Refiro-me, é claro, a esse Putin, que assiste do seu terraço ou da sua cadeira
ao desenrolar dos mundos do seu fito conquistador. Um homem feliz, que até tem
quem lhe aperte a mão, entre esses tais dos mundos de cá que se dizem poderosos,
e sem medos, mas que, pelo contrário, parecem tê-los, tão ombro a ombro se
passeiam, devotamente. Só falta mesmo usarem um hipotético “pai-nosso” terreno,
a pedir meças.
Mas prefiro reler Fernando Pessoa, que canta uma pessoa também feliz,
mas sem gozo, por muito que mereça tristeza o seu canto, simplesmente melódico:
Ela canta,
pobre ceifeira,
Julgando-se
feliz talvez;
Canta, e
ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e
anónima viuvez,
Ondula como
um canto de ave
No ar limpo
como um limiar,
E há curvas
no enredo suave
Do som que
ela tem a cantar.
Ouvi-la
alegra e entristece,
Na sua voz há
o campo e a lida,
E canta como
se tivesse
Mais razões
para cantar que a vida.
Ah, canta,
canta sem razão!
O que em mim
sente está pensando.
Derrama no
meu coração
A tua incerta
voz ondeando!
Ah, poder ser
tu, sendo eu!
Ter a tua
alegre inconsciência,
E a
consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó
canção! A ciência
Pesa tanto e
a vida é tão breve!
Entrai por
mim dentro! Tornai
Minha alma a
vossa sombra leve!
Depois,
levando-me, passai!
Ministros dos Negócios Estrangeiros da
UE em Copenhaga para reunião marcada por ataque russo em Kiev e invasão a Gaza
Bombardeamento russo que atingiu as
instalações da UE em Kiev deverá dominar parte do encontro entre os ministros
dos Negócios Estrangeiros dos 27 países, nos quais se inclui o português Paulo
Rangel.
OBSERVADOR, 28 ago. 2025, 14:23 4
▲Reunião será presidida por Kaja Kallas, que convocou o enviado do Kremlin para a UE, exigindo explicações
sobre o ataque
OLIVIER MATTHYS/EPA
Acompanhe o nosso liveblog sobre a guerra na Ucrânia.
Os ministros da diplomacia da União
Europeia reúnem-se em Copenhaga, na Dinamarca, na sexta-feira e sábado, para
uma reunião, um dia depois de um bombardeamento russo que danificou
instalações da União Europeia (UE) na capital da Ucrânia.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros
dos 27 países da UE, incluindo o português PAULO RANGEL, reúnem-se
para uma reunião informal, apelidada de GYMNICH
e que recebeu o nome do lugar onde se realizou a primeira reunião, numa
localidade na Alemanha, em 1974.
O carácter informal do
encontro impossibilita quaisquer decisões por parte dos governantes, mas um
bombardeamento russo em Kiev, durante a madrugada desta quinta-feira, cuja onda
de choque atingiu as instalações da UE na capital ucraniana, deverá dominar
parte da reunião.
A reunião é presidida pela alta
representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, KAJA KALLAS, que
anunciou esta quinta-feira que convocou o enviado do Kremlin para a UE, exigindo explicações sobre o ataque russo
em Kiev, que fez pelo menos 14 mortos.
Em simultâneo, os ministros discutirão as últimas negociações entre a Ucrânia e a
Rússia, mediadas pelo Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald
Trump, e a possibilidade de uma reunião entre os homólogos ucraniano, Volodymyr
Zelensky, e russo, Vladimir Putin, ainda sem data prevista, depois de o Kremlin
dizer que quer anexar o território que ocupou e exigir que a
Ucrânia nunca integre a Aliança Atlântica.
Da discussão vão fazer parte possíveis novos compromissos de
segurança com a Ucrânia, nomeadamente
mais apoio militar ao país invadido há mais de três anos pela Rússia, e a
possível arquitectura das “garantias de segurança“, equivalentes ao artigo 5.º
da NATO, sobre defesa colectiva.
Em simultâneo, a estratégia de Israel de
ocupar a Cidade de Gaza, no território palestiniano da Faixa de Gaza, também
vai fazer parte dos dois dias de reunião.
Numa altura em que aumenta a
pressão política internacional sobre o Governo de Benjamin Netanyahu, a
Comissão Europeia, o Parlamento Europeu, o Conselho Europeu, presidido por
António Costa, e o Conselho da UE estão a ser criticados por mais de 200
diplomatas e funcionários europeus, que acusam Bruxelas de cumplicidade com
Telavive devido ao silêncio e falta de medidas concretas perante a ofensiva
militar israelita, em curso há quase 23 meses.
Em simultâneo, realiza-se esta quinta
e sexta-feira uma reunião dos ministros da Defesa da UE, também informal, para
discutir novas fases do apoio militar à Ucrânia.
O
ministro da Defesa, Nuno Melo, não participa na reunião, sendo representado ao
nível do secretário de Estado da Política e Defesa Nacional.
GUERRA NA UCRÂNIA UCRÂNIA EUROPA
MUNDO UNIÃO EUROPEIA DINAMARCA CONFLITO ISRAELO-PALESTINIANO
COMENTÁRIOS
AndradeBG: Fazem-se tantos estudos na UE que mais um importante
que não pesaria muito nos impostos, o de fazer um estudo comparativo entre o
número de reuniões da UE e do Kremlin. Ou muito me engano ou acabarão por
concluir que a eficácia é inversamente proporcional ao número de reuniões. António
Duarte: E sai
mais uma cimeira e uma declaração final a acompanhar a lagosta e o vinho verde,
finalizada com uma promessa de envio de mísseis Taurus e outros para a Ucrânia…
que nunca mais lá chegam e por isso os russos, naturalmente, continuam a sua
guerra contra nós!
A. Samora: Não percebem nada daquilo. O que deveriam era nomear
uma comissão de inquérito, ou um grupo de trabalho, sei lá. Aproveitavam agora
que têm lá o Costa com bastante experiência na coisa. Ou enão, melhor ainda,
mandavam o Costa a Moscovo dar um recado qualquer. Uma vez lá, apanhando-se a
parlamentar com o Putin ou com o Lavrov, ele dava uma das golpaças dele - à Tó
Zé Seguro - e virava presidente do Ktremelin. f Teixeira: Quanto mais tempo será necessário para que aquele
conjunto de ministros actue e mande esta senhora Kallas para a reforma ou outra
coisa qualquer lá em Bruxelas? A imagem até é gira e o nome adequado (calada é
que está bem) mas a senhora, quando fala, se não entra mosca, sai asneira. A UE
não pode ter uma pessoa desta inabilidade na diplomacia, como não devia ter um
Costa no conselho, mas.... Antes assim, melhor lá do que cá. Enfim, estamos mal
servidos de políticas e políticos e esse é um problema de fundo.
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