domingo, 18 de maio de 2025

Histórias da Bíblia


Retiradas de um Livro extraordinário, contadas com leveza e a justeza de um crente - o PADRE PORTOCARRERA DE ALMADA, confrontando as fontes do Novo Testamento sobre a realidade de uma ressurreição que uma pesca milagrosa fez reconhecer, pelos discípulos incrédulos de Jesus.

O Escândalo da Páscoa - O Ressuscitado Irreconhecível

Cristo ressuscitado não foi de imediato reconhecido pelos seus discípulos, o que parece debilitar a fé na sua ressurreição.

P. GONÇALO PORTOCARRERO DE ALMADA Colunista

OBSERVADOR, 17 mai. 2025, 00:1621

Os Evangelhos relatam quatro ressurreições: a da filha de Jairo (Mt 9, 18-26), a do filho da viúva de Naim (Lc 7, 11-17), a de Lázaro (Jo 11, 1-44) e a de Jesus de Nazaré. Todas acontecem por acção de Cristo, porque ele próprio tinha poder de dar a sua vida e de a retomar (Jo 10, 18), o que não é humanamente possível. A ressurreição de Jesus é a prova definitiva da sua divindade, que é o fundamento da fé cristã (1Cr 15, 12-19).

As três primeiras ressurreições não suscitaram nenhuma dúvida quanto à identidade dos ressuscitados, mas não assim a ressurreição de Jesus. Com efeito, Cristo ressuscitado não foi de imediato reconhecido pelos seus discípulos, que tiveram dificuldade em chegar à conclusão de que se tratava da mesma pessoa que eles tão bem conheciam e tinham seguido durante vários anos. Ora, uma tal resistência, vinda dos seus mais próximos colaboradores, parece debilitar a fé na ressurreição de Jesus de Nazaré.

São Mateus refere que as mulheres, tendo ido ao sepulcro de Cristo, encontraram-no vazio. Apareceu-lhes então um anjo, que lhes disse:“Não tenhais medo. Sei que buscais Jesus, o crucificado; não está aqui, pois ressuscitou, como tinha dito.”(Mt 28, 6). Quando elas foram dar a notícia aos apóstolos, o próprio Cristo foi ao seu encontro. Nesse dia também apareceu aos apóstolos, mas nem todos o reconheceram:“Quando o viram, adoraram-no; alguns, no entanto, ainda duvidavam.” (Mt 28, 17). A dúvida só pode ter surgido porque a fisionomia de Jesus ressuscitado não coincidia com a imagem que dele tinham, ao contrário do que acontecera com a filha de Jairo, com o filho da viúva de Naim e também com Lázaro.

São Marcos insiste nesta inicial incredulidade dos apóstolos. Jesus, “tendo ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria de Magdala, da qual expulsara sete demónios. Ela foi anunciá-lo aos que tinham sido seus companheiros, que viviam em luto e em pranto. Mas eles, ouvindo dizer que Jesus estava vivo e fora visto por ela, não acreditaram. Depois disto, Jesus apareceu com um aspecto diferente a dois deles, que iam a caminho do campo. Eles voltaram para trás a fim de o anunciar aos restantes. E também não acreditaram neles. Apareceu, finalmente, aos próprios onze, quando estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração em não acreditarem naqueles que o tinham visto ressuscitado.”(Mc 16, 9-14).

De novo, a dificuldade em reconhecer o ressuscitado, neste caso por“dois deles, que iam a caminho do campo”, ou seja, de Emaús, e confirma-se a suspeita de que se lhes apresentoucom um aspecto diferente” (Mc 16, 12). Mas, que aspecto seria esse?! E, se a aparência era outra, como podiam ter a certeza de que se tratava da mesma pessoa?!

São Lucas narra, com pormenor, esta aparição de Jesus aos discípulos de Emaús. Depois da morte do Mestre, Cléofas e o seu conterrâneo decidiram regressar à sua terra. Quando caminhavam, “aproximou-se deles o próprio Jesus e pôs-se com eles a caminho; os seus olhos, porém, estavam impedidos de o reconhecer” (Lc 24, 16). Estranho: falam com ele, abertamente, da sua paixão e morte, sem o identificarem! A conversa foi longa e, apesar de lhes estar a falar dele próprio, não o reconheceram! Como se fez tarde, pararam para tomar algum alimento e só então, quando Jesus partiu o pão, se aperceberam de que era ele e voltaram para Jerusalém, onde deram a boa nova aos apóstolos.

Marcos tinha dito que Jesus lhes aparecera “com um aspecto diferente”, mas continua pertinente a questão: como saber que era mesmo Jesus e não outra pessoa, nomeadamente alguém que com ele se parecesse?! De facto, Lucas, quando narra a aparição de Jesus aos apóstolos, refere que eles, “dominados pelo espanto e cheios de temor, julgavam ver um espírito(Lc 24, 37). Para provar a realidade do seu corpo, Cristo comeu, diante deles, “um bocado de peixe assado” (Lc 24, 42-43). Ficou assim claro que era alguém com um corpo verdadeiro, mas não que era o mesmo Jesus que eles tão bem conheciam e que foram incapazes de reconhecer.

A aparição de Jesus a Maria Madalena, que São Marcos só enuncia, é descrita com pormenor por São João. Ao ver o túmulo vazio, esta santa mulher supôs o que era óbvio: que o corpo de Jesus tinha sido roubado e transladado para um lugar próximo. Apareceu-lhe então Cristo, mas não o reconheceu, pois pensou“ que era o encarregado do horto”. Só quando Jesus a chamou pelo seu nome, ela o identificou, respondendo respeitosamente,“em hebraico: Rabbuni! – que quer dizer: ‘Mestre!’.” (Jo 20, 14-16).

Mais uma vez, alguém que, como sua discípula, conhecia bem a Jesus, não o reconheceu depois de ressuscitado. Só se deu conta que era ele quando o ouviu chamar pelo seu nome, ao que respondeu com a formalidade e reverência devida ao Mestre. Mas, como explicar, mais uma vez, esta dificuldade de Maria Madalena em se aperceber de que aquele, que ela confundiu com o hortelão, é Jesus, a quem procura?! Há aqui uma outra contradição: não acreditou no que viu, mas acreditou no que ouviu! Mas, se em vez de ser verdade o testemunho do seu ouvido, e não o da sua visão, fosse o contrário?! Afinal, é mais difícil reconhecer uma voz do que uma cara e, por isso, parece mais viável o testemunho incrédulo dos seus olhos, do que o dos seus ouvidos

Segundo o apóstolo e evangelista São João, na última aparição de Jesus ressuscitado, os seus discípulos vêem-no e ouvem-no e não o reconhecem. Pedro, João e outros discípulos foram pescar durante a noite, mas sem êxito. Quando regressaram, apareceu-lhes Jesus que, da margem, lhes perguntou se tinha alguma coisa para comer. Ante a resposta negativa, disse-lhes que lançassem as redes para a direita da barca e produziu-se então uma abundantíssima pesca. Ante o flagrante milagre, João percebeu que era Jesus que estava na margem, disse-o a Pedro, que se atirou à água para ir ter com ele (Jo 21, 1-14).

Mais uma vez, aqueles homens não foram capazes de identificar o seu Mestre. Para todos eles, menos Tomé, que faltou à aparição no dia da ressurreição, era este o terceiro encontro com o ressuscitado, e, para Pedro, o quarto, pois Jesus tinha aparecido, só a ele, mais uma vez, no próprio dia da sua ressurreição (cf Lc 24, 34; 1Cr 15, 5). E, apesar de o Mestre estar suficientemente perto da barca para se fazer ver e ouvir – uns 90 metros –, só o identificaram por causa da pesca milagrosa!

É surpreendente esta aparente contradição dos textos bíblicos que narram a ressurreição de Cristo, que é a prova definitiva da sua divindade. Qualquer apologista da fé que referisse estas aparições teria, decerto, omitido, ou desvalorizado, a dificuldade que as testemunhas do ressuscitado tiveram em o reconhecer, para que ressaltasse como evidente e indiscutível a realidade gloriosa da sua ressurreição.

Como aqui se disse a 30-3-2024,“é nesta aparente contradição que reside o paradoxo da Páscoa: enquanto os filhos de Jairo e da viúva de Naim e Lázaro apenas regressaram à vida que antes tinham, tendo todos eles voltado a morrer, Jesus Cristo ressuscitou para uma nova vida, que é, na glória, a eternidade para a qual a sua Páscoa nos chama”. Como numa próxima crónica se dirá, que os evangelistas tenham dado prioridade à verdade nua e crua, embora aparentemente contraditória e pouco abonatória da tese que pretendiam provar, contribui, por estranho que pareça, para a sua veracidade.

PÁSCOA      SOCIEDADE      CRISTIANISMO      RELIGIÃO

COMENTÁRIOS (de 21)

Coronavirus corona: Estes episódios bíblicos encaixam que nem uma luva na filosofia grega. Às vezes parece que os filósofos estavam a fazer uma luva onde a mão (a revelação divina, as Sagradas Escrituras) encaixa ali perfeitamente (a famosa preparatio evangelica). A substância de Jesus permanece a mesma antes e depois da ressurreição. Ele continua a ser a mesma pessoa divina, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. A essência como Verbo Encarnado também não muda. Ele continua a ser verdadeiro Deus. Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, como diz o Credo de Niceia. Acidentes: Aqui está o ponto-chave. Após a ressurreição, Jesus possui um corpo glorificado, que não está mais sujeito às limitações da matéria corruptível. Ele pode aparecer, desaparecer e assumir formas diferentes. Jesus mantém a mesma substância e essência, mas manifesta a sua presença sob formas sensíveis diferentes e por esse motivo os discípulos não o reconhecem de imediato. Essa capacidade de "ocultar" a sua identidade sob diferentes acidentes não implica uma mudança na substância, mas sim um uso pleno da liberdade glorificada do corpo ressuscitado. Quando vamos comungar estamos perante o verdadeiro Deus, verdadeiro Jesus Cristo em essência e substância. Mas os acidentes estão sob a forma de pão. Aquele pão, que era pão em substância e acidentes momentos antes, transubstanciou-se. Ou seja, embora os acidentes permaneçam os do pão, a substância mudou. É o corpo de Nosso Senhor em substância. Por isso quando vamos comungar a coisa é mesmo séria.

O Escândalo da Páscoa - O Ressuscitado Irreconhecível

Cristo ressuscitado não foi de imediato reconhecido pelos seus discípulos, o que parece debilitar a fé na sua ressurreição.

P. GONÇALO PORTOCARRERO DE ALMADA Colunista

OBSERVADOR, 17 mai. 2025, 00:1621

Os Evangelhos relatam quatro ressurreições: a da filha de Jairo (Mt 9, 18-26), a do filho da viúva de Naim (Lc 7, 11-17), a de Lázaro (Jo 11, 1-44) e a de Jesus de Nazaré. Todas acontecem por acção de Cristo, porque ele próprio tinha poder de dar a sua vida e de a retomar (Jo 10, 18), o que não é humanamente possível. A ressurreição de Jesus é a prova definitiva da sua divindade, que é o fundamento da fé cristã (1Cr 15, 12-19).

As três primeiras ressurreições não suscitaram nenhuma dúvida quanto à identidade dos ressuscitados, mas não assim a ressurreição de Jesus. Com efeito, Cristo ressuscitado não foi de imediato reconhecido pelos seus discípulos, que tiveram dificuldade em chegar à conclusão de que se tratava da mesma pessoa que eles tão bem conheciam e tinham seguido durante vários anos. Ora, uma tal resistência, vinda dos seus mais próximos colaboradores, parece debilitar a fé na ressurreição de Jesus de Nazaré.

São Mateus refere que as mulheres, tendo ido ao sepulcro de Cristo, encontraram-no vazio. Apareceu-lhes então um anjo, que lhes disse:“Não tenhais medo. Sei que buscais Jesus, o crucificado; não está aqui, pois ressuscitou, como tinha dito.”(Mt 28, 6). Quando elas foram dar a notícia aos apóstolos, o próprio Cristo foi ao seu encontro. Nesse dia também apareceu aos apóstolos, mas nem todos o reconheceram:“Quando o viram, adoraram-no; alguns, no entanto, ainda duvidavam.” (Mt 28, 17). A dúvida só pode ter surgido porque a fisionomia de Jesus ressuscitado não coincidia com a imagem que dele tinham, ao contrário do que acontecera com a filha de Jairo, com o filho da viúva de Naim e também com Lázaro.

São Marcos insiste nesta inicial incredulidade dos apóstolos. Jesus, “tendo ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria de Magdala, da qual expulsara sete demónios. Ela foi anunciá-lo aos que tinham sido seus companheiros, que viviam em luto e em pranto. Mas eles, ouvindo dizer que Jesus estava vivo e fora visto por ela, não acreditaram. Depois disto, Jesus apareceu com um aspecto diferente a dois deles, que iam a caminho do campo. Eles voltaram para trás a fim de o anunciar aos restantes. E também não acreditaram neles. Apareceu, finalmente, aos próprios onze, quando estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração em não acreditarem naqueles que o tinham visto ressuscitado.”(Mc 16, 9-14).

De novo, a dificuldade em reconhecer o ressuscitado, neste caso por“dois deles, que iam a caminho do campo”, ou seja, de Emaús, e confirma-se a suspeita de que se lhes apresentoucom um aspecto diferente” (Mc 16, 12). Mas, que aspecto seria esse?! E, se a aparência era outra, como podiam ter a certeza de que se tratava da mesma pessoa?!

São Lucas narra, com pormenor, esta aparição de Jesus aos discípulos de Emaús. Depois da morte do Mestre, Cléofas e o seu conterrâneo decidiram regressar à sua terra. Quando caminhavam, “aproximou-se deles o próprio Jesus e pôs-se com eles a caminho; os seus olhos, porém, estavam impedidos de o reconhecer” (Lc 24, 16). Estranho: falam com ele, abertamente, da sua paixão e morte, sem o identificarem! A conversa foi longa e, apesar de lhes estar a falar dele próprio, não o reconheceram! Como se fez tarde, pararam para tomar algum alimento e só então, quando Jesus partiu o pão, se aperceberam de que era ele e voltaram para Jerusalém, onde deram a boa nova aos apóstolos.

Marcos tinha dito que Jesus lhes aparecera “com um aspecto diferente”, mas continua pertinente a questão: como saber que era mesmo Jesus e não outra pessoa, nomeadamente alguém que com ele se parecesse?! De facto, Lucas, quando narra a aparição de Jesus aos apóstolos, refere que eles, “dominados pelo espanto e cheios de temor, julgavam ver um espírito(Lc 24, 37). Para provar a realidade do seu corpo, Cristo comeu, diante deles, “um bocado de peixe assado” (Lc 24, 42-43). Ficou assim claro que era alguém com um corpo verdadeiro, mas não que era o mesmo Jesus que eles tão bem conheciam e que foram incapazes de reconhecer.

A aparição de Jesus a Maria Madalena, que São Marcos só enuncia, é descrita com pormenor por São João. Ao ver o túmulo vazio, esta santa mulher supôs o que era óbvio: que o corpo de Jesus tinha sido roubado e transladado para um lugar próximo. Apareceu-lhe então Cristo, mas não o reconheceu, pois pensou“ que era o encarregado do horto”. Só quando Jesus a chamou pelo seu nome, ela o identificou, respondendo respeitosamente,“em hebraico: Rabbuni! – que quer dizer: ‘Mestre!’.” (Jo 20, 14-16).

Mais uma vez, alguém que, como sua discípula, conhecia bem a Jesus, não o reconheceu depois de ressuscitado. Só se deu conta que era ele quando o ouviu chamar pelo seu nome, ao que respondeu com a formalidade e reverência devida ao Mestre. Mas, como explicar, mais uma vez, esta dificuldade de Maria Madalena em se aperceber de que aquele, que ela confundiu com o hortelão, é Jesus, a quem procura?! Há aqui uma outra contradição: não acreditou no que viu, mas acreditou no que ouviu! Mas, se em vez de ser verdade o testemunho do seu ouvido, e não o da sua visão, fosse o contrário?! Afinal, é mais difícil reconhecer uma voz do que uma cara e, por isso, parece mais viável o testemunho incrédulo dos seus olhos, do que o dos seus ouvidos

Segundo o apóstolo e evangelista São João, na última aparição de Jesus ressuscitado, os seus discípulos vêem-no e ouvem-no e não o reconhecem. Pedro, João e outros discípulos foram pescar durante a noite, mas sem êxito. Quando regressaram, apareceu-lhes Jesus que, da margem, lhes perguntou se tinha alguma coisa para comer. Ante a resposta negativa, disse-lhes que lançassem as redes para a direita da barca e produziu-se então uma abundantíssima pesca. Ante o flagrante milagre, João percebeu que era Jesus que estava na margem, disse-o a Pedro, que se atirou à água para ir ter com ele (Jo 21, 1-14).

Mais uma vez, aqueles homens não foram capazes de identificar o seu Mestre. Para todos eles, menos Tomé, que faltou à aparição no dia da ressurreição, era este o terceiro encontro com o ressuscitado, e, para Pedro, o quarto, pois Jesus tinha aparecido, só a ele, mais uma vez, no próprio dia da sua ressurreição (cf Lc 24, 34; 1Cr 15, 5). E, apesar de o Mestre estar suficientemente perto da barca para se fazer ver e ouvir – uns 90 metros –, só o identificaram por causa da pesca milagrosa!

É surpreendente esta aparente contradição dos textos bíblicos que narram a ressurreição de Cristo, que é a prova definitiva da sua divindade. Qualquer apologista da fé que referisse estas aparições teria, decerto, omitido, ou desvalorizado, a dificuldade que as testemunhas do ressuscitado tiveram em o reconhecer, para que ressaltasse como evidente e indiscutível a realidade gloriosa da sua ressurreição.

Como aqui se disse a 30-3-2024,“é nesta aparente contradição que reside o paradoxo da Páscoa: enquanto os filhos de Jairo e da viúva de Naim e Lázaro apenas regressaram à vida que antes tinham, tendo todos eles voltado a morrer, Jesus Cristo ressuscitou para uma nova vida, que é, na glória, a eternidade para a qual a sua Páscoa nos chama”. Como numa próxima crónica se dirá, que os evangelistas tenham dado prioridade à verdade nua e crua, embora aparentemente contraditória e pouco abonatória da tese que pretendiam provar, contribui, por estranho que pareça, para a sua veracidade.

PÁSCOA      SOCIEDADE      CRISTIANISMO      RELIGIÃO

COMENTÁRIOS (de 21)

Coronavirus corona: Estes episódios bíblicos encaixam que nem uma luva na filosofia grega. Às vezes parece que os filósofos estavam a fazer uma luva onde a mão (a revelação divina, as Sagradas Escrituras) encaixa ali perfeitamente (a famosa preparatio evangelica). A substância de Jesus permanece a mesma antes e depois da ressurreição. Ele continua a ser a mesma pessoa divina, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. A essência como Verbo Encarnado também não muda. Ele continua a ser verdadeiro Deus. Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, como diz o Credo de Niceia. Acidentes: Aqui está o ponto-chave. Após a ressurreição, Jesus possui um corpo glorificado, que não está mais sujeito às limitações da matéria corruptível. Ele pode aparecer, desaparecer e assumir formas diferentes. Jesus mantém a mesma substância e essência, mas manifesta a sua presença sob formas sensíveis diferentes e por esse motivo os discípulos não o reconhecem de imediato. Essa capacidade de "ocultar" a sua identidade sob diferentes acidentes não implica uma mudança na substância, mas sim um uso pleno da liberdade glorificada do corpo ressuscitado. Quando vamos comungar estamos perante o verdadeiro Deus, verdadeiro Jesus Cristo em essência e substância. Mas os acidentes estão sob a forma de pão. Aquele pão, que era pão em substância e acidentes momentos antes, transubstanciou-se. Ou seja, embora os acidentes permaneçam os do pão, a substância mudou. É o corpo de Nosso Senhor em substância. Por isso quando vamos comungar a coisa é mesmo 

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