sexta-feira, 8 de agosto de 2025

A doçura

 

Para com os mais pobrezinhos, demonstradora, naturalmente, dos nossos bons sentimentos, é sempre de louvar.

A fantasia do reconhecimento do “estado” da Palestina

A diplomacia não serve para apaziguar grupos radicais. Sobretudo, as fraquezas e os problemas internos de Macron e de Starmer não devem influenciar a política externa de outros países europeus.

JOÃO MARQUES DE ALMEIDA Colunista do Observador

OBSERVADOR, 07 ago. 2025, 00:2293

Há vários problemas com a fantasia de se reconhecer o “estado” da Palestina. O primeiro é que não existe um “estado” da Palestina. Como se pode reconhecer o que não existe? Existem dois territórios palestinos: a margem ocidental do rio Jordão; e a faixa da Gaza. São territórios distintos, com dois governos diferentes, que não reconhecem legitimidade política um ao outro. Qual das “Palestinas” será reconhecida por Portugal e por outros países europeus? Parece que será a Autoridade Palestiniana na margem ocidental do rio Jordão. Essa é a primeira contradição da fantasia (lamento, mas não é possível chamar-lhe estratégia). Querem reconhecer o “estado” da Palestina por causa da guerra de Gaza, mas se o fizerem estão a atacar directamente a autoridade que governa Gaza, o Hamas.

Os governos europeus também querem pressionar o governo de Israel. Mas, curiosamente, ao não reconhecerem o Hamas como a autoridade soberana Palestina, colocam-se ao lado de Israel que pede a rendição absoluta do Hamas desde os ataques de 7 de Outubro de 2023. O Hamas reclama que representa o povo palestino, em Gaza e na faixa ocidental do rio Jordão, mas se os países europeus não reconhecerem a autoridade que o Hamas reclama para si próprio, estão a acabar com o Hamas como ele existe de momento. Eis a segunda contradição: parecendo que estão a atacar Israel, os governos europeus estão a colocar-se ao lado do governo de Israel contra o Hamas.

Obviamente, os governos europeus sabem isso tudo. Mas insistem na fantasia do “estado” da Palestina. Ora, o que vão os governos europeus fazer para ajudar a construir um estado palestino? É o preço de querer reconhecer o que não existe: que se faça alguma coisa para que passe a existir. A primeira coisa que teriam que fazer seria forçar o Hamas a render-se. Os países europeus não têm poder nem vontade para pagar os custos de impor essa estratégia. Por isso, o reconhecimento de um “estado” da Palestina seria (ou será, se a sensatez não prevalecer) mais uma exercício europeu de diplomacia vazia e sem consequências.

Mas há ainda uma quarta contradição. Só na aparência é que o eventual reconhecimento do “estado” da Palestina constitui um acto de política externa. Na verdade, é um exercício populista de política interna. Por um lado, acham que as maiorias das populações europeias querem reconhecer um “estado” da Palestina. As televisões querem, mas as televisões há muito que deixaram de representar a maioria das populações europeias. Os governos europeus estão convencidos que é popular, internamente, reconhecer o “estado” da palestina, e que também lhes dá uma superioridade moral que não enjeitam, mas a busca de popularidade entre as suas populações é política interna, não é diplomacia.

No caso da França e do Reino Unido há também uma tentativa de Macron e de Starmer de apaziguar as populações muçulmanas, onde os grupos radicais islâmicos exercem muita influência. É próprio de líderes fracos, como são o Presidente francês e o PM britânico. Mas uma outra dimensão mais preocupante: as minorias imigrantes começam a influenciar as políticas externas de países europeus. A diplomacia não serve para apaziguar grupos radicais. Sobretudo, as fraquezas e os problemas internos de Macron e de Starmer não devem influenciar a política externa de outros países europeus.

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COMENTÁRIOS (de 93)

Ricardo Ribeiro:E assim se chegou a este estado (que não o Palestino que é apenas o argumento justificativo) em que minorias "barulhentas" esquerdoidas e muçulmanas influenciam as políticas externas de certos "líderes" europeus só para estes ficarem bem na foto... Se o Montenegro alinhar nesta diapasão, está apresentado.                   Gabriel Madeira > Ricardo Ribeiro: Correctíssimo. Os imigrantes têm que adoptar os usos, costumes e crenças do lugar que os acolhe, e não impor as suas vontades, nomeadamente através da política. Caso contrário, podem seguir de volta pelo mesmo caminho.                  José Paulo Castro: Como estão as coisas, é reconhecer uma entidade terrorista como tendo razão para continuar a perseguir a eliminação de Israel. Mesmo que estejam a reconhecer a Autoridade Palestiniana, estão a validar o Hamas na sua recusa em entregar os reféns. E, por extensão, na sua pretensão de eliminar Israel. Isto só podia ser feito DEPOIS da eliminação do Hamas e da sua ocupação em Gaza. A esquerda europeia é um conjunto de ideias erradas e agora sem rumo, mas ainda com poder de choque político. Perigosa.                 Maria: Concordo com o autor. O Mundo não se pode agachar, dos fracos não reza a História. Macron e Starmer são dois medíocres amedrontados com a crescente bandidagem muçulmana que prolifera nos seus Países, não souberam pôr regras e obrigações, o resultado está à vista. A Palestina não é estado mas sim miséria, onde as mulheres não têm qualquer direito, civilidade não existe, democracia nem sabem o que é!! É para um território com esta AUSÊNCIA de direitos e costumes que se pede o estatuto de estado? Miséria e vergonha alheia                      José B Dias: Partilho a opinião.           Ruço Cascais: Não vai haver reconhecimento nenhum de um Estado da Palestina por parte do actual governo português. É tudo jogo político ou ainda não perceberam que a maior das qualidades políticas de Montenegro é saber jogar o jogo político? Não é por ambos fazerem chichi de pé que muitos comparam Montenegro com António Costa. À excepção da Maria Castelo Branco - Mortavinho - acabou-se a berraria das esquerdas na comunicação social com o anúncio montenegrino do tal reconhecimento. Em Setembro logo se vê, mas a condição do reconhecimento com a libertação de todos os reféns é o mais certo. Nota: ontem ouvi aqui no Observador uma jornalista a perguntar ao José Ribeiro e Castro se a diferença de escalas entre o ataque do Hamas a Israel e a resposta de Israel não colocava Israel no papel de agressor e senão justificava que Israel fosse pressionado pela comunidade internacional para terminar a guerra. Talvez a pergunta não fosse bem assim, mas, sem dúvida que é esta a intenção da pergunta. A utilização da diferença de escalas entre o ataque do Hamas e a retaliação do Estado de Israel para poder atacar moralmente Israel é de uma hipocrisia enorme. Sabemos agora, que para aquela jornalista que fez a pergunta a José Castro e tantos outros que se agarram a este argumento das escalas, que, caso Portugal tivesse um dia um grupo de cidadãos portugueses raptados por uma organização terrorista, que as esquerdas e o pensamento de esquerda em geral tudo faria para não disparar um tiro para os salvar. Seriam sempre vítimas colaterais, e o grande objectivo das esquerdas numa situação dessa seria a integração dos terroristas e encontrar justificação para os seus actos.                       José Paulo Castro > Frederico Martins: Diga logo de uma vez: judeu. É isso que quer dizer, não é ? Esqueça lá o 'sionista'. É como o 'fascista', um termo para designar o adversário sem lhe reconhecer a liberdade de pensar. Assuma-se.      antonyo antonyo: É suficiente ler a Convenção de Montevideu para perceber porque é que a Palestina não pode ser um Estado. É que não preenche nenhum dos requisitos !                   Maria Eduarda Vaz Serra: Muito OBRIGADO João Marques de Almeida por mais um artigo lúcido e esclarecedor! Ora aí está. O Islão já tem massa crítica suficiente para influenciar as políticas nacionais. A França sabe que está perdida, já não pode voltar atrás. E quer que os outros países a acompanhem. É como aquele homem armado e barricado, cercado pela polícia. A polícia ordena-lhe que se renda e ele grita “Eu sei que vou morrer, mas vou levar mais alguns comigo.”. Assim está a França em relação aos outros europeus.                     José Ferreira: Parabéns. O que escreve é tão evidente, mas tão evidente. Só faltou referir o Sanchez aqui do País vizinho, que tudo faz para distrair dos enormes e sérios problemas que o atormentam ... e que prejudicam fortemente os espanhóis. Enfim, líderes fracos só podem tomar decisões desesperadas. Esta do reconhecimento do "estado" da Palestina, parece ser mais uma. Espero, sinceramente, que o nosso actual governo não embarque neste delírio ...                  José Paulo Castro > Hugo Marinho. Nem a matança é generalizada, nem a fome é deliberada. E ambas só existem por culpa do Hamas.                       Hugo Silva > Carlos Quartel: O mesmo serve para si                Antonio Rodrigues: Exactamente as 'minorias imigrantes' começam a influenciar definitivamente a política externa e, acrescento eu, interna. Com a cumplicidade dos media e o alto patrocínio da Esquerda que resta a sociedade está a mudar. E o que aí vem não é bonito.                   José Lúcio: Então ficamos a saber que uma estratégia baseada no Terrorismo pode resultar com líderes acobardados. O problema maior é o precedente que se abre: a partir de agora, fica-se a saber que o Terror permite alcançar o que se quer com as lideranças europeias. É interessante que se olharmos para a Ucrânia, tudo já era um mau sinal e agora com esta submissão ao Hamas fica clara a natureza cobarde das actuais chefias da UE. E querem aumentar as despesas (mesmo que aldrabadas) com a Defesa? E pergunto: para quê? A Deterrence (Dissuasão) é uma soma de capacidades militares com vontade política - para se poder alcançar a característica fundamental da Deterrence "Being Believed". Lamento, mas os Europeus já não são credíveis. Deterrence de base Europeia? Mudemos de assunto e falemos da ementa do almoço...          Manuel Magalhaes: A UE está a chegar ao momento da verdade, isto é, não serve para quase nada a não ser canalizar dinheiro dos países bem administrados para os países mal administrados e pedintes, pois o que na teoria era ajudar os países menos ricos a se administrarem melhor e a tornarem-se também prósperos e ricos, mas a realidade é absolutamente outra, os tais países “pobres” viciaram-se na dependência e daí não querem nem pensam sair. Isto vem a propósito da decadente influência da UE no contexto internacional, demasiadas preocupações com problemas menores e ao mesmo tempo mantendo-se a subsídio-dependência tanto a nível internacional como nacional, o resto do mundo que importa já não nos leva a sério e infelizmente tem razão!!!                   Filipe Paes de Vasconcellos: Mas será que é preciso fazer um desenho???                      João Floriano > Hugo Marinho: A matança e a fome devem acabar, mas Israel não é o único culpado. O Hamas poderia libertar os reféns que restam e entregar os corpos dos que já morreram. Não é por um reconhecimento na teoria e na «secretaria» que a guerra vai acabar e que por magia o Hamas e outros grupos terroristas deixam de pedir o fim do estado judaico. É aí que reside o grande problema. Enquanto a segurança de Israel não for um facto, a guerra continuará, com períodos intercalares de «paz» (no Médio Oriente PAZ é um termo muito relativo.). Lembro-lhe que Timor Leste foi invadido em 1975 e libertado em 1999 com um movimento cívico nunca antes visto em Portugal. Mas a Fretilin não pedia o fim da Indonésia, como o Hamas exige em relação a Israel.                   Miguel Macedo: Pois! E assim vai a Europa cada vez mais decadente até à destruição total!  Quanto a este ministro sinistro Rangel é uma desgraça!        unknown unknown: Muito bem                       Francisco Bandeira: Está tudo dito.             maria santos: O dito "Estado Palestiniano" não passa de uma fantasia teórica, nada muda na realidade concreta daquela guerra naquele território, a realidade impõe-se sempre: A Pátria de Israel não se rende ao Hamas, não se rende ao Hezbollah, não se rende aos aliados do Islão nos países ocidentais.

Como diz Miguel Torga in Nuno Álvares"

"Pátria - é um palmo de terra defendida

A lança decidida

Risca no chão

O tamanho do nosso coração

E todo o inimigo que vier

Tem de retroceder

Com a sombra da morte no pendão ..."

Paulo Ruivo e Silva > Antonio Rodrigues: O que aí vem será algo parecido com uma guerra civil, mas dizer isto de forma aberta vale a classificação de fascista ou xenófobo….no entanto é tão evidente, e os factos estão aí para o demonstrar…em meia dúzia de anos, a comunidade islâmica na Europa ganhou uma influência política tal que os próprios líderes políticos se vergam a ela desta forma indecorosa.                      José Paulo Castro > Frederico Martins: Da última vez que vi, tinha todos os órgãos democráticos a funcionar. E a funcionar bem.             Francisco Almeida: Excelente artigo apesar de restrito ao mais óbvio sem referir, por exemplo, o enorme risco do reconhecimento fazer azedar as relações com os EUA. E felizmente que Portugal ainda não está com os problemas de França e Inglaterra. Não porque não tenha já o número suficiente de muçulmanos para os criar mas porque os imigrantes recentes ainda não estão organizados e os mais antigos, ismaelitas e assistentes na Mesquita Central de Lisboa, não criam problemas.                       José Paulo Castro > Hugo Marinho: E o Hamas continuava em controlo de Gaza. Até à próxima...

As condições iniciais de Israel eram 1) a devolução dos reféns e 2) a desmilitarização e desmantelamento do Hamas. O Hamas faz tudo, tudo para se manter activo. Até devolve reféns, no limite, se isso significar recuperar membros e actividade. É por isso que não há alternativa à anexação e limpeza. Até porque os aliados de Netanyahu no governo querem isso e nenhuma contemplação com o Hamas: tem de sair derrotado e desfeito, para não se repetir tudo de novo.                   graça Dias > José Ferreira: O nosso governo já " embarcou" !...quando não se conhece a História, quando não se é dotado de convicções sólidas, quando o pensamento político e moral está acorrentado aos dogmas de " terceiros", tomam-se decisões irreflectidas e erráticas, que traduzem a nossa pequenez.

Coxinho: Claro como água destilada.                      José Paulo Castro > Hugo Marinho: Vá amar Bibis para a Casa Pia e deixe de presumir que gosto dele. Viu as contrapartidas desse acordo de entrega?                      Antonio C.: Subscrevo por baixo caro João Marques Almeida. A falta de uma posição única e e firme da EU em matéria de política externa só lhe é prejudicial e mina, a longo prazo, a legitimidade e peso da representatividade política. A questão do chamado " Estado Palestiniano" deve ter a importância que tem, ou seja, reduzida e relativizada.                 Paulo Ruivo e Silva > maria santos: Cara Sra., os brasileiros ou africanos são o menor dos problemas… Esse pessoal integra-se, e se não o faz é certamente porque vive mal e não tem perspectivas de vida....Quanto aos islâmicos, o caso é mais complexo, trata-se de um choque civilizacional insanável.....                   maria santos > Francisco Almeida: Boas tardes: Certo, os imigrantes muçulmanos recentes ainda não estão organizados, concordo consigo, mas é melhor não agoirar e tanto o governo como nós classes médias estarmos prevenidos. Não descuidar da perigosíssima propaganda das Mortáguas do BE e das Alexandra Leitão do PS, apoiadas na Presidência de Marcelo, tudo nas televisões, rádios e jornais. O esquerdismo do PS/geringonça contra a Cultura Ocidental é incendiário. E a "estupidez natural" do PSD (mais a raiva narcisista de Marcelo) ajuda. Não estou tranquila quanto ao futuro. Boa semana.                    António Cézanne: Uma análise certeira, concordo totalmente.              Maria Alva: Bem 👏🎯                   Bailaruco Madeira: Bom artigo. No entanto, sublinho que estas iniciativas de certos governos europeus, são praticamente inconsequentes, e nada mudarão no terreno.                   Helena L: Há outra contradição de base: Como se pode designar solução de “2 estados” quando a “Palestina” não reconhece Israel? Desde 1947, e não vai mudar.                 pedro santos > Ruço Cascais: A esquerda actual é um verdadeiro nojo, sendo que antes não era muito melhor. Infelizmente, há pessoas decentes que nela militam e não se apercebem disso...                 Paulo Silva: Os amigos da Palestina parecem agora querer aquilo que nunca aceitaram: a solução dos dois Estados votada pela ONU em 1947... Recordo de há uns anos ter assistido a uma palestra apresentada como debate sobre o conflito Israel-Palestina, (na verdade uma sessão de 'esclarecimento' e introdução ao público português de um movimento de boicote a Israel - BDS), onde a dada altura, na parte em que plateia era convidada a participar, introduzi o tema da solução dos dois Estados. Todos os intervenientes que se seguiram se pronunciaram contra essa solução a favor de apenas um Estado, palestino ou palestiniano, como é óbvio, (a maioria dos presentes era claramente anti-Israel).                 Maria Nunes da Silva: Muito bem.                 Alexandre Barreira: Pois. Caro João, Não se "rale-com-a-coisa". Porque o Macron já sabe. Se reconhece a Palestina. Vai levar um...."arraial-de-porrada-da-Maria". Já o Montenegro é mais....."tesão-de-mijo".....!

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