E muitas danças no partido que vence o
PS. Não havia necessidade. Agora é que vamos mergulhar ainda mais no discurso
catastrofista de A.V. Salvo se puder penetrar mais profundamente nos espaços da
governança que há muito exige, em estridências discursivas a merecer o tal
vómito.
Do Conselho de Estado aos juízes do TC.
Chega pode escolher ou influenciar vários altos cargos do Estado
Das secretas ao Conselho de Estado,
da presidência do CES ao Conselho Superior de Magistratura e até na escolha de
juízes do TC, o Chega pode passar a indicar para mais cargos e a ter mais
influência.
OBSERVADOR, 22 mai. 2025, 21:0022
Índice
Presidir à comissão que conduz o OE e a segunda
vice-presidência da AR
Ventura poderá tentar segundo lugar no Conselho de
Estado
O fim da exclusividade PSD-PS na escolha de juízes do
Tribunal Constitucional
De olho no Conselho Superior de Magistratura e com
membro certo na CADA
Mais tempo e mais protagonismo no Parlamento
O
PS ainda mantém a vantagem (para já, com o mesmo número de deputados e mais votos), mas o
mais provável é que a distribuição dos
deputados do círculo da emigração torne o Chega a maior bancada da oposição.
São apenas quatro deputados em causa, mas a
eleição de mais um ou dois do que o PS pode significar a entrada, ou o reforço,
do partido liderado por André Ventura em vários órgãos do regime. Da fiscalização das secretas ao Conselho de Estado, da presidência do CES ao Conselho Superior de Magistratura
e até na escolha de juízes do Tribunal
Constitucional.
Algumas
das presenças do Chega nesses órgãos são adquiridas de forma praticamente
automática pelo número de mandatos, outros dependem da AD em procurar outras
maiorias (que existem). A gestão do processo orçamental ou a segunda
vice-presidência da AR ficam praticamente garantidas com uma vitória do Chega
nos círculos da emigração.
Presidir à comissão que conduz o OE e
a segunda vice-presidência da AR
Se
se confirmar que o Chega se torna a maior bancada, vai poder escolher a presidência
da Comissão de Orçamento e Finanças. As presidências das comissões são
distribuídas de acordo com o número de deputados (o Chega tinha três, agora
vai ter necessariamente mais), mas há duas que “tradicionalmente” estão
previamente definidas: a presidência da primeira comissão (a de
Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias) é normalmente para o “grupo parlamentar
maioritário ou que apoia o Governo”,
enquanto o “maior grupo parlamentar da oposição escolhe a
presidência da Comissão com competência em matéria financeira e orçamental.” Ora, nesse caso, seria o Chega. Após a
votação da moção de rejeição do PCP ao programa de Governo, o momento seguinte
de tensão parlamentar vai ser a aprovação do Orçamento do Estado para 2026 e,
aí, todo o processo de votações e generalidade deverá ser gerido por um
deputado do Chega.
O facto de ser a segunda maior bancada também dará ao Chega a
possibilidade de ter a segundo vice-presidência da Assembleia da República. Isso permitirá ao deputado indicado pelo Chega (que
provavelmente deverá ser Diogo Pacheco
Amorim) ser o
segundo a substituir o presidente da Assembleia (logo após o primeiro ‘vice’,
indicado pela AD) na ausência destes. André Ventura pode sempre querer
fazer valer a sua força negocial e tentar um propor um presidente da AR do
Chega com um mandato dividido em dois, mas isso não deverá ter grande
viabilidade, uma vez que para presidente da AR, apenas é necessária a maioria
absoluta dos votos dos deputados em efecividade de funções. E, no atual
contexto — apesar do voto ser secreto — é fácil antecipar que o PS estará
disposto a aprovar o nome proposto pela AD.
Ventura poderá tentar segundo lugar
no Conselho de Estado
A escolha dos cinco membros eleitos pelo
Parlamento para o Conselho de Estado também deverá sofrer mudanças face à
tradição. Na última legislatura, os três maiores grupos parlamentares
apresentaram uma lista conjunta em que está espelhada a correlação de forças
– quatro membros divididos pelo
partido mais votado e pelo líder da oposição (PSD e PS, que tinham ficado
próximos) e um escolhido pela terceira maior bancada (o Chega).
Porém, na legislatura que agora termina
— apesar de críticas da Iniciativa
Liberal, do Bloco de Esquerda e do Livre — PS e PSD aceitaram
integrar uma lista conjunta com o Chega, mas desta vez o partido de André
Ventura vai querer indicar dois nomes,
deixando apenas uma vaga para o Partido
Socialista.
Ainda
assim, caso não haja acordo e os três maiores partidos avancem para a
apresentação de listas separadas, a aritmética pode permitir que o 5.º membro
eleito seja da AD e não do Chega, porque o resultado é apurado com base no
método de Hondt e a votação dos partidos mais pequenos como a Iniciativa
Liberal ou o Livre podem trocar as voltas a André Ventura.
Em 2022, quando o Chega elegeu 12
deputados, tornando-se a terceira maior bancada, embora a larga distância do
PSD e do PS, André Ventura insistiu em apresentar uma lista separada dos dois
maiores partidos, mas na altura não conseguiu eleger nenhum nome. Desta vez, em lista própria, o Chega
consegue garantidamente eleger um nome e pode ainda, com bons resultados no
círculo da emigração e a anuência da AD, conseguir outro.
A votação ainda pode permitir que, nessa
tal “proporcionalidade”, a AD entenda (com base nos mandatos que venha a
conseguir) que tem direito ao terceiro membro indicado pela a AR para
Conselho de Estado. Nesse caso, poderia haver um braço de ferro entre a AD e
Chega para decidir esse quinto elemento. Nesse caso, pode haver listas
separadas para cada um tentar impor a sua escolha e a forma como se vão
posicionar os restantes partidos pode ser determinante. Há sempre a
possibilidade, que é o mais tradicional, de haver acordo — como de resto houve
até entre PSD, PS e Chega mesmo com Pedro Nuno Santos na liderança do partido.
Durante
a geringonça, António Costa aproveitou esta eleição para dar um sinal ao acordo
firmado com o Bloco de Esquerda e o PCP, apresentando uma lista de nomes da
esquerda, com Carlos César, Francisco Louçã (BE) e Domingos Abrantes
(BE). Na altura, o PSD e o CDS
apresentaram uma lista autónoma, que elegeu dois nomes. A AD
não tem essa relação com o Chega, mas tem mantido uma interpretação
estritamente institucional relativamente aos nomes que o Chega tem direito a
indicar por via parlamentar.
Um
dos exemplos mais característicos é a eleição de juízes do Tribunal
Constitucional, que PS e PSD sempre dividiram entre si. Há dois
juízes-conselheiros que terminam o mandato em julho de 2025 (Gonçalo Almeida
Ribeiro, indicado pelo PSD; e Joana Fernandes Costa, do PS). Num cenário
habitual seriam substituídos por PS e PSD, mas agora, juntos, já não têm esses votos
Índice
O fim da
exclusividade PSD-PS na escolha de juízes do Tribunal Constitucional
Até
agora, PSD e PS fizeram toda a história da democracia tendo uma maioria
parlamentar superior a dois terços (154 deputados). Agora isso mudou. Mesmo que
os votos da emigração fossem divididos apenas por PS e AD não vão chegar a
esses números. Isso
significa não só a incapacidade do Bloco Central em fazer uma revisão
constitucional a dois, mas também o facto de já não poderem dividir alguns
cargos entre si.
Um dos exemplos mais característicos
é a eleição de juízes do Tribunal
Constitucional, que PS e PSD sempre dividiram entre si. Há dois juízes-conselheiros que terminam o mandato
em julho de 2025 (Gonçalo
Almeida Ribeiro, indicado
pelo PSD; e Joana Fernandes Costa,
do PS). Num cenário habitual seriam substituídos por PS e PSD, mas agora,
juntos, já não têm esses votos.
Umas das soluções de PS e PSD será
chegar a acordo com o Chega, sendo importante saber como vai agir a AD. Outra
hipótese é PS e PSD procurarem juntar, por exemplo, a IL para evitar uma
maioria com o Chega e definirem esses dois nomes em conjunto. Outra hipótese seria PS e PSD juntarem-se
ao Livre e à CDU para a aprovação destes juízes. Ou por exemplo,
apelarem aos três deputados únicos (BE, JPP e PAN): Ou seja: há
outras aritméticas possíveis para não integrar o Chega na escolha, mas uma
coisa é certa: o partido de Ventura vai reivindicar esse direito.
Há
depois vários outros cargos em que o Chega
pode ter uma palavra, uma vez
que é exigido os mesmos dois terços do hemiciclo. A
presidência do CES, que normalmente, era indicada por PS/PSD (conforme quem
está no poder) e aceite por PS/PSD (conforme quem estava na oposição). A questão é que o Chega e o PSD sozinhos
também não têm força para, por exemplo, impor um presidente do CES indicado
pela AD, pelo que precisam sempre do PS. Ou, em alternativa, da Iniciativa Liberal, que podia aqui
formar uma aritmética para este caso em específico. Vai depender da AD o caminho por onde quer ir.
No Conselho de Fiscalização do SIRP (Sistema de Informações da República
Portuguesa) são exigidos os
mesmos dois terços para os indicados, mas o facto de serem três cidadãos
indicados pode facilitar uma divisão salomónica PSD-PS-Chega. Apesar
disso, esse é um cargo que não muda já (o mandato é de 4 anos, não de
legislatura).
Já no caso da Comissão de Fiscalização dos Centros Educativos — que também
exige a indicação de dois representantes já no início da legislatura — a lei não é clara se devem ser indicado
pelos dois maiores partidos mais representados na AR ou pelos dois partidos
mais votados. A prática tem sido PSD e PS indicarem, mas, mais uma vez,
o Chega pode vir a exigir indicar o
segundo nome. E isso pode criar novo imbróglio. Acontece exactamente o
mesmo com os dois nomes indicados
para o Conselho Geral do Centro de Estudos Judiciários, que são nomeados no
início de cada legislatura.
De olho no Conselho Superior de
Magistratura e com membro certo na CADA
Na legislatura que agora termina a regra foi, no caso da “eleição segundo
o sistema de representação proporcional”, o Chega eleger. Foi isso que aconteceu, por exemplo, com o Conselho
Superior do Ministério Público em que o Chega elegeu José Carlos Soares Machado
na mesma lista dos indicados por PS e PSD (aconteceu, aliás, o mesmo na
lista do Conselho de Estado, que integrou Ventura).
Já no caso do Conselho Superior de
Magistratura (CSM), apesar de
a Assembleia da República indicar 7 membros e três suplentes, PS e PSD
entenderam-se os dois, já que a lei não falava em “representação proporcional”,
mas apenas uma maioria de dois terços. Que, até agora, tinha.
Agora para este mesmo CSM e mais três conselhos superiores (Conselho Superior
de Defesa Nacional, o Conselho Superior de Informações e Conselho Superior de
Segurança Interna) o Parlamento vai ter de indicar novos nomes para a nova
legislatura. Problema para a prática da velha aliança PS-PSD: neste caso são
necessários dois terços.
Mais uma vez, o PSD pode tentar aqui
outras maiorias constitucionais (com
PS e IL, por exemplo), mas também pode
optar por fazê-lo com Chega e IL (e nesse caso deixar o PS de fora). Outra
alternativa é, de facto, os três maiores partidos entenderem-se. Certo
é que o Chega vai querer entrar em todas estas contas e não deixará de
protestar publicamente sempre que for deixado de fora das escolhas.
Caso se torne na segunda maior bancada da Assembleia
da República, André Ventura passa a ser — à excepção daqueles que em que o
início roda por cada grupo parlamentar — o
primeiro partido a falar a seguir ao Governo, por exemplo, em debates quinzenais.
Índice
Mais fácil será a escolha para outro
órgão externo: a CADA (Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos).
Aí é certa a presença de um deputado do Chega. Isto porque a lei diz que a CADA
é composta por “dois deputados eleitos pela Assembleia da República, sendo um
sob proposta do grupo parlamentar do maior partido que apoia o Governo e o outro
sob proposta do maior partido da oposição“. Há ainda vários outros cargos onde
o Chega pode voltar a ter mais força na próxima legislatura: em alguns casos
logo no início, outros (por exemplo, a Entidade Reguladora para a Comunicação
Social) quando os mandatos dos atuais órgãos terminarem.
Mais tempo e mais protagonismo no
Parlamento
Caso se torne na segunda maior bancada
da Assembleia da República, André
Ventura passa a ser — à excepção daqueles que em que o início roda por cada
grupo parlamentar — o primeiro partido a falar a seguir ao Governo, por
exemplo, em debates quinzenais. Também nas audições de ministros nas
comissões parlamentares, a primeira ronda é dada à maior bancada parlamentar da
oposição.
Além disso, o Chega terá mais tempo
do que o PS e terá sempre o privilégio de ser o primeiro a fazer perguntas em
plenário aos membros do Governo e, em particular, ao primeiro-ministro. Com
estatuto de líder da oposição, André Ventura também terá de ser considerado
pelo chefe de Governo para dar o seu parecer para questões fundamentais do
regime. Ainda antes da campanha, Luís
Montenegro contactou o líder da oposição (Pedro Nuno Santos) para activar a
cláusula de salvaguarda para a compra de equipamento militar. Daqui
para a frente, também poderá continuar
a falar com o PS, mas por uma questão de cortesia institucional não há forma de
não contactar André Ventura. O próprio Presidente da República terá de
passar a considerar o Chega como o partido que lidera a oposição, chamando-o
para o centro de decisões que tenha de tomar — como, aliás, já está a fazer
antes de dar posse ao novo Governo. O Chega está a crescer dentro do sistema,
que, segundo o seu líder, quer mudar.
Legislativas
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Legislativas Política
COMENTÁRIOS (de 22)
Hugo Silva: A fotografia escolhida é de um mau gosto tremendo.
Como é habitual, o Rui Pedro Antunes nunca desilude. Continua a provocar-me o
mesmo sintoma que o RAP ... vómito.
Carlos Chaves: Epá (não é o
gelado da Olá), mas que m de notícia é esta, podem por favor respeitar os
Portugueses que votaram no CHEGA? Fizeram este exercício quando chegaram ao
Conselho de Estado figuras como o abominável Francisco Louçã ou a comuna não
sei quê Rato, ao “museu” da PIDE DGS! Vocês jornalistas metem nojo com estas
notícias! Pedro: Absolutamente natural e uma óptima notícia para Portugal. Já o estagiário
que escolheu a fotografia que ilustra esta peça melhor faria em procurar outro
emprego, ou é pateta ou não nasceu para isto.
João Alves: Boas notícias. Os portugueses já estão fartos de
xuxalhada activista a ocupar cargos no estado. f Teixeira:
A democracia
deve permitir isto, concorde-se ou não com o cavalheiro (o cavalheiro é o
parido, o resto é decoração). A curiosidade é se vai entrar no sistema, ou se
vai ser coerente (gargalhada), e abicar de dar tachos aos seus colegas. A única
curiosidade é a justificação evidente que vai arranjar para aceitar os tachos
todos. E, se calhar, ainda reclamara alguns a que não tenha direito... esta
parte vai ser divertida.
f Teixeira > José B Dias: Pois, claro, antes eram
tachos, agora são cargos apetecíveis que faz falta ocupar. Pelo bem da nação,
evidentemente. Lá está, coerência.... José
Carvalho: Ventura, não cedas. Reclama tudo a que a votação obtida democraticamente
permita. Está na hora de este sistema começar a ser alterado. São 50 anos a
servi uma elite corrupta e sem um pingo de respeito pelo povo José B Dias > f teixeira: Mas os membros do Conselho de
Estado são tachistas? E os do CES também são? Quais são então os cargos em
Portugal que o Chega pode aceitar por não serem "tachos"?
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