sábado, 3 de maio de 2025

Um apagão bem visível

 

Como não se fala doutra coisa, como pretexto para mais rapidamente se “apagar” o actual governo, talvez, como se tem visto e ouvido nas reflexões de tantas das nossas intelectualidades televisivas ou outras, inicio a reflexão sobre o belo texto de RUI RAMOS, com “NOTAS” – extraídas da INTERNET para me “abastecer”, com mais qualidade “energética”, sobre um assunto em que sou leiga, por motivos de outras prioridades vividas:

I-«As energias renováveis são aquelas que têm origem em fontes que se renovam naturalmente e nunca se esgotam, tais como o vento (energia eólica), o sol (energia solar), a água (energia hídrica), os oceanos (energia oceânica), o calor da Terra (energia geotérmica) e a biomassa (biocombustíveis). Por isso, são consideradas energias limpas e sustentáveis.»

II - «As energias renováveis permitem a diminuição da dependência dos combustíveis fósseis como o petróleo, o gás e o carvão como fontes de energia na maior parte das suas utilizações actuais, reduzindo assim a emissão de gases com efeito de estufa (GEE). São, por isso, determinantes para a descarbonização das economias mundiais de forma a limitar o aquecimento global a 1,5 graus centígrados face aos níveis pré-industriais até 2050, como estipulado no Acordo de Paris.

Embora as renováveis não possam ser usadas directamente em certas actividades não eletrificáveis, como a aviação, o transporte pesado de mercadorias por via marítima ou rodoviária, ou certas necessidades industriais, elas servem como base para o desenvolvimento de soluções energéticas alternativas, como sejam o hidrogénio verde ou os combustíveis de baixo carbono (SAF, HVO, e-fuels).

Além dos benefícios ambientais, as energias renováveis também ajudam a reduzir os custos de energia eléctrica no mercado, conforme salienta a Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN). Outra vantagem a ter em conta diz respeito ao facto de a indústria de energia renovável contribuir para a criação de empregos locais.

Recentemente, os 198 países que estiveram presentes na COP28, a conferência sobre o clima que se realizou nos Emirados Árabes Unidos, concordaram em triplicar a capacidade de energias renováveis em todo o mundo e em duplicar a taxa de melhoria da eficiência energética até 2023

Recentemente, os 198 países que estiveram presentes na COP28, a conferência sobre o clima que se realizou nos Emirados Árabes Unidos, concordaram em triplicar a capacidade de energias renováveis em todo o mundo e em duplicar a taxa de melhoria da eficiência energética até 2023

III- «No total do ano, a produção renovável abasteceu 52% do consumo nacional, repartida pela eólica e hidroeléctrica (cada uma com 23%) biomassa (5%) e fotovoltaica (1,5%). Por sua vez, a produção não renovável abasteceu os restantes 48%, repartida pelo gás natural (27%) e pelo carvão (21%)»

Eis o texto de RUI RAMOS que nos dá excelente lição sobre as políticas nacionais, ao aclarar com indubitável sabedoria o tema do “apagão energético” por aqui vivido, na passada segunda feira, transferindo-o igualmente para outro tipo de apagões políticos que a sua hombridade – que é nossa também – condena:


Não deixem apagar a liberdade

Por detrás de um apagão como o de segunda-feira está sempre outro apagão: o do debate, isto é, o da liberdade. Os regimes ocidentais têm de recuperar a capacidade de discutir tudo livremente.

RUI RAMOS Colunista do Observador

OBSERVADOR, 02 mai. 2025, 01:3682

O mais assustador do apagão não é que tenha acontecido: é que, dias depois, as autoridades continuem a não saber por que aconteceu. Entretanto, descobrimos isto: por opção dos governos, o nosso sistema energético tem vulnerabilidades que tornam os apagões prováveis. É o resultado da “transição energética”, que sujeitou o sistema às intermitências das energias renováveis, e ao mesmo tempo o privou de elementos de estabilização e de recuperação, como eram as antigas centrais a gás ou a carvão. Há quem ande há muito tempo a chamar a atenção para esse risco, como o Engenheiro MIRA AMARAL. Acontece que ninguém o ouviu. Nunca houve qualquer debate sobre as escolhas energéticas dos últimos anos, incluindo, no caso português, a opção da dependência de Espanha. E essa falta de debate público é talvez o aspecto mais relevante.

A substituição da energia fóssil e nuclear por energia renovável passou por indiscutível. Era a energia “limpa” e “inesgotável”. Ter dúvidas era um crime: era querer matar o planeta. Mas a energia não foi o único assunto submetido, no Ocidente, a este regime de conversa proibida. O mesmo, por exemplo, aconteceu à opção de deslocalizar fábricas para a China. Quem hesitasse era um reaccionário “nacionalista económico”, cego perante o futuro: um mundo de países unidos pela harmonia do comércio global, por fim iguais nas suas instituições e maneiras de ver, e portanto sem motivos de conflito entre si. Que mal faria se a China fosse o nosso único fornecedor de um produto essencial? E que mal faria também se fizemos de conta que não havia fronteiras e deixássemos entrar no país, ilegalmente, quem quisesse? Era o modo mais simples de compensar o declínio demográfico ou a relutância da população para desempenhar certas tarefas. Problemas de integração? Nenhuns. Bastaria abolir as identidades nacionais e fazer de cada país uma espécie de aeroporto internacional, onde os habitantes apenas tivessem de cumprir umas poucas de regras mínimas, sem precisarem de ter mais nada em comum entre si. Só um xenófobo ou um racista se lembraria de ter dúvidas.

Houve, perante estas opções, um pressuposto comum: era preciso ser pelo menos “nazi” para as querer discutir. Aliás, nem sequer eram “opções”. Eram evoluções naturais, facetas de um progresso inevitável e salutar. Não havia nada a discutir. Por isso, não pudemos examinar as vulnerabilidades dos novos sistemas de energia intermitente, e o seu verdadeiro custo. Por isso, não pudemos admitir que a China maoísta, em vez de se tornar uma nova Suíça, continuasse a ser uma potência subversiva da ordem ocidental. Por isso, não pudemos reconhecer que migrações massivas, bruscas e descontroladas iriam pôr em causa a coesão social que, no Ocidente, sustenta a democracia pluralista, o “Estado social” e o sentimento de segurança.

Ficámos presos numa rede de tabus. Por causa da “emergência climática”, não podia haver reservas às eólicas. Por causa do “perigo do populismo”, não se podia falar do caos migratório. Os “especialistas” que assinavam os relatórios oficiais ou pregavam nas televisões serviram sempre, não para iniciar debates, mas para calar quem pensasse de outra maneira. Assim se tomaram decisões com toda a inconsciência, e se deixaram acontecer coisas com toda a irresponsabilidade. Um dos resultados desse dogmatismo pode bem ter sido o apagão ibérico de segunda-feira. Por detrás de um apagão como esse está sempre outro apagão: o do debate público, isto é, o da liberdade. As democracias ocidentais têm de recuperar a capacidade de discutir tudo livremente. Disso depende a sua sobrevivência.

ENERGIA      ECONOMIA      POLÍTICA      DEMOCRACIA      SOCIEDADE      DEBATE      GEOPOLÍTICA      MUNDO

COMENTÁRIOS (de 82)

José Paulo Castro: Além de tudo isso, há uma norma europeia para acabar com o dinheiro, substituindo-o por dinheiro digital. Ninguém discutiu ou referendou isto. Agora imagine um apagão, com as pessoas sem forma de pagar, e perda de dados ou acesso a informação fiável. É mesmo o fim da liberdade. Não nos deixarem discutir isto tudo (globalismo, migrações, dependências externas, nacionalidades, dinheiro, etc.) é apenas uma ante-câmara para a suprimirem em nome da eficiência de uma utopia falível (como já se está a ver...).                 Antonio Rodrigues: Este artigo remete para o melhor discurso político feito em território Europeu, JD Vance, Munique, 14 Fevereiro. São poucas vozes a ver o óbvio, mas pelo menos existem.                    Lidia Santos: Excelente e corajosa crónica. Obrigada e Parabéns!!                Tiago Maymone: Subscrevo totalmente. Porém, a sensação que tenho é de que andamos a pregar no vazio. Os que lemos isto estamos, mais coisa menos coisa, todos de acordo.                    José B Dias: Concordo totalmente ...         madalena colaço: Quem exige que as energias intermitentes, ou seja renováveis, tenham prioridade na alimentação do sistema eléctrico, (em relação outras energias) tornando-o muito mais vulnerável a situações de apagão? A Senhora Ursula, ou seja, uma comissária que não foi eleita pelo povo e que governa a Europa a seu belo prazer. Quem define as regras da imigração, é a Senhora Ursula, que define se se pode ou não expulsar os clandestinos, ou criminosos que invadem a Europa. A França, já foi humilhada pelas regras de Bruxelas, ao ser obrigada a pagar e deixar novamente entrar no país um criminoso que tinha sido expulso. No último Forum de Davos, a Senhora Ursula sublinhou no seu discurso, a importância do controlo da comunicação, para assim evitar notícias falsas. É tempo de acordarmos e de olharmos criticamente para o que Bruxelas nos impinge, para não deixarmos que a liberdade se apague.         Carlos Chaves: Caríssimo Rui Ramos, é isto mesmo! Se a nível Europeu esta tentativa de silenciamento se pode assacar à esquerda, por exemplo a António Costa e Pedro Sánchez, também se pode assacar ao centrão, estou a pensar na Alemanha de Merkel e Scholz, e na França de Macron. Entretanto os ventos estão a mudar, por demais evidente nos Estados Unidos, e a questão é se a direcção destes novos ventos, nos levarão a porto seguro.                Maria Tubucci: Muito bem observado Sr. RR. Os eleitores ao permitirem às elites políticas colocarem a soberania da nação no caixote do lixo, tornaram tudo isto possível. Esta casta criou os tabus necessários para impor a sua ideologia e controlar as pessoas. Assim, pela nossa goela abaixo querem meter os chavões do “Não há planeta B”, “fica mais barato importar que produzir”, “tudo é feito para o nosso bem”, “que os imigrantes vêm salvar a segurança social”, “que alguém tem de fazer o trabalho que os portugueses não querem fazer”. Tudo baboseiras, para imporem os seus tabus e apagar a liberdade, e quem discordar é rotulado de negacionista. Os resultados estão à vista de quem os quer ver. Perdemos a segurança energética temos apagões; perdermos a confiança nos produtos made in China feitos sem qualidade, muitos deles feitos com tóxicos proibidos no ocidente; perdemos a segurança no nosso país, ao importarem descontroladamente o 3º mundo vêm muitas pessoas que não se querem integrar, só querem conspurcar a nossa cultura e impor a sua. Faltou-lhe referir que, também querem decidir o que comemos, por exemplo, comer farinha de insectos. As pessoas comem o pão que compram nos Hipermercados, mas já o provaram? Sabe a trigo ou a milho ou centeio? Comessem a provar! Eu já não compro pão em 2 superfícies comerciais, aquilo já não é pão, é uma mistela qualquer só com a forma de pão. Os 3S deixaram de ser cumpridos: Soberania, Segurança e Sustentabilidade, pela casta política gananciosa e ignorante. No dia 18 de Maio, todos têm na sua mão o poder de correr com as castas políticas que mais têm contribuído para o estado em que estamos. Se isto não acontecer deixaremos de ter energia, indústria, cultura e pessoas nativas, ou seja, deixaremos de ser um país, passaremos a ser um simples aeroporto do Mundo chamado Portugal ...             João Floriano: Excelente! Portugal pode muito bem ser um study case a nível europeu: como em 1974 se saiu de um sistema «opressor e retrógrado», que nos punha em contramão com a Europa democrática no ocidente, visto que a leste tínhamos os países da Cortina de Ferro, para cairmos precisamente noutro sistema, desta vez de esquerda que só nos tem causado problemas. Como é que levamos 51 anos desta «marmelada» e continuamos  a insistir nos mesmos partidos e nas mesmas ideias decadentes como se pode ver pelos debates recentes, onde partidos como PCP e Bloco já nem sequer deviam participar, tal é o desajustamento que apresentam em relação ao que verdadeiramente precisamos como país. O LIVRE de Rui Tavares, manhoso , apresenta-se como a esquerda verde e o PAN mais manhoso ainda, tanto dá para o PS como para o PSD, desde que assegure o tacho da sua lider. Não consegui perceber pela análise da minha factura de electricidade, qual a fatia que pago pelas renováveis. Mas está lá de forma muito transparente que paguei mais de 7 euros ( já inclui IVA) por dois meses de taxa do audiovisual. Dirão que é pouco e até é verdade. Mas por uma questão de princípio não gosto de pagar os ordenados de estrelas decadentes da RTP ( excluo o Herman José que ainda continua a ser um humorista genial que mete RAP e companhia num chinelo) e comentadeiros woke.                 Rui Lima: O sistema esquece que o clima nunca foi estático, e essa perspectiva histórica é muitas vezes ignorada ou simplificada no discurso mediático e político de hoje, no passado havia instrumentos de tortura para quem não acreditava na Verdade, voltamos a esses tempos todos têm de acreditar na doutrina da salvação do planeta. Porque os pintados de verde (vermelhos no interior) não se insurgem contra os 600 grandes aviões que todas as noites aterram na Europa carregados de bugigangas?               F. Mendes: Melhor do que os últimos artigos do Rui Ramos. Ainda assim, no que toca à abertura de mercados à China, houve vantagens. Como em tudo, há inconvenientes no comércio com menos barreiras alfandegárias, tanto mais que os Chineses cometeram abusos na subsidiação de indústrias nacionais e no roubo de propriedade intelectual. No entanto, julgo que os benefícios têm compensado os efeitos da deslocalização industrial. Concordo que algumas das observações relativas aos movimentos migratórios são pertinentes, embora não concorde que tenha havido uma abertura generalizada à imigração de países pobres. Isso acabou há muito, em vários países. Portugal é uma excepção chocante, não sendo evidente que os nossos partidos (CH incluído) queiram resolver, de facto, o problema.                   Miguel Geraldes Cardoso: Caro Senhor Prof. Dr. Rui Ramos: Pensar é fundamental. Sem dogmas e com dúvidas. Obrigado pela sua luta. At Miguel Geraldes Cardoso             Américo Silva: Isto não se resolve só com liberdade, também é preciso competência, as explicações têm que ser dadas por engenheiros; quando até as engenharias são dominadas pelo wokismo, não vamos a lado nenhum.                     Miguel Vaz Pinto: A questão de fundo é o risco da dependência. Hoje somos auto-suficientes em muito pouca coisa. Se pensarmos no básico, energia, alimentação, água, eu diria que a energia será a mais crítica, pois assegura as restantes. Se queremos auto-suficiência total ou parcial, diria que a discussão sobre as alternativas, incluindo o nuclear, teria que ser relançada. Ficou também patente a negociata das renováveis do Ali-Babá da Ericeira: 20% mais cara, compramos aos espanhóis e franceses que é mais barato e ficamos dependentes e bem na fotografia, pois a maioria da energia que "produzimos" é limpa. Um logro.                      nuno alves > José Paulo Castro: Os Australianos também queriam acabar com o cash até que há uns anos houve uma catástrofe que os obrigou a inverter isso. A Austrália não é uma aldeia perdida nos Andes. Porque foi a UE fazer semelhante escolha depois disso? Por acharem, como em tudo o resto, que vai sempre tudo correr bem? Ou por incompetência? Seja qual for a razão, que reconheçam o que está errado e governem bem.                      Carlos F. Marques: Excelente. Há quem lucre bastante com a "agenda" em curso, por isso não interessa o contraditório.               Manuel Magalhaes: Muito bem e importante este artigo de Rui Ramos, “ficámos presos numa rede de tabus”, frase lapidar a que eu só acrescentaria “idiotas” (os tabus, claro está)…               Francisco Almeida: Rui Ramos, sempre lúcido, termina com a necessidade de a Europa recuperar a capacidade de discussão para salvar a democracia. Mas, infelizmente, pode tirar os cavalinhos da chuva. A perda da democracia, perda de qualidade na Europa, aumento de autocracias no resto do mundo, resulta do globalismo. É um efeito perverso do mesmo globalismo criador de riqueza que tirou centenas de milhões da pobreza (na China 800 milhões). Assim o que havia a discutir era o globalismo e, aí, escolher entre liberdade e automóveis eléctricos e i-pods de última geração. Abandonadas as virtudes da moral cristã, assistindo à desvalorização da Política (a maiúscula é intencional) face à economia, não tenho qualquer dúvida sobre qual será a escolha das maiorias. Será preciso vivenciar um desastre e uma nova geração para que o quadro se altere. Resta Trump, que não perde tempo a pensar, muito menos a discutir. e quer evidentemente acabar com o globalismo. E pode bem ser ele o causador do desastre, dispensando os europeus de terem de escolher.                    Joana Fernandes: Muito bem, RR! Há anos que oiço na SicN no programa do José Gomes Ferreira o Eng Mira Amaral e o Prof Catedrático do Técnico Clemente Pedro Nunes a falarem sobre esta matéria! É assustador ver que ninguém quer saber dos perigos de se ter retirado do sistema a Inércia que é o que permite dar ao sistema a estabilidade da rede! É a segurança de um país inteiro que ficou nas mãos de quem define que importa mais de 50% de renováveis e menos de 5% de outras energias que dessem a tal estabilidade apenas por causa do preço! Está decisão está nas mãos da Ren mas o regulador ERSE tem que ser proactivo e tem que agir em nome dos contribuintes e do ESTADO e exigir segurança na “mistura de energias” que se está a importar e não ser apenas com base no Preço! Ora o preço é também de espantar! É que todos dizem que é mais barato mas afinal o consumidor paga em média 200€ mês! Porquê? Pq há leis do tempo de Sócrates, Manuel Pinho e João Conceição (REN) que criaram rendas permanentes até 2080 ou mais que impede que o custo da energia de facto baixe para cada um dos portugueses! Mais, em ESPANHA o tribunal já reverteu essa lei e o preço lá é mesmo mais barato pq acabaram com as rendas fixas! E em Portugal? O governo não vai reverter estas rendas? Temos que pagar tudo e sofrer pelos vistos apagões?! Temos que estar mais informados e haver debate! Não ponham palas nos olhos!        Ana Torres: O caos migratório e a crise climática só tem um nome ESQUERDALHA, foram eles que nos tornaram reféns da rede tabus e da imigração descontrolada na UE e em Portugal              Manuel Magalhaespronouncer *: Mas que comentário tão poucochinho, para não dizer pior…         Paulo Machado: Discutam o Nuclear

 




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