sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Gozar que fartar

 

Refiro-me, é claro, a esse Putin, que assiste do seu terraço ou da sua cadeira ao desenrolar dos mundos do seu fito conquistador. Um homem feliz, que até tem quem lhe aperte a mão, entre esses tais dos mundos de cá que se dizem poderosos, e sem medos, mas que, pelo contrário, parecem tê-los, tão ombro a ombro se passeiam, devotamente. Só falta mesmo usarem um hipotético “pai-nosso” terreno, a pedir meças.

Mas prefiro reler Fernando Pessoa, que canta uma pessoa também feliz, mas sem gozo, por muito que mereça tristeza o seu canto, simplesmente melódico:

Ela canta, pobre ceifeira,

Julgando-se feliz talvez;

Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia

De alegre e anónima viuvez,

Ondula como um canto de ave

No ar limpo como um limiar,

E há curvas no enredo suave

Do som que ela tem a cantar.

 

Ouvi-la alegra e entristece,

Na sua voz há o campo e a lida,

E canta como se tivesse

Mais razões para cantar que a vida.

Ah, canta, canta sem razão!

O que em mim sente está pensando.

Derrama no meu coração

A tua incerta voz ondeando!

Ah, poder ser tu, sendo eu!

Ter a tua alegre inconsciência,

E a consciência disso! Ó céu!

Ó campo! Ó canção! A ciência

Pesa tanto e a vida é tão breve!

Entrai por mim dentro! Tornai

Minha alma a vossa sombra leve!

Depois, levando-me, passai!

Ministros dos Negócios Estrangeiros da UE em Copenhaga para reunião marcada por ataque russo em Kiev e invasão a Gaza

Bombardeamento russo que atingiu as instalações da UE em Kiev deverá dominar parte do encontro entre os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 países, nos quais se inclui o português Paulo Rangel.

AGÊNCIA LUSA: Texto

OBSERVADOR, 28 ago. 2025, 14:23 4 

Reunião será presidida por Kaja Kallas, que convocou o enviado do Kremlin para a UE, exigindo explicações sobre o ataque

OLIVIER MATTHYS/EPA

Acompanhe o nosso liveblog sobre a guerra na Ucrânia.

Os ministros da diplomacia da União Europeia reúnem-se em Copenhaga, na Dinamarca, na sexta-feira e sábado, para uma reunião, um dia depois de um bombardeamento russo que danificou instalações da União Europeia (UE) na capital da Ucrânia.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 países da UE, incluindo o português PAULO RANGEL, reúnem-se para uma reunião informal, apelidada de GYMNICH e que recebeu o nome do lugar onde se realizou a primeira reunião, numa localidade na Alemanha, em 1974.

O carácter informal do encontro impossibilita quaisquer decisões por parte dos governantes, mas um bombardeamento russo em Kiev, durante a madrugada desta quinta-feira, cuja onda de choque atingiu as instalações da UE na capital ucraniana, deverá dominar parte da reunião.

A reunião é presidida pela alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, KAJA KALLAS, que anunciou esta quinta-feira que convocou o enviado do Kremlin para a UE, exigindo explicações sobre o ataque russo em Kiev, que fez pelo menos 14 mortos.

Em simultâneo, os ministros discutirão as últimas negociações entre a Ucrânia e a Rússia, mediadas pelo Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, e a possibilidade de uma reunião entre os homólogos ucraniano, Volodymyr Zelensky, e russo, Vladimir Putin, ainda sem data prevista, depois de o Kremlin dizer que quer anexar o território que ocupou e exigir que a Ucrânia nunca integre a Aliança Atlântica.

Da discussão vão fazer parte possíveis novos compromissos de segurança com a Ucrânia, nomeadamente mais apoio militar ao país invadido há mais de três anos pela Rússia, e a possível arquitectura das “garantias de segurança“, equivalentes ao artigo 5.º da NATO, sobre defesa colectiva.

Em simultâneo, a estratégia de Israel de ocupar a Cidade de Gaza, no território palestiniano da Faixa de Gaza, também vai fazer parte dos dois dias de reunião.

Numa altura em que aumenta a pressão política internacional sobre o Governo de Benjamin Netanyahu, a Comissão Europeia, o Parlamento Europeu, o Conselho Europeu, presidido por António Costa, e o Conselho da UE estão a ser criticados por mais de 200 diplomatas e funcionários europeus, que acusam Bruxelas de cumplicidade com Telavive devido ao silêncio e falta de medidas concretas perante a ofensiva militar israelita, em curso há quase 23 meses.

Em simultâneo, realiza-se esta quinta e sexta-feira uma reunião dos ministros da Defesa da UE, também informal, para discutir novas fases do apoio militar à Ucrânia.

O ministro da Defesa, Nuno Melo, não participa na reunião, sendo representado ao nível do secretário de Estado da Política e Defesa Nacional.

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COMENTÁRIOS

AndradeBG: Fazem-se tantos estudos na UE que mais um importante que não pesaria muito nos impostos, o de fazer um estudo comparativo entre o número de reuniões da UE e do Kremlin. Ou muito me engano ou acabarão por concluir que a eficácia é inversamente proporcional ao número de reuniões.                    António Duarte: E sai mais uma cimeira e uma declaração final a acompanhar a lagosta e o vinho verde, finalizada com uma promessa de envio de mísseis Taurus e outros para a Ucrânia… que nunca mais lá chegam e por isso os russos, naturalmente, continuam a sua guerra contra nós!                   A. Samora: Não percebem nada daquilo. O que deveriam era nomear uma comissão de inquérito, ou um grupo de trabalho, sei lá. Aproveitavam agora que têm lá o Costa com bastante experiência na coisa. Ou enão, melhor ainda, mandavam o Costa a Moscovo dar um recado qualquer. Uma vez lá, apanhando-se a parlamentar com o Putin ou com o Lavrov, ele dava uma das golpaças dele - à Tó Zé Seguro - e virava presidente do Ktremelin.                  f Teixeira: Quanto mais tempo será necessário para que aquele conjunto de ministros actue e mande esta senhora Kallas para a reforma ou outra coisa qualquer lá em Bruxelas? A imagem até é gira e o nome adequado (calada é que está bem) mas a senhora, quando fala, se não entra mosca, sai asneira. A UE não pode ter uma pessoa desta inabilidade na diplomacia, como não devia ter um Costa no conselho, mas.... Antes assim, melhor lá do que cá. Enfim, estamos mal servidos de políticas e políticos e esse é um problema de fundo.

 

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