Para orgulho próprio … ruço.
Rússia sem ganhos territoriais na
Ucrânia em março pela primeira vez desde 2023 — e lança recorde de drones
Em março, o exército russo
não avançou na Ucrânia e chegou a perder 9 km². No mesmo mês, lançou um recorde
de 6.462 drones desde o início da guerra, em 2022.
OBSERVADOR, 02 abr. 2026, 21:23
MAXIM SHIPENKOV/EPA
O
exército russo não registou quaisquer ganhos territoriais na Ucrânia em março,
uma situação inédita desde setembro de 2023, segundo dados recolhidos pela
organização não-governamental (ONG) Instituto para o Estudo da Guerra (ISW). De
acordo com os dados da ONG sediada em Washington e analisados pela agência de
notícias France-Presse (AFP), em
alguns pontos as Forças Armadas russas recuaram perante as forças de Kiev.
De forma geral, o exército russo tem
abrandado desde o final de 2025, devido às contra-ofensivas no sudeste do país,
com um avanço de 123 quilómetros quadrados (km²) em fevereiro, o que já constituía
o menor avanço desde abril de 2024. Em toda a frente de batalha, em março, as
forças ucranianas chegaram mesmo a recuperar nove km².
Este número exclui as operações de infiltração realizadas pelas forças
russas para além da linha da frente, bem como os avanços reivindicados pelo
lado russo, mas que não foram confirmados nem desmentidos pelo ISW, que
trabalha com o Critical Threats Project (uma ramificação do American Enterprise
Institute ou AEI), outro centro de reflexão norte-americano especializado no
estudo de conflitos.
O ISW atribui este abrandamento do
exército russo nos últimos meses às contra-ofensivas ucranianas, mas também
à “proibição imposta à Rússia de utilizar os terminais Starlink na
Ucrânia” e aos “esforços do Kremlin (presidência russa) para restringir o
acesso ao Telegram”.
Esta aplicação de mensagens, muito popular na Rússia, inclusive na linha
da frente, tem sido praticamente inutilizável nos últimos meses devido a
bloqueios por parte das autoridades, enquanto Moscovo incentiva activamente os
seus cidadãos a optar pela plataforma Max, que o Governo russo promove como uma
“aplicação de mensagens nacional”.
Tal como em fevereiro, a Rússia
perdeu terreno na parte sul da linha da frente, entre as regiões de Donetsk e
Dnipropetrovsk.
Nesta
zona, a Rússia tinha entrado pela primeira vez em junho de 2025 e ocupava mais
de 400 km² no final de janeiro. Este domínio reduziu-se para 200 km² em
fevereiro e, posteriormente, para 144 km² em março.
Por outro lado, a situação é
desfavorável a Kiev mais a norte, na região de Donetsk, na direcção das duas
grandes cidades regionais de Kramatorsk e Sloviansk. A leste de Sloviansk, as
tropas russas avançaram cerca de 50 km² num mês.
Ao
longo de todo o quarto ano de conflito, em 2025, o exército russo avançou mais
do que nos 24 meses anteriores. No entanto, a dinâmica está a
inverter-se: nos primeiros três meses de 2026, os ganhos territoriais
russos são duas vezes menores do que em 2025, no mesmo período.
Quatro
anos após o início da invasão russa da Ucrânia, Moscovo ocupa pouco mais de 19%
do território, a maior parte conquistada durante as primeiras semanas do
conflito.
Cerca de 7%, incluindo a Crimeia e
zonas da bacia industrial do Donbass, já se encontravam sob controlo russo ou de
separatistas pró-russos antes da invasão de fevereiro de 2022.
Ainda assim, a Rússia visou a
Ucrânia em março com um número recorde de drones desde o início da guerra, em
2022, de acordo com uma análise de dados ucranianos realizada também hoje pela
agência de notícias AFP..
As
forças russas lançaram 6.462 drones, um número que inclui um ataque sem
precedentes em 24 de março, com perto de 1.000 drones disparados em 24 horas,
indicam os dados fornecidos diariamente pela Força Aérea ucraniana.
Em contrapartida, o número de mísseis lançados contra a Ucrânia em março
diminuiu em relação a fevereiro, passando de 288 para 138, referiu a agência de
notícias francesa.
As baixas civis não foram evitadas
apesar de o exército ucraniano ter interceptado, em março, 90% dos drones e
mísseis. No
ataque de 24 de março, dos quase 1.000 drones lançados em 24 horas, 556 foram
disparados durante o dia, causando oito mortos e dezenas de feridos.
Uma nova ofensiva de grande escala
ocorreu na quarta-feira, com 700 drones lançados em 24 horas, mais de 360
durante o dia.
A ofensiva ocorreu um dia após a
Rússia ter rejeitado uma proposta de trégua para a Páscoa formulada pelo
Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
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