sábado, 30 de agosto de 2025

Gente boa é outra coisa

 

Elas são activistas, defensoras das causas nobres, para mais em flotilha, que sempre fica dispendiosa nestes desempenhos altruísticos, convinha ser-se mais condescendente com as suas propostas ditadas pela piedade virtuosa, embora a gente também possa pensar em passeios turísticos, mas é porque não somos tão nobremente altruístas, como foi a tal Greta também, que tanto brado deu, mas com certeza que não foi ela que pagou a viagem nem o brado. Temos a certeza de que a Mariana também o dará, mesmo sendo ela a pagar a viagem pia, mas também de risco, que o Netanyahu não é de modas nem de modos. O Paulo Rangel devia ser mais compreensivo, julgo, embora pense que não tenho apoiantes neste meu julgamento, pois nem toda a gente é assim tão compreensiva como eu sou.

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Governo avisa Mortágua: Estado não tem "responsabilidade jurídica" de proteger flotilha que vai para Gaza

Mortágua exigiu protecção do Estado à flotilha em que vai partir, com outros 43 activistas e políticos, para Gaza. Mas MNE diz que não tem essa responsabilidade, uma vez que a embarcação não é nacional.

MARIANA LIMA CUNHA: Texto

OBSERVADOR, 29 ago. 2025, 13:03 119 

Mariana Mortágua acredita que o Governo tem a “obrigação legal e moral” de ajudar a flotilha em que vai partir este domingo a cumprir o objectivo de chegar a Gaza, mas o Executivo discorda. A dois dias da partida do navio, cuja tripulação também incluirá celebridades e políticos estrangeiros, o ministério dos Negócios Estrangeiros lembra que, à luz do direito internacional, não existe uma “responsabilidade jurídicado Estado português nesse sentido, até porque a iniciativa é autónoma e não tem “qualquer vínculo” ao Estado.

Numa resposta enviada ao Observador, e questionado sobre a protecção que a deputada e líder bloquista tem exigido — até porque acredita que a inclusão de políticos eleitos pode aumentar a protecção diplomática concedida à embarcação –, o ministério de Paulo Rangel é claro: “A participação na Global Sumud Flotilha consubstancia uma iniciativa autónoma da sociedade civil, que não tem qualquer vínculo ou vinculação ao Estado português”.

Assim, prossegue a mesma resposta, “importa lembrar que à luz do direito internacional, não existe uma responsabilidade jurídica por parte do Estado português de proteção do navio ou dos seus tripulantes”.

Outra coisa, lê-se nesta resposta, é a protecção consular: essa é “assegurada, se necessária, a todos os cidadãos portugueses no estrangeiro”. E essa protecção pode ser necessária caso o cenário seja, para estes tripulantes, semelhante ao que aconteceu em junho, quando a flotilha que também transportava Greta Thunberg, ao lado de outros activistas, foi interceptada pelas autoridades israelitas quando chegava a Gaza: foram desviados para território israelita e detidos ou deportados (imediatamente, no caso dos que concordaram sê-lo voluntariamente).

O decreto que estabelece o regulamento consular indica que a protecção consultar, quando se “verifique necessária e seja possível”, é exercida de várias formas: desde logo, na prestação de apoio a pessoas “detidas ou presas”; também na prestação de socorros, apoio para pessoas que se encontrem “em risco, de modo a garantir o seu bem-estar e segurança”; ou no acompanhamento de processos de expulsão ou deportação, “prestando o aconselhamento necessário, garantindo a defesa dos direitos dos cidadãos nacionais e promovendo o acolhimento à chegada quando solicitado”.

No caso de detenção e prisão, prevê-se que “os postos e secções consulares prestam apoio a pessoas de nacionalidade portuguesa detidas ou presas no estrangeiro, conformando a sua actuação à estrita observância do princípio da não ingerência na administração da justiça do Estado receptor”, contactando as autoridades locais para obter informações ou procurando que tenham o “tratamento adequado” dessas autoridades.

Esse apoio pode também ser concretizado através de “assistência à navegação marítima e aeronáutica civil“, prevendo o artigo 38º que esse apoio seja prestado a embarcações “nacionais”. Mas, como frisa o Executivo, este não é o caso da flotilha humanitária, uma vez que esta não tem nenhum “vínculo” ao Estado português.

Flotilha quer protecção diplomática. BE pressiona MNE

Mariana Mortágua defendeu na terça-feira, depois de se saber que iria até Gaza como parte desta missão humanitária, que o Executivo tem a obrigação legal e moral de usar “todos os instrumentos” para garantir que a Flotilha Humanitária “chega a Gaza em segurança e consegue entregar ajuda humanitária” na Palestina. Numa conferência de imprensa, explicou que os três participantes portugueses — a própria, a atriz Sofia Aparício e o activista Miguel Duarte — enviaram uma carta ao Ministério dos Negócios Estrangeiros em que explicavam as “informações essenciais” sobre esta missão, defendendo que Portugal deve garantir a segurança de quem a integra e permitir que fure o cerco israelita.

Além disso, defendia a coordenadora do Bloco de Esquerda, o facto de embarcarem nesta missão deputados e eurodeputados de vários países deveria significar que “mais difícil será ao Governo israelita contra-atacar ou bloquear a passagem destes barcos”, como aconteceu com a Flotilha da Liberdade, que transportava Greta Thunberg e outros activistas. Por isso, disse que na decisão de integrar a missão pesou o facto de ser deputado e gozar de uma “proteção diplomática” que pode ser “útil”.

na rádio Observador, o dirigente Fabian Figueiredo justificou que Mortágua quer “mobilizar a força do mandato, a imunidade parlamentar, para proteger a flotilha”, lembrando que várias embarcações que queriam chegar a Gaza foram ao longo do anos “capturadas ilegalmente em águas internacionais” pelo exército israelita, tendo a tripulação sido “raptada para Israel e detida — há vários relatos de tortura”.

O bloquista argumentava assim que elementos de órgãos de soberania dos Estados devem ter essa protecção garantida: “Há a expectativa, mais do que legítima, de que o Estado português garanta que o Estado de Israel não desvia a embarcação e deixa chegar a missão humanitária a Gaza. Essa mesma expectativa existe nas outras embarcações”. O MNE, dizia, já conhece o trajecto e saberá “a cada momento” do paradeiro do barco — “e deve dizer ao Estado de Israel que não aceita e que deverá actuar caso seja ilegalmente desviado. (…) Os Países Baixos têm sancionado ministros pelos seus apelos e participação em decisões que levam à propagação de crimes de guerra. O Estado português deve fazer exactamente o mesmo, e esperemos que o MNE já tenha sinalizado ao embaixador de Israel que não aceita que sejam tomadas decisões ilegais de desvio”, defendia.

Governo fala em “populismo”, mesmo que iniciativa seja “louvável”

Esta semana, Paulo Rangel classificou a iniciativa como “louvável” mas disse, a partir da Universidade de Verão do PSD, que a posição do Bloco é populista: “O PCP e o Bloco de Esquerda tiveram seis anos influência determinante sobre o PS e não fizeram nada. Ninguém fez mais pela causa dos dois Estados que este Governo”, defendeu, considerando injusto que esses partidos classifiquem agora o Executivo como um “cúmplice de genocídio” quando o Governo está a ponderar reconhecer o Estado palestiniano em setembro, numa Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.

A flotilha parte este domingo de Barcelona e vai empreender uma viagem que durará cerca de duas semanas, levando a bordo uma delegação composta por representantes de 44 países. São várias embarcações onde estará a delegação portuguesa, mas também nomes como os de Greta Thunberg e dos actores Mark Ruffalo ou Susan Sarandon, que têm defendido a causa palestiniana.

A  Flotilha Global Sumud explica no seu site que é uma frota “coordenada, não violenta e composta por pequenas embarcações” que pretendem “quebrar a ocupação ilegal e o cerco em Gaza”. Define-se como sendo “uma coligação diversa de participantes internacionais” e diz que “cada barco representa a comunidade e a recusa de ficar calado frente ao genocídio”, tendo por objectivo levar ajuda humanitária (alimentar e médica) à Faixa de Gaza e sensibilizar a comunidade internacional para a causa.

Esta será, segundo os participantes, a maior flotilha e, nas palavras de Thunberg, a “a maior tentativa de quebrar o cerco ilegal de Israel sobre Gaza”. Em junho, a flotilha anterior tentou chegar a Gaza mas foi desviada antes pelas autoridades israelitas antes de cumprir o objectivo. De seguida, o Governo israelita anunciou que começaria a deportar os activistas, tendo Thunberg sido uma das participantes que aceitaram voluntariamente ser deportadas para o país de origem (neste caso, a Suécia). Os Executivos desses países acompanharam as deportações.

Outros activistas recusaram assinar as ordens de deportação, tendo ficado detidos e sido levados às autoridades israelitas para que a deportação fosse autorizada e forçada. O Executivo de Benjamin Netanyahu já se tinha referido à iniciativa como um iate para selfies e classificado os activistas como “porta-vozes da propaganda do Hamas”.

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COMENTÁRIOS (de 120)

graça Dias: Claro que o governo não tem, nem nunca deveria proteger esta frota "pró- Hamas". Esta gentinha, onde se inclui a líder do BE são uma "seita" de pensamento poluído ao serviço de grupos terroristas.                     José Nicolau: A justificação de não ter protecção por ser um barco estrangeiro, está errada. A justificação devia ser porque Portugal não tem que dar protecção à deputada única do BE em viagens lúdicas.              Kindu: Se conseguir passar, o Hamas aplica a sharia a LGBTs. Em Gaza não sei qual é o castigo, mas noutros países varia entre as dez chibatadas e a pena de morte.         Luis Figueiredo: Mariana Mortágua deve andar a fumar o que não deve. Só pode. Como é politicamente irrelevante só consegue o soudbite dos telejornais e para tal decidiu ir de barco a Gaza arranjar confusão e fazer porcaria. E quer que o governo mande a marinha de guerra proteger a viagem. No mínimo um submarino e duas corvetas de guerra e uma escolta aérea estão nesta sua ideia e dos inenarráveis dirigentes do Bloco. O que pretende: ser fotografada a ser detida em Israel e a ser deportada, para aparecer nas notícias.

(CONTINUA)

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