De novas experiências e surpresas de leituras, de acordo com o natural
avanço das sociedades trazido pelo progresso, o conhecimento dos antigos
escritores, proporcionando abertura nas evoluções estilísticas e ideológicas, é
indispensável e aprazível.
Fundação José Saramago questiona
critério para retirada de autor das obras obrigatórias
A
Fundação José Saramago pede um "e" em vez de um "ou" na
proposta preliminar do Governo que permite que a obra de Saramago seja
substituída pela de Mário de Carvalho no 12.º ano.
OBSERVADOR30 mar. 2026, 15:50
▲O
Governo pôs uma versão preliminar revista das aprendizagens essenciais em
consulta pública na sexta-feira essenciais do ensino secundário, segundo uma
proposta ainda preliminar.
“A posição da Fundação José Saramago será sempre a de agregar
e de não colocar em comparação ou oposição. Daí que deixemos
à Comissão responsável por esta alteração na lista de livros de
leitura obrigatória para o 12.º ano a sugestão de trocar a palavra ‘ou’ pela
palavra ‘e’, juntando a José Saramago o escritor Mário de Carvalho,
merecedor de toda a admiração e abrindo assim a porta a que outras e outros
escritores participem também na formação das novas gerações de leitores”,
pode ler-se num comunicado divulgado esta segunda-feira pela fundação presidida
por Pilar del Rio.
Ainda assim, a fundação questionou qual o critério que
esteve na origem desta proposta de alteração e se “abrangerá outros autores que
integram o cânone da Literatura Portuguesa, colocando-os como de leitura sugerida e
não obrigatória”.
No conto, a proposta prevê um
texto de Maria Judite de Carvalho
como obrigatório (“George”), incluindo vários outros
autores na lista em contrato de leitura: Manuel
da Fonseca, Mário de Carvalho (dois nomes que, com Maria Judite de Carvalho, já
figuram nas actuais aprendizagens essenciais), José Rodrigues Miguéis, Teresa
Veiga, David-Mourão Ferreira, Lídia Jorge, Irene Lisboa e Luísa Costa Gomes.
Também na poesia a proposta
prevê actualizações: Miguel
Torga, Herberto Helder, Manuel Alegre e Luiza Neto Jorge deixam de constar da
lista de opções para passar a incluir Fiama Hasse Pais Brandão, José Régio,
Mário Cesariny, Ruy Cinatti, Vitorino Nemésio, Carlos de Oliveira, Raul de
Carvalho, Salette Tavares (poemas visuais), Ana Hatherly (poemas visuais) e
Luís Filipe de Castro Mendes.
Jorge
de Sena, Eugénio de Andrade, Alexandre O’Neill, António Ramos Rosa, Ruy Belo,
Vasco Graça Moura, Nuno Júdice, Ana Luísa Amaral mantêm-se
na lista de poetas contemporâneos a ler em modo de contrato de leitura.
Ainda na poesia, é proposto o alargamento
do estudo da obra de Fernando Pessoa (mais poemas de ortónimo e de “Mensagem”)
e o documento passa a integrar Cesário Verde, Mário de Sá-Carneiro e Teixeira
de Pascoaes.
No comunicado esta segunda-feira
divulgado, a Fundação José Saramago lembra o fecho do discurso de
agradecimento do Nobel da Literatura, em 1998: “E agora quero também agradecer aos
escritores portugueses e de língua portuguesa, aos do passado e aos de agora: é
por eles que as nossas literaturas existem, eu sou apenas mais um que a eles se
veio juntar”.
O Governo pôs uma versão
preliminar revista das aprendizagens
essenciais (AE)
em consulta pública na sexta-feira, num processo que vai durar um mês e que
pretende recolher contributos da comunidade educativa, especialistas e
sociedade.
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