Pois!
Consequências (não previstas?) das descolonizações exemplares. Mas estas, por
seu turno, fazem parte da evolução - ou da mudança, que é uma designação mais
clássica, a qual, por seu turno, muitas vezes resulta do sonho, como explicou o
nosso GEDEÃO, aquele último também muito comum entre nós, ainda que acordados, para
pularmos e avançarmos em movimentação e ritmo específico da nossa destreza
bailarina, mesmo a dormir:
“…Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que o homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.”
Alemanha. Como a AfD se tornou líder da
oposição
Na Alemanha, as "linhas
vermelhas" receberam o nome "parede corta-fogo". Mas essa
"parede" não impediu o crescimento da AfD, que se radicalizou e ficou
em segundo lugar nas últimas eleições.
MADALENA MOREIRA: TEXTO
OBSERVADOR, 22 mai. 2025, 16:559
Índice
Do “partido dos professores” à “extrema-direita”: a
evolução da AfD
Deixados para trás e com medo do futuro: por que votam
os eleitores na AfD?
Normalização ou exclusão? As fissuras na “parede
corta-fogo”
[Este texto faz parte de uma série que o Observador
está a publicar sobre os terramotos políticos provocados pelos partidos
antissistema de direita radical em diferentes países da Europa Ocidental]
O que os meus pais me ensinaram é que
costumavam viver em paz e sossego, sem ter de ter qualquer medo no seu próprio
país. Eu gostava de viver num país em que não tenho de ter medo”.
Nick
tem 19 anos, vive no leste da Alemanha, na cidade de Freiberg, e nas eleições
legislativas do passado dia 23 de fevereiro votou na Alternativa para a
Alemanha (AfD na sigla original). O “medo” que, diz à BBC, motiva o seu sentido de voto é
partilhado com o seu amigo Dominic, de 30 anos: o da imigração. E o
sentimento não é isolado. Mais a norte, em Bernau bei Berlin, outro eleitor
da AfD também justifica o seu voto com “a confusão em que as coisas estão na
Alemanha”. “O meu problema começou em 2015, quando as fronteiras foram
abertas”, elaborou.
Os alemães que elegeram a imigração como
a sua maior preocupação nesta ida às urnas dizem ter encontrado resposta às
suas preocupações na AfD, que escolheu o tema como bandeira. O “problema” revelou-se comum a milhares
de pessoas e o partido conseguiu eleger 152 deputados para o Bundestag, o
Parlamento alemão. No mesmo mês em que completou doze anos, a AfD tornou-se o segundo maior partido
da Alemanha.
A
abordagem da AfD à imigração não passa apenas por impor um travão à entrada. No
início deste ano, a líder Alice Weidel utilizou mesmo a expressão “remigração”,
que contempla a deportação em massa de todos os imigrantes sem raízes no país. Na Alemanha, o termo agita a memória colectiva do
nazismo. É esta
mesma memória, não muito distante, que criou na política alemã um tabu sobre a
cooperação e alianças com partidos da extrema-direita.
▲ Alice
Weidel é a actual líder da AfD
(ÍNDICE)
No
entanto, apesar das posições mais recentes, a AfD não nasceu em 2013 como um
partido extremista, mas como uma cisão de democratas-cristãos desiludidos com a
CDU de Angela Merkel. O ponto de
viragem na matriz da AfD deu-se no mesmo ano que o eleitor de Bernau bei Berlin
identifica como a “origem do problema”: 2015, quando a então
chanceler anunciou o acolhimento de mais de um milhão de requerentes de asilo. A política de portas abertas fomentou a
retórica nacionalista que a AfD capitalizou, apontam especialistas.
A
AfD começou, portanto, a traçar um caminho inverso ao dos seus pares europeus.
Enquanto os outros partidos antissistema moderavam o seu discurso à procura de
votos que lhes permitissem entrar nas instituições democráticas, a AfD extremou
o discurso e tornou-se um partido “radical, autoritário nacionalista”, como classificou o sociólogo Wilhelm Heitmeyer, especialista em
movimentos de extrema-direita.
Em 2018, a CDU transformou um tabu em
promessa e criou aquilo a que chamou uma “parede corta-fogo” contra qualquer
“coligação ou outra forma de cooperação” com a AfD. Passados sete anos, e com a extrema-direita
a liderar a oposição, os partidos do arco da governação reiteram que o cordão
sanitário se mantém. Porém, fora de Berlim, a parede já começou a ruir.
Do “partido dos professores” à
“extrema-direita”: a evolução da AfD
“Partido dos professores”. Era assim que a AfD era conhecida quando
foi fundada, relembrava a Der Spiegel em 2019.
A alcunha devia-se ao caráter intelectual dos seus fundadores, entre os
quais estavam professores de economia e jornalistas conservadores que tinham
integrado a União Democrata-Cristã (CDU). Dois meses depois da fundação, a AfD publicou o primeiro programa de
candidatura às eleições federais do final desse ano. O manifesto tinha
apenas quatro páginas e duas reivindicações claras, relativas à política
monetária e europeia: a saída de Berlim da zona Euro e o fim dos
resgates financeiros aos países afectados pela crise económica — entre os quais
se incluía Portugal.
Os críticos apontaram tons
racistas nesta segunda exigência, mas o partido negou as acusações. Afinal, na esfera social, o partido
apoiava a atribuição de asilo para imigrantes perseguidos nos seus países de
origem. Sete meses depois da fundação, a AfD falhou a eleição para o Bundestag
por apenas 0,3% dos votos. A
primeira vitória eleitoral só chegou em 2014, quando conseguiram ganhar sete
eurodeputados nas eleições para o Parlamento Europeu. Nesse ano, o partido
começou a somar votos em eleições locais e regionais.
O caminho para o populismo nacionalista
começou no ano seguinte, quando a Alemanha, sob a liderança de Angela Merkel,
abriu portas a mais de um milhão de imigrantes, muitos dos quais fugiam de
guerras no Médio Oriente e em África. A
narrativa nacionalista da AfD distingue-se dos seus pares europeus por incorporar
ideologia völkisch, do século XIX. Esta
ideologia mobiliza elementos do folclore tradicional alemão para criar
“uma ideia essencialista de que o povo alemão é indissociável da sua terra”,
analisam Leónie de
Jonge e Rolf Frankenberger, investigadores no centro de Investigação de
Extremismo de Direita da Universidade de Tübingen. Na
prática, a AfD introduziu esta ideologia no debate público ao criar uma divisão
entre “alemães” e “outros”.
▲A AfD mudou o seu discurso em reacção à política de
portas abertas de Merkel Sean Gallup/Getty Images
(ÍNDICE)
A reformulação ideológica reflectiu-se
nas urnas. Em 2017, a AfD
estreou-se no Bundestag com 94 deputados. Nesse mesmo ano, um dos líderes da
ala mais liberal abandonou o partido e Alice Weidel passou a integrar a cúpula.
O nacionalismo acentuou-se quando a AfD começou a classificar a cultura
alemã de relação com os crimes do passado, nomeadamente o Holocausto e o regime
nazi, como “cultura da culpa“. Em
2018, um dos fundadores do partido, Alexander Gauland, desvalorizou a relevância histórica desses eventos, ao afirmar que “Hitler e os nazis não passaram de m****
de pássaro em mais de mil anos de História alemã bem-sucedida”.
Já
o líder do partido na Turíngia, Björn Höcke, chegou mesmo a ser multado por utilizar publicamente um lema nazi banido no país: “Tudo
pela Alemanha”. Sob a sua liderança, o ramo da AfD nesta região foi
classificado como “extremista”,
ficando sujeito a maior vigilância por parte das autoridades. Algumas
figuras do partido procuraram expulsá-lo, mas falharam. Weidel viria a dizer, mais tarde, que isso foi um erro e a demonstrar
o seu apoio a Höcke. O apoio do partido
às suas figuras mais controversas é apontado como uma das causas para a ligeira queda nas eleições
seguintes, em 2021, quando a AfD perdeu onze dos seus deputados.
O
percalço a nível federal não se reflectiu nas eleições locais, em que o partido
continuou a crescer até alcançar, em setembro de 2024, a sua primeira vitória
eleitoral em onze anos de História, nas eleições regionais da Turíngia — ainda
sob a liderança de Höcke. Esta foi
também a primeira vitória de um partido de extrema-direita na Alemanha desde o
regime nazi. A popularidade do líder controverso é particularmente
visível entre os jovens: numa entrevista à CNN, no passado mês de fevereiro, alguns
jovens eleitores do partido elogiavam a sua “honestidade” e os seus “valores” e
não tinham receio de admitir que são “extremistas”.
O
sociólogo Wilhelm Heitmeyer explica que a classificação de um movimento como
“extremista” inclui a utilização de violência como arma. Uma vez que a AfD utiliza o argumento
ideológico da superioridade alemã e não a violência, o académico prefere
utilizar o termo “radicalismo autoritário nacionalista”, pelo foco da AfD na
superioridade da cultura alemã. Contudo, um estudo do ano passado publicado
pelo Tagesspiegel mostra que os jovens ouvidos pela CNN são um
reflexo vivo de um pequeno grupo que existe entre os eleitores da AfD: um em cada cinco defende que a violência é
justificada quando é para “atingir certos objectivos políticos”.
Em
entrevista, Heitmeyer considera ainda que a utilização do termo não está a ser
eficaz para dissuadir os eleitores de votarem na AfD. Meses depois de Höcke ter
sido condenado e o seu ramo do partido ter sido classificado como “extremista”,
a AfD ganhou as eleições regionais. E, apesar da queda em 2021, a tendência não
se manteve a longo prazo.
Quando
os alemães voltaram a ir às urnas para escolher o governo federal já neste ano
de 2025 — desta vez em eleições convocadas de forma antecipada –, a AfD
passou de 83 para 152 deputados. Foi o
maior crescimento entre todos os partidos e colocou a AfD como líder da
oposição, perante o acordo de bloco central entre conservadores da CDU e
sociais-democratas do SPD.
Semanas depois da eleição, as secretas
alemãs repetiram as acções que tinham
tido na Turíngia e classificaram o
partido a nível nacional como “extremista”, por ser “incompatível com a ordem
democrática” — mas a classificação só entrará em vigor se for
confirmada pelo tribunal administrativo competente. Alice Weidel ripostou,
criticou a “acção vergonhosa” e anunciou que ia processar os serviços de
informações internos.
"A maioria dos alemães de leste sente que não
tem influência política e desejam a segurança de um Estado autoritário. Uma reacção
a isto é uma apatia alimentada pela raiva. A AfD é naturalmente atractiva para
estas pessoas. (...) Socialmente, uma pessoa pode perder o emprego, o
estatuto, a segurança social, a família. Mas não pode perder a sua germanidade."
WILHELM HEITMEYER, sociólogo especialista em movimentos de
extrema-direita
ÍNDICE
Regressemos aos eleitores da AfD
citados no início deste texto, que justificaram o seu voto com a imigração. Para além do mesmo sentido de voto, os
três partilham outra característica: todos vivem no leste do país. Isso não é
uma coincidência. Em 2025, a memória da cortina de ferro que separou a
República Federal e a República Democrática ainda é uma cicatriz que divide a
população. Os especialistas apontam, de forma quase unânime, que os habitantes
de leste sentem que foram “deixados para trás”.
A justificação mais óbvia é a clivagem económica leste-oeste,
com o oeste a ter uma maior acumulação de riqueza. Mas os especialistas alertam que é
demasiado simplista reduzir a escolha pela AfD a um voto de protesto contra a
situação económica. Um estudo de 2023,
citado pelo Político, revela um ressentimento
dos habitantes do leste com a falta de representação da região no governo e na
sociedade. Wolfgang Schroeder,
cientista político na Universidade de Kassel, argumenta que os
eleitores que se sentem ignorados encontram um ouvido atento na AfD. Segundo a
sua análise, o partido não tem de dar respostas concretas para conseguir a
lealdade destes eleitores — basta ouvi-los.
Esta
abordagem é particularmente útil para apelar ao voto dos abstencionistas. “A maioria dos alemães de leste sente que
não têm influência política e desejam a segurança de um Estado autoritário. Uma
reacção a isto é uma apatia alimentada pela raiva. A AfD é naturalmente atractiva para estas pessoas”, elabora, por
sua vez, o sociólogo Heitmeyer, apontando que a atractividade está,
precisamente, no seu discurso nacionalista. “Socialmente, uma pessoa pode perder o emprego, o estatuto, a segurança
social, a família. Mas não pode perder a sua germanidade.”
A retórica populista — que divide a
população entre alemães e não-alemães — é
particularmente eficaz em tempos de crise, em que o medo do futuro, tal como
Nick identifica no início deste artigo, é mais preponderante. A AfD
aproveitou a onda da crise económica, da pandemia de Covid-19 e da guerra na
Ucrânia para alimentar este medo do futuro. Por oposição ao futuro “assustador”, a AfD lembra “o passado ideal”,
que justifica o conservadorismo social, argumenta o cientista político Florian
Spissinger ao jornal Die Zeit.
A questão do “medo do futuro” é
eficaz, pois vai além do estatuto económico de uma pessoa. Um
inquérito do centro de estudos eleitorais alemão GLES do ano passado, citado
pelo mesmo jornal, revela que quase
metade (47,3%) dos eleitores da AfD inquiridos consideram que a sua situação
económica não se alterou no espaço de um ano. Na verdade, um quinto chega a
dizer que melhorou. Ainda assim, 70% dos inquiridos revela-se pessimista
com o futuro.
▲ A AfD ganhou
as eleições na Turíngia, uma região no leste da Alemanha Getty
Images
ÍNDICE
Os especialistas alertam que, neste
cenário, é importante não reduzir o voto a dois factores. Por um lado, a um voto das classes mais
baixas e menos educadas, relembrando que a AfD começou como um partido liberal de protesto das elites e
que o medo do futuro chega a todos — o
sucesso da retórica populista está em dar um rosto a esse medo. No caso da
AfD, são os imigrantes, através da
mobilização do conceito de “substituição da população”, considera Spissinger.
O
outro factor é o voto de protesto. Os especialistas argumentam que a
classificação do apoio à AfD como um mero voto de protesto contra o governo —
neste caso por ter introduzido a política de portas abertas na imigração — é
ingénua e só serve para acalmar os partidos do governo. “[É uma ideia que]
insinua que ‘se fizermos um esforço e aumentarmos as pensões, [os eleitores]
voltam'”, critica Wilhelm Heitmeyer. Pelo contrário, o especialista
apela a um olhar dos políticos sobre o contexto mais alargado que leva as
pessoas a votar no partido. “Face a
crises e perda de controlo, é expectável que o radicalismo autoritário
nacionalista seja um modelo bem-sucedido”, remata. Mas as análises dos académicos e as medidas dos políticos são duas
coisas diferentes.
Normalização ou exclusão? As fissuras
na “parede corta-fogo”
No dia 25 de janeiro de 2025, milhares de pessoas reuniram-se em frente às portas de Brandenburgo, no centro de
Berlim, num protesto com o lema: “Nós somos a Brandmauer“. A manifestação, motivada pelo crescimento
da extrema-direita, tinha ainda outro alvo: o líder dos democratas cristãos e,
à data, candidato a chanceler, Friedrich Merz, por defender regras
mais apertadas contra a imigração.
Na semana seguinte, a sua proposta
não vinculativa para um novo plano de regulação foi a votos no Bundestag e acabou aprovada com os votos a favor da
CDU, da CSU (o partido regional da Baviera irmão da CDU) e da AfD.
Foi a primeira vez que um partido alemão votou ao lado da extrema-direita
para ver as suas medidas aprovadas. Não é claro quando o nome foi cunhado
mas, em alemão, este cordão sanitário
contra a direita radical é conhecido como “parede corta-fogo” ou Brandmauer.
A censura não veio só de fora: Merz
foi alvo de críticas até da sua antecessora, Angela Merkel. O facto de ter sido a CDU a quebrar o tabu
ganha ainda maior relevância, uma vez que os democratas-cristãos formalizaram a
sua oposição aos movimentos dos dois extremos do espectro partidário. “A CDU da
Alemanha rejeita coligações ou formas semelhantes de cooperação tanto com o Die
Linke [partido A Esquerda] como com a Alternativa para a Alemanha”, pode ler-se
na resolução final do congresso da CDU de 2018.
▲O acordo
para o bloco central exclui a AfD da governação HANNIBAL HANSCHKE/EPA
(ÍNDICE)
Do “partido dos professores” à “extrema-direita”: a
evolução da AfD
Deixados para trás e com medo do futuro: por que votam
os eleitores na AfD?
Normalização ou exclusão? As fissuras na “parede
corta-fogo”
No verão de 2023, já depois de ter
assumido a liderança do partido, Merz esclareceu
“que a resolução ainda se aplica”. Confrontado com as críticas depois da
votação sobre a imigração no final de janeiro, o líder da CDU defendeu a necessidade de uma nova política de
imigração, mas insistiu que a sua posição não se tinha alterado e que nunca
consideraria uma coligação com a AfD. Mais: ao longo da campanha eleitoral, defendeu que apenas o
voto na CDU poderia fazer frente ao crescimento da AfD.
Gemma Loomer, professora de Política
Comparada na Keele University, olhou para esta adopção de linguagem da CDU como
uma tentativa de roubar votos à AfD, mas avisou que poderia
ser interpretado pelos eleitores preocupados com a imigração como “uma versão
menos genuína” da retórica da extrema-direita. A ida às urnas deu-lhe
razão: a CDU conseguiu vencer as
eleições, mas roubando poucos votos à AfD, que cresceu numa proporção bem maior
e ocupou o segundo lugar.
A soma dos deputados da CDU e da AfD
seria suficiente para uma maioria clara, mas Merz manteve a sua promessa. Horas
depois das eleições, renovou a sua recusa de coligação com a AfD e lançou o
repto aos sociais-democratas do SPD para formar governo. Enquanto os dois
partidos negociavam, o Bundestag fechou outras portas ao partido radical e chumbou
três vezes a candidatura de um deputado da AfD a vice-presidente do Parlamento.
O mesmo já tinha acontecido em 2017 e 2021, mas nunca com a AfD na posição de
maior força da oposição.
Depois de a CDU e o SPD terem chegado a
acordo para um bloco central de governo e de a AfD ter sido classificada como
“extremista”, o Bundestag mostrou-se disponível
para continuar o bloqueio, desta vez, impedindo a AfD de ocupar a presidência
de qualquer comissão parlamentar. Apesar das preocupações expressas durante a
campanha, a Brandmauer manteve-se de pé.
Mas esta posição não é unânime. O líder
parlamentar da CDU, Jens Spahn, defendeu no mês passado, em entrevista ao jornal Bild, que a AfD devia “ser tratada nos
processos parlamentares como qualquer outro partido da oposição”, por respeito
à decisão dos eleitores que os sentaram no Parlamento — uma opinião partilhada por outros democratas-cristãos. Este argumento é o
mesmo que é invocado pela AfD para classificar a Brandmauer como um acordo que exclui “milhões de
eleitores”. Entre sectores da direita moderada, a análise é que a
exclusão da AfD pode contribuir para sua vitimização e para a validação da sua
narrativa anti-governo. Para combater isto, a estratégia pode passar por
atribuir-lhes competências acrescidas de governação e esperar fracassos que
possam usar como arma, escreve o Político.
"[AfD deve] ser tratada nos
processos parlamentares como qualquer outro partido da oposição." Jens
Spahn, líder parlamentar da CDU
(ÍNDICE)
Do outro lado da barricada — à esquerda,
ao centro e em sectores da CDU — defende-se a visão de que integrar a AfD
nas estruturas de governação constitui uma “normalização” e “legitimização” do
extremismo. Exemplo disso é o
facto de a imigração, bandeira da AfD, se ter tornado um tema central na
campanha das eleições legislativas, aponta Josef Holnburger, director
do think tank CeMas (Centro para a Monitorização, Análise e Estratégia)
à DW. O líder dos Verdes, que sofreu uma queda nas eleições e
perdeu 33 deputados, apelou a uma estratégia intermédia, que não passa nem por uma
recusa total em interagir com o partido, nem pela normalização: “Uma
alternativa positiva” de uma “nova cultura política” que contrarie a narrativa
populista da AfD sem alienar os seus eleitores.
Em Berlim, estas tomadas de posição
dos diversos partidos são medidas preventivas para manter a Brandmauer de pé. Mas um
estudo citado pela rádio Deutschland Funk revela que, a nível local, o cordão sanitário já se rompeu há vários
anos e que a CDU vota regularmente ao lado
da AfD. “Nenhum dos partidos estabelecidos conseguiu manter a barreira
em todos os distritos sem ‘ses e mas’, ou seja, fundamentalmente e sem desvios”, pode ler-se no estudo.
A liderar a oposição e sem sinais de
querer moderar-se, a AfD está confiante em que a Brandmauer não irá sobreviver nas
próximas eleições, marcadas para 2029. Nessa altura, perceber-se-á se o
centro-direita a nível federal manterá de pé a barreira que não se aguentou no
poder local ou se o crescimento da AfD os aproximará do poder.
ALEMANHA EUROPA MUNDO ELEIÇÕES NA
ALEMANHA
COMENTÁRIOS
Pedro Abreu: A Alemanha com 80
milhões de habitantes deixou entrar 1 milhão e foi um escândalo. Portugal com
10 milhões de habitantes, deixou entrar 1.300.000 em 7anos. Para ter paralelo na
Alemanha, teriam de ter deixado entrar 10.400.000. Espero que vejam a magnitude
da irresponsabilidade de um governo de alienados Bloquistas woke patrocinado
pelo oriental e Ana Catarina Mendes que agora descansam em Bruxelas.
José Carvalho: Falem, falem,
escrevam, escrevam, mas já vão tarde. Estas análises deveriam ter sido feitas
antes do caos migratório se ter instalado. Faltou previsão dos seus efeitos
e houve muita presunção dos donos da verdade. Agora esta onda é
IMPARÁVEL!!! Um autêntico Tsunami. Vai varrer a esquerda, e a
direita woke. HABITUEM-SE!!! Já dizia o habilidoso das índias
Diogo Pacheco de Amorim: Um trabalho
obviamente imparcial. Só ouviram “cientistas políticos dos isctes lá do sítio.
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