segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Bem se diz


Que “Águas passadas não movem moinhos”, ou “O que lá vai, lá vai”. Hitler figura nos espaços televisivos, ou nos compêndios de História, sem esquecer o proveito que dele fazem os Putins para justificar as suas guerras “à Hitler”, embora desta vez com os drones de longo alcance e os ares de hipócrita compostura putiniana, em contraste com a expressão de permanente e altiva irritabilidade do fácies e voz hitlerianos. Não, não parece que a Alemanha alguma vez possa andar “à deriva”, sérios e seguros de si que são os Alemães, e menos ainda em face de um Trump de poderio e alarido vistosos e um tanto risíveis, mau grado os ameaços de violências próximas, inesperadas e absurdas. Mas tudo pode acontecer, pois já está acontecendo, no mundo de ambição e vilania… e distracção também.

Como ajudar a destruir o mundo que conhecemos

Ao mencionar a culpa alemã como colectiva, Musk não reabre apenas feridas. Retira a ligação da América à Alemanha do pós-guerra. E o pior que pode acontecer à Europa é uma Alemanha à deriva.

 ANDRÉ ABRANTES AMARAL Colunista do Observador

OBSERVADOR, 02 fev. 2025, 00:2018

Por uma coincidência dos diabos aconteceu-me estar a ler a autobiografia de Simone Veil, ‘Une vie’ no dia em que se assinalaram os 80 anos da libertação de Auschwitz e em que Elon Musk afirmou que os alemães deviam esquecer a culpa pelo passado nazi. Se a coincidência foi curiosa, a verdade é que também se tornou útil. Útil, porque Musk parte de um equívoco em que Veil nunca caiu: o da culpa colectiva.

Judia e francesa, Simone Veil foi deportada para Auschwitz, em Março de 1944, e daí retirada para Bergen-Belsen, de onde foi libertada em Abril de 1945. Perdeu o pai, a mãe e o irmão. Da sua família de origem restaram as duas irmãs, Milou e Denise. Regressou a Paris esmagada por uma imensa tristeza, mas isso não a impediu de recuperar a sua vida. Estudou, casou, fez questão de trabalhar para ser financeiramente independente do marido, teve filhos, uma carreira, na magistratura e na política. No seu livro, escrito em 2007, diz não esquecer quem lhe fez mal e lembra quem a ajudou. No mais, esclarece que não generaliza a culpa entre os alemães. Pelo contrário, recorda uma antiga prostituta alemã, responsável pelo sector onde Simone se encontrava e que, sem que esta percebesse porquê a ajudou, mais à sua mãe e irmã, colocando as três numa zona de trabalho mais segura. É extremamente crítica do comportamento dos franceses, por os judeus (inclusive, franceses) terem sido mais mal tratados pelo regime de Vichy que mais tarde o foram pelos italianos, quando estes tomaram o sul de França, entre Nice e Toulon.

Veil chega mesmo a criticar Hannah Arendt e o seu conceito da responsabilidade colectiva e da banalidade do mal. No meio da maldade incompreensível que sofreu, Simone testemunhou e beneficiou da bondade humana, de gestos de quem, sem esperar por qualquer recompensa, se recusou a fazer o mal. Pessoas que resistiram à maldade e, desse modo, destruíram a sua banalização. Ao longo da sua longa vida, Simone Veil nunca culpou os alemães. Propugnou apenas pelo alerta constante ao ódio que nasce e que se alimenta da ignorância, da indiferença, do fechar de olhos à realidade; aos factos. À verdade. Como resultado da sua lucidez, não teve qualquer problema em viver na Alemanha, logo nos anos 50, e entendeu que o futuro da Europa dependia dos acordos entre Paris e Berlim.

A Alemanha actual foi criada com a lucidez de espírito de pessoas como Simone Veil. Mas também com o forte apoio dos EUA. É neste ponto que as afirmações de Elon Musk são relevantes. Musk não se limita a generalizar a culpa que, no seu entender, os alemães devem esquecer. Os efeitos do que disse vão mais longe porque desligam os EUA da Alemanha nascida no pós-guerra. A Alemanha de Adenaeur, de Brandt e de Kohl foi uma Alemanha com um destino construído no seio da Europa porque o acesso ao exterior do continente era garantido por Washington. Basicamente, porque a culpa não foi colectivizada e havia lugar a que se agisse em igualdade e sem necessidade de esquecer o passado.

Musk foi vítima de bullying por parte do pai e dos colegas, pessoas concretas que conheceu e que pode identificar a qualquer hora, ao contrário do que, curiosamente, sucedeu a Simone Veil. No entanto, e no uso que faz da sua rede social, na qual diz o que lhe apetece sem qualquer tipo de filtro e opera, como Anne Applebaum escreve na ‘The Atlantic’, fora do sistema legal, ou pelo menos fora das responsabilidades legais a que se sujeita a imprensa tradicional, não se limita a abrir feridas. Se a maioria dos norte-americanos e dos alemães o escutarem, Berlim terá novamente de se preocupar com o acesso às matérias-primas e a mercados onde possa escoar os seus produtos, conforme há dias tive oportunidade de referir. Se assim for, a saída da Alemanha do centro da Europa não será fruto do ressurgimento da extrema-direita, mas devido ao reposicionamento interno de uma aliança em que cada Estado tem desempenhado o papel que lhe foi incumbido em nome de um equilíbrio que a história levou séculos a nos ensinar como lidar com ele.

ALEMANHA        EUROPA      MUNDO      ELON MUSK      TECNOLOGIA

COMENTÁRIOS (de 18)

Meio Vazio: É abusivo afirmar que o desafio de Musk presume no mesmo a convicção de uma culpa colectiva alemã; convoca, isso sim, um facto: uma quase universal, mas injusta e vexante, responsabilização dos alemães "tout court" pelos crimes do nazismo. Um "pecado original" hetero-imposto que toca qualquer Klaus ou Gretchen, mesmo que recém-nascido. Tome-se como exemplo a facilidade com que se adjectiva de "nazi" qualquer soldado cumprindo o serviço militar obrigatório no III Reich e, em contraponto, a repugnância em apelidar de fascista quem, servindo nas forças armadas portuguesas, combateu (até voluntariamente) em África entre 1961 e 1974 (muitos desses homens, aliás, posteriores "campeões da democracia"). Seja mais perspicaz, senhor Amaral. Ou mais sério.   José Martins de Carvalho: A afirmação de Elon Musk de que os alemães devem esquecer a culpa pelo passado nazi não pode ser interpretada como "os alemães são nazis". E muito menos como detonador de sanções americanas que isolem a Alemanha. É certo que a Alemanha vai perder mercado para os seus magníficos automóveis de combustão interna, e não tem matérias-primas para automóveis eléctricos, nem energia barata. Porém, não é a Elon Musk que deve pedir contas, mas sim aos seus "verdes", por cujas cantigas se deixou levar.                  Lily Lx: Musk tem razão. Os alemães vivem presos à expiação da culpa. Foi por isso que abriram o país a milhões de imigrantes. Está na hora de parar com a culpa e a destruição do país.                Paul C. Rosado: Este texto parece-me falacioso. O que Elon Musk disse está correcto. Não é o Musk que entende que os alemães são colectivamente responsáveis. O que ele diz é que devem deixar de se sentir colectivamente responsáveis. Estar a acusar o Musk de abrir feridas ao "mencionar a culpa alemã", neste contexto, não faz qualquer sentido.                     Futari Gake: AAA, diga logo ao que vem, pois o artigo é um saco de banalidades e de conclusões depois de ler Veil ou de fazer interpretações sobre Musk e a Alemanha. Afinal que mundo quer ajudar a destruir não percebi e "conhecemos" é muita gente. Por mim o caminho seguido pela Alemanha há muitos anos é o caminho do socialismo, como o da UE e das políticas de portas abertas sem controlo que começaram com Merkel e Blair, depois a destruição da indústria pela política energética dos vários governos alemães da CDU e SPD até agora. No momento, ficam apenas as promessas feitas antes de eleições, o caminho para o suicídio da Alemanha está determinado, o depois, logo se verá e não vai ser Musk que irá influir nisso, será a roleta das eleições e o bom-senso de quem as ganhar. Bom-senso do lado do SPD, não existe há muito e da CDU, se verá, se quer uma Alemanha cada vez mais pobre e socialista ou se fecha a porta às políticas impostas pela Agenda 2030.                   José B Dias: Quais as "responsabilidades legais" a que a imprensa tradicional sujeita quem nas suas páginas ou "sites" escreve colunas de opinião? Ou será melhor perguntar a Anne Applebaum cuja opinião dificilmente não foi ou é afectada por ser judia, filha e neta de judeus do antigo Império Russo e casada com um polaco que até foi Ministro das Relações Exteriores? Por exemplo, que limitações , decorrentes do "quadro legal", foram impostas ao aqui cronista pelo jornal Observador que não existiriam se este estivesse a publicar no X como Musk? PS: e sim, já é mais do que tempo de deixar de pensar em nazis e holocausto sempre que a Alemanha é mencionada e fazer os netos continuarem a pagar por acções ou inacções dos seus avós e bisavós.        Por8175: É impossível imaginar até onde é que a gente como AAA consegue ir no seu irracional e faccioso ódio a Trump! Este artigo é um glorioso exemplo de "wokismo" - porque é que o autor não se filia no BE? E porque é que não identifica a sua cor? Isto é que seria transparência, que é impedida pela falta de honestidade intelectual, que se pretende impor aos outros! Lamentável artigo!           Jorge Freitas: Não percebi nada. E parece-me que o autor também não. Os alemães não interiorizaram alguma vez culpa alguma, simplesmente seguiram com a vida como lhes foi possível, e dada a sua proverbial capacidade de fazer o que lhes mandam sem pensar muito, deram-se relativamente bem no campo económico. Os floreados sobre 'a culpa colectiva' foram, nesse processo, muito úteis para dar à Alemanha uma aura de país eticamente especial, que lhes permitiu fazer negócios convenientes com Rússias e Chinas sem grandes sentimentos de culpa, uma vez que já tinham feito aquela mortificação colectiva toda em relação ao passado nazi. Musk tem razão: deixem-se de tretas e passem a ser um país normal (e deixem de se esconder atrás da assunção de responsabilidades passadas para enfrentar a responsabilidade das asneiras que fizeram no presente).

domingo, 2 de fevereiro de 2025

Vale sempre a pena

 

Saber recuar para conceitos adoptados por figuras – justas – do passado, quando os deslumbramentos do presente se revelam opacos. Ou ocos. Ou mesmo falsamente beneméritos. Na realidade, desprezadores da Pátria e da sua História. Por vezes, dos preceitos de honra, mesmo entre os de quem se esperaria a lisura, por via do cargo cimeiro. Lá como cá. JAIME NOGUEIRA PINTO, exemplo de lucidez esclarecedora dos factos e cordelinhos que os unem.

 

O passe de mágica

Com os separatismos de sempre, a má gestão do Estado e da economia e as suspeitas de corrupção a caírem sobre a mulher e o irmão, Sánchez resolveu tirar da cartola o coelho do anti-fascismo.

JAIME NOGUEIRA PINTO Colunista do Observador

OBSERVADOR, 01 fev. 2025, 00:1823

Com problemas sérios por resolver – os separatismos de sempre, a má gestão do Estado e da economia, a que se juntam as suspeitas de corrupção e favoritismo da mulher e do irmão do chefe do governo espanhol – o que fazer? Talvez agitar o fantasma de Franco e do fascismo. Por que não comemorar o cinquentenário da instauração da democracia no cinquentenário da morte do Generalíssimo, em 20 de Novembro de 1975? A transição podia só se ter concretizado com a Lei para a Reforma Política, submetida a Referendo em Dezembro de 1976 e com as eleições de 1977, ou até, mais exactamente, com a aprovação popular da Constituição, em Dezembro de 1978, mas, com a “extrema-direita” a atacar, o fascismo a espreitar e Trump de regresso à Casa Branca, a celebração da democracia tornava-se urgente – e extremamente conveniente.

Nada como agitar o espectro de Franco para salvar a democracia ameaçada, lembrando aos espanhóis os horrores da ditadura e fazendo-os esquecer a presente má gestão e as suspeitas de corrupção pendentes. O facto de Franco estar morto há meio século e de nada nem ninguém ameaçar a democracia espanhola – senão os separatistas catalães e vascos – era irrelevante.

Cátedras e contratos

Com a mulher, Begoña Gomez, acossada pelos tribunais e a dificuldade em conseguir maiorias no Congresso dos Deputados para aprovação do Orçamento, Pedro Sánchez resolveu então tirar da cartola o coelho mágico da memória de Franco e do franquismo.

Entretanto, no Parlamento, a maioria de esquerda do PSOE e do Sumar tratava de calar as perguntas inconvenientes dos dois grandes partidos da oposição – do nacional-conservador Vox e do centro-direitista Partido Popular –, uma delas sobre a renovação da cátedra da Universidade Complutense de Madrid, “Transformación Social Competitiva”, que a mulher do chefe do governo tem vindo a reger há quatro anos. A cadeira tem como objectivo sensibilizar e acompanhar as empresas “no desenho e integração no seu plano de negócios de uma estratégia de impacto social e ambiental, para uma organização mais competitiva e melhor para o planeta”, e não se dirá que dela venha mal ao mundo: o mal vem dos contratos públicos no valor de 15 milhões de Euros adjudicados à Innova Next do empresário Juan Carlos Barrabés, colega de Begoña Gomez na referida cátedra, e dos “indícios objectivos” da intermediação da mulher de Sánchez nas adjudicações.

É neste aperto que Sánchez  apela ao Caudilho. É um velho reflexo da Esquerda peninsular: quando a desgraça é grande e já não há desculpas, nem sequer esfarrapadas, que a justifiquem, evocam-se os papões do passado.

Ir buscar a morte de Franco como ponto de partida para a comemoração da implantação da democracia em Espanha é esquecer que houve um processo de transição que passou pela ascensão à chefia do Estado de Don Juan Carlos I, por determinação testamentária de Franco; uma transição que não foi fácil e onde o Rei instaurado pelo Caudilho teve um papel mediador muito importante; é também esquecer que houve as eleições em 1977 e a Constituição e a sua aprovação popular em 1978. Mas o rigor histórico pode ser um estorvo e em nome da luta contra a “extrema-direita” não se olha a meios.

A Guerra Civil como conspiração militar direitista

A narrativa da Esquerda da Guerra Civil espanhola como uma conspiração militar em nome dos ricos e poderosos contra a maioria do povo espanhol está muito longe da verdade. Franco chegou ao poder depois de uma guerra civil de que as esquerdas tiveram grande parte da responsabilidade. A seguir à vitória eleitoral da Frente Popular, em Fevereiro de 1936, socialistas, anarquistas e comunistas começaram a queimar igrejas, a ocupar propriedades, a assassinar personalidades da Direita. Os falangistas responderam, mas eram uma minoria. Franco, ao tempo considerado um militar profissional, um constitucionalista, só se decidiu pelo Alzamiento em última instância, ou seja, depois do assassinato do líder direitista Calvo Sotelo, detido por um grupo de esquerdistas na sua residência em Madrid e liquidado no decurso de “un paseo”.

A guerra civil foi muito violenta na rectaguarda, sobretudo nas primeiras semanas em que houve, de parte a parte, a liquidação sumária de suspeitos e “inimigos de classe”. Franco venceu e tomou o poder em 1939 e, em trinta e cinco anos de governo autoritário e sem liberdades políticas transformou e desenvolveu a Espanha, criando as condições económico-sociais, nomeadamente uma classe média, para a instauração de uma democracia liberal em regime de monarquia constitucional. Os primeiros anos do novo regime foram assolados pelo terrorismo separatista da ETA e de outras formações de extrema-esquerda, que causaram centenas de vítimas, e por um estranho “golpe militar”, protagonizado pelo tenente-coronel da Guarda Civil, Antonio Tejero Molina, em 23 de Fevereiro de 1981. Trinta anos depois, em 20 de Outubro de 2011, a ETA anunciou, oficialmente, o fim do terrorismo. Com o governo de Jordi Pujol, o separatismo catalão, que sempre privilegiou a luta político-cultural, recorreu, a partir do governo da Catalunha, a uma longa marcha dentro da legalidade. E conseguiu progressos, nomeadamente com a preferência linguística do catalão, duplicando, ao longo dos anos, os partidários da independência.

O anti-franquismo já não é o que era?

Mas o plano de recurso de Sanchez, que teria tudo para dar certo, mobilizando uma frente de esquerda anti-fascista, anti-franquista e anti-populista que distraísse o povo, foi muito mal recebido pela opinião pública espanhola, e até pelos eleitores do PSOE. Segundo um inquérito publicado no passado dia 25 pelo diário ABC, 50% dos inquiridos declararam-se contra a ideia de Sanchez de comemorar da morte de Franco como momento inaugural da democracia espanhola e 30% disseram-se indiferentes. O apoio viria apenas de 14% dos inquiridos. E entre os eleitores do PSOE, só 27% estavam a favor.

ESPANHA      EUROPA      MUNDO

COMENTÁRIOS (de 23)

José Martins de Carvalho: De acordo com todo este artigo, excepto com a afirmação de que nada nem ninguém ameaça a democracia espanhola senão os separatistas. A democracia espanhola já foi torpedeada por Sánchez: mantém-se no poder com votos de separatistas e extremistas comprados com dinheiro do Estado e direitos dos cidadãos; actua unilateralmente como um tirano, pois foi eliminando todos os contrapesos do poder; controla o procurador-geral que tem como um criado às suas ordens, levando-o a ser investigado por um crime no âmbito das suas funções; graças a uma debilidade da constituição, é Sánchez que decide se, e quando, há eleições. Uma democracia assim é a Venezuela da Europa.                 Tim do A: Obrigado por este artigo, JNP. Não sei porque é que em Portugal não se dão notícias sobre Espanha, que é mesmo aqui ao lado. As televisões e os jornais são um zero. JNP tem vinte valores.                    Maria Nunes: Muito bem, JNP. Sánchez não tem escrúpulos. Deita mão a tudo para se manter no poder.             Rui Lima: Os socialistas de 70 e 80 até à queda do muro eram claramente moderados, alinhados com a social-democracia do norte da Europa. Hoje os socialistas do Sul da Europa nada têm a ver com os socialistas do norte, hoje são aliados da extrema-esquerda , são um bando de oportunistas, o espanhol vai buscar Franco, o nosso a imigração vendo que está a perder votos , esta ruptura com os seus valores passados abraçado o extremismo é péssimo para a democracia.                   Lily Lx: Haja vergonha. O Sanchez é um asco.                    Carlos Chaves: O Costa era mau mas este Sanchez parece que o supera, se é que isto é possivel!                         Isabel Amorim: Tão bem contado, como sempre. este periodo da História de Espanha. Sem complicações. Lições que as gentes de esquerda deveriam ler e confirmar. Como preguiçosos e tendenciosos que são não o fazem, uns por oportunismo e muitos por ignorância, falta de curiosidade e que gostam de ser guiados cujas pequenas ambições são umas tainadas dr lutas várias conforme as tendências popularuchas. Pedro Sanchez e o seu Begonho não passa da terrivel realidade de mais um rufia espertalhão ao comando de um país, agindo como um autêntico oligarca novo rico e deslumbradissimo. O sub homem vive no entanto como um acossado em pânico, rodeado de escolta cada vez maior, entrando pelas próprias portas dos fundos em cada evento propagandista para se manter e manter um exército familias e grupos de corruptos que se  estão a fazer na nova boa vidinha. Não vai ser para sempre. Espero vê - los cair um a um, em camara lenta, a tombarem. É uma questão de tempo. Mas ansiosa, claro.                      Maria Emília Ranhada Santos: Sanchez é nada mais nada menos do que um demónio! Quando demónios se apoderam do poder, pobre povo! Só Deus pode por ordem na Espanha! Assim como em Portugal!                    Antonio Santos > Tim do A: Muito simples: porque o governo é de esquerda logo o que haja de mau nem se fala. Fosse o PP e já estavam roucos de tanto gritar. Outra explicação para a sua surpresa é esperar honestidade, competência e ética por parte dos jornalistas               Manuel Magalhaes: É sempre bom ler JNP para se desmistificar e entender como foram e são as coisas… abraço Jaime!!!

 

Um justo, afinal

 

Sacudindo as águas do capote, semeando para colher, na coragem da sua ousadia de ricaço habituado a cortar rente sem complacências, apenas em busca do lucro. Do espectáculo também.

Trump, oVirtuoso

O melhor de Trump é a capacidade de transtornar criaturas que são bem piores que ele.

ALBERTO GONÇALVES Colunista do Observador

OBSERVADOR, 01 fev. 2025, 00:2083

Nos últimos dias não têm faltado imagens de imigrantes ilegais ou com cadastro criminal a ser deportados dos EUA. Os sujeitos em causa estão algemados e acorrentados nos pés, e são enfiados em aviões que os devolvem, suponho, aos países de origem. As imagens mexem com as emoções de indivíduos sugestionáveis, que destacam a crueldade do exercício e concluem que o exercício prova, como se fosse preciso provar, que Trump é mau, que Trump é “fascista”, que Trump é, claro, igual a Hitler.

É engraçado notar que o mesmo se verificava antes de Trump, excepto as indignações e as comparações a Hitler. Com George W. Bush pelo meio, os últimos três presidentes democratas, Clinton, Obama e, digamos, Biden, foram pródigos em deportações, mais pródigos do que Trump no primeiro mandato. E tratou-se de deportações realizadas com protocolos de segurança iguaizinhos: algemas, correntes, etc. À época, a situação não pareceu preocupar nadinha a maioria das almas sensíveis que agora se revoltam com a extrema crueldade de Trump. Porquê?

Porque essa gente não se preocupa nadinha com os deportados e as condições da deportação. Essa gente preocupa-se exclusivamente em coleccionar pretextos para condenar Trump, e para isso qualquer pretexto serve – ainda que atropele a coerência e revele uma espectacular hipocrisia. Se Obama ou Biden diziam “Bom dia!” (e no caso de Biden provavelmente era de noite), essa gente apreciava: este tipo é tão simpático e civilizado! Se Trump diz “Bom dia!”, essa gente percebe nas entrelinhas da expressão o cinismo próprio dos ditadores e deseja-lhe uma morte lenta e dolorosa – de preferência em filmes que fazem para as “redes sociais”, nos quais berram e choram com empenho. Sabem quem também dizia “Bom dia!”? Exacto: Hitler.

É isto o melhor de Trump. O melhor de Trump não são as políticas (que oscilam entre o lúcido e o errático), nem o carácter (que não é recomendável), nem a capacidade de comunicação (assente em boçalidades que às vezes têm graça). O melhor de Trump é a capacidade de transtornar criaturas que são bem piores que ele. Não sei se é uma habilidade adquirida ou inata, se ele treina ou se nasceu assim. Sei que funciona: faça o que fizer, ou não faça nada, Trump possui o dom de levar à apoplexia fanáticos que, se estivessem no lugar dele, seriam muito perigosos para o mundo.

Nos últimos anos, os fanáticos estiveram de facto na presidência, ou próximos o bastante para criar leis, condicionar comportamentos, censurar ideias. O imenso perigo que se esconde sob a compaixão postiça tornou-se consequente, ameaçou tornar-se hegemónico e julgou tornar-se irreversível. O Ocidente desceu ao manicómio de falsos beneméritos, onde a cada dia a loucura empurrava a sensatez da vida “habitual” para o arquivo morto. Não foi bonito. Na verdade, foi medonho, um tempo de subversão e grotesco cuja consagração definitiva estava preparada para 5 de Novembro. Para surpresa dos fanáticos, e sorte nossa, uma quantidade suficiente de eleitores americanos decidiu que bastava de loucura.

Para minha surpresa, e azar dos fanáticos, boa parte do hemisfério concordou. Em apenas três meses, na América e não só na América, temos assistido à queda do edifício “woke”, ou do marxismo recauchutado e infantil que atende por esse nome. É possível que a queda seja provisória e motivada pelo oportunismo. E é curioso, ou talvez não, que seja Trump, ele próprio um bruto excêntrico à “tradição”, o responsável pelo saudável regresso a uma espécie de “normalidade”. Mas é o que há, e uma benesse que devemos agradecer. Ao contrário de 2016, quando a vitória de Trump arregimentou multidões para a “luta”, 2024 deixou um número diminuto de alucinados a gritar sozinhos, e o número desce à medida que a alucinação é exposta.

Na passada segunda-feira, uma celebridade que desconheço, Selena Gomez, convocou a equipa de relações públicas à sua mansão californiana, sentou-se em frente a uma câmara, aguardou que ajustassem o ângulo e a luz, ouviu o sinal para gravar e desatou num pranto por causa da deportação de mexicanos sem documentos, ou, nas palavras dela, “o meu povo”. De seguida, Selena, que a Wikipedia diz ter sido nascida e criada no Texas pela mãe italiana e com um bisavô ou trisavô mexicano, publicou a proeza no Instagram, de que é a mulher no mundo com mais “seguidores”. Horas depois, perante a fuga de centenas de milhares desses “seguidores” e galhofa geral, a celebridade, que não fala espanhol, mandou apagar o vídeo.

O episódio com a senhorita Gomez é uma versão mitigada do que acontece nas estações televisivas, que teimam em equiparar as corriqueiras deportações ao – adivinhem – Holocausto enquanto sofrem uma sangria de audiências sem precedentes e sem parança desde a noite eleitoral. Não é que a humanidade em peso tenha decidido venerar Trump de repente. Apenas sucede que as pessoas estão cansadas, cansadas do circo, cansadas do vazio argumentativo, cansadas do viés ideológico, cansadas da irracionalidade, cansadas da intolerância, cansadas dos esforços para transformar a realidade num espelho de sentimentos e devaneios íntimos. Sobretudo as pessoas estão cansadas de que as acções e as omissões de Trump não sejam avaliadas pelos respectivos méritos ou deméritos e sim por uma fúria permanente e cega. Trump, um notório poço de defeitos, teve a imperdoável virtude de ridicularizar a fúria. Sabem quem também era furioso e ridículo?

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Maria Paula Silva: Muito bem! Não há pachorra, de facto. O incompreensível é como é que tanta ignorância e mediocridade obtiveram tanto poder e tempo d'antena. Esperemos que isto não seja uma "baixa passageira", mas sim uma queda a sério. Mas não deixa de ser engraçado vê-los todos a recuar: aqui pelos tugas, depois de PNS, recentemente até o Tony Caril, agora em Bruxelas besuntado com Yves Saint-Laurent, já veio dizer que a UE tem que controlar e regular muito bem o excesso de imigração ilegal! só visto.                Ricardo Ribeiro: Sublime, mais uma vez! Não gosto da personagem, mas os forniquoques que causa na escumalha progressista woke que tenta subjugar a sociedade ocidental ao seu diabólico programa, dá-me um incomensurável prazer...Livrem-nos dessa praga!                 Luis Santos: Penso que a SIC não deve medir as audiências, ou se mede não se preocupa com os resultados, pois tudo o que aqui foi dito encontramos diariamente nesta especulação imobiliária. Vêm a Portugal tratar se vih, diabetes e outra doença de que lá pagam fortunas e os tugas que são ricos oferecem, sem nunca terem descontado um cêntimo!! Até quando? As gémeas é a ponta do icebergue...               Jose Pires: Por agora é o Trump que a esquerdalhada woke, apoiada na Comunicação Social há muito a eles vendida, gosta de atacar seja lá pelo que for. Logo lhes passa, quando os resultados começarem a aparecer. Foi também assim com o actual Presidente da Argentina o "louco perigoso Milei" que ia acabar com o país e aumentar os pobres e matá-los todos à fome. Entretanto, o país recupera, as pessoas começaram a viver bem melhor, a economia deu um salto exponencial e... acabaram-se as referências da CS ao louco argentino...Hipócritas d'um raio!                  Tim do A: E Alberto Gonçalves tem a capacidade de dizer grandes verdades em artigos salpicados de humor.                   Américo Silva: A nossa transportadora dá-lhe boas vindas, cultivamos valores de diversidade, equidade e inclusão, o comandante do avião é um anão transsexual nepalês, e o copiloto uma zambiana surda com déficit cognitivo, desejamos-lhe uma excelente viagem.                     Carlos L: Muito bem ! "woke"!" Quando será que cá em Portugal também vai cair? Há em Portugal talvez um milhão de pessoas a rezarem para que esse pestilento e terrorista edifício caia definitivamente!            Alcides Longras > Luis Santos: Infelizmente, o nosso tuga médio não procura outra informação e come a que lhe dão de cebolada.                F. Mendes: Concordo com tudo o que o AG aqui escreve. Belo artigo. Ainda assim, julgo lamentável que tenha sido um personagem execrável como Trump (um criminoso condenado, é bom lembrar) a protagonizar e despoletar o que se espera vir a ser a queda progressiva do wokismo, do politicamente correcto, do disparate do multiculturalismo, da lama deitada sobre os valores ocidentais, dos absurdos da ideologia de género, e de outras enormidades diversas. Por outras palavras, os partidos democráticos tradicionais perderam um (hor)ror de tempo a empunhar a bandeira do bom senso, da tolerância e da promoção do mérito; possivelmente, não irão a tempo de recuperar o tempo perdido. Hoje, temos esta situação curiosíssima: foi preciso que um personagem bizarro viesse expor o absurdo de falsas convicções criadas por privilegiados da sociedade Americana; e, bem entendido, que tenham sido muitos dos menos favorecidos a ajudar no pontapé dado aos democratas americanos e nos esquerdistas que por lá moram. Irónico, mas verdadeiro; e, até certo ponto, previsível.                Maria Tubucci: Muito bom, Sôr AG. O DT não só é virtuoso a rebentar wokes e alucinados afins, como também o será a proteger o seu povo. As tarifas que quer impor não são tarifas económicas são tarifas políticas, que podem ser negociadas. Apenas visam defender a economia e a sociedade dos USA, por exemplo, impedir a entrada de droga, o fentanil que está a causar uma epidemia em muitas cidades. As tarifas evitam que o dinheiro americano saia para outros países e crie riqueza no país. E mais, como DT não está a trabalhar para eleições, faz o que é certo do ponto de vista dos americanos. Um verdadeiro líder coloca o seu povo sempre em 1º lugar. Quando é que os líderes políticos europeus dizem Europeus 1º? A Europa foi construída pelos europeus, não foi construída nem pelos islâmicos, nem pelos indianos, nem pelos chineses. Mas, actualmente o dinheiro europeu está a entrar para estas zonas, empobrecendo os nativos europeus, os imbecis dos políticos europeus cheiinhos de virtude querem curar todos os males do mundo e destruir a Europa. Dementes. Nos dias que correm a Europa está a precisar não de 1 Trump mas quiçá de 5 ou 6 ...                Carlos Chaves: Furiosos e ridículos tivemos vários, Alberto: Mário Soares, José Sócrates e António Costa... Todos socialistas a desgraçarem-nos as vidas! “O melhor de Trump é a capacidade de transtornar criaturas que são bem piores que ele.” Simplesmente genial Alberto, patenteie esta frase é a melhor frase que já li para definir os dois lados!                  carlos coelho: Espectacular, obrigado                       Fernando Prata: Estou totalmente de acordo com o autor. Só alguém como Trump pode parar a loucura que se instalou.                              António Soares > Ruço Cascais: Correcto. Mas nem por isso precisa ser um mundo estúpido. Evolução sim, com muito bom senso e boas regras. Nem tudo do presente ou passado tem de ser descartado, pelo menos porque sim. Sou também conservador qb e trabalho e vivo 200% tecnologia. Nem por isso aceito saltar de cabeça da ponte, na manada. A humanidade fatalmente seguirá o seu caminho de progresso a todos os níveis. A viagem não precisa ser vertiginosa de arranques e travagens. No fim das contas chegará o dia que não haverá vivalma. Não precisamos é de acelerar o processo.                      Artur Santos: O exemplo da Selena Gomez é perfeito de como a futilidade do mundo através de uma minoria quer dominar. E como querem que os agentes ao cumprir a lei da imigração com 100 indivíduos num avião tenham segurança, sem saber o comportamento deles, basta provavelmente 2 a 3 indivíduos conseguirem criar o caos num avião, aliás gostava que num voo da TAP me dissessem que numa tal fila do mesmo estava 2 a 3 indivíduos que com suspeita de crime estavam sem algemas.                    Eduardo Cunha: Excelente crónica.                  Lily Lx: Muito bem.                 Manuel Magalhaes: Trump poderá ser um boçal irritante, mas tem uma coisa que os outros governantes esqueceram ou que atiram para «baixo do tapete» normalmente por cobardia, Trump tem a noção da realidade e actua em conformidade, não está cá com paninhos quentes e o público farto de falsidades (onde se inclui também a comunicação social), começa a apreciar o estilo… digamos que é obra!               Maria Paula Silva > Carlos Chaves: Bom dia, Carlos, é mesmo, essa frase é genial. Porque Trump é maluco e instável whatever... mas sabe que é maluco e como, acima de tudo, é um homem de negócios, no meio da sua maluquice sabe bem como abanar a concorrência.                 António Soares > Ruço Cascais: E isso está errado?        Ruço Cascais: Trump está a endireitar a rota do mundo. O wokismo estava a desviar o mundo da rota que nos direcionava ao paraíso onde Adão e Eva foram construídos com os seus respectivos sexos afim de fazerem filhinhos para depois viverem nas suas respectivas árvores. Daí a expressão primordial de cada macaco no seu galho. Aconteceu que nesse paraíso de pintos e pachachas também fabricaram uma serpente para dar emoção à coisa, e foi essa serpente que estava a desviar o caminho. Conseguiu esse animal sem pernas que a macacada começasse a saltar para os galhos dos outros e que a parelha de sexos se desvirtuasse. Trump veio corrigir a rota moral do mundo para que cada macaco ficasse no seu galho e acertar os sexos para que a cada pachacha corresponda um pinto e a cada pinto uma pachacha. Com a nova rota acertada, o mundo, dentro de 50 anos estará novamente nos eixos. Os suecos brancos e loiros farão filhos ainda mais brancos e loiros, os mexicanos farão as suas sestas depois do almoço com os seus grandes sombreiros debaixo das árvores, os americanos Will’s Thomas voltarão a gostar de pachachas e a nadar com os homens e os portugueses voltarão a saltar fronteiras à socapa para chegar a França. Os Teslas ganharão motores com 4.500 de cilindrada, 8 cilindros e 600 cv a queimar petróleo e a derreter borracha no alcatrão com os potentes arranques. Dentro de 50 anos tudo estará normalizado como era dantes, e a velhada como o Alberto Gonçalves que agora aplaude o retorno à normalidade fará um esforço para viver até aos 130 para poder apreciar este mundo tão arrumadinho e ter a certeza que as forças do mal foram para sempre vencidas, e, que as mulheres, essas belas criaturas, continuarão a ser apreciadas pela virtude das formas e não pela actividade dos neurónios. Nota: Donald fez ontem uma Ordem Executiva a permitir que a contratação de secretárias possa ser feita pelas qualidades formais do rabo independentemente de estas saberem enviar Fax’s ou Telegramas.                     klaus muller > Antonio Almeida: Tem um bom remédio para isso.                        Rosa Graça: Como sempre. Excelente.                    Margarida Rosa: Eu gosto dele                  Manuel Magalhães: Hitler, furioso e ridículo , o bigode do Trump é igual, nunca repararam?                      Joao Cadete: Se precisar de malas para a sua próxima viagem aos states já sabe que o Chega pode ajudar.                  José B Dias > F. Mendes: Convém relembrar quais as condenações e em que termos e onde foram conseguidas... não acredito que algum "portista" deixasse de ser condenado no que fosse se levado ao "tribunal da Luz"!