Para com os mais pobrezinhos, demonstradora, naturalmente, dos nossos bons
sentimentos, é sempre de louvar.
A fantasia do reconhecimento do “estado” da Palestina
A diplomacia não serve para apaziguar grupos radicais. Sobretudo, as
fraquezas e os problemas internos de Macron e de Starmer não devem influenciar
a política externa de outros países europeus.
JOÃO MARQUES DE
ALMEIDA Colunista do Observador
OBSERVADOR, 07 ago. 2025, 00:2293
Há
vários problemas com a fantasia de se reconhecer o “estado” da Palestina.
O
primeiro é que não existe um “estado” da Palestina. Como se pode
reconhecer o que não existe? Existem
dois territórios palestinos: a margem ocidental do rio Jordão; e a faixa da
Gaza. São territórios
distintos, com dois governos diferentes, que não reconhecem legitimidade
política um ao outro. Qual das “Palestinas” será reconhecida por Portugal e
por outros países europeus? Parece
que será a Autoridade Palestiniana na margem ocidental do rio Jordão. Essa é a
primeira contradição da fantasia (lamento,
mas não é possível chamar-lhe estratégia). Querem reconhecer o “estado” da Palestina por causa da guerra de
Gaza, mas se o fizerem estão a atacar directamente a autoridade que governa
Gaza, o Hamas.
Os governos europeus também querem
pressionar o governo de Israel. Mas, curiosamente, ao não reconhecerem o Hamas como a autoridade soberana Palestina, colocam-se ao lado de Israel
que pede a rendição absoluta do Hamas desde
os ataques de 7 de Outubro de 2023. O Hamas
reclama que representa o povo palestino, em Gaza e na faixa ocidental do rio
Jordão, mas se os países europeus não reconhecerem a autoridade que o Hamas
reclama para si próprio, estão a acabar com o Hamas como ele existe de momento.
Eis
a segunda contradição: parecendo
que estão a atacar Israel, os governos europeus estão a colocar-se ao lado do
governo de Israel contra o Hamas.
Obviamente, os governos europeus
sabem isso tudo. Mas
insistem na fantasia do “estado” da Palestina. Ora, o que vão
os governos europeus fazer para ajudar a construir um estado palestino?
É o preço de querer reconhecer o que
não existe: que se
faça alguma coisa para que passe a existir. A
primeira coisa que teriam que fazer seria forçar o Hamas a render-se. Os países europeus não têm poder nem
vontade para pagar os custos de impor essa estratégia. Por isso, o
reconhecimento de um “estado” da Palestina seria (ou será, se a sensatez não
prevalecer) mais uma exercício europeu de diplomacia vazia e sem
consequências.
Mas há ainda uma quarta contradição.
Só
na aparência é que o eventual reconhecimento do “estado” da Palestina constitui
um acto de política externa. Na
verdade, é um exercício populista de política interna. Por um
lado, acham que as maiorias das populações europeias querem reconhecer um “estado” da Palestina. As televisões querem, mas as televisões há
muito que deixaram de representar a maioria das populações europeias. Os governos europeus estão convencidos que é
popular, internamente, reconhecer o “estado” da palestina, e que também
lhes dá uma superioridade moral que não enjeitam, mas a busca de popularidade
entre as suas populações é política interna, não é diplomacia.
No caso da França e do Reino Unido há também uma tentativa de Macron
e de Starmer de apaziguar
as populações muçulmanas, onde
os grupos radicais islâmicos exercem muita influência. É próprio
de líderes fracos, como são o Presidente francês e o PM britânico.
Mas uma outra dimensão mais preocupante: as
minorias imigrantes começam a influenciar as políticas externas de países
europeus. A diplomacia não serve para apaziguar grupos radicais.
Sobretudo, as fraquezas e os problemas internos de Macron e de Starmer não
devem influenciar a política externa de outros países europeus.
CONFLITO
ISRAELO-PALESTINIANO MUNDO PALESTINA ISRAEL MÉDIO ORIENTE
COMENTÁRIOS (de 93)
Ricardo Ribeiro:E assim se chegou a este
estado (que não o Palestino que é apenas o argumento justificativo) em que
minorias "barulhentas" esquerdoidas e muçulmanas influenciam as
políticas externas de certos "líderes" europeus só para estes ficarem
bem na foto... Se o Montenegro alinhar nesta diapasão, está apresentado. Gabriel Madeira > Ricardo Ribeiro: Correctíssimo. Os imigrantes
têm que adoptar os usos, costumes e crenças do lugar que os acolhe, e não impor
as suas vontades, nomeadamente através da política. Caso contrário, podem
seguir de volta pelo mesmo caminho. José Paulo Castro: Como estão as coisas, é
reconhecer uma entidade terrorista como tendo razão para continuar a perseguir
a eliminação de Israel. Mesmo que estejam a reconhecer a Autoridade
Palestiniana, estão a validar o Hamas na sua recusa em entregar os reféns. E,
por extensão, na sua pretensão de eliminar Israel. Isto só podia ser feito
DEPOIS da eliminação do Hamas e da sua ocupação em Gaza. A esquerda europeia é
um conjunto de ideias erradas e agora sem rumo, mas ainda com poder de choque
político. Perigosa.
Maria: Concordo com o
autor. O Mundo não se pode agachar, dos fracos não reza a História. Macron e Starmer
são dois medíocres amedrontados com a crescente bandidagem muçulmana que
prolifera nos seus Países, não souberam pôr regras e obrigações, o resultado
está à vista. A Palestina não é estado mas sim miséria, onde as mulheres não têm
qualquer direito, civilidade não existe, democracia nem sabem o que é!! É para
um território com esta AUSÊNCIA de direitos e costumes que se pede o estatuto
de estado? Miséria e vergonha alheia José B Dias:
Partilho a
opinião. Ruço
Cascais: Não vai haver reconhecimento nenhum de um Estado da Palestina por parte do
actual governo português. É tudo jogo político ou ainda não perceberam que a
maior das qualidades políticas de Montenegro é saber jogar o jogo político? Não
é por ambos fazerem chichi de pé que muitos comparam Montenegro com António
Costa. À excepção da Maria Castelo Branco - Mortavinho - acabou-se a berraria
das esquerdas na comunicação social com o anúncio montenegrino do tal
reconhecimento. Em Setembro logo se vê, mas a condição do reconhecimento com a
libertação de todos os reféns é o mais certo. Nota: ontem ouvi aqui no Observador
uma jornalista a perguntar ao José Ribeiro e Castro se a diferença de escalas
entre o ataque do Hamas a Israel e a resposta de Israel não colocava Israel no
papel de agressor e senão justificava que Israel fosse pressionado pela
comunidade internacional para terminar a guerra. Talvez a pergunta não fosse
bem assim, mas, sem dúvida que é esta a intenção da pergunta. A utilização da
diferença de escalas entre o ataque do Hamas e a retaliação do Estado de Israel
para poder atacar moralmente Israel é de uma hipocrisia enorme. Sabemos agora,
que para aquela jornalista que fez a pergunta a José Castro e tantos outros que
se agarram a este argumento das escalas, que, caso Portugal tivesse um dia um
grupo de cidadãos portugueses raptados por uma organização terrorista, que as
esquerdas e o pensamento de esquerda em geral tudo faria para não disparar um
tiro para os salvar. Seriam sempre vítimas colaterais, e o grande objectivo das
esquerdas numa situação dessa seria a integração dos terroristas e encontrar
justificação para os seus actos. José
Paulo Castro > Frederico Martins: Diga logo de uma vez: judeu. É isso que quer dizer,
não é ? Esqueça lá o 'sionista'. É como o 'fascista', um termo para designar o
adversário sem lhe reconhecer a liberdade de pensar. Assuma-se. antonyo
antonyo: É suficiente
ler a Convenção de Montevideu para perceber porque é que a Palestina não pode
ser um Estado. É que não preenche nenhum dos requisitos ! Maria
Eduarda Vaz Serra: Muito OBRIGADO João Marques de Almeida por mais um artigo lúcido e
esclarecedor! Ora aí está.
O Islão já tem massa crítica suficiente para influenciar as políticas
nacionais. A França sabe que está perdida, já não pode voltar atrás. E quer que
os outros países a acompanhem. É como aquele homem armado e barricado, cercado
pela polícia. A polícia ordena-lhe que se renda e ele grita “Eu sei que vou
morrer, mas vou levar mais alguns comigo.”. Assim está a França em relação aos
outros europeus. José
Ferreira: Parabéns. O
que escreve é tão evidente, mas tão evidente. Só faltou referir o Sanchez aqui
do País vizinho, que tudo faz para distrair dos enormes e sérios problemas que
o atormentam ... e que prejudicam fortemente os espanhóis. Enfim, líderes
fracos só podem tomar decisões desesperadas. Esta do reconhecimento do
"estado" da Palestina, parece ser mais uma. Espero, sinceramente, que
o nosso actual governo não embarque neste delírio ... José Paulo Castro > Hugo Marinho. Nem a matança é generalizada, nem a fome é
deliberada. E ambas só existem por culpa do Hamas. Hugo
Silva > Carlos Quartel: O mesmo serve para si Antonio Rodrigues: Exactamente as 'minorias imigrantes' começam a
influenciar definitivamente a política externa e, acrescento eu, interna. Com a
cumplicidade dos media e o alto patrocínio da Esquerda que resta a sociedade
está a mudar. E o que aí vem não é bonito. José
Lúcio: Então ficamos
a saber que uma estratégia baseada no Terrorismo pode resultar com líderes
acobardados. O problema maior é o precedente que se abre: a partir de agora,
fica-se a saber que o Terror permite alcançar o que se quer com as lideranças
europeias. É interessante que se olharmos para a Ucrânia, tudo já era um mau
sinal e agora com esta submissão ao Hamas fica clara a natureza cobarde das actuais
chefias da UE. E querem aumentar as despesas (mesmo que aldrabadas) com a
Defesa? E pergunto: para quê? A Deterrence (Dissuasão) é uma soma de
capacidades militares com vontade política - para se poder alcançar a
característica fundamental da Deterrence "Being Believed". Lamento,
mas os Europeus já não são credíveis. Deterrence de base Europeia? Mudemos de
assunto e falemos da ementa do almoço...
Manuel Magalhaes: A UE
está a chegar ao momento da verdade, isto é, não serve para quase nada a não
ser canalizar
dinheiro dos países bem administrados para os países mal administrados e
pedintes, pois o que na teoria era ajudar os países menos ricos a se
administrarem melhor e a tornarem-se também prósperos e ricos, mas a realidade
é absolutamente outra, os tais países “pobres” viciaram-se na dependência e daí
não querem nem pensam sair. Isto vem a propósito da decadente influência da UE
no contexto internacional, demasiadas preocupações com problemas menores e ao
mesmo tempo mantendo-se a subsídio-dependência tanto a nível internacional como
nacional, o resto do mundo que importa já não nos leva a sério e infelizmente
tem razão!!!
Filipe Paes de Vasconcellos: Mas será que é preciso fazer um desenho??? João Floriano > Hugo Marinho: A matança e a fome devem acabar, mas Israel não é o
único culpado. O Hamas poderia libertar os reféns que restam e entregar os
corpos dos que já morreram. Não é por um reconhecimento na teoria e na
«secretaria» que a guerra vai acabar e que por magia o Hamas e outros grupos
terroristas deixam de pedir o fim do estado judaico. É aí que reside o grande
problema. Enquanto a segurança de Israel não for um facto, a guerra continuará,
com períodos intercalares de «paz» (no Médio Oriente PAZ é um termo muito relativo.).
Lembro-lhe que Timor Leste foi invadido em 1975 e libertado em 1999 com um
movimento cívico nunca antes visto em Portugal. Mas a Fretilin não pedia o fim
da Indonésia, como o Hamas exige em relação a Israel. Miguel Macedo: Pois! E assim vai a Europa cada vez mais decadente até
à destruição total! Quanto a este ministro sinistro Rangel é uma
desgraça! unknown
unknown: Muito bem Francisco
Bandeira: Está tudo
dito. maria santos: O dito "Estado Palestiniano" não passa de
uma fantasia teórica, nada muda na realidade concreta daquela
guerra naquele território, a realidade impõe-se sempre: A Pátria
de Israel não se rende ao Hamas, não se rende ao Hezbollah, não se rende aos
aliados do Islão nos países ocidentais.
Como diz
Miguel Torga in Nuno Álvares"
"Pátria
- é um palmo de terra defendida
A lança
decidida
Risca no chão
O tamanho do
nosso coração
E todo o
inimigo que vier
Tem de
retroceder
Com a sombra
da morte no pendão ..."
Paulo Ruivo e Silva > Antonio Rodrigues: O que aí vem será algo parecido com uma guerra civil,
mas dizer isto de forma aberta vale a classificação de fascista ou xenófobo….no
entanto é tão evidente, e os factos estão aí para o demonstrar…em meia dúzia de
anos, a comunidade islâmica na Europa ganhou uma influência política tal que os
próprios líderes políticos se vergam a ela desta forma indecorosa. José Paulo Castro >
Frederico Martins: Da última vez que vi, tinha todos os órgãos
democráticos a funcionar. E a funcionar bem. Francisco Almeida: Excelente artigo apesar de restrito ao mais óbvio sem
referir, por exemplo, o enorme risco do reconhecimento fazer azedar as relações
com os EUA. E felizmente que Portugal ainda não está com os problemas de França
e Inglaterra. Não porque não tenha já o número suficiente de muçulmanos para os
criar mas porque os imigrantes recentes ainda não estão organizados e os mais
antigos, ismaelitas e assistentes na Mesquita Central de Lisboa, não criam
problemas.
José Paulo Castro > Hugo Marinho: E o Hamas continuava em controlo de Gaza. Até à
próxima...
As
condições iniciais de Israel eram 1) a devolução dos reféns e 2) a
desmilitarização e desmantelamento do Hamas. O Hamas faz
tudo, tudo para se manter activo. Até devolve reféns, no limite, se isso
significar recuperar membros e actividade. É por isso que não há alternativa à
anexação e limpeza. Até porque os aliados de Netanyahu no governo querem isso e
nenhuma contemplação com o Hamas: tem de sair derrotado e desfeito, para não se
repetir tudo de novo. graça
Dias > José Ferreira: O nosso governo já " embarcou" !...quando
não se conhece a História, quando não se é dotado de convicções sólidas, quando
o pensamento político e moral está acorrentado aos dogmas de " terceiros", tomam-se decisões irreflectidas e
erráticas, que traduzem a nossa pequenez.
Coxinho: Claro como água destilada. José Paulo Castro > Hugo Marinho: Vá amar Bibis para a Casa Pia e deixe de presumir que gosto dele. Viu as contrapartidas desse acordo de entrega? Antonio C.: Subscrevo por baixo caro João Marques Almeida. A falta de uma posição única e e firme da EU em matéria de política externa só lhe é prejudicial e mina, a longo prazo, a legitimidade e peso da representatividade política. A questão do chamado " Estado Palestiniano" deve ter a importância que tem, ou seja, reduzida e relativizada. Paulo Ruivo e Silva > maria santos: Cara Sra., os brasileiros ou africanos são o menor dos problemas… Esse pessoal integra-se, e se não o faz é certamente porque vive mal e não tem perspectivas de vida....Quanto aos islâmicos, o caso é mais complexo, trata-se de um choque civilizacional insanável..... maria santos > Francisco Almeida: Boas tardes: Certo, os imigrantes muçulmanos recentes ainda não estão organizados, concordo consigo, mas é melhor não agoirar e tanto o governo como nós classes médias estarmos prevenidos. Não descuidar da perigosíssima propaganda das Mortáguas do BE e das Alexandra Leitão do PS, apoiadas na Presidência de Marcelo, tudo nas televisões, rádios e jornais. O esquerdismo do PS/geringonça contra a Cultura Ocidental é incendiário. E a "estupidez natural" do PSD (mais a raiva narcisista de Marcelo) ajuda. Não estou tranquila quanto ao futuro. Boa semana. António Cézanne: Uma análise certeira, concordo totalmente. Maria Alva: Bem 👏🎯 Bailaruco Madeira: Bom artigo. No entanto, sublinho que estas iniciativas de certos governos europeus, são praticamente inconsequentes, e nada mudarão no terreno. Helena L: Há outra contradição de base: Como se pode designar solução de “2 estados” quando a “Palestina” não reconhece Israel? Desde 1947, e não vai mudar. pedro santos > Ruço Cascais: A esquerda actual é um verdadeiro nojo, sendo que antes não era muito melhor. Infelizmente, há pessoas decentes que nela militam e não se apercebem disso... Paulo Silva: Os amigos da Palestina parecem agora querer aquilo que nunca aceitaram: a solução dos dois Estados votada pela ONU em 1947... Recordo de há uns anos ter assistido a uma palestra apresentada como debate sobre o conflito Israel-Palestina, (na verdade uma sessão de 'esclarecimento' e introdução ao público português de um movimento de boicote a Israel - BDS), onde a dada altura, na parte em que plateia era convidada a participar, introduzi o tema da solução dos dois Estados. Todos os intervenientes que se seguiram se pronunciaram contra essa solução a favor de apenas um Estado, palestino ou palestiniano, como é óbvio, (a maioria dos presentes era claramente anti-Israel). Maria Nunes da Silva: Muito bem. Alexandre Barreira: Pois. Caro João, Não se "rale-com-a-coisa". Porque o Macron já sabe. Se reconhece a Palestina. Vai levar um...."arraial-de-porrada-da-Maria". Já o Montenegro é mais....."tesão-de-mijo".....!
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