Confiemos nisso. António Costa é garantia faustosa disso que sempre
desejámos, nós, portugueses, sempre agarrados à coroa britânica, desde
Aljubarrota, e sem a qual coroa não teríamos os sucessos dos descobrimentos
marítimos, que o infante luso-britânico D. Henrique protagonizou, e o vinho do
Porto atestou, conducente a uma aliança ferrenha, de que os britânicos deram
provas para connosco, lusos, até mesmo nas nossas guerras peninsulares, mas
para Costa o que conta é que ele, Costa, é um representante nosso dessas alianças, quebradas
por vezes em questões mais coloridas, como aquela do mapa cor-de-rosa, hoje
coisa bem de somenos e mesmo ridícula. Festejemos, pois, como Costa, a
reentrada britânica imprescindível na EU, Putin de atalaia, na cadeira da sua
pose.
Virar de página: um novo capítulo nas
relações entre o Reino Unido e a UE
Somos vizinhos, aliados, parceiros. E
somos amigos. O Reino Unido está ansioso por trabalhar ainda mais de perto com
os nossos parceiros portugueses e europeus neste desafio partilhado.
LISA BANDARI, Embaixadora do Reino
Unido em Lisboa
OBSERVADOR, 27 mai. 2025, 00:165
Segunda-feira dia 19, enquanto Portugal acordava com
os resultados das eleições, algo de muito significativo para as relações
UE-Reino Unido teve lugar em Londres.
O
Primeiro-Ministro Keir Starmer recebeu em Londres o Presidente do Conselho Europeu, António Costa, e a Presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, para a primeira cimeira entre Reino Unido e UE. Foi o culminar de muitos meses de intensos contactos entre as duas
partes, e representou uma mudança de paradigma: da gestão de questões
passadas para uma discussão orientada para o futuro da nossa futura parceria.
Essa parceria definirá a forma como todos nós, europeus, podemos trabalhar mais de perto por um continente e um mundo mais
seguro e próspero, em tempos de incerteza.
Os acordos
assinados trarão benefícios aos cidadãos da UE e do Reino Unido. Facilitar o comércio entre o
Reino Unido e a UE deverá reduzir os preços dos alimentos e dos produtos
agrícolas para portugueses e britânicos, impulsionar exportações e dar-nos a
todos acesso a energia mais barata e mais verde. Concordámos em aprofundar laços interpessoais, procurando criar
oportunidades para que jovens portugueses possam passar algum tempo a estudar
ou a trabalhar no Reino Unido e vice-versa. Isto aumentará ainda mais o rico
intercâmbio cultural e outros laços com séculos de existência, enquanto a
utilização alargada de “e-gates” nos aeroportos melhorará a experiência dos
milhões de turistas britânicos que escolhem Portugal para passar férias.
Mas para além destas medidas práticas, o Reino Unido e
a UE partilham a responsabilidade pela segurança da Europa, como afirma a nossa nova Parceria de Segurança e Defesa. Aumentaremos a cooperação em matéria de segurança, das ameaças cibernéticas
e híbridas à segurança marítima, ao crime organizado transnacional, ao espaço e
à IA. Aprofundaremos
a partilha de informações e a cooperação para proteger os cidadãos portugueses
e britânicos, responder a ameaças partilhadas e proporcionar justiça às
vítimas.
Esta nova parceria facilitará
o trabalho conjunto para responder à ameaça à paz na Europa, que ocorre uma vez
em cada geração, representada pela agressão não provocada e injustificada da
Rússia contra a Ucrânia. Confirmámos na nossa parceria que a UE tem uma
parceria estratégica de reforço mútuo com a NATO e que, para o Reino Unido e os
membros da UE na NATO, a Aliança Atlântica continua a ser a base da nossa defesa colectiva. A
Parceria estabelece ainda o quadro para uma cooperação industrial de defesa
mais estreita, abrindo as portas a novas colaborações como a que vimos
recentemente com o investimento de 400 milhões de libras da empresa portuguesa
Tekever em investigação, infraestruturas e desenvolvimento de tecnologia de
defesa no Reino Unido.
Esta cooperação
mais profunda é ainda mais relevante num momento em que nos aproximamos de uma das
mais importantes cimeiras anuais da NATO de que há memória, no próximo mês em Haia Todos precisamos de trabalhar em conjunto para garantir que a NATO é capaz
de proteger o nosso povo num contexto mais desafiante e incerto.
Como disse
António Costa em Londres na semana passada, somos vizinhos, aliados, parceiros.
E somos amigos. O Reino Unido está ansioso por trabalhar ainda mais de perto
com os nossos parceiros portugueses e europeus neste desafio partilhado durante
os próximos meses e anos.
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