sábado, 6 de junho de 2026

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De regresso às origens? E assim deixamos? Estranho mundo, afinal! Tanta cobardia implícita no deixar correr…

Morrer com Henry Nowak

O projecto woke de liquidar as nações históricas na Europa não resultará numa humanidade cosmopolita, mas num tribalismo conflituoso.

RUI RAMOS Colunista do Observador

OBSERVADOR, 05 jun. 2026, 00:25

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Aconteceu numa noite de Dezembro, em Southampton, no Reino Unido. Henry Nowak era um estudante de 18 anos que regressava a casa. Foi esfaqueado cinco vezes por Vickrum Digwa, um Sikh. Quando a polícia chegou, Nowak estava caído no chão. Mas Digwa tinha congeminado a escapatória perfeita: acusou Nowak, falsamente, de ter sido “racista”. Perante a alegação (falsa) de racismo, a polícia ignorou o esfaqueamento e algemou Nowak, sempre prostrado e em sofrimento. Quando Nowak se queixou de que não conseguia respirar, a polícia troçou dele. Sem auxílio, Henry Nowak morreu.

O vídeo policial agitou a Grã-Bretanha. Para muita gente, foi mais uma prova de como anos de adestramento wokista condicionaram a polícia: bastou a vítima ser um homem branco, e o assassino pertencer a uma “minoria”, para tudo se inverter, a vítima passar a culpado e o assassino a vítima. A propósito, recordaram-se outros casos em que as autoridades não actuaram por receio de parecerem racistas: o bombista que em 2017 matou 22 jovens num concerto em Manchester, e que, por ser líbio, não foi parado, apesar da mochila suspeita; a rede de pedófilos em Rochdale que pôde actuar impunemente até 2010 por as vítimas serem raparigas brancas e os criminosos de origem asiática.

O crime de Southampton gerou uma versão branca do Black Lives Matter. Os protestos contra o “racismo invertido” deixaram 11 polícias feridos. Mas é para admirar que os brancos do Reino Unido aspirem também ao estatuto privilegiado de vítimas de “racismo” de que veem beneficiar os habitantes de outras cores? Outrora, o racismo era a ideologia dos que acreditavam em raças e na sua hierarquia. Como tal, foi justamente refutado e reprovado. Agora, em regime woke, é demasiadas vezes uma acusação que alguns são convidados a usar para culparem os outros e se desculparem a si próprios. Nesse sentido, não há quem não tenha interesse em ser “racializado”, se isso o proteger da polícia e de quaisquer responsabilidades. Mas onde havia um país que séculos de história em comum tinham tornado mais ou menos coeso, e onde para manter a ordem bastava uma polícia desarmada, começa a estar agora uma terra de ninguém disputada por tribos raivosas.

O caos migratório teria sempre causado problemas de acolhimento e de adaptação. No Reino Unido, a população nascida no estrangeiro saltou de 6% em 1991 para 19% hoje. Só num ano, em 2023, entraram 1,4 milhões de estrangeiros. Mas o modo como o activismo woke decidiu usar as migrações para provocar uma revolução cultural, tratando os europeus como criminosos e os recém-chegados como vítimas, tornou tudo mais explosivo. Os migrantes não se sentem induzidos a respeitar culturas que o wokismo lhes ensina serem “estruturalmente racistas”. Aos europeus, como único meio de expiarem o pecado de serem mais livres e prósperos, exigiu-se que renunciassem à identidade e à história a que os outros povos têm direito. Todas as achas foram postas na fogueira.

O projecto woke de liquidar as nações históricas na Europa não resultará numa humanidade cosmopolita, mas num tribalismo conflituoso. A Europa pode perder aquilo que sustenta a lei, a democracia e a solidariedade social: as comunidades de destino representadas pelas nações históricas, capazes de criar uma igualdade que, nos últimos anos, desvalorizou, enquanto critérios de discriminação e como em mais nenhuma parte do mundo, diferenças de rendimento, religião, sexo ou cor de pele. Houve, na Europa, qualquer coisa de especial na história da humanidade. É preciso que não morra com Henry Nowak.

RACISMO DISCRIMINAÇÃO SOCIEDADE IMIGRAÇÃO MUNDO REINO UNIDO EUROPA

COMENTÁRIOS:

Fernando ce: Temos de parar este caminho enquanto é tempo. O presidente da câmara de Loures, socialista, afirmou sem medo que o chamado Vida Justa era um movimento ligado ao PCP e BE.

graça Dias: Caríssimo Rui Ramos: Um excelente e pertinente artigo, que merece atenção e o despertar de consciências distraídas ou adormecidas, sem ignorar o silêncio dos OCS, como destaque para  as nossas TVs e os seus «bonecos falantes». O crime hediondo para com Henry Nowak é reflexo da cultura Woke das esquerdas progressistas, órfãs das causas de outras épocas, adoptaram o multiculturalismo numa descarada e corrupta cumplicidade com os islâmicos. Há países na Europa onde já se vive em atmosfera tribal, e o caso de Henry é exemplo disso mesmo, ou seja da decadência moral por parte de líderes políticos e de uma CS que silencia ou faz análises sublinhadas pelo seu viés ideológico, para mascarar a realidade, e assim, o agressor é isentado, enquanto que a vítima o culpado. Caro RR, obrigada.

MariaPaula Silva: Muito bem. Só me faz muita confusão como permitiram a coisa chegar a este ponto. A quem é que interessa esta desconstrução europeia? isto é uma forma eficaz de invasão demográfica e desestabilização social. Qual é a taxa de imigração islâmica na Rússia? Qual é a taxa de imigração islâmica na China?

José Paulo Castro: O ritmo demográfico previsível das comunidades migrantes já inseridas nas ditas 'nações históricas' farão a prazo com que o destino de Henry Nowak seja o destino provável dessas nações. Mesmo fechando a entrada de mais imigrantes agora e já. A única solução para evitar o tribalismo futuro é seleccionar políticas de integração agressivas que filtrem os imigrantes por afinidade cultural ao padrão civilizacional das 'nações históricas' e forcem essa aproximação aos que se integram, em detrimento da importação de hábitos externos. No fundo, o velho "Em Roma, sê romano." E isso implica afrontar as políticas de integração e padrões de exigência cultural e de costumes actuais. Pode não ser bonito em defensores da liberdade individual, mas é o que é. Sem isso, o tribalismo étnico está instalado a prazo.

Uiros Ueramos: O caso de Henry Nowak é uma fotografia brutal da Europa que está a nascer: uma Europa, onde a palavra “racismo” funciona como salvo-conduto moral, e onde as instituições parecem mais preocupadas em obedecer à liturgia ideológica woke e de esquerda,  do que em proteger os seus próprios cidadãos. Dados educativos mostram isso com clareza o problema. No PISA, a Europa registou, em média, uma diferença entre alunos nativos brancos e alunos com origem africana e asiática, dados de Áustria, Bélgica, Finlândia, Alemanha, Países Baixos, Eslovénia e Suécia, as diferenças em matemática ultrapassavam 55 %. Mesmo na segunda geração de imigrantes, diferenças médias de QI mantêm-se nos descendentes, sobre representação clara em estatísticas de crime violento. A história também conta! A Europa acumulou ciência, instituições e progresso técnico contínuo durante séculos. Partes da Asia e a totalidade da Africa pré-colonial permaneceu na Idade do Ferro, sem escrita generalizada nem Estados complexos comparáveis. Ou seja, não estamos perante uma fantasia “xenófoba”. Estamos perante um problema mensurável de integração, desempenho escolar, capital humano e transmissão cultural. A mentira multiculturalista consistiu em fingir que todas as populações, independentemente do seu contexto histórico, educativo, religioso, familiar e institucional, se integram da mesma forma e produzem os mesmos resultados quando colocadas dentro de sociedades europeias avançadas. Não produzem. A Europa foi construída sobre séculos de acumulação institucional, técnica e cultural: Estado de direito, universidades, ciência moderna, liberdade económica, liberdade de expressão, responsabilidade individual, mérito, contrato social, confiança pública e capacidade administrativa.  O caso Henry Nowak é simbólico precisamente por isso. É isto que o wokismo e a esquerda pan-nacional fez às instituições. Destruiu a neutralidade. Ensinou polícias, escolas, tribunais, universidades e jornalistas a verem antes de tudo raça, origem, religião e estatuto de vítima. O resultado é uma sociedade cada vez menos nacional e cada vez mais tribal. Em vez de cidadãos unidos por uma história comum, por uma lei comum, por uma religião comum. A nação é substituída por arquipélagos étnicos e religiosos. A polícia perde autoridade. A escola perde exigência. A política perde coragem. E os cidadãos nativos brancos europeus começam a perceber que o Estado já não os protege. A Europa precisa de uma política migratória baseada em soberania, selecção, assimilação e consequências. Entrada apenas para quem demonstre compatibilidade cultural, capacidade económica, respeito pela lei e vontade clara de se integrar. Fim dos guetos subsidiados. Fim da tolerância com práticas culturais incompatíveis com a liberdade europeia. Fim da chantagem moral que transforma qualquer crítica à imigração em “racismo”. Henry Nowak não morreu apenas por causa de uma faca. Morreu também num ambiente institucional e cultural woke onde a acusação ideológica de esquerda se tornou mais poderosa do que a evidência. E isso deve servir de aviso: quando uma sociedade algema simbolicamente a vítima para proteger a narrativa, essa sociedade já entrou em colapso moral.

João Floriano: Vi o video e é simplesmente chocante, horripilante e provoca a maior das indignações. A polícia nem sequer incomoda o agressor, embora fosse este a empunhar uma arma branca de grandes dimensões. O sikh tem a palavra certa para justificar o seu acto hediondo: foi vítima de racismo, o pobrezito!! Entretanto o jovem é algemado no chão, grita que tem uma facada, que não consegue respirar,  mas os polícias continuam indiferentes e Nowak morre algemado. Isto é um ultraje. Um caso George Floyd ao contrário. Fechamos os olhos aos wokes, fomos tolerantes, complacentes e dialogantes com quem não quer dialogar e só deseja a destruição do nosso modo de vida. Estamos a ver os resultados. Quando  a podridão se instala, vai destruir tudo a menos que o podre seja removido. Deixamos crescer os podres, deixamos que o wokismo lhes fornecesse armas e ferramentas que agora usam para nos destruir. Mas em Portugal as coisas não são assim tão diferentes. Andar com facas no bolso é tão natural como andar com o smartphone de última geração, roubado algures ou comprado com dinheiro obtido através de esquemas e negócios com drogas. Há meses aqui no Laranjeiro um jogo de futebol acabou mal porque o jovem que perdeu ficou frustrado com o resultado e foi buscar uma faca a casa. Ontem passou um video perto de uma escola em Soure, em que um rapaz nitidamente proveniente de uma minoria étnica, mal sabendo falar português ameaçava outro, com uma faca de lâmina perigosa. Não sei como acabou. mas provavelmente o agredido correu para casa cheio de medo, a família fica em sobressalto cada vez que ele sai de casa e o agressor proveniente de uma minoria étnica marginalizada e racializada (coitadinho! estou a chorar por ele!!!) sai de cena livre e solto e muito provavelmente irá continuar a emboscar o «racista branco». O termo «multiculturalismo» é extremamente perverso e enganador porque associamos cultura a valores. Mas os valores são muito diferentes dos nossos. Na verdade, são inconciliáveis.

observador censurado: A "Lei da manifestação de interesse" transformou Portugal num baldio onde tem sido lançado o lixo do planeta. Porquê os seus autores ainda não foram conduzidos à Justiça?

Luis Oliveira: A lição fundamental da análise de Rui Ramos é que as sociedades abertas e democráticas não são o estado natural da humanidade; são construções históricas raras, altamente dependentes de barreiras culturais e institucionais. A tentativa de dissolver as nações históricas através de uma combinação de imigração descontrolada e desarmamento moral não produzirá cidadãos globais, mas sim o regresso ao tribalismo pré-moderno.  O globalismo vem a troco de um território co-habitado por invasores, sem qualquer coesão e identidade nacional partilhados.

Álvaro Venâncio: Excelente artigo que subscrevo na totalidade. A esquerda europeia empenhada em destruir a Europa, apoiando tudo e todos aqueles que odeiam a Europa, os europeus, o chamado mundo Ocidental e, cereja no topo do bolo, os EUA e, claro, ISRAEL: tudo aquilo que representa a Liberdade.

José Tomás: Recomendo o visionamento do modo como esta notícia foi dada nos noticiários da noite da RTP e da SIC de anteontem. É impossível a alguém, só com aquilo que foi "noticiado", perceber a razão das manifestações da extrema-direita, e as declarações de Starmer no parlamento. Não há qualquer diferença entre aquelas "peças jornalísticas" e aquilo que se publicava, depois dos cortes da censura, antes do 25.04.

CONTINUA

 

 

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