisboa (IPO-UTM)1.XII.2018
«O absurdo de tudo está na chamada à realidade. Somos ou não somos
filhos da nossa própria circunstância?
Pego nas "CARTAS A MILENA" de Kafka, e fico sem pé na vida.
Qual realidade, qual carapuça! Por onde andamos, andamos sempre sozinhos entre
gente que se acotovela na pressa de chegar ao destino.
O absurdo está em não tomar o tempo como meu, nem como nosso, nem sequer
como tempo.
Carlos
Carranca
2º TEXTO, revelador
do homem viageiro no mundo, reflectindo nas alterações que a passagem do tempo
traz às civilizações e bem assim os autores que se debruçaram sobre o Japão e
algumas das «suas gentes”, como o fez Venceslau de Morais, que existia na
estante do meu pai, trazido, não do Japão mas de Macau:
Henrique Salles da
Fonseca
28.05.25
«Em
Yokohama lembrei-me daquele arqueólogo francês que disse que
«Hoje
tudo são campos onde foi Troia».
Em Yokohama não ouvi o «Coro dos Marinheiros» e na suave colina não vi
a casa de Butterfly.
«Hoje, em Yokohama tudo são enormes prédios cúbicos e metálicos, nada
resta dos lugares em que houve romance em casas de bambu; o jardim do
requintado bonsai e da gravilha com cada pedrícula no lugar certo, é peça de
museu; a última gueixa há muito que passou para o mundo Shin Tô dos espíritos e
a cerimónia do chá é ideia que aos poucos se desvanece nas brumas da memória.
«Nada
resta da Civilização que levou Wenceslau à paixão. É pena e Yokohama já não é.
Maio de 2025
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