segunda-feira, 5 de maio de 2025

Uma vez mais


A intervenção de Cavaco Silva, de orientação na decisão nacional para a reeleição de LUÍS MONTENEGRO como Primeiro-Ministro. Assim o PAÍS global o atenda, menos interessado na sua posição política, como a que demonstram os líderes partidários atacando o parceiro, em blá blá blá de interesse próprio para penetração pessoal, talvez, no esquema governativo, estando-se, de facto, nas tintas para o país, mais vidrados sobre os que pretendem governar, para os estilhaçar em prol de si próprios, como de costume. Vergonhoso, tudo isto que por cá se passa, de entrave à acção governativa. O certo é que, se Cavaco Silva tivesse em tempos apoiado Passos Coelho, em vez de António Costa, não estaríamos, certamente, em tanto maralhal de baixa autoestima. Para já, seria necessário um certo retorno ao nacionalismo primitivo, que fez o povo português criar estatuto próprio que o tornou outrora bem mais amplo, criando mesmo ou seus próprios “maiores”…

A escolha do Primeiro-Ministro nas eleições de 18 de Maio

Nos novos tempos, a orientação das políticas da AD, cuja execução cabe a Luís Montenegro liderar, é mais adequada ao progresso de Portugal do que as propostas das outras forças partidárias.

ANÍBAL CAVACO SILVA Ex-Presidente da República e antigo primeiro-ministro

OBSERVADOR, 05 mai. 2025, 00:1014

1Nas eleições legislativas antecipadas de 18 de Maio está em causa, acima de tudo, a escolha do líder partidário que deve exercer as funções de Primeiro-Ministro.

Numa situação internacional extremamente complexa e incerta, cabe ao Primeiro-Ministro um papel chave “na resolução dos problemas do país e na melhoria do nível de vida dos portugueses”, como escrevi em O PRIMEIRO-MINISTRO e a ARTE DE GOVERNAR.

A minha escolha de Primeiro-Ministro fundamenta-se em três critérios: a capacidade política e técnica, a dimensão ética na vida política e a proposta de política geral do Governo.

No caso específico de Portugal, diferente de outros países que dispõem de administrações públicas eficientes, a capacidade técnica, a par da qualificação política e de direcção do funcionamento do Governo, é uma qualidade muito importante na escolha do Primeiro-Ministro.

Pela observação que fiz da acção do executivo até à crise política que implicou a sua demissão, o actual Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, revelou ser possuidor de boas qualidades nas principais questões técnicas dos diferentes ministérios, na liderança do Governo e na defesa dos interesses nacionais na União Europeia, qualidades que não vislumbro nem antecipo nos outros líderes partidários.

2No que se refere ao meu segundo critério de escolha, tendo procurado avaliar objectivamente os comportamentos e atitudes dos diferentes líderes partidários da oposição, não encontrei em nenhum deles qualquer superioridade em relação ao actual Primeiro-Ministro na dimensão ética e moral na vida política.

Da campanha de suspeições e insinuações movida por partidos da oposição e por alguma comunicação social contra a pessoa do Primeiro-Ministro – campanha mais confusa e desinformativa do que esclarecedora – e, em boa parte, centrada na devassa da sua vida privada, não inferi que Luís Montenegro tenha violado quaisquer princípios éticos ou cometido ilegalidades.

Em minha opinião, Luís Montenegro cometeu inicialmente um erro de avaliação naquilo que, em tempos de fortíssima concorrência entre os meios de comunicação social, alguns destes exigem conhecer e divulgar sobre a vida pessoal dos agentes políticos. Foi um erro que, depois, corrigiu de maneira superlativa, como prova da sua boa-fé.

Como afirmei noutra ocasião, a campanha de suspeições e insinuações foi o pretexto de partidos da oposição para criarem um clima político de tal forma inflamado e paralisante da ação do Governo que não lhe deixou alternativa que não fosse a de confrontar a Assembleia da República com uma moção de confiança. Foi a rejeição pela oposição dessa moção que implicou a demissão do Governo e a realização de eleições antecipadas.

Em Junho de 1986, num contexto mediático diferente do atual, o Governo minoritário de que eu era Primeiro-Ministro, perante os obstáculos da oposição na Assembleia da República à concretização do seu programa de reformas estruturais, apresentou também ao Parlamento uma moção de confiança.

Ao contrário do que aconteceu com a moção de confiança do actual Governo da Aliança Democrática, a moção do meu Governo foi aprovada. A oposição de então optou por não provocar a queda do Governo e evitou a realização de eleições antecipadas.

3Os programas com que os diferentes partidos se apresentam às eleições de 18 de Maio são, em geral, meras actualizações dos programas com que concorreram às eleições que tiveram lugar há pouco mais de um ano.

Assim, as políticas por eles defendidas até à eclosão da crise política que levou à convocação de eleições antecipadas são um bom indicador das políticas que irão defender na próxima legislatura.

A proposta de política geral do Governo cuja execução caberá ao Primeiro-Ministro liderar, nos termos da Constituição, é por isso outro factor importante na escolha do líder partidário que deve exercer essas funções, embora indissociável da sua capacidade técnica e política.

Na minha opinião, as linhas de orientação das políticas defendidas pela “AD–Coligação PSD/CDS” são mais adequadas ao desenvolvimento do país, à melhoria do bem-estar das famílias e a um futuro mais promissor para os jovens do que as propostas das outras formações partidárias.

São orientações não dogmáticas que têm em devida conta as restrições impostas pelas realidades económicas e sociais dos novos tempos, como a globalização, a integração europeia, o desenvolvimento tecnológico, a sociedade da informação, a afirmação dos poderes supranacionais e a actual convulsão geopolítica e geoeconómica.

Apesar dos obstáculos criados ao actual Governo na Assembleia da República pelos partidos da oposição e da óbvia incompetência técnica demonstrada por alguns deles, o executivo presidido por Luís Montenegro actuou, nos seus onze meses de vida, de modo a aumentar o poder de compra de salários e pensões, defendeu o emprego e a estabilidade financeira e melhorou o clima de confiança que tão importante é para preparar um futuro melhor para os jovens e para a aproximação de Portugal aos países mais ricos da União Europeia.

4Em resumo: nas eleições legislativas de 18 de Maio está em causa, acima de tudo, a escolha do Primeiro-Ministro e, na análise a que procedi, concluí que o líder da AD, Luís Montenegro, em comparação com os outros líderes partidários, tem qualidades claramente superiores em matéria de competência técnica e política, de capacidade de liderança do Governo e de defesa dos interesses portugueses na União Europeia e não fica atrás de nenhum deles no que se refere à dimensão ética na vida política. Acresce que, nos novos tempos, a orientação das políticas da AD, cuja execução cabe a Luís Montenegro liderar, é mais adequada ao progresso de Portugal, nas suas diferentes vertentes, do que as propostas das outras forças partidárias.

Só a “AD – Coligação PSD/CDS” tem possibilidades de gerar um governo que garanta a estabilidade política de que o país tanto necessita.

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COMENTÁRIOS (de 14)

Mario Figueiredo: Tivesse tido Passos Coelho a mesma expressão de apoio por parte de Cavaco Silva que Montenegro vê aqui. Não, Sr. Cavaco Silva. Não sabemos ainda se Montenegro violou ou não regras ou leis. Está tudo ainda debaixo de uma névoa. Portanto a sua expressão de apoio tem muitíssimo pouco valor para mim, e diz mais sobre si e o seu partidarismo, do que de Montenegro e a sua conduta ética. Para mim o nosso Primeiro-Ministro foi uma desilusão completa. Votei nele. Não o voltarei a fazer. Comportou-se mal na forma como conduziu a sua actividade, tendo só movido a empresa para o nome dos filhos depois de o assunto se ter tornado público. Já agora, esta é uma empresa e uma actividade que ninguém colocaria no nome dos filhos, excepto como um subterfúgio. É preciso dizer. Recusou-se sempre a ser transparente, e não sabemos ainda ao certo a verdadeira natureza da sua actividade, se beneficiou ou não empresas privadas, e quem realmente desempenhava o trabalho numa empresa cujo único quadro competente era o primeiro-ministro em funções. O respeito que tenho por Cavaco Silva não me impedirá nunca de o criticar e o censurar por este artigo de opinião que considero muito abaixo de si. Inusitado vindo de si, desnecessário tendo em conta as sondagens, de um partidarismo primário, e promotor de um comportamento ético profundamente censurável do nosso Primeiro-Ministro, que o senhor se recusa a fazer. Desde o apoio incondicional a Miguel Albuquerque, até à afirmação que se candidataria a primeiro-ministro mesmo que fosse arguido num processo, passando por membros do seu governo a afirmarem publicamente que a ética não pertence à politica, Montenegro foi para mim somando desilusão atrás de desilusão. Continuamos a ser governados por gente menor que nós. Políticos de segunda e terceira linha, sem qualquer moral, ética ou sentido de dever que nos conduzem por caminhos cada vez mais perigosos. O Sr. Cavaco Silva foi e defendeu no seu tempo o contrário de tudo isto. Agora, quando não precisava de o fazer, vem manchar o seu legado. Tenho pena.

S N: Parabéns e obrigado Prof. Cavaco Silva por tudo o que fez por Portugal e pelo constante empenho na promoção de uma vida digna e melhor para todos. Bem como por tornar tão claro o que está verdadeiramente em jogo nas próximas eleições gerais, que os portugueses têm de responsavelmente escolher. No contexto actual, as ilações não podem razoavelmente ser outras.

Carlos Chaves: Um depoimento de quem ama Portugal e de quem tanto por ele fez, um grande bem-haja Professor Aníbal Cavaco Silva! Todos somos poucos para derrubar o socialismo, o “jornalismo” faccioso e a mediocridade da “direita” radical e populista. No dia 18 vamos votar AD, rumo a uma maioria estável e assim dar uma lição, a quem quer impedir o desenvolvimento de Portugal!

José Cortes: LM está a mostrar ser perigosa e tristemente próximo em termos programáticos do PS. Respeitável e muito respeitado Sr. Prof. A. Cavaco Silva, a Social-Democracia em Portugal, tal como a entende grande parte do PSD vindo ainda da década de '80 já teve como nome PPD. Esta diferença, que à data se procurou que fosse despicienda, revelar-se-ia toda uma linha de pensamento. Já antes tinham saído muitos em conflito com Sá Carneiro, engrossando alguns as fileiras do PS como Sousa Franco, depois a coisa acalmou mas a tendência mostrou a sua resiliência com M. F. Leite, depois R. Rio. Pelo meio PPC ainda lembrou S. Carneiro, pela fibra, sentido e conquistado estatuto de Estadista, e, claro, novamente por adoptar uma linha PPD que S. Lopes tinha em vão procurado manter viva. Temos pouco Liberalismo económico em Portugal, Sr. Professor A. Cavaco Silva. PS: a única vez que LM referiu a necessidade de Pt produzir mais riqueza para DEPOIS poder fazer mais redistribuição (até onde irá ela, quando será ela suficiente?), no debate com PNS, foi na sua frase final da declaração final usando-a como ultimíssima palavra e, ainda assim, nem o deixaram completá-la, pois a jornalista cortou e passou a palavra a PNS. Todo um modus vivendi do País e da sua CS tiveram direito de expressão naquela fracção ínfima de tempo. Queremos um sucedâneo de Thatcher ou de Milei. Esse poderia vir a ser P. Passos Coelho. Mas sabemos que é PPD a mais para o PSD das últimas décadas. Mas aquele está na génese deste. IL e CH são filhos enjeitados de uma mãe que foi sendo cada vez mais situacionista e menos ambiciosa para toda a sua prole: os portugueses. Camões tinha razão: o fraco Rei faz fraca a forte gente.

JOHN MARTINS: O Professor Cavaco Silva demonstra, mais uma vez, a sua perspicácia e compromisso com o futuro de Portugal ao expressar o seu apoio a Luís Montenegro.A sua análise criteriosa sobre a competência técnica e política, a ética na vida pública e a visão estratégica da COLIGAÇÃO PSD/CDS reflecte a sua vasta experiência e compreensão das necessidades do País. Logo, escolher Montenegro é a decisão acertada. Parabéns Prof.Cavaco Silva.

José B Dias: A coisa não deve estar a correr assim tão de feição como insistem em afirmar por todo o lado ... Trouxeram a artilharia pesada para a frente logo no início da campanha!

Jose Oliveira: Há uma parte da análise que vale pelo artigo: "... e da óbvia incompetência técnica registada por alguns deles...". Na "mouche", dr. Santos, percebeu? Na "mouche".

 

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