sábado, 24 de maio de 2025

Abertura de fronteiras


Pois! Consequências (não previstas?) das descolonizações exemplares. Mas estas, por seu turno, fazem parte da evolução - ou da mudança, que é uma designação mais clássica, a qual, por seu turno, muitas vezes resulta do sonho, como explicou o nosso GEDEÃO, aquele último também muito comum entre nós, ainda que acordados, para pularmos e avançarmos em movimentação e ritmo específico da nossa destreza bailarina, mesmo a dormir:

“…Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que o homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.”

Alemanha. Como a AfD se tornou líder da oposição

Na Alemanha, as "linhas vermelhas" receberam o nome "parede corta-fogo". Mas essa "parede" não impediu o crescimento da AfD, que se radicalizou e ficou em segundo lugar nas últimas eleições.

MADALENA MOREIRA:  TEXTO

OBSERVADOR, 22 mai. 2025, 16:559

Índice

Do “partido dos professores” à “extrema-direita”: a evolução da AfD

Deixados para trás e com medo do futuro: por que votam os eleitores na AfD?

Normalização ou exclusão? As fissuras na “parede corta-fogo”

[Este texto faz parte de uma série que o Observador está a publicar sobre os terramotos políticos provocados pelos partidos antissistema de direita radical em diferentes países da Europa Ocidental]

O que os meus pais me ensinaram é que costumavam viver em paz e sossego, sem ter de ter qualquer medo no seu próprio país. Eu gostava de viver num país em que não tenho de ter medo”.

Nick tem 19 anos, vive no leste da Alemanha, na cidade de Freiberg, e nas eleições legislativas do passado dia 23 de fevereiro votou na Alternativa para a Alemanha (AfD na sigla original). O “medo” que, diz à BBC, motiva o seu sentido de voto é partilhado com o seu amigo Dominic, de 30 anos: o da imigração. E o sentimento não é isolado. Mais a norte, em Bernau bei Berlin, outro eleitor da AfD também justifica o seu voto com “a confusão em que as coisas estão na Alemanha”. “O meu problema começou em 2015, quando as fronteiras foram abertas”, elaborou.

Os alemães que elegeram a imigração como a sua maior preocupação nesta ida às urnas dizem ter encontrado resposta às suas preocupações na AfD, que escolheu o tema como bandeira. O “problema” revelou-se comum a milhares de pessoas e o partido conseguiu eleger 152 deputados para o Bundestag, o Parlamento alemão. No mesmo mês em que completou doze anos, a AfD tornou-se o segundo maior partido da Alemanha.

A abordagem da AfD à imigração não passa apenas por impor um travão à entrada. No início deste ano, a líder Alice Weidel utilizou mesmo a expressão “remigração”, que contempla a deportação em massa de todos os imigrantes sem raízes no país. Na Alemanha, o termo agita a memória colectiva do nazismo. É esta mesma memória, não muito distante, que criou na política alemã um tabu sobre a cooperação e alianças com partidos da extrema-direita.

Alice Weidel é a actual líder da AfD

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No entanto, apesar das posições mais recentes, a AfD não nasceu em 2013 como um partido extremista, mas como uma cisão de democratas-cristãos desiludidos com a CDU de Angela Merkel. O ponto de viragem na matriz da AfD deu-se no mesmo ano que o eleitor de Bernau bei Berlin identifica como a “origem do problema”: 2015, quando a então chanceler anunciou o acolhimento de mais de um milhão de requerentes de asilo. A política de portas abertas fomentou a retórica nacionalista que a AfD capitalizou, apontam especialistas.

A AfD começou, portanto, a traçar um caminho inverso ao dos seus pares europeus. Enquanto os outros partidos antissistema moderavam o seu discurso à procura de votos que lhes permitissem entrar nas instituições democráticas, a AfD extremou o discurso e tornou-se um partido “radical, autoritário nacionalista”, como classificou o sociólogo Wilhelm Heitmeyer, especialista em movimentos de extrema-direita.

Em 2018, a CDU transformou um tabu em promessa e criou aquilo a que chamou uma “parede corta-fogo” contra qualquer “coligação ou outra forma de cooperação” com a AfD. Passados sete anos, e com a extrema-direita a liderar a oposição, os partidos do arco da governação reiteram que o cordão sanitário se mantém. Porém, fora de Berlim, a parede já começou a ruir.

Do “partido dos professores” à “extrema-direita”: a evolução da AfD

“Partido dos professores”. Era assim que a AfD era conhecida quando foi fundada, relembrava a Der Spiegel em 2019. A alcunha devia-se ao caráter intelectual dos seus fundadores, entre os quais estavam professores de economia e jornalistas conservadores que tinham integrado a União Democrata-Cristã (CDU). Dois meses depois da fundação, a AfD publicou o primeiro programa de candidatura às eleições federais do final desse ano. O manifesto tinha apenas quatro páginas e duas reivindicações claras, relativas à política monetária e europeia: a saída de Berlim da zona Euro e o fim dos resgates financeiros aos países afectados pela crise económica — entre os quais se incluía Portugal.

Os críticos apontaram tons racistas nesta segunda exigência, mas o partido negou as acusações. Afinal, na esfera social, o partido apoiava a atribuição de asilo para imigrantes perseguidos nos seus países de origem. Sete meses depois da fundação, a AfD falhou a eleição para o Bundestag por apenas 0,3% dos votos. A primeira vitória eleitoral só chegou em 2014, quando conseguiram ganhar sete eurodeputados nas eleições para o Parlamento Europeu. Nesse ano, o partido começou a somar votos em eleições locais e regionais.

O caminho para o populismo nacionalista começou no ano seguinte, quando a Alemanha, sob a liderança de Angela Merkel, abriu portas a mais de um milhão de imigrantes, muitos dos quais fugiam de guerras no Médio Oriente e em África. A narrativa nacionalista da AfD distingue-se dos seus pares europeus por incorporar ideologia völkisch, do século XIX. Esta ideologia mobiliza elementos do folclore tradicional alemão para criaruma ideia essencialista de que o povo alemão é indissociável da sua terra”, analisam Leónie de Jonge e Rolf Frankenberger, investigadores no centro de Investigação de Extremismo de Direita da Universidade de Tübingen. Na prática, a AfD introduziu esta ideologia no debate público ao criar uma divisão entre “alemães” e “outros”.

A AfD mudou o seu discurso em reacção à política de portas abertas de Merkel Sean Gallup/Getty Images

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A reformulação ideológica reflectiu-se nas urnas. Em 2017, a AfD estreou-se no Bundestag com 94 deputados. Nesse mesmo ano, um dos líderes da ala mais liberal abandonou o partido e Alice Weidel passou a integrar a cúpula. O nacionalismo acentuou-se quando a AfD começou a classificar a cultura alemã de relação com os crimes do passado, nomeadamente o Holocausto e o regime nazi, como “cultura da culpa“. Em 2018, um dos fundadores do partido, Alexander Gauland, desvalorizou a relevância histórica desses eventos, ao afirmar que “Hitler e os nazis não passaram de m**** de pássaro em mais de mil anos de História alemã bem-sucedida”.

Já o líder do partido na Turíngia, Björn Höcke, chegou mesmo a ser multado por utilizar publicamente um lema nazi banido no país: “Tudo pela Alemanha”. Sob a sua liderança, o ramo da AfD nesta região foi classificado como “extremista”, ficando sujeito a maior vigilância por parte das autoridades. Algumas figuras do partido procuraram expulsá-lo, mas falharam. Weidel viria a dizer, mais tarde, que isso foi um erro e a demonstrar o seu apoio a Höcke. O apoio do partido às suas figuras mais controversas é apontado como uma das causas para a ligeira queda nas eleições seguintes, em 2021, quando a AfD perdeu onze dos seus deputados.

O percalço a nível federal não se reflectiu nas eleições locais, em que o partido continuou a crescer até alcançar, em setembro de 2024, a sua primeira vitória eleitoral em onze anos de História, nas eleições regionais da Turíngia — ainda sob a liderança de Höcke. Esta foi também a primeira vitória de um partido de extrema-direita na Alemanha desde o regime nazi. A popularidade do líder controverso é particularmente visível entre os jovens: numa entrevista à CNN, no passado mês de fevereiro, alguns jovens eleitores do partido elogiavam a sua “honestidade” e os seus “valores” e não tinham receio de admitir que são “extremistas”.

O sociólogo Wilhelm Heitmeyer explica que a classificação de um movimento como “extremista” inclui a utilização de violência como arma. Uma vez que a AfD utiliza o argumento ideológico da superioridade alemã e não a violência, o académico prefere utilizar o termo “radicalismo autoritário nacionalista”, pelo foco da AfD na superioridade da cultura alemã. Contudo, um estudo do ano passado publicado pelo Tagesspiegel mostra que os jovens ouvidos pela CNN são um reflexo vivo de um pequeno grupo que existe entre os eleitores da AfD: um em cada cinco defende que a violência é justificada quando é para “atingir certos objectivos políticos”.

Em entrevista, Heitmeyer considera ainda que a utilização do termo não está a ser eficaz para dissuadir os eleitores de votarem na AfD. Meses depois de Höcke ter sido condenado e o seu ramo do partido ter sido classificado como “extremista”, a AfD ganhou as eleições regionais. E, apesar da queda em 2021, a tendência não se manteve a longo prazo.

Quando os alemães voltaram a ir às urnas para escolher o governo federal já neste ano de 2025 — desta vez em eleições convocadas de forma antecipada –, a AfD passou de 83 para 152 deputados. Foi o maior crescimento entre todos os partidos e colocou a AfD como líder da oposição, perante o acordo de bloco central entre conservadores da CDU e sociais-democratas do SPD.

Semanas depois da eleição, as secretas alemãs repetiram as acções que tinham tido na Turíngia e classificaram o partido a nível nacional como “extremista”, por ser “incompatível com a ordem democrática” — mas a classificação só entrará em vigor se for confirmada pelo tribunal administrativo competente. Alice Weidel ripostou, criticou a “acção vergonhosa” e anunciou que ia processar os serviços de informações internos.

"A maioria dos alemães de leste sente que não tem influência política e desejam a segurança de um Estado autoritário. Uma reacção a isto é uma apatia alimentada pela raiva. A AfD é naturalmente atractiva para estas pessoas. (...) Socialmente, uma pessoa pode perder o emprego, o estatuto, a segurança social, a família. Mas não pode perder a sua germanidade." WILHELM HEITMEYER, sociólogo especialista em movimentos de extrema-direita

ÍNDICE

Regressemos aos eleitores da AfD citados no início deste texto, que justificaram o seu voto com a imigração. Para além do mesmo sentido de voto, os três partilham outra característica: todos vivem no leste do país. Isso não é uma coincidência. Em 2025, a memória da cortina de ferro que separou a República Federal e a República Democrática ainda é uma cicatriz que divide a população. Os especialistas apontam, de forma quase unânime, que os habitantes de leste sentem que foram “deixados para trás”.

A justificação mais óbvia é a clivagem económica leste-oeste, com o oeste a ter uma maior acumulação de riqueza. Mas os especialistas alertam que é demasiado simplista reduzir a escolha pela AfD a um voto de protesto contra a situação económica. Um estudo de 2023, citado pelo Político, revela um ressentimento dos habitantes do leste com a falta de representação da região no governo e na sociedade. Wolfgang Schroeder, cientista político na Universidade de Kassel, argumenta que os eleitores que se sentem ignorados encontram um ouvido atento na AfD. Segundo a sua análise, o partido não tem de dar respostas concretas para conseguir a lealdade destes eleitores — basta ouvi-los.

Esta abordagem é particularmente útil para apelar ao voto dos abstencionistas. “A maioria dos alemães de leste sente que não têm influência política e desejam a segurança de um Estado autoritário. Uma reacção a isto é uma apatia alimentada pela raiva. A AfD é naturalmente atractiva para estas pessoas”, elabora, por sua vez, o sociólogo Heitmeyer, apontando que a atractividade está, precisamente, no seu discurso nacionalista. “Socialmente, uma pessoa pode perder o emprego, o estatuto, a segurança social, a família. Mas não pode perder a sua germanidade.”

A retórica populista — que divide a população entre alemães e não-alemãesé particularmente eficaz em tempos de crise, em que o medo do futuro, tal como Nick identifica no início deste artigo, é mais preponderante. A AfD aproveitou a onda da crise económica, da pandemia de Covid-19 e da guerra na Ucrânia para alimentar este medo do futuro. Por oposição ao futuro “assustador”, a AfD lembra “o passado ideal”, que justifica o conservadorismo social, argumenta o cientista político Florian Spissinger ao jornal Die Zeit.

A questão do “medo do futuro” é eficaz, pois vai além do estatuto económico de uma pessoa. Um inquérito do centro de estudos eleitorais alemão GLES do ano passado, citado pelo mesmo jornal, revela que quase metade (47,3%) dos eleitores da AfD inquiridos consideram que a sua situação económica não se alterou no espaço de um ano. Na verdade, um quinto chega a dizer que melhorou. Ainda assim, 70% dos inquiridos revela-se pessimista com o futuro.

A AfD ganhou as eleições na Turíngia, uma região no leste da Alemanha Getty Images

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Os especialistas alertam que, neste cenário, é importante não reduzir o voto a dois factores. Por um lado, a um voto das classes mais baixas e menos educadas, relembrando que a AfD começou como um partido liberal de protesto das elites e que o medo do futuro chega a todos — o sucesso da retórica populista está em dar um rosto a esse medo. No caso da AfD, são os imigrantes, através da mobilização do conceito de “substituição da população”, considera Spissinger.

O outro factor é o voto de protesto. Os especialistas argumentam que a classificação do apoio à AfD como um mero voto de protesto contra o governo — neste caso por ter introduzido a política de portas abertas na imigração — é ingénua e só serve para acalmar os partidos do governo. “[É uma ideia que] insinua que ‘se fizermos um esforço e aumentarmos as pensões, [os eleitores] voltam'”, critica Wilhelm Heitmeyer. Pelo contrário, o especialista apela a um olhar dos políticos sobre o contexto mais alargado que leva as pessoas a votar no partido. “Face a crises e perda de controlo, é expectável que o radicalismo autoritário nacionalista seja um modelo bem-sucedido”, remata. Mas as análises dos académicos e as medidas dos políticos são duas coisas diferentes.

Normalização ou exclusão? As fissuras na “parede corta-fogo”

No dia 25 de janeiro de 2025, milhares de pessoas reuniram-se em frente às portas de Brandenburgo, no centro de Berlim, num protesto com o lema: “Nós somos a Brandmauer“. A manifestação, motivada pelo crescimento da extrema-direita, tinha ainda outro alvo: o líder dos democratas cristãos e, à data, candidato a chanceler, Friedrich Merz, por defender regras mais apertadas contra a imigração.

Na semana seguinte, a sua proposta não vinculativa para um novo plano de regulação foi a votos no Bundestag e acabou aprovada com os votos a favor da CDU, da CSU (o partido regional da Baviera irmão da CDU) e da AfD. Foi a primeira vez que um partido alemão votou ao lado da extrema-direita para ver as suas medidas aprovadas. Não é claro quando o nome foi cunhado mas, em alemão, este cordão sanitário contra a direita radical é conhecido como “parede corta-fogo” ou Brandmauer.

A censura não veio só de fora: Merz foi alvo de críticas até da sua antecessora, Angela Merkel. O facto de ter sido a CDU a quebrar o tabu ganha ainda maior relevância, uma vez que os democratas-cristãos formalizaram a sua oposição aos movimentos dos dois extremos do espectro partidário. “A CDU da Alemanha rejeita coligações ou formas semelhantes de cooperação tanto com o Die Linke [partido A Esquerda] como com a Alternativa para a Alemanha”, pode ler-se na resolução final do congresso da CDU de 2018.

O acordo para o bloco central exclui a AfD da governação HANNIBAL HANSCHKE/EPA

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Do “partido dos professores” à “extrema-direita”: a evolução da AfD

Deixados para trás e com medo do futuro: por que votam os eleitores na AfD?

Normalização ou exclusão? As fissuras na “parede corta-fogo”

No verão de 2023, já depois de ter assumido a liderança do partido, Merz esclareceu “que a resolução ainda se aplica”. Confrontado com as críticas depois da votação sobre a imigração no final de janeiro, o líder da CDU defendeu a necessidade de uma nova política de imigração, mas insistiu que a sua posição não se tinha alterado e que nunca consideraria uma coligação com a AfD. Mais: ao longo da campanha eleitoral, defendeu que apenas o voto na CDU poderia fazer frente ao crescimento da AfD.

Gemma Loomer, professora de Política Comparada na Keele University, olhou para esta adopção de linguagem da CDU como uma tentativa de roubar votos à AfD, mas avisou que poderia ser interpretado pelos eleitores preocupados com a imigração como “uma versão menos genuína” da retórica da extrema-direita. A ida às urnas deu-lhe razão: a CDU conseguiu vencer as eleições, mas roubando poucos votos à AfD, que cresceu numa proporção bem maior e ocupou o segundo lugar.

A soma dos deputados da CDU e da AfD seria suficiente para uma maioria clara, mas Merz manteve a sua promessa. Horas depois das eleições, renovou a sua recusa de coligação com a AfD e lançou o repto aos sociais-democratas do SPD para formar governo. Enquanto os dois partidos negociavam, o Bundestag fechou outras portas ao partido radical e chumbou três vezes a candidatura de um deputado da AfD a vice-presidente do Parlamento. O mesmo já tinha acontecido em 2017 e 2021, mas nunca com a AfD na posição de maior força da oposição.

Depois de a CDU e o SPD terem chegado a acordo para um bloco central de governo e de a AfD ter sido classificada como “extremista”, o Bundestag mostrou-se disponível para continuar o bloqueio, desta vez, impedindo a AfD de ocupar a presidência de qualquer comissão parlamentar. Apesar das preocupações expressas durante a campanha, a Brandmauer manteve-se de pé.

Mas esta posição não é unânime. O líder parlamentar da CDU, Jens Spahn, defendeu no mês passado, em entrevista ao jornal Bild, que a AfD devia “ser tratada nos processos parlamentares como qualquer outro partido da oposição”, por respeito à decisão dos eleitores que os sentaram no Parlamento — uma opinião partilhada por outros democratas-cristãos. Este argumento é o mesmo que é invocado pela AfD para classificar a Brandmauer como um acordo que exclui “milhões de eleitores”. Entre sectores da direita moderada, a análise é que a exclusão da AfD pode contribuir para sua vitimização e para a validação da sua narrativa anti-governo. Para combater isto, a estratégia pode passar por atribuir-lhes competências acrescidas de governação e esperar fracassos que possam usar como arma, escreve o Político.

"[AfD deve] ser tratada nos processos parlamentares como qualquer outro partido da oposição." Jens Spahn, líder parlamentar da CDU

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Do outro lado da barricada — à esquerda, ao centro e em sectores da CDU — defende-se a visão de que integrar a AfD nas estruturas de governação constitui uma “normalização” e “legitimização” do extremismo. Exemplo disso é o facto de a imigração, bandeira da AfD, se ter tornado um tema central na campanha das eleições legislativas, aponta Josef Holnburger, director do think tank CeMas (Centro para a Monitorização, Análise e Estratégia) à DW. O líder dos Verdes, que sofreu uma queda nas eleições e perdeu 33 deputados, apelou a uma estratégia intermédia, que não passa nem por uma recusa total em interagir com o partido, nem pela normalização: “Uma alternativa positiva” de uma “nova cultura política” que contrarie a narrativa populista da AfD sem alienar os seus eleitores.

Em Berlim, estas tomadas de posição dos diversos partidos são medidas preventivas para manter a Brandmauer de pé. Mas um estudo citado pela rádio Deutschland Funk revela que, a nível local, o cordão sanitário já se rompeu há vários anos e que a CDU vota regularmente ao lado da AfD. “Nenhum dos partidos estabelecidos conseguiu manter a barreira em todos os distritos sem ‘ses e mas’, ou seja, fundamentalmente e sem desvios”, pode ler-se no estudo.

A liderar a oposição e sem sinais de querer moderar-se, a AfD está confiante em que a Brandmauer não irá sobreviver nas próximas eleições, marcadas para 2029. Nessa altura, perceber-se-á se o centro-direita a nível federal manterá de pé a barreira que não se aguentou no poder local ou se o crescimento da AfD os aproximará do poder.

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COMENTÁRIOS

Pedro Abreu: A Alemanha com 80 milhões de habitantes deixou entrar 1 milhão e foi um escândalo. Portugal com 10 milhões de habitantes, deixou entrar 1.300.000 em 7anos. Para ter paralelo na Alemanha, teriam de ter deixado entrar 10.400.000. Espero que vejam a magnitude da irresponsabilidade de um governo de alienados Bloquistas woke patrocinado pelo oriental e Ana Catarina Mendes que agora descansam em Bruxelas.

José Carvalho: Falem, falem, escrevam, escrevam, mas já vão tarde. Estas análises deveriam ter sido feitas antes do caos migratório se ter instalado. Faltou previsão dos seus efeitos e houve muita presunção dos donos da verdade. Agora esta onda é IMPARÁVEL!!! Um autêntico Tsunami. Vai varrer a esquerda, e a direita woke. HABITUEM-SE!!! Já dizia o habilidoso das índias

Diogo Pacheco de Amorim: Um trabalho obviamente imparcial. Só ouviram “cientistas políticos dos isctes lá do sítio.


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