Dos virtuosos da Democracia, educados na
arte do arremesso, a coberto da permissividade instituída, a partir dos tais
conceitos de liberdade, igualdade, e mesmo fraternidade, como também já se dizia
dantes, de resto, mas com mais graça: “Tudo ao molho e fé em Deus”… Mas esta
última – digo “fé “ – seria importante, talvez, para uma maior contenção em
questão de arremesso de pós educativos, em vez do arremesso de razões
defensoras da sua nobre causa climática, sem necessidade de tintas, para mais, poluentes.
VIA INTERNET:
«NOTÍCIA: Rui Rocha atingido com pó verde por
activistas climáticos O presidente da Iniciativa Liberal estava já a discursar
quando dois activistas, um com um cartaz em que se lia "para a nossa espécie não ficar
extinta, fim ao fóssil 2030", do movimento Fim
ao Fóssil invadiram o palco.»
Rui Rocha está-se nas tintas
Ao contrário do que dizem na sua propaganda política, o problema
deles não é com a sexta extinção, é com a extinção da sesta.
JOSÉ DIOGO QUINTELA Colunista
do Observador
OBSERVADOR, 13
mai. 2025, 00:1827
Há um momento, quando constata que o
jovem activista lhe vai despejar tinta em cima, em que percebemos que Rui Rocha
está a pensar em de que forma vai reagir à primeira demão. Naquele
milissegundo, antes de decidir como se iria comportar, Rocha há-de ter ponderado todas as situações em que ambientalistas
fanáticos protestaram através do lançamento de tinta. Iria reagir com fleuma, como Luís Montenegro,
a 28 de Fevereiro do ano passado? Com bom humor, como Fernando Medina em 20 de
Outubro de 2023? Com frieza, como Duarte Cordeiro no dia 26 de Setembro de 2023? No fim, optou
por reagir com imobilidade, como “A
Rapariga com o Brinco de Pérola” (27 de Outubro de 2022). Em vez de fazer
como outros políticos que têm sido atingidos, comportou-se como uma das
pinturas que também têm sido alvo destes justiceiros climáticos: “Os girassóis”de Van
Gogh (14 de Outubro de 2022), “Os Palheiros” de Monet (22 de Outubro de 2022) ou “Morte e Vida” de Klimt (15 de Novembro de 2022). Faz algum
sentido, porque a Iniciativa
Liberal adora quadros. É o seu eleitorado. Está sempre a defendê-los,
principalmente se trabalham em multinacionais e ganham bónus chorudos.
Naquele instante, ali parado,
enquanto começava a saborear a tinta verde em pó, Rui Rocha parecia uma obra de
arte. Só faltava uma placa dourada com o título: “O boneco”, de Milei.
O arremesso enquanto
arma de protesto é um método utilizado desde a pré-história. Quando os
primeiros bebés de Neanderthal perceberam que atirar o guisado de mamute ao
chão irritava os pais, passaram a deitar a mão a toda a sorte de mistelas para
arreliar a família quando estavam birrentos. Como estes petizes primitivos, os jovens de agora também demonstram
o seu descontentamento através da projecção de imundice.
Ao contrário do que dizem na sua
propaganda política, o problema deles não é com a sexta extinção, é com a
extinção da sesta. Ali na
passagem dos 4 para os 5 anos, ocorre um período sensível em que as crianças
deixam de fazer a sesta. Habituados a dormir a meio tarde, a súbita retirada
desse período de descanso mexe com a disposição dos pequeninos. A falta de óó
transtorna-os. Aparece a birra do sono, com o mau-feitio associado e o atirar
de substâncias que deixam nódoas na roupa. Os meus filhos também faziam fitas
enormes, atiravam a papa, parecia que o mundo acabava se não vissem
imediatamente a 37a repetição do episódio em que o pai da Porquinha Peppa
rebola na lama. Enfim, nada que não se resolvesse com uma soneca. Ou um tautau.
Porém,
a partir de uma certa idade, a birra já não tem a mesma compreensão. Aborrece.
É quando a criança aprende novas formas de protesto e de testar os limites. A minha predilecta é o amuo. Porque é silenciosa. E
dá umas fotografias muito engraçadas. Principalmente quando, já adultas, voltam
a vê-las e perguntam:
“Porque
é que eu estava com esta cara de parva?”
“Porque
não te deixámos ir maquilhada de Lady Bug para a primeira-comunhão”.
Anseio por uma acção de protesto em que, em vez de atirarem coisas,
os jovens cruzem os braços, franzam o cenho e se virem para a parede. Espero
que não demore.
Tal
como as dos meus filhos, as reivindicações destes jovens activistas também são
exigências que, se satisfeitas, acabariam por os prejudicar. Comer o sétimo
pacote de Oreo não faz tão mal à saúde como acabar com o fóssil até 2030.
Sei que falar do aprumo destes guerreiros é um cliché e que o asseio
não reflecte o mérito da causa, mas acho um bocadinho hipócrita estes
militantes do clima estarem sempre a gritar “Just Stop Oil” quando têm a pele
tão sebosa. Primeiro, tratem da vossa Zona T, pá. Just Stop Oil, tudo bem; mas
primeiro, Just Stop Oily Skin.
COMENTÁRIOS (de 27)
Maria Tavares: Boa crónica que resume o ridículo destes
cretinos do 'clima' Sim são desprezíveis, com uma apresentação ao nível do quão
desprezíveis são. Aguardo o dia que ALGUÉM DE CORAGEM, se esteja borrifando
para o politicamente correcto e lhes dê um murro nas trombas ensebadas, pelo
menos uma vez são limpas.
Joao Cadete: Se lhe tivesse
pregado logo uma bofetada qdo viu o saco tinha o meu voto.
Ruço Cascais: Estes
jovens virgens que atiraram o pó verde uma semana antes, são os mesmos jovens
que no Afeganistão ou no Líbano se deixam armadilhar com um colete de dinamite
para se explodirem num mercado apinhado de gente. À semelhança do orgulho que
os pais dos jovens rotulados de heróis depois de explodidos na Síria sentem,
também os pais dos jovens lusos da tinta verde aplaudem orgulhosamente a
coragem dos seus petizes. Infelizmente ainda ninguém se lembrou de criar a
brigada do crude (petróleo não refinado) e penas, á semelhança da mais recente
organização dos Desokupas. Passo a explicar; para os Okupas existem agora os
Desokupas que substituem a polícia que não pode fazer nada. Os Okupas ocupam as
casas vazias, os Desokupas à lei do pau de marmeleiro desocupam as casas. Com
os jovens activistas da tinta verde falta acontecer a mesma coisa. Os jovens
virgens activistas da tinta pintam quem lhes aprouver e depois apareciam os
despinta que ao invés de diluente utilizavam antes era um balde de crude
despejado pela cabeça dos activistas e depois revestiam-os com penas de galinha
para não terem frio quando os largassem na Baixa Chiado. Os pais também
ficariam, na mesma, orgulhosos.
João Floriano > Ruço Cascais: Bom dia caro Ruço: Fui mesmo ler o
programa da IL entre as páginas 108 e 121, mas não tenciono ler mais. Não será
necessário atingir tais patamares de «biolência». Bastava pô-los a trabalhar
durante um mês (se é que eles aguentavam) em projectos ambientais que requeressem
um certo músculo. Passava-lhes logo o acne e a pele oleosa cheia de pontos
negros. E os paizinhos orgulhosos podiam ter de pagar as multas bem mais
pesadas do que 1600 euros do seu próprio bolso, assim como os advogados para
livrar os «activistas», em vez de vir a brigada da Carmo Afonso. Havia de ver
como esta palhaçada acabava logo.
José B Dias: Ainda
não consegui entender a razão para que Rui Rocha, que viu os sebosos a tirar os
saquitos das algibeiras, não tenha efectuado a mais pequena tentativa para lhos
retirar ou para se proteger. E é-me um absoluto mistério o que leva alguém a
quem atiraram uma mistela qualquer à cara a não se sacudir e nem sequer tentar
limpar os olhos ... a não ser que o objetivo fosse mesmo o que daí resultou!
João Floriano > José B Dias: Por sinal também pensei o mesmo. Quem leva
com aquela nuvem tóxica em cima, por instinto e acto reflexo, foge, levanta as
mãos para se proteger, sacode-se. Rui Rocha nem se mexeu e parecia já ter a
frase preparada: «"E estes que
aqui apareceram nem sequer são os mais pesados, tive muitas mais contrariedades
na minha vida que venci", afirmou, perante o aplauso dos membros da IL..
Em termos dramáticos e de artes de palco foi uma excelente entrada em cena. Os
nossos políticos estão a ficar muito criativos.
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