terça-feira, 27 de maio de 2025

Justa preocupação

 

Cada vez mais arreigado o pessimismo. Se, ao menos, ele fosse propício a um esforço generalizado de luta contra tanta bestialidade que no mundo rola, tanto ao nível humano como das próprias forças da natureza, por vezes bem desvairadas e castigadoras, como se fossem elas próprias instrumento de um qualquer espírito irado a incitá-las… Por outro lado, sabemos que em todos os tempos o Mal conviveu com o Bem, e é assim que vamos rodando, até a máquina parar, para cada um… Parece bem injusto, sim… A cada passo o sentimos. Por cá, por lá… Que virá a seguir? Muitos sofrem com isso e se assustam, ao contrário dos do “Après moi le déluge…”. O mal é que os que implantam “le déluge” nem sempre vêm a sentir-lhe os efeitos, recolhidos na sua barca, de antemão bem artilhada contra as flutuações.

Mas as regras propostas pelo Dr. Salles parecem propícias a alguma correcção nos desvarios. Repitamo-las, pois, porque “à balda” torna-se tudo bem mais doloroso ainda, disso não temos dúvidas. Felizmente, em todo o sempre há espíritos impondo as regras necessárias para corrigir os desvios, mau grado as “democracias” da liberdade e da igualdade. De falsidade paralelamente.

Releiamos, pois, as regras anti alastramento corruptivo:

“Desconsideração «ab initio» da denúncia anónima;”

“Regulamentação do «lobby»;”

“Aperto do cerco à corrupção.”

 

Onde iremos parar

«ZEIT GEIST»

HENRIQUE SALLES DA FONSECA             

A BEM DA NAÇÃO, 26.05.25

Ou

O ESPÍRITO DO TEMPO

Quando daqui a uns tempos (séculos?) os nossos herdeiros se perguntarem qual era o espírito destes tempos por que agora passamos, talvez a resposta seja «o tempo da desconfiança e da destruição»; não o tempo do medo mas certamente o da insanidade. Desconfiança mútua de pertença a obediências ocultas e malignas. De um lado, a obediência ao imperialismo; do outro, exactamente o mesmo; no meio, o mexilhão a que chamamos Europa.

A precaridade europeia agravou-se com a chegada da boçalidade ao poder nos EUA e com a aparente transformação da Casa Branca em sucursal do Kremlin.

Uma das ideias mais propaladas actualmente tem a ver com a «moleza» dos líderes europeus dando-se assim a entender a sua inaptidão para a liderança. Ora, não é crível que todos os europeus nos tenhamos empenhado em escolher os piores entre nós precisamente para nos representarem. O que é crível, isso sim, é que o método de formação da decisão democrática seja diferente do da autocrática: o método democrático é necessariamente negociado enquanto o outro é ditatorial, rápido mas rígido e, portanto, quebradiço. O método negociado tem necessariamente cláusulas de elasticidade que historicamente lhe têm assegurado a vitória. A aceleração do método democrático faz-se com os «Gabinetes de Crise» e é então que os da autocracia gritam e rangem.

A fronteira está, pois, na opção de Regime e apenas na diferença entre os que pensam por si e os que preferem ser mandados; de um lado o humanismo do Estado que serve o cidadão e do outro, o Estado que se serve da carne para canhão.

Mais: por insistente instigação dos da autocracia, a desconfiança popular no método negociado de formação das decisões cresce a cada acto eleitoral como resultado da afirmação verdadeira ou falsa de que tudo é decidido em compadrio, secretismos e corrupção.

Falsas ou não as acusações, a desconfiança é absolutamente verdadeira e há que a corrigir com urgência pela…

Desconsideração «ab initio» da denúncia anónima;

Regulamentação do «lobby»;

Aperto do cerco à corrupção.

A ver se ainda vamos a tempo de suster a desconfiança e parar a destruição. A ver…

Maio de 2025

Henrique Salles da Fonseca

1 Comentário

Anónimo 26.05.2025 15:35: Muito bem pensado e escrito, mas... estamos na rota da destruição! Para depois se levantarem os "porcos" de Orwell.

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