quarta-feira, 28 de maio de 2025

Ça ira

 

Confiemos nisso. António Costa é garantia faustosa disso que sempre desejámos, nós, portugueses, sempre agarrados à coroa britânica, desde Aljubarrota, e sem a qual coroa não teríamos os sucessos dos descobrimentos marítimos, que o infante luso-britânico D. Henrique protagonizou, e o vinho do Porto atestou, conducente a uma aliança ferrenha, de que os britânicos deram provas para connosco, lusos, até mesmo nas nossas guerras peninsulares, mas para Costa o que conta é que ele, Costa, é um representante nosso dessas alianças, quebradas por vezes em questões mais coloridas, como aquela do mapa cor-de-rosa, hoje coisa bem de somenos e mesmo ridícula. Festejemos, pois, como Costa, a reentrada britânica imprescindível na EU, Putin de atalaia, na cadeira da sua pose.

Virar de página: um novo capítulo nas relações entre o Reino Unido e a UE

Somos vizinhos, aliados, parceiros. E somos amigos. O Reino Unido está ansioso por trabalhar ainda mais de perto com os nossos parceiros portugueses e europeus neste desafio partilhado.

LISA BANDARI, Embaixadora do Reino Unido em Lisboa

OBSERVADOR, 27 mai. 2025, 00:165

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Segunda-feira dia 19, enquanto Portugal acordava com os resultados das eleições, algo de muito significativo para as relações UE-Reino Unido teve lugar em Londres.

O Primeiro-Ministro Keir Starmer recebeu em Londres o Presidente do Conselho Europeu, António Costa, e a Presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, para a primeira cimeira entre Reino Unido e UE. Foi o culminar de muitos meses de intensos contactos entre as duas partes, e representou uma mudança de paradigma: da gestão de questões passadas para uma discussão orientada para o futuro da nossa futura parceria. Essa parceria definirá a forma como todos nós, europeus, podemos trabalhar mais de perto por um continente e um mundo mais seguro e próspero, em tempos de incerteza.

Os acordos assinados trarão benefícios aos cidadãos da UE e do Reino Unido. Facilitar o comércio entre o Reino Unido e a UE deverá reduzir os preços dos alimentos e dos produtos agrícolas para portugueses e britânicos, impulsionar exportações e dar-nos a todos acesso a energia mais barata e mais verde. Concordámos em aprofundar laços interpessoais, procurando criar oportunidades para que jovens portugueses possam passar algum tempo a estudar ou a trabalhar no Reino Unido e vice-versa. Isto aumentará ainda mais o rico intercâmbio cultural e outros laços com séculos de existência, enquanto a utilização alargada de “e-gates” nos aeroportos melhorará a experiência dos milhões de turistas britânicos que escolhem Portugal para passar férias.

Mas para além destas medidas práticas, o Reino Unido e a UE partilham a responsabilidade pela segurança da Europa, como afirma a nossa nova Parceria de Segurança e Defesa. Aumentaremos a cooperação em matéria de segurança, das ameaças cibernéticas e híbridas à segurança marítima, ao crime organizado transnacional, ao espaço e à IA. Aprofundaremos a partilha de informações e a cooperação para proteger os cidadãos portugueses e britânicos, responder a ameaças partilhadas e proporcionar justiça às vítimas.

Esta nova parceria facilitará o trabalho conjunto para responder à ameaça à paz na Europa, que ocorre uma vez em cada geração, representada pela agressão não provocada e injustificada da Rússia contra a Ucrânia. Confirmámos na nossa parceria que a UE tem uma parceria estratégica de reforço mútuo com a NATO e que, para o Reino Unido e os membros da UE na NATO, a Aliança Atlântica continua a ser a base da nossa defesa colectiva. A Parceria estabelece ainda o quadro para uma cooperação industrial de defesa mais estreita, abrindo as portas a novas colaborações como a que vimos recentemente com o investimento de 400 milhões de libras da empresa portuguesa Tekever em investigação, infraestruturas e desenvolvimento de tecnologia de defesa no Reino Unido.

Esta cooperação mais profunda é ainda mais relevante num momento em que nos aproximamos de uma das mais importantes cimeiras anuais da NATO de que há memória, no próximo mês em Haia Todos precisamos de trabalhar em conjunto para garantir que a NATO é capaz de proteger o nosso povo num contexto mais desafiante e incerto.

Como disse António Costa em Londres na semana passada, somos vizinhos, aliados, parceiros. E somos amigos. O Reino Unido está ansioso por trabalhar ainda mais de perto com os nossos parceiros portugueses e europeus neste desafio partilhado durante os próximos meses e anos.

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