segunda-feira, 2 de março de 2020

Desmascarando



Pequenas e simples lições de economia ditadas por alguém formado em Ciência Económica - Henrique Salles da Fonseca - e por ele descritas com leveza acessível a qualquer entendimento, sobre os mitos criados em redor de uma democracia assim apelidada por conveniência, e de que uma análise mais estruturada prova a irrelevância dos dados propalados, logo esbatidos pela Economia paralela, de dados omissos… E mais umas observações do jornal inglês “The Economist”, confiante nas forças europeias, aliás, irrelevantes, para uma defesa capaz, contra a Rússia ou a China, Trump que se cuide, e tire daí o sentido…
E assim vamos apreendendo em doses simples, a complexidade e as manhas deste nosso mundo de Cristo, distanciado...
HENRIQUE SALLES DA FONSECA
A BEM DA NAÇÃO, 01.03.20
Quando leio que Espanha se avizinha por vezes de taxas de desemprego superiores a 20% da população activa, um único comentário me ocorre: - É mentira!
Por mais de uma vez ouvi mesmo referir essa taxa no nível dos 25% e logo me lembrei das contas feitas pelo Banco de Espanha aquando da substituição da Peseta pelo Euro que se mostraram erradas por defeito também na ordem dos 25%. Como assim? O erro estava no cálculo da economia paralela que seguramente ultrapassava essa percentagem. E vá de fazer a correr mais 25% de Euros…
Como é possível a economia paralela tomar conta de mais de 25% da economia de um país? Não é assim tão difícil se assentarmos na definição de economia paralela. Esta, é toda a que passa por fora da fiscalidade e não é necessariamente «caso de polícia» - partindo do pressuposto (muito discutível) de que a fuga ao Fisco não é «caso de polícia». Dito de outro modo, nem toda a economia paralela é criminosa de tráfico de seres humanos ou de matérias alucinogénias, etc. Economia paralela é a transacção não escriturada e, portanto, oficialmente inexistente, não tributada. Portanto, a conclusão é a de que, sim, é possível que a economia paralela de um país atinja essas percentagens que nos parecem absurdas: basta que os publicanos locais decidam, também eles, facturar privadamente uma fatia do que deveriam tributar o súbdito a favor da causa do Rei. Se aos publicanos referidos se juntarem os inspectores do trabalho, lá estão as empresas-fantasma, as que pura e simplesmente não existem pois todo o seu pessoal está no desemprego, mas a trabalhar clandestinamente. E o Rei a ver os navios a passar…
Lembro-me também de Milton Friedman quando ele blasfemava contra os preços administrativos das moedas – aquilo a que chamamos os câmbios oficiais – e dizia que o verdadeiro valor das moedas é o que vigora nos mercados paralelos. Abaixo o Banco de Angola, viva o Roque Santeiro!
Em Portugal, pelo contrário, temos uma Administração Fiscal ubíqua e considerada como uma das mais eficazes a nível mundial (5º ou 6º lugar num ranking que o meu contabilista não identificou) e não será difícil esse big brother saber quantos caroços de azeitona eu deitei para o lixo.
Eis a Península Ibérica a apresentar exemplos de eficácia fiscal entre o 8 e o 80 com todas as consequências que isso significa a nível da distorção da concorrência internacional e com os porcos espanhóis a chegarem ao Montijo mais baratos do que os produzidos localmente. Os cábulas a comerem as papas na cabeça dos bons alunos.
Apesar de tudo, conseguimos crescer 2,2% em 2019 e ter uma das mais baixas taxas de desemprego registadas aqui pelas redondezas.
Milagre? Não certamente. O turismo tem sido «pau para toda a obra» apesar da guerra que a esquerda parlamentar constantemente lhe move – cujo ideal de desenvolvimento deve ter algo a ver com o modelo cubano se não mesmo com o norte coreano. Mas temos também os chamados pára-choques que evitam crises e fracturas. São eles a capacidade de adaptação de uma mão-de-obra de fraca formação e fraquíssima especialização a funções tão diversas como empregados de mesa, taxistas mais ou menos aperaltados, agentes imobiliários, telefonistas nos call centers, caixas nas grandes superfícies. Imagine-se o que seria toda esta gente licenciada em engenharias e outras ciências e tecnologias mais ou menos sofisticadas numa economia fiscalmente estrangulada, submetida à concorrência fiscal desleal e com um cenário parlamentar controleiro.
Se a tudo isto somarmos o facto de sermos uma economia pouco produtiva porque a voracidade sindical matou as grandes empresas ou as passou para o controle estrangeiro, uma medonha propensão marginal à importação, uma política fomentadora do consumo, o conceito de que o crédito é um direito (e não uma conquista de gente honesta) com a banca a falir estrondosamente e a passar também ela para mãos estrangeiras, temos todos os ingredientes para que a «coisa» dê para o torto. E, contudo, ainda só nos encaminhamos para a 5ª Grande Falência Nacional desde 1974.
Devemos estar sob a asa de São Miguel Arcanjo, o protector de Portugal e será por isso que ainda há quem tenha motivos para sorrir.
Sim, deve andar por aí muita mitologia a proteger a nossa democracia.
Henrique Salles da Fonseca

COMENTÁRIO
Anónimo 01.03.2020: Conclui-se que a evasão fiscal é um mal que nunca se conseguirá erradicar completamente. Aliás, qualquer de nós se apercebe facilmente das inúmeras e incontroláveis escapatórias que possibilitam à economia paralela continuar prosaicamente a fazer o seu caminho. Há anos, um economista europeu afirmou que Portugal resolveria todos os seus problemas se acabasse com a economia paralela. Mas ele não explicou como. Bem, montando uma rede de espionagem e denúncia de malha bem apertada talvez se conseguisse alguma coisa. Mas quem é que quer uma solução tremendamente pidesca que nem a Salazar lembraria?

HENRIQUE SALLES DA FONSECA
A BEM DA NAÇÃO, 22.02.20
 “The Economist” – 17 de Fevereiro de 2020
Stuck in the middle
America urges Europe to join forces against China
But European leaders want to stake out an independent position between the two superpowers

E PERGUNTO EU:
O que é hoje a Europa à escala mundial se tem uma unidade política colada com cuspo, não tem uma política externa, não tem forças armadas de comando unificado?
Henrique Salles da Fonseca

COMENTÁRIOS:
Anónimo, 01.03.2020: : A pergunta faz sentido porque o sucesso (relativo) da economia não chega se faltar unidade política e aparelho militar suficientemente dissuasor.

Jorge Cerejeira 02.03.2020: Só me apraz dizer que a economia paralela, a partir do momento em que se introduziu a factura obrigatória e o envio de stocks para a AT, ficou mais reduzida, vide casos de cafés e outros pequenos negócios que viviam deste expediente tão desvalorizado e que na prática nos penalizava a todos. O reverso da moeda é que, tanta redução de fugas ao fisco, não se traduziu em beneficio para o contribuinte na forma de redução de impostos. Sobre o diabo, ele vai aparecer mas na sua normalidade cíclica própria dum país que não tem (realmente) superavit.


domingo, 1 de março de 2020

O tal que disse que não se devia pagar a dívida?



Refiro-me a Pedro Nuno dos Santos. De resto, basta ler os comentários da maioria ao texto de JMT. Devem ser adeptos do vencedor Pedro Nuno dos Santos. Adeptos da trafulhice, da mândria, do compadrio, de um ramalhete de atributos nacionais, que contrastam com os de outros povos, ditos civilizados. E transcrevo, para exemplo do que não temos, um pequeno excerto de “Diálogo em Setembro” de Fernando Namora, publicado em 1966, relato marcado, certamente, pelo desejo de mudar algo nos comportamentos dos seus conterrâneos, desde sempre diferenciados daquilo que se apresentava lá fora, neste caso, na Suíça, em Genebra, lugar de um Encontro Internacional sobre o “profundo abalo que a técnica trouxe a todas as expressões da vida”, ponto de partida do seu enredo.
Eis o passo sobre um rumo educativo como não existe por aqui, (omissão que se traduz no protagonismo nacional de figuras como essa de Pedro Nuno dos Santos e da sua alergia ao acerto de contas por cá, poor country de atropelo e compadrio prestigiados):

«Mas apesar da chuva impertinente, e silenciosa como um velho hábito, apesar do frio que enruga o dorso desmaiado do lago, os grupos de jovens escolares, de perna ao léu, capitaneados por um camarada mais graúdo, escutam páginas de história ou de literatura junto dos monumentos, dirigem-se, com a merenda frugal, para o ancoradouro dos barcos, rumo aos bosques da outra margem ou rumo às montanhas, e quer nos albergues dos estudantes, quer em tendas de campistas, aproveitarão estes restos de férias e de luminosidade dissolvida na molinha para reforçarem as reservas de ar puro, enquanto aprendem, no cenário da natureza, lições de biologia, de companheirismo, lições da vida. Vê-los assim é compreender certas vitórias de um povo. Pois não é por acaso que em Genebra ou qualquer outra cidade suíça se respira um clima cívico que explica esta asseada eficácia que apetece importar em doses digeríveis. Tudo vem lá de trás; e tudo recomeça, ano após ano, nestes ranchos de variadíssimas idades que, recebendo a iniciativa no momento próprio e da melhor mão, se integram e participam dos desígnios de uma comunidade.»

OPINIÃO
António Costa morre de saudades de Passos Coelho
Sem o papão Passos, o que temos é o que se está a ver: o eclipse de qualquer compromisso e o lento desmoronar de um Governo que acaba de tomar posse.
JOÃO MIGUEL TAVARES
PÚBLICO, 29 de Fevereiro de 2020
Sabem quem é que em Portugal tem mais saudades de Pedro Passos Coelho? Não, não é a direita. É mesmo António Costa. Em 2015, ninguém dava um caracol pela solução de governo que o PS desencantou. Quase tudo o que era analista político (eu incluído) considerava impensável a autoproclamada “geringonça” aguentar-se quatro anos – algures pelo caminho, ela teria de se escaqueirar. A verdade é que não se escaqueirou. Mérito de António Costa, sem dúvida. Mérito da capacidade negocial de Pedro Nuno Santos no Parlamento. Mérito das habilidades contabilísticas de Mário Centeno. Mérito da surpreendente disponibilidade do PCP e do Bloco de Esquerda para a prática de deep throat com batráquios. Parabéns a todos eles.
Mas eis que chegamos a 2020. O PS tem uma maioria bem mais confortável no Parlamento. António Costa continua primeiro-ministro. Pedro Nuno Santos continua no Governo. Mário Centeno, por enquanto, também. O PCP e o Bloco de Esquerda continuam a ser liderados pelas mesmas pessoas. E, subitamente, tudo o que era sólido começou a dissolver-se no ar. Como é isto possível? Como se explica a deterioração aceleradíssima da capacidade negocial do Governo? Quem é que roubou o pragmatismo ao primeiro-ministro? Por onde é que fugiram os famosos mestres do compromisso? Em que país é que se esconderam os mundialmente aclamados génios do diálogo?
Por favor, encontrem-nos depressa, porque o país está a precisar muito deles. No Montijo, o governo anuncia um aeroporto para depois esbarrar numa lei, aprovada em tempos pelo próprio PS, que obriga a um consenso municipal que não existe. A solução é negociar? Não, a solução é alterar a lei. A oposição está contra a alteração da lei? A culpa é do PSD. No Parlamento, o governo anuncia Vitalino Canas e Clemente Lima para juízes do Tribunal Constitucional. Ambos necessitam dos votos de dois terços da Assembleia. A solução é negociar? Não, a solução é forçar a votação. Os nomes não passam no Parlamento, e nem sequer os deputados do PS votam todos em Vitalino Canas? A culpa é da oposição. Diz Ana Catarina Mendes, com a sua habitual delicadeza: “É absolutamente espantoso que a Assembleia da República e os deputados se permitam bloquear o normal funcionamento das instituições democráticas.” Definição de “bloqueio das instituições democráticas” no Dicionário Português-Socialistês: não fazer a vontade ao PS.
Reparem no padrão: há uma votação no Parlamento; não passam os nomes que o PS quer; a oposição está a afundar as instituições democráticas. Há um aeroporto no Montijo; não é aprovado pelas autarquias que o PS quer; as autarquias (e o PSD) estão a afundar o futuro do país. Convém notar que este género de reacção não é propriamente espantoso – o PS sempre se achou o dono do regime, e fazer birras quando é contrariado está na sua natureza. Espantoso foi essa não ter sido a sua atitude nos anos 2015-2019, onde deu mostras de uma capacidade de sedução como nunca se tinha visto na Terceira República.
E é aqui que regressamos à primeira frase do meu texto. Se os protagonistas são os mesmos, o que é que havia em 2015 que não há em 2020? A resposta é só uma: Pedro Passos Coelho. O seu espectro e a sombra do seu governo foi a cola que em 2015 uniu a geringonça e o óleo que possibilitou o seu funcionamento até final de 2019. Sem o papão Passos, o que temos é o que se está a ver: o eclipse de qualquer compromisso e o lento desmoronar de um Governo que acaba de tomar posse.
Jornalista

COMENTÁRIOS
vik INICIANTE: o ressabiado do passos não chega nem aos calcanhares de António Costa ! 29.02.2020
Leao Leao.887720 INICIANTE: há por aqui muitos contadores de histórias cor de rosa 29.02.2020
Rui Ribeiro EXPERIENTE: As afirmações de Ana Catarina Mendes mostram o pior de um regime partidário, em que as caninas fidelidades partidárias são o mais importante e o partido se confunde com o país. São tiques de autoritarismo de quem não tem (e bem) os votos para ser autoritário. Maiorias absolutas nunca mais! 29.02.2020
Conde do Cruzeiro MODERADOR: Excelente crónica, do comentador favorito do regime Passista, que mais uma vez arranjou maneira de falar no finado. Não se esqueçam, de acender uma velinha por alma do Passismo.
29.02.2020
António Cunha MODERADOR: De facto Passos (& Cia) é a cola da Geringonça (um termo ainda hoje tão carinhoso, devo dizer). O agoniante desmoronamento (2015-2017) da PàF foi ingloriamente lindo de se ver. 29.02.2020
PEDRO QUEIROS INICIANTE: Excelente. Parabéns E obrigado : 29.02.2020
Carlos Cunha INICIANTE: Era uma vez um coelhinho que nasceu numa couve. Como os pais nunca mais aparecessem a couve passou a cuidar dele como se do seu próprio filho se tratasse. O coelhinho, que tinha um coração muito bondoso, considerava-a como sua mãe. Foram vivendo felizes até que um dia uma praga de gafanhotos se abateu sobre aquelas terras. Os campos em volta passaram a ser um imenso deserto. O coelhinho, teve de deslocar-se muitos quilómetros a fim de procurar comida. Mas já nada havia que se pudesse mastigar. Passaram muitos dias e o coelhinho estava cada vez mais magro e faminto. A mãe couve disse-lhe: “Meu filho: é a lei da vida que os velhos têm de dar o lugar aos novos. Compreendes o que quero dizer? ”O pobre coelhinho compreendeu e, embora com grande tristeza na alma, comeu a mãe. (original Pedro Oom) 29.02.2020
mário borges EXPERIENTE: Não ser uma pessoa com ideias políticas muito vasta e com uma cada vez mais vasta onda populista com muitíssimo ultraliberalismo pelo meio dá nisto. Uma crónica vazia mas que encerra em si um enorme desejo. Que o talibã do ultraliberalismo Passos regresse em força para voltarem as loucuras austéricas. O Costa está bem de vida. O Rio não pode crescer mais do que o que é, logo o PSD está controlado e para sobreviver não pode hostilizar o PS. Temos o velho bloco central em actividade plena e o Costa deixou de piscar o olho à esquerda e virar para a direita. Agora vai pelo centro e sabe que pela direita é mais seguro. E é pelo que fez justamente a Seguro que se conhece quem é o Costa. Oportunista e com um jogo de cintura invejável (ou sem espinha dorsal conforme o gosto). JMT loves Passos! 29.02.2020
Vitor Estevao INICIANTE Passos pode ter sido tudo. Talibã do ultra liberalismo mostra uma ignorância confrangedora! VC sabe ao menos o que é o liberalismo? 29.02.2020
JDF EXPERIENTE: Like! 29.02.2020
capeixoto INICIANTE: Um instalado à custa de alguém. Só pode 29.02.2020
António Cunha MODERADOR: Excelente, Mário Borges. 29.02.2020
RUI ESTEVES INICIANTE: E entretanto no PSD e no CDS, a falta que lhes tem feito um novo Sócrates! Falta-lhes alguém a quem pudessem imputar o desequilíbrio nas contas públicas, o despesismo, a vida à larga sem rendimentos conhecidos. Com o governo Costa, os portugueses viram regressar os subsídios de férias e de Natal, viram afastados os cortes nas pensões, viram o IRS descer, as contas do Estado a entrar nos eixos, e não vêem a continuação do escandaloso leilão do património público. E enquanto se lembrarem do que penaram com o sr. Passos Coelho, o PSD e o CDS não têm grandes hipóteses de regressar. Se há alguém com saudades do sr. Passos, é aquela chusma de abutres que enriqueceram à custa do esbulho do património público e também da venda ao desbarato do património dos Bancos caídos em desgraça. 29.02.2020
JDF EXPERIENTE: Oh rui, isso são constatações reais, mas e o contexto? A governação da troika foi muito pesada para o português, foi sim. E não esquecendo isto, e o esforço feito foi do cidadão, o rui esqueceu-se de mencionar que na governação costa tivemos das melhores taxas de juro de financiamento externo de décadas...tudo costa não foi? Errado...tudo o português, forçado por uma governação austera, da qual costa não teve nenhum contributo (nem positivo nem negativo), mas que se vem gabar quando consegue, como se fosse tudo ele! É fácil dizer que somos grandes agricultores quando chegamos à horta que não plantámos e tirámos de lá uns tomates grandes e viçosos. Até eu sou o maior! 29.02.2020
António Maria Coelho de Carvalho INICIANTE : E viram também todos os países, da Europa oriental e do nosso campeonato, ultrapassarem-nos em termos de PIB/habitante... 29.02.2020
António Cunha MODERADOR: Passos é um técnico que faz o que lhe dizem. Não sabe, não conhece e tem raiva a quem sabe e conhece. Um zero à esquerda (Oops) com veia para a raiva e a espuma ao canto da boca. 29.02.2020
Mario Coimbra EXPERIENTE: Muito bom. A geringonça nunca foi a favor de algo foi sempre contra algo. Serviu enquanto o perigo estava lá. 29.02.2020
ana cristina MODERADOR: o carissimo JMT bem gabava o jogo de cintura e a habilidade política do Costa…. Mas afinal parece que, tudo somado, não basta e não leva a lado nenhum 29.02.2020
GMA INICIANTE: O amor profundo do escriba JMT pelo Sr. Passos (quem terá imitado quem na pose de rebeldia de barba-e-careca?!) leva-o a imaginar um mundo povoado de Tavares! Por mim, anseio que o grande estadista Sr. Coelho volte ao poder; por certo arranjará um lugarzito de "comendador" para o Sr. Tavares, incompatível com o débito diário de banalidades aqui no Público.29.02.2020
ana cristina MODERADOR: tem tudo a ver com o que está escrito na crónica….29.02.2020
joaquim machado INICIANTE: Sobre o Montijo, lamento q não se coloque em primeiro lugar q a solução de um aeroporto complementar (APEADEIRO) está estruturalmente errada. 29.02.2020
Novo Humbo MODERADOR: Isso. Geometricamente descrito, quase científico. Siga para comentários irados pela clareza da coisa. 29.02.2020
rogerio borges, INICIANTE: Só em referência ao título da crónica, não coloque na cabeça dos outros aquilo que vai muito na sua. 29.02.2020  
Destruidor de Fachos INICIANTE: Má escolha de palavras para o título: 29.02.2020
bento guerra EXPERIENTE: Costa confronta-se com rebanhos. Valha-nos o Ventura 29.02.2020
ALRB EXPERIENTE: Costa explorou o ódio provocado pela austeridade do PSD/CDS, austeridade essa inevitável após a bancarrota do PS. E conseguiu manter essa austeridade ao mesmo tempo que conseguia o apoio dos partidos à esquerda (e que abominavam a austeridade do PSD/CDS). Centeno, o Ronaldo das finanças, mais não foi do que o Vitor Gaspar do Costa garantindo a continuidade da recuperação económica enquanto Costa ludibriava os partidos à esquerda e encantava os eleitores com as vitórias do europeu de futebol, da eurovisão e a recuperação económica iniciada no governo PSD/CDS. Como tudo o que é baseado em odiar, ludibriar e enganar a seu tempo se desmorona, temos o que descreve JMT. Mas não há que sobrestimar a capacidade cognitiva do eleitor nem subestimar a manha do Costa em explorar a referida capacidade. 29.02.2020
Colete Amarelo, EXPERIENTE: Não, não foi Pedro Passos Coelho. Foi, sim, o horror das políticas do governo Coelho-Portas. 29.02.2020
ALRB EXPERIENTE": É absolutamente espantoso que a Assembleia da República e os deputados se permitam bloquear o normal funcionamento das instituições democráticas.” disse Catarina Mendes. Acho que ela se estava a referir a quando a assembleia rejeitou o programa de governo do partido mais votado para abrir caminho ao governo do segundo partido mais votado. 29.02.2020

Desta vez é que vai ser!


Suponho que os dinheiros dos contribuintes irão pagar essas despesas dos passeios e dos comeres e das dormidas do cortejo amorável. Todos nós desejamos que isso não vá colidir com as outras despesas dos vários serviços da nação que já de si vive no aperto do empréstimo abundante e definitivo que os povos trabalhadores de lá de fora nos destinaram. É certo que, por altura das eleições, todos referem e condenam as despesas dos partidos, que percorrem os caminhos da sua investigação acerca das carências nacionais e da difusão das virtudes especiais desses partidos, merecedoras das escolhas do povo. Mas António Costa não se incomoda com esses pormenores da nossa mediania endividada e, seguindo a via afectiva do nosso Presidente, que também não se incomoda, propõe-se difundir a sua irradiante simpatia, sob a capa de um interesse real pelos problemas do povo e vá de marchar por essas terras fora, muito antes das autárquicas, com nobres intuitos de real eficácia decididamente democrática, atraindo o povo ao terreiro da sua disponibilidade de o bem servir. São José Almeida está céptica a esse respeito, mas nem todos os seus comentadores a acompanham na sua crítica. A nós quadra-nos mais o folclore, não o estudo meditado e consciente, à banca do trabalho, o que se torna canseiroso. E entretanto, “na sombra Cleópatra jaz morta”, isto é, as falcatruas do costume fabricar-se-ão imparáveis, nos sítios próprios, enquanto o governo se passeia, folgazão, pela campina, a despejar interesse real. Ou seja, de rei. Um fartote de demonstração e de eficácia para a vitória!

OPINIÃO: As “saídas reais” de António Costa e a propaganda eleitoral do PS
O topo da direcção socialista organizou-se para levar a cabo uma estratégia política e eleitoral e fazer uma barragem cerrada de propaganda socialista pelo país.
      PÚBLICO, 29 DE Fevereiro de 2020
O primeiro-ministro, António Costa, inaugurou, na quarta e na quinta-feira, em Bragança, os Conselhos de Ministros descentralizados, uma encenação destinada a mostrar junto das populações o exercício do poder governativo. A iniciativa, denominada Governo Mais Próximo, terá periodicidade mensal, percorrerá os distritos do continente e as duas regiões autónomas e prolongar-se-á até ao Verão de 2021. O objectivo é aproximar o Estado dos cidadãos, pela presença física junto das populações daqueles que são responsáveis pelo Governo do país e, com isso, procurar perceber de forma mais directa os problemas, as expectativas e os receios das pessoas e dar-lhes segurança.
Esta encenação política para demonstrar às populações o exercício do poder do Estado traz à memória as “saídas reais” na Idade Média, em que os reis se passeavam pelos países, deslocando a corte consigo, para presencialmente mostrarem, de forma simbólica e teatralizada, o poder real, decretarem ordens, resolverem disputas e praticarem justiça.
É certo que entre as “saídas reais” e os Conselhos de Ministros descentralizados há séculos de História. Nessa distância temporal já milenar, nasceu o Estado moderno, que se foi consolidando e transformando, como enquadrador e como resposta de estruturação da sociedade. Uma esfera de organização que na sua versão mais contemporânea ou actual está potenciada na representação parlamentar e na governação democrática. Daí que a encenação de poder destas iniciativas em que o Governo de António Costa se passeará pelo país seja meramente simbólica, embora possa, de facto, trazer conforto às pessoas.
Mas mais importante do que a novidade de recuperar encenações do exercício do poder junto das populações ou a qualidade e o impacto real que possa ter o importante leque de medidas legislativas aprovadas, é o que a iniciativa “Governo Mais Próximo” representa enquanto utilização do órgão institucional responsável pela gestão do Estado democrático, o Governo, e a sua instrumentalização para uma operação partidária de propaganda. Expliquemos. Aos Conselhos de Ministros descentralizados somam-se acções no terreno, que estão coordenadas com eles e também com periodicidade mensal, e que envolvem o grupo parlamentar do PS e o partido, na pessoa do secretário-geral adjunto, José Luís Carneiro, com as sessões do Diálogo Olhos nos Olhos. Assim, até ao arranque da pré-campanha eleitoral para as autárquicas, de forma coordenada, todos os meses, o Conselho de Ministros reunir-se-á num distrito diferente ou numa região autónoma. E antes de o plenário de governantes descer ao terreno, o distrito será visitado pelo secretário-geral adjunto para debater com as “forças vivas” da região, mas também pelos deputados do PS, que entrarão nesta operação à vez, agrupados de acordo com os temas e áreas de governação que dão nome às comissões parlamentares.
Como escrevia Luciano Alvarez no PÚBLICO na terça-feira, “a batalha socialista pelas autárquicas do próximo ano já começou. Ainda que de forma não assumida, Governo e PS já estão a marcar terreno e a olhar para uma eleição que, há quatro anos, deu uma vitória clara aos socialistas. Tão clara que o número de votos e de autarquias conquistadas se torna difícil de superar. O objectivo para 2021 é segurar o resultado alcançado, e foi com ele na mira que o PS começou a ladrilhar o caminho. O distrito de Bragança é a primeira etapa”.
Depois de José Luís Carneiro, em entrevista ao PÚBLICO, ter assumido que o objectivo eleitoral do PS para as autárquicas é “consolidar” os resultados recorde de 2017 — quando conquistou 159 câmaras sozinho e mais duas em coligação —, o topo da direcção socialista organizou-se para levar a cabo uma estratégia política e eleitoral e fazer uma barragem cerrada de propaganda socialista pelo país.
É evidente que o primeiro-ministro e líder do PS, António Costa, bem como o secretário-geral adjunto, José Luís Carneiro, e a líder parlamentar, Ana Catarina Mendonça Mendes, têm todo o direito de desenhar as suas estratégias partidárias com o objectivo de o PS ganhar eleições. E reconheço que esta operação de propaganda socialista, que irá ser posta em prática pelo país durante um ano e meio, está muitíssimo bem montada e será eficaz do ponto de vista partidário. Agora, o que não percebo é o silêncio dos partidos da oposição perante a operação política e eleitoral do PS e que nenhum dos dirigentes dos outros partidos tenha questionado esta estratégia. Por mais que estas “saídas reais” de António Costa com os seus ministros, passeando-se pelo país, possam trazer conforto e segurança às populações e também a aprovação de leis importantes, como aconteceu na quinta-feira em Bragança, será que apenas eu dou relevância a este envolvimento do Governo em estratégias eleitorais do PS?
COMENTÁRIOS
Jose, MODERADOR: O actual governo minoritário do PS é o maior governo de sempre. Essa enormidade tem o objectivo de fazer propaganda política do PS paga pelo Estado. António Costa vai na linha de governação de rua adoptada por Nicolás Maduro. O objectivo é o PS chegar à maioria absoluta e governar de palanque, por cima da opinião de todos os demais. É deprimente que o PS faça esse caminho de auto-suficiência, de "quem se mete com o PS leva", de "gosto é de malhar" e outras pérolas PS.
Alexandre Abreu, INICIANTE: Faz bem o actual Primeiro-Ministro; Faz bem o actual partido que suporta o Governo; Fizeram mal os anteriores governos, por não terem feito o mesmo antes; Fizeram mal os anteriores partidos que suportaram os Governos, por não terem feito o mesmo antes; Poderão fazer bem, os actuais partidos na oposição, se souberem aproveitar "a passagem da Corte pela aldeia", para mostrar os problemas locais das populações locais.
Jf INICIANTE: Parabéns pelo artigo. Mas todos sabemos, porque está visto e bem visto que este primeiro-ministro desde que tomou o poder se tem mostrado um videirinho habilidoso que tem vivido de fazer promessas de 10 e a cumprir 1, de fazer promessas vãs (aquelas que para o ano é que vão ser concretizadas e nunca chega o próximo ano) e agora resolveu passear-se com o seu séquito para apenas gastar recursos e para atirar mais areia aos olhos do Zé pagode... Nada de novo. Por mim pode ir embora e pela porta dos fundos como ele gosta.
alberico.lopes INICIANTE; Já somos pelo menos 3 a mostrar que não vamos em cantigas: a São José, o Iniciante e eu próprio!
Luis Fernando Neves EXPERIENTE: Portanto, se ignoram o interior, são os incorrigíveis centralistas de Lisboa. Se vão ao interior, ainda por cima com propostas concretas como a redução das portagens, são uns eleitoralistas. Não sou inocente, compreendo e aceito e jogo político, porque faz parte de qualquer democracia estável, mas a São José tem uma sanha tão grande contra este governo que até se indigna com o facto de a oposição não reagir. Tem bom remédio, o que não falta aí são partidos à procura de militantes.
Enfim Liberal INICIANTE: A redução das portagens? O Costa parece bom prof. e realmente habilidoso.
alberico.lopes, INICIANTE: O sr. Luis:gostava de o ouvir se fosse um governo de outro partido, por exemplo do PSD, a fazer estas tournées, à custa do erário público e a favor do PS! O que não se diria, não é?
Antonio Leitao, EXPERIENTE: Garanto-lhe que no interior não precisamos de conselhos de ministros: esses podem bem ficar em Lisboa. Dava-nos jeito uma política fiscal que pudesse colmatar perdas por interioridade. Ou então serviços públicos de qualidade, ou o apoio à mobilidade que as zonas metropolitanas têm. Ou ainda que não se redesenhasse constantemente as zonas do litoral para que possam continuar a absorver fundos europeus. O que não queremos é visitas de quem acha que vem aqui dar uma esmolinha.
Alberto Sousa INICIANTE Mas não estamos perante um governo PS? Isto é política pura...ou não?