Uma constante - seja físico seja ideológico.
Uma
defesa que ataca as minorias
A defesa das minorias é
hoje, na realidade, um ataque às minorias e um caminho aberto a quem queira
usar a sua diferença para ganhar vantagens.
HELENA GARRIDO, Colunista
OBSERVADOR, 16 jun. 2026, 00:25
Um incidente num ensaio
geral no Centro Cultural de Vila Flor em Guimarães transformou-se num caso de
racismo com cancelamento do espetáculo, com a atriz e a criadora Isabél Zuaa,
assim como a sua equipa, a considerarem que tinham sido vítimas de um acto com
contornos racistas.
E que caso foi esse? De acordo
com a descrição da própria actriz, depois de um incidente com o microfone
envolvendo uma técnica, que abandonou a sala, o director técnico entra “de uma
forma abrupta, pergunta quem é a Isabél, entra no palco, aponta-me o dedo à
cara e diz ‘Ou vais pedir desculpa agora à minha técnica ou não vai haver
espetáculo, nem vai haver técnico nenhum aqui’”. E daqui conclui, em declarações
ao Público, que “mesmo não tendo dito palavras racistas, é racista na sua
conduta.” E acrescenta: “Se eu fosse uma pessoa branca, não iam
interromper o ensaio geral e fazer ameaças com o dedo apontado na minha cara”.
Claro que desta descrição
ficamos sem perceber o que aconteceu para a técnica que manipulava o microfone
ter saído da sala. Isabél e a sua equipa resolveram usar o palco para
anunciarem o cancelamento do espectáculo com acusações de racismo. E A
Oficina, cooperativa responsável pela gestão e programação do Centro Cultural
Vila Flor, acabou por divulgar um comunicado anunciando um processo de
averiguações e uma participação ao Ministério Público.
Com estes dados, fornecidos
fundamentalmente pela actriz e não havendo declarações das outras partes
envolvidas, é muito difícil perceber onde está o racismo. O que vemos são
momentos de tensão num ensaio geral com pessoas a descontrolarem-se. Mas a actriz
e a sua equipa encontraram aqui um motivo para acusarem os outros de racismo.
E, com isto, acabam implicitamente a pedir que sejam tratados de forma
diferente. Com eles ninguém pode perder a cabeça num momento de tensão, com
eles ninguém pode cometer o erro de deixar cair o microfone, com eles ninguém
pode apontar o dedo ordenando que se peça desculpa porque, se isso acontecer,
não é descontrolo ou um momento de falta de educação, é pura e simplesmente
racismo.
Este é um caso, ainda que
importante, que se limitou ao cancelamento de um espectáculo e, mais grave, a
denegrir a imagem de uma pessoa, o director técnico. Mas apesar de menos grave,
é impossível não nos recordarmos de casos mais graves, como o da morte,
algemado, do jovem de Southampton que foi esfaqueado por um homem que disse à
polícia ter sido vítima de racismo.
O que impressiona na actual abordagem ao racismo é a
incapacidade de se ver que se está a pedir para que se seja, afinal, racista.
E o mesmo se aplica a todas as consideradas minorias, sejam de género ou
outras, incluindo as pessoas com deficiência. Qualquer pessoa é hoje, com muita
facilidade, considerada racista ou homofóbica se não estiver atenta à sua
linguagem. E é difícil perceber em que é que isto contribui para a
aceitação da diferença. Ou em que medida hoje aceitamos mais a diferença do que
aceitávamos quando não tínhamos este policiamento.
Quando temos de tratar de
maneira diferente quem não é da nossa cor ou tem preferências de género que não
são as nossas estamos a exacerbar a diferença e não a aceitá-la. Estamos a
colocar as pessoas em caixinhas e, na prática, a menorizá-las, a considerar que
não são capazes de viver com a sua diferença. É muito difícil perceber como
é que quem pertence a minorias – e, na prática, todos nós somos minoria em alguma coisa
– não consegue perceber que a forma como hoje se aborda esta questão apenas
agrava o fosso entre todos.
Mais grave ainda é tudo isto estar institucionalizado
e publicamente aceite. A Oficina viu-se armadilhada, sem margem para rejeitar
categoricamente a acusação de racismo, e obrigada a anunciar investigações e
participações ao Ministério Público de um incidente de ensaio de um
espectáculo.
Repare-se que é difícil imaginar uma outra equipa de
artistas a fazer o mesmo que Isabél Zuaa fez. Imagine-se por
momentos uma equipa em que todos eram brancos e em que tudo tinha acontecido da
mesma maneira. Se calhar o espectáculo não era cancelado nem essa equipa tinha
qualquer hipótese de extravasar a sua irritação com o sucedido. Que
acusação iria fazer? De má educação? De descontrolo? Não seria notícia.
Temos de começar a perceber que não é por este caminho que
combatemos a discriminação. Estamos, isso sim, a aprofundar as diferenças pela
irritação que os exageros provocam nas pessoas em geral. Estamos, enfim, a
atacar as minorias e a abrir caminho para os que usam a diferença para ganharem
vantagens.
RACISMO DISCRIMINAÇÃO SOCIEDADE EXTREMISMO
COMENTÁRIOS:
(de29)
Rui Lima: Sou uma pessoa delicada no
trato com todos, fui a uma loja para trocar um equipamento e, ao telefone,
tinham-me dito que o mesmo deveria ser testado na loja. Quando cheguei, havia
três filas de atendimento: duas atendidas por funcionários europeus e uma
atendida por uma senhora de origem africana. Dirigi-me a essa fila. Após a
troca do equipamento, a funcionária recusou-se a fazer o teste. Insisti de
forma educada e pedi para falar com a responsável. A responsável, que também
era de origem africana, afirmou que eu tinha tratado mal a funcionária. Foi o
maior susto da minha vida pois não teria defesa . A experiência deixou-me
apreensivo, hoje vejo que quem me vai atender nao possa beneficiar da sua cor.
José B Dias: Totalmente de acordo ... aliás o
racismo vai começando a efectivamente despontar por via do esforço desenvolvido
pelo irreal "SOS Racismo" e os seus dirigentes!
Pedromi: Cara Helena Garrido, muitos,
muitos parabéns pelo seu excelente artigo de opinião...ainda mais sabendo que,
muito provavelmente, algum populista de (extrema) esquerda ou, como bem diz,
algum membro de uma minoria qualquer, vai fazer uma berraria num órgão de
comunicação social, se não mesmo no MP, coadjuvado por um colega seu, uma vez
que também adoram participar nestes festins morais. Obrigado!
Tim do
A: Volta Salazar. E acabem com o SOS racismo. Acorda AD woke! Não votem Chega não, que não
sei onde isto vai parar.
Luis Miguel: Ataca as minorias e
diaboliza a maioria. Que é o querem fazer
para que na base da culpabilização da maioria, introduzir cada vez mais amarras
ideológicas, das quais não vamos conseguir escapar. Veja-se o Reino Unido. Está mais
parecido com uma ditadura do que com uma democracia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário