segunda-feira, 3 de agosto de 2020

O que for soará


Embora, é claro, já não no meu tempo. Mas não deixa de ser assustadora toda esta ciência que vai girando e cada vez mais descobrindo maravilhas, que descobríamos no universo infantil das fadas, ou no universo maduro dos mitos. Que Deus nos valha?

OPINIÃO

Nasce uma Estrela

Quando estiver a funcionar em pleno, daqui a mais de uma década, o ITER será a demonstração prática que a humanidade foi capaz de criar uma nova estrela e de a controlar para dela extrair energia útil.

ARLINDO OLIVEIRA, PROFESSOR DO IST E DIRECTOR DO INESC

PÚBLICO, 3 de Agosto de 2020

Os nossos conhecimentos sobre as leis da Física, para os quais contribuíram de forma decisiva Newton, Maxwell, Planck, Einstein, Bohr, Fermi e tantos, tantos outros, evoluíram de forma especialmente marcante durante o século XX. Foi neste século que se chegou ao actual entendimento de que todos os fenómenos do universo conhecido são explicáveis pela existência de apenas quatro interacções fundamentais: a gravidade, o electromagnetismo, a interacção forte e a interacção fraca.

O Modelo Padrão é a designação, pouco inspiradora, da teoria que explica três destas interacções (electromagnetismo, força forte e força fraca). Esta teoria foi desenvolvida durante a segunda metade do século XX e unifica diversas teorias específicas com nomes apenas conhecidos dos especialistas, tais como electrodinâmica quântica, cromodinâmica quântica e teoria eletrofraca, entre outras.

As leis da Física permitem-nos prever, com grande precisão, o comportamento da matéria em condições tão diferentes como o interior de uma célula, o centro de uma estrela ou a superfície da Lua. Embora existam ainda muitas questões em aberto, que são objecto de investigação activa pela comunidade científica, a nossa compreensão das quatro interacções fundamentais representa, talvez, a maior conquista da ciência e da humanidade.

Esta compreensão profunda do mundo físico permitiu-nos desenvolver todas as tecnologias que usamos e que caracterizam a sociedade moderna: laser, telemóvel, ressonância, radiografia, automóvel e avião, sem esquecer pára-raios, locomotiva, alto-forno, geradora, cisão do átomo, radar, ultra-som, televisão e mesmo o desembarque em foguetão, na superfície lunar, como tão poeticamente escreveu António Gedeão.

As quatro interacções fundamentais são responsáveis por todos os fenómenos conhecidos e observados até hoje, desde as reacções químicas e a evolução das espécies até à criação de planetas, estrelas e galáxias. A gravidade é a força agregadora que cria os corpos celestes e nos mantém em órbita do Sol e presos à superfície do planeta; o electromagnetismo explica não só a luz e electricidade, como também toda a química e biologia; a força forte mantém estáveis os núcleos dos átomos (constituídos por protões e neutrões), e a interacção fraca é responsável por diversos fenómenos menos conhecidos mas importantes, entre os quais a fusão nuclear, que está na origem da energia que recebemos do Sol.

O Sol é, na realidade, um gigantesco reactor nuclear. A sua enorme massa (cerca de 330.000 vezes a do nosso planeta) comprime, no seu centro, os núcleos dos átomos de hidrogénio a temperaturas da ordem dos 15 milhões de graus. Os núcleos destes átomos (protões) fundem-se para dar origem a um núcleo de hélio (constituído por dois protões e dois neutrões), e no processo libertam uma quantidade significativa de energia sob a forma de partículas de luz (fotões) que, após completarem uma travessia acidentada que demora tipicamente centenas de milhares de anos, atingem a superfície do Sol. A partir daí, estes fotões espalham-se pelo Universo, sendo que alguns deles iniciam uma viagem de oito minutos até à Terra, aquecendo o planeta e tornando possível a existência de vida.

Este mesmo processo de conversão do hidrogénio em hélio foi usado nas bombas termonucleares, testadas a partir de 1952 mas, felizmente, nunca usadas em situações de guerra. As bombas termonucleares, que usam fusão nuclear, são ainda mais poderosas que as bombas atómicas (usadas em Hiroshima e Nagasaki), que se baseiam num outro fenómeno, a cisão de núcleos de átomos pesados, para libertar energia.

Este mecanismo de cisão de núcleos de elementos pesados (urânio ou plutónio) é actualmente usado nas cerca de quatro centenas de reactores nucleares em existência que geram aproximadamente 10% da energia eléctrica usada pela humanidade. Embora ambos os processos se baseiem em transformações de elementos noutros elementos (efectuando de facto a transmutação dos elementos, que os alquimistas tentaram alcançar com a pedra filosofal), a fusão nuclear e a cisão (ou fissão) nuclear têm características muito diferentes.

Ao contrário da cisão, a fusão nuclear não gera directamente isótopos radioactivos que tenham de ser armazenados durante longos períodos, e usa como combustível um elemento que é muito abundante, dado que um pouco mais de 10% de toda a água é hidrogénio. Isso faz com que a energia de fusão seja praticamente inesgotável, para todos os efeitos práticos, dada a abundância do combustível e a eficiência do processo.

Conseguir efectuar fusão nuclear controlada, que reproduzirá na Terra o mesmo fenómeno que ocorre no centro do Sol, é uma ambição já com mais de meio século. Porém, apesar de o mecanismo de fusão ser bem conhecido e ter sido reproduzido muitas vezes, os problemas práticos de engenharia têm-se revelado muito desafiantes.

A dificuldade reside em controlar um fluido (designado por plasma) a uma temperatura de dezenas de milhões de graus, sem que se perca o controlo do mesmo e sem que se destruam rapidamente as paredes do contentor. Sucessivos projectos têm criado protótipos cada vez maiores e mais complexos, culminado com o mais ambicioso de todos, o ITER, um reactor nuclear de fusão que está a ser construído em Cadarache, França, por um consórcio internacional que reúne 35 países, entre os quais Portugal.

No passado dia 28 de Julho, uma cerimónia assinalou o início da montagem do reactor propriamente dito, após anos de construção das infra-estruturas de aço e betão necessárias para suportar a estrutura toroidal com 20 metros de diâmetro, que pesará cerca de 23.000 toneladas (o triplo da Torre Eiffel). O objectivo deste reactor é demonstrar que é possível desenvolver um processo de fusão controlado que gere de forma sustentada muito mais energia do que a que é gasta para controlar todo o sistema. As temperaturas no coração deste reactor serão ainda mais altas que as temperaturas no centro do Sol (serão da ordem dos 150 milhões de graus) porque a pressão será muito mais baixa.

A engenharia Portuguesa tem desempenhado um papel importante neste projecto, contribuindo para diversas componentes do reactor, desenvolvidos por instituições de investigação e por empresas de engenharia. O Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear do Instituto Superior Técnico, que integra mais de 100 investigadores da área, tem sido particularmente activo nesta frente e tem liderado a contribuição de Portugal neste projecto único.

Quando estiver a funcionar em pleno, daqui a mais de uma década, o ITER demonstrará a exequibilidade da fusão nuclear como um processo de geração de energia eléctrica limpo, inesgotável e não poluente. Será a demonstração prática que a humanidade foi capaz de criar uma nova estrela e de a controlar para dela extrair energia útil.

A fusão nuclear será uma contribuição fundamental para a sustentabilidade da nossa civilização, mas terá de ser complementada com tecnologias que permitam armazenar e distribuir eficazmente a energia gerada, desafios que já agora são críticos na gestão das energias renováveis. Também aqui o profundo conhecimento do Universo, desenvolvido nos últimos séculos por tantos e tão brilhantes físicos, desempenhará um papel fundamental.

Professor do IST e director do INESC

TÓPICOS

OPINIÃO  FÍSICA  FUSÃO NUCLEAR  SOL  FRANÇA  PORTUGAL

COMENTÁRIOS

Jonas Almeida INFLUENTE: Talvez de todas as tecnologias em que presentemente se investe intensivamente, aquela que mais problemas resolveria a este século. Parabéns ao IST pela contribuição!

jofabianito.937913mINICIANTE: "Quando estiver a funcionar em pleno, daqui a mais de uma década". Pois, continuam cristalizados na futurologia, confirma-se mais uma vez que o ser humano é completamente carecido, carece de uma psique imaginária para sobreviver. "evoluíram de forma especialmente marcante durante o século XX". "Evoluíram" tanto que cada vez mais há menos consenso, há mais discórdia e mais incongruência na comunidade científica. A ciência quis ocupar o lugar de uma divindade sem qualquer aptidão natural para o Ser.

 


A tal cultura


Digo, do ódio. Está bem presente nos comentários – oportunistas – da maioria dos comentadores, decididamente afeitos ao preconceito actualmente em uso, do “tudo pela solidariedade racial, nada contra essa”. Não importam os outros crimes de que trata António Barreto – parricídios, filicídios, infanticídios, assassinatos – além das deformações sociais implicando perversões de ordem vária – que definem a nossa sociedade – o que está a dar é mesmo essa da questão racial, que põe em destaque, essencialmente, a tendência acusatória dos falsos beneméritos dos tristes povos-alvo do racismo. Não importa que seja um texto lúcido de alguém que analisa dois parâmetros da questão: Há racismo e racistas em Portugal. Portugal não é um país racista. Os verbos haver e ser naturalmente de semântica divergente e em oposta lógica de afirmação e negação. A maioria dos comentadores ataca e desvirtua a argumentação de António Barreto, ardilosamente indiferentes a esse facto, mas não indiferentes à sua superioridade de pensamento e de expressão, provocadora de reacções alérgicas, de que o tal racismo é apenas pretexto.


OPINIÃO: Crime e preconceito

Há racismo em Portugal? Com certeza. Há racistas em Portugal? Evidentemente. Portugal é um país racista? Não, nem faz sentido tal observação. Na legislação, nos tribunais, nos sistemas de saúde e educação, em nenhum dispositivo legal há conteúdos racistas e de segregação racial objectiva. Mais: a legislação e a Constituição proíbem as manifestações de racismo. São estas considerações que permitem dizer que “Portugal não é um país racista”.

ANTÓNIO BARRETO

PÚBLICO, 2 de Agosto de 2020

É provável que o assassino de Bruno Candé tenha agido também com preconceitos racistas. Se assim for, é de esperar que o tema seja esclarecido, que todos possam debater o assunto e que, se as houver, seja possível retirar lições para ver o que se pode fazer a fim de diminuir este género de crime.

Tenhamos consciência de que o crime também pode resultar de uma rixa de bairro, na qual se poderão eventualmente detectar várias responsabilidades, mesmo se as do assassino são sempre mil vezes mais culposas do que as da vítima. Entre a briga de vizinhos e o preconceito racial, há uma gama de variedades possíveis que expliquem o que se passou.

Além disso, é necessário ter em consideração que o crime com conotações raciais não é o pior, nem excepcional. O assassinato da mulher pelo marido ou de mulheres por predadores sexuais não é menos grave, com atenuantes possíveis. O assassinato de crianças pelos pais, parentes ou “tarados” também não é de menor relevo. O assassinato de idosos por sadismo ou cupidez não é mais brando do que qualquer outro acima referido. O assassinato de trabalhadores nos seus postos de trabalho ou de comerciantes nas suas lojas (como se tem visto, com alguma frequência, com portugueses residentes na Venezuela, no Brasil, na África do Sul ou em Moçambique) não pode ser considerado como crime maior só pelo facto de as vítimas serem nossos compatriotas, nem menor por se tratar de brancos em terras de cores.

Todos estes crimes são detestáveis e deveriam ser castigados com severidade, sem considerações de comiseração de contexto, segundo as quais há tolerância por causa do estatuto social, da educação e das condições de habitação. Estes crimes, com ou sem preconceito, com ou sem condições de contexto, devem ser julgados por si. Sem atenuantes.

Os crimes raciais, categoria em que o de Moscavide poderia incluir-se, não devem ser considerados mais odiosos do que os outros. Nem o contrário. Há países e sociedades nos quais matar alguém da minoria (negro, asiático, cigano, hispano, branco, índio…) merece pouca atenção. Períodos houve na história europeia e americana, por exemplo, em que a morte de um branco às mãos de um negro ou de um cigano era crime horrendo, mas o assassinato de um negro ou de um cigano por brancos era já crime de menor importância, a merecer a análise das circunstâncias atenuantes. Hoje, vivemos a situação inversa.

É certamente uma das perversões causadas pelo preconceito, aquela que sugere que a condição social ou racial do criminoso, assim como a da vítima, definem graus de culpa variáveis. Os crimes com evidentes implicações racistas (foram vários nos últimos anos em Portugal) suscitaram justificadas emoções, o que é compreensível. Mas não se pode aceitar que esses crimes sejam piores do que os outros, os que não têm implicações raciais e têm razões económicas, sociais, sexuais e religiosas. Como não é aceitável que a identidade das vítimas ou dos criminosos só seja revelada segundo as conveniências.

O que se passou recentemente, no mundo inteiro, com o assassinato de George Floyd por um polícia americano, comoveu a opinião pública e os movimentos de protesto espalharam-se em poucos dias a dezenas de países. Foi certamente um dos momentos em que o contágio por solidariedade se fez mais rapidamente e a mais locais do mundo. Em certo sentido, quem se preocupa com a decência nas relações humanas sentiu com emoção esta espécie de “onda de solidariedade” que atravessou o planeta.

O problema é que a solidariedade é muitas vezes selectiva: a naturalidade, a raça e a crença da vítima e do perpetrador influenciam o julgamento, a solidariedade e as consequências judiciais. Na história recente, é sabido que, na Europa e nos Estados Unidos, os crimes cometidos pelas polícias foram primeiro objecto de condescendência, para serem agora considerados com especial ferocidade. Enquanto os crimes cometidos por africanos começaram por ser muito severamente condenados, para agora serem “compreendidos”. Também faz parte da história recente o tratamento diferenciado dos ricos e dos pobres perante crimes patrimoniais: os roubos de umas dezenas de euros ou dólares, castigados com anos de prisão, contrastam com os assaltos de milhões transformados em perdas ou erros justificados.

A solidariedade e a indignação selectivas são hoje moeda corrente, mas representam sempre um grau muito baixo da moral colectiva.

Em Portugal, vivemos dias particularmente sensíveis. Por razões justificadas, movimentos de minorias têm vindo a organizar a sua actividade na defesa de interesses e na afirmação de cidadania. Por razões de oportunismo, alguns movimentos e forças políticas entenderam explorar todas as situações em que possam enxertar a indignação e a solidariedade selectivas. Assim é que se tenta exacerbar a questão do racismo em Portugal, em polémica quase sempre destituída de razão.

O problema tem sentido. Mas a polémica é inútil e artificial. Há racismo em Portugal? Com certeza. Há racistas em Portugal? Evidentemente. Portugal é um país racista? Não, nem faz sentido tal observação. Na legislação, nos tribunais, nos sistemas de saúde e educação, em nenhum dispositivo legal há conteúdos racistas e de segregação racial objectiva. Mais: a legislação e a Constituição proíbem as manifestações de racismo. São estas considerações que permitem dizer que “Portugal não é um país racista”, o que parece ferir as sensibilidades de alguns políticos, mas também que as designações de “racismo estrutural” e “racismo sistémico” são meros divertimentos semióticos de quem quer alimentar uma disciplina na sua faculdade.

O mundo contemporâneo tem de aprender a tratar do problema do racismo. É uma das suas grandes chagas. Racismos de todas as cores e com implicações sociais, culturais, políticas e económicas. Racismos em todos os continentes, entre etnias diferentes ou contra as minorias. Certos países são racistas, enquanto em outros há racismos, diferenças evidentes, mas que não interessam aos agitadores de ocasião. Em praticamente todos os países que adquiriram a independência depois da Segunda Guerra, surgiram, por vezes violentamente, fenómenos de racismo contra grupos locais, contra antigos colonos e contra vizinhos rivais. Nenhum continente está hoje livre de racismo. Um mundo mais decente é um mundo com menos racismo, mais integração e mais igualdade de oportunidades. E com menos pessoas apostadas em exacerbar os racismos por oportunismo político.

Sociólogo

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COMENTÁRIOS:

blablazada INICIANTE: O raciocínio do articulista é igual do sr ventura, ambos afirmam o mesmo: - Portugal não é um país racista. Quanto ao sr ventura aquela afirmação advém do seu amor à camisola e dali não se espera nada. Já quanto ao sr barreto a afirmação só pode derivar do trabalho de campo que como sociólogo terá feito para essa mesma conclusão. Mas não...afinal não faz aqui nenhuma referência a qualquer trabalho, o que seria fundamental para a sustentar. Ora o que se conhece aponta no sentido oposto. A ESS promoveu um inquérito (Público de 27/06) em que conclui que 62% dos portugueses manifestam racismo + quem discorda de todas as crenças racistas representa apenas 11% da população.

francisco cruz EXPERIENTE: Senhor Barreto, reforme a sua visão do mundo. Sim Portugal é racista, xenófobo, misógino e por aí adiante. Portugal e o resto das sociedades "plantadas" neste Planeta Azul. Sim, inclusivamente África também é racista. Contudo, os bebés que nascem em Portugal e no resto do mundo, quando nascem, seguramente não gritam: pretos cuidem-se eu sou um supremacista branco, venho ao mundo para vos rebentar o couro. Os preconceitos não são inatos, são adquiridos e alimentados pelas crianças onde o ambiente é propício. Família preconceituosa transmite preconceito a seus filhos. A Humanidade precisa de um sistema de ensino onde nas escolas se contrarie de modo inteligente esta realidade vergonhosa. Conhecimento, Educação e Cultura inovadoras que contrarie a prática lambe-botas ao Mainstream.

manuelserra72 EXPERIENTE: Não percam muito tempo com comentários, porque o técnico "afinador" da liberdade de expressão deve estar de folga. Amanha faz a "limpeza" e apaga tudo.

Daniel A. Seabra INICIANTE: São estas considerações que permitem dizer que “Portugal não é um país racista”, o que parece ferir as sensibilidades de alguns políticos, mas também que as designações de “racismo estrutural” e “racismo sistémico” são meros divertimentos semióticos de quem quer alimentar uma disciplina na sua faculdade. Um sociólogo como António Barreto tem a obrigação de conhecer os estudos do Prof. Jorge Vala sobre racismo. Tem também a obrigação - até pelo que escreve neste texto - de saber que as estruturas sociais se reproduzem através de práticas quotidianas concretas. E isso é patente nas representações sociais, no acesso ao trabalho, no acesso à habitação e outras esferas da vida social. Não chega o plano formal da legislação. Um texto absolutamente lamentável.

Jose EXPERIENTE: Ana Antonio o racismo é uma das muitas desigualdades sociais. Como todas as desigualdades sociais tem origem na exploração de uns por outros. A erradicação, na sociedade, da desigualdade material dos seus membros é condição "sine qua non" para erradicar todas as desigualdades. A prioridade da luta dos povos consiste em lutar pelo estabelecimento da igualdade material.

joorge INICIANTE: Confunde-se lei com barbaridades individuais. Felizmente vivemos num país onde se pode, escudados pela lei, levar a tribunal cidadão ou força da lei que nos ataque ou ofenda. Está é a fronteira -radical - entre civilização e selvajaria. Maus funcionamentos de tribunais ou juizes não invalidam esta realidade.

Fowler FowlerINICIANTE: É o preconceito que leva, muitas vezes, ao crime, e dificilmente ocorre o contrário. Aconteceu, mais uma vez, nos subúrbios onde comunidades de pretos, brancos e ciganos partilham a pobreza, o racismo e o preconceito. Que diria agora João Panasco desta fatalidade em solo luso?

Lourenço INFLUENTE: Enfim algum contraditório a essas teorias identitárias importadas do mundo anglo saxônico e que tão prejudiciais se têm revelado ao fazer exatamente o contrário do que promovem agravando o racismo e os conflitos sociais ao invés de os atenuar.

Bom dia, Lisboa! INFLUENTE: [2a. tentativa] Agradecia ao Público me deixasse publicar o comentário que se segue. Tentei enviá-lo há pouco, mas via-se que havia uma reticência do jornal em deixá-lo passar. Por favor, sejam calmos, lúcidos, e não impinjam subserviências injustificadas aos seus leitores-assinantes-comentadores. Toda a gente sabe que António Barreto é uma personalidade em Portugal, mas se escreve deve poder ser sujeito ao escrutínio de quem o lê. Obrigado. Bem, é o seguinte, e é simples: Penso que devemos varrer prioritariamente as imundícies que encharcam hoje e aqui a nossa própria porta, deixando para os outros a responsabilidade de varrerem as deles. Relativizar de mais é como querer afogar o peixe na água. Ora, tal é aqui impossível, pois houve morte bárbara de homem negro por ser negro. Não dá.

J Paez INICIANTE Tanta parra e pouco sumo!

rafael.guerra EXPERIENTE: Os racistas que pululam por aqui, nunca sentiram na pele o que é a discriminação. Perguntem aos emigrantes que andam lá fora a lutar pela vida. Para muitos chauvinistas como os Brexiteers mais duros os portugueses são os negros do sul ou árabes do norte, mamões e calões, raça inferior e cultura menor, inúteis bronzeados dum país onde as mulheres têm bigode. Somos todos os negros de alguém, mas o racista nacional consola-se como pode.

joorge INICIANTE: Há racistas em Portugal? Claro que há! Gente estupida e animalesca há em toda a parte. Mas vão até aos liceus portugueses e vejam miúdas brancas agarradas aos beijos a miúdos negros e vice-versa. Agora experimentem ir até aos liceus do Mississipi. É esta a diferença. Se desmentirem, mentem. Já vi. Parecem planetas diferentes.

StormfrontXXI.935151 INICIANTE: Organizações e partidos que vêm à praça pública dar sentenças e pedir justiça antes sequer da investigação ter começado, peças jornalísticas onde já se definiu a narrativa do evento e se fala de um racismo estrutural que não existe em nenhuma lei, delegações estrangeiras de visita, pedidos de subsídio vitalício, manifestações organizadas por influencers com menos de 5 mil seguidores, manifestações onde se lê ''parem de nos matar''... o que é preciso neste momento é calma e racionalidade.

joorge INICIANTE: Este, é claro, está a falar da PSP, que antes de investigar se põe a lançar bitaites.

cidadania 123 INICIANTE: Joorge, a psp não investiga estes crimes, mas como primeira autoridade faz o auto e recolhe testemunhos. E com base nos mesmos disse que não havia indicações de racismo. Vale o que vale nessa fase, mas sempre vale mais que as afirmações incendiárias de políticos e outros que nada sabem, exceto o que precisam para a sua causa: homem negro morto por homem branco.

José Almeida INICIANTE: Há um "truque" neste artigo: Portugal não é um País racista no tocante às suas instituições, é verdade, mas há cada vez mais gente racista a coberto dessas mesmas instituições e esse é o problema. Um problema social, de má formação moral e humanista que se entranha e prolifera.

Colete Amarelo EXPERIENTE: Consideremos também as almas dos outros.

Jorge Manuel da Rocha Barreira INICIANTE: Dr. António Barreto. A sua homilia sobre o racismo em Portugal deixou-me perplexo. O sr. diz que Portugal não é um país racista, é a sua opinião que não é minimamente sustentada. É triste que , como sociólogo e portanto estudioso da mentalidade das pessoas e da forma como elas atuam em sociedades tribais, não tenha o discernimento de analisar esta caso nesse enquadramento. Lamento e fico totalmente desiludido.

Bolsominion #2710.881784 EXPERIENTE: Já não lia sofisma desta qualidade há muito tempo. Há racismo em Portugal, ok, há racistas em Portugal, claro, mas Portugal não é um país racista, portanto está tratado. O que é um país racista? É quando as linhas no mapa-mundo são racistas? Alguém arranja países sorridentes, ou países tristes? Um homem escuta "Preto, vai para a tua terra" antes de ser assassinado na rua e temos tugas neste jornal a jurar a pés juntos que isto não é racista, mas ficamos a saber que Portugal não é racista, ufa, isto é um alívio.

StormfrontXXI.935151 INICIANTE: Exemplos de países racistas no passado: EUA sob Jim Crow, Australia sob White Australia Policy, África do Sul sob Apartheid. Exemplos modernos: Libéria, Malásia, Um insulto de cariz racista num meio duma discussão não é suficiente para caracterizar uma pessoa de racista, do mesmo modo que não seria suficiente acusar o suspeito de odiar obesos se Bruno Candé tivesse uns quilinhos e tivesse sido insultado por isso. Temos o perfil do suspeito? Se era tão racista, há mais comportamentos e crimes no seu passado? Era membro de organizações racistas? Frequentava sites e/ou postava comentários de ódio racial?

Rita_Laranjeira INICIANTE. Se ler outra vez e fizer um esforço por raciocinar talvez chegue lá.

bertholdalfredkleineidam.935770 INICIANTE: Bolsominion: totalmente de acordo consigo. De que serve termos uma Constituição pluralista, se continuamos a não aplicar as leis da mesma? Sim, somos sim um país racista. No emprego, arrendamento, educação...mais? Também herança Salazarista, da qual dificilmente nos livramos. Apesar de termos dado novos mundos ao mundo, apesar de todas as nossas invenções técnicas de navegação, ...apesar do orgulho? Somos. Não é problema exclusivamente nosso como sabemos, mas enquanto não chamarmos os problemas pelos nomes, não haverá , pelo menos, um início da discussão colonial, que no fundo nunca tomou lugar. Preconceitos são frustrações, desilusões, mágoas. Emoções por resolver. Entre todos os lados. Estamos ainda e só a colocar o dedo na ferida. O trabalho maior está por vir. As Nova gerações.

cidadania 123 INICIANTE: Quer saber o que é um país racista? Saia de Portugal. Vá a Luanda, onde por ser branco, há 5 anos me cobravam o dobro no restaurante, 4x mais na renda, e ninguém se importava ou reclamava, pois "roubar o branco" é sinal de esperteza. Mas também em Portugal existe racismo. O meu filho ia com colegas de equipa no Halloween, e um grupo de negros assaltou todos do grupo, todos menos os "manos ", os negros da equipa não foram assaltados. Sabem que existem escravos portugueses? Quem os escravizou? Alguém faz manifestações contra a escravatura? Sim, a praticada há 200 anos pelos portugueses brancos, porque a dos tempos actuais não interessa falar dela porque não são brancos a praticá-la. Sim existe racismo e deve ser combatido. mas com estas incongruências admiram-se do crescimento dos extremismos...

jorge morais INICIANTE: Realmente há diferenças muito difíceis de encontrar. Esta, apesar de ser de nível 1, mesmo assim é tem muita dificuldade para certas pessoas. Mas esteja descansado que não é o único.

Bolsominion #2710.881784 EXPERIENTE: "Quer saber o que é um país racista? Saia de Portugal. Vá a Luanda, onde por ser branco, há 5 anos me cobravam o dobro no restaurante" - Sabes que fazemos isto aos ingleses em Lisboa, certo? Será que é racismo contra ingleses, ou apanharam-te por seres turista? Fica o exercício para pensar. Quanto aos outros países não estou muito interessado: moro em Portugal. "Se era tão racista, há mais comportamentos e crimes no seu passado? Era membro de organizações racistas? " - Isto é suposto ser um argumento com pés e cabeça? Só é racista a partir do segundo crime racista, e só é racista se estiver a abanar uma bandeira com uma suástica durante o crime, e também precisa de um cartão na carteira a dizer "sou racista". Dizer "Preto volta para a tua terra" não chega? Será alguma saudação portuguesa que eu não conheço?

desene01 INICIANTE: Parabéns! Poucos vezes vi um texto tão claro isento de preconceitos como esse. O autor faz análise de forma objectiva, sem fazer proselitismo político e sem ser "politicamente correto" (hipocrisia que domina o mundo hoje)

André R. Peixoto INICIANTE: Um país se resume ao seu conjunto de leis ou a como seus cidadãos as empregam? Se a existência de leis severas indicarem por si só a qualidade de uma nação, não precisaríamos nos preocupar com muita coisa. O problema então é a actuação dos cidadãos ao arrepio destas leis todas e em como o sistema pode normalizá-la em alguns casos específicos, como ocorre tanto no caso do racismo. O fato de existir uma legislação perfeita não impede que a sociedade normalize ou continue a normalizar certas infracções e comportamentos ilegais e eu entendo ser isso o que acontece no tocante ao racismo. A legislação pode não ser racista, mas o sistema que a aplica (nós cidadãos todos) o é. Não creio que devamos nos envergonhar de admitir o racismo que há em nós, mas sim, em negar a realidade que já é tão explícita.

nunos INICIANTE: A última parte do seu texto melífluo, parece conversa de campo de reeducação na China. Vocês bem tentam lavar a cabeça das pessoas, mas não conseguem.

 


domingo, 2 de agosto de 2020

Viagenzinha pela Net

Apenas para localizar - à vol d’oiseau - as questões postas por José Milhazes e seus comentadores:

Bielorrússia

Frontispício, na Internet, (sem mapa nem bandeira):

País na Europa

Descrição

Belarus, país do Leste Europeu sem saída para o mar, é uma nação conhecida por sua arquitectura stalinista, pelas grandes fortificações e pelas florestas primordiais. Na capital moderna, Minsk, a monumental sede da KGB se destaca na Praça da Independência, enquanto o Museu da Grande Guerra Patriótica relembra a participação do país na Segunda Guerra Mundial. A capital abriga também muitas igrejas, como a dos Santos Simão e Helena, de estilo neo-românico.

Presidente: Aleksandr Lukashenko Tendência

Capital: Minsk

População: 9,485 milhões (2018) Banco Mundial

Moeda: rublo bielorrusso

Línguas oficiais: Língua bielorrussa, Língua russa

 

Será que o ditador Lukachenko conseguirá o seu sexto mandato? /premium

Lukachenko tem conseguido sobreviver politicamente graças à demagogia social interna e à “ginástica” entre a Rússia e o Ocidente, mas o povo está cada vez mais cansado de viver num país estagnado.

JOSÉ MILHAZES

OBSERVADOR25 25 jul 2020

Os milhares de milhões de euros da União Europa, a contratação de Jorge Jesus pelo Benfica e os saltos televisivos de “Cristina Ferreira” são temas bem mais “relevantes” do que a existência de uma longa ditadura de 25 anos na Bielorrússia que se poderá prolongar, no mínimo, por ainda mais quatro anos.

Todavia, arrisco-me a chamar a atenção para as eleições presidenciais marcadas para 9 de Agosto pelo ditador bielorrusso Alexandre Lukachenko. Isto porque, entre outras razões, a Bielorrússia se situa no coração do continente europeu, entre a Rússia e a União Europeia, e tem uma importância geostratégica semelhante à da Ucrânia. Além do mais, é um importante corredor de ligação comercial entre a UE e Moscovo.

Alexandre Lukachenko aposta tudo na conquista do seu sexto mandato consecutivo, não olhando a meios para vencer. Não nos devemos esquecer que estamos perante um político que não esconde a sua simpatia por ditadores como Adolfo Hitler, Vladimir Lenine ou José Estaline.

Numa entrevista ao jornal de negócios alemão “Handelsblatt” de 23 de Novembro de 1996, ele declarou: “Acredite, a história da Alemanha é, em certa medida, uma cópia da história da Bielorrússia em determinadas etapas. A dada altura, a Alemanha foi levantada das ruínas graças a um poder muito duro imposto por Adolfo Hitler… A ordem alemã formou-se durante séculos, com Hitler essa formação atingiu o ponto mais alto. É isso que corresponde à nossa compreensão de república presidencial e do papel do presidente nela. Hitler criou uma poderosa Alemanha graças a um poder presidencial forte… A Alemanha levantou-se graças ao facto de toda a nação se ter consolidado e unido em torno de um líder forte”.

Em relação aos dirigentes soviéticos, a sua opinião é a seguinte: “Claro que eu tenho uma opinião um tanto ou quanto diferente da sociedade russa quanto a Estaline e Lenine… Foram nossos dirigentes. Lenine criou o Estado, Estaline reforçou-o”.

Nas eleições anteriores ele vencia não só devido à repressão da oposição e à falsificação dos votos, mas também graças a uma política de aparente estabilidade e de demagogia social, em parte financiada pelos negócios com o petróleo e gás russos.

Muitos dos eleitores que apoiavam a economia socialista e paternalista do dirigente bielorrusso esperavam que o “batka” (“paizinho”) repetisse no país uma “modernização autoritária” como as que ocorreram em países como Singapura ou a Coreia do Sul.

No entanto, o país continua a ver-se perante graves desafios. A Bielorrússia enfrenta a mais grave crise económica dos últimos 25 anos e as organizações internacionais prevêem que, durante este ano, a queda do PIB seja de 4-5%.

Isto não se deve apenas à Covid-19, pois Lukachenko olhou sempre para a pandemia no seu país como Bolsonaro no Brasil ou Trump nos Estados Unidos, mas também às discussões com a Rússia sobre o preço do petróleo russo importado e ao facto de, nos últimos dez anos, a economia bielorrussa não conhecer crescimento.

Além do mais, a situação de estagnação e de falta de reformas é tal que ele conseguiu fazer com que parte da elite económica e financeira apresentasse os seus candidatos ao cargo de Presidente: Valeri Tzepkalo, antigo embaixador da Bielorrússia nos Estados Unidos e ex-director do Parque de Altas Tecnologias (o equivalente ao Silicon Valley) e Victor Babariko, gerente do banco Belgazprombank, um dos maiores do país, durante vinte anos.

A política de Lukachenko face à pandemia da Covid-19 foi a gota de água que fez transbordar a taça da insatisfação da população face ao poder que não se cansa de afirmar que o principal é o cuidado com as pessoas. O Presidente bielorrusso recusou-se a impor quarentena desvalorizando a pandemia e as suas consequências.

Outro sério candidato da oposição era o conhecido blogger Serguei Tikhonovski.

A resposta de Lukachenko não se fez esperar: foram abertos rapidamente processos-crime contra os candidatos, tendo Babariko e Tikhonovski sido detidos, enquanto que Tzepkalo conseguiu refugiar-se em Moscovo ao saber que também iria ser detido. Todos os três foram excluídos da luta eleitoral.

A oposição contra-atacou conseguindo registar, à última hora, Svetlana Tikhonovskaia, esposa de Serguei, como candidata ao cargo de Presidente. Tzepkalo e Babariko apelaram aos seus apoiantes que votem nela.

Lukachenko, por sua vez, comentou que a Constituição do país não é feita “para as mulheres”, pois a presidência é um “fardo demasiadamente pesado para elas”.

No que diz respeito a sondagens, foi proibida a sua publicação depois de um dos estudos dar uma popularidade a Lukachenko de apenas 3%.

Lukachenko não achou que a pandemia exigisse a imposição de quarentena ou outras medidas especiais, mas a Comissão Eleitoral da Bielorrússia, alegando os perigos criados pela Covid-19, decidiu que em cada secção de voto só poderão estar presentes até cinco observadores. O ditador já ameaçou expulsar os jornais estrangeiros que tentam “desestabilizar” a situação no país.

No plano internacional, o dirigente bielorrusso tenta desenvolver uma “política de amizade” com o Ocidente e a Rússia, passando por ser uma espécie de ponte entre eles, mas, na realidade, arrisca-se a entrar numa nova posição geopolítica arriscada, na deterioração das relações com ambas as partes. Lukachenko acusa os “fantoches russos” (Tzepkalo, Babariko e Tikhonovski) de ingerência, mas são a União Europeia e os Estados Unidos que criticam o ditador pelas detenções. O Kremlin limita-se a negar qualquer ingerência.

Porém, verdade seja dita, Vladimir Putin está farto do político que tenta travar a hegemonia russa na União Eurasiática. Lukachenko quer combustíveis a preços internos russos, mas Putin responde que isso só será possível quando existirem um orçamento e sistema fiscal únicos, um nível mais alto de integração. O dirigente bielorrusso, porém, receia ser absorvido pela Rússia.

A situação está tão tensa que Minsk prefere ir pedir dinheiro emprestado ao Fundo Monetário Internacional ou até à China do que a Moscovo.

Quanto às relações de Minsk com Bruxelas e Washington, temos assistido a uma atitude mais pragmática nos últimos anos da parte do Ocidente, as sanções contra o regime foram abrandadas, pois receiam atirar Lukachenko para os braços de Vladimir Putin, e o ditador sabe isso.

No entanto, quando forem anunciados os resultados de 80% a favor de Lukachenko, muitos bielorrussos sairão às ruas para protestar contra mais uma falsificação eleitoral e em maior quantidade do que em escrutínios anteriores e, se a resposta for a repressão violenta e os presos políticos, então a EU e os Estados Unidos ver-se-ão obrigados a protestar e tomar medidas para isolar Lukachenko.

Porém, caso o ditador não consiga travar a onda de protestos, certamente que se virará para Putin em busca de apoio à custa de grandes cedências. Para o Kremlin, a Bielorrússia faz parte da sua zona exclusiva de influência e não está disposto a deixar um desenvolvimento igual ao que conheceu a Ucrânia em 2014.

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COMENTÁRIOS:

Euro de Eos: É engraçado como Putin, cujos valores morais estão mais próximos da direita do que o governo da UE, é odiado pela direita.

Carlos Vinagre: José Milhazes, perdoe-me desde já estas duas perguntas, talvez de âmbito mais pessoal... Visitou Belarus recentemente? Quando é que lá esteve pela última vez?

Hugo Gonçalves: Segundo a Wikipedia, q vale o q vale, a Bielorrússia é um país bastante desenvolvido. Ñ desculpa algum tipo de ditadura, mas mostra dados positivos.

José MilhazesAUTOR > Hugo Gonçalves: Se a estagnação económica, social e política é um dado positivo, então a Bielorrússia está bem. Se calhar, os protestos vêm daqueles que querem sempre mais, ingratos!

William Smith: Faz cá falta o Portuguese Man. O que é que ele irá inventar para poder implicar com JM? Hoje não está fácil, mas o Man, neste capítulo, é duma criatividade inexcedível.

Vitor Fonseca: Será que conhecem Belarus? Lukaschenko conhecem? Comunismo de extremas conhecem? Parece que não. Aqui sempre se jogou nos dois lados. Agradar a Putin quando as coisas na UE não estavam e vice versa, só que o país estagnou no tempo, muitos anos sem crescimento, com o Czar a mandar e a ver seu filho para o futuro. Agora as pessoas ficam cansadas de tanta perseguição, tortura, prisão , submissão . De toda a maneira, o Czar já enviou o exército para a rua, meteu presos os discordantes e prepara-se, como sempre para falsificar as eleições como um bom Comunista

Adelino Lopes: Nós sabemos que para os Russos, o limite do imperialismo é o Atlântico. Nas actuais circunstâncias, o acesso por terra a Kaliningrado depende de pelo menos 2 países. Os Bálticos odeiam os Russos. Os Polacos também. Se os Bielorussos também odiarem os Russos, esse acesso ficará muito mais condicionado. Daí que os Russos devam ter muito cuidado com a questão Bielorussa. Mas, mais uma vez, a Europa anda a ver passar navios. E volto à minha teoria: onde estará a fronteira entre a Rússia e o Ocidente? Onde os povos quiserem. Ou seja: se no ocidente (países bálticos, Polónia e Ucrânia) se viver melhor, os bielorussos irão voltar-se para ocidente e colocar a fronteira nas costas. Tal como aconteceu com os ex-países do Leste. Agora, se a Europa andar a gastar as reservas com pedintes….

José MilhazesAUTOR > Adelino Lopes: Assino por baixo.

Aguia tricefala > Adelino Lopes: Caro Adelino, penso que não leu o artigo... "Nós sabemos que para os Russos, o limite do imperialismo é o Atlântico." E para os EUA qual o limite do imperialismo? Ou será que o caro Adelino entende que há um imperialismo "bom" e um imperialismo "mau"? Penso que tem uma visão muito distorcida e ingénua do papel da "Europa" na Europa (ou não sabe que a Rússia também é Europa?). Será que já se interessou em conhecer a influência dos EUA nos países bálticos? Penso que o seu comentário não passa de um conjunto de "wishful thinkings". Ainda bem que o caro não ocupa nenhum lugar diplomático relevante... 

José Milhazes AUTOR > Aguia tricefala: Mas o Adelino Lopes falou dos EUA? Estamos a falar da Rússia e da UE.

Adelino Lopes > Aguia tricefala: Li o artigo. E como compreendo as pessoas que não gostam de quem não siga aquela narrativa! E desatam a colocar adjectivos. Tristeza, é o que é. Admite a democracia, só isso. Democraticamente, na minha opinião, o imperialismo é mau se for imposto à força. Será bom se os povos aceitarem. Mas deixa os povos decidirem. Até podem querer um mau imperialismo. Se for democraticamente …. Tudo bem. Não queiras impor a tua visão, porque isso é aquilo que os radicais não prescindem de fazer.

William Smith > Adelino Lopes: "onde estará a fronteira entre a Rússia e o Ocidente?" Que raio! Eu só conheço da Rússia S. Petersburgo, que não é propriamente uma cidadezinha qualquer. Mas espanta-me que parece não passar pela cabeça de ninguém que é muito mais fácil integrar os russos na UE do que, por exemplo, andar a tentá-lo com os turcos, ou o Kosovo ou a Albânia que, pelo menos culturalmente, não têm nada a ver connosco.

Kildare Aleksander > José Milhazes: Belarus foi uma criação dos comunistas, pois não existia esse país antes de Lenin.

Aguia tricefala > Adelino Lopes: "Até podem querer um mau imperialismo. Se for democraticamente... Tudo bem". Caro Adelino, confirmo que viverá noutro mundo, não neste. Presume-se que o imperialismo mau será o norte-americano. Será que se está a referir à resistência de Salazar ao imperialismo norte-americano? Pensará o caro: pois, não havia democracia, se houvesse, o imperialismo norte-americano teria vencido. Mas acabou por vencer com a inevitabilidade do Plano Marshall: o mau imperialismo norte-americano não quer saber de democracia para nada, basta aproveitar as fraquezas dos países. Aconselho a procurar informar-se sobre a "influência" que os EUA estão a fazer sobre a Dinamarca na questão do Nord Stream 2 - que vai prejudicar, e muito, a Alemanha. Aguardo para ver como se encaixa aqui essa teoria do "imperialismo"...