sábado, 24 de maio de 2025

Mandou a Paula


E aproveito a dádiva para complemento do texto precedente – em comentários sobre o chefe de um partido a quem apetece dizer: Chega!

Publicação de Miguel Major:

Miguel Major está em Portugal.

O país que o Chega não conquistou:

O concelho onde o Chega teve o seu pior resultado no país inteiro foi Oeiras. Espantados? Eu não.

É em Oeiras que encontramos uma das populações mais qualificadas de Portugal. Onde os rendimentos medianos são altos. Onde o abandono escolar é baixo, a coesão comunitária é real e os serviços públicos estão presentes.

E Oeiras não está sozinho.

Em freguesias como Avenidas Novas, Alvalade, Campo de Ourique ou o Parque das Nações - todas em Lisboa e com mais de 50% da população com ensino superior - o Chega ficou abaixo dos 10%.

O mesmo se passou em São João da Madeira e Coimbra, concelhos com forte presença cívica, bons níveis de literacia e serviços públicos com proximidade. Lugares onde a pertença não é retórica: é prática.

Até Bragança, o único distrito onde o Chega não elegeu qualquer deputado, confirma esta lógica: apesar da interioridade.

Nestes territórios, as pessoas sentem que têm esperança no futuro.

As escolas ensinam. E como dizia Nelson Mandela, são a arma mais poderosa para mudar o mundo.

Os bairros não são esquecidos.

E quem governa está presente.

Quando o Estado está onde deve estar - na rua, na escola, na saúde - o Chega tem dificuldades em ganhar terreno.

O Chega não cresce onde há pertença.

Não floresce onde há literacia.

Não vinga onde os filhos têm futuro.

Não “berra” onde o medo não manda.

O populismo alimenta-se de ausência, ressentimento e desilusão.

Por isso, onde há dignidade no quotidiano, o Chega perde.

Não se trata apenas de combater o Chega.

Trata-se de criar territórios onde ele não faça sentido.

Onde a política seja presença. Onde o futuro seja possível.

O problema nunca foi o Chega.

O problema é o país onde o Chega faz sentido.

É o abandono tornado norma.

É o elevador social avariado.

É a escola que deixou de ensinar a pensar.

É o Estado que deixou de estar.

E sim, o Chega tem adeptos organizados e fanáticos.

Mais do que um partido, o Chega comporta-se como um clube.

E quem acha que o combate se faz com moralismo está enganado.

Clubes não se enfrentam com sermões. Enfrentam-se com resultados.

Querem resposta?

Na escola que não fecha.

No centro de saúde que atende.

No bairro que não se degrada.

O Chega cresce onde o Estado social encolhe.

E por onde o Chega não ganha, vence a política que não se demite, a gestão que faz acontecer, o serviço público que não fecha.

Vence a competência de quem faz.

Porque quando a democracia funciona, o populismo extremista não vinga.

Não por falta de claque, mas porque, ali, o silêncio da dignidade fala mais alto.

Mais do que nunca, os partidos devem reflectir sobre o papel do Estado local na contenção, ou expansão, do populismo.

É urgente apostar em regiões e candidatos autárquicos com visão, competência e coragem transformadora.

Ou ainda há quem duvide que Beja, Portalegre, Setúbal e Faro foram deixados para trás pelo Estado central e pela ausência de lideranças fortes?

Texto Miguel de Sousa Major          Fotografia Gerardo Santos

Reacções mais relevantes

Miguel Major: Mais curioso ainda? Oeiras é precisamente um dos concelhos onde, segundo o guião do Chega, os seus slogans deviam ter ressoado com mais força: corrupção, insegurança, sistema. Um território urbano, com governação prolongada, onde se esperaria desgaste…

Miguel Major: Para ficar claro. O resto… é ruído. Fico por aqui.

Maria Salomé Pires: É fácil ser fascista num país livre ...difícil é ser livre num país fascista

Isabell Oliveira: O voto no chega não é um grito da população que quer virar o país à direita no seu lado intermediário à extrema, é um desabafo, é mostrar que não estão a fazer por todos nós, por este país, o que deviam ter feito com o poder que temos dado ao governo…

Johnny Delgado: Oeiras, onde o presidente é Isaltino Morais, ex-recluso condenado por fraude fiscal e branqueamento de capitais, tendo cumprido pena de prisão efectiva na Carregueira. Não sou preconceituoso nessa matéria e não estou a fazer juízos de valor, apenas estou a apresentar factos.

Rui Mourinha: Muito têm os políticos a nível nacional a aprender com Oeiras. Gostem ou não, é por existir planeamento, cultura de trabalho, compromisso com as pessoas e uma visão política que vai para além dos 20 - 30 anos que Oeiras se tornou no que é hoje.

Rui Reis: Disseste tudo, Miguel Major, o Chega só tem poder porque alguém falhou na sua missão por isso o Chega cresceu e vai continuar a crescer enquanto PS e PSD falharem na sua Missão de ajudar Portugal e os Portugueses

Mariana Malhadas: O Chega já tem os relatórios dos exames que fez e ser mentiroso

Joao Lima: Já tivemos essa conversa, o CHEGA cresceu precisamente onde todas esses problemas imperam e não há politicas de resolução. E mais te digo, continuar a ignorar o problema é a receita de desgraça, como é agora como era quando falámos. É fechar os olhos

Maria Bandeira: Fossem todos os concelhos como o de Oeiras. Aqui deste lado, sabes bem o que acontece. É só para ricos. Nível de Educação não interessa, produtividade... o que é isso, quando parece que mais de metade das pessoas não trabalha...

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