Com quem sabe e pratica, com a visibilidade que merece.
A excelência portuguesa
A primeira pessoa de que me lembrei foi de Paulo
Macedo que onde toca nascem invariavelmente resultados e ganhos, numa
postura humana sempre amistosa. Seguiram-se outros. “Melhor era Difícil”.
MARIA JOÃO
AVILLEZ
Jornalista, colunista do OBSERVADOR
OBSERVADOR, 08
abr. 2026, 00:25
1Há uns tempos, ao ler uma
reportagem numa revista estrangeira, tropecei em duas palavras ali impressas e
de repente acudiu-me que talvez pudesse fazer alguma coisa com elas. E fiz. Era
sobre a excelência humana,
grande tema.
Fiz porque sempre olhei com
atenção para os melhores. Porque é que eram melhores no que faziam, criavam,
pensavam, inovavam, produziam? E como, e porquê, e onde?
2Conheci uma notável colecção
deles ao longo dos anos e de cada vez me absorvia a observar como eram de facto
(muito) bons. De uma forma geral são mais invejados que apreciados – o mérito é entre nós vetado por um
daqueles sinais iguais aos de “trânsito proibido” – e a “cunha”,
com lugar cativo entre nós, é mais
procurada que a excelência. Não importa, os excelentes, ao sê-lo, sobrepor-se-ão
sempre de forma natural ao surto nacional da inveja activa, calando uma lamúria
ressentida com nove séculos de idade.
Claro que os dons, já se sabe, se distribuem de forma desigual – ao
contrário do que se diz, não somos todos iguais. O ponto não é porém esse. É saber que destino teriam, se não fossem
continuamente adubados com os ingredientes naturais do mérito? O esforço, estudo,
brio, trabalho, suor e talvez lágrimas?
O destino seria modesto, a
excelência parca, mas o tema prendeu-me exactamente pelo oposto: há uma
excelente… excelência portuguesa! Porque não elegê-la? Recordando a de alguns “veteranos” na
matéria, dando a conhecer o génio de outros, tentando chegar à matéria prima de
que – parece-me indiscutível – todos eles são feitos. E com ela servindo o
país, porque a excelência transmite-se e partilha-se. Consoladora certeza entre
a sombra ameaçadora do perigo que ora ronda ora explode e a arrepiante certeza
da deliquescência das civilizações.
3E então fiz aquilo que talvez saiba
fazer: com a ideia de um podcast na cabeça, conversei com gente formidável.
Podia ser outra? Podiam sempre ser
outros, por definição e por princípio: escolher é de algum modo dividir e com
isso desagradar a metade do hemisfério nacional. Calharam-“me” estes
porque as coisas resultam muitas vezes do fluir de uma conversa, de ouvir
alguém mencionar determinado nome, de um “feito” a que se prestou atenção, mais
do que de uma lista ultra pensada, ou do rigor de uma equação entre cotas e
áreas.
Em resumo, olhei em volta. E
escolhi.
A primeira pessoa de que me lembrei foi de Paulo Macedo que onde toca nascem invariavelmente resultados e invariavelmente
ganhos, envoltos uns e outros numa postura humana sempre amistosa.
Seguiram-se outros e outras tão parecidos em excelência que o título da série –
“oferecido” pelo meu amigo Miguel
Esteves Cardoso – foi naturalmente “Melhor era Difícil”.
Ei-los: Ana Pinho, Manuel Sobrinho Simões, Cristina Fonseca,
Herman José, José Avillez, Virgílio Bento, Ricardo Reis, Catarina Lameira
Grosso, António Coutinho, Sandra Tavares, Mário Laginha, Joana Gonçalves Sá.
Vão por mim: ouçam-nos.
PS: Ainda a Páscoa. Ninguém
esqueceu aquela figura branca atravessando sozinha o chão escuro de uma praça
deserta. Era a pandemia e Francisco, de Roma, amparava o mundo com a sua
presença ali. No chão molhado de S. Pedro, sob uma pequena tenda
pousada na imensidão do asfalto, implorava que o céu se abrisse sobre aqueles
dias de um desconhecido sombrio. E um
dia, ele abriu-se. E desta vez, nesta Páscoa de 2026 voltámos a não esquecer, e
como poderíamos? Permanecerá para sempre a figura também branca, também de um
Papa, deixando-se ver sozinho abraçando uma cruz a caminho da Via Sacra.
Emoldurado pelo Coliseu romano, Leão XIV percorria as 14 estações carregando
com ele a cruz da guerra. De todas as guerras. Crentes e não crentes viram que
o Papa os ouvia. Talvez também um dia o céu se abra sobre o sofrimento e a
inaudita violência desse sofrimento.
COMENTÁRIOS (de 13)
Tim do A: Se Portugal tivesse 100 Paulos Macedos Portugal seria um país
rico.
Carlos Chaves: “Não
importa, os excelentes, ao sê-lo, sobrepor-se-ão sempre de forma natural ao
surto nacional da inveja activa, calando uma lamúria ressentida com nove
séculos de idade.”
Bingo!: Obrigado Maria João Avillez, por mais este
projecto! E que tal um dia estender o conhecimento da excelência a figuras
anónimas, que felizmente (apesar de poucas), se espalham por este nosso país?
Se calhar não ficariam nada atrás, da excelente selecção que nos apresentou
aqui. P.S. Estou a ler a edição revista do livro de Ana Sofia Fonseca, Barca Velha, histórias de um vinho, povoado de gente de
excelência! E que escritora esta Ana Sofia
Fonseca
que honra a nossa língua!
Aqui fica uma dica!
Antonio Silva: É curioso! Tal como a jornalista,
lembro-me de Paulo
Macedo quando
consulto o meu extracto e vejo comissões e comissõezinhas pequeninas, ora
porque "guarda" o meu dinheiro, ora porque pratica juros tão
diferentes para emprestar ou pagar depósitos. E, quando vou à minha agência, lembro-me
sempre dele, misturado com alguns impropérios, quando desespero pelo
tempo que vejo perdido por montes de gente esperando pelo serviço que é
leeeeeento porque reduziu ao mínimo os recursos humanos, bem sabendo que nem
tudo nem todos os assuntos podem ser tratados pela caixa directa. No interior
do País reduziu a zero a presença de muitos anos e cá na capital vai-se
mancomunando com os "sugas" bancários na cartelização já sancionada
pelos tribunais. Assim, até um jumento, pode gerar lucro quando adopta a via de
"os fins justificam os meios".
NOTAS DA INTERNET
PAULO JOSÉ RIBEIRO MOITA DE MACEDO GOIH • GCIH (Lisboa, 14 de julho de 1963) é um gestor e
político português, antigo
Director-Geral dos Impostos (2004-2007) e antigo Ministro
da Saúde do XIX
Governo Constitucional de Portugal.
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