Cada vez mais arreigado o
pessimismo. Se, ao menos, ele fosse propício a um esforço generalizado
de luta contra tanta bestialidade que no mundo rola, tanto ao nível humano como
das próprias forças da natureza, por vezes bem desvairadas e castigadoras, como
se fossem elas próprias instrumento de um qualquer espírito irado a incitá-las…
Por outro lado, sabemos que em todos os tempos o Mal conviveu com o Bem, e é
assim que vamos rodando, até a máquina parar, para cada um… Parece bem injusto,
sim… A cada passo o sentimos. Por cá, por lá… Que virá a seguir? Muitos sofrem
com isso e se assustam, ao contrário dos do “Après moi le déluge…”. O mal é que os que implantam “le déluge” nem
sempre vêm a sentir-lhe os efeitos, recolhidos na sua barca, de antemão bem
artilhada contra as flutuações.
Mas as regras propostas pelo Dr. Salles parecem propícias a alguma
correcção nos desvarios. Repitamo-las, pois, porque “à balda” torna-se tudo bem mais doloroso ainda, disso não temos
dúvidas. Felizmente, em todo o sempre há espíritos impondo as regras
necessárias para corrigir os desvios, mau grado as “democracias” da liberdade e
da igualdade. De falsidade paralelamente.
Releiamos, pois, as regras anti alastramento corruptivo:
“Desconsideração
«ab initio» da denúncia anónima;”
“Regulamentação
do «lobby»;”
“Aperto
do cerco à corrupção.”
Onde iremos parar
HENRIQUE SALLES DA
FONSECA
A BEM DA NAÇÃO, 26.05.25
Ou
O ESPÍRITO DO TEMPO
Quando daqui a uns tempos (séculos?) os nossos herdeiros se perguntarem
qual era o espírito destes tempos por que agora passamos, talvez a resposta
seja «o tempo da desconfiança e da
destruição»; não o tempo do medo
mas certamente o da insanidade. Desconfiança
mútua de pertença a obediências ocultas e malignas. De um lado, a obediência ao imperialismo;
do outro, exactamente o mesmo;
no meio, o mexilhão a que chamamos
Europa.
A precaridade europeia agravou-se com a chegada da boçalidade ao
poder nos EUA e com a aparente transformação
da Casa Branca em sucursal do Kremlin.
Uma das ideias mais propaladas actualmente tem a ver com a
«moleza» dos líderes europeus dando-se assim a entender a sua inaptidão para a
liderança. Ora, não é
crível que todos os europeus nos tenhamos empenhado em escolher os piores entre
nós precisamente para nos representarem. O que é crível, isso sim, é que o método de formação da decisão
democrática seja diferente do da autocrática: o método
democrático é necessariamente
negociado enquanto o outro é
ditatorial, rápido mas rígido e, portanto, quebradiço. O método
negociado tem
necessariamente cláusulas de elasticidade que historicamente lhe têm assegurado
a vitória. A aceleração do método democrático faz-se com os «Gabinetes de Crise» e é então
que os da autocracia gritam e rangem.
A fronteira está, pois, na opção de
Regime e apenas na diferença entre os
que pensam por si e os que preferem ser mandados; de um lado
o humanismo do Estado que
serve o cidadão e do outro, o Estado
que se serve da carne para canhão.
Mais: por insistente instigação dos da autocracia, a
desconfiança popular no método
negociado de formação das
decisões cresce a cada acto eleitoral como resultado da afirmação
verdadeira ou falsa de que tudo é
decidido em compadrio, secretismos e corrupção.
Falsas ou não as acusações, a desconfiança é absolutamente
verdadeira e há que a corrigir com urgência pela…
Desconsideração
«ab initio» da denúncia anónima;
Regulamentação
do «lobby»;
Aperto
do cerco à corrupção.
A ver se ainda
vamos a tempo de suster a desconfiança e parar a destruição. A ver…
Maio de 2025
Henrique Salles da Fonseca
1 Comentário
Anónimo 26.05.2025 15:35: Muito
bem pensado e escrito, mas... estamos na rota da destruição! Para depois se
levantarem os "porcos" de Orwell.
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