domingo, 2 de agosto de 2020

Novos modelos de liaisons


Moins dangereuses? Muitos o sabem dizer. Eu apenas leio, com o prazer de sempre, as crónicas de TS e os comentários que elas merecem a quem sabe da poda.

ANÁLISE: Xi Jinping deveria estar com insónias?

Mike Pompeo veio à Europa propor uma aliança para conter a China. A Europa prefere esperar por… Biden. Não gosta do tom de nova “Guerra Fria” de Washington. Mas ganhou consciência de que alguma coisa tem de mudar na sua relação com Pequim.    TERESA DE SOUSA     PÚBLICO, 26 DE JULHO DE 2020

1.O secretário de Estado americano Mike Pompeo escolheu Londres para insistir no seu mais recente desafio à Europa: juntem-se aos Estados Unidos para formarmos uma grande aliança destinada a conter a China. A visita decorreu na semana passada. “Temos esperança de que seja possível construir uma coligação que entenda esta ameaça e que queira trabalhar colectivamente para convencer o Partido Comunista Chinês de que não é do seu interesse envolver-se neste tipo de comportamento”, disse Pompeo em Londres, ao lado do seu homólogo britânico Dominic Raab. O “comportamento” a que o secretário de Estado se refere é hoje reconhecido em muitas capitais europeias como inaceitável. À primeira vista, o momento para lançar este desafio não poderia ser mais oportuno.

A crise pandémica foi um poderoso acelerador da crescente desconfiança europeia em relação à nova superpotência asiática. A Europa começou por acordar bruscamente para o seu enorme défice de material sanitário e para a dependência da China para adquiri-lo. Jurou que isso não voltaria a acontecer. A propaganda e a desinformação das embaixadas chinesas sobre a incapacidade dos governos europeus para enfrentar a pandemia foi particularmente ofensiva. Houve sucessivos “arrufos” diplomáticos. Depois, houve Hong-Kong e continua a haver a denúncia cada vez mais incontornável da repressão violenta praticada pelas autoridades chinesas contra a minoria uigure de Xinjiang. “A sua máscara made in China pode ter sido feita por trabalho forçado uigure.”

Finalmente, a pandemia alterou a percepção da opinião pública europeia que, no início, começou por ser favorável, mas rapidamente deu lugar à desconfiança. Este novo sentimento face à China não é igual em todos os países europeus. Mas é uma tendência inequívoca. “A tentativa chinesa de dividir os europeus durante a crise, com a sua retórica abertamente hostil (…) serviu de despertador”, diz Janka Oertel do European Council on Foreign Relations. Como sintetizaram vários analistas, a “Europa perdeu a inocência”.

2. No mundo anterior à pandemia, a União Europeia já estava a abandonar aos poucos a tentação de olhar para o gigante asiático apenas com as lentes da economia. A Nova Rota da Seda – a estratégia de Pequim para expandir a sua influência económica e política à escala global – começou por ser vista em algumas capitais como uma oportunidade. Houve parcerias assinadas, sobretudo com os países da Europa Central e de Leste, mas também do Sul, mais fustigados pela Grande Recessão. Pequim aproveitou com rapidez a oportunidade.

Mas tudo isto foi ontem. Quase tudo mudou. A Europa quer “regionalizar” as cadeias de abastecimento de que depende. Criou mecanismos novos para escrutinar o investimento chinês em sectores estratégicos. Exige reciprocidade nas relações comerciais entre os dois lados. Olha hoje para a globalização dos mercados com outros olhos e passou a defender uma política industrial que garanta uma razoável dose de “soberania económica”. Está mais atenta à propaganda chinesa. A última cimeira com a China, a 22 de Junho por vídeo-conferência foi, porventura, a mais dura de sempre, passando em revista por iniciativa europeia uma infindável lista de questões onde não se regista qualquer progresso. Não houve comunicado final, apenas duas declarações separadas.

3. Em Londres, as palavras de Pompeo receberam um apoio mitigado. O Governo britânico não quer acentuar publicamente as suas divergências com Washington, numa altura em que precisa de garantir um acordo de comércio com os EUA nas melhores condições possíveis. Mas também não quer ser visto como um “mero acessório” da campanha presidencial de Donald Trump. “Há a percepção de que a abordagem americana à China está a ser ditada, em boa medida, pela política interna. A China é um elemento importante na campanha eleitoral”, resumiu para o Politico.eu o subdirector do RUSI (Royal United Services Institute), Malcolm Chalmers. “Creio que o Reino Unido quer manter um certo grau de autonomia.” Mesmo assim, Mike Pompeo tinha à sua espera um agradável presente. Londres reviu a sua posição em relação à Huawei, decidindo bani-la da rede 5G. A posição anterior apenas punha limites à penetração do gigante tecnológico chinês na rede, reservando o seu “núcleo duro” por razões de segurança. É tentador dizer que a mudança se deve apenas à brutal pressão dos EUA sobre a generalidade dos aliados europeus neste domínio, ou ver apenas na política externa britânica a expressão da “boa amizade” entre Boris e Donald.

A maioria dos analistas britânicos prefere sublinhar dois aspectos que não são irrelevantes. Até hoje, o Governo conservador mantém um quase total alinhamento com os seus parceiros europeus em matéria de política externa. Como refere Thomas Wright, da Brookings Institution, depois de um período de indefinição e de ausência, o Governo britânico conseguiu voltar a pensar estrategicamente em vários domínios: “A rede 5G, Hong-Kong, direitos humanos e cooperação com as outras democracias.” Não foi tarde nem cedo, conclui o académico. “O ‘Brexit’ é um momento de reordenação para a Europa” e aproximam-se as eleições presidenciais americanas. “Seria um desaire estratégico para os EUA, se o Reino Unido caísse na irrelevância global através do crescente confronto com a União Europeia, que acabaria por desgastar a energia de ambos.” Ou seja, também em Londres, o repto chinês de Pompeo espera para ver o que acontece no dia 3 de Novembro.

A eleição de Joe Biden poderia mudar muita coisa na relação transatlântica e na política americana em relação à China. Não tanto porque uma Administração democrata tenha uma atitude mais condescendente perante a ofensiva global de Pequim, mas porque defende uma estratégia que conta com os aliados e que será mais do que uma escalada diplomática como aquela a que se assiste hoje entre Washington e Pequim e que leva um número crescente de analistas a interrogar-se sobre se o mundo está, realmente, na eminência de uma “nova Guerra Fria”. “[A América] tem de reinvestir nas instituições internacionais (…) que são indispensáveis para gerir as crises e que a China também quer liderar na ausência dos EUA”, escrevem na Foreign Affairs Kurt M. Campbell e Mira Rapp-Hooper.

Tal como na Europa, nos EUA a questão de saber como lidar com a China está em debate. Na sexta-feira, falando na Biblioteca Presidencial de Nixon, Pompeo voltou à carga: “O velho paradigma de compromisso cego com a China não nos levou a parte nenhuma.” A guerra diplomática atingiu, entretanto, a sua máxima expressão com o encerramento do consulado chinês em Houston, com grande aparato mediático. Seguiu-se a retaliação de Pequim, fechando o consulado americano em Chungdu. Trump elegeu a China como o “prato de substância” para tentar travar a queda nas sondagens. 

4.Regressando à Europa, o secretário de Estado americano já tinha feito uma primeira tentativa de aliciar os aliados europeus para uma “frente comum de democracias” para lidar com a China em meados de Junho, quando foi o convidado virtual de uma reunião do Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros da União. Apresentou-lhes a China como “a ameaça central do nosso tempo.” A resposta europeia foi um pouco mais mitigada do que a que recebeu em Londres, traduzindo-se principalmente num queixume que se pode resumir em linguagem banal desta maneira: “Trump andou o tempo todo a tratar-nos mal e agora quer que sejamos amigos outra vez?” Seguida, prudentemente, por uma frase que os europeus repetem sempre nestas ocasiões: “Os Estados Unidos são e continuarão a ser o nosso principal aliado.” A porta não se fechou nem se escancarou.

Deste lado da Mancha, também se vive de respiração suspensa até às eleições americanas.O que não impede que o debate intra-europeu sobre o que fazer com a China continue.

A resposta à imposição da Lei de Segurança Nacional a Hong-Kong foi bastante mais tímida do que a que se ouviu em Londres ou em Washington, mas também em Camberra ou em Tóquio. Em Berlim, Merkel tem estado sob fortes críticas, incluindo nas próprias fileiras da CDU, por demasiada prudência perante o comportamento de Pequim em Hong-Kong ou pelo adiamento de uma decisão sobre a Huawei, de preferência no sentido de alinhar com Londres ou com Paris na sua exclusão. Para que lado vai cair a Alemanha será decisivo. O modelo económico alemão, com a sua máquina exportadora de produtos industriais (nem a China a consegue ultrapassar), está altamente dependente do mercado chinês, para onde segue, por exemplo, quase metade da sua produção automóvel. Mas é mais do que isso. Berlim acalentou (acalenta?) a ideia de uma “terceira força”, mais ou menos equidistante das duas superpotências rivais. A pandemia está a contribuir para desfazer esse sonho, pensam alguns analistas. A Europa vai adquirindo consciência de que, no caso de uma nova “Guerra Fria” entre duas superpotências, o terreno principal da “guerra” seria o seu território. Já não sob a forma de mísseis nucleares, mas de “guerra” tecnológica, na qual os europeus ainda estão bastante desarmados, e de uma guerra política entre duas visões do mundo e da sociedade. Mais tarde ou mais cedo, a Europa vai ter de escolher. A questão está em saber com que América terá de negociar a renovação da relação transatlântica.

5. Na newsletter China Watcher do site Politico, Julian Gewirtz perguntava-se: “Xi Jinping deve estar a perder o sono: em todo o mundo, os aliados da América estão a responder-lhe à letra.” A pergunta faz algum sentido. O número de “inimigos” que Pequim conseguiu criar durante esta crise é relevante. E não apenas na Europa. O conflito com a Índia na fronteira dos Himalaias empurra o seu grande rival da Ásia para os braços dos Estados Unidos. Já há pelo menos dez países asiáticos e africanos que integraram a Nova Rota da Seda a troco de volumosos empréstimos para construir infra-estruturas que querem renegociá-los. Os benefícios económicos não são tão evidentes e o peso das dívidas contraídas é insuportável. Outros se seguirão.

O Governo japonês decidiu fazer regressar à pátria alguns dos seus investimentos produtivos na China, seguindo de resto o mesmo desiderato europeu. Pequim abriu uma “guerra” com a Austrália, por causa de Hong-Kong e das insistentes denúncias de Camberra das violações sistemáticas da lei internacional praticadas por Pequim no Mar da China do Sul, expandido a grande velocidade o seu poder naval. A Huawei vai provavelmente rever os seus planos de expansão. “A China pode comprar influência, mas não consegue comprar amor”, escreveu Elisabeth Braw do RUSI. Por outras palavras, ao contrário dos EUA, cujo soft-power assentou numa extraordinária capacidade de atracção, o regime chinês não possui qualquer empatia que vá para além do dinheiro, dos mercados e do bullying.  Pode ter de mudar de estratégia se Trump sair da Casa Branca. Ou não. tp.ocilbup@asuos.ed.aseret  TÓPICOS  DIPLOMACIA  MUNDO  CHINA  XI JINPING  ÁSIA  EUA  EUROPA

COMENTÁRIOS

joorge INICIANTE: Adoro as formiguinhas a falar com o elefante. Que vão baixar as calcinhas, vão, isso é seguro, mas até ao fim vão berrar que conseguem vencer o colosso. É só rir. Então a da China “isolada“ é extraordinária. Um país que tem muito mais gente que EUA e UE juntos.  Rodrigues Lopes EXPERIENTE Proponho, na sequência do desafio do grande defensor dos direitos humanos e da democracia, que é Pompeo, a formação de uma armada formidável para combater a ameaça chinesa, lá, no Mar do Sul da China. Uma guerra, como as do ópio, queimando a frota de juncos e arrasando Shangai, é a melhor forma de demonstrar o excepcionalismo e a elevada moralidade da democracia, liberdade e direitos humanos que pontua o nosso modo de vida político e social. Excepção feita, claro, aos regimes fascistas e autoritários que o ocidente apoia por esse mundo fora. 26.07.2020  Joao EXPERIENTE Exacto, de repente o Pompeo que na CIA planeava assassinatos e golpes militares e torturas e locais escondidos e confidenciais para prisões e torturas ... passou a ser o paladino da "democracia" ... Ah Ah    Manuel Caetano MODERADOR: É preciso uma grande dose de alienação e (ou) resmas de chico-espertismo e desrespeito pela inteligência alheia para afirmar que os países democráticos se afirmam na política internacional através do seu soft power. Pelos vistos estávamos todos equivocados, afinal a aliança político-militar conhecida pelo acrónimo NATO que agrupa 29 países, entre eles os maiores e mais poderosos países democráticos, não existe.26.07.    Manuel Caetano MODERADOR: Nada do que TdeS refere como motivos da desconfiança das democracias em relação à China é novo. O problema da integração plena de Hong Kong na RPC (República Popular da China); A repressão da minoria uigure; A rivalidade com Taiwan; A situação no Tibete; As disputas sobre ilhas e Ilhéus no Mar da China; Os diferendos territoriais com a Índia são uma realidade antiga mas nada disso impediu as democracias de fazerem "negócios da china" com a China nem de lotar as "pontes aéreas" para Pequim. Por acaso a China anteriormente a Xi Jinping era uma democracia? Claro que não! O que mudou foi que a China para além do soft power está desenvolvendo um moderno hard power. É isso que a torna uma ameaça - já o hard power ocidental não ameaça ninguém.

Boris Vian INFLUENTE: A Aliança Atlântica existe e ainda bem Manuel Caetano. O que já não existe é o Pacto de Varsóvia. E não existe porque a liberdade do ser humano é um valor sagrado. Por isso mesmo, a China não sendo uma democracia, não queremos os pézinhos de lã disfarçados de botas cardadas. 26.07.2020

Manuel Caetano MODERADOR: Boris Vian, a questão é a seguinte: se, como afirma um colega mais abaixo na linha de comentários, as democracias exercem a sua influência na política internacional através do seu soft power porque motivos precisariam elas de um hard power sem igual e sem rival (que deixa a milhas de distância todo o hard power acumulado do resto do mundo) - a NATO? Dito de outra maneira: faz sentido a NATO que dispõe de um poder militar, económico, financeiro, científico, tecnológico ... avassalador sentir-se ameaçada por estados com hard power muito mais fracos? A mim parece-me uma realidade invertida (na lógica) em que são os fracos a ameaçar os fortes. Acha mesmo que é david que ameaça golias? Mais razão e menos ideologia alienante. 26.07.2020   Boris Vian INFLUENTE: Manuel Caetano, eu não vejo tanto assim essa diferença avassaladora como nos quer persuadir. Quando um líder, Xi Jinping, diz que a China em 2049 será a maior potência mundial económica, militar e cultural, esta afirmação quer dizer propriamente o quê? Que vão distribuir felicidade pelos quatro cantos do mundo porque ‘o país do meio’ é uma fonte de virtudes? O orçamento militar chinês já é o segundo maior a seguir ao EUA e não tardará a ser o primeiro dentro em breve, segundo a retórica do PPC. Portanto não é de estranhar que o mundo ocidental esfregue os olhos com alguma apreensão. Em matéria de comércio internacional, é profundamente desonesto e oportunista o que as autoridades chinesas vêm fazendo com a UE: esquemas traiçoeiros ao ponto de Bruxelas impor recentemente mais uma tarifa inédita sobre as importações chinesas. A ambição da China ou o ‘sonho chinês’ de se tornar a maior potência mundial está assustar muita gente.    orion EXPERIENTE: A Europa, ainda uma pré-Federação, tem para exportar, a nível dos quatro grandes (USA, Rússia, China e UE), somente a ideologia do modo de vida ocidental, a defesa das liberdades individuais e sociais e o poder nuclear...vegetariano (neste âmbito, somente a França e o Reino Unido podem dar uma pequena resposta aos EUA e à Rússia, pois a China é um fraco competidor a este nível).E, por isso, a UE, que tem na cronista um arauto, insiste que os EUA deverão retomar o papel de polícia do mundo como hipotético defensor da ordem dita liberal. Correcto, dirão, os EUA prendem hackers espiões da China, fecham o consulado chinês no Texas, travam a progressão do G5 chinês(Huaiwei) e estão a arrumar a casa para Biden em Novembro(ou para Trump).Está tudo a ser bem feito. E a passar a fasquia no Mar da China.

Roberto34 EXPERIENTE: [A América] tem de reinvestir nas instituições internacionais (…) que são indispensáveis para gerir as crises e que a China também quer liderar na ausência dos EUA”, escrevem na Foreign Affairs Kurt M. Campbell e Mira Rapp-Hooper." Isto deve fazer o outro de Nova Iorque fazer repensar o seu voto em Biden de certeza. 26.07.2020     vinha2100 MODERADOR: A indestrutível aliança dos países democráticos e o soft power da democracia e do estilo ocidental de vida continuarão a prevalecer. No espaço de uma geração, serão os cidadãos desses países que não deixarão escolha aos respectivos ditadores. Vivi longos anos na Ásia e no Pacífico e posso confirmar que a China não consegue comprar o amor desses países. 26.07.2020

John Doe.830312 INICIANTE: Pode esconder o sol com uma peneira. No entanto, é precisamente o oposto o que se passa actualmente. O descrédito do Ocidente é de longa data, profundo e tudo indica duradouro. Não bastará uma geração para reverter a tendência. Ah, e não é necessário ir ao Pacífico para encontrar os sintomas e razões deste descrédito.   Mario Moreno EXPERIENTE: "Os cães ladram e a caravana passa...." O dizer da UE q é preciso fazer alguma coisa para conter a China" quer dizer q obedecerá àquilo q Washington mandar... Seja Tramp ou Biden... A política será a mesma... A América quer perpetuar o seu domínio a nível global e usa os trunfos mais sujos q pode, contra todos os q se intrometerem no seu caminho, e, claro têm q ser apoiada pelos seus lacaios.. q é para isso q eles servem!...    vinha2100 MODERADOR: Isso não era o último editorial do Avante! Onde está o respeito pelos direitos de autor?!!! Eh eh eh...  Boris Vian INFLUENTE: O azedume é grande Moreno. Felizmente que a Europa acordou e pelos vistos os países asiáticos e africanos também; já se deram conta da ‘bonomia’ chinesa quanto aos presentes envenenados. E está equivocado sobre os rugidos, o que ouve é o frear dos travões nas carroças.  Joao EXPERIENTE: Óbvio que o Mário tem razão. Assistimos a uma guerra em sentido literal. Os USA devido à tragédia da pandemia tiveram de criar uma ou mais guerras para entreter. É a do “vírus chinês”, é a dos telemóveis, é a da vacina, é a do Mar da China, é a de HongKong, é a dos Himalaias, é a dos uirgurs, é… etc. E claro emitiu Éditos que foram e vão ser obedecidos e cumpridos pelos sátrapas em Bruxelas, Camberra, Deli, Bancoque, etc, etc. Ilustrando, o que temos é um “Bloqueio Continental” (agora muito mais profundo que então pois a potência imperial de hoje é-o a nível planetário) em que a potência imperial se sente afrontada por um poder novo que não se encaixa docilmente na sua rede de servilismos e dependências imperiais.  Joao EXPERIENTE: Puxando a brasa à sardinha, lamento que quando eu defendia aqui moderação no escancarar de portas ao Xi. que nos estava a levar a um esmagamento do preço da mão de obra e da precariedade, era chamado de pré histórico, ignorante nacionalista, anti globalização etc, agora estão a fechar as portas mas é para obedecer a Washington e não por razões de defesa dos nossos trabalhadores e empresas. Enfim, a sabujice habitual.  Marafarrico EXPERIENTE: João, grande salganhada, hem? Então são os EUA que "criaram" a questão do uigurs, de HongKong, dos Himalias? Pergunte aos respectivos...ah espere, inimigo do seu amigo, seu inimigo é?   Armando Heleno EXPERIENTE: Crónica antológica da Srª Drª Teresa de Sousa. Bom domingo de S Tiago, o meu padroeiro.   Rikardo INICIANTE: Se os Estados Unidos tivessem tomado uma postura diferente em relação à Europa, teriam sido certamente mais beneficiados. No entanto, não restam dúvidas que a sua assertividade como resposta às acções do PC chinês são justificadas. A China regrediu para o totalitarismo e agora tem de assumir as consequências.    João Moura INICIANTE: Nos tempos que correm, com um distanciamento do mundo de expressão inglesa da europa e do Mundo, com um constante bullying da parte dos EUA ou do reino unido por razões negociais ou ideológicas que por vezes roçam o racismo e xenofobia, a china aparece como uma opção extremamente sedutora para ocupar o vazio diplomático e económico deixado. Em oposição, artigos como este tem-se propagado, diminuindo muitas vezes os feitos económicos ou de resposta à pandemia por parte da china, parecendo quererem atirar lama aos olhos para esconder as incapacidades e desunião ocidental e criar uma frente comum contra a china. No que parece ser um ataque concertado revela-se o verdadeiro soft power dos EUA. Por falar nisso, interrogo-me a quem interessa o enfraquecimento das instituições europeias...  Oliveira Fabio INICIANTE: Sim um parceiro económico que gere campos de concentração para os indesejáveis do seu regime, abusa da sua mão de obra chegando ao ponto de explorar mão de obra infantil mesmo, no primeiro quarto do século XXI é de facto um aliado de sonho. Por mais defeitos que os nossos parceiros ocidentais tenham, e por mais que os media sinofilos mintam, não são nenhum 4o reich. 27.07.2020 Luis Ribeiro INICIANTE: É notório, a nível global um distanciamento sorrateiro em relação á china....a china agigantou-se e abusou em toda a linha...cada vez mais isolada.  AndradeQBINFLUENTE: Um artigo oportuno, não antes de tempo, o que condenaria a autora a ser imediatamente acusada de nefastas intenções, nem tão fora do tempo que não sirva para nada.26.07.2020


sábado, 1 de agosto de 2020

Cegueira e má-fé

É o que o país deve a doutrinadores de pacotilha, que fingem ignorar as circunstâncias condicionantes de políticas de dureza, que exigem sacrifícios, em função de soluções políticas indispensáveis para quem tenha vergonha na cara e respeito pelo seu país.

OPINIÃO : O que o país deve a Passos Coelho

O país deve a Passos o chicote que ele usou e abusou para aumentar impostos e levar centenas de milhares de jovens a saírem da sua zona de conforto e a emigrarem. Qual sacerdote Maia ou alto dignitário do Santo Ofício, Passos interpretou a importância do sacrifício para atingir a felicidade.

DOMINGOS LOPES

PÚBLICO, 28 de Julho de 2020

Num país, como Portugal, com séculos de tradição judaico-cristã, onde a culpa social e individual é uma cruz, Passos Coelho, saído desse território nevoeirento, proclamou do alto do poder a punição dos portugueses devido à sua vida desregrada, acima das suas possibilidades.

O país deve a Passos Coelho a primeira versão dos chamados países “frugais”, segundo a qual a Holanda das montras de prostituição em Amesterdão se destina a desvairados habitantes do Sul que só pensam em sexo e copos. O país deve-lhe essa ideia de alguns predicadores luteranos e calvinistas e do nosso velho amigo Schäuble.

O país deve a Passos o chicote que ele usou e abusou para aumentar impostos e levar centenas de milhares de jovens a saírem da sua zona de conforto e a emigrarem. Qual sacerdote Maia ou alto dignitário do Santo Ofício, Passos interpretou a importância do sacrifício para atingir a felicidade.

O país deve-lhe a maldade suprema de ser castigado por ter aceitado fazer o que os governantes lhe pediram para fazer. Aliás, derrotou Sócrates por alegar não aceitar tanta austeridade e quando ganhou as eleições, com cara gélida de pai tirano, proclamou a pobreza generalizada como meta.

O país deve a Passos a ideia que a Escola Pública e o SNS eram assuntos para desinvestir, pois os rankings apontam para a excelência do privado. Manter sim, mas a pensar em serem base de apoio ao negócio. Deve-lhe as privatizações ao desbarato para que os mesmos de sempre comprassem por uma bagatela importantes sectores da economia – CTT, TAP, ANA.

O país deve-lhe aquele rosto sem sorrir, compenetrado, a que Assis chama serviço, dedicação – desatento às consequências sociais da sua política.

O país deve-lhe a sua ideia de competitividade, fazer de Portugal um dos mais competitivos, com salários baixos e zero de impostos para os empreendedores do costume.

Veja-se o caso dos vistos gold. O país deve-lhe essa vontade firme de fazer do país um enorme condomínio privado para certas famílias de luxo.

O país deve-lhe a peregrina ideia que sem a sua austeridade e empobrecimento havia de chegar o Diabo e o Inferno, vá lá saber-se porquê… sempre o chicote na melhor interpretação freudiana da moral judaico-cristã. O país deve a Passos o culto da indiferença perante os mais desfavorecidos. O timoneiro queria que os ricos se tornassem mais ricos e que a riqueza escorresse da pirâmide para a plebe.

Este era o pensamento de Passos Coelho, seguindo a mais pura escola neoliberal, levando o PSD para a direita pura e dura.

A este projecto político-ideológico Francisco Assis qualifica de determinação e serviço. Sem mais. É ele que está à frente do Conselho Económico e Social.

OPINIÃO  AUSTERIDADE  TROIKA  PEDRO PASSOS COELHO

COMENTÁRIOS:

Degui INICIANTE: Não consigo perceber o propósito deste artigo, a não ser como resposta ao artigo do Francisco Assis de há uns dias. Tal como muitos, sofri e sofro ainda na pele o resultado das políticas de PPC, mas sejamos honestos, poderia ter outra forma, mas o objectivo seria o mesmo, se lá continuasse o Sócrates. Esta gente andou a vida toda guiada pela mesma cartilha, não se lhes pode pedir que mudem de opinião no final dos seus anos. Mesmo que em privado admitam o contrário. Como dizia um meu amigo, há muitos anos, não se pode pedir ao Papa que negue Deus, é uma questão de fé. Aqui é a ideologia e o empedernimento do pensamento os responsáveis da cristalização do discurso.    Macuti EXPERIENTE: Incrível ver um comunista criticar a pobreza generalizada como meta, quando é precisamente isso que acontece quando alcançam o poder, o chamado nivelamento por baixo. Por motivos óbvios essa pobreza só não atinge quem está num “ comité central”. Nos países mais ricos não existem partidos comunistas .Porquê? 29.07.2020

jacomemartins.945477 INICIANTE: Artigo de opinião de um jornalista sem rigor e carregado de influências obscuras. Se o Passos Coelho foi assim tão mau e agora vivemos num oásis, por exemplo, porque é que todos aqueles portugueses que emigraram não voltam novamente ao seu país? 29.07.2020

Jorge Rodrigues INICIANTE: A verdade é só uma: se não fosse Passos Coelho, o país tinha mesmo caído na bancarrota, provocada pelo despesismo do PS Socrático. O resto são tretas. 29.07.2020

calhabe INICIANTE O senhor Domingos deve ter aterrado este mês no país e esqueceu o saque a que o país tem sido sujeito. Os impostos foram aumentados mas por alguma razão nenhum governo por mais esquerdista que seja se atreve a alterar. O refazer da história é algo comum de quem está no poder, mas esta história é recente, quem levou o país diversas vezes à bancarrota foi e vai ser o PS. Os milhares de jovens que tiveram de emigrar e os milhões que cá vivem sufocados por impostos são responsabilidade do PS. 29.07.2020

Macuti EXPERIENTE: Incrível ver um comunista criticar a pobreza generalizada como meta, quando é precisamente isso que acontece quando alcançam o poder, o chamado nivelamento por baixo. Por motivos óbvios essa pobreza só não atinge quem está num “ comité central”. Os países mais ricos não têm partidos comunistas.

luso38.945262 INICIANTE Se fosse eu, Passos tinha feito como o Durão, com um país de tanga...deixava-os acabar com o resto, quanto a impostos, sou dos que ganha um pouco acima do ordenado mínimo, nunca me lembro de pagar IRS a mais, mesmo estando mau , se bem me lembra a maioria do povo Português voltou a votar nele, que aconteceu a seguir...ditador? deixou a geringonça governar... 28.07.2020

Catarina Mendes INICIANTE: Devemos a PPC ter invertido o sentido das contas públicas que pela 3ª vez nos levava à bancarrota. Devemos a recuperação da credibilidade junto dos credores. Devemos um sentido de Estado que pensa o bem do país à frente do partido ou mesmo do seu posto. Devemos, sobretudo, e só por isso vale mais que qualquer outro, o princípio do fim da maior rede de corrupção em Portugal de todos os tempos e que se vai descobrindo a cada passo nos casos "Operação Marquês" e o caso BES. A liberdade de um país capturado pelos interesses que em enorme parte se misturam com os do partido do sistema não é coisa pouca !!! Por isso, e só por isso, ele é ainda perseguido. É um mau sinal, quer dizer que ainda mexem. 28.07.2020

Félix Carlos INICIANTE: E o que é que o país deve aos chefes de governo desde o 25 de Abril? Revejam a lista. Talvez nada a uns, pouco a outros, muito céu aos ante-sacralizados e ainda mais de inferno aos pós-demonizados. Será análise lúcida de sociedade moderna ou recorrente escapismo enviesado? Então, e afinal, devemos alguma coisa? Ao menos ponderação, à semelhança do que nos permitimos face ao alto conceito que temos de nós próprios. 28.07.2020     nogueira.dim.945108 INICIANTE Nunca tendo sido defensor do governo de Passos Coelho tenho a honestidade intelectual de não esquecer que não foi ele que colocou a país à beira da bancarrota, que a legislação laboral que permitiu e permite « fáceis» despedimentos colectivos é da autoria do governo Sócrates/Vieira da Silva, etc.    AndradeQB INFLUENTE: Perante artigos como este, as tão criticadas redes sociais são um exemplo de dignidade.     José Luís INICIANTE: Esta opinião parece-me correcta. Sempre achei o sonso do Passos Coelho uma personagem detestável. Espero bem que não regresse.

jota santos.818304 INICIANTE: Este artigo vindo de quem vem, e com o historial que tem, tem o valor do feijão-frade. Quem fala daquilo que não sabe faz sempre uma triste figura. De economia é um zero à esquerda.

joao.de.melo INICIANTE: No dia 11 de Julho de 2014 "Passos Coelho diz que depositantes podem confiar no BES". Isto é só uma notinha de tanta incompetência junta com o grande acavado silva. Ainda nos devem explicações (provavelmente serão dadas no dia de são nunca à tarde). Podem dar 30 voltas, mas foi incompetente. Aliás, as mesmas pessoas que o defendiam e as suas ideias, são os que agora acusam o Costa de não virar a página da austeridade. Não havia dinheiro, tal como não há, mas há formas e formas de ir buscá-lo sem ser aniquilar com direitos. Aliás, quantas vezes se falou que imensas ideias eram inconstitucionais? Valia tudo e, pelos vistos, há quem goste. Aposto que são os donos das padarias portuguesas por esse país fora...

Conta desactivada por violação das regras de conduta Não fossem os prometidos dinheiros da UE e agora estávamos todos a comer ranho. Passos Coelho não teve essa sorte. Teve de resolver os problemas, mas sem dádivas. 29.07.2020     Fausto Correia INICIANTE: Que belo artigo! Que bela manifestação de "racismo ideológico"! Quem leu a entrevista de Francisco Assis e quem lê este artigo do Sr. Domingos Lopes não pode deixar de encontrar diferenças abissais. Este é o tipo de conversa fiada! Carregada de ódio e sem objectividade histórica e política! Já passei por lá!!! 28.07.2020

Colete Amarelo  EXPERIENTE: Visão não disfarçada de um período terrível. Quando algo corre mal, porque teremos de nos enganar em vez de enfrentar a realidade? Sebastianismos, ditadores bondosos, primeiros ministros dedicados, estas interpretações só servem para promover o conformismo e para retardar o progresso.

joao.dinis INICIANTE: Estava a ver quanto mais tempo demorava um artigo no Público a atacar Passos Coelho depois de Francisco Assis ter cometido o "pecado" de lhe reconhecer alguns méritos... 28.07.2020

Joao2 MODERADOR: Ainda bem que este artigo apareceu. A opinião de Assis não é sacrossanta, certo? Há um conjunto de comentadores no Público que gostam de silenciar quem critica Passos Coelho. Se não for crime organizado, são mesmo fascistas bafientos. Não toleram sequer brincadeiras sobre sugerir ao Assis que troque o papel higiénico por lixa. Pobres de espírito. 30.07.2020


Ventos de mudança?


Nunca pensei que o KGB alguma vez viesse a ser posto em causa por um defensor de um regime comunista que sempre me habituei a ver em Rui Tavares, embora lhe apreciasse a clareza de pensamento e as análises históricas que favoreciam a minha ignorância, caso deste texto. Mas fez-nos passear pela geografia e história dos povos que já viveram na dependência da anterior URSS e só lhe posso ficar grata. O mesmo não acontece com o comentador, julgo que russo, Victor Morozov, que entra em disputa educada com Rafael Guerra, talvez ofendido pela ingerência em temas que “não nos dizem respeito”, a nós, sobretudo, pobre povo tolhido a mandar bitaites sobre povos que talvez se orientem melhor, afirmação irrefutável, visto que pertencemos aos da cauda, como a do tal lagarto “a quem cortam o rabo E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.”

 

OPINIÃO: A Bielorrússia, o último reino do KGB, existe

Deveríamos preocupar-nos e mobilizarmo-nos pela Bielorrússia. Há sinais de que os bielorrussos podem estar a tolhidoficar imunes ao medo, se bem que ainda não à repressão.

RUI TAVARES

PÚBLICO, 24 DE JULHO DE 2020

Algo vai errado quando um governo europeu tem de se esforçar a provar que o seu país não é “a Coreia do Norte da Europa”. No entanto, é isso mesmo que o governo da Bielorrússia tem de fazer, de tal forma se tornou frequente o uso dessa comparação para ajudar a chamar a atenção para a situação de um país onde cerca de dez milhões de pessoas vivem sob o regime mais autoritário, opaco e repressivo do continente.poss

Há uma coisa, porém, que nem o governo de Alexander Lukashenko — o primeiro e até agora único presidente da Bielorrússia, desde 1994 — tem interesse em negar: o facto de a Bielorrússia ser o último reino do KGB na Europa. A polícia política de Lukashenko mantém o nome da sua antecessora soviética, no que é uma singularidade entre países internacionalmente reconhecidos (o KGB continua a ser KGB em redutos como a Transnístria ou a Ossétia do Sul, mas a Bielorrússia é o único Estado-membro da ONU que continua a ter o KGB como sua polícia política). É o KGB que se vê, nas poucas imagens a saírem da Bielorrússia, a meter manifestantes em carrinhas, depois de espancados pela polícia, ou até simplesmente a levar activistas da oposição que estejam a conversar com os poucos jornalistas estrangeiros que começam a interessar-se pelo que se passa no país.

Não será provavelmente apenas a mim que perturba o esquecimento a que foi lançado um país que tem o dobro da extensão de Portugal em pleno continente europeu. Fala-se da Ucrânia, a Sul da Bielorrússia. Fala-se da Polónia, a oeste da Bielorrússia. Fala-se da Rússia, a leste da Bielorrússia. Até se fala, de vez em quando, da Lituânia e da Letónia, a norte da Bielorrússia. Fala-se de tudo isso, só não se fala da Bielorrússia. É como se houvesse ali apenas um enorme buraco em torno da capital, Minsk.

Lukashenko vive, é claro, bem com o facto de não haver sequer uma base de conhecimento sobre a Bielorrússia que possibilite aos restantes europeus saberem o que se passa naquele país, preocuparem-se ou mobilizarem-se com isso.

E no entanto deveríamos, sim, preocupar-nos e mobilizarmo-nos pela Bielorrússia. O país vai a “eleições” no próximo dia 9 de agosto. Ponho “eleições” entre aspas porque é claro que estas eleições, como as outras antes destas, são tudo menos verdadeiras eleições, mas antes um pró-forma por que o presidente Lukashenko tem de passar antes de ter um novo mandato. Desde logo, os candidatos de oposição que poderiam fazer verdadeira mossa vêem as suas candidaturas invalidadas, como aconteceu desta vez com Viktar Babaryka, um homem de negócios, Valery Tsepkalo, o gestor de um parque tecnológico, e Siarhei Tsikhanouski, um blogger e youtuber que foi mandado para a prisão. Em vez deles, candidaturas de partidos tolerados ou de personalidades desconhecidas são oficializadas para dar um vislumbre de legitimidade à contenda. E quando chegar a hora das urnas, Lukashenko não hesitará em defraudar o voto para ser reeleito. Este é o tipo de ato eleitoral que nós tínhamos em Portugal antes do 25 de abril. O medo e a repressão fazem o resto.

Mas há sinais de que os bielorrussos podem estar a ficar imunes ao medo, se bem que ainda não à repressão. Embora a eleição presidencial seja pouco mais do que uma encenação, a verdade é que a aproximação da data, junto com a péssima gestão de crise pandémica por parte de Lukashenko (que garantiu que o vodka curava a covid-19), fizeram com que os bielorrussos fossem para as ruas e começassem a protestar dentro e fora do país, em muitos casos dando a cara, o que é um risco para os próprios e para as suas famílias. Quando isto acontece é em geral sinal de que as coisas estão a chegar a um ponto de ebulição. Lukashenko respondeu com pouca subtileza, lembrando aos seus concidadãos a ocorrência de massacres noutros países pós-soviéticos no caso de estes tentarem derrubá-lo através de uma revolução, e enviando as polícias para a rua para espancar os bielorrussos que tiverem a coragem de protestar.

Até agora, estas atitudes só têm ajudado os opositores de Lukashenko a ganhar ânimo. A mulher de um dos candidatos presidenciais presos, Svetlana Tikhanouskaya, decidiu avançar com a sua candidatura, e foi apoiada pela mulher de outro dos candidatos, Veronika Tsepkalo, e por Maria Kolesnikova, dirigente da candidatura invalidada de Viktar Babaryka. Até agora, Lukashenko ainda não tomou o passo de proibir a candidatura de Svetlana Tikhanouskaya, que começa a mobilizar seriamente a população.

Por outro lado, os bielorrussos no exterior começam a organizar-se para mostrar ao mundo o que se passa no seu país. Hoje, em Lisboa, às 19h no Largo de Camões, alguns dos cerca de duzentos bielorrussos que vivem em Portugal estarão reunidos para exigir eleições livres e justas no seu país. Pela coragem que demonstram — ao darem a cara, as suas famílias podem estar em risco — e pela singeleza daquilo que pedem, apenas o direito de poder escolher, merecem bem que os apoiemos e acompanhemos. Para lhes dar protecção e a força de lutar por aquilo que nós já damos por tão banalmente adquirido. E ao menos para que se saiba que a Bielorrússia existe.

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COMENTÁRIOS:

JOAO EXPERIENTE:: Cá anda o Tavares a pregar e a mobilizar para mais uma “cruzada”. Até tremo com “cruzadas”. Há uns tempos andava aqui outro(?) a arranhar e a arranhar a ver se começava mais uma “cruzada” em Marrocos, com as arengas do costume, que aquilo coisa e tal, que talvez assim-assim, que devia ser assim e assado, etc. Até me arrepiei! Bom, se fizerem mais uma “cruzada” para aqueles lados pelo menos é longe, lá teremos de pagar quer em dinheiro quer dizendo com a cabeça que sim em Bruxelas. Paz às almas daquelas gentes. 24.07.2020

rafael.guerra EXPERIENTE: Se fores na Bielorrússia vê como é belo um regime inspirado da vizinha Rússia...

Victor Morozov INICIANTE: A Rússia não está a inspirar algo à Bielorrússia. O país não prospera, é verdade. Mas aquí nós falamos da imiscuição de outros nos assuntos internos doutros países. O exemplo da Ucrânia evidencia os resultados desta imiscuição. 24.07.2020

rafael.guerra EXPERIENTE: Rindo muito. Não inspira mas é pouco! A começar por um líder autocrata que se eterniza no poder, onde o KGB pode entrar na vossa casa a qualquer momento, onde a liberdade de imprensa e o jornalismo de investigação são uma fantasia, com o controle estrito dos media e, especialmente dos canais de TV que são totalmente controlados pelo Estado. Mas enfim, seria pedir demasiado a quem nunca conheceu a democracia nem a liberdade, e foi educado num nacionalismo cego. 24.07.2020

Victor Morozov INICIANTE: A enumeração dos «vícios do regime soviético» não passa de «espantalho de ameaça por parte do regíme da União Soviética». Actualmente, tanto a Rússia como a Bielorrússia não têm nada a ver com os horrores mencionados pelo Sr. Rafael.Guerra. Abaixo a guerra!24.07.2020

rafael.guerra EXPERIENTE: Sim,  para os cegos desses regimes, que podem circular que não há nada para ver. 24.07.2020

Victor Morozov INICIANTE: Não é sinal de boa educação chamar cego ao povo de um país que conseguiu derrotar o fascismo e alcançar êxitos na ciência, cultura, desporto e no desenvolvimento económico, embora tenhamos para onde crescer. 24.07.2020

rafael.guerra EXPERIENTE: O camarada pode continuar a adorar Stalin, um dos maiores criminosos da história da humanidade, e todos os regimes autocráticos que tais, que nós por cá nem com o seu cheiro podemos.

Victor Morozov INICIANTE Não há nada surpreendente, o Sr. vive nas trevas da propaganda: é de conhecimento geral que ainda na União Soviética o culto de personalidade de Estaline foi rejeitado e condenado. Agora, na Rússia, apenas 8 % da população vota no Partido Comunista (e em Portugal?). Quanto à eternização de presidente, sim a Rússia teve sorte de que na época mais difícil para o país foi eleito o presidente Putin. Caso contrário a Rússia transformar-se-ia "no posto de abastecimento" sem qualquer soberania. Actualmente, a Rússia conseguiu levantar-se de joelhos e o povo russo confia no seu presidente. Neste caso a democracia não se viola visto que o povo (demos) torna-se mais contente e próspero, embora tenhamos pel frente muitos problemas por resolver. 24.07.2020

rafael.guerra EXPERIENTE: Nas trevas vivem os jornalistas russos sob o regime de Putin. Anna Politkovskaya, 48 anos, morta em 2006. Natalia Estemirova, 50 anos, morta em 2009. Anastassia Babourova, 25 anos, e Stanislas Markelov, 34 anos, mortos em 2009. Pavel Cheremet, 44 anos, morto em 2016. A lista é extensa e conta com dezenas de jornalistas assassinados desde 2000. Sem contar com os que são calados com a prisão, após lhes terem montado rapidamente um dossier comprometedor ("Kompromat") de traidor, espião, terrorista, pedófilo, drogado, ou outra acusação falsa que tal. 24.07.2020

Victor Morozov INICIANTE: Na sua lista a morte mais recente é a de Pavel Sheremet que aconteceu na Ucrânia e até agora não foram detidos assassinos. Quanto a outras vítimas, sim, os crimes tiveram lugar, assim foi o período transitório. Os culpados foram castigados. Graças a deus, agora isto não acontece. E não vale a pena continuar a chamar as autoridades actuais russas «regime sangrento de Putin» ou falar tolices de género, está a soar ridículo. 24.07.2020

rafael.guerra EXPERIENTE: Falemos então do ridículo na Rússia de Putin. Interesse-se ao processo alucinante (outro "Kompromat" vergonhoso) contra Yoann Barbereau, que escapou recentemente às prisões siberianas. Trata-se do ex-director da Aliança Francesa em Irkutsk na Rússia, que fugiu da justiça russa depois de ter sido condenado a 15 anos de prisão num processo à moda da casa que nem de Kafkiano pode ser qualificado.

Quanto ao seu acto de fé: "Graças a deus, agora isto não acontece", não sei se devamos rir ou chorar. Ficamos pelo menos a saber que Putin não é Deus porque está no poder há mais de 20 anos e a lista de jornalistas assassinados não pára de crescer. Entre os casos conhecidos: Dmitry Tsilikin (também morto em 2016), Yevgeny Khamaganov, Nikolay Andrushchenko, Dmitry Popkov e Andrey Ruskov (mortos em 2017), Maksim Borodin, Maksim Borodin, Sergei Grachyov e Yegor Orlov (mortos em 2018). 24.07.2020

Victor Morozov INICIANTE: Sr. Rafael, parece que se esgotaram todos os argumentos que provem o facto de o regime de Putin é «sangrento» porque o referido «processo alucinante contra Yoann Barbereau» não foi mencionado mesmo no Ekho Moskvy (Eco de Moscovo), estação de rádio em oposição dura a Putin. 24.07.2020

rafael.guerra EXPERIENTE: O Russian Today em França noticiou em 10 de novembro de 2017, mas desde então é silêncio na rádio do Kremlin. O camarada Morozov deve ter sido atacado pelo mesmo síndroma da negação que o governo soviético durante a catástrofe de Chernobyl. A Rússia é uma grande nação, culturalmente e cientificamente, mas segue sendo incapaz de autocrítica, como o ilustra perfeitamente o camarada. 24.07.2020

Amélia. Obrigada INFLUENTE: Talvez este este site vos ajude a verificar o número de jornalistas assassinados. "Committee to Protect Journalists" ou "Comité para a Protecção dos Jornalistas". cpj.org. Façam o filtro para a Rússia e verifiquem a quantidade e os casos. "Acidentes" também os há. 25.07.2020

Victor Morozov INICIANTE: Com todo o respeito ao Sr. Rui, tenho que assinalar que o modo de vida de cada país determina o povo do mesmo (democracia) e meter o nariz onde não é chamado leva, regra geral, a desgraças, o que aconteceu na mencionada Ucrânia. O Ocidente (em primeiro lugar os EUA) tinha gostado de impor ao povo ucraniano a «democracia» e como resultado: pobreza, guerra civil, assassínios. O mesmo se pode dizer sobre «intenções boas» do Ocidente em relação aos povos da Líbia, Iraque, Venezuela, etc. Agora, o Sr. Rui cuida do destino do povo bielorrusso. Guarda-nos, Deus, destes cuidados! 24.07.2020

Leitor Registado EXPERIENTE: Fiquei com uma dúvida: provar que não é “a Coreia do Norte da Europa”....qual é o mal da Coreia do Norte segundo Rui Tavares? 24.07.2020

Opinativo INICIANTE: O pior que nos podia acontecer era uma situação de guerra civil na Bielorrúsia. Depois do fiasco da Ucrânia, se alguma potência ocidental meter um dedinho na Bielorrúsia, a Rússia toma conta do país todo e fica a fazer fronteira com a Polónia. Toda a gente sabe que a Bielorrúsia é uma ditadura, mas a sua localização não permite que façamos o que quer que seja. O mundo não é nem nunca será perfeito, Sr. Rui.

Suspicious Minds MODERADOR: Tenha um pouco de respeito pelo Dr. Rui Tavares, por favor! Para sua informação, tem um vasto conhecimento e curriculum em política internacional, e em geoestratégia. Logo a começar pelo Magrebe, em geral, e pela Líbia, em particular. 24.07.2020