Perversos.
A ameaça do islamismo radical na Europa
Na Europa, à arrogância de recusar como possível tudo
o que foge das nossas categorias intelectuais, segue-se a fraqueza de ser
incapaz de combater uma das maiores ameaças.
João Marques de Almeida, Colunista do Observador
OBSERVADOR, 24 jun. 2026,
00:24
Após os ataques do 11 de
Setembro de 2001, analisei a Al-Qaeda e percebi rapidamente que as ameaças
terroristas aos Estados Unidos e à Europa tinham anos. Mas no
ocidente ninguém levou a sério. A Al-Qaeda foi desvalorizada como “um grupo de
fanáticos medievais.”
Em 2022, depois da agressão militar da Rússia, também
se observou rapidamente que Putin havia defendido durante anos a conquista da
Ucrânia. Foi igualmente desvalorizado como defendendo “ideias
bélicas do século XIX” que não se aplicavam à “Europa do século XXI.”
Estes dois exemplos
mostram uma arrogância extrema por parte dos europeus: os não-ocidentais que não pensam como
nós, não são levados a sério. Muitos europeus têm a mesma
atitude perante o islamismo radical, que cresce na Europa a uma velocidade
impressionante.
Existem muitos estudos e relatórios de governos
europeus sobre o crescimento e a ameaça do islamismo radical, há livros
publicados sobre o assunto, mas mesmo assim o tema tornou-se um tabu na maioria
das discussões na Europa. Devíamos levá-lo muito a sério. O objectivo final do
islamismo radical na Europa é converter os países europeus ao islamismo.
Já sei que muitos leitores estão a reagir como se reagiu à Al Qaeda ou às
ameaças de Putin. Mas não sou eu que o escrevo. São os líderes do islamismo
radical na Europa, e em particular da Irmandade Muçulmana.
Observo bem o que se passa no Reino Unido. Há uma
estratégia clara para radicalizar imigrantes muçulmanos, especialmente de
segunda geração. Esses esforços começaram com a ida de Imãs
radicais para as mesquitas britânicas. A maioria desses Imãs foi expulsa do
Egipto, da Arábia Saudita e do Paquistão. Ou seja, países muçulmanos expulsaram
líderes religiosos para defender as suas populações do radicalismo islâmico, os
quais vieram promover as mesmas ideias para o Reino Unido e outros países
europeus. Mas os governos britânicos permitiram a radicalização de muitos
jovens muçulmanos no Reino Unido. Muitas mesquitas continuam a ser centros de
radicalização islâmica.
Simultaneamente, em nome da defesa contra o racismo e
contra a Islamofobia, tornou-se proibido defender certas posições contra o
islamismo radical no Reino Unido (não deixa de ser
irónico, dado o profundo racismo dos islâmicos radicais). Hoje, a
liberdade de expressão está sob ameaça no Reino Unido. Pior, os oficiais da
polícia britânica vivem em pânico de serem acusados de racistas, e deixaram de
garantir a segurança dos britânicos em muitas localidades do país. Hoje,
a polícia britânica tem instruções para dar mais importância a discursos de
Islamofobia do que a perseguir crimes cometidos por islâmicos radicais.
A estratégia de radicalização de populações muçulmanas
é bem pensada, executada e financiada de fora do Reino Unido. Há
três fontes principais de financiamento: a Irmandade Muçulmana, muitas vezes através
da Turquia, o Paquistão e o Irão. As autoridades britânicas, para
evitar confrontos diplomáticos, pouco fazem para travar estes financiamentos.
O sucesso da radicalização islâmica no Reino Unido já
tem implicações políticas. No poder local, há municípios onde
os radicais islâmicos fazem parte das maiorias políticas, com consequências
graves para a educação, a segurança e a igualdade de géneros (por exemplo, nas
escolas). Aliás, os locais que mais praticam a discriminação entre homens e mulheres
no Reino Unido são as mesquitas e os centros islâmicos. Os
trabalhistas e os verdes sabem muito bem disso, mas nada dizem, e atacam quem o
diz. É assim
que a liberdade política começa a morrer.
A política externa britânica
no Médio Oriente, particularmente em relação a Israel e ao Irão, também já está
altamente condicionada pela presença de islamistas radicais no seu território.
Há um ponto central: não se
pode confundir islamismo radical com o Islão ou a religião muçulmana. Aliás, os
muçulmanos são as primeiras vítimas da radicalização islâmica. Ouçam os
depoimentos de raparigas britânicas muçulmanas que se revoltaram contra os
casamentos forçados pelas suas famílias. Do mesmo modo, os responsáveis
políticos de muitos países árabes afirmam claramente que o islamismo radical
deve ser combatido e que hoje é um problema maior na Europa. Por exemplo, os
Emirados Árabes Unidos deixaram de dar bolsas para estudar nas universidades
britânicas para os seus jovens não regressarem ao país radicalizados. Para
combater o islamismo radical, os países europeus devem cooperar com países
árabes e muçulmanos.
Na Europa, à arrogância de
recusar como possível tudo o que foge das nossas categorias intelectuais,
segue-se a fraqueza de ser incapaz de combater uma das maiores ameaças aos
valores, à liberdade, à segurança e até à democracia na Europa. O islamismo radical
é o terceiro grande movimento totalitário que a Europa livre enfrenta, depois
do comunismo soviético e do nazismo.
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