quarta-feira, 14 de maio de 2025

Episódios


Dos virtuosos da Democracia, educados na arte do arremesso, a coberto da permissividade instituída, a partir dos tais conceitos de liberdade, igualdade, e mesmo fraternidade, como também já se dizia dantes, de resto, mas com mais graça: “Tudo ao molho e fé em Deus”… Mas esta última – digo “fé “ – seria importante, talvez, para uma maior contenção em questão de arremesso de pós educativos, em vez do arremesso de razões defensoras da sua nobre causa climática, sem necessidade de tintas, para mais, poluentes.

VIA INTERNET:

 «NOTÍCIA: Rui Rocha atingido com pó verde por activistas climáticos O presidente da Iniciativa Liberal estava já a discursar quando dois activistas, um com um cartaz em que se lia "para a nossa espécie não ficar extinta, fim ao fóssil 2030", do movimento Fim ao Fóssil invadiram o palco.»

Rui Rocha está-se nas tintas

Ao contrário do que dizem na sua propaganda política, o problema deles não é com a sexta extinção, é com a extinção da sesta.

JOSÉ DIOGO QUINTELA Colunista do Observador

OBSERVADOR, 13 mai. 2025, 00:1827

Há um momento, quando constata que o jovem activista lhe vai despejar tinta em cima, em que percebemos que Rui Rocha está a pensar em de que forma vai reagir à primeira demão. Naquele milissegundo, antes de decidir como se iria comportar, Rocha há-de ter ponderado todas as situações em que ambientalistas fanáticos protestaram através do lançamento de tinta. Iria reagir com fleuma, como Luís Montenegro, a 28 de Fevereiro do ano passado? Com bom humor, como Fernando Medina em 20 de Outubro de 2023? Com frieza, como Duarte Cordeiro no dia 26 de Setembro de 2023? No fim, optou por reagir com imobilidade, como “A Rapariga com o Brinco de Pérola” (27 de Outubro de 2022). Em vez de fazer como outros políticos que têm sido atingidos, comportou-se como uma das pinturas que também têm sido alvo destes justiceiros climáticos: “Os girassóis”de Van Gogh (14 de Outubro de 2022), “Os Palheiros” de Monet (22 de Outubro de 2022) ou “Morte e Vida” de Klimt (15 de Novembro de 2022). Faz algum sentido, porque a Iniciativa Liberal adora quadros. É o seu eleitorado. Está sempre a defendê-los, principalmente se trabalham em multinacionais e ganham bónus chorudos.

Naquele instante, ali parado, enquanto começava a saborear a tinta verde em pó, Rui Rocha parecia uma obra de arte. Só faltava uma placa dourada com o título: “O boneco”, de Milei.

O arremesso enquanto arma de protesto é um método utilizado desde a pré-história. Quando os primeiros bebés de Neanderthal perceberam que atirar o guisado de mamute ao chão irritava os pais, passaram a deitar a mão a toda a sorte de mistelas para arreliar a família quando estavam birrentos. Como estes petizes primitivos, os jovens de agora também demonstram o seu descontentamento através da projecção de imundice.

Ao contrário do que dizem na sua propaganda política, o problema deles não é com a sexta extinção, é com a extinção da sesta. Ali na passagem dos 4 para os 5 anos, ocorre um período sensível em que as crianças deixam de fazer a sesta. Habituados a dormir a meio tarde, a súbita retirada desse período de descanso mexe com a disposição dos pequeninos. A falta de óó transtorna-os. Aparece a birra do sono, com o mau-feitio associado e o atirar de substâncias que deixam nódoas na roupa. Os meus filhos também faziam fitas enormes, atiravam a papa, parecia que o mundo acabava se não vissem imediatamente a 37a repetição do episódio em que o pai da Porquinha Peppa rebola na lama. Enfim, nada que não se resolvesse com uma soneca. Ou um tautau.

Porém, a partir de uma certa idade, a birra já não tem a mesma compreensão. Aborrece. É quando a criança aprende novas formas de protesto e de testar os limites. A minha predilecta é o amuo. Porque é silenciosa. E dá umas fotografias muito engraçadas. Principalmente quando, já adultas, voltam a vê-las e perguntam:

“Porque é que eu estava com esta cara de parva?”

“Porque não te deixámos ir maquilhada de Lady Bug para a primeira-comunhão”.

Anseio por uma acção de protesto em que, em vez de atirarem coisas, os jovens cruzem os braços, franzam o cenho e se virem para a parede. Espero que não demore.

Tal como as dos meus filhos, as reivindicações destes jovens activistas também são exigências que, se satisfeitas, acabariam por os prejudicar. Comer o sétimo pacote de Oreo não faz tão mal à saúde como acabar com o fóssil até 2030.

Sei que falar do aprumo destes guerreiros é um cliché e que o asseio não reflecte o mérito da causa, mas acho um bocadinho hipócrita estes militantes do clima estarem sempre a gritar “Just Stop Oil” quando têm a pele tão sebosa. Primeiro, tratem da vossa Zona T, pá. Just Stop Oil, tudo bem; mas primeiro, Just Stop Oily Skin.

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COMENTÁRIOS (de 27)

Maria Tavares: Boa crónica que resume o ridículo destes cretinos do 'clima' Sim são desprezíveis, com uma apresentação ao nível do quão desprezíveis são. Aguardo o dia que ALGUÉM DE CORAGEM, se esteja borrifando para o politicamente correcto e lhes dê um murro nas trombas ensebadas, pelo menos uma vez são limpas.

Joao Cadete: Se lhe tivesse pregado logo uma bofetada qdo viu o saco tinha o meu voto.

Ruço Cascais: Estes jovens virgens que atiraram o pó verde uma semana antes, são os mesmos jovens que no Afeganistão ou no Líbano se deixam armadilhar com um colete de dinamite para se explodirem num mercado apinhado de gente. À semelhança do orgulho que os pais dos jovens rotulados de heróis depois de explodidos na Síria sentem, também os pais dos jovens lusos da tinta verde aplaudem orgulhosamente a coragem dos seus petizes. Infelizmente ainda ninguém se lembrou de criar a brigada do crude (petróleo não refinado) e penas, á semelhança da mais recente organização dos Desokupas. Passo a explicar; para os Okupas existem agora os Desokupas que substituem a polícia que não pode fazer nada. Os Okupas ocupam as casas vazias, os Desokupas à lei do pau de marmeleiro desocupam as casas. Com os jovens activistas da tinta verde falta acontecer a mesma coisa. Os jovens virgens activistas da tinta pintam quem lhes aprouver e depois apareciam os despinta que ao invés de diluente utilizavam antes era um balde de crude despejado pela cabeça dos activistas e depois revestiam-os com penas de galinha para não terem frio quando os largassem na Baixa Chiado. Os pais também ficariam, na mesma, orgulhosos.

João Floriano > Ruço Cascais: Bom dia caro Ruço: Fui mesmo ler o programa da IL entre as páginas 108 e 121, mas não tenciono ler mais. Não será necessário atingir tais patamares de «biolência». Bastava pô-los a trabalhar durante um mês (se é que eles aguentavam) em projectos ambientais que requeressem um certo músculo. Passava-lhes logo o acne e a pele oleosa cheia de pontos negros. E os paizinhos orgulhosos podiam ter de pagar as multas bem mais pesadas do que 1600 euros do seu próprio bolso, assim como os advogados para livrar os «activistas», em vez de vir a brigada da Carmo Afonso. Havia de ver como esta palhaçada acabava logo.

José B Dias: Ainda não consegui entender a razão para que Rui Rocha, que viu os sebosos a tirar os saquitos das algibeiras, não tenha efectuado a mais pequena tentativa para lhos retirar ou para se proteger. E é-me um absoluto mistério o que leva alguém a quem atiraram uma mistela qualquer à cara a não se sacudir e nem sequer tentar limpar os olhos ... a não ser que o objetivo fosse mesmo o que daí resultou!

João Floriano > José B Dias: Por sinal também pensei o mesmo. Quem leva com aquela nuvem tóxica em cima, por instinto e acto reflexo, foge, levanta as mãos para se proteger, sacode-se. Rui Rocha nem se mexeu e parecia já ter a frase preparada: «"E estes que aqui apareceram nem sequer são os mais pesados, tive muitas mais contrariedades na minha vida que venci", afirmou, perante o aplauso dos membros da IL.. Em termos dramáticos e de artes de palco foi uma excelente entrada em cena. Os nossos políticos estão a ficar muito criativos.

 

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