Diz que se trata de uma bela parábola, esta da distribuição dos bons milhos pela vizinhança, segundo o conto de José Luís Lima. Concordo, sentindo a beleza do gesto do agricultor premiado, a caber na moral bíblica compensada, para ser difundida, como exemplar. Mas não é caso único, este da distribuição dos milhos, por cá. Ainda que esses não partam todos de agricultores. Somos, realmente, um povo de amigos entre si, habituados a prestar-se mútuas distribuições, por vezes retribuições, e nem direi só de milhos, e a merecer prémio, de alcance, se não divino, pelo menos provocador de felicidade, por terrena que seja. O certo é que o estrutura a intenção apensa à parábola bíblica, a sugestão da Paula parece-me adequada e mesmo relevante, pelos bons sentimentos que difunde.
Comentário de Paula Lacerda ao texto de JLL: Bela parábola. Seja qual for a religião.
O conto de José Luís Lima:
Havia um agricultor que produzia milho de excelente qualidade. Todos os
anos ganhava o prémio por cultivar o melhor milho.
Um ano, um jornalista entrevistou-o e descobriu algo interessante sobre
a forma como ele cultivava o milho.
O repórter descobriu que o agricultor partilhava as suas sementes com os
seus vizinhos. "Porque é que partilha as suas melhores sementes com os
seus vizinhos, se todos os anos elas competem com as suas?", perguntou-lhe
o repórter.
"Porquê, senhor?", respondeu o agricultor, "não sabe? O
vento apanha o pólen do milho maduro e leva-o de um campo para outro. Se os
meus vizinhos cultivarem milho de qualidade inferior, a polinização cruzada
estará constantemente a degradar a qualidade do meu milho. Se eu quiser
cultivar bom milho, tenho de ajudar os meus vizinhos a cultivar bom milho".
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