domingo, 14 de outubro de 2018

Uma crónica importante


Quando andava no meu 4º ano do liceu, o padre José Nunes, nosso professor de Moral – mais do que de religião, que não me lembro que impusesse, ou que nos ensinasse, sequer, a ler a Bíblia, que eu tanto desejava conhecer, sobretudo no mundo mirífico do Velho Testamento - perguntou às alunas se eram baptizadas. Todas responderam normalmente, numa estatística de afirmação positiva que deveria rondar os 100%, nesses tempos gloriosos de obediência estrita às normas civis impostas, que não lembrava ao diabo pôr em causa, nem, de resto, parecia importante. Mas houve uma aluna – a Isabel Koch – tão simpática sempre, e de quem eu gostava a valer, pela sua compostura e educação – que toda se revoltou em brados do meu espanto: as características específicas dos cidadãos, envolvendo ideologia, eram pessoais e secretas, nenhum Estado ou, pelo menos, nenhum instrumento desse Estado tinham o direito de nele querer imiscuir-se, cada um seguindo os hábitos da sua religião ou da ausência dela. E a velha admiração permanece, ao lembrar o episódio, pela liberdade de pensamento e de opinião manifestada por essa colega de origem alemã, que nos dava uma lição de independência e orgulho próprio, aprendido com os seus familiares, que uma educação mais potente – mau grado o interregno de um governo ditatorial assustador – ensinara a preservar.
Vem o intróito por conta da crónica de Rita Fontoura, - Igualdade de Género vs Ideologia de Género – despoletada (se me é permitido usar o termo que os mais puristas entendem erróneo  defendendo a mais lógica “desespoletada”) – despoletada, repito, pelo inquérito, numa escola portuguesa, sobre a vida sexual das crianças pré-adolescentes. Ao invés de dar um parecer, necessariamente indignado pela “parvoiçada” pedante e provocatória nele contida, transcrevo algumas opiniões pró e contra, as do pró cuidando que tal tipo de investigação - que não passa - (sempre vou opinar) - de pura canalhice deseducativa e desrespeitadora do mundo íntimo infantil, dum modo geral ingénuo, servirá, pelo contrário, para defender valores de liberdade e aceitação respeitadora. Realmente, tudo isso não passa de má formação e deveria ser punido o professor ou a instituição que promoveram o inquérito. A aceitação do “outro”, por muito aberrante que pareça, depende de uma educação real, nos valores que diferenciam os seres, não sendo necessário o exibicionismo provocatório do tal “género”, (segundo a terminologia da nossa solidariedade democrática recente) para que se aceite o outro, pobre, rico, branco ou de outras cores, homem, mulher ou assim assim.
 Cada um é “seus caminhos”, afinal, informou Gedeão … Ou, como escreveu José Gomes Ferreira, embora um tanto fora do contexto, mas para nos limpar a alma:
Chove... 
Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?
Chove...
Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.
Uma crónica importante, a de Rita Fontoura, de raciocínio lógico, terçando armas pela Educação do seu país futuro. Que nunca as mãos lhe doam.

Igualdade de Género vs Ideologia de Género”
RITA FONTOURA
OBSERVADOR, 12/10/2018
Queremos um ensino tendencialmente gratuito, mas não queremos que o Estado decida qual a ideologia, religião ou modelo educativo que melhor se adequa aos nossos filhos. Isso é tarefa das famílias.
A propósito do episódio inacreditável de apresentação de um inquérito sociodemográfico a alunos do 5º ano numa escola pública no Porto, parece-me importante parar um pouco para pensar no que está a acontecer no mundo da educação e da saúde.
A educação e a saúde são serviços a que todos temos direito e que no nosso país, segundo a constituição, devem ser tendencialmente gratuitos.
A família é um dos pilares da sociedade, aliás de acordo com a ONU a família é a célula base da sociedade e por isso deve ser fortalecida”. Por esta razão, cabe ao Estado apoiar e proteger a família para que esta possa cumprir o seu papel nomeadamente no que respeita à formação das crianças.
Temos portanto esclarecido que cabe à família a formação dos seus filhos e ao Estado o apoio à família para que possa cumprir a sua tarefa.
O que é a igualdade de género? É a promoção do direito a igual dignidade e iguais oportunidades entre homens e mulheres. Ter iguais oportunidades e igual dignidade deve conferir a cada ser humano a capacidade de escolher, de acordo com as suas preferências e de forma livre. Neste contexto entende-se a existência de dois géneros: o género feminino e o género masculino a que correspondem características biológicas bem distintas, responsáveis por diferentes preferências, por diferente aparência, enfim por um diferente comportamento. A igualdade de género deve promover também o respeito por estas diferenças biológicas através de políticas específicas para a condição por exemplo da mulher grávida, já que não existe a possibilidade de um homem engravidar e políticas genéricas, quando não estão em causa condições específicas, como por exemplo o acesso ao trabalho.
Em suma, a preocupação de um estado com a igualdade de género é louvável e deve ser entendida como uma oportunidade para as famílias repensarem a sua organização e a forma como preparam os filhos para um mundo competitivo, culturalmente diverso e socialmente complexo.
E o que é a ideologia de género? É uma corrente de pensamento que defende que a identidade sexual dos seres humanos não depende da biologia, ou seja, da natureza, mas sim de factores culturais, podendo ser moldada pela educação. Nesta linha de pensamento os seres humanos são aquilo que pensam ser e não o que a biologia diz sobre eles inclusivamente, ignorando a dimensão hormonal. Levada ao extremo, esta ideologia propõe a existência de muitos géneros e não apenas homens e mulheres e ainda a mudança de género ao longo da vida de acordo com a ideia que cada um vai formando de si mesmo.
Os defensores desta ideologia usam o método da apropriação de conceitos mais consensuais para nos confundir. É este o caso da confusão que se gera em torno da igualdade de género e da ideologia de género.
Volto agora à razão por escrevo estas palavras – o inquérito na escola Francisco Torrinha. Para além do apuramento dos factos que desejamos que aconteça de forma cabal, é necessário que as famílias se unam em torno do perigo a que estão sujeitas ao serem relegadas para segundo plano, deixando ao estado o papel de educar os seus filhos. Não é isso que está na constituição. Queremos um ensino tendencialmente gratuito, mas não queremos que o Estado decida qual a ideologia, religião ou modelo educativo que melhor se adequa aos nossos filhos. Isso é tarefa das famílias. Se o Estado quer ter escolas em vez de promover e financiar a iniciativa privada, deve abster-se de impor através de disciplinas específicas ou de forma disseminada nos conteúdos programáticos das diferentes disciplinas, temas que extravasam os saberes específicos (matemática, português, história, ciências, etc). Quaisquer outros temas, sejam ideológicos ou religiosos, podem ser ofertas da escola mas com carácter de livre escolha e apresentados de forma transparente para que os pais possam entender a proposta e aceitá-la ou não para os seus filhos.
O que aconteceu na escola Francisco Torrinha foi a aplicação de conceitos da ideologia de género de forma obrigatória e não consentida.
Este não foi um caso isolado. O Ministério da Educação tem em marcha um plano educativo com acções de formação para professores e outros agentes de educação e com manuais escolares que ensinam a ideologia de género. Os pais devem estar atentos e usar todos os meios para rejeitar liminarmente toda e qualquer ingerência de carácter ideológico na formação dos seus filhos.
As famílias não têm sindicatos que as defendam e cada vez menos partidos se interessam por elas. Mas as famílias têm a maior de todas as forças — o Amor que nos faz até dar a vida pelos nossos filhos. Olhemos com olhos de Amor para a educação dos nossos filhos. Não chega oferecer-lhes bem-estar é preciso formá-los para que estejam preparados para os desafios do mundo. Dá muito trabalho mas só assim poderemos um dia descansar por sentir que cumprimos o nosso dever.
COMENTÁRIOS:
Maria José Melo: Existe realmente uma ideologia de género. As pessoas que a defendem querem acabar com a sociedade como a conhecemos e criar outra, que elas possam manipular.
Paulo Lopes: Excelente artigo. Começou nas escolas a tal educação para a cidadania que não é mais do que doutrinar os jovens para a aceitação da ideologia de género. É preocupante... Vamos acordar pais, professores e alunos.
Maria Emília Santos Santos: Numa democracia cada um é livre de ler e escrever o que pensa, mas na nossa, que de democracia pouco tem, só se for a favor da ideologia de género, é que se pode livremente dizer tudo de bom. E como ela é uma mentira pegada e total, é uma autêntica enganação, pessoas verdadeiras não servem! É preciso é entrar nas escolas, camuflados de Cidadania e Desenvolvimento, de Flexibilidade escolar, de inclusão, de escolas para todos, etc...para "educar"as nossas crianças na podridão do engano de que nascem sem sexo, ou que o sexo não existe, e que eles podem escolher, e ser outra coisa qualquer.
Obrigada Rita Fontoura, pelo seu extraordinário artigo! Há muita confusão em volta deste assunto, porque ele é envolto em mentira, para melhor o poderem impor aos nossos filhos e netos! A ONU tem o seu especialista LGBT  de nome, Vitit Muntarbhan a quem entregou um relatório com poderes absurdos, inclusivamente de interferir nos governos soberanos dos países sobre como deve agir, para que a homossexualidade seja vitoriosa em metade da população mundial até 2030. (veja-se relatório). (Editorial: O Primeiro Relatório do CZAR LGBT da ONU Falsifica o Registo da ONU). Este relatório "visa as crianças, promove o casamento homossexual, denigre a cultura tradicional e a religião e endossa a interferência nos assuntos internos dos estados soberanos".Etc... O mundo inteiro tem feito manifestações de toda a espécie, contra esta diabólica ideologia, que tem por objectivo destruir a humanidade! A media está totalmente nas mãos deles, e nós, as famílias, só sabemos o que lhes agrada a eles, que são mentiras umas atrás das outras. Existem imensas associações de pais, por todo o mundo, contra este veneno que é a ideologia de género. A ideologia de género como o aborto, estão na mão de lobbys poderosíssimos, que nós nem imaginamos.
Anti Esquerda: "de acordo com a ONU “a família é a célula base da sociedade e por isso deve ser fortalecida”. Por razões puramente ideológicas, a Esquerda mais não faz, e permanentemente, do que tentar por todos os meios e processos DESTRUIR a família, tentando assim destruir a actual Sociedade para posteriormente construir (supostamente) o "admirável mundo novo"
…MCMCA -> A Fábio Gomes: Pelos vistos você não leu o inquérito ou se o leu foi com muito pouco rigor porque à criança foi perguntado se se sentia mais atraída por homens ou mulheres (e não se gosta de meninos ou meninas), pergunta essa que vem na sequência de duas outras sobre o namoro. Deste modo começa-se por aceitar que tanto faz ser atraída por homens ou mulheres porque é tudo igual começando logo aí implicitamente a induzir que a norma (estatística) é idêntica. Pior, vulgariza-se que crianças sejam atraídas por adultos abrindo caminho à pedofilia e, ainda por cima, ingerem-se em algo que é do foro intimo de cada um e que lhes caberá decidir quando chegarem à idade adulta. 
Carminda Damião: Excelente texto. Os responsáveis deste inquérito aberrante, devem ser punidos.
Diego Maradona: Um dos melhores artigos que já li sobre o tema. Explica de uma forma clara e simples tudo que está em causa. Parabéns. Agora que podemos fazer para evitar que o estado doutrine os nossos filhos
Domingos Dias -> Diego Maradona: Devemos atacar estas idiotices em vez de ficarmos calados. QUEM CALA CONSENTE
Maria Augusta Martins: Géneros? Só Alimentícios! Temos sexo, macho ou fêmea e às vezes aparecem umas aberrações da natureza, síndroma de Klinfelter! O resto são masturbações psico-ideológicas de cérebros imaturos , drogados ou alcoolizados!
Guilherme A. Ferreira Promover a tolerância e o respeito por pessoas com identidades, interesses e gostos distintos aos nossos não é uma matéria ideológica. Não é isso que a Constituição consagra? Que todos os seres humanos têm a mesma dignidade independentemente da raça ou do género, da ideologia ou da orientação sexual? Se assim é, ensinar as crianças a perceber que há pessoas diferentes e que devem respeitar essas diferenças, não é uma matéria ideológica, que dependa exclusivamente da vontade das famílias. É uma matéria que o Estado deve promover e é uma mensagem que deve ser disponibilizada a qualquer criança. Ou será que queremos cidadãos preconceituosos? Será que o Estado não deve fazer nada que contrarie famílias que ensinam as crianças a serem racistas? Deve o Estado ficar indiferente perante famílias que ensinam as crianças a terem medo ou ódio de estrangeiros? O que é isso de "bem formar" as crianças? É fazer delas preconceituosas?
victor guerra -> Guilherme A. Ferreira: Você tem mais atracção sexual por mulheres, homens. homos, trans, crianças ,já que tem um cabaz aberto e "sem preconceitos"?
Guilherme A. Ferreira -> victor guerra: São importantes, para esta discussão, as minhas atracções? Ou será que é mentalmente destituído ao ponto de julgar que, para sermos tolerantes com pessoas de raça distinta, temos de informar o mundo sobre a nossa raça? Que pergunta mais idiota a sua.
Pedro Anjos: O inquérito em questão nada teve a ver com ideologia de género - apesar de concordar com o ponto de que o Estado não deve promover agendas ideológicas ou religiosas (mas atenção, ensinar tolerância não é promover ideologias), quer-me parecer que a autora está a tentar aproveitar a onda para empurrar uma agenda sua contra o que chama ideologia de género.
ProtoTypical -> Pedro Anjos: "Nada teve a ver com ideologia de género"? Ou vive noutro planeta, ou tacitamente legitima esta barbaridade de exploração sexual de crianças e jovens.


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