segunda-feira, 4 de junho de 2018

Amigalhaços



Há muito que os não ouvia, aos combatentes do Eixo do Mal. Espreitei hoje, para ver se também “mergulhavam” no tal tema fracturante que todos os atentos e civilizados têm por obrigação “fracturar”, com maior ou menor empenho, com maior ou menor empáfia, na suposição da sua representatividade para alterar estatutos e orientar opiniões, que assim é que avançamos na civilização, como sempre se viu, dantes segundo a lei do mais forte, em guerras ou ditaduras, agora mais democraticamente por meio de debates denunciadores das inteligências opinativas orientadoras das opiniões. Tive ocasião de verificar que, o que muitas vezes os separava, aos quatro, dentro do seu diferente posicionamento partidário, deixou de existir nesta questão, onde todos se mostraram unânimes em confessar-se adeptos da tal eutanásia, desde que, evidentemente, não se vá bater com os costados nas grades de uma prisão. Que é isso que se defende, eliminar quem estorva, que a vida acaba por se tornar incómoda, ao que parece, tanto para os que sofrem como para os que os aturam, apesar das instituições de recolha, que, de resto, ficam caras e dum modo geral são sítios degradantes, que devem constranger os velhos que lá vivem ainda com alguns resquícios de entendimento. Mas não é disso que se trata, neste momento, é antes a necessidade de os despachar para morrerem com “dignidade”, numa “morte assistida”, que foi a designação que Pedro Marques Lopes preferiu à de “eutanásia”, com a aprovação dos outros, que isso de certo modo os ilibava a todos – passando, “magnanimamente” a pasta do assassínio a outro, o médico assistente - de terem contribuído para despachar uns quantos que visivelmente estão aqui a mais, com o pretexto de que estão a sofrer sem dignidade e sem esperança. Aliás, não tarda a que, aprovada a lei na próxima legislatura, outra proposta dos que agora sofrem pelo sofrimento alheio - e por isso acham que sim, que eles têm direito a despachar a sua vida já indigna, pelos desarranjos que causa em seu redor, embora afirmem que é em nome da liberdade e da dignidade que a morte assistida lhes é proporcionada – aprovada, pois, essa lei, não tarda a que outra se lhe siga – a de despachar os reformados que se tornam um peso financeiro enorme, nas economias da nação, e convém suprimir quanto antes, para facilitar a vida aos jovens. A própria Clara deu a entender que os velhos cá na nossa terra estão em excesso, e que o Estado tem que se ocupar mais dos novos, vê-se bem que é uma pessoa preocupada com o sofrimento geral, dos velhos a mais e dos novos a menos, conquanto todos eles se mostrassem muito indignados com os cartazes dos manifestantes em redor da assembleia, no dia da votação, com os dizeres reaccionários – “Não matem os velhinhos” e quejandos. Notei, pois, que os quatro comentadores estão mais afins uns dos outros, julgo que também para não desfeitearem o moderador Aurélio Gomes, que apresenta sempre imagens iniciais e finais do seu programa plenas de gozo e ironia sobre os conservadorismos de uma sociedade inferior, mas que aos poucos se irá convertendo em sociedade evoluída, graças às manipulações das Claras e Daniéis e Aurélios – os outros vão sendo gradualmente domados, embora finjam alguma independência ainda, lutando, naturalmente, pela sua vidinha, que convém defender, enquanto não chega a hora.


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