domingo, 10 de agosto de 2025

As Histórias

 

Da História, na unilateralidade tendenciosa de certos contadores, desmascarados por JOÃO PEDRO MARQUES e apoiado por muitos comentadores, que não caem nas balelas da falsa harmonia humanitária em moda, por vezes esconderijo de fraquezas…

As reparações foram ao teatro

Reparations, Baby! propõe-nos um mundo ficcional, espicaça as nossas emoções e faz activismo. Tudo perfeitamente legítimo, mas não confundam as coisas: não é História e geralmente nem sequer é verdade

JOÃO PEDRO MARQUES Historiador e romancista

OBSERVADOR, 09 ago. 2025, 00:2048

As pessoas woke estão sempre a presumir que a questão das reparações é sensível, difícil de abordar, e que só por isso o debate dessa questão não arranca na sociedade portuguesa, mas estão enganadas. Em primeiro lugar porque o debate já arrancou há muitos anos (começou em abril de 2017). Em segundo lugar porque é muito fácil debater a questão das reparações desde que se assuma, como há muito faço, que não há qualquer reparação a fazer e que se explique porquê. Ao contrário do que gente woke pensa, a questão não está adormecida ou ainda por tratar. Está, isso sim, digerida e resolvida pois tudo indica que os portugueses têm uma opinião formada sobre o assunto, que é a de discordar de pedidos de desculpa e de reparações. No nosso país pensa-se, ao invés, que os portugueses devem ser indemnizados pelo que deixaram em África.

Ou seja, a menos que haja uma inesperada mudança no rumo dos acontecimentos e das correntes de opinião o assunto das reparações é um nado-morto em Portugal e faço votos de que assim permaneça. É verdade que no verão de 2023 dez pessoas woke, entre as quais o conhecido activista Mamadou Ba, produziram uma pomposamente designada Declaração do Porto, ou seja, um caderno reivindicativo no qual, entre outras coisas, se exigia ao Estado português que pagasse indemnizações às pessoas lesadas pelo colonialismo. Esses woke puseram a dita Declaração a circular na Internet com vista à recolha de assinaturas. Esperavam, obviamente, uma grande adesão à iniciativa, mas o resultado foi tão escasso que ela não chegou a descolar. Na primavera seguinte houve quem pensasse que as infelicíssimas declarações de MARCELO REBELO DE SOUSA iriam reanimar o assunto. Organizaram-se dois ou três debates televisivos, mas a questão nunca ganhou tracção e voltou a desaparecer da ordem do dia e das preocupações dos portugueses. Actualmente, e salvo melhor opinião, as reparações são um tema de nicho, estritamente africano ou de extrema-esquerda, que tem alguma exposição na RTP África e em raras iniciativas de académicos conotados com o Bloco, e por aí se fica.

O desejo de insuflar vida num tema que está praticamente morto, ou desaparecido num gueto, foi a principal razão que levou Marco Mendonça, um actor, dramaturgo e encenador nascido em Moçambique em 1995 — é um jovem, portanto —, a pôr de pé a peça teatral Reparations, Baby!, algo que foi profusamente noticiado e que tenta, por via de uma nova abordagem — o riso e o desafio destinados a provocar reflexão —, culpabilizar e responsabilizar os portugueses por determinados aspectos do seu passado colonial. Como o próprio autor nos diz, “pode ser produtivo saber que a culpa existe, e que ela pertence a alguém. Acredito que, mais do que nunca, as pessoas precisam de viver essa culpa, de a sentir, ou de empatizar com quem reclama reparações históricas (…) A culpa existe, e está, de certa forma, no ADN da construção do país e do império”, ainda que a população branca de Portugal se recuse a aceitá-lo. Os portugueses não seriam “heróis do mar” e sim “heróis do mas”, sempre a desculpar as atrocidades do império com os usos e costumes dos “homens desse tempo”, sempre afogados em séculos de mentiras.

Tanto quanto posso ver, e não obstante os seus eventuais méritos e a chancela do Teatro Nacional D. Maria II, a peça não suscitou a atenção e o debate que o seu autor desejava, o que talvez seja bom pois Reparations, Baby! coxeia um bocado do ponto de vista histórico. É claro que a arte não tem de ser historicamente irrepreensível e que uma peça de teatro pode valer por muitos outros aspectos que não o rigor histórico. Mas Marco Mendonça quer meter a História ao barulho, assume frontalmente que pretende, entre outras coisas, ensinar e informar, e preocupa-se emlançar factos, dados históricos, estatísticaspara a sua audiência. O problema é que por vezes o faz sem ter os conhecimentos requeridos e sem saber exactamente do que está a falar. Atirar aos espectadores com o número de escravos transportados em navios registados com bandeira portuguesa, por exemplo, é enganador, a menos que se explique — o que Marco Mendonça não faz — o que era o chamado embandeiramento e qual a sua dimensão. Para quem não sabe, o embandeiramento era, e continua a ser, um estratagema seguido pelos armadores de navios como forma de contornarem proibições ou leis mais rigorosas e foi adoptado também no tráfico ilícito de escravos. O recurso fraudulento à bandeira portuguesa foi praticado em larguíssima escala pelos negreiros que actuavam no Brasil, quando a partir de 1830, por lei e pelos tratados, esse tráfico se tornou proibido nesse país. Todavia, o Brasil continuou a fazê-lo recorrendo à bandeira portuguesa, tendo, a coberto dessa habilidade, importado quase meio milhão de escravos negros. Acrescente-se a propósito, e pela milésima vez, que Portugal não “foi responsável pelo tráfico de quase 6 milhões de homens, mulheres e crianças”. Isso é falso. Esses são os números agregados de dois países: Portugal (4,5 milhões de pessoas) e Brasil independente (1,3 milhões).

As objecções que um historiador pode pôr à peça não se ficam pelos erros numéricos e pelas meias-verdades que ela transmite. Há um problema de fundo com a divisa ou filosofia de que a referida peça parte e em que assenta. De facto, Reparations, Baby! é proposta aos espectadores por meio da seguinte declaração da cantora sul-africana Miriam Makeba:O conquistador escreve a História. Eles vieram, dominaram e escreveram. Não se espera que as pessoas que vieram para nos invadir escrevam a verdade sobre nós”. Esta frase e outras do mesmo género que frequentemente encontramos nas redes sociais de pessoas africanas e afrodescendentes são geralmente apresentadas sob a forma de axioma, como algo tão perfeitamente claro e evidente que dispensaria demonstração. Por vezes são difundidas com uma conotação ou carga reactiva. Há cinco anos, num artigo com vários equívocos, o escritor angolano João Melo, por exemplo, afirmou que “a história é escrita pelos vencedores. Mas também pode ser reescrita, quando os derrotados se rebelam”.

Estamos perante afirmações ou máximas erradas e, no caso de João Melo, duplamente erradas. Na verdade, a História não é escrita pelos conquistadores ou vencedores — que seriam, por suposta inerência, mentirosos —, mas sim pelos historiadores. Há bons e maus historiadores, os que são isentos e os que são politicamente interessados em virar as coisas num certo sentido. Há bons historiadores negrosOrlando Patterson, por exemplo — que, no essencial e no que se reporta aos factos, dizem o mesmo que os bons historiadores brancos, o que não é de estranhar porque a História é escrita com base em documentos que podem ser verificados e estudados por qualquer pessoa, seja ela descendente de vencedores ou de vencidos. Dito isto, subsiste uma importante pergunta: poderíamos construir e contar uma outra História como é o manifesto desejo de muitos africanos, de Miriam Makeba ao autor da peça Reparations, Baby? Poderíamos, sim, se houvesse novas questões a colocar aos documentos existentes — e se eles fossem capazes de nos dar novas respostas — e sobretudo se houvesse novos documentos autênticos, de preferência produzidos pelos povos conquistados ou dominados, que permitissem contestar ou contradizer as versões que agora temos e aceitamos como boas.

Mas haverá esses documentos? Não parece, ou pelo menos ainda não foram encontrados, e essa é uma limitação não apenas de boa parte da história de África, mas das histórias de todos os povos sem escrita, cujas existência, características, formas de actuação e condutas políticas e sociais chegaram até nós por via do que os povos letrados que com eles contactaram nos transmitiram. O que sabemos dos povos do sul de Angola chegou até nós por intermédio do que os portugueses deles escreveram; o que conhecemos dos Hunos foi-nos transmitido pelos Romanos; etc.

Trata-se de uma inevitabilidade sempre que estão em contacto ou em confronto povos com e sem escrita, que faz com que a informação obtida sobre os que não sabem escrever e não nos deixaram as suas próprias narrativas seja parcial. Mas isso não significa que seja falsa, ao contrário do que Miriam Makeba, João Melo e muitíssimos africanos supõem. Aliás, afora as questões numéricas ou mensuráveis, os historiadores lidam sempre ou quase sempre com informações parciais, pessoais, unilaterais, que têm de filtrar e descodificar. É esse, em boa medida, o seu trabalho. João Melo diz que a História pode ser reescrita “quando os derrotados se rebelam”, mas está equivocado e a equivocar-nos. Nos casos em que isso é feito, quando os povos em rebelião chegam ao poder e invertem ou alteram a narrativa fazem-no por razões de conveniência política e ideológica e não por motivos historiográficos ou científicos. Nesses casos a História deixa de o ser, isto é, deixa de ser uma forma isenta de conhecer o passado e converte-se num logro e em propaganda, numa História militante e revanchista. A História só se reescreve quando se lança mão de novos conceitos, se utilizam novos documentos ou se enfrentam novos problemas.

É por isso falso que, à falta desses ingredientes, os africanos apologistas de reparações possam escrever uma história substancialmente diferente da que até agora foi escrita. Quando, para contornarem o obstáculo da lacuna documental, recorrem à fantasia e nos dão opiniões, provocação, humor ou representação teatral salpicada de dados históricos avulso, como acontece na peça Reparations, Baby!, estão a propor-nos um mundo ficcional, a espicaçar as nossas emoções, a fazer activismo e intervenção política. Tudo isso é perfeitamente legítimo, claro, mas não confundam as coisas: não é História e geralmente nem sequer é verdade.

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COMENTÁRIOS (de 48)

Rui Lima: Não devemos esquecer durante vários séculos, final até ao século XIX, do Norte de África ( Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia … ) raptavam pessoas nas costas da Europa desde Portugal, Espanha e Itália até à Islândia e Irlanda. Mulheres jovens, especialmente loiras eram muito valorizadas nos mercados de escravos, muitas vezes destinadas a haréns., jovens podiam ser convertidos ao Islão e treinados como soldados de elite (como os janízaros) , homens adultos eram vendidos como escravos para trabalhos duros, como remo em galés .Mais de um milhão de europeus foram capturados os ataques eram tão frequentes que algumas vilas costeiras ficaram despovoadas e foram abandonadas. Ainda há famílias na Europa que sabem que seus antigos familiares foram levados, como eu sei que nas invasões francesas 2 antepassados meus foram obrigados a acompanhar o invasor, não voltaram. Se querem falar de indemnizações só com acertos de contas de tudo. Obs. Só com a ocupação do Norte de África pelos europeus esses raptos acabaram.        José Tomás: O facto é que essas “reparações” já estão a ser pagas. Esse cidadão de origem moçambicana está a receber dinheiro e meios pagos pelos nossos impostos para a sua propaganda e para pagar as despesas da casa - e muitos como ele. Se é legítimo que ele defenda e divulgue os seus pontos de vista, já me parece abusivo que o faça com o dinheiro dos cidadãos do Estado que quer lesar.       Pobre Portugal: Já cheguei à conclusão de que esta gente de esquerda, depois de ser publicamente desmentida pela verdade dos factos, optou pelo culto da mentira e da ignorância. Só lhes resta mesmo o fanatismo.       João Floriano: Não vi «Reparations, Baby!», mas posso sugerir dois títulos alternativos para a peça teatral e talvez tivesse atraído mais espectadores com nomes do estilo: «Fxxxxuck you Baby!» ou «Uxxxxxxp yours, Baby». A nossa extrema esquerda, coadjuvada pela esquerda moderada (ainda existe?) e pelo mais alto magistrado da nação, Marcelo Rebelo de Sousa, são de facto delirantes. Com a imigração descontrolada e o pagamento de compensações, mesmo que não em verdinhas ou euros ( será que figuras como Mamadou Ba aceitam cheques pré datados a serem descontados daqui a 300 anos?), Portugal ficaria arrasado, a morrer de fome, a gastar todos os seus recursos com o exterior. Se já estamos mal com a imigração, o golpe de misericórdia seria dado através das compensações.      Rui Lima: Para o Marco Mendonça, um actor, dramaturgo e encenador , sugiro que leve à cena em Moçambique “Bens Perdidos, Vozes Caladas” O protagonista um português, recém-chegado a Moçambique, tenta reclamar “seus bens” dizendo que foram “roubados” pelos locais após a independência. O resto deixo para o Sr. Mendonça, será que tem coragem de ir a Moçambique abordar em teatro este drama de quem tudo perdeu ? Como seria a reacção local? Talvez devesse haver mais respeito de quem vem “para matar a fome” numa Europa que lhes oferece oportunidades para sobreviver e viver com mais dignidade.                   Francisco Almeida: Gostava de saber quanto financiamento público, directo e indirecto por suporte do D. Maria II, obteve essa "Reparations, Baby!". Não sou apenas curioso mas masoquista.                Paul C. Rosado: A esquerda nunca quis saber da verdade. Quer é uma boa história, para derrubar o ocidente capitalista.        Maria Nunes: Obrigada Dr. João Pedro Marques por mais um excelente e oportuno artigo. Marco Mendonça, um desconhecido dos portugueses, devia ir para o seu pais de origem, que bem precisa de génios como ele.                      Manuel Lisboa: Assistir à peça de teatro mencionada está fora de questão. Mas a propósito, o teatro D. Maria II e respectiva programação não são pagas pelos contribuintes portugueses? E já agora fica a sugestão do jovem autor ir fazer teatro para a sua terra de origem.       João Floriano > Rui Lima: Excelente, Rui! Mas para sermos sinceros, gente como Mamadou Ba ( «É preciso matar o homem branco! Então, era só uma maneira de dizer do Fanon! Vocês também levam tudo a sério. Não têm sentido de humor! Ninguém vos quer limpar o sebo. Então quem é que depois nos ia sustentar!»), estão a fazer o que lhes compete porque há anos que a esquerda deixa e agora a AD não parece ter grande vontade de cortar as verbas a chulos woke. Nós deixamos e eles aproveitam e quando protestamos lá vem na CS todo aquele chorrilho de impropérios que já são nossos conhecidos. Façam o que deve ser feito. Cancelar o «cartão de crédito!» Bloco, LIVRE , PAN e PS que os sustentem mas não com o nosso dinheiro.                     Carlos Quartel: Tempo de franceses e ingleses avançarem com um processo contra Suécia, Noruega e Dinamarca, pelas mortes, destruição e rapto de que foram vítimas, durante séculos, pelos vikings. Ingleses e conventos destruídos e saqueados, gente raptada para abastecer o mercado de escravos (um dos principais negócios), colheitas queimadas ou roubadas, em suma, um leque de crimes que fariam as delícias de um procurador diligente. Tudo registado e contabilizado. Só faltam as imagens, por absoluta incapacidade técnica.            João Floriano > João Floriano: «Ou seja, a menos que haja uma inesperada mudança no rumo dos acontecimentos e das correntes de opinião o assunto das reparações é um nado-morto em Portugal e faço votos de que assim permaneça.»               Helena Estiveira: Se vamos pensar em reparações aos povos escravizados, então temos de começar pelos impérios do Antigo Egipto e o Romano, temos de ir falar com a Grécia para pagar reparações a todos os povos que colocou ao seu serviço, com os Persas, os Vikings, os sumérios e assírios, os Hebreus e até civilizações americanas pré-colombianas. A prática é deplorável, sim, em absoluto. Mas muito mais chocante se pensarmos que hoje, quando a mesma constitui crime, continua a ser exercida, em países da Ásia à América, sob a forma de trabalho forçado, tráfico humano, casamentos compulsórios e servidão por nascimento. E em muitos desses países, é simplesmente “uma questão cultural”.        Afonso Soares: Será que os portugueses têm culpa do enriquecimento, corrupção e roubo que as elites que governam esses paises3 praticam? O Brasil, passados duzentos, e, repito, duzentos anos da sua independência, ainda não teve tempo de arrumar a casa e acabar com a miséria que lá existe. A culpa é dos portugueses? Não será das suas elites? Este assunto já cheira mal. Não haverá nada mais interessante para discutirmos? Esqueçam o radicalismo de esquerda. É que lhes estamos a dar uma importância que não merecem. São gente insignificante.              Maria Augusta Martins: Actualmente o maior traficante negreiro é a TAP! E bem caro custou ao contribuinte esse transporte e ...soma e segue!        Mario: Excelente artigo, como sempre!              Tomazz Man: Está cá tudo! Muito bem.       João Floriano > João Floriano: Temo que a inesperada mudança de rumo não seja assim tão inesperada e que o nado esteja mesmo morto. Por enquanto ainda o vejo mexer na incubadora onde a esquerda foi metida à espera de dias mais prometedores. Hoje a esquerda acordou feliz e contente e Mariana Mortágua até conseguiu comer meia torrada, tal foi a alegria com a decisão do TC sobre a lei de Estrangeiros. Espero que a alegria seja ainda menos duradoura do que a permanência em cena da grande obra teatral «Upzzzzzzz yours, Baby!», perdão : «Reparations, Baby! - Readnnnnnnnn my lips!». Em Cascais Marcelo levantou-se cheio de energia e emborcou um Fortimel e uma ginjinha. «Vou arriscar! Se me borrar todo como da outra vez, corro para a água. Só espero chegar a tempo. Sim pelo não levo calções castanhos.» Em moderação                   Rosa Graça: Excelente.                    Bailaruco Madeira: Mais um artigo muito esclarecedor de João Pedro Marques, que denuncia, mais uma vez, a indigência intelectual da Esquerda Radical Mentirosa.     José Ramos: Sendo que «o conhecido activista Mamadou Ba» nem sequer provém do ex-espaço ultramarino português...                 fonseca 07: Não fui ver. Nem vou. Nem que me pagassem, o que não é o caso.         Marta Isabel de Oliveira Várzeas: Além de tudo o resto, tão bem analisado e criticado pelo João Pedro Marques, é inacreditável e muito contraditório que a esquerda ateia e revolucionária insista na culpa. Quantas vezes o autor da peça usa a palavra!

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