sábado, 13 de junho de 2026

A dimensão humana

 

Medida no pretensiosismo das chefias mundanais, enquanto o mundo vai girando, atento ou indiferente

Guerra no Irão acabou? Os detalhes do memorando que já está escrito, mas ainda não foi assinado

Memorando prevê reabertura de Ormuz e retirada de urânio enriquecido de solo iraniano. Deverá ser assinado em breve. EUA e Irão vão continuar negociações para acordo final — e à revelia de Israel.

JOSÉ CARLOS DUARTE

12 jun. 2026, 22:04

ÍNDICE

OS 14 PONTOS: AS MUITAS DÚVIDAS EM REDOR DO QUE O IRÃO DIVULGOU

AS EXIGÊNCIAS NORTE-AMERICANAS E OS AVISOS DE ISRAEL QUE QUER CONTINUAR A DESMONTAR O EIXO DE RESISTÊNCIA

GUERRA NO IRÃO ACABOU? OS DETALHES DO MEMORANDO QUE JÁ ESTÁ ESCRITO, MAS AINDA NÃO FOI ASSINADO

TEXTO

JOSÉ CARLOS DUARTE

MEMORANDO PREVÊ REABERTURA DE ORMUZ E RETIRADA DE URÂNIO ENRIQUECIDO DE SOLO IRANIANO. DEVERÁ SER ASSINADO EM BREVE. EUA E IRÃO VÃO CONTINUAR NEGOCIAÇÕES PARA ACORDO FINAL — E À REVELIA DE ISRAEL.

12 jun. 2026, 22:04

Num conflito em que se repetem os volte-faces e em que existe uma constante guerra para dominar a narrativa, certo é que Donald Trump cancelou os ataques que tinha inicialmente anunciado esta quinta-feira à noite e deixou cair as ameaças de controlar a ilha de Kharg. O Presidente norte-americano assegurou também que os altos dirigentes do regime iraniano deram luz verde ao memorando. Todas as partes concordaram”, assinalou o líder dos Estados Unidos, frisando que outros países no Médio Oriente — como Israel, os Emirados Árabes Unidos, o Qatar ou a Turquia — também estão de acordo com a solução.

Em resultado deste aparente consenso, dirigentes iranianos e norte-americanos deverão encontrar-se na Europa nos próximos dias para assinar o memorando de entendimento. A Bloomberg avança que a assinatura terá lugar em Genebra, na Suíça, no domingo, devendo ser o vice-presidente norte-americano JD Vance a assumir essa responsabilidade. Quatro aviões da Força Aérea dos Estados Unidos já foram transferidos para a Europa para preparar a visita do número dois da Casa Branca a território suíço.

JD Vance deverá ser o principal responsável norte-americano da assinatura do memorando de entendimento

AARON SCHWARTZ / POOL/EPA

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O lado iraniano revelou publicamente os 14 pontos do memorando de entendimento. Contudo, Donald Trump já veio contestá-lo publicamente e garantiu que não era verdadeiro. Numa publicação na Truth Social, o líder norte-americano assegurou que os termos que o Irão divulgou “não têm nada a ver” com o que ficou definido. “O que eles dizem não tem qualquer relação com a verdade. São pessoas muito desonestas. Com eles não há nada que seja de boa fé”, atacou, lançando um aviso: “É melhor que eles se organizem, e rapidamente”.

As mensagens públicas revelam que os dois lados têm um objectivo claro em mente com todo este processo negocial: declarar vitória para consumo interno. Donald Trump quer apresentar-se como aquele que impediu o Irão “de ter uma arma nuclear”, reabrindo pelo meio o Estreito de Ormuz. Em simultâneo, o regime iraniano sabe que um futuro acordo favorável será fundamental para a sua legitimação após a morte de Ali Khamenei — a narrativa será que os novos líderes conseguiram novamente derrotar tanto as intenções dos EUA, como Israel na região, vergando-os à sua vontade.

Os 14 pontos: as muitas dúvidas em redor do que o Irão divulgou

A agência de notícias iraniana Mehr avançou quais serão os 14 pontos do memorando do entendimento. Os Estados Unidos nunca o confirmaram — como Donald Trump deixou bem claro — e é certo que não serão aqueles que foram divulgados pelo Irão. Segundo avançou o jornal Axios, os tópicos de discórdia foram muitos durante as negociações, como a reabertura do Estreito de Ormuz, o levantamento de sanções, os fundos atribuídos a Teerão para reconstrução de infraestruturas e o enriquecimento de urânio.

Estreito de Ormuz deve reabrir com base no memorando de entendimento

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Caso o Irão avançasse com o plano que difundiu nos meios de comunicação social próprios, o regime obteria uma vitória em toda a linha. As hostilidades cessavam com a sensação de triunfo para Mojtaba Khamanei, que manteria o aliado Hezbollah no Líbano, país em que também havia um “fim permanente das hostilidades” — o que frustraria os objectivos de Israel. O memorando previa que os Estados Unidos prometeriam que não haveria uma “nova interferência dos assuntos internos do Irão”, assim como a “retirada de todas as suas forças dos arredores” do país.

A versão iraniana filtrada à agência Mehr implicaria uma retirada significativa de tropas norte-americanas no Médio Oriente. “Durante as negociações, os EUA comprometeram-se a não aumentar as suas forças na região e a não impor novas sanções” — é igualmente um dos pontos deste memorando de entendimento, que também levaria ao “levantamento completo do bloqueio naval em 30 dias”.

Na mesma medida, os Estados Unidos teriam aceitado suspender as “sanções à venda de petróleo e produtos petroquímicos”, dando o “acesso irrestrito” de Teerão “aos recursos financeiros” a que considera ter direito. Mais: a Casa Branca libertaria 24 mil milhões de dólares (cerca de 21 mil milhões de euros) “em fundos iranianos bloqueados” nos próximos 60 dias. “Metade deste montante deveria ser disponibilizado ao Irão antes do início das negociações.”

Versão iraniana sugere que EUA diminuiria a presença militar no Médio Oriente

VALDA KALNINA/EPA

ÍNDICE: Os 14 pontos: as muitas dúvidas em redor do que o Irão divulgou As exigências norte-americanas e os avisos de Israel que quer continuar a desmontar o eixo de resistência

O ponto que talvez seria uma concessão significativa dos Estados Unidos seria a possibilidade de os Estados Unidos terem concordado em apresentar um “plano de reconstrução para o Irão”, juntamente com os aliados na região, no valor de 300 mil milhões de dólares (cerca de 259 mil milhões de euros). “As negociações finais não terão início antes da libertação de metade dos fundos congelados do Irão, da suspensão das sanções ao petróleo iraniano e do levantamento do bloqueio naval”, lia-se ainda na versão iraniana.

Por sua vez, o Irão apenas cederia, nesta versão, na reabertura do Estreito de Ormuz nos próximos 30 dias. O país aceitava que, nos próximos 60 dias, se chegaria a um “acordo final baseado em questões nucleares e na completa suspensão das sanções primárias e secundárias dos EUA, bem como das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e do Conselho da Agência Internacional de Energia Atómica”. Teerão também reiteraria a premissa de que não “produziria armas nucleares” e permitiria um “mecanismo de monitorização para implementar o acordo”.

Com base nestes 14 pontos, o Irão poderia declarar vitória, saindo desta guerra numa posição relativamente privilegiada. Porém, tal como Donald Trump já confirmou, esta versão não será a final. Os Estados Unidos dificilmente fariam concessões deste género, principalmente no que toca aos fundos de recuperação de 300 mil milhões de dólares. Mesmo assim, a estratégia de Teerão pode ter tido duas finalidades: obter um maior número de cedências dos norte-americanos na recta final das negociações e apresentar este memorando aos iranianos como o definitivo — ditando, desta forma, qual será o tom da discussão dentro de fronteiras.

Chefe da diplomacia iraniana tem sido o responsável pelas negociações

DMITRI LOVETSKY / POOL/EPA

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Segundo adiantou o Axios, que ouviu fontes de países mediadores como o Qatar ou o Paquistão, o Irão terá feito cedências em relação ao programa nuclear, incluindo no enriquecimento de urânio. Sobre este ponto, Teerão ter-se-á mostrado disponível para “reduzir a concentração de urânio altamente enriquecido dentro do país, sob a supervisão de inspetores das Nações Unidas”. Desta forma, as concessões iranianas “teriam satisfeito todas as exigências norte-americanas”.

Sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, os dois países não estiveram logo de acordo. Os EUA querem a abertura imediata sem qualquer tipo de portagens — o regresso àquilo que acontecia antes do conflito —, ao passo que o Irão apenas se compromete a fazê-lo daqui a 30 dias. Em troca, os norte-americanos aliviariam as sanções à venda de petróleo iraniano, algo que poderia estender-se a outros sectores da economia do Irão se o país continuasse a mostrar “boa-fé” nas negociações. Um diplomata contou ao jornal que “ainda não há data para o alívio das sanções, que estará ligado à implementação do acordo”.

No que diz respeito aos fundos congelados, os Estados Unidos concordariam em libertar algumas verbas — mas apenas em tranches. Não existe nenhuma confirmação dos 24 mil milhões de dólares a que a versão iraniana alude. O Axios refere que o Irão teria acesso a alguns fundos congelados no Qatar para adquirir bens humanitários. Aliás, a diplomacia qatari, juntamente com a paquistanesa, está bastante empenhada em que seja assinado um memorando de entendimento.

Alívio de sanções ao petróleo iraniano seria por fases

GUILLAUME HORCAJUELO/EPA

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Por agora, indica o Axios, muitos dos contactos terão sido feitos entre o diplomata qatari Ali Al-Thawadi e o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, com o conhecimento dos enviados especiais norte-americanos, Jared Kushner e Steve Witkoff. No entanto, o memorando de entendimento deverá ter o nome de Islamabad — a capital do Paquistão, país que está a desempenhar um papel fulcral nas negociações entre Teerão e Washington.

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, realçou precisamente esta sexta-feira os “esforços de mediação intensos feitos pelo Paquistão”, deixando a acusação de que está em curso uma “campanha de desinformação levada a cabo por aqueles que querem sabotar o acordo de paz”. “Colocando de parte o barulho, podemos confirmar que o texto do acordo final foi alcançado e o Paquistão está a trabalhar com os dois lados para finalizar os próximos passos”, disse o chefe do executivo, declarando: “A paz nunca esteve tão próxima”.

Da parte do regime iraniano, é o ministro dos Negócios Estrangeiros quem está a desempenhar um papel fundamental. No X, Abbas Araghchi escreveu esta sexta-feira à tarde que o “memorando de entendimento de Islamabad” nunca esteve tão perto de concretizar-se. “Até à sua finalização”, o governante pediu que não se “especulasse”, prometendo partilhar todos os “detalhes” durante as próximas horas.

As exigências norte-americanas e os avisos de Israel que quer continuar a desmontar o eixo de resistência

O Irão avançou com a versão iraniana, mas a imprensa norte-americana também divulgou alguns detalhes do que a Casa Branca terá exigido. Segundo apurou a CNN Internacional junto a fontes familiarizadas com o assunto, os Estados Unidos apresentam uma versão bastante diferente, algo que foi corroborado também pelo vice-presidente norte-americano. No X, JD Vance respondeu esta sexta-feira à tarde às “informações falsas” que têm circulado sobre o acordo.

Os iranianos não vão receber qualquer dinheiro nem fundos apenas por assinarem um acordo ou irem a um encontro”, avisou JD Vance, que destacou, tal como já tinha indicado o Axios, que o regime iraniano apenas terá direito a essas verbas quando “cumprir as suas obrigações”. “O Presidente vai dar-nos um bom desfecho de uma maneira ou de outra”, sublinhou o vice-presidente.

A CNN assinala também que este memorando de entendimento apenas se materializará conforme a “performance” do Irão — o país só receberá fundos quando cumprir as exigências dos Estados Unidos. Além disso, o canal de televisão informa que os norte-americanos conseguiram que no memorando estivesse a promessa da destruição ou remoção do material nuclear do Irão, assim como o desmantelamento do programa nuclear.

"Os iranianos não vão receber qualquer dinheiro ou fundos apenas por assinarem um acordo ou irem a um encontro."

JD Vance, vice-presidente norte-americano

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Os 14 pontos: as muitas dúvidas em redor do que o Irão divulgou

As exigências norte-americanas e os avisos de Israel que quer continuar a desmontar o eixo de resistência

Outro pormenor que ainda não tinha sido abordado e que está a ser avançado pela CNN consiste no fim do financiamento do Irão a “grupos terroristas”. Teerão teria feito um compromisso para deixar de dar dinheiro a grupos como o Hezbollah, no Líbano, e os Houthis, no Iémen, entre outros. Esta exigência, no entanto, compromete a estratégia do Irão no Médio Oriente, tornando-se um trunfo para Israel, o seu rival geopolítico na região — existindo algumas dúvidas sobre se será ou não verdadeira.

Em relação a Israel, alguns membros do Governo também se pronunciaram sobre o acordo. Um possível memorando terá implicações geopolíticas e políticas — e o país liderado por Benjamin Netanyahu também deseja sair com algum tipo de vitória deste processo, mesmo que não esteja diretamente envolvido nas negociações. Para o primeiro-ministro israelita, o melhor cenário seria que os Estados Unidos continuassem a alinhar-se em operações militares para enfraquecer o regime iraniano. Mas isso está muito longe de se concretizar — e essa percepção já é evidente em Telavive.

No X, Benjamin Netanyahu escreveu uma publicação esta sexta-feira em que parece ter-se resignado a uma das poucas vitórias que Israel poderá obter deste memorando de entendimento que poderá dar origem a um acordo mais amplo:O Irão não terá armas nucleares”. “Existe um acordo completo que fiz com o Presidente Trump sobre este assunto. Durante os últimos 30 anos, estive na liderança na campanha internacional contra o programa nuclear no Irão”. O chefe do executivo lembrou também que, não tivesse feito esses esforços, o Irão teria “há muito tempo bombas atómicas para destruir Israel”.

Primeiro-ministro israelita lembrou esforços para que Irão não desenvolvesse armas nucleares

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Os 14 pontos: as muitas dúvidas em redor do que o Irão divulgou

As exigências norte-americanas e os avisos de Israel que quer continuar a desmontar o eixo de resistência

A poucos meses das eleições legislativas israelitas, o primeiro-ministro de Israel sabe que um acordo entre EUA e Irão que abone a favor do regime iraniano será um activo tóxico para a campanha. Daí Benjamin Netanyahu ter recordado que “dedicou toda a sua vida a prevenir” o Irão de ter uma bomba atómica. “Enquanto for primeiro-ministro de Israel, isso não vai acontecer”, prometeu.

Na mesma linha, o ministro da Defesa israelita e aliado político de Benjamin Netanyahu, Israel Katz, revelou mais detalhes sobre a posição de Israel durante as negociações entre Teerão e Washington. O governante recordou que este memorando tem em consideração os “interesses norte-americanos, incluindo os interesses partilhados com Israel — para impedir o Irão de adquirir armas nucleares”. “Esperamos que ele [Donald Trump] siga este princípio.”

Israel Katz recordou que Telavive e Washington infligiram “duros golpes no Irãoe que isso prejudicou as capacidades de o regime iraniano atacar Israel durante “muitos anos”. No futuro, “Israel deve garantir que, no futuro, terá a capacidade de agir de forma independente para evitar que o Irão tenha armas nucleares. O primeiro-ministro e eu instruímos as Forças de Defesa de Israel [IDF, sigla em inglês] para se prepararem para isso”, anunciou.

"Israel deve garantir que, no futuro, terá a capacidade de agir de forma independente para evitar que o Irão tenha armas nucleares. O primeiro-ministro e eu instruímos as Forças de Defesa de Israel [IDF, sigla em inglês] para se prepararem para isso."

Israel Katz, ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel

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As exigências norte-americanas e os avisos de Israel que quer continuar a desmontar o eixo de resistência

Independentemente do memorando, Israel Katz assegurou que as IDF vão continuar a “defender as fronteiras e os cidadãos” no norte de Israel e perto da fronteira de Gaza. “A nossa doutrina de segurança é clara: vamos agir contra as ameaças distantes e próximas, almejando desfechos decisivos em vez de compromissos e concessões”. O ministro reconhece que muito “está em jogo” e que Israel não vai abdicar das suas capacidades para “lutar contra o eixo de resistência liderado pelo Irão e a Irmandade Muçulmana”.

Nas entrelinhas, o ministro deixou bem claro que, por muitas cedências que os Estados Unidos até possam fazer ao Irão, o Governo de Israel não as vai aceitar na íntegra. Por agora, o objectivo de Telavive continua a ser desmembrar o eixo de resistência — por muito que um possível acordo entre EUA e Irão coloque isso em causa. A grande dúvida — e possível ponto de fricção entre os norte-americanos e israelitas — surgirá se o memorando de entendimento implicar o fim das hostilidades no Líbano. Vai Israel simplesmente obedecer às ordens de Donald Trump sem as contestar?

De qualquer forma, a administração norte-americana está cada vez mais a desvincular-se do apoio irrestrito a Israel e ao Governo do país. Por exemplo, Donald Trump já questionou por que motivo Benjamin Netanyahu se vai candidatar a umas novas eleições legislativas: “Ele teve uma carreira incrível. Ele quer continuar? Porque ele é um primeiro-ministro em tempos de guerra. Vamos ganhar a guerra de uma maneira ou outra, mas ele é um primeiro-ministro em tempos de guerra”.

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Primeiro-ministro israelita e Presidente norte-americano estão a distanciar-s

Anadolu via Getty Images

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Os 14 pontos: as muitas dúvidas em redor do que o Irão divulgou

As exigências norte-americanas e os avisos de Israel que quer continuar a desmontar o eixo de resistência

Esta distância entre Telavive e Washington torna-se cada vez mais pública e é reconhecida por vários dirigentes do Governo israelita. Como disse Israel Katz numa publicação no X, o país sabe que tem de agir “de forma independente” e que os Estados Unidos dificilmente se envolverão, a breve prazo, numa acção militar contra o Irão ou os seus aliados no Médio Oriente. O canal 12 israelita avançou que Donald Trump apenas informou Benjamin Netanyahu do memorando de entendimento — e que o primeiro-ministro nem o tentou dissuadir.

O vice-presidente norte-americano esclareceu numa entrevista que, apesar de Israel ser um “parceiro muito próximo” dos Estados Unidos, há ocasiões em que os interesses não são os mesmos. “O que vi com o primeiro-ministro é que ele defende agressivamente os interesses do seu país. Às vezes, isso significa que estamos na mesma página, outras vezes não”, afirmou JD Vance, que apontou que Benjamin Netanyahu cometeu “alguns erros” ao longo dos últimos tempos.

Nos cálculos políticos da Casa Branca, um acordo com o Irão parece ser a solução natural. JD Vance defendeu que “os interesses norte-americanos” devem ser aqueles que guiam a acção dos Estados Unidos, e Israel já admite que irá agir de forma mais autónoma nos próximos tempos. Os Estados Unidos esperam agora chegar a acordo com o regime iraniano, sendo o primeiro passo este memorando de entendimento finalizado, mas ainda não assinado e susceptível de alterações de última hora.

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