quinta-feira, 9 de abril de 2026

Aprendendo

 

Com quem sabe e pratica, com a visibilidade que merece.

A excelência portuguesa

A primeira pessoa de que me lembrei foi de Paulo Macedo que onde toca nascem invariavelmente resultados e ganhos, numa postura humana sempre amistosa. Seguiram-se outros. “Melhor era Difícil”.

MARIA JOÃO AVILLEZ Jornalista, colunista do OBSERVADOR

OBSERVADOR, 08 abr. 2026, 00:25

1Há uns tempos, ao ler uma reportagem numa revista estrangeira, tropecei em duas palavras ali impressas e de repente acudiu-me que talvez pudesse fazer alguma coisa com elas. E fiz. Era sobre a excelência humana, grande tema.

Fiz porque sempre olhei com atenção para os melhores. Porque é que eram melhores no que faziam, criavam, pensavam, inovavam, produziam? E como, e porquê, e onde?

2Conheci uma notável colecção deles ao longo dos anos e de cada vez me absorvia a observar como eram de facto (muito) bons. De uma forma geral são mais invejados que apreciados o mérito é entre nós vetado por um daqueles sinais iguais aos de “trânsito proibido” – e a “cunha”, com lugar cativo entre nós, é mais procurada que a excelência. Não importa, os excelentes, ao sê-lo, sobrepor-se-ão sempre de forma natural ao surto nacional da inveja activa, calando uma lamúria ressentida com nove séculos de idade.

Claro que os dons, já se sabe, se distribuem de forma desigual – ao contrário do que se diz, não somos todos iguais. O ponto não é porém esse. É saber que destino teriam, se não fossem continuamente adubados com os ingredientes naturais do mérito? O esforço, estudo, brio, trabalho, suor e talvez lágrimas?

O destino seria modesto, a excelência parca, mas o tema prendeu-me exactamente pelo oposto: há uma excelente… excelência portuguesa! Porque não elegê-la? Recordando a de alguns “veteranos” na matéria, dando a conhecer o génio de outros, tentando chegar à matéria prima de que – parece-me indiscutível – todos eles são feitos. E com ela servindo o país, porque a excelência transmite-se e partilha-se. Consoladora certeza entre a sombra ameaçadora do perigo que ora ronda ora explode e a arrepiante certeza da deliquescência das civilizações.

3E então fiz aquilo que talvez saiba fazer: com a ideia de um podcast na cabeça, conversei com gente formidável. Podia ser outra? Podiam sempre ser outros, por definição e por princípio: escolher é de algum modo dividir e com isso desagradar a metade do hemisfério nacional. Calharam-“me” estes porque as coisas resultam muitas vezes do fluir de uma conversa, de ouvir alguém mencionar determinado nome, de um “feito” a que se prestou atenção, mais do que de uma lista ultra pensada, ou do rigor de uma equação entre cotas e áreas.

Em resumo, olhei em volta. E escolhi.

A primeira pessoa de que me lembrei foi de Paulo Macedo que onde toca nascem invariavelmente resultados e invariavelmente ganhos, envoltos uns e outros numa postura humana sempre amistosa. Seguiram-se outros e outras tão parecidos em excelência que o título da série – “oferecido” pelo meu amigo Miguel Esteves Cardoso – foi naturalmente “Melhor era Difícil”.

Ei-los: Ana Pinho, Manuel Sobrinho Simões, Cristina Fonseca, Herman José, José Avillez, Virgílio Bento, Ricardo Reis, Catarina Lameira Grosso, António Coutinho, Sandra Tavares, Mário Laginha, Joana Gonçalves Sá.

Vão por mim: ouçam-nos.

PS: Ainda a Páscoa. Ninguém esqueceu aquela figura branca atravessando sozinha o chão escuro de uma praça deserta. Era a pandemia e Francisco, de Roma, amparava o mundo com a sua presença ali. No chão molhado de S. Pedro, sob uma pequena tenda pousada na imensidão do asfalto, implorava que o céu se abrisse sobre aqueles dias de um desconhecido sombrio. E um dia, ele abriu-se. E desta vez, nesta Páscoa de 2026 voltámos a não esquecer, e como poderíamos? Permanecerá para sempre a figura também branca, também de um Papa, deixando-se ver sozinho abraçando uma cruz a caminho da Via Sacra. Emoldurado pelo Coliseu romano, Leão XIV percorria as 14 estações carregando com ele a cruz da guerra. De todas as guerras. Crentes e não crentes viram que o Papa os ouvia. Talvez também um dia o céu se abra sobre o sofrimento e a inaudita violência desse sofrimento.

PODCASTS       POLÍTICA

COMENTÁRIOS (de 13)

Tim do A: Se Portugal tivesse 100 Paulos Macedos Portugal seria um país rico. 

Carlos Chaves:  “Não importa, os excelentes, ao sê-lo, sobrepor-se-ão sempre de forma natural ao surto nacional da inveja activa, calando uma lamúria ressentida com nove séculos de idade.”

Bingo!: Obrigado Maria João Avillez, por mais este projecto! E que tal um dia estender o conhecimento da excelência a figuras anónimas, que felizmente (apesar de poucas), se espalham por este nosso país? Se calhar não ficariam nada atrás, da excelente selecção que nos apresentou aqui. P.S. Estou a ler a edição revista do livro de Ana Sofia Fonseca, Barca Velha, histórias de um vinho, povoado de gente de excelência!  E que escritora esta Ana Sofia Fonseca que honra a nossa língua! Aqui fica uma dica!            

Antonio Silva: É curioso! Tal como a jornalista, lembro-me  de Paulo Macedo quando consulto o meu extracto e vejo comissões e comissõezinhas pequeninas, ora porque "guarda" o meu dinheiro, ora porque pratica juros tão diferentes para emprestar ou pagar depósitos. E, quando vou à minha agência, lembro-me sempre dele, misturado com alguns impropérios, quando  desespero pelo tempo que vejo perdido por montes de gente esperando pelo serviço que é leeeeeento porque reduziu ao mínimo os recursos humanos, bem sabendo que nem tudo nem todos os assuntos podem ser tratados pela caixa directa. No interior do País reduziu a zero a presença de muitos anos e cá na capital vai-se mancomunando com os "sugas" bancários na cartelização já sancionada pelos tribunais. Assim, até um jumento, pode gerar lucro quando adopta a via de "os fins justificam os meios". 

 

NOTAS DA INTERNET

PAULO JOSÉ RIBEIRO MOITA DE MACEDO GOIH • GCIH (Lisboa14 de julho de 1963) é um gestor e político português, antigo Director-Geral dos Impostos (2004-2007) e antigo Ministro da Saúde do XIX Governo Constitucional de Portugal.

Nenhum comentário: