domingo, 26 de abril de 2026

Espírito bem crítico


O certo é que nem todos se agradam dos programas oferecidos na televisão. Como, de resto, dos livros que escritores escrevem, dos quadros que pintores pintam, ou mesmo das esculturas… Mas julgo que a Televisão presta bons serviços, como todos os meios de comunicação, e ao ser criticável, dá origem a comentários chistosos ou sérios, que ajudam à nossa própria percepção, e assim admirarmos os que tão expressivamente comentam, condenando os de fraco entendimento.

Son of a bitch: um sarau cultural

É escusado acrescentar que, como os idiotas que os frequentam e consomem, os PLAY podem e devem prosseguir. A RTP é que não.

ALBERTO GONÇALVES Colunista do Observador

OBSERVADOR, 25 abr. 2026, 00:24

Pelos vistos, e à semelhança do que acontece no “estrangeiro”, agora há uns prémios anuais da música portuguesa. São, conforme o acrónimo sugere, os PLAY. Também para imitar “o que se faz lá fora”, os PLAY consagram-se mediante cerimónia, na qual se distribuem pechisbeques por dezenas ou centenas de “vencedores” e todos ficam muito orgulhosos.

Infelizmente a cópia caseira dos Emmy americanos e de outro embaraço qualquer que os ingleses têm de certeza não se restringe à existência, não senhor. O plágio vai à minúcia e inclui os momentos que uma parte substancial dos alegados artistas aproveita para expelir “sentimentos” acerca da “actualidade”. Antigamente, neste género de pândegas, a sumidade recebia o pechisbeque, agradecia a duzentos familiares, amigos e colegas e sumia de cena. Hoje, ou para aí desde 2017, é rara a sumidade, anónima que seja, que não ande convencida de que possui coisas relevantíssimas a comunicar aos mortais. E os mortais, os mortais e pacóvios que assistem a tais infortúnios, ouvem.

Aliás, quer nos Óscares, quer nos PLAY, quer no Festival de Cinema de Carcassonne, o real objectivo de cada “evento” é justamente o de apurar quem profere a maior quantidade de barbaridades ao gosto do tempo. E provocar aquilo que os “media”, um pouco desesperados, designam por “polémica”. Sem a “polémica”, ninguém notaria que o “evento” se realizou. Com a “polémica”, quase ninguém nota que o “evento” se realizou.

Eu notei os PLAY através de artigo no Observador. Confesso que ignorei a informação alusiva aos galardões convencionais, mesmo ao prémio para a Melhor Co-Participação Vocal em Disco de Fusão Lusófona Alternativa, e, saltitando pelo texto na diagonal, fui directamente às interpretações em que os artistas dão tudo o que têm: o discurso de protesto.

Na categoria Indignação, o primeiro pechisbeque de relevo foi conquistado por Jorge Palma, que após agradecer misteriosamenteaos profissionais do SNS”, redobrou o tom críptico para exigir uma “reforma eficaz” da cultura, “para que as nossas forças não se gastem em vão” (?). A terminar, e já que vinha com um cravo na lapela, o sr. Palma recordou Abril, o espírito de Abril, a liberdade de Abril, os valores de Abril, Abril sempre, etc. De seguida, a cerimónia regressou a 2026.

O segundo pechisbeque indignado coube ao vocalista dos Mão Morta, Adolfo Luxúria Canibal, que a despropósito desatou numa cantilena sobre “a pulsão de morte que domina a miserável época em que vivemos, com as suas manifestações de ódio e de intolerância. Terminou a pedir que se impeça “o alastrar da peste dos fascismos, essa ratazana nojenta.” Sem dúvida. Eu próprio odeio do fundo das entranhas essas larvas pustulentas que apenas sabem verter ódio. E lembro os versos de apelo à fraternidade que o sr. Canibal assinou: “Ultrapassado o limite do ultraje/Toda a violência/É legítima autodefesa/Também pelo meu relógio são/Horas de matar”. Bonito e sublime, praticamente o Larkin de “An Arundel Tomb” (“O que restará de nós é o amor.”)

Porém, o apogeu do serão ficou a cargo do afamado cançonetista Toy, que ultrapassou pela esquerda baixa os parceiros ao proferir estas palavras movidas a sobriedade: “Nunca digam que a cultura e a política não se misturam, porque a cultura é a melhor arma contra alguns sistemas políticos, como o assassino de crianças Netanyahu e o ‘son of a bitch’, filho da p*** em português, Donald Trump”. Enquanto demonstrava que, além da política, a cultura se mistura perfeitamente com uma sandes de couratos, a Festa do “Avante!” e a iliteracia funcional, o sr. Toy arrecadou três prémios fundamentais de uma só vez: o prémio Cliché para a mais apoplética intervenção anti-Trump; o prémio Anti-Sionismo para a mais escancarada declaração anti-semita a fingir que não é uma declaração anti-semita; e o prémio Calado Como Um Rato (Mas Não Uma Ratazana Nojenta E Fascista), pelo corajoso silêncio que dedicou ao Hamas, ao Hezbollah, à Rússia, ao Irão, à China e, afinal, a todos os terrorismos e ditaduras do planeta. O público presente na sala, gente das artes e do refinamento estético, aplaudiu o sr. Toy em êxtase.

A terminar, houve ainda espaço para que actores lessem, cito o Observador, “um texto a alertar para a propagação ‘online’ do discurso de ódio contra as mulheres”, que curiosamente não mencionou o Islão.

Resta esclarecer que os prémios PLAY foram transmitidos pela RTP, que a RTP é uma estação televisiva que vive da extorsão dos contribuintes, e que é capaz de haver contribuintes que não apreciam ver os respectivos rendimentos delapidados em ajuntamentos auto-congratulatórios, onde idiotas repetem toleimas que tomam por iluminações. É escusado acrescentar que, como os idiotas que os frequentam e consomem, os PLAY podem e devem prosseguir. A RTP é que não.

MÚSICA       CULTURA

 

COMENTÁRIOS:

Novo Assinante: Não sabia da existência deste programa pois não sou grande consumidor de TV, mas tudo o que senhor Alberto Gonçalves expressou que o cançonetista Toy terá dito sobre Nethanyau e Trump, e que abaixo transcrevo, não é verdade? Onde está a mentira? Escreveu o senhor Alberto Gonçalves:

"Nunca digam que a cultura e a política não se misturam, porque a cultura é a melhor arma contra alguns sistemas políticos, como o assassino de crianças Netanyahu e o ‘son of a bitch’, filho da p*** em português, Donald Trump”." 

Jose Marques: Os kamaradas Palma, RAP, Mãos-Mortas ou Mãos-de-Tesoura, os Toy da vida airada - e todos os outros sócios e sócias da vagabundagem cultural - são os verdadeiros megaclones, digo megafones, dos maiores bandidos e assassinos cá do burgo que é o planeta Terra. E são tão burros, tão burros, que nem disso eles têm consciência!

observador censurado: Provavelmente, o grupo RTP é o maior agente de difusão de narrativas de "extrema esquerda" com o dinheiro dos contribuintes. Na Antena 1, é quase impossível ouvir uma conversa que não seja aproveitada para difundir narrativas de "extrema esquerda" e apelar à luta contra o "populismo", a "extrema-direita", o "discurso de ódio", Donald Trump (antes era Bolsonaro), etc.  Tudo efectuado com as "melhores" práticas jornalísticas: sem contraditório. Quando é que os contribuintes vão acordar?

Ricardo Ribeiro: A única coisa que me indigna nisto tudo é ainda ter de contribuir com os meus impostos para essa "palhaçada"...de resto, já não vejo circo há muitos anos...

André Fernandes: Grande motivação para ler e dar audiência ao Observador é mesmo ler e ouvir o Alberto! Não dá para discordar em nada…! Quanto ao azeite de Setúbal… só é de lamentar termos q financiar esse antro de escumalha quer queiramos quer não. Rtp era já privatizada… pra ontem!

Ana Luis da Silva: Proponho que a RTP seja sustentada segundo o princípio utilizador-pagador. Estou certa de que estas parvoíces pacóvias e da esquerda “cultural” desapareceriam num ápice. A malta que nasceu após o 25 de abril e não levou com uma lavagem cerebral na escola pública sente o cheiro de propaganda a milhas. Por isso, nem sequer liga a televisão a não ser para ver jogos de futebol. Só ficariam a assistir as carcaças saudosas do indefectível Cunhal, dos tempos do PREC e das FP 25 de Abril. 

Novo Assinante: Não sabia da existência deste programa pois não sou grande consumidor de TV, mas tudo o que senhor Alberto Gonçalves expressou que o cançonetista Toy terá dito sobre Nethanyau e Trump, e que abaixo transcrevo, não é verdade? Onde está a mentira? Escreveu o senhor Alberto Gonçalves:

"Nunca digam que a cultura e a política não se misturam, porque a cultura é a melhor arma contra alguns sistemas políticos, como o assassino de crianças Netanyahu e o ‘son of a bitch’, filho da p*** em português, Donald Trump”." 

Jose Marques: Os kamaradas Palma, RAP, Mãos-Mortas ou Mãos-de-Tesoura, os Toy da vida airada - e todos os outros sócios e sócias da vagabundagem cultural - são os verdadeiros megaclones, digo megafones, dos maiores bandidos e assassinos cá do burgo que é o planeta Terra. E são tão burros, tão burros, que nem disso eles têm consciência!

observador censurado: Provavelmente, o grupo RTP é o maior agente de difusão de narrativas de "extrema esquerda" com o dinheiro dos contribuintes. Na Antena 1, é quase impossível ouvir uma conversa que não seja aproveitada para difundir narrativas de "extrema-esquerda" e apelar à luta contra o "populismo", a "extrema-direita", o "discurso de ódio", Donald Trump (antes era Bolsonaro), etc.  Tudo efectuado com as "melhores" práticas jornalísticas: sem contraditório. Quando é que os contribuintes vão acordar?

Ricardo Ribeiro: A única coisa que me indigna nisto tudo é ainda ter de contribuir com os meus impostos para essa "palhaçada"...de resto, já não vejo circo há muitos anos...

André Fernandes: Grande motivação para ler e dar audiência ao Observador é mesmo ler e ouvir o Alberto! Não dá para discordar em nada…! Quanto ao azeite de Setúbal… só é de lamentar termos q financiar esse antro de escumalha quer queiramos quer não. Rtp era já privatizada… pra ontem!

Ana Luis da Silva: Proponho que a RTP seja sustentada segundo o princípio utilizador-pagador. Estou certa que estas parvoíces pacóvias e da esquerda “cultural” desapareceriam num ápice. A malta que nasceu após o 25 de abril e não levou com uma lavagem cerebral na escola pública sente o cheiro de propaganda a milhas. Por isso, nem sequer liga a televisão a não ser para ver jogos de futebol. Só ficariam a assistir as carcaças saudosas do indefetível Cunhal, dos tempos do PREC e das FP 25 de Abril.  Estou certa que a programação televisiva levaria uma volta de 180 graus e talvez se voltasse a valorizar a cultura que nos dá identidade civilizacional e que nos orgulha, em vez de dar voz e palco aos papagaios da extrema-esquerda, lacaios do “ódio do bem”.

Antonio Marques Mendes: Parecia surreal e burlesco Demonstração sem espaço para duvidas porque Portugal está a passar pela pior fase de sempre no seu panorama musical. E notem que o padrão já era muito baixo.

Paul C. Rosado: Aquilo a que assisti, durante uns breves minutos, foi o costume: Uma série de inúteis, que só conseguem viver do dinheiro dos contribuintes em concertos pagos pelas câmaras municipais, a fazerem propaganda ao sistema socialista que os engorda. E é melhor nem falarmos dos desordenados sexuais e mentais e as suas figurinhas tristes... Obviamente que a RTP é para privatizar.

Maria Tubucci: Muito bem Observado Sr. AG, hoje apanhou-me desprevenida! Não fazia a mínima ideia do que eram os PLAY, tive de me ir informar. Na minha casa há muito que a TV só faz parte da decoração da sala, provavelmente já oxidou os circuitos, só “vejo” TV quando vou para a casa dos meus pais. Pelo que pode constatar, os PLAY são uma fogueira de vaidades, um poço de virtudes, da virtuosa hipocrisia e demência intelectual do politicamente correcto. E pior, já vão na 8ª edição, cada uma a 2 milhões, já foram queimados 16 milhões do nosso dinheiro. 

Hoje é o dia da gaivota! Uma gaivota voava, voava, asas de vento, coração de mar. Como ela, somos livres, somos livres de voar... Os espécimes decadentes que se babam e arrastam e se premeiam mutuamente nos PLAY, são livres de o fazer, contudo que o façam com seu o dinheiro, não metam as unhas no meu, pois não estou disposta a pagar as baboseiras de pedantes armados aos cucos a pensarem que são gaivotas...  

José Paulo Castro: Há a Guarda Revolucionária, sustentada pelo petróleo do Irão, e há a 'guarda' da revolução, que dá sempre a mesma volta para o mesmo pote de onde sai o mel dos contribuintes. É uma revolução, de facto, embora não por minuto. É um mistério a razão por que a segunda não critica a primeira. Haverá mel extra pago com o mesmo petróleo ?

Ruço Cascais: Receber um premio artístico sem dizer uma coisa de esquerda é o mesmo que ir ao Maine e não comer uma sandes de lagosta.  A ideia parte de uma premissa simples mas ligeiramente errada na minha opinião, que consiste em acreditar que todo o público que promove a cultura é de esquerda.  Pensar que os telespectadores que assistem à sátira do RAP na SIC votam do PS para a esquerda, assim como os desgraçados que vão assistir a um espectáculo do Toy são todos associados da UGT e só comem carne halal é um erro. Na realidade a coisa não anda muito longe, tendo em conta que nos prémios aos melhores cantores de ópera não há referências às causas de esquerda porque a ópera é uma coisa muito conservadora e de gente rica. Frank Sinatra também nunca disse uma coisa de esquerda quando recebia os seus prêmios de carreira.  Portanto, a coisa não é assim tão literal. O público de direita também,  que gosta de cultura e algum público de esquerda também gosta de ópera, música clássica e da Maria Vieira.  Em Portugal o risco de dizer uma coisa de direita pode ser um suicídio. Que o diga a já mencionada Maria Vieira e o Quim Barreiros que teve a lata de actuar num evento do CH.  Mas, se o Quim Barreiros diz que o bacalhau quer alho e os críticos que vão para o c... e acaba por passar entre os pingos da chuva na perseguição política, já a pobre Vieira só lhe resta ser eleita pelo CH para um cargo político, merecia. Também pode optar por ser cantora de opera. 

Entretanto o CH chegou aos órgãos de opinião da RTP e a coisa promete. De um lado o Nicolau Santos a querer promover a ideologia de gênero em desenhos animados do outro o Pedro Pinto a querer correr com as Carmo's Afonso da estação. Vai dar faísca. Ainda bem, está na altura de pôr um travão na ideologia comunista que grassa pela RTP.

Nota: ando com água na boca por uma sandes de lagosta desde que o Sr. Alberto as mencionou na semana passada. Ainda vou ter que ir aos Estados Unidos, não para ver o Trump, mas para comer o raio da sandes de lagosta. 

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