sexta-feira, 10 de abril de 2026

Apesar


De novas experiências e surpresas de leituras, de acordo com o natural avanço das sociedades trazido pelo progresso, o conhecimento dos antigos escritores, proporcionando abertura nas evoluções estilísticas e ideológicas, é indispensável e aprazível.

 

Fundação José Saramago questiona critério para retirada de autor das obras obrigatórias

A Fundação José Saramago pede um "e" em vez de um "ou" na proposta preliminar do Governo que permite que a obra de Saramago seja substituída pela de Mário de Carvalho no 12.º ano.

AGÊNCIA LUSA: Texto

OBSERVADOR30 mar. 2026, 15:50

O Governo pôs uma versão preliminar revista das aprendizagens essenciais em consulta pública na sexta-feira essenciais do ensino secundário, segundo uma proposta ainda preliminar.

“A posição da Fundação José Saramago será sempre a de agregar e de não colocar em comparação ou oposição. Daí que deixemos à Comissão responsável por esta alteração na lista de livros de leitura obrigatória para o 12.º ano a sugestão de trocar a palavra ‘ou’ pela palavra ‘e’, juntando a José Saramago o escritor Mário de Carvalho, merecedor de toda a admiração e abrindo assim a porta a que outras e outros escritores participem também na formação das novas gerações de leitores”, pode ler-se num comunicado divulgado esta segunda-feira pela fundação presidida por Pilar del Rio.

Ainda assim, a fundação questionou qual o critério que esteve na origem desta proposta de alteração e se “abrangerá outros autores que integram o cânone da Literatura Portuguesa, colocando-os como de leitura sugerida e não obrigatória”.

No conto, a proposta prevê um texto de Maria Judite de Carvalho como obrigatório (“George”), incluindo vários outros autores na lista em contrato de leitura: Manuel da Fonseca, Mário de Carvalho (dois nomes que, com Maria Judite de Carvalho, já figuram nas actuais aprendizagens essenciais), José Rodrigues Miguéis, Teresa Veiga, David-Mourão Ferreira, Lídia Jorge, Irene Lisboa e Luísa Costa Gomes.

Também na poesia a proposta prevê actualizações: Miguel Torga, Herberto Helder, Manuel Alegre e Luiza Neto Jorge deixam de constar da lista de opções para passar a incluir Fiama Hasse Pais Brandão, José Régio, Mário Cesariny, Ruy Cinatti, Vitorino Nemésio, Carlos de Oliveira, Raul de Carvalho, Salette Tavares (poemas visuais), Ana Hatherly (poemas visuais) e Luís Filipe de Castro Mendes.

Jorge de Sena, Eugénio de Andrade, Alexandre O’Neill, António Ramos Rosa, Ruy Belo, Vasco Graça Moura, Nuno Júdice, Ana Luísa Amaral mantêm-se na lista de poetas contemporâneos a ler em modo de contrato de leitura.

Ainda na poesia, é proposto o alargamento do estudo da obra de Fernando Pessoa (mais poemas de ortónimo e de “Mensagem”) e o documento passa a integrar Cesário Verde, Mário de Sá-Carneiro e Teixeira de Pascoaes.

No comunicado esta segunda-feira divulgado, a Fundação José Saramago lembra o fecho do discurso de agradecimento do Nobel da Literatura, em 1998: “E agora quero também agradecer aos escritores portugueses e de língua portuguesa, aos do passado e aos de agora: é por eles que as nossas literaturas existem, eu sou apenas mais um que a eles se veio juntar”.

O Governo pôs uma versão preliminar revista das aprendizagens essenciais (AE) em consulta pública na sexta-feira, num processo que vai durar um mês e que pretende recolher contributos da comunidade educativa, especialistas e sociedade.

JOSÉ SARAMAGO       LITERATURA       CULTURA       EDUCAÇÃO 11

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