E aproveito a dádiva para complemento do texto precedente – em comentários sobre o chefe de um partido a quem apetece dizer: Chega!
Publicação de
Miguel Major:
Miguel Major
está em Portugal.
O país que o Chega não
conquistou:
O concelho onde o Chega teve o seu
pior resultado no país inteiro foi Oeiras. Espantados? Eu não.
É
em Oeiras que encontramos uma das populações mais qualificadas de Portugal. Onde os rendimentos medianos são altos. Onde o
abandono escolar é baixo, a coesão comunitária é real e os serviços públicos
estão presentes.
E Oeiras não está sozinho.
Em
freguesias como Avenidas Novas, Alvalade, Campo de Ourique ou o Parque das
Nações - todas em Lisboa e com mais de 50% da população com ensino superior - o
Chega ficou abaixo dos 10%.
O
mesmo se passou em São João da Madeira e Coimbra, concelhos com forte
presença cívica, bons níveis de literacia e serviços públicos com proximidade.
Lugares onde a pertença não é retórica: é prática.
Até
Bragança, o único distrito onde o Chega não elegeu qualquer deputado,
confirma esta lógica: apesar da interioridade.
Nestes
territórios, as pessoas sentem que têm esperança no futuro.
As
escolas ensinam. E como dizia Nelson Mandela, são a arma mais poderosa para
mudar o mundo.
Os
bairros não são esquecidos.
E
quem governa está presente.
Quando
o Estado está onde deve estar - na rua, na escola, na saúde - o Chega tem
dificuldades em ganhar terreno.
O
Chega não cresce onde há pertença.
Não
floresce onde há literacia.
Não
vinga onde os filhos têm futuro.
Não
“berra” onde o medo não manda.
O populismo alimenta-se de ausência,
ressentimento e desilusão.
Por
isso, onde há dignidade no quotidiano, o Chega perde.
Não se trata apenas de combater o
Chega.
Trata-se
de criar territórios onde ele não faça sentido.
Onde
a política seja presença. Onde o futuro seja possível.
O problema nunca foi o Chega.
O
problema é o país onde o Chega faz sentido.
É
o abandono tornado norma.
É
o elevador social avariado.
É
a escola que deixou de ensinar a pensar.
É
o Estado que deixou de estar.
E
sim, o Chega tem adeptos organizados e fanáticos.
Mais do que um partido, o Chega
comporta-se como um clube.
E quem acha que o combate se faz com
moralismo está enganado.
Clubes não se enfrentam com sermões.
Enfrentam-se com resultados.
Querem resposta?
Na
escola que não fecha.
No
centro de saúde que atende.
No
bairro que não se degrada.
O Chega cresce onde o Estado social
encolhe.
E
por onde o Chega não ganha, vence a política que não se demite, a gestão que
faz acontecer, o serviço público que não fecha.
Vence
a competência de quem faz.
Porque quando a democracia funciona,
o populismo extremista não vinga.
Não
por falta de claque, mas porque, ali, o silêncio da dignidade fala mais alto.
Mais do que nunca, os partidos devem
reflectir sobre o papel do Estado local na contenção, ou expansão, do populismo.
É urgente apostar em regiões e
candidatos autárquicos com visão, competência e coragem transformadora.
Ou
ainda há quem duvide que Beja, Portalegre, Setúbal e Faro foram deixados para
trás pelo Estado central e pela ausência de lideranças fortes?
Texto Miguel de Sousa Major Fotografia Gerardo
Santos
Reacções mais relevantes
Miguel Major: Mais curioso ainda? Oeiras é
precisamente um dos concelhos onde, segundo o guião do Chega, os seus slogans
deviam ter ressoado com mais força: corrupção, insegurança, sistema. Um
território urbano, com governação prolongada, onde se esperaria desgaste…
Miguel Major: Para ficar claro. O resto… é ruído. Fico por aqui.
Maria Salomé Pires: É fácil ser
fascista num país livre ...difícil é ser livre num país fascista
Isabell Oliveira: O voto no chega não é um grito
da população que quer virar o país à direita no seu lado intermediário à
extrema, é um desabafo, é mostrar que não estão a fazer por todos nós, por este
país, o que deviam ter feito com o poder que temos dado ao governo…
Johnny Delgado: Oeiras, onde o presidente é
Isaltino Morais, ex-recluso condenado por fraude fiscal e branqueamento de
capitais, tendo cumprido pena de prisão efectiva na Carregueira. Não sou preconceituoso
nessa matéria e não estou a fazer juízos de valor, apenas estou a apresentar
factos.
Rui Mourinha: Muito têm os políticos a nível nacional a
aprender com Oeiras. Gostem ou não, é por existir planeamento, cultura de
trabalho, compromisso com as pessoas e uma visão política que vai para além dos
20 - 30 anos que Oeiras se tornou no que é hoje.
Rui Reis: Disseste tudo, Miguel Major,
o Chega só tem poder porque alguém falhou na sua missão por isso o Chega
cresceu e vai continuar a crescer enquanto PS e PSD falharem na sua Missão de
ajudar Portugal e os Portugueses
Mariana Malhadas: O Chega já tem os relatórios
dos exames que fez e ser mentiroso
Joao Lima: Já tivemos essa conversa, o CHEGA cresceu
precisamente onde todas esses problemas imperam e não há politicas de resolução.
E mais te digo, continuar a ignorar o problema é a receita de desgraça, como é
agora como era quando falámos. É fechar os olhos
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