Digo, a
razão. Dito por uma ensaísta que tem o raciocínio aprumado segundo critérios de
frontalidade esclarecida e não inspirada nas hipocrisias de um falso amor e
virtude protectores, em dirigismo mesquinho de valores reais.
O
genocídio da razão
Quais são as responsabilidades
que os patrocinadores do estado palestiniano vão assumir? E com quem? Temos o
direito de saber. Porque um dia podemos estar no
lugar de Israel: o de genocídio da razão
HELENA MATOS Colunista do Observador
OBSERVADOR,03 ago. 2025, 06:5487
O corpo
martirizado pela fome provocada por Israel do bebé Mohammed Zakaria al-Mutawaq
em 2025 sucede-se à tragédia de Huda Ghalia, a menina palestiniana que em 2006
chorava a sua família morta pela explosão duma bomba israelita, quando fazia um
pic-nic na praia, ou à agonia de Muhammad al-Durrah, o rapaz que em 2000 morreu
nos braços do seu pai baleado por soldados israelitas … Em todos estes casos
temos crianças no meio de um sofrimento intolerável causado, dizem-nos, pela
brutalidade israelita. Estas três capas daquele que é um dos jornais
mais influentes do mundo ilustram esses momentos do genocídio da razão, em que
se tornou impossível continuar a defender Israel.
Todos estes
casos foram seguidos de ondas de indignação internacional que levaram,
eufemisticamente falando, a um maior apoio à causa palestiniana, aos refugiados
palestinianos e aos territórios palestinianos (apoio esse que se traduziu
invariavelmente em fortes benefícios para movimentos como o Hamas e a Jihad).
Em todos estes casos era verdade o que se via — o
corpo de Mohammed Zakaria al-Mutawaq ao colo da sua mãe apresenta óbvios sinais
de sofrimento; Huda Ghalia perdeu de facto a sua família numa explosão numa
praia de Gaza e Muhammad al-Durrah e o pai estão cercados por balas. Mas em todos
estes casos as notícia deram lugar à propaganda: as balas disparadas sobre
Muhammad al-Durrah e o seu pai muito provavelmente não foram disparadas por
tropas israelitas mas sim por palestinianos. Documentários e investigações têm analisado o que aconteceu
naquele tiroteio, mas quando as perguntas começaram a ser feitas já tinha
começado a segunda intifada, já se imprimiam selos com a imagem da criança
agonizante e até se vieram a pintar murais em que os soldados de Israel apontam directamente para a cabeça
do pai e do filho.
O mesmo se passa com a origem
da bomba que matou a família de Huda Ghalia: num primeiro momento a culpa de
Israel era óbvia e inquestionável. Quando começaram a chegar os relatórios a
questionar essa versão já era tarde para contrariar a narrativa mediática da
orfã-mártir (Huda Ghalia voltou agora a ser notícia, com a sua morte às mãos dos
soldados israelitas a ser anunciada para depois ser desmentida). E chegando ao caso mais recente, o do
bebé Mohammed Zakaria al-Mutawaq, é indiscutível que sofre de uma doença
genética que se agravou com a situação vivida em Gaza, mas as marcas do seu
corpo não são o resultado da fome, como muitos quiseram acreditar e sobretudo
impor que se acreditasse. (Bastava olhar para as mãos da mãe que
segura Mohammed Zakaria al-Mutawaq ou para a criança que noutras fotos surge ao
seu lado e que Israel afirma ser seu irmão para perceber a manipulação com o
genocídio pela fome que está a ter lugar).
Cada uma
destas imagens invariavelmente repetida à exaustão gera um efeito também ele
invariável: o sofrimento de cada uma destas crianças-mártir começa e acaba em
Israel e por Israel. Já não há Hamas, nem Jihad, nem sequer essa entidade fantástica que
é o Ministério da Saúde do governo de Gaza. Resta apenas aquela massa humana
esfomeada e desorientada num cenário apocalíptico. Em nenhum outro
conflito se assiste a este apagamento-desresponsabilização de quem detém o
poder. Convém recordar que não só o Hamas mantém em
seu poder, em Gaza, 50 reféns israelitas, como avisou os promotores do
reconhecimento do estado da Palestina que recusa desarmar-se. A este
apagamento-desresponsabilização das lideranças do Hamas corresponde uma hiper
visibilidade-responsabilização dos dirigentes israelitas. Em 2025, a centralidade da culpa
está em Benjamin Netanyahu, e é agora consensual que se este radical de direita não fosse primeiro-ministro tudo seria diferente. Obviamente muito seria
diferente mas não necessariamente o que se supõe: em 2006, quando Huda Ghalia se arrastava pela areia
chamando pelo pai, não só era primeiro-ministro
de Israel o centrista Ehud Olmert, que governava entre outros com os
Trabalhistas, como os israelitas tinham saído de Gaza no ano anterior. E em 2000, quando Muhammad al-Durrah se
agarra ao pai para escapar das balas, o primeiro-ministro era o socialista Ehud Barak.
Acossado no
terreno, o terrorismo islâmico venceu no Ocidente a guerra não tanto do que se
pensa mas sobretudo do que se pode dizer. O mundo ocidental não combate
mas comove-se. Dêem-lhe um mártir e ele indigna-se. Das universidades às
redacções, dos concertos às palestras, o activismo pela Palestina assemelha-se
a um transe de virtude.
O genocídio pela
fome em Gaza é a mais recente mas não a última de uma longa série de manipulações mediáticas, que se renovam com crescente vigor, como se o desmontar de cada
dessas manipulações apenas servisse para acrescentar o entusiasmo em torno da
seguinte. E a seguinte, ou uma das seguintes, interpela-nos
directamente: a intenção expressa por vários países, entre os
quais Portugal, de virem a reconhecer um estado palestiniano vai traduzir-se em
quê? Note-se:
um conjunto de países que nunca conseguiram sequer assegurar que a ajuda que
prestavam aos palestinianos chegasse efectivamente a estes e não fosse desviada
pelos movimentos terroristas, pretende agora reconhecer um estado palestiniano.
Quais são as responsabilidades que esses patrocinadores do novo estado vão
assumir? Que protocolos e compromissos vão ser firmados? E com quem? Temos o
direito de saber. E a necessidade também. Porque um dia podemos estar no lugar de Israel, o do
genocídio da razão.
CONFLITO
ISRAELO-PALESTINIANO MUNDO ISRAEL MÉDIO ORIENTE
COMENTÁRIOS (de
88)
Rui Lima: O único Estado democrático no
Médio Oriente é atacado constantemente por se defender pelo Ocidente. Cristãos perseguidos ignorados, muçulmanos radicais protegidos, na
Nigéria, Egipto ou Paquistão… cristãos são assassinados ou
vivem com medo mas isso raramente gera comoção nas universidades ou nos media. Já
qualquer incidente envolvendo um muçulmano (mesmo um extremista) acende todos
os alarmes mediáticos. O
Ocidente virou costas aos seus próprios, enquanto se curva aos que o desprezam,
compra as dores alheias com
fervor sobretudo quando essas dores servem para reforçar a narrativa da sua
própria culpa e ao mesmo tempo abandona os seus aliados, os seus valores, a sua
história. Será
que Putin pode ser a salvação da Europa? Será que, se esta for atacada, terá um
choque de realidade ? O Ocidente teria que escolher: reagir com força ou
desaparecer. A esquerda universitária ficaria muda? Penso que quando ha tanques
nas fronteiras ou mísseis a cair, a conversa sobre o “género neutro “e
“colonialismo linguístico” …. ia desaparecer. Carlos
Chaves: Um
grande aplauso para a Helena Matos, quando até neste país o discurso quase
generalizado vai no sentido contrário ao desta excelente exposição feita pela
cronista! Obrigado. P.S.1 Porquê que os terroristas do hamas não libertam os
reféns para acabar com esta guerra? Porque preferem sacrificar o seu povo para
prosseguirem a sua estratégia terrorista de aniquilamento da única democracia
naquela região! P.S.2 Como é que aquela gente na Palestina se alimentava
anteriormente? Já viram alguma vez um único campo cultivado naquela região? Ou
alguma criação de gado? Fica a perplexidade! Maria
Tubucci: Excelente,
Cara HM. Quando diz, “Das universidades às redacções, dos concertos às
palestras, o activismo pela Palestina assemelha-se a um transe de virtude.“
Aqui está o genocídio da razão, pois uma pequena e privilegiada minoria, cheia
de humanismo balofo, tenta enfiar pela goela abaixo dos ocidentais a narrativa
dos coitadinhos dos “palestinianos”, que estão a ser exterminados pelos maus dos israelitas. Mas não conseguem enxergar que há
outros conflitos no mundo que causam situações de fome e subnutrição, como no
Sudão, Iémen e sul da Síria. Isto revela que se estão a marimbar para o
sofrimento das pessoas, os “palestinianos” para eles são apenas armas para
atacarem os israelitas. Os genocidas
da razão odeiam o mundo onde
vivem, são tão cobardes que não conseguem sair do seu confortável e seguro
mundinho e emigrarem para o mundo que veneram. Também há o efeito secundário
da acção destes manipuladores, esta minoria barulhenta está a acordar as
pessoas e a forçá-las a decidir de que lado estão. Por exemplo, se há 5
anos me perguntassem “O que achas do conflito entre os “palestinianos” e os
israelitas? Teria respondido: “Quero lá saber disso é um assunto entre eles”.
Hoje de tanto martelarem a paciência só dando importância a este conflito,
obrigaram-me a abrir os olhos e hoje estou do lado dos israelitas. Aliás, se os
genocidas da razão vencerem os israelitas a seguir somos nós... Como é que querem
ter um estado, se os palestinianos são incapazes de se relacionarem entre as
várias facções, logo também são incapazes de relacionarem com os outros que
estão em sua volta. Aliás, são tão multiculturais que só casam entre
eles, daí a elevada percentagem de doenças genéticas, tal como mostra a famosa
foto da manipulação da “fome”. Naquela zona do mundo só há ódio que
continuamente está a ser passado para a geração seguinte. O ódio não produz uma
nação, ou melhor, um conjunto de tribos não faz uma nação... Paul C.
Rosado: O islão
expansionista não pode nunca ser recompensado, atribuindo-lhes o território que
roubaram pela espada! A esquerdalha quer é destruir o Ocidente, para
destruir o capitalismo. Esta táctica soviética já vem dos anos 60 e
continua a medrar nas cabecinhas de muitos ocidentais, ignorantes em relação à
natureza fascista, violenta e expansionista do Islão. Lily Lx
> Ruço Cascais: Pressionar Israel? Quem precisa de pressão
é o Hamas. Libertem os reféns!
Tim do A: A UE
está com os terroristas do Hamas. Portugal, o Irão, a Rússia e a ONU também. O
Ocidente está no caminho de ser colonizado pelo Islão. Maria
Cordes: Um povo
refém de uma organização terrorista, que recebe apoios da ONU, explora e mata
os próprios se não aderem à sua ideologia, encheu as escolas e hospitais de
bombas e rockets, cujos chefes vivem principescamente no Catar, é a bandeira de
parte do Ocidente, cujo modo de viver é objectivo de destruição total, dessa
mesma organização. Lembra o bicho a comer a sua própria cauda. As fotos
de crianças a definhar, com progenitores anafados, ao lado, deviam
interrogar-nos. Impôe-se uma comissão independente, que avalie aquele
Ministério da Saúde, qual o papel da sua intervenção e os crimes do Hamas
contra o seu próprio povo. E não pode partir da ONU Lidia Santos: Excelente.
Parabéns por ter a coragem de sair do discurso oficial- Maria Nunes da Silva: Muitos
parabéns pelo artigo e pela coragem de expor uma verdade inquestionável que só
não vê quem não quer. É muito fácil condenar. Difícil é tentar perceber o que realmente está por trás num
mundo tão baseado em mentiras e notícias falsas. Continue a falar. Afonso
Soares: É só
questão de tempo até o mundo muçulmano conquistar o Ocidente. Já são uma
percentagem significativa na Europa. Será deles pela emigração constante e pela
procriação. Em sentido contrário decresce o número de europeus pela constante
diminuição de nascimentos de descdndentes de europeus. É só uma questao de
tempo e os que agora têm muita compaixão também serão por eles exterminados.
Isto não é catastrofismo. É simplesmente o futuro. É só ver a evolução
demográfica. Eles vão ter de se expandir. É só questão de tempo. Quanto ao que
vejo nas TVs desconfio do que vejo. A manipulação de imagens é inimaginável e
cada uma mostra o que quer. Onde está a verdade? Dificilmente saberemos. Nuno José: “Conceder um Estado ao inimigo que ainda
não aceita a tua existência é como oferecer uma faca ao homem que já te apontou
o pescoço.” – (atrib.) Churchill O Ocidente, na sua ânsia por soluções
diplomáticas rápidas e simbólicas, tende a romantizar a ideia de que conceder
um Estado resolve um conflito enraizado em ódios ideológicos profundos.
Contudo, quando tal Estado é entregue a facções cujo único programa político é
a destruição do vizinho soberano, não se constrói a paz — institucionaliza-se a
guerra por meios legais e com chancela internacional. O caso de Gaza desde 2006
é paradigmático: o Hamas, eleito mas nunca legitimado pela democracia que
violenta, usa a sua população como escudo humano, escolas como depósitos de
armamento e tréguas como pausas para rearmamento. Sob essa lógica, um Estado
palestiniano dominado por grupos radicais seria uma ameaça estrutural à
estabilidade regional e à segurança de Israel. Portugal, enquanto membro
responsável da comunidade internacional, não deve ceder à pressão emocional nem
à correção política mal informada. Reconhecer precipitadamente um Estado que
não reconhece Israel e cujo solo poderia servir como base de operações para
grupos jihadistas não é neutralidade diplomática — é negligência estratégica. O
nosso dever é, acima de tudo, defender os princípios da paz, da segurança e da
sobrevivência dos povos livres. E nesse contexto, Israel tem o direito — e o
dever — de garantir a sua existência, mesmo que isso contrarie os impulsos
sentimentais da plateia internacional. Muito bem Helena por levantar esse
ponto. Filipe Paes de Vasconcellos: Para
princípio de conversa deve-se começar por perguntar aos indignados o seguinte: 1.
É normal os cidadãos de um estado democrático e de direito viverem há 80 anos
em guerra permanente com os seus vizinhos? 2 . É normal que esse povo continue
a viver diariamente ao longo de 80 anos na iminência de o seu território, de
que fazem parte à vários séculos, ser invadido e o seu povo ser exterminado? 3
. É normal, e deve-se perguntar aos indignados, se se deve normalizar um grupo
terrorista como sendo dos bonzinhos enquanto que aqueles que sofrem à séculos
se têm de defender do seu extremínio são os maus? O indigno Guterres e os
cobardolas ocidentais estão a pôr-se a jeito para a sua própria destruição por
estes “magníficos “ terroristas. É absolutamente nojento o que se está a passar
neste mundo ocidental de gente fraca e com “capilé nas veias*.* Natália Correia Humilde Servo: Haja alguém que se mantenha lúcida neste
turbilhão de manipulações. Sou sensível ao sofrimento destes inocentes, e sou
sensível à luta milenar dos judeus pela sua sobrevivência e pela sua terra. Não
me esqueço de que este Hamas é traiçoeiro e letal e continua com reféns em seu
poder. Os poucos que têm sido libertados vivos vêm famélicos. Essa por enquanto
é a fome de que tenho a certeza. E no entanto, é verdade. Até o NYT publicou um
pequeno link em que esclarece que a fotografia publicada não é rigorosa. O
menino em causa padece de uma doença genética e é por isso que tem aquele
aspeto, não é pela fome, como dizia a capa do NYT. Coxinho: Não
posso deixar de aplaudir a justeza e a justiça do artigo da HM !!! Sr. ministro
dos Negócios Estrangeiros de Portugal, tem a certeza de estar a interpretar
correctamente a vontade da esmagadora maioria da população portuguesa ??? Não
estará o senhor a inverter o bico ao prego ??? Maria
Helena Oliveira: Tem
toda a razão. Filipa
Morão: Bravo!!!
Que lucidez falta no nosso jornalismo. Brilhante o seu artigo. Obrigada Sérgio
Rodrigues: O Prof. Mithá Ribeiro ontem explicou os
fundamentos civilizacionais do problema entre israelitas e palestinianos. A Helena Matos insiste hoje no tema, mas numa outra perspectiva.
Várias pessoas lúcidas já planificaram o que tem de ser planificado. Só o
governo de esquerda do PSD insiste em humilhar Portugal ao preparar-se para
reconhecer o Estado da Palestina.
(CONTINUA)
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