quinta-feira, 29 de maio de 2025

Lavoisier disse

 

“Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”. Verdade ou não, os dois textos seguintes do meu g. mail – “o poema de CARLOS CARRANCA” e a reflexão de HENRIQUE SALLES DA FONSECA repõem o velho tema da insatisfação e do espanto do mundo, ante as realidades ou a insatisfação dos próprios mundos pessoais, afinal de ignorância do absoluto, reveladores do absurdo existencial, referindo também autores que sobre isso dissertaram, fruto das suas próprias vivências e saberes, a utopia tornada um conceito da incompreensão humana, na sua pretensão racionável. E lembrei Venceslau de Moraes, que o meu pai tinha na sua estante, suponho que em livros comprados em Macau, onde esteve na tropa, e que serviu de paralelo ao Dr. Salles, para mostrar a evolução e a passagem .

Eis o primeiro texto, de Carlos Carranca, de reflexão poética e de grandeza profundamente sentida e simples sobre a limitação humana no acesso ao saber absoluto. (Entretanto, a Internet pode satisfazer a nossa ambição de conhecer melhor os aurores citados: Kafka, Wenceslau de Moraes… e a Madame Butterfly ou substituta, esta em filmes que fizeram época:

 

1º TEXTO:

«Ana Isabel Sousa Oliveira está com Rosa Coutinho Júlio e CARLOS CARRANCA - MEMÓRIAS

Lisboa (IPO-UTM)1.XII.2018

«O absurdo de tudo está na chamada à realidade. Somos ou não somos filhos da nossa própria circunstância?

Pego nas "CARTAS A MILENA" de Kafka, e fico sem pé na vida. Qual realidade, qual carapuça! Por onde andamos, andamos sempre sozinhos entre gente que se acotovela na pressa de chegar ao destino.

O absurdo está em não tomar o tempo como meu, nem como nosso, nem sequer como tempo.

Carlos Carranca

 

2º TEXTO, revelador do homem viageiro no mundo, reflectindo nas alterações que a passagem do tempo traz às civilizações e bem assim os autores que se debruçaram sobre o Japão e algumas das «suas gentes”, como o fez Venceslau de Morais, que existia na estante do meu pai, trazido, não do Japão mas de Macau:

YOKOHAMA

Henrique Salles da Fonseca

28.05.25

«Em Yokohama lembrei-me daquele arqueólogo francês que disse que

«Hoje tudo são campos onde foi Troia».

Em Yokohama não ouvi o «Coro dos Marinheiros» e na suave colina não vi a casa de Butterfly.

«Hoje, em Yokohama tudo são enormes prédios cúbicos e metálicos, nada resta dos lugares em que houve romance em casas de bambu; o jardim do requintado bonsai e da gravilha com cada pedrícula no lugar certo, é peça de museu; a última gueixa há muito que passou para o mundo Shin Tô dos espíritos e a cerimónia do chá é ideia que aos poucos se desvanece nas brumas da memória.

«Nada resta da Civilização que levou Wenceslau à paixão. É pena e Yokohama já não é.

Maio de 2025

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