terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Mas não há motivos


Para atribuirmos intenção provocatória russa com essa coisa da sabotagem do cabo eléctrico estoniano referida no 1º texto, coisa de adolescentes irresponsáveis e atrevidos. Porque o Xi não vai deixar que a Rússia organize assim uma 3ª Guerra mundial, de forma tão arrastadeira e obscura como ponto de partida. Assim o indica o 2º texto, sobre a bondade do Xi, que tudo fará para impedir isso, mesmo sem a intervenção próxima eficiente do Trump, que também tem uma palavra a dizer, pois não quererá deixar os seus créditos por mãos alheias, nesta coisa dos débitos mundanais à simpatia eficiente dos chefes mais potenciais. Mas no Xi, nesse sim, podemos confiar, que os seus olhos pisados de intenções virtuosas estão ali bem à vista, sem se deixarem contaminar pela matreirice dos olhos de Putin, apesar da muita amizade que os une. E por via do  muito saber, como o do nosso Paulino, que também tem olho, segundo dizem.

I TEXTO

Rasto com quase 100 quilómetros encontrado junto a cabo eléctrico submarino da Estónia que se suspeita ter sido sabotado pela Rússia

Autoridades finlandesas detectaram marcas que se estendem por quase 100 quilómetros próximas ao cabo da interligação eléctrica danificado no dia de Natal. Suspeita-se que acto seja sabotagem russa.

ANTÓNIO MOURA DOS SANTOS: Texto

OBSERVADOR, 31/12/24

Uma equipa de investigadores da Finlândia afirmou este domingo ter encontrado marcas no fundo do mar que adensam as suspeitas de que um navio apreendido arrastou a sua âncora para danificar um cabo submarino ligado à Estónia. O navio, o petroleiro Eagle S, tem bandeira das ilhas Cook, mas tem sido apontado como pertencente à “frota fantasma” da Rússia.Com um rasto perto de 100 quilómetros de comprimento, os indícios encontrados estão a ser encarados pelo chefe da investigação da polícia finlandesa, Sami Paila, como marcas de arrasto “da âncora do Eagle S”. “Conseguimos esclarecer esta questão através de investigações subaquáticas”, disse à emissora nacional finlandesa Yle, citada pelo The Guardian. A apontar para esta tese está não só o facto de o petroleiro ter passado na zona, como também o de ter sido fotografado na sexta-feira sem a sua âncora a bombordo. O equipamento danificado trata-se do cabo submarino da rede eléctrica Estlink 2 que liga a Finlândia à Estónia e cuja reparação demorará meses, com a estimativa de recuperação apenas apontada para agosto de 2025. A desactivação forçada da interligação poderá provocar um aumento dos preços da electricidade na Estónia ao tornar indisponível uma das alternativas de abastecimento ao país.

Este incidente engrossa uma sequência de cortes nas ligações eléctricas, de telecomunicações e nos gasodutos do mar Báltico desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022. Em novembro, por exemplo, dois cabos de fibra óptica foram danificados nas águas entre a Suécia e a Dinamarca, num aparente acto de sabotagem atribuído a um navio chinês.

De acordo com o responsável da polícia finlandesa, resta tentar provar que o acto do Eagle S terá sido intencional. Um oficial estónio ligado à investigação diz que é difícil crer que não tenha sido um acto deliberado, já que “se se está a arrastar uma âncora, não é possível que não se dê por isso, porque o navio sairia da rota. É claramente impossível”.

Apesar de navegar com bandeira das ilhas Cook e de ter uma tripulação composta essencialmente por cidadãos georgianos e indianos, o Eagle S não só esteve atracado na Rússia como transportava gasolina sem chumbo carregada num porto russo com destino ao Egipto. As circunstâncias fazem crer que o navio faz parte da chamada “frota sombra” da Rússia, utilizada para o transporte de produtos petrolíferos russos sujeitos a embargos após a invasão da Ucrânia.

Após o alerta dado pela súbita desactivação do Estlink 2 no dia 25 de dezembro, as autoridades finlandesas interceptaram o petroleiro antes que danos semelhantes pudessem ocorrer no Estlink 1, sendo escoltado até ao porto de Kilpilahti, a 40 quilómetros a leste de Helsínquia.

Como reacção ao caso, a Rússia disse que a apreensão do navio era pouco preocupante, negando responsabilidades tal como o fez nos anteriores incidentes relacionados com infraestruturas submarinas na região. Já o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, anunciou esta sexta-feira que a aliança irá aumentar a sua presença militar no mar Báltico.

RÚSSIA      MUNDO      FINLÂNDIA      EUROPA      GUERRA NA UCRÂNIA      UCRÂNIA      ENERGIA      ECONOMIA

COMENTÁRIOS (DE 7)

Car Los > José B Dias: O que ninguém acha estranho é que você venha sugerir que os resultados da investigação que foram divulgados não são sérios. Conhece os cabos, a amarração e a âncora deste navio em concreto? Sabe de que materiais e como são feitos? Conhece o fundo do mar naquela região? Sabe como foi feita a investigação? A resposta a todas as perguntas é não. Mas mesmo ignorando tudo aquilo que é preciso saber, você não só acha estranho, como sugere que é mentira... a não ser que a qualidade da âncora, cabos e amarração seja fantástica! A ignorância é-lhe suficiente para formar uma opinião.

II TEXTO

Mundo/ Guerra na Ucrânia

Alertas activos

Em directo/ Xi Jinping apela a "paz mundial" em mensagem de Ano Novo para Vladimir Putin

Presidente chinês enviou mensagem de Ano Novo ao Presidente russo, onde reforça laços com a Rússia e garante que a China irá promover a paz, "independentemente da mudança dos ventos internacionais".

INÊS ANDRÉ FIGUEIREDO: Texto

OBSERVADOR, 31/!2/2024

Actualizado Há 40m

POOL/AFP via Getty Images

Momentos-chave

Há 40mXi Jinping apela à “paz mundial” em mensagem de Ano Novo dirigida a Putin

Actualizações em direto

Há 40m06:44

Agência Lusa

Xi Jinping apela à “paz mundial” em mensagem de Ano Novo dirigida a Putin

O Presidente chinês, Xi Jinping, comprometeu-se hoje a promover a “paz mundial”, numa mensagem de Ano Novo dirigida ao homólogo russo, Vladimir Putin, informou a imprensa oficial chinesa.

“Independentemente da evolução da situação internacional, a China continuará firmemente empenhada em aprofundar de forma abrangente as suas reformas, promover a modernização ao estilo chinês e contribuir para a paz mundial”, afirmou Xi Jinping.

Xi destacou ainda as relações “maduras e estáveis” entre a China e a Rússia.

Apesar de vivermos num “século de mudanças aceleradas e de uma situação internacional volátil”, as relações entre Pequim e Moscovo “avançaram sempre de mãos dadas no caminho correcto do não alinhamento, não confrontação e sem atacar terceiros”, assegurou Xi, citado pela agência de notícias oficial Xinhua.

O Presidente chinês manifestou esperança de “continuar a manter contactos estreitos” com Putin em 2025 e indicou que “independentemente da mudança dos ventos internacionais e das nuvens de tempestade”, Pequim “promoverá a causa da paz e do desenvolvimento mundiais”.

A coordenação entre a China e a Rússia “não só está em plena consonância com os interesses dos dois povos, como também contribui para a manutenção da segurança e estabilidade internacional e regional”, segundo o Presidente russo.

Desde o início do conflito na Ucrânia, a China tem mantido uma posição ambígua, segundo a qual defende o respeito pela “integridade territorial de todos os países”, incluindo a Ucrânia, e atenção às “preocupações legítimas de todos os países”, referindo-se à Rússia, com a qual aprofundou a sua relação política e comercial nos últimos anos.

 

O Observador vai continuar a acompanhar todos os desenvolvimentos relacionados com a guerra da Ucrânia.


Comentadores

 

Gente bem revoltada contra a aparente revolta de outra gente amiga de exprimir essa tal - digo, revolta - de tão altissonante e virtuoso destaque hodierno, vá-se lá saber por que reais e mesmo leais razões, às quais José Manuel Fernandes tenta sentidamente erguer o casto véu!

A esquerda vive noutro planeta (e não apenas noutro país)

Há um mundo de problemas reais, o das pessoas no seu dia a dia, e um outro mundo onde habita uma esquerda cada vez mais caviar, cada vez mais enredada em esquemas mentais preconceituosos e ideológicos

JOSÉ MANUEL FERNANDES Publisher e colunista do Observador

OBSERVADOR, 30 dez. 2025, 00:20132

Rua do Benformoso? Martim Moniz? Por uma rara coincidência uma parte da história da minha família em Lisboa começa exactamente aqui, e é uma história de migrações. Foi naquela rua que o meu avô, quando veio trabalhar para Lisboa no início do século passado, um “migrante interno” que chegou à cidade ainda criança, teve o seu primeiro emprego (trabalho infantil, naturalmente), e como simples marçano. E depois foi naquele largo que os meus avós viveram até morrerem, num prédio que já não existe e no qual eu, na minha meninice, tinha medo de subir as escadas às escuras.

Claro que esta memória muito pessoal importa pouco para o debate destes dias – na verdade nada parece ter importância nesse debate. A única coisa que conta é uma fotografia partilhada nas redes sociais. É comum realizarem-se rusgas naquela zona de Lisboa? Sim, é, há vários antecedentes, mas prefere-se ignorá-los. Havia queixas de criminalidade na zona? Essa parte quase ninguém contesta, apenas se desvaloriza. A polícia costuma pedir às pessoas para se encostarem à parede enquanto as revista? Tudo indica que sim, sendo essas cenas mais comuns na imediação de estádios de futebol, mas tendo até acontecido uma semana antes ali bem perto, junto ao Rossio, com imagens mostradas nas televisões.

Num tempo dito “de emoções” e não de razões, tudo o que parece contar, sobretudo nos círculos bem pensantes, é o que “sentiram” ao olhar para uma imagem, tudo o resto não interessa. É assim que se imaginam humanos, ignorando que há outros, muitos outros, que têm também direito às suas emoções e às suas percepções – mas esses, como sabemos são “os deploráveis”, assumam eles as formas que assumirem (em Portugal costumam dar-lhes outros nomes, menos simpáticos mas igualmente reveladores).

É por isso que não regresso aos argumentos de Helena Matos ou Helena Garrido, entre muitos outros, pois às vezes sinto que a simples racionalidade ou o mais elementar bom senso esbarram na mais teimosa vontade de não querer ver, não querer escutar, não querer pensar. Vou antes tentar mostrar como, seguindo por um caminho em tudo idêntico, em tudo obediente aos mesmos ditames de um novo sectarismo, a esquerda nos Estados Unidos preparou o caminho da sua derrota e a nossa esquerda está a escavar também a própria cova.

Mas comecemos pelo princípio: porque é que os democratas perderam as eleições nos Estados Unidos? Porque é que as perderam contra um candidato que, de acordo com o “consenso” geral da imprensa e da Academia, era – nas versões menos agrestes – inapresentável? E como é que as perderam tendo podido gastar na campanha eleitoral duas vezes e meia mais dinheiro?

A resposta não está apenas na explicação (fácil) de “it’s the economy, stupid”, uma explicação que de resto exige vir com asterisco para diferenciar o estado da economia real (que é bom) da percepção do estado da economia (que é má). A resposta é mais complexa e radica na dissociação entre aquilo que preocupa as elites ilustradas (que são por regra democratas) daquilo que inquieta o eleitor comum, seja ele branco, latino ou mesmo negro (a maioria que deu a vitória aos republicanos e a Trump).

Alguns dias antes das eleições, no final de Outubro, um cientista político que costumo seguir, Ruy Teixeira (descendente de portugueses, mas para o caso conta pouco), publicou na sua newsletter um pequeno ensaio, The Progressive Moment Is Over, onde procurava explicar porque é que a “onda progressista” que parecia ter tomado conta dos Estados Unidos nos últimos anos estava a acabar ou tinha acabado mesmo. Ele não previa a derrota de Trump, mas constatava uma viragem de fundo no sentimento do eleitorado, que se estava a afastar dos democratas.

(Só para dar um pouco de enquadramento: em 2004 Ruy Teixeira co-autorou um livro extremamente influente, The Emerging Democratic Majority, onde defendia a tese de que as mudanças demográficas nos Estados Unidos favoreciam e favoreceriam os democratas; mais recentemente, já em cima das eleições presidenciais, publicou uma actualização cujo título diz tudo Where Have All the Democrats Gone?: The Soul of the Party in the Age of Extremes.)

Mas regressemos à sua newsletter de há dois meses. Nela apontava quatro razões para a esquerda mais radical (aquela a que nos Estados Unidos se chama muitas vezes “the progressives”) ter perdido o eleitorado e ter arrastado na sua queda um partido democrata que se deixara seduzir pelas suas teses. Vale a pena recordá-las:

Loosening restrictions on illegal immigration was a terrible idea and voters hate it.

Promoting lax law enforcement and tolerance of social disorder was a terrible idea and voters hate it.

Insisting that everyone should look at all issues through the lens of identity politics was a terrible idea and voters hate it.

Telling people fossil fuels are evil and they must stop using them was a terrible idea and voters hate it.

(Ou, numa tradução livre da minha responsabilidade:

Afrouxar as restrições à imigração ilegal é uma ideia terrível e os eleitores odeiam-na.

Promover uma aplicação laxista da lei e tolerar a desordem social é uma ideia terrível e os eleitores odeiam-na.

Insistir que todos devem olhar para todas as questões através das lentes da política de identidade é uma ideia terrível e os eleitores odeiam-na.

Dizer às pessoas que os combustíveis fósseis são maus e que devem parar já de usá-los é uma ideia terrível e os eleitores odeiam-na.)

Lendo estas quatro linhas de orientação chega a fazer impressão como elas coincidem com as da esquerda mais radical em Portugal e como o Partido Socialista, sobretudo este Partido Socialista de Pedro Nuno Santos e Alexandra Leitão, se transformou numa espécie de encarnação lusitana dos disparates e dos excessos deste wokismo. As modas americanas chegam sempre com atraso à Europa e a Portugal, mas lá que chegam, chegam — e o que por lá muitas vezes é tragédia, por cá lembra mais uma farsa.

Não vou neste texto discutir ponto por ponto até onde o actual PS se deixou ufanamente contaminar pelas loucuras que nunca deixam de brotar das cabecinhas pensadoras à sua esquerda, mas reparem:

Os socialistas acharam que a melhor política de imigração era (e é) uma política de “portas abertas”, uma linha de pensamento que a sua ex-responsável para o sector, Ana Catarina Mendes, se empenhou em aplicar até ao limite do absurdo, e do caos. Apesar das evidências os socialistas ainda não conseguem admitir o erro dessa política, algo que nos Estados Unidos os democratas já fizeram, mas tarde demais.

A reacção dos socialistas a qualquer incidente que envolva polícias tem sido, por regra, desconfiar dos polícias. É verdade que nunca chegaram a extremos como a muito americana reivindicação esquerdista “defund the police”, mas não só estão lá perto como de alguma forma a praticaram, ao não terem resolvido o problema dos subsídios de risco, um tema entretanto tratado e resolvido pelo actual executivo. Quanto à tolerância com a desordem, pensem no que se passa nas nossas escolas – ou então nos ataques aos autarcas socialistas de Loures e de Alpiarça.

O protagonismo que têm vindo a ganhar, como rostos públicos do PS, figuras como Isabel Moreira ou mesmo Alexandra Leitão, e agora também João Costa, bem como uma agenda legislativa onde nunca faltam temas “fracturantes”, não permitem dúvidas: os socialistas sentem real incómodo sempre que à sua esquerda algum lunático surge com um discurso mais radical não para o desautorizarem, antes por não se terem lembrado dele antes.

As políticas ambientais dos socialistas não foram demasiado radicais quando estavam no Governo (porventura foram apenas irrealistas), mas veremos como evolui o seu discurso agora que o espaço público começa a ser perturbado pelos activismos das várias declinações de organizações como a Climáximo. A tentação está lá, e está lá porque o conjunto destas diferentes agendas tende a misturar-se e a confundir-se.

Ponto por ponto, com essa regularidade que apesar de tudo descobrimos num relógio atrasado, o PS repete os erros dos “progressistas” nos Estados Unidos. Mas o seu destino pode ser pior do que perder apenas algumas eleições.

Recentemente, numa coluna de opinião, revelava-se em todo o seu esplendor a confusão que vai em muitas cabeças desta esquerda que influencia o PS, percebe-se bem a forma como equiparam tudo a tudo como se tudo fosse igual desde que se encontre uma forma de encaixar esse discurso num retrato do mundo onde a única dicotomia é a de opressor-oprimido. Leiam isto, por exemplo: “ao acompanhar … o caso de dezenas de homens que violaram uma mulher em França e a rusga que humilhou dezenas de emigrantes em Portugal, não pude deixar de reflectir sobre as semelhanças entre ambos”.

“Semelhanças” é de facto a palavra adequada para aproximar estas duas situações, mas só desde que encaixem numa das narrativas vigentes: “ambas revelam uma perturbante continuidade nas dinâmicas de poder e na domesticação dos corpos”. Quod erat demonstrandum.

Dir-me-ão: o PS, pelo menos o PS oficial, ainda não diz estas coisas, mas a verdade é que já faltou mais para que tal acontecesse. E mesmo que não o faça já, a tentação é grande e o caminho está escancarado, bastando comparar, como eu acabei de fazer, o que levou a esquerda americana a perder o contacto com o eleitorado e aquilo que já está a levar os nossos socialistas a entrarem num mundo onde só conta a “bolha” dos bem-pensantes lisboetas e tudo o mais são os tais “deploráveis(Pedro Nuno Santos chama-lhes “extremistas”).

Quer isto dizer que o seu destino será o mesmo? Num primeiro momento, talvez não, mas apenas porque o PS ainda conta com o apoio de um eleitorado fiel mesmo que envelhecido. Num segundo momento o seu destino arrisca-se a ser o da maioria dos partidos socialistas e sociais-democratas por essa Europa fora, em sistemas políticos cada vez mais fragmentados e onde pesam cada vez menos. Este último detalhe é muito importante: num país como os Estados Unidos, onde o sistema funciona com base na rotatividade de dois grandes partidos, quem perde hoje acaba sempre por ganhar amanhã, depois de um realinhamento. Em sistemas pulverizados com os europeus isso não está garantido, mesmo fazendo as mais estranhas alianças, como alguns socialistas europeus já estão a fazer.

Por isso o ponto central será sempre o mesmo: responde ou não este novo radicalismo a problemas reais e ao sentimento dos eleitores? A meu ver não responde, antes o contraria, mas ele parece ter tomado conta das nossas esquerdas, razão por que me permito interrogar se elas viverão realmente neste mesmo planeta e se algum serão capazes de perceber que surfar a onda de muitas redações não as aproxima dos eleitores, antes as afasta.

PS. Talvez eu nem devesse ter escrito este texto. Afinal, e pensando eu neste micro-mundo wokista, o melhor talvez fosse mesmo seguir o conselho de Napoleão: “quando um adversário está a cometer um erro nunca devemos interrompê-lo”.

POLÍTICA      EXTREMA ESQUERDA      PS

COMENTÁRIOS (de132)

António Lamas: Bravo. Grande texto. Este não é o PS de Mário Soares.. É o PS do Pedro Nuno Santos e de toda uma elite urbana, pateta, bem instalada na vida, que vive num gheto tipo Alice no País das Maravilhas, que reduzem o país e os 10 M de habitantes a pouco mais de 5 km2 por onde se pavoneiam do alto da sua imbecilidade, incompetência.                       Armindo Alves > Maria Tubucci: Faço minhas as suas palavras, é exactamente o que penso. Obrigado a si pelo comentário e obrigado ao JMF e a mais meia dúzia de jornalistas do Observador que, por enquanto, justificam a minha assinatura. Um bom 2025 para todos.                   Coxinho > Maria Tubucci: Fantástico comentário! Comentário exemplar o seu, Maria ! -- a juntar a meia dúzia de outros também aqui presentes, que no seu conjunto vão equilibrando este barco jornalístico à tona da informação honesta e desejável. Não fosse este pequeno grupo de comentadores e certamente muitos assinantes já teriam migrado para outras águas, assustados com o nível deontológico tacanho e vesgo de muitos profissionais principiantes.                Alex Name > Maria Tubucci: Que bela maneira de encerrar o ano. Obrigado e que 2025 seja bem melhor, a todos os níveis, para todos!                Maria Tubucci: Está tudo muito certo Sor JMF, mas como diz o nosso antissemita que desgoverna a ONU, o facto de a esquerda viver noutro planeta não surgiu do vácuo. Já olhou bem para dentro da sua “casa” jornalística? Quantos dos seus jornalistas vivem também no mesmo planeta dos políticos de esquerda? Quantos jornalistas escrutinaram/escrutinam, devidamente, os líderes da esquerda, as suas acções e as consequências da sua ideologia? Vêem-se entrevistas a pessoas de esquerda, tipo amena cavaqueira com chazinho e bolachinhas, no caso das mulheres, e no caso dos homens tipo um prato de tremoços com 2 bejecas. Onde nada é escrutinado e isso dá vómitos e causa asco. Mas se for do lado do CH ou ao AV a entrevista é até fazer sangue, perguntam tudo, mesmo parvoíces. Por que razão não fazem o mesmo tipo de entrevistas às pessoas de esquerda? Outras questões. Por que razão no meio da informação têm de colocar juízos de valor? Os jornalistas são parte do problema, deveriam informar e não dar opiniões, como por exemplo, “na direita há gente pouco recomendável e irrespirável” e na esquerda não há? Por que razão os jornalistas adoptaram uma linguagem de carimbar as pessoas de direita de: racista, xenófobo, extrema-direita, direita radical? Mas coincidência das coincidências, para as pessoas de esquerda não há carimbos nenhuns, são todas pessoas “boas, humanistas e maravilhosas”. Acabem com os carimbos no meio das peças jornalísticas, isso mata qualquer artigo e mata a credibilidade de quem o escreve. Concluindo, Sôr JMF, contrate jornalistas que sejam curiosos, que investiguem a realidade e que não papagueiam somente os enlatados que os políticos debitam. Boas entradas e que 2025 tragam mais realidade e esperança num mundo melhor e unicórnios para toda a gente afagar! 🥹 😜 🎉🎊🎉🦄🍾 🥴                  observador censurado: Portugal é um país doente que não está em paz com o seu passado. Passados 50 anos, deveria estar afixada na cabeça de todos os cidadãos uma tabela com as coisas boas e as coisas más que Salazar fez. O presidente da república (PR) é o expoente máximo desta falta de paz. De facto, o pai foi ministro de Salazar e provavelmente teria cem vezes mais qualidade para o cargo do que aquela que o filho revela. Provavelmente atormentado pelas suas raízes de "direita", o actual presidente da república desde o início atirou o cargo para as malvas. De facto, sempre que o governo de "esquerda" do sr. António Costa fazia porcaria (quase sempre), o PR vinha em seu socorro sem sequer dar tempo à oposição de fazer o seu papel. Além disso, pelas notas presidenciais aquando da morte de alguém que se opôs a Salazar, fica-se com a sensação de que qualquer "badameco" que se tenha oposto a Salazar merece, só por isso, ir directamente para o céu. Esta cultura irracional que se construiu contra Salazar sem qualquer contraditório, terá conduzido Portugal a ser um país medíocre onde toda a irracionalidade da "esquerda" é elogiada. Salvo melhor opinião, há todo um trabalho a fazer de reconhecimento por todas as coisas boas/más que Salazar fez para depois, em paz, se comece a retirar o socialismo da Constituição e das cabeças já destraumatizadas dos cidadãos.            António S: A esquerda não existe. É como uma estátua com pés de barro, (só que este barro é lodo putrefacto) , somente suportada por uma comunicação social que não consegue pensar e é facilmente subornável.                      Carlos Carvalho: Se tudo no Observador fosse como este texto outro galo cantaria. Infelizmente o Observador está em plano inclinado para o lado dessa chamada “imprensa de referência “ tipo público e expressinho                   Pedro Correia: Como venho defendendo há muito tempo, o socialismo à portuguesa é a pior coisa que a liberdade pariu!                   José Manuel Pereira: A última frase roça uma espécie de genialidade bem-disposta (de quem sabe que acertou em cheio) que muito me agrada... mas fez muito, muito bem em partilhar este magnífico texto de antologia... não creio que, com excepção do Sérgio Sousa Pinto, algum socialista o considere digno de nota... E eu fiquei a perceber melhor muita coisa e fiquei mais descansado...               Miguel Seabra: O radicalismo do PS não agrada aos votantes mas agrada à maioria dos media incluindo boa parte da redacção do Observador, esse palco permanente e aplauso generalizado origina uma ilusão…..                    Luis Santos: Parabéns JMF pelo fantástico escrito. Tenho duas sobrinhas que muito embora novinhas sempre foram (para meu desagrado) eleitoras do PS . Hoje sentem repulsa dos socialistas . É mais não digo.                João Floriano: Curiosamente eu ia começar o meu comentário por citar algo semelhante ao que disse Napoleão. Por isso mesmo, deixem o PS sossegado, até lhe podemos dar mais corda porque já a enrolaram à volta do pescoço e agora é só esperar que se enforquem. A nossa extrema esquerda representada sobretudo pela empresa familiar das gémeas Mortágua, assemelha-se a um barco a naufragar. Todos sabemos que o melhor que se tem a fazer é afastarmo-nos de um barco que se afunda porque ele sugar-nos-á para as profundezas. Mas o PS de Pedro Nuno, Leitão e Moreira em vez de se afastarem vão lá e irredutivelmente serão arrastados para o fundo. E não se compreende como não arrepiam caminho, como não contrariam a tentação do abismo, quando as recentes eleições norte americanas são o grande e claro manual de instruções de «O que fazer para derrotar a Esquerda». Mas Estamos a esquecer-nos de outro protagonista que se arrisca a  ser também um náufrago: Luis Montenegro. Começou por uma atitude assertiva e sensata perante os acontecimentos do Martim Moniz, ou melhor perante a foto da discórdia que tanto escandalizou Mafalda e Companhia. Acabou numa entrevista em que confessa que também «não gostou de ver ». Nós também não gostamos de ver um Montenegro cromatóforo que muda de cor numa tentativa de escapar a predadores. Montenegro é laranja, ainda que a nuance cromática seja diferente da de Sá Carneiro. Já o vimos várias vezes mudar para rosa sobretudo quando endossou António Costa para marajá europeu. Agora vemo-lo a amarelar perante a extrema-esquerda. Em Montenegro sentimos uma grande falta de firmeza e liderança. A única firmeza que tem é em relação ao «Não é Não» que tem dado os resultados magníficos que sabemos. Liderança muito pouca ou nenhuma nem à esquerda nem á direita. Montenegro não inspira confiança, como se viu nesta mais recente declaração, que representa uma viragem e concessão às Mafaldas da nossa CS. Copiei o link do ensaio de Ruy teixeira, que lerei oportunamente porque numa leitura muito diagonal me pareceu deveras interessante.                        Madalena Magalhães Colaço: O erro que aponta ao PS de Nuno e Alexandra - a favor de uma imigração de portas abertas e uma agenda climática excessiva- é exactamente o mesmo que a senhora Ursula está a cometer. Os jornalistas deveriam investigar o que ela fez à  direcção das fronteiras na Europa, permitindo uma imigração de portas abertas e dificultando a expulsão de imigrantes com cadastro. igualmente os excessos da agenda climática da senhora que puseram os agricultores da Europa nas estradas a manifestar o asfixiante controle da senhora. Com as regras exigidas é difícil de viver da agricultura. Esta senhora foi reeleita quando na véspera foi condenada pelo tribunal europeu de falta de transparência relativamente ao contrato com a Pfizer. Esta senhora diz representar o centro, mas a sua política foi seguir de olhos fechados a política dos democratas americanos, que agora como refere defrontaram-se com a realidade. PS: Nunca é demais lembrar que as políticas que os verdes exigiram a Merkel, em 2011, a desactivarem as centrais nucleares, está a ter como consequência o desemprego em milhares de trabalhadores alemães.                      Caetano Ramalho: Neste momento os comentadores das televisões, face ao que dizem e face à percepção real que as pessoas têm no dia-a-dia, são dos que fazem maior propaganda eleitoral a favor do Chega. O Chega foi buscar alguns dos 50 deputados à hipocrisia do que se ouve nos comentários nas televisões e a SIC, CNN e TVI continuam a fazer um trabalho excelente nesta matéria! É necessário que o Observador mostre o pensamento da esquerda mas que nunca caia no lixo em que caiu o Expresso.                      João Guilherme Sousa: Estranhamente é essa esquerda caviar que o Observador escolhe dar voz. Por exemplo a Adriana Cardoso como membro dos 52 sem qualquer currículo relevante . Pergunta se quais são os critérios.                       Maria Tavares: Tem razão esta onda wokista em que a CS parece confortável surfar só afasta quem conseguindo pensar pela própria cabeça se cansa por não obter INFORMAÇÃO mas mais do mesmo. Importante que o Observador reveja os residentes e colunistas porque arrisca que rapidamente entre na onda da mediocridade e facilitismo da energia woke                 Nuno Abreu: Caro José Manuel. Também eu, vindo de Guimarães fui, com 18 anos, marçano na Rua dos Fanqueiros, ali bem pertinho do Martin Moniz, que conheci muito bem. E também eu fico revoltado com esta atitude do PS que quer fazer de uma operação que não sendo de rotina é tudo, menos que incomum, uma bandeira que exibe estupidamente em batalha politica. Esta gentalha parece-se muito com alguns jogadores de futebol: rasteiram o adversário para lhe roubar a bola e barafustam com o árbitro por ele lhe marcar falta. Ou, ao contrário, se sofrem um pequeno encosto, rebolam-se pelo chão, levantam os pés e as mãos gritando por penalti. Não há dúvida: quando o homem perde os valores éticos e morais, não passa de um animal egoísta sempre pronto a espezinhar o outro para subir na vida.             Carlos Almeida: gosto dos artigos do JMF, sem dúvida; mas só ficarei satisfeito quando ele tiver a coragem de dizer alto e bom som que 50 anos de socialismo levaram este país ao desastre total e ao pântano em que nos encontramos.                  Cristina Torres: A esquerda em Portugal foi o empecilho para o país se tornar um pais desenvolvido e rico no seio da Europa e não satisfeito adoptou a politica de portas abertas, o wokismo e a ideologia do gênero, a esperança é que finalmente tenha "cavado a sua própria cova", o país e os portugueses bem merecem!                    Mario Figueiredo: A resposta ao seu post scriptum é dada por si mesmo no penúltimo parágrafo. Deve mesmo escrever sobre estas coisas, e mais gente devia fazê-lo, ajudando a denunciar o suicídio colectivo do centro-esquerda em Portugal e na Europa. É que a Europa está a tornar-se ingovernável.                  Pedro Campos: Excelente artigo. De leitura obrigatória. Na verdade, o PS de hoje é dominado por extremistas que rivalizam com o BE e o Livre! Não há grandes diferenças!!!                 Joaquim Silva: A esquerda desesperada não se importa com os estragos que faz ao país, desde à alguns anos para cá tem sido só destruição, fico a pensar se não haveria razão para um processo crime contra essa gente que mais não faz senão tentar destruir os valores sociais e morais do nosso país.              Eduardo Carreiro: Excelente análise e diagnóstico por parte do JMF em relação às tendências da esquerda actual.            João FlorianoMario Figueiredo: Vamos esperar para ver o que acontece a 23 de fevereiro na Alemanha. Com um detalhe: Trump toma posse a 20 de janeiro e o que irá fazer no seu primeiro mês de mandato tanto pode acalmar como  inquietar os europeus já de si tão inquietos. Juntemos a situação em França, em que eu antevejo o governo de Bayrou a seguir o caminho do seu antecessor e aí teremos mesmo a Europa ingovernável. Tristão: Obrigado José Manuel Fernandes, no fundo vem corroborar o que tenho escrito (comentado) sobre este tema: o wokismo e a imigração vão ser a perdição da esquerda, oxalá estejamos certos 😜 Bom 2025....................................


segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

O direito à escolha

 

Dos artigos de opinião. A avidez com que iniciamos a leitura dos jornais pelos autores que se nos impõem pelo seu pensamento e elegância de exposição, criam um prazer que nos ajuda a sobreviver num mundo vário e mutável, como se disse também da mulher. Disse-o Virgílio, ao que parece, mas não é necessário seguirmos tal opinião clássica. Chapéus há muitos, também o disse o nosso Vasquinho, mais provincianamente, de quem podemos sempre discordar, apoiados nas cabeças actuais, vazias de lenços ou de chapéus que passaram de moda, pelo menos nas bandas de cá, calcorreadas pelo Vasquinho das afectuosas tias. A saturação depende da fartura, e a dos artigos de opinião igualmente. Mas os que lêem têm sempre o direito de escolha, tal como os compradores nas lojas. Os vendedores não levam a mal, ainda que muitas vezes defraudados nas suas expectativas pecuniárias. Bem assim os que escrevem, felizes por poder fazê-lo. A felicidade é um direito, embora grande parte das vezes sofismado.

A saturação dos artigos de opinião

Dá-se cada vez mais valor a uma boa conversa civilizada, em contraste com os debates nos quais as pessoas estão constantemente a interromper-se com uma agressividade irracional.

Pedro Afonso Médico Psiquiatra

OBSERVADOR, 30 dez. 2025, 00:151

Há alguns anos os artigos de opinião dos jornais estavam reservados para “os colunistas”. Esta elite de “fazedores de opinião” estava praticamente cristalizada. Para além das cartas dos leitores — muito limitadas em número de caracteres — era quase impossível para um cidadão comum conseguir que um texto escrito por si fosse publicado num jornal nacional.

Com o surgimento da internet, nomeadamente com a grande difusão dos blogs, principalmente a partir de 2000, percebeu-se que havia uma parte da sociedade que desejava ser escutada. Diversas pessoas tiveram a oportunidade de formular opinião sobre vários assuntos. Algumas delas começaram a ter uma enorme influência, designadamente através do comentário político. Os meios de comunicação tradicionais não ficaram indiferentes, e com frequência acompanhavam e citavam a opinião expressa nalguns blogs.

Percebeu-se que havia muitas pessoas, para além da casta habitual dos colunistas, que escreviam bem e tinham um pensamento político que valia a pena acompanhar. Podiam-se ler textos com conteúdo interessante e assistir a reacções/discussões acesas dos leitores na caixa de comentários. Para muitos, tornou-se um hábito diário acompanhar as publicações de vários de blogs, individuais e colectivos, com grande qualidade.

A decadência dos blogs aconteceu gradualmente durante a década de 2010, quando redes sociais como Facebook, Twitter e Instagram se tornaram os canais principais de comunicação. As redes sociais facilitaram o compartilhamento rápido e instantâneo de informação, reduzindo a necessidade de manter um blog constantemente com novos conteúdos. A evolução do marketing digital, o algoritmo das redes sociais que influencia a forma como consumimos conteúdos, com destaque para o conteúdo visual e as interações rápidas, contribuíram para o declínio do formato de blog tradicional.

Mas, os jornais não ficaram indiferentes ao fenómeno de tornar mais acessível a participação da sociedade através de artigos de opinião. A transição da publicação em papel para o jornal online facilitou a publicação de mais artigos de opinião e sem grandes limitações de extensão de caracteres. O Observador foi um dos primeiros jornais online a perceber que ganharia em dar voz aos seus leitores. Com efeito, têm sido publicados vários artigos de opinião, excelentes na forma e no conteúdo, escritos por pessoas quase desconhecidas.

Entretanto, o número de artigos de opinião não pára de crescer. Inevitavelmente com o aumento da quantidade perde-se qualidade e, com o tempo, surge o fenómeno da saturação. Do meu ponto de vista, as pessoas têm cada vez menos paciência para textos longos, cujo conteúdo se limita a interesses específicos e que frequentemente não oferece uma visão nova e substancial sobre o tema. Com a maior pluralidade de visões corre-se o risco de termos opiniões mais superficiais e polarizadas. Em síntese, a palavra escrita nos artigos de opinião está a perder valor e impacto.

Em contraste, os podcasts com uma duração cada vez maior, muitas vezes sob a forma de entrevista, estão a ter um enorme sucesso na internet. E porquê? As pessoas estão cansadas pela enorme velocidade e quantidade em que é apresentada a informação e a opinião nas formas tradicionais. Dá-se cada vez mais valor a uma boa conversa civilizada, em contraste com os debates nos quais as pessoas estão constantemente a interromper-se com uma agressividade irracional. A empatia que se sente, entre os participantes, em muitos podcasts exerce um poder quase ansiolítico, permitindo-nos reflectir com mais calma nos conteúdos. O estilo de conversa mais intimista cria a sensação de a opinião ter um carácter mais genuíno e verdadeiro. No final, mesmo após mais de uma hora de escuta, ficamos com a impressão de que valeu a pena o tempo dedicado a ouvir.

Julgo que estamos a assistir a uma nova mudança na forma de fazer opinião. Há um desejo de desacelerar a agitação do dia-a-dia, de sentir que se tem tempo para reflectir. O diálogo empático entre duas ou mais pessoas que se respeitam e sabem ouvir-se mutuamente tem um poder comunicacional imenso.

A cançãoVideo Killed the Radio Star lançada pela banda britânica The Buggles teve um enorme sucesso nos anos 80, coincidindo com o aparecimento da MTV. Essa profecia não se concretizou, pois os videoclipes não mataram a rádio. Da mesma forma, acredito que os artigos de opinião não vão sucumbir às novas formas de exprimir opinião, mas penso que estão a perder cada vez mais a sua influência e relevância.

COMUNICAÇÃO SOCIAL…..MEDIA……SOCIEDADE

COMENTÁRIOS

Glorioso SLB: Os podcasts são só para convidados, naturalmente escolhidos/seleccionados. Os artigos do Observador, não. Para já. Hoje em dia apenas leio o Expresso para ler os artigos de opinião. Artigos de fundo ñ há. E para notícias, já temos a televisão durante 24h.

 

Na mesma como a lesma


Se não cada vez pior. E tudo parte de uma educação que se descurou, se não mesmo, abandalhou, na insensatez atrevida de quem se está nas tintas para valores como o respeito, em defesa dos outros tais valores outrora alardeados da liberdade, igualdade e fraternidade, de aparência ideológica bonita mas falsa, como todos intimamente sabem, fingindo aceitar, em falso altruísmo, pois que mais nos convém o parasitismo em que actualmente vegetamos. Para Portugal, sentimos que só um PEDRO PASSOS COELHO poderia impor uma certa ordem e seriedade, rodeado pelos que escolheria, de idêntico carisma moral. Mas ele não quer sacrificar-se, e tem todo o direito, atraiçoado que foi quando ganhou em vão, na cobardia do chefe de então. Não, entre nós, que não desejamos a ordem mas a liberdade traiçoeira e ignara, os 25 anos que seguem, serão do mesmo cariz dos 50 que passaram, feita a redução mentirosa e lorpa que criou as avalanches dos fugitivos dessas terras que desprezámos, em favor, não desses, mas dos povos poderosos que têm a sua última palavra, depois da primeira, que também tiveram, defensora dos direitos daqueles, em altruísmo de aparência, em avidez de autenticidade – e que hoje acorrem, em prestimoso auxílio piedoso e suave, de uma realidade já avidamente – e desmascaradamente – interesseira, como os próximos 25 anos demonstrarão sem rebuço.

Portugal daqui a 25 anos

É importante fazer esta análise no momento em que entramos no último ano do primeiro quartel do século pois, nestes últimos 25 anos, não fizemos mais que correr atrás do prejuízo.

ANDRÉ ABRANTES AMARAL Colunista do OBSERVADOR

OBSERVADOR, 29 dez. 2025, 00:1830

É um erro assumir que os políticos e governantes que marcaram gerações não tinham uma visão do futuro que gostariam de alcançar e que se limitaram a seguir os eventos do dia-a-dia. Adaptaram-se, não haja dúvidas, ou seriam trucidados pelos acontecimentos. Mas fizeram-no com algo superior em vista. De Gaulle afastou-se da Quarta República porque a considerava disfuncional e não quis a sua imagem política agastada com o que entendia ser um fracasso anunciado. Churchill colocou-se à margem da narrativa que, no seu país, prevaleceu nos anos 30. Thatcher observou e analisou os erros dos governos conservadores de Macmillan e de Heath (principalmente deste último) para abraçar novas soluções para problemas que também eram novos. Entre nós, Mário Soares desejou ser a charneira do sistema que ligasse direita e esquerda, mas não deixou de ter (e de referir) uma visão para o país: liberto da ditadura de extrema-direita, livre da opressão da extrema-esquerda, inserido na comunidade europeia, uma democracia ocidental e moderna.

Que Portugal vamos ter em 2050? É uma pergunta cuja resposta implica saber como será o mundo daqui a 25 anos. É uma pergunta à qual não conseguimos responder porque parte de pressupostos que não controlamos. Mas que não nos impede que coloquemos a questão de outra forma: que Portugal gostaríamos que existisse em 2050? É uma pergunta legítima e necessária. Legítima porque se trata do nosso país, do legado que pretendemos deixar aos que vão ser portugueses na segunda metade deste século. Necessária, porque se apenas pensarmos antecipadamente somos capazes agir de modo consequente. É importante que façamos esta análise no momento que entramos no último ano do primeiro quartel do século pois, nestes últimos 25 anos, não fizemos mais que correr atrás do prejuízo. O projecto saído do 25 de Abril (e consolidado com o 25 de Novembro), de uma democracia ocidental e uma economia inserida na Europa ficou-se pelos anos 90. Consumou-se nessa altura e desde então nada surgiu que o substituísse. Esta falta de visão foi fatal até para Passos Coelho, um primeiro-ministro que esteve à altura das dificuldades que o país enfrentou e foi capaz de levar por diante o mais difícil programa de recuperação económica que Portugal enfrentou nos últimos 50 anos. Mas Passos não tinha (ou se tinha não foi capaz de a transmitir) uma visão para o futuro. Talvez por isso, não conseguiu a necessária maioria absoluta para que continuasse no governo. Mas essa visão de longo prazo é também determinante para que um governo não fique enredado nas narrativas populistas de partidos que acabam por marcar a agenda política. Como vemos Portugal daqui a 25 anos? Um país inserido na comunidade de estados ocidentais, uma democracia capaz de alternar governos sem violência, um estado que seja um garante da ordem pública e saiba interagir com os diversos sectores da sociedade, com vista à prossecução dos serviços públicos. Uma economia capitalizada e aberta a investimentos de valor acrescentado que criem empregos que paguem salários altos. Um Portugal próximo dos países que falam português e que faça pontes entre estes e os EUA e a Europa. Com o fim da hegemonia ocidental, o mundo volta a ser o que era antes da globalização iniciada pelos portugueses e o centro das riquezas regressou ao Oriente, o local onde todos querem estar, onde todos precisamos de estar se não quisermos ficar para trás na inovação tecnológica, no acesso às fontes de conhecimento e no desenvolvimento das novas ideias. Seria errado pensar que Portugal não pode ter uma palavra a dizer nesta mudança estrutural do equilíbrio internacional, a maior desde a chegada de Vasco da Gama à Índia. Pensar o que pode vir a ser Portugal daqui a 25 anos não é uma perda de tempo. É uma antecipação de desafios e a construção de um fio condutor a que nos poderemos agarrar de cada vez que os imprevistos nos fizerem tremer mais que o normal.

CRESCIMENTO ECONÓMICO     ECONOMIA     FUTURO     TECNOLOGIA     POLÍTICA

COMENTÁRIOS (de 30):

José Martins de Carvalho: É injusto dizer que Passos Coelho não tinha uma visão para o futuro.

Não se pode dizer isso de um homem a quem foi dada a oportunidade de conduzir o país no período excepcional subsequente à bancarrota de Sócrates, em que a prioridade era apagar fogos. O eleitorado não lhe deu maioria absoluta porque não queria mais sacrifícios e, por isso, ficou sem conhecer a sua visão de futuro, que num segundo mandato já lhe seria possível evidenciar.

Rui Lima: Portugal daqui 25 anos estará em pleno 3.º mundo pela demografia os últimos portugueses terão fugido, os níveis de pobreza semelhantes aos de África que é a população majoritária no país que foi Portugal ,todas as nossas figuras históricas foram banidas mesmo o cozido à portuguesa , os monumentos demolidos os jardins foram ocupados , Lisboa é uma cidade de 8 milhões de habitantes .  PS. Pode demorar mais tempo mas o caminho esta traçado .

mais um > Maria Tubucci: Certo.

Maria Tubucci: Caro AAA, daqui a 25 anos em Portugal não haverá socialismo nem comunicação social tradicional. O ponto de inflexão já foi atingido, foi em 2010 com a queda do Sócrates, veio a troika repor a normalidade das contas certas e com muito sacrifício isso foi atingido. Depois veio 2015, o PS perverteu o sistema político ao aliar-se à extrema-esquerda, à viva força quis repor a anormalidade, como consequência surgiu o CH. Simultaneamente, continuaram a encobrir a sua bancarrota financeira e moral, culpando quem salvou o país de todos os males, invertendo reformas e abrindo as fronteiras, como consequência o CH subiu ainda mais. Tudo isto, sempre acompanhado de uma comunicação social canina e fiel ao dono, que transforma a mentira em verdade, que insulta os adversários com as mentiras que cria, perdendo cada vez mais credibilidade, porque a verdade é como o azeite vem sempre ao de cima. Resumindo, a resposta das pessoas ao socialismo cada vez será mais violenta, se eliminarem o CH, surgirá outro ainda pior, a maioria silenciosa começou a ter asco ao socialismo/esquerdismo/wokismo. Repare, até os imigrantes legais que estão integrados são contra a imigração ilegal descontrolada. A cada ajustamento forçado de um sistema, o sistema irá responder com cada vez mais violência. Não sei se o futuro será melhor ou pior, mas o socialismo vai desaparecer, o vento mudou, o bom-senso acabará por imperar. Pois é impossível que o dinheiro de poucos possa dar tudo a todos, e que esses todos só tenham direitos e nunca tenham deveres.

Jorge Frederico Cardoso  > Vieira Barbosa: É sempre um gosto ler qualquer artigo de AAA porque em meia dúzia de frases equacionando factos leva o leitor a uma ideia quase sempre nuclear para o entendimento não sectário da política que se faz (ou não faz) nesta nossa frágil democracia. É este artigo é excelente porque prima pela racionalidade OBRIGADO a AAA e ao OBSERVADOR aos quais desejo um bom 2025

João Floriano > Manuel Gonçalves: A associação entre Trump e Elon Musk poderá ser entre um avanço tecnológico sem precedentes, uma nova Revolução e um poder político muito mais musculado do que o que temos visto até agora. O futuro dirá se essa parceria se vai aguentar e durante quanto tempo. Trump vai a caminho dos 79 anos. Quanto à Gronelândia, uma zona autónoma da Dinamarca desde 1953, Trump tentou comprá-la à Dinamarca, como já o Alasca havia sido comprado ao czar Alexandre II a seguir à Guerra Civil Americana. A venda e compra decorreram de circunstâncias da época e da bancarrota do czar. É curioso que foi Seward (há uma cidade com o seu nome no Alaska) enfrentou resistência e ganhou a votação que permitiu comprar o Alaska a preço de super saldo apenas por um voto. Hoje Putin deve ter calafrios cada vez que pensa o que seria estar ali às portas dos Estados Unidos e do Canadá. Estrategicamente, a compra da Gronelândia traria vantagens defensivas para o Ocidente agora que russos e chineses aproveitam as alterações climáticas e têm cada vez mais barcos na área. Não se trata de andar distraído, nem tão pouco ser ingénuo. Portugal tem um raio de acção muito reduzido perante o mosaico geopolítico que já se observa, com os BRICS, o colonialismo chinês e russo em África e na América do Sul, o Médio Oriente, a importância do Pacífico, Trump que em relação à Europa tem a mesma atitude que os pais que pressionam os filhos a serem autónomos.